terça-feira, 10 de março de 2026

México

O México, pela sua localização, pertence à América do Norte e, segundo a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina. Com aproximada mente 129 milhões de habitantes, sua população é com posta majoritariamente de mestiços, brancos de origem hispânica e indígenas. É um país emergente e um dos três mais industrializados da América Latina, ao lado do Brasil e da Argentina.
A maior parte da população mexicana concentra-se na região Centro-Sul do território, no planalto de Anahuac – onde está localizada a Cidade do México, capital do país, e seu mais importante centro urbano. As menores densidades demográficas são verificadas nos extremos norte e sul do país, assim como na maior parte da costa do golfo do México (Atlântico).
Em várias regiões do México, sobretudo no norte, atuam diversos grupos ligados ao narcotráfico, pois o país é uma porta de entrada para as drogas nos Estados Unidos. No estado de Chiapas, o mais pobre do país, destacam-se o predomínio da população indígena e os elevados índices de pobreza. Esse estado é o berço do movimento Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), grupo armado revolucionário que, desde sua formação, pressiona o Estado mexicano a realizar mudanças sociais e econômicas na região.

Espaço econômico


O México apresenta o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e uma economia diversificada, com destaque para a alta participação do setor de comércio e serviços, assim como para a indústria e o extrativismo.
Em relação à produção agropecuária, a participação do setor na composição do PIB é menor do que no Brasil e na Argentina. No entanto, diversos cultivos se destacam no espaço rural mexicano, entre eles o milho, a soja, o trigo, o algodão, o café e a cana-de-açúcar.

Extrativismo e indústria


O território mexicano possui riquezas minerais como prata, chumbo, zinco, cobre e uma das maiores reservas mundiais de petróleo e gás natural – as exportações petrolíferas geram importantes fontes de divisas para o país. A abundância desses minerais e a expansão da produção de energia elétrica e das indústrias petroquímicas, siderúrgicas e automobilísticas favoreceram o desenvolvimento industrial mexicano, marcado pela forte presença de transnacionais estadunidenses.
Os principais recursos naturais no território mexicano são: petróleo, gás natural, prata, cobre, chumbo, zinco, ferro e manganês. O petróleo é extraído no Golfo do México e parte da produção é exportada. O México está entre os maiores produtores de petróleo cru do mundo, com uma das maiores reservas do recurso. O país é também exportador de gás natural.
O milho, que ocupa a maior parte das áreas de cultivo, é o principal alimento da população, herança das antigas civilizações que se desenvolveram no territó rio mexicano. A criação extensiva de gado bovino e o cultivo de café, algodão e cana-de-açúcar, além das culturas irrigadas de frutas e legumes, também se destacam no setor agropecuário.
O Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), acordo comercial entre Canadá, Estados Unidos e México, trouxe grandes investimentos econômicos e industriais para o território mexicano. Ao mesmo tempo, gerou problemas, como a importa ção de milho norte-americano, que desestruturou a produção de um item básico da alimentação mexicana. A mão de obra barata, os incentivos fiscais e os recursos naturais, como o petróleo, atraem as empresas transnacionais, principalmente dos Estados Unidos e do Canadá.
A presença de unidades produtivas de empresas estadunidenses no México, chamadas de maquiladoras, aumentou com a criação do Nafta, substituído pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que, por sua vez, pode limitar a continuidade dessa ampliação.
Essas indústrias se beneficiam da mão de obra local barata e de impostos e encargos sociais mais baixos (subsidiados pelo governo), além da localização estratégica – a maioria está localizada na zona de fronteira, possibilitando o escoamento de produtos com preços baixos e competitivos para o mercado estadunidense.
A entrada de indústrias transnacionais no México alavancou as vendas de bens industrializados para o exterior, sobretudo produtos eletroeletrônicos, ele trodomésticos e automotivos. Essas empresas importam parte dos componen tes e peças de outras filiais ou de suas matrizes a fim de realizar a montagem da mercadoria final: máquinas fotográficas, computadores, impressoras, televi sores, veículos automotores, entre outros produtos.
As áreas mais industrializadas do país são a Região Metropolitana da Cidade do México e a fronteira com os Estados Unidos, onde se destacam as indústrias automobilísticas e de autopeças. A maioria dessas indústrias são transnacionais, chamadas de maquiladoras, que se beneficiam do baixo custo da mão de obra mexicana.
O turismo é uma atividade de destaque que atrai anualmente uma grande quantidade de visitantes de todo o mundo, gerando emprego e renda para o país. Os atrativos turísticos são: os exten sos litorais de praias com infraestrutura, como as cidades de Cancún e Acapulco; além do patrimônio histórico e cultural da Cidade do México e das etnias indígenas maia e inca.
Além de belas praias, o México reúne um rico e diversificado patrimônio histórico-cultural que inclui museus, monumentos e ruínas das civilizações asteca e maia, atraindo o interesse de visitantes de todo o mundo.

segunda-feira, 9 de março de 2026

América Latina – contexto atual

Diversidade entre os países 


Com exceção de Brasil, Argentina e México, os países da América Latina apresentam pouca ou relativa diversificação industrial. Consequentemente, suas economias são dependentes dos setores primário e terciário. Apesar dessas características comuns, é importante ressaltar que os países latino-americanos apresentam características econômicas distintas e diversas particularidades. 
A atividade industrial do Chile, da Colômbia e da Venezuela, por exemplo, é mais diversificada que a dos demais países; já no Uruguai e em alguns Estados-nações da América Central – Bahamas e ilhas Bermudas (possessão do Reino Unido) –, o turismo é uma importante fonte de renda.

A crise econômica


Na primeira década deste século, a América Latina registrou um significativo desempenho econômico – a média de crescimento anual da região foi de cerca de 4% entre 2002 e 2011 –, apoiado, sobretudo, na exportação de matérias-primas agrícolas e minerais, alimentos e produtos energéticos. Nesse período, houve também aumento do nível de emprego, que, aliado à aplicação de programas de transferência de renda, proporcionou redução dos níveis de pobreza.
No entanto, a reversão dessa tendência na década de 2010 é um dos diversos desafios econômicos, políticos, sociais e ambientais que atingem a maior parte dos países latino-americanos, inclusive aqueles que se caracterizam como países industrializados, como Argentina e México.
A partir de meados da década de 2010, o desempenho econômico da América Latina decaiu, e o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) da região foi de apenas 0,3% entre 2014 e 2019. Esse quadro foi agravado pela crise provocada pela pandemia de covid-19, que se disseminou pelo mundo em 2020, resultando no aumento do desempre go, da inflação, da informalidade e do número de pessoas vivendo em situação de pobreza (com menos de US$ 5,50 por dia) e de pobreza extrema (com menos de US$ 1,90 por dia).
Como se pode constatar pela análise da tabela, a redução da pobreza, em geral, foi interrompida a partir de 2014. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontou, como causas do retrocesso nos índices de pobreza, as crises econômicas em países como o Brasil e a Venezuela.
Diversos fatores contribuíram para o agravamento da situação econômica nos países latino-americanos, entre eles, a queda do preço das matérias-primas no mercado internacional e os muitos problemas estruturais nas economias da região, como baixo nível de investimentos.
No atual contexto mundial, com a ação humana na natureza provocando sérios problemas ambientais, novos padrões de desenvolvimento econômico e social são necessários para melhorar as condições de vida de milhões de pessoas em situação de pobreza e de miséria na América Latina.

Desafios para os países latino-americanos 


As particularidades geográficas latino-americanas oferecem grande poten cial de desenvolvimento. Nesse sentido, podemos destacar a possibilidade de produção de fontes energéticas renováveis (biocombustíveis, por exemplo), a ampla disponibilidade de recursos hídricos (águas superficiais e subterrâneas), minerais e energéticos, a existência de extensas áreas para a produção agrope cuária e a enorme biodiversidade verificada nos países da região.
Um dos desafios que se apresentam aos países latino-americanos é a difi culdade em criar condições para a inclusão social, a conservação da natureza e a preservação das identidades culturais locais (dos povos indígenas, por exemplo), aspectos que deveriam estar presentes nos projetos governamentais de todos os países latino-americanos.
Outros desafios envolvem gerar maior crescimento econômico, superando, por exemplo, a carência em termos de infraestrutura. No caso dos transportes, diversas obras de redes viárias (rodovias, ferrovias e hidrovias) vêm sendo reali zadas em territórios sul-americanos, algumas interligando os países. No entan to, sobretudo no Brasil, o transporte rodoviário – mais caro do que o ferroviário e o hidroviário – ainda é predominante, elevando o custo da circulação de pessoas e mercadorias.
As obras viárias de interligação do continente sul-americano são muito im portantes, particularmente para o Brasil. Além de facilitar o escoamento de pro dutos brasileiros (os demais países da América do Sul compram do Brasil cerca de dois terços do total de bens industrializados exportados), há muitos investi mentos de empresas brasileiras nos países vizinhos.
A China se consolidou como principal parceiro comercial de vários países latino-americanos e realiza investimentos em obras de infraestrutura na região, com destaque para o setor de transportes. Isso é parcialmente explicado pelo fato de as rodovias, as ferrovias e os portos serem fundamentais para o escoa mento da produção, viabilizando fluxos de matérias-primas exportadas pelos países latino-americanos para a China.

O processo de diversificação industrial


Brasil, México e Argentina concentram aproximadamente 90% da produção industrial da América Latina. Colômbia, Chile e Venezuela, na América do Sul, e Costa Rica, na América Central, são países relativamente industrializados. A partir da década de 1950, o processo de crescimento industrial do Brasil, da Argentina e do México ficou conhecido como Industrialização por Substi tuição de Importações (ISI) e trouxe algumas consequências negativas. Nesse período, a chegada de empresas do setor automobilístico – com sede nos Estados Unidos, na Europa e no Japão – estimulou a expansão do trans porte rodoviário nesses países. Isso acabou levando, principalmente no caso brasileiro, à redução de investimentos em outros tipos de transporte, como o ferroviário, cujo custo é inferior.
Até a década de 1970, o modelo econômico em questão possibilitou um expressivo crescimento, estimulando a geração de empregos, a ampliação do mercado consumidor e a diversificação da pauta de produtos exportados, que passou a incluir diversos bens industrializados.
Entretanto, esse modelo acarretou a falência de muitas empresas nacionais, que não suportaram a concorrência das empresas transnacionais estrangeiras, ampliou a dependência tecnológica em relação aos países desenvolvidos e aos investimentos estrangeiros, contribuiu para o crescimento da dívida externa e não alterou, de modo expressivo, o perfil de baixo valor tecnológico e agregado dos produtos industrializados exportados.
O crescimento econômico, embora tenha sido expressivo, foi alcançado à custa de grande concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas. Apesar das relativas melhorias nas condições de vida da população, esses países não desenvolveram políticas públicas eficientes de distribuição de renda e apresen tam carência de investimentos nas áreas de educação, habitação, saúde, inovação e pesquisa.

Urbanização acelerada e desigualdade social 


Os países latino-americanos apresentam elevados índices de urbanização. O ritmo acelerado de crescimento da população urbana na segunda metade do século XX foi estimulado pelo êxodo rural, caracterizado pela intensa migração campo-cidade em um curto intervalo de tempo.
Entre os fatores que contribuíram para esse processo, podemos citar: o desemprego rural – provo cado pelo predomínio dos grandes latifúndios e pela mecanização das ativida des agrícolas –; a falta de incentivo aos pequenos produtores; a industrialização; o crescimento das atividades econômicas do setor terciário nas cidades; e a busca por serviços urbanos, como saúde e educação.
O crescimento acelerado das cidades, motivado também pelos fatores de expulsão da população rural, e a falta de investimentos em educação e formação profissional, ajudam a explicar os problemas urbanos verificados nos países da América Latina, como o desemprego e os altos índices de informalidade.
Um aspecto marcante das grandes metrópoles latino-americanas é a segregação socioespacial, resultante da ocupação de espaços bem definidos por classes sociais específicas. 
Nas áreas em que se concentra a população com menor renda, a falta de atuação do Estado é marcante e se manifesta na presença de bairros com enorme carência de serviços e equipamentos urbanos – como ruas asfaltadas, iluminação pública, redes de água e esgoto, postos de saúde, creches e escolas.
Essa realidade contrasta com as condições de vida verificadas em bairros ocupados pelas populações de maior poder aquisitivo, que contam com boa infraestrutura – casas e edifícios de médio e alto padrão, ruas asfalta das e bem iluminadas, fácil acesso a escolas, faculdades, hospitais, bibliotecas, parques, teatros, centros de cultura, cinemas, além de outros serviços.

Assentamentos urbanos precários e projetos inovadores de melhoria


A pobreza e a segregação socioespacial na América Latina estimulam a formação de favelas e a ocupação de áreas de risco, como encostas de morros propensas a deslizamentos, locais sujeitos a enchentes (onde as construções, em geral, são feitas sobre palafitas) e inundações (áreas marginais, que ficam em planícies de inundação ou de várzea).
Nesses ambientes, caracterizados como as sentamentos urbanos precários, a população sofre com carência de serviços básicos de saúde, educação e saneamento, decorrente da falta ou insuficiência de políticas habitacionais dos governos latino-americanos para atender às necessidades das populações mais vulneráveis.
Boa parte dos assentamentos urbanos precários se situa nas periferias das grandes cidades, levando também a sérios problemas relacionados ao transporte e à mobilidade urbana – muitas pessoas percorrem grandes distâncias para se deslocar de casa até o trabalho (e vice-versa), e os meios de transporte públicos costumam operar muito acima da capacidade.
Nesse contexto, o desenvolvimento de projetos inovadores de melhoria e recuperação urbana, inclusive com o uso de tecnologias sustentáveis, se destaca como alternativa para ajudar a solucionar alguns desses problemas.


Cuba: país socialista na América

Cuba é um arquipélago localizado em meio à porção insular da América Central, a aproximadamente 150 km de distância da costa leste norte-americana. Há décadas, Cuba ocupa um lugar de destaque no foco das atenções geopolíticas mundiais e atualmente é único país socialista presente no continente americano.
Historicamente, Cuba foi uma importante colônia espanhola, produtora de cana-de-açúcar com uso da mão de obra escravizada trazida do continente afri cano. Após a independência, o país passou a existir dentro de uma condição de subordinação política e econômica aos Estados Unidos, vivenciando problemas sociais semelhantes aos de países vizinhos da América Central.
Após vários séculos de dominação estrangeira, em 1959, sob a liderança do cubano Fidel Castro e do argentino Ernesto Che Guevara, Cuba presenciou uma importante revolução nacionalista, que ficou conhecida como Revolução Cubana. Nos anos seguintes, o novo regime político instaurado promoveu a reforma agrá ria e nacionalizou grande parte das empresas estrangeiras.
Diante dos atritos crescentes com a potência estadunidense e em meio à bipolaridade que caracterizou a Guerra Fria, o país aproximou-se cada vez mais da União Soviética. Em 1961, dois anos após a tomada do poder pelos revolu cionários, Fidel Castro anunciava a filiação de Cuba ao sistema socialista do bloco soviético. Durante décadas, a economia cubana esteve diretamente atrelada às relações comerciais com o bloco socialista, do qual os cubanos obtinham considerável ajuda econômica.
Ainda que politicamente isolada, Cuba passou a se destacar na América Latina em razão de seus indicadores sociais. Além de praticamente erradicar a pobreza extrema, os cubanos realizaram avanços significativos nas áreas de educação e saúde, atingindo níveis de referência mundial. Ainda hoje, apesar dos problemas econômicos e sociais e do aumento da pobreza, os indicadores de expectativa de vida e mortalidade infantil em Cuba são compatíveis aos de países desenvolvidos.
Em razão da decadência do regime soviético na década de 1990 e do em bargo econômico promovido pelos Estados Unidos, a economia cubana passou por profundas dificuldades.
Atualmente, Cuba evidencia um considerável atraso tecnológico em relação aos países capitalistas. Além disso, a dificuldade de obter bens de consumo para o abastecimento interno e a falta de liberdade política dos cidadãos cubanos reduzem a popularidade do governo ano a ano.
Diante desse cenário, o governo cubano vem promovendo uma gradual abertura econômica, incentivando o turismo para sustentar sua economia e permitindo a instalação de algumas empresas de capital estrangeiro no país.

O protecionismo comercial: uma barreira ao desenvolvimento

A economia mundial é marcada pela intensa concorrência entre países no mer cado internacional. No entanto, a criação de políticas protecionistas comerciais, principalmente por parte dos países desenvolvidos, tem se tornado um empecilho à conquista de um livre-comércio global.
Entre as políticas protecionistas mais comuns estão as barreiras alfandegárias, ou seja, o conjunto de tarifas cobradas pelos governos à importação de pro dutos estrangeiros, principalmente aos que exercem concorrência com os produtos nacionais.
As tarifas alfandegárias, de certo modo, impedem a existência de uma concorrência justa e igualitária entre os produtos provenientes dos países em desenvolvimento, principalmente aqueles considerados emergentes, e aqueles produzidos nos países desenvolvidos.
Embora os países desenvolvidos incentivem o livre-mercado e se beneficiem do fato de que as nações em desenvolvimento importam seus produtos de alta tecnologia, eles mesmos dificultam a entrada de produtos agropecuários (frutas, su cos, cereais, carnes) ou industrializados de baixa tecnologia (calçados e produtos têxteis) vindos desses países. 
Assim, o protecionismo cria dificuldades para países em desenvolvimento com economias essencialmente agrárias ou que são grandes potências no setor, impedindo que esses países conquistem mercados e aumentem sua geração de riquezas.

A OMC e a prática do protecionismo


A Organização Mundial do Comércio (OMC) é a instituição internacional responsável por aplicar um sistema de normas comerciais entre os países e também analisar disputas entre eles. Criada em 1995, substituiu o antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), de 1948.
A principal função da OMC é regular as relações comerciais entre os Estados, atuando como mediadora das disputas e desentendimentos comerciais entre os países que se consideram lesados por algumas práticas comerciais.
No entanto, o papel desempenhado pela OMC tem gerado severas críticas no comércio mundial, uma vez que é acusada de proteger os interesses dos países ricos e das empresas transnacionais. De fato, muitas disputas levadas aos fóruns da OMC podem ser agrupadas como ações empreendidas por países em desenvolvimento.
Entre as queixas, estão aquelas a respeito das tarifas alfandegárias e subsídios dispensados pelos países da União Europeia e os Estados Unidos aos seus agricultores. Essas políticas protecionistas ajudam a garantir a estabilidade rural e a segurança alimentar nesses países, mas fazem com que nações que são grandes expor tadoras de produtos agropecuários, como o Brasil, reclamem da concorrência desleal e da dificuldade de competir nesses mercados.




A proposta da Alca

Com o intuito de ampliar o poder econômico e político que detêm sobre a América Latina, os Estados Unidos lançaram, no início dos anos 1990, a iniciativa de estabelecer uma grande zona de livre-comércio envolvendo os países americanos, com exceção de Cuba, por causa do embargo econômico aplicado a esse país.
Estava previsto que a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) se consolidaria no ano de 2005. No entanto, a iniciativa recebeu forte oposição em vários países americanos e não chegou a ser executada.
Segundo opositores, a criação desse bloco serviria apenas para os Estados Unidos ampliarem ainda mais seu domínio econômico e político sobre a América Latina.
A oposição popular à Alca em vários países dificultou a formação do bloco proposto pelos Estados Unidos.

A economia da América Latina

A América Latina é formada por países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico. Brasil, México e Argentina, que em 2020 apresentaram a 12ª, a 15ª e a 30ª economia do mundo, respectivamente, possuem um relativo desen volvimento industrial. Outras nações, como o Haiti e a Nicarágua, caracterizam-se como economias pouco industrializadas, entre as menos expressivas do mundo, estando na 131ª e na 134ª posição, respectivamente.
Em razão desse contraste, Brasil, México e Argentina destacam-se na geração de riquezas na região, respondendo por aproximadamente 62% do PIB latino-americano em 2020. No entanto, apesar dos contrastes socioeconômicos entre as nações latino-americanas, alguns aspectos atribuem uma identidade comum a todas elas: todas são países em desenvol vimento (de acordo com classificação da ONU) e foram explora dos e colonizados por potências europeias ao longo de sua história. Hoje, a maior parte desses países apresenta uma economia instável, suscetível a crises econômicas periódicas, dependente econômica e tecnologica mente em relação aos países desenvolvidos.
O nível de industrialização dos países da América Latina não é o mesmo. Somente um pequeno grupo, formado por Brasil, Argentina, México e Nicarágua, tem atividade industrial diversificada e desenvolvida. A maior parte dos países latino-americanos possui sua exportação baseada na atividade agropecuária e na exploração mineral, ou seja, na produção de produtos primários.
A força do Estado e a industrialização da América Latina O processo de industrialização do Brasil, do México e da Argentina ocorreu ao longo do século XX, ganhando força após as duas guerras mundiais e tendo como modelo a Industrialização por Substituição das Importações (ISI), ou seja, os produtos que anteriormente eram importados passaram a ser produzidos interna mente. No início, por exemplo, a produção industrial dos países em desenvolvimento foi baseada em bens de consumo, como calçados, tecidos e alimentos enlatados.
Tanto a industrialização brasileira como a argentina e a mexicana tiveram a intervenção direta do Estado. Essa participação envolveu incentivos ao desenvolvimento de indústrias nacionais e financiamentos da infraestrutura necessária à expansão industrial, como estradas para escoamento de matérias-primas e pro dutos industrializados e de hidrelétricas para a produção da energia elétrica, necessária ao funcionamento das fábricas.
Além de promoverem o desenvolvimento da indústria nacional, esses países também incentivaram a entrada de transnacionais em seus territórios. Essas em presas viam na industrialização das nações em desenvolvimento vantagens como:

• a possibilidade de produzir bens de consumo em maior quantidade e com custos mais baixos, em razão de impostos reduzidos, mão de obra farta e barata e leis ambientais frágeis;

• a exploração de novos mercados consumidores, com a possibilidade do envio de grande parte dos lucros às matrizes;

• a liberação do parque industrial dos países desenvolvidos para a fabricação de produtos com elevada tecnologia, como computadores, máquinas e aviões, produtos mais caros e muito procurados no mercado internacional.

Embora hoje em dia contem com um diversificado parque industrial, Brasil, México e Argentina não conseguiram atingir o nível econômico dos países dese volvidos. De modo geral, essas nações ainda dependem da importação de gêneros de elevada tecnologia fabricados nos países desenvolvidos, e muitas empresas responsáveis pela geração de divisas em seus territórios são transnacionais, que remetem à matriz uma porção significativa de seus lucros, não fazendo investi mentos voltados ao desenvolvimento econômico do país.

Tecnologia e emprego


A chegada das transnacionais proporcionou diversas transformações no espaço industrial dos países da América Latina e na organização do trabalho nessa e em outras regiões. Muitas indústrias nacionais nos países da região enfrentaram a concorrência com as transnacionais em seus mercados.
Além disso, as indústrias estrangeiras, com destaque às do setor automobilístico, também foram as primeiras a introduzir nesses países modelos inovadores de produção e organização industrial, como as linhas de montagem, no início do século XX, e o uso de robôs industriais, a partir da década de 1970.
Essa automatização da produção ocorreu inicialmente no contexto das transnacionais do setor automobilístico, gerando a perda de algumas funções de trabalho e levando a maiores exigências de qualificação em outras.

A indústria no Brasil


O Brasil é um dos países mais industrializados da América Latina. No entanto, no século XXI, vem apresentando um declínio na participação da indústria no Pro duto Interno Bruto (PIB) nacional em razão do crescimento do setor terciário, atualmente responsável por gerar 63% do PIB brasileiro. Essa crise no setor industrial se deve a inúmeros fatores, desde a falta de investimentos e os juros elevados até a alta carga tributária e o custo excessivo com o transporte.
A Região Sudeste responde pela maior parte da produção industrial brasileira. Em São Carlos, Campinas e São José dos Campos, no estado de São Paulo, verifica-se a concentração de indústrias de alta tecnologia. Destacam-se também o polo siderúrgico de Volta Redonda e o complexo petroquímico de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, além do parque industrial de Minas Gerais, que conta com diversas indústrias metalúrgicas.
Na Região Sul, segunda mais industrializada do Brasil, o setor industrial tem crescido mais intensamente no século XXI, beneficiado pela proximidade com outros pa íses do Mercosul, o que facilita as exportações para Argentina, Paraguai e Uruguai.
Na Região Norte, está localizada a Zona Franca de Manaus (ZFM), situada em Manaus (AM), que representa uma área de livre comércio, com isenção de impostos sobre produtos industrializados (importações e exportações).
O Nordeste, desde a década de 1990, tem se beneficiado com a desconcentração industrial, principalmente do Sudeste, e atraído indústrias nacionais e transnacionais. Os estados da Bahia e de Pernambuco destacam-se pelos polos industriais como os de Camaçari (BA) e Ipojuca (PE). O sistema portuário dessa região também facilita a logística de exportação para as indústrias que nela se instalam.

As empresas maquilladoras no México


Em decorrência do baixo custo da mão de obra e de reduzidos encargos sociais existentes no México, assim como do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), várias empresas transnacionais estadunidenses passaram a se instalar no território mexicano, próximo à fronteira com os Estados Unidos.
Denominadas empresas maquilladoras, grande parte delas corresponde a unidades produtivas dessas transnacionais e são responsáveis pela monta gem de produtos como rádios, televisores e automóveis, posteriormente co mercializados, principalmente, no mercado estadunidense.
Atualmente, cerca de 66% das exportações de produtos manufaturados do México são provenientes das maquilladoras, que empregam parte significati va da mão de obra que trabalha em indústrias nesse país. 
No entanto, muitas críticas são feitas a essas indústrias por alguns setores da sociedade mexicana, que argumentam que as maquilladoras prejudicam a indústria nacional, pagam baixos salários aos trabalhadores, causam danos ambientais e não ajudam a promover o desenvolvimento socioeconômico do país.

A economia agrária da América Latina


A organização atual do espaço agrário da América Latina possui raízes em seu pas sado colonial. Naquele período, o interesse dos colonizadores era formar colônias de exploração que fornecessem riquezas necessárias ao desenvolvimento econômico de suas metrópoles, como gêneros agrícolas (cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.), madeira, metais preciosos (ouro e prata) e outros minerais (como o diamante).
A partir do século XVI, as atividades agrícolas desenvolvidas nas colônias da América Latina ocorreram sob a forma de plantation, ou seja, extensas áreas mo nocultoras cultivadas mediante a utilização de mão de obra escravizada e tendo seus produtos direcionados ao abastecimento do mercado consumidor europeu.
No Brasil, as plantations de cana-de-açúcar, localizadas nas áreas próximo ao litoral, foram, em parte, a base inicial da estrutura econômica da colônia, já que o açúcar se tornou um dos produtos mais concorridos no mercado europeu e incentivou a expansão da atividade pecuária em direção ao Sertão nordestino, promovida para abastecer as regiões canavieiras do litoral com couro e animais de trabalho.
Mesmo após conquistarem a sua independência política, grande parte dos países da América Latina permaneceu subordinada aos interesses econômicos dos países desenvolvidos. Assim, de modo geral, essas nações participam da DIT como países fornecedores de produtos primários para o mercado internacional.
A estrutura fundiária nesses países não sofreu grandes transformações em relação ao período colonial. A maior parte das terras disponíveis encontra-se nas mãos de poucos proprietários e muitos pequenos produtores rurais abandona ram o campo em razão da falta de financiamentos e da incapacidade de competir com a produção das grandes propriedades comerciais.
A má distribuição de terras deu origem a movimentos sociais que atuam no campo, reivindicando a reforma agrária e a desapropriação de terras improdutivas para a criação de assentamentos, nos quais as famílias sem-terra recebem pequenos lotes para praticar agricultura.
Entre os diversos movimentos ru rais que batalham pela reforma agrária na América Latina, um dos principais é o Movimento dos Traba lhadores Rurais Sem Terra (MST), criado na década de 1980, no Brasil.
Desde a década de 1990, aumentou consideravelmente a quantidade de assentamentos no país. No entanto, em razão do elevado número de famílias que não possuem terra para cultivar, tanto as ocupações de áreas improdutivas pelas famílias sem-terra como os conflitos no campo se inten sificaram. Vários desses conflitos são disputas pela posse da terra, algumas vezes violentas, envolvendo grileiros, populações indígenas e proprietários de extensas áreas rurais.
Conflitos no campo ocorrem também no Paraguai, onde a má distribuição de terras e a pobreza rural levam à violência entre fazendeiros e integrantes de movimentos camponeses. No entanto, recentemente o grupo denominado Exército do Povo Paraguaio vem praticando atos extremos no norte do país.

A economia agrária e o contraste tecnológico


O espaço rural latino-americano é marcado por amplos contrastes. De um lado, há o modo de produção voltado ao agronegócio, com predomínio de grandes latifúndios para exportação, que ocupam a maior parte das terras férteis.
De outro, há os modos de produção tradicionais, realizados em pequenas propriedades e voltados à subsistência das famílias rurais, que respondem pela maior parte dos alimentos consumidos pela população.
Nas áreas onde a produção agropecuária é destinada à produção de gêneros agrícolas para exportação, são, em geral, empregadas tecnologias modernas, como me lhoramento genético, maquinários específicos e sementes selecionadas, que proporcionam elevada produtividade.
Já nas áreas onde são praticados modos tradicionais de produção, as atividades costumam ser realizadas por meio de técnicas rudimenta res de plantio, como o uso do arado com tração animal. Esses contrastes podem ser verificados entre diferentes países e também no espaço rural de um mesmo país.
Os países latino-americanos que apresentam maior grau de modernização, como Brasil, Argentina e Chile, são os principais exportadores de produtos agrícolas.
No Chile, a produção agrícola é bastante especializada, sendo o país o maior exportador de frutas da América Latina e um dos maiores do mundo. A ocorrência do clima mediterrâneo favorece a produção de uvas para a fabricação de vinhos, que são exportados para diversos países.
Diversos outros países latino-americanos, incluindo aqueles que apresentam menor nível de modernização em seu espaço rural, apresentam áreas especializa das na produção de gêneros agrícolas, sobretudo tropicais, em seus territórios. Podemos citar, por exemplo, o circuito da cana-de-açúcar em Cuba. Historicamente impulsionada por um desenvolvido setor de açúcar e álcool, Cuba exporta pro dutos considerados de alta qualidade, como o rum, mas também vem expandido sua produção de etanol (álcool combustível).
No Brasil, destacam-se grandes com plexos agropecuários destinados à produção de gêneros para exportação, principalmente a soja e a carne, que em 2021 responderam, respectivamente, por 36,9% e 19,2% das exportações do agronegócio brasileiro. De modo geral, os estados das Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul se destacam como princi pais produtores.
Na Argentina, a região do Pampa argentino concentra a maior parte da pro dução agropecuária do país. Nela, vastas pastagens naturais são utilizadas para criações de ovinos e, principalmente, bo vinos. O circuito da carne no Pampa ar gentino é um dos mais importantes do mundo devido à alta qualidade da produção e à presença de diversos frigoríficos, que abastecem os mercados interno e externo.

Os recursos minerais da América Latina


Na América Latina, a exploração de recursos minerais remete ao período da colonização, no qual as metrópoles extraíam minerais das colônias, como ouro e prata, para enviar ao continente europeu.
No Brasil, a partir do final do século XVII, a região mineradora do estado de Minas Gerais passou a se destacar pela elevada produção de ouro e, no século XVIII, era responsável por 50% da produção mundial desse metal precioso. No século XX, Minas Gerais passou a se destacar pela produção de minério de ferro.
Atualmente, o Brasil destaca-se como o terceiro produtor mundial de minério de ferro, explorado, principalmente, nos estados de Minas Gerais (Quadrilátero Ferrífero) e Pará (Complexo de Carajás). O país conta ainda com uma expressiva produção de bauxita (usada na produção do alumínio), manganês e petróleo.
A Venezuela abriga as mais extensas jazidas de petróleo da América Latina. O país é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e possui uma economia petrolífera, isto é, cujo PIB depende, grandemente, de receitas oriundas das exportações de petróleo.
A Bolívia é outro país latino-americano cuja economia depende das exportações de recursos energéticos, destacando-se na exploração de gás natural, exportado para Brasil, Argentina e Peru.
Também se destacam em suas atividades extrativistas o Peru (onde é relevante a produção de ouro e outros minérios), o México (atualmente entre os principais exportadores de chumbo e prata) e o Chile (maior produtor mundial de cobre, entre outros recursos explorados).
Os blocos econômicos da América Latina Seguindo uma tendência mundial de integração econômica entre mercados, a América Latina vem presenciando, desde o século XX, a formação de blocos econômicos regionais.
Entre os blocos econômicos latino-americanos, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um dos mais importantes, integrando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (a Venezuela também faz parte do bloco, mas atualmente encontra-se suspensa).
A integração regional entre esses países iniciou-se sob a liderança do Brasil e da Argentina ainda nos anos 1980. No início de 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, quando o Para guai e o Uruguai aderiram à iniciativa.
O Mercosul anula as tarifas internas para produtos importados entre os países-membros e adota uma tarifa externa comum, isto é, uma taxa ou imposto único cobrado por todos os países sobre os produtos vindos de fora do bloco. Por isso, caracteriza-se uma união aduaneira.
A sede da organização é situada em Montevidéu, no Uruguai, e em 2002, foi assinado o Tratado de Livre Trânsito e Residência, permitindo o livre trânsito de cidadãos dos mem bros do bloco entre os países signatários.
Além dos países-membros originais, o Mercosul conta com cinco membros as sociados: Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Já o México é considerado Es tado observador, e um acordo para incluir o Suriname e a Guiana como membros associados já foi assinado.
O Mercosul engloba, atualmente, cerca de 404 milhões de habitantes e aproxi madamente 62% da população da América do Sul, chamando atenção por seu po tencial energético e também pela elevada produção agropecuária e extrativista.
No entanto, em razão da existência de grandes desigualdades econômicas, po líticas e até mesmo de estruturas produtivas entre os países-membros do bloco, a integração dessas nações vem ficando cada vez mais comprometida.
Outro bloco existente na América Latina é a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), que surgiu na década de 1980 vi sando promover o desenvolvi mento econômico e social da re gião. Atualmente, integram o bloco Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Já a Nicarágua está em processo de adesão.
A Aladi objetiva a criação de um mercado comum latino-americano, o que ain da está longe de ocorrer. Até o presente momento, as principais conquistas do bloco envolveram acordos prevendo tarifas de importação preferenciais entre os países associados, mas apenas para determinados produtos.
Já a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008 em Brasília, é uma organização intergovernamental que integrava 12 países latino-americanos, todos localizados na América do Sul, objetivando a integração comercial entre seus países associados. 
Contudo, nos últimos anos, a existência da organização vem sendo colocada em xeque em razão da oposição ideológica entre os governos dos países-membros. Em 2019, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Equador anuncia ram sua saída do grupo, que em 2022 era composto apenas por Bolívia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela e tinha sua existência futura ameaçada.
A Comunidade do Caribe (Caricom), por sua vez, é um bloco criado na década de 1970 por países localizados na sub-região do Caribe com o objetivo de propor cionar maior desenvolvimento econômico e integração política entre as nações associadas. Atualmente, o bloco é integrado por 15 Estados e 5 territórios.
Destaca-se, ainda, a Comunidade Andina de Nações (CAN), bloco formado ape nas por países que têm territórios na Cordilheira dos Andes, integrado atualmente por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Chile e Venezuela chegaram a fazer parte da CAN, mas ambos abandonaram a organização.
Criada na década de 1960 sob o nome de Pacto Andino, a CAN tem como obje tivo a criação de uma união aduaneira, abolindo as taxas alfandegárias e criando uma tarifa única, a ser aplicada às importações de países não membros.
Assim como no caso da Unasul, no século XXI as relações internas da CAN têm sido marcadas pela polarização ideológica em razão da eleição de governos de esquerda e direita em países-membros, estimulando as rivalidades entre eles e configurando um obstáculo diplomático ao desenvolvimento do bloco.
Diversas outras organizações regionais com objetivos não econômicos existem na América Latina, embora, na maioria dos casos, as estruturas implementadas tenham ficado aquém de seus objetivos.
Uma delas é a Organização dos Estados Americanos (OEA), que foi criada ainda no final do século XIX, mas ganhou a denominação atual em 1949, com a assinatura da Carta da OEA, que entrou em vigor em 1951. Diversos outros protocolos foram assinados desde então, sendo o último deles o Protocolo de Washington, de 1992, que entrou em vigor em 1997.
A OEA abrange todos os 35 Estados independentes do continente americano, sendo voltada à manutenção da segurança dos países em questão, à intensifica ção da colaboração entre eles e à defesa da soberania de seus territórios. Nesse contexto, ela também serve como uma plataforma de diálogo entre esses países, inclusive para ajudar na resolução de eventuais disputas.
Também podemos citar a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), criada em 1949 e que se caracteriza como um bloco diferente dos apresentados anteriormente, pois integra tanto países da América Latina (19 países) como da Península Ibérica (Portugal, Espanha e Andorra), na Europa. O objetivo da organização é estritamente a cooperação nas áreas de ciência, cultura e educação.
Vale ressaltar que os países da América Latina foram colonizados predominan temente por Espanha e Portugal, portanto compartilham laços culturais com essas nações, como a língua espanhola e, no caso do Brasil, a língua portuguesa.

A dívida externa da América Latina


Durante o período colonial, as colônias da América Latina eram responsáveis por fornecer produtos agrícolas e minerais para as metrópoles europeias.
A conquista da independência não representou uma ruptura dessa estrutura econômica nos países latino-americanos, que seguiram dependentes da exporta ção de produtos do setor primário, assim como da importação de tecnologias e produtos industrializados dos países desenvolvidos.
As nações latino-americanas também se constituíram como financeiramente dependentes dos países ricos, pois, devido à falta de recursos suficientes para fi nanciar gastos públicos com saúde, habitação, educação, transporte, comunicação e defesa, acabaram por contrair dívidas com empréstimos concedidos por países e instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Interna cional (FMI).
Em razão dos saldos negativos da balança comercial de muitos países e dos elevados juros impostos pelos credores da dívida, o pagamento dos empréstimos externos torna-se cada vez mais difícil. Esse panorama é responsável, em parte, pela dívida externa adquirida pelos países latino-americanos no decorrer de sua história.
Entre os fatores responsáveis pela elevação da dívida externa dos países da América Latina, ao longo do século XX, destacam-se os empréstimos contraídos para o financiamento do processo de industrialização, que exigiu importação de máquinas, ferramentas e tecnologias até então inexistentes nos parques indus triais em expansão.
Além disso, a instalação de indústrias de base, como siderúrgicas, metalúrgicas e petroquímicas, somada à realização de grandes obras de energia e transportes necessárias para desenvolver a infraestrutura desses países, também exigiu volumosos créditos no exterior.
As crises econômicas mundiais que ocorreram no final do século XX e no início do século XXI agravaram ainda mais a questão da dívida externa em alguns países, pois, com a elevação dos juros internacionais que, em geral, ocorre em momentos de crise, a dívida dos países latino-americanos aumentou expressivamente.


Urbanização dos países latino-americanos

O intenso ritmo da urbanização dos países latino-americanos foi influenciado, sobretudo, por três principais fatores: a industrialização, a concentração de terras nas mãos de poucas pessoas e a inserção da mecanização nas lavouras.
O crescimento da atividade industrial ocorrido em países como México, Brasil e Argentina, somado ao grande número de pessoas que se deslocaram do campo em direção às cidades em busca de trabalho nas indústrias, resultou em um processo de urbanização intenso, na maior parte dos casos, desenvolvido sem planejamento.
Uma das consequências dessa rápida urbanização foi a metropolização, fenômeno que se caracteriza pela formação de metrópoles densamente povoadas, cujo espaço urbano se amplia e acaba se unindo ao espaço urbano de outros municípios adjacentes, em um processo denominado conurbação. Consequentemente, formaram-se grandes regiões metropolitanas, que abrigam muitos milhões de habitantes, como São Paulo e Cidade do México, as maiores da América Latina.
Atualmente, a urbanização continua sendo uma tendência na América Latina. No entanto, as grandes regiões metropolitanas já não apresentam a mesma atração de outrora. Nesse contexto, verifica-se em muitos países o fenômeno da desmetropolização, marcado pela desaceleração no crescimento das metrópoles as sociada ao rápido crescimento de cidades médias, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes.

Os problemas urbanos na América Latina


O intenso processo de urbanização na América Latina não ocorreu associado a programas de planejamento urbano que visassem à boa qualidade de vida da população, incluindo acesso a emprego, moradias adequadas, sistema de saneamento básico, saúde e alimentação.
O resultado foi a expansão desordenada do espaço urbano e a intensificação da pobreza, em especial nas periferias urbanas. O inchaço populacional e a consequente falta de postos de trabalho têm levado muitas pessoas a sobreviver de trabalhos temporários de baixa remuneração ou a se inserir cada vez mais em atividades informais.
Além disso, a urbanização ocorreu associada à desigual distribuição de renda, resultando na formação de grandes aglomerados urbanos marcados pela segregação socioespacial, isto é, a concentração de populações de diferentes classes sociais em espaços distintos.
Nas regiões metropolitanas, a população de baixa renda se concentra nas periferias urbanas, em bairros ou municípios adjacentes às regiões centrais, convivendo com infraestrutura inadequada e carência de serviços públicos. Muitas vezes, os espaços ocupados por essa parcela da população representam áreas de risco, como encostas de morros propensas a deslizamentos e áreas alagadas (onde as construções são sobre palafitas) ou sujeitas a alagamentos.
Além de problemas associados à mobilidade urbana, como transportes públicos superlotados e trânsito congestionado, as regiões metropolitanas e, principalmente, as áreas periféricas, sofrem com a violência urbana. Esse cenário resulta da desigual dade social e da falta de oportunidades de trabalho e de educação de qualidade.
Diversos impactos ambientais também são verificados nas grandes cidades latino-americanas, sobretudo aqueles associados à intensa geração e ao descar te inadequado de resíduos (lixo) líquidos e sólidos, à poluição de fontes de água, a enchentes e alagamentos.
Considerando a realidade das grandes cidades, e de outras em crescimento, que podem seguir com as mesmas características, é necessário que as políticas públicas sejam eficientes na revitalização desses centros urbanos. Isso pode ser feito por meio de melhorias na infraestrutura e do uso de tecnologias sustentáveis que possam ajudar a resolver problemas como a poluição, proporcionando à população serviços públicos de qualidade e melhor mobilidade urbana.


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