domingo, 21 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - Amazônia

A região geoeconômica denominada Amazônia está localizada no norte do Brasil. A presença da Floresta Amazônica e da Bacia Amazônica é a sua característica natural mais marcante e influenciou diversos aspectos da ocupação humana no território, como as atividades econômicas, os fluxos de transporte e a distribuição dos núcleos urbanos.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão. 
Por fim, é possível utilizar aspectos naturais para regionalizar territórios que não pertencem a apenas um país, como também é o caso da Floresta Amazônica. Essa formação vegetal se estende por diversos países sul-americanos e é, em seu conjunto, denominada Amazônia internacional. Estão dentro de seus limites uma porção do território do Brasil – grande parte da Região Norte, do Maranhão e do Mato Grosso –, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia e da Venezuela, além de Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O AMBIENTE AMAZÔNICO

Agora, vamos abordar as características físico-naturais da Região Amazônica, como clima, vegetação, solo, relevo e hidro grafia. O ambiente amazônico se destaca por seus ecossistemas regionais e sua localização, que está entre os planaltos brasileiro e guianense.

O clima

O clima, a vegetação, a hidrografia e o relevo estão sempre inter-relacionados. Isso significa que as características da flora dependem do tipo de clima, da hidrografia e do relevo, assim como as características do clima estão muito relacionadas à presença de rios, às formas do relevo e a determinada vegetação. 
O clima da Região Amazônica é fortemente influenciado pela presença da floresta e pela latitude em que se encontra no globo. A proximidade da linha do equador faz com que a região receba muita insolação o ano todo, o que ocasiona altas temperaturas. 
A evapotranspiração da floresta e a presença de muitos rios contribuem para os altos índices de umidade e a baixa amplitude térmica. Nas áreas próximas à linha do equador, o clima é predominante mente equatorial, enquanto as áreas mais a leste e ao sul apresentam o clima tropical.

A vegetação

As paisagens naturais amazônicas não são uniformes. Além da própria vegetação da Floresta Amazônica, há também Campos, vegetação litorânea e Cerrado. Analise a distribuição dessas formações vegetais no mapa a seguir. 
Na própria Floresta Amazônica, é possível encontrar florestas de terra firme, de várzea e de igapó. As florestas de terra firme situam-se em regiões mais altas, que nunca inundam, e cobrem 90% do território amazônico. 
As de várzea ocupam as planícies e sofrem a influência das cheias e das vazantes dos rios. As de igapó – também chamadas de mata dos igapós – localizam-se nas planícies de inundação periódica ou permanente e representam uma rica fonte de alimentos para a fauna aquática.

O solo

Quando se analisam fotografias da Floresta Amazônica, é difícil imaginar que o solo da região seja considerado pobre em nutrientes. Nesse tipo de floresta, a própria cobertura vegetal protege e nutre o solo, ou seja, é nela que se originam os nutrientes que a mantêm exuberante, com o processo de decomposição da matéria orgânica. 
Com isso, se a vegetação original da floresta for retirada, teremos um solo pobre em matéria orgânica e em nutrientes, onde não será possível produzir nenhuma espécie de gênero agrícola. Outro fenômeno que pode acontecer é a desertificação da região e a alteração do clima.

O relevo e a hidrografia 

A rede hidrográfica da Região Amazônica é composta de muitos rios, os quais influenciam bastante as características das formações vegetais, do relevo e do clima, além, é claro, do cotidiano das populações. Como você analisou na abertura desta unidade, os rios são importantes para o desenvolvimento econômico da região. Alguns são extensos e volumosos, como os rios Amazonas e Tocantins, cujas bacias são as mais importantes do Brasil – Bacia do Amazonas e Bacia Tocantins-Araguaia.
Os cursos dos rios amazônicos percorrem áreas de planalto, planície e depressão, mas boa parte das bacias abrange terras baixas e relativamente planas. Essas características favorecem o transporte hidroviário, muito utilizado na região. Os rios que se localizam em áreas planálticas podem ser explorados para a geração de energia elétrica, como você estudará mais adiante. 
Além de serem as principais vias de circulação tanto de pessoas quanto de mercado rias – medicamentos, alimentos, combustíveis etc. –, os rios fazem parte da cultura e do sustento de muitas comunidades indígenas e tradicionais. Foi nas margens deles que a maior parte das cidades da região se desenvolveu.

A OCUPAÇÃO COLONIAL DA AMAZÔNIA

No início da colonização do continente americano, as nações europeias não deram muita importância à atual Amazônia, permitindo sua ocupação por companhias religiosas que tinham o objetivo de catequizar a população nativa. Para isso, diversas missões foram criadas ao longo dos grandes rios da região. 
No século XVII, ocorreram as primeiras tentativas europeias de ocupação da região por meio da agricultura, com o cultivo de cacau, cravo, algodão, café e cana-de-açúcar. Essa experiência, no entanto, fracassou por conta da falta de conhecimentos para o cultivo dessas espécies nas condições climáticas da Amazônia, além das dificuldades no escoamento da produção. 
Durante os séculos XVII e XVIII, Portugal construiu diversos fortes nesse território, especialmente ao longo dos rios, com o objetivo de combater as tentativas de ocupação da região por outras nações europeias. 

O extrativismo vegetal 

A história da ocupação da Amazônia pelos europeus e a do extrativismo nessa região caminham juntas. A extração das drogas do sertão, como são denominadas algumas riquezas naturais – guaraná, anil, urucum, copaíba, pau-cravo e castanha-do-pará – orien tou as invasões portuguesas ao interior do território durante o período colonial. Basicamente, a extração das drogas do sertão se deu por monopólio dos religiosos, que exploravam a mão de obra indígena. 
Esse processo não ocorreu de forma pacífica – eram constantes os conflitos entre missionários e indígenas e entre missionários e colonos, os quais também queriam participar da lucrativa exploração. No começo do século XIX, iniciou-se a extração comercial do látex para a produção da borracha, a qual, em pouco tempo, tornou-se um produto essencial para a crescente indústria automobilística e ganhou importância no mercado internacional. 
Dessa forma, as cidades de Belém (PA) e Manaus (AM) se desenvolveram economicamente e começaram a se estruturar enquanto metrópoles.
Outra grande riqueza da Floresta Amazônica é a madeira de lei. Historicamente, a exploração desse recurso ocorreu de forma descontrolada e ilegal, colocando em risco a reposição natural das árvores. Nas últimas décadas, surgiram iniciativas de ambientalistas e governos para tentar reduzir o desmatamento ilegal no Brasil. 
Uma das estratégias foi a difusão de técnicas que possibilitam o manejo florestal sustentável e a geração de empregos para a população envolvida na atividade. Também foram discutidas a intensificação da fiscalização e a criação de reservas extrativistas, de regras de derrubada seletiva e de políticas de reposição planejada de espécies. 
No entanto, o desmatamento ilegal continua sendo um grande problema na Região Amazônica, não só para o ambiente, mas também para as comunidades tra dicionais e para os indígenas, já que é comum que madeireiros invadam as terras dessas populações para extrair a madeira ilegalmente.

Os projetos de colonização na Amazônia e a construção de estradas 

Um dos planos estimulados pela criação da Sudam foi a colonização da Região Amazônica, incluindo a construção de estradas e rodovias. Entre as décadas de 1950 e 1980, o governo federal construiu milhares de quilômetros de rodovias para integrar o norte do país com as demais regiões. Esse projeto atraiu migrantes tanto para o trabalho na construção das estradas como para ocupar as áreas do entorno com atividades agropecuárias ou de mineração.

Por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criado em 1970, o governo federal implementou projetos que buscavam uma ocupação de áreas com baixa densidade demográfica. 
A Rodovia Transamazônica foi uma das responsáveis pelo povoamento da região. Durante esse período, a região sofreu intensos impactos ambientais em razão das obras, cujas atividades causaram desmatamento da floresta e maior exposição do solo – e sua consequente erosão. 
Os projetos de ocupação do território acentuaram esses impac tos, como o desmatamento para a extração de madeira e de minério e para abertura de espaços para as atividades agropecuárias. Os conflitos sociais também aumentaram muito, em razão das disputas por terras entre os colonos e das invasões de Terras Indígenas por garimpeiros, madeireiros e caçadores ilegais.

A Zona Franca de Manaus

Outro projeto para a ocupação da Região Norte do país foi a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967. Esse projeto consistiu em instalar um polo industrial na cidade, com facilidades e incentivos fiscais como redução na taxação de impostos, bus cando favorecer o desenvolvimento econômico regional. Essa tentativa se deu após a decadência da produção da borracha, que resultou na estagnação econômica dos estados da Região Amazônica. 
As isenções fiscais atraíram a instalação de diversas indústrias entre 1972 e 1982. Por meio de legislações e emendas constitucionais, os incentivos foram prorrogados por mais 50 anos, até 2073. As indústrias mais importantes da ZFM são as montadoras de aparelhos eletrônicos, como aparelhos de som, televisores, computadores, equipamentos de vídeo e eletrodomésticos (forno de micro-ondas, refrigeradores, máquinas de lavar etc.), além de motocicletas e bicicletas. 
Há outros centros industriais na região, como o de Belém (PA), com destaque para as indústrias têxtil, alimentícia, madeireira e de bebidas, que têm sua produção destinada a atender principalmente aos mercados local e regional. Barcarena (PA) é outro município com um complexo industrial metalúrgico importante, que transforma a bauxita extraída na Serra dos Carajás (PA) em alumínio.

A exploração mineral 

A exportação de minérios é uma das principais atividades econômicas do Brasil, e nosso país é um dos maiores exportadores de recursos minerais no mundo, dos quais a Região Amazônica é rica. No entanto, para que a extração ocorra, é preciso realizar grandes obras, como a abertura das jazidas e a construção de vias de circula ção para escoamento dos recursos extraídos. Todas essas ações causam intensos impactos ambientais e são uma grande preocupação para as comunidades locais. 

A Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás, localizada no estado do Pará, é uma área rica em diversos miné rios, especialmente o ferro de alto teor, a bauxita, o ouro, a cassiterita, o manganês, o níquel e o cobre. Para explorá-los, foi implantado na região, entre 1979 e 1986, o Projeto Carajás. 
Na época, houve investimentos na construção de infraestrutura de transportes, como estradas, ferrovias e portos, e de usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, para abas tecer a região e possibilitar a exploração mineral. 
A Estrada de Ferro Carajás, que liga a Serra dos Carajás ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA), desempenha um papel importante no transporte de cargas e no escoamento do minério, tanto para exportação quanto para abastecimento do mercado interno. Empresas multinacionais investem no setor metalúrgico, considerado um dos mais impor tantes do mundo, para o abastecimento de seus parques industriais. 
O Projeto Carajás, com suas usinas de alumínio e alta extração de manganês (80% da produção de manganês do Brasil vem da Serra dos Carajás), entre outros minérios já citados, atrai investidores de diversos países, como o Japão, a China, o Canadá e os Estados Unidos, por exemplo. Por outro lado, a atividade mineradora nessa região também causou extensos impac tos na vegetação e no relevo.

O garimpo de ouro 

Outra atividade econômica muito presente na Região Amazônica é o garimpo. Ele pode ser definido como a extração de minérios – a exemplo do ouro e do diamante – com a utilização de técnicas tradicionais. É importante ressaltar que essa atividade é, muitas vezes, praticada de forma ilegal. 
No século XX, o garimpo atraiu grandes fluxos migratórios para a região, pois nessa época foram descobertas muitas reser vas de ouro no norte do estado de Roraima; nos vales dos rios Tapajós, Tocantins e na Serra Pelada, no estado do Pará; e no vale do Rio Madeira, no estado de Amazonas. 
O garimpo causa impactos ambientais muito preocupantes, como a aceleração da erosão do solo e a contaminação de rios e outros corpos-d’água. Durante o processo de garimpo do ouro, utiliza-se mercúrio, metal tóxico que auxilia na separação das impurezas. 
Ele contamina as águas e a fauna local e pode causar sérios problemas de saúde em seres humanos que dependem dos rios para sobreviver. O garimpo em rios pode utilizar balsas que dragam o leito e causam impactos ambientais severos, desequilibrando todo o ecossistema local.
Além dos problemas am bientais, a atividade do garimpo traz consequências sociais. Exis tem reservas de ouro que estão localizadas em Terras Indígenas e de populações tradicionais que são invadidas por garimpei ros e geram conflitos e violência contra as pessoas que vivem ali.

O garimpo em Serra Pelada

Em 1979, na região de Serra Pelada (PA), foi descoberta uma grande jazida de ouro que provocou a migração de muitas pessoas em busca de riqueza. Em 1982, já havia cerca de 80 mil garimpeiros explorando a área. 
O contexto brasileiro na década de 1980 também contribuiu para esse fluxo migratório em direção às regiões auríferas, já que o país passava por um longo período de estagnação econômica. 
A técnica utilizada para a exploração de Serra Pelada era altamente poluente, com a utilização de mercúrio, o que degradava as águas subterrâneas e superficiais. 
Não havia cuidados com a estabilidade do solo, o que expôs os garimpeiros a grandes riscos e causou um acelerado processo erosivo. Em 1990, com o esgotamento do ouro, a atividade garimpeira cessou quase completamente na região.
 
Os grandes empreendimentos agropecuários 

Grandes fazendas foram instaladas na Região Amazônica a partir da década de 1970, com investimentos de grandes bancos brasileiros e de multinacionais industriais. 
Esse processo concentrou as terras nas mãos de poucas pessoas e provocou diversos problemas socioambientais, como o desmatamento, para abrir áreas de cultivo e pastagem, invasão de Terras Indígenas e conflitos entre a população local, posseiros e grileiros. 
Nas décadas seguintes, iniciou-se a implantação da cultura de grãos e de cana-de-açúcar no norte do Mato Grosso, em Rondônia e no Acre. Atualmente, a agropecuária destaca-se como importante atividade econômica na região da Amazônia, especialmente no Mato Grosso, estado que foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país e que possuía o maior rebanho bovino em 2020. 
O crescimento da atividade agropecuária nas últimas décadas se deve ao avanço da fronteira agrícola e ao investimento em tecnologia. 
É possível dividir a agricultura da região em dois tipos: 
• familiar, realizada em pequenas propriedades, com produção de alimentos, como mandioca, feijão e milho; 
• agronegócio, realizado em grandes propriedades, com produção que se destina à indústria e à exportação, como soja e cana-de-açúcar. 
A pecuária predominante é a de gado bovino, praticada em grandes propriedades e destinada à produção de carne. Destaca-se, também, a criação de búfalos na Ilha de Marajó (PA). No mapa a seguir, é possível perceber a distribuição da produ ção de bovinos no Brasil. Analise a concentração e a intensidade da produção na Região Amazônica. 

A geração de energia elétrica 

A partir da década de 1970, o governo federal fez investimentos na geração e no fornecimento de energia elétrica para atender à demanda crescente na região. A necessi dade de energia elétrica vinha da ocupação agropecuária, da crescente industrialização de Manaus (AM) e do suporte dado aos empreendimentos minero-metalúrgicos do ferro e do alumínio. Todo processo de ocupação, ainda que seja planejado, tem um forte impacto nos recursos hídricos locais, causando erosão, assoreamento, poluição e contaminação.

OS SETORES DA ECONOMIA

De acordo com o IBGE, em 2019 os estados com maior destaque econômico da Região Amazônica foram Pará, Mato Grosso (considerando todo o seu território) e Amazonas. Juntos, eles corresponderam a 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – o conjunto de riquezas produzidas no país.
 A atividade industrial tem destaque nos estados do Amazonas e do Pará, representando cerca de 30% do PIB estadual em 2019. Note também que, em todos os estados da região, as atividades relacionadas ao setor terciário, ou seja, comércio e serviços, são as que mais geram riquezas entre os três setores da economia.

A POPULAÇÃO

As atividades econômicas e os projetos de desenvolvimento da Amazônia, que você acabou de estudar, transformaram a região em um importante destino migratório no país. 
Um dos fluxos era composto de agricultores, particularmente do Rio Grande do Sul, que buscavam no norte do país uma nova oportunidade para se estabelecerem como pequenos ou médios agricultores. O trânsito de nordestinos na Região Amazônica, em especial para os canteiros de obra e para o garimpo, foi bastante intenso. 
De maneira geral, o processo de integração do espaço amazônico ocorreu de forma conflituosa entre as populações migrantes, as comunidades tradicionais (ribeirinhos, serin gueiros e quilombolas), os povos indígenas, os garimpeiros, os posseiros e os pequenos agricultores. Em 2020, a Amazônia abrigava 13% da população do Brasil, distribuída entre os oito estados da região. 
Enquanto a média de densidade demográfica no país é de aproxima damente 24,5 hab./km², na Amazônia, ela é de apenas 4,3 hab./km². Nenhum estado da região tem densidade parecida com a brasileira – em Roraima, no Amazonas e no Mato Grosso, ela é inferior a 4 hab./km². A região apresenta alta taxa de natalidade e esperança de vida inferior à média brasileira. 

As cidades e as regiões metropolitanas

As cidades da Amazônia se caracterizam por receber grande quantidade de migrantes, em razão da precarização da vida no campo da região. Tal precarização é provocada pela ineficácia dos projetos de colonização rural e a alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas.
Outro aspecto marcante das cidades da região é a sua localização às margens de rios, como é o caso das regiões metropolitanas das suas duas maiores capitais, Manaus (AM) e Belém (PA). 
Há, ainda, centros urbanos for mados ao longo das principais rodovias – como a Transamazônica, a Cuiabá-Porto Velho e a Belém-Brasília – que ligam a região ao Centro-Sul do Brasil. No mapa a seguir, é possível observar as regiões metropolitanas do país, incluindo as da Região Amazônica.
A Região Geoeconômica Amazônica conta com oito regiões metropolitanas inteira mente em seu território: Belém (PA), Santarém (PA), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Região Metropolitana do sul do estado de Roraima (RR), Região Metropolitana Central de Roraima (RR) e Região Metropolitana de Boa Vista (RR). As regiões metropolitanas do sudoeste maranhense, de Palmas e Gurupi, possuem apenas uma parte de seu território na Região Amazônica. Belém (PA) e Manaus (AM) são as grandes cidades da região, pois cresceram bastante no século XIX, no período de grande produção de borracha. Nelas, é possível notar um  intenso comércio, a disponibilidade de serviços e a presença de polos industriais, que influenciam diversas cidades da região.
 Como qualquer metrópole brasileira, Belém (PA) e Manaus (AM) apresentam inúmeros problemas socioambientais, entre os quais se destacam o déficit de habitação, de saneamento básico, das redes educacional e hospi talar, além de questões ambientais como a destinação inadequada de resíduos sólidos, o que causa a poluição dos corpos-d’água. 
A cidade de Belém (PA) está localizada na Baía Guajará, que conecta a cidade ao Rio Tocantins. Além disso, ao sul da cidade temos a presença dos rios Guamá e Acará. 
Além dos cursos-d’água, utilizados como vias de transporte de pessoas e mercadorias, a cidade conta com a Rodovia Belém-Brasil, que conecta a cidade à capital federal. É possível notar a integração física entre as cidades de Belém (PA) e Ananindeua (PA). Marituba (PA) também caminha para a integração, com vários pontos de contato com Ananindeua (PA). Os municípios de Santa Bárbara do Pará (PA), Santa Isabel do Pará (PA) e Castanhal (PA) estão ligados à Belém (PA) por meio de rodovias.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS

O ambiente amazônico é resultado de um importante equilíbrio entre clima, vegetação, hidrografia e relevo da região. No entanto, esse equilíbrio é ameaçado pelo desmatamento, pela erosão e pela poluição dos rios e do solo, provocados pelo desenvolvimento de diversas atividades econômicas.

As Unidades de Conservação 

Uma forma de garantir a conservação de áreas naturais – não só na Região Amazônica, mas em todo o território nacional – foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
As Unidades de Conservação podem ser: parques; reservas ecológicas, biológicas, florestais e extrativistas; estações ecológicas; e florestas.
Elas são divididas em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral, onde não deve haver coleta, consumo, dano ou destruição dos recursos naturais; e Unidades de Uso Sustentável, onde se busca conciliar a con servação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. 

Exemplos de Unidades de Conservação 

Os parques nacionais são um tipo de Unidade de Conservação Integral e têm como objetivo a pre servação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a rea lização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambien tal, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. 
Já as reservas extrativistas pertencem ao segundo grupo das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. São áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cujo sustento depende do extrativismo, da agricultura de sub sistência e da criação de animais de pequeno porte. Esses espaços têm como objetivo proteger os meios de vida e a cultura dessas popula ções e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

O desmatamento e a mineração

Com o avanço da pecuária, da extração de madeira e da mineração, a Região Amazônica tem sofrido intensos impactos ambientais.  
A intensidade de área desmatada e queimada é maior justamente onde há grande concentração de rebanhos bovinos. 
É possível notar que as áreas desmatadas e os focos de calor estão concentrados no sul e no leste da região, já que é nesses locais que há maior presença de empreendimentos agropecuá rios e de extração mineral. 

A mineração em Terras Indígenas 

Além das atividades pecuárias, a mineração é outro fator que contribui para o desmata mento da floresta. Comunidades indígenas da região são constantemente ameaçadas, uma vez que grande parte das reservas minerais está em terras demarcadas. Além delas, as atividades de extrativismo mineral têm avançado para as Unidades de Conservação – em 2020, a mineração foi responsável por desmatar 97,61 km² dessas unidades na Amazônia Legal. 

AS ATIVIDADES MINERADORAS NA AMAZÔNIA

A Região Amazônica concentra em seu território grande quantidade de minérios, como ouro, ferro, nióbio, bauxita, manganês, entre outros. Conforme você estudou, a extração de ouro na Serra Pelada (PA), na década de 1980, foi um episódio de grande destaque. 
Atualmente, empresas mineradoras nacionais e estrangeiras têm buscado outros locais na região para realizar a extração e a exportação de minérios. 
O garimpo também tem apresentado elevado crescimento nas últimas décadas e ocupou, em 2021, 52% da área ocupada pela mineração no território nacional. No mapa a seguir, podemos perceber as áreas em que são realizadas atividades de garimpo no Brasil. 
O garimpo se concentra, majoritariamente, na Região Amazônica. A alta exploração na região tem trazido muitos problemas ambientais e para a população local, principalmente as comunidades indígenas. 
Muitas reservas minerais estão localizadas em terras demarca das, ou seja, não podem ser exploradas por empresas e pessoas que não façam parte da comunidade indígena que ocupa a área.
Atualmente, há constantes conflitos entre indígenas, garimpeiros e grandes indústrias mineradoras.
O garimpo em Terras Indígenas cresceu 495% entre 2010 e 2020. Além delas, as Unidades de Conservação são alvos da atividade mineradora. De 2010 a 2020, o garimpo nessas áreas cresceu 301%.



 

Brasil: macrorregiões geoeconômicas

O território brasileiro também pode ser regionalizado segundo outros critérios. De acordo com a regionalização geoeconômica, o Brasil está dividido em três grandes complexos regionais: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Apresentada em 1967 pelo geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger.
Ele organizou o Brasil em três grandes blocos deno minados macrorregiões geoeconômi cas ou complexos ec onômicos regio nais. Para isso, ele considerou o grau de desenvolvimento das atividades econômicas e os aspectos naturais. Portanto, os critérios para sua delimitação são diferentes daqueles utiliza dos pelo IBGE.

Amazônia


Os limites da macrorregião Amazônia correspondem à área coberta originalmente pela Floresta Amazôni ca, o que inclui o centro-norte do estado de Mato Grosso, o oeste do Maranhão e grande parte do Tocantins. Além da floresta, em seu interior encontramos diversas outras formações vegetais, como Mangues, Cerrados e Campos. 
É a região de menor densidade demográfica do Brasil. Nas últimas déc adas, vem apresentando elevado crescimento urbano, investimentos em transportes, co municações e energia e é grande a diversificação de suas atividades econômi cas. Muitas áreas vêm sendo ocupadas de forma desordenada. 
Além disso, é importante destacar que o crescimento de atividades como cultivo agrícola, extração de madeira e mineração tem gerado grandes focos de desmatamento na região. 

Nordeste 


A região Nordeste, nessa divisão, abrange as áreas de clima semiárido, por isso também inclui o norte de Minas Gerais. Na faixa litorânea, estende-se pelas áreas mais exploradas no período colonial com emprego de mão de obra escrava e atualmente abriga diversos polos industriais. Onde o solo e o clima são favoráveis à agricultura, pratica-se agricultura desde o período colonial. 
Atualmente encontramos grandes áreas de agricultura irrigada no Sertão, associadas a complexos agroindustriais com produção voltada ao mercado interno e à exportação. Apesar das grandes mudanças nas últimas décadas, são dessa região os piores indicadores sociais do país (mortalidade infantil, analfabetismo, concentração de renda, etc.).

Centro-Sul 


Na região Centro-Sul concentra-se a maior parte da população brasileira e o maior volume e diversificação de atividades econômicas do país. 
Encontra-se a maior concentração de indústrias, uma rede de cidades mais densa e interli gada, agropecuária dinâmica e setor de serviços mais variado. 
Essa região, assim como as demais, possui grande desigualdade social e enormes bolsões de pobreza, principalmente na periferia das grandes cidades.

Os limites das macrorregiões não são fixos 


À medida que novas áreas do território se desenvolvem e ocorre uma descentralização industrial, os limites das macrorregiões geoeconômicas podem se alterar. Desde a década de 1980, as maiores metrópoles do Nordeste – Salvador, Recife e Fortaleza – vêm apresentando elevados índices de crescimento econômico, principalmente nos setores da indústria e do turismo, e várias cidades do interior estão se industrializando, além da modernização da agricultura em regiões como o Vale do São Francisco, como já foi mencionado, e o oeste baiano. 
Os investimentos em transportes e comunicações dos últimos anos também impulsionaram a modernização de outras áreas que antes estavam economicamente marginalizadas – como o sul de Goiás e parte de Mato Grosso do Sul, com a construção da hidrovia Tietê-Paraná; Rondônia e o norte de Mato Grosso, com a hidrovia do rio Madeira; o oeste baiano, Tocantins e parte do Maranhão, com a hidrovia Araguaia-Tocantins e a Estrada de Ferro Carajás. 
Outro exemplo é a expansão das atuais características da região Centro-Sul em direção aos estados de Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí, por causa da modernização agrícola.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

REGIÃO CENTRO-OESTE

Região Centro-Oeste, formada por três estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás – e o Distrito Federal, onde fica Brasília, a capital do Brasil. Essa é a segunda maior região em extensão territorial, com 1,6 milhão de km2, equivalente a 19% do território nacional. 
Entre as cinco regiões brasileiras, a Região Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, pois está totalmente localizada no interior do território. É também a única a fazer limite com todas as demais regiões. Além disso, faz fronteira com dois países da América do Sul: Bolívia e Paraguai.

Centro-Oeste: povoamento, urbanização e agronegócio


O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Destacam-se, em nível nacional, justamente os três estados da Região Centro-Oeste: Mato Grosso, principal produtor brasileiro, Goiás e Mato Grosso do Sul, seguidos do Paraná e do Rio Grande do Sul, na Região Sul. A produção dessa commodity agrícola é um fator importante para o desenvolvimento econômico do país, ain da que cause diversos impactos ambientais.

Povoamento e produção do espaço 


Durante muito tempo, a região central do território brasileiro foi habitada por diversos povos indígenas, nativos dessas terras. A ocupação de áreas da atual Região Centro-Oeste pelos portugueses ocorreu somente cerca de 200 anos depois do começo da colonização. Por volta do início do século XVIII, ocorreu novo povoamento nas áreas auríferas da região, o que causou mudanças na organização espacial dos territórios indígenas.
Ao longo do processo de ocupação e de povoamento do Centro-Oeste, as populações indígenas foram expulsas de suas terras em razão dos novos pro cessos de produção do espaço. Ao mesmo tempo, a cobertura vegetal original foi drasticamente reduzida. 
No início do século XVIII, ocorreram as primeiras jornadas de ocupação por tuguesa em áreas que atualmente compõem a Região Centro-Oeste. Os ban deirantes paulistas desempenharam papel fundamental nesse processo, sendo considerados os principais atores na ocupação do interior da colônia.
Com a descoberta de ouro, houve grande deslocamento de portugueses e luso-brasileiros para o interior. Muitos eram motivados pela busca de riquezas, o que elevou a mineração a uma posição de destaque na economia colonial, com indígenas e, principalmente, afri canos escravizados sendo levados às regiões das minas para trabalhar no garimpo. 
A atividade de mineração absorvia o trabalho de muitas pessoas; assim, formaram-se os mais antigos núcleos de povoa mento que existem ainda hoje, como as cidades de Cuiabá (MT), Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e Goiás (GO), antiga Vila Boa de Goiás. 
O governo português tinha interesse em ocupar a região por causa das riquezas minerais e para evitar o avanço de espanhóis, que colonizavam as terras a oeste, seguindo o que estava estipulado no Tratado de Tordesilhas.
A demanda por alimento nas áreas de mineração impulsionou a pecuária, que se desenvolveu parale lamente à atividade mineradora. Com o esgotamento das minas e a decadência da exploração aurífera, a Região Centro-Oeste deixou de ser área de atração econômica e populacional. 
As atividades de pecuária e agricultura passaram a ser mais importantes; no entanto, economicamente tinham expressão apenas local, e a população praticamente parou de crescer.

Marcha para o Oeste 


Já no século XVIII, estabeleceram-se os primeiros povoados e as vilas na Região Centro-Oeste, principalmente em razão da atividade mineradora, impulsionada pelos bandeirantes paulistas, como foi o caso da cidade de Goiás Velho (GO). 
Até as primeiras décadas do século XX, o Centro-Oeste apresentava grandes vazios demográficos, em comparação a outras regiões brasileiras. Era con siderado uma região desintegrada e desarticulada das demais e, por muitos, de economia estagnada.
Em 1914, a construção da ferrovia Noroeste, que liga o estado de São Paulo ao oeste de Mato Grosso e se estende até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, aproximou a Região Centro-Oeste da Região Sudeste. Essa aproximação não se limitava apenas às trocas comerciais, mas acabou estimulando a migração de paulistas para o Mato Grosso.
Mas foi somente a partir do século XX que se desenvolveu um grande processo de ocupação da região, promovido pelo go verno federal, nos anos 1940: a Marcha para o Oeste, um pro grama governamental para ocupação das regiões Centro ‑Oeste e Norte do país, por meio da criação de colônias de povoamento e do desenvolvimento da produção agrícola e pecuária. Esse programa oferecia terras na região com valores baixos e crédito bancário facilitado, para estimular a migração voluntária de trabalhadores e o desenvolvimento da agricultura familiar. 
Na década de 1940, o governo brasileiro intensificou o incentivo à migração para o Centro-Oeste, ampliando os povoados e as cidades que já existiam e incentivando a criação de gado. Essa política visava garantir a integração do território nacional e sua ocupação. Em decorrência dessa iniciativa, mais populações indígenas foram perdendo suas terras de forma violenta.
Assim, várias colônias se formaram nos estados de Mato Grosso e Goiás, ora por incentivos federais, ora estaduais e mu nicipais, e até mesmo por incentivos particulares. Intensos fluxos migratórios ocorreram na região, sobretudo de nordestinos. 
Dos anos 1950 até o início dos anos 1980, ocorreram muitas mudanças na região, refletindo a economia e a sociedade brasileiras, que passaram a se caracterizar pela industrialização e urbanização. Em áreas limítrofes com o estado de São Paulo, desenvolveu-se a atividade da pecuária melhorada, com a instalação de frigoríficos.
Nesse período, em razão da construção de Brasília, que passou a ser a capital federal em 1960, ocorreu uma grande onda migratória para a região, em espe cial de pessoas vindas do Norte e do Nordeste brasileiros. 
Um dos principais objetivos da construção da capital era ocupar áreas do interior do país. Muitos trabalhadores foram atraídos para a região, o que integrou o Centro-Oeste ao resto do território brasileiro e contribuiu para aumentar seu povoamento. 
A construção de rodovias ligando Brasília às demais regiões propiciou maior integração econômica e comercial, facilitando as migrações.

Colonização e cidades planejadas 


A partir da década de 1960, o processo de ocupação do Centro-Oeste ganhou novos contornos, em uma articulação da urbanização com a colonização agrícola. Assim, os projetos de colonização oficiais e particulares passaram a criar “cidades pla nejadas” no interior do Mato Grosso e em áreas da chamada Amazônia Legal. A formação de novas colônias agrícolas obje tivava diminuir os conflitos agrários que ocorriam em diferentes partes do país.
 Destacou-se também nesse período a participação dos sulistas no processo de ocupação da região, uma vez que muitos migrantes eram do Paraná e do Rio Grande do Sul. A ocupação reorganizou a região econômica e politicamente – um exemplo foi a criação do estado do Mato Grosso do Sul, em 1977 – e atraiu novas ondas migratórias nas décadas seguintes.

Produção agropecuária na atualidade


O processo de ocupação do Centro-Oeste consolidou a região, a partir da década de 1980, como importante área de produção de monoculturas para ex portação. Entre essas monoculturas, destacam‑se as plantações de cana‑de-açúcar, soja, milho, arroz, algodão, entre outras. 
Mais recentemente, o uso de sementes transgênicas contribuiu para ampliar as áreas de mono cultura, com o objetivo de elevar a produção de commodities e a geração de divisas para o Brasil, apesar das diversas críticas a essa prática. Já vimos que os três estados da Região Centro-Oeste se destacam na pro dução de soja; conforme dados do Censo Agropecuário (2017), Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul colheram, juntos, mais de 48 milhões de toneladas desse grão no período analisado, sendo Mato Grosso o maior produtor. 
Nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul destacam-se, também, a produ ção das culturas de milho, cana-de-açúcar e sorgo, enquanto no Mato Grosso a produção de algodão está em segundo lugar. Segundo o IBGE (2018), esse estado era o principal produtor brasileiro de algodão respondendo por, aproxi madamente, 66% de toda a produção nacional.
Grande parte da colheita de cana-de-açúcar é destinada à produção de etanol. Em Mato Grosso, somente em 2018, foram plantados mais de 220 mil hectares, cuja colheita foi destinada para a produção de, aproximadamente, 215 mi lhões de litros desse combustível. 
A produção agropecuária é praticada de forma extensiva e intensiva na região. Nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso destacam-se a criação de bovinos e a de gali náceos, seguidas pela criação de suínos. Em Goiás, além de galináceos e bovinos, a criação de perus também se desenvolve bem. Segundo o IBGE (2017), em termos nacionais, a Região Centro‑Oeste lidera a criação de bovinos com 34,5% da cria ção nacional (cerca de 75 milhões de cabeças); a maior parte do rebanho está concentrada em Mato Grosso. A criação de equinos também se destaca na região, com, aproximadamen te, um milhão de cabeças, distribuídas pelos três estados.

Os produtos agrícolas transgênicos


Os chamados organismos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGM) são seres vivos que rece beram genes das células de outros organismos para modificar algumas de suas características naturais. 
Nas últimas décadas, os genes de várias plantas de grande valor econômico, como soja e milho, foram alterados pela introdu ção de material genético de outras espécies vegetais, ou mesmo de animais, fungos ou bactérias. A ideia é tornar essas plantas mais resistentes à falta de água ou às pragas que as atacam durante o crescimento, por exemplo. 
A criação e o uso de produtos agrícolas transgênicos têm desencadeado muitas discussões na sociedade, porque vários especialistas afirmam que ainda não foram feitos estudos suficientes e conclusivos mostrando que a introdução desses organismos na natureza e para o uso humano seja segura. 

Crescimento das cidades


Os primeiros núcleos urbanos da Região Centro-Oeste surgiram a partir do século XVIII, com o desenvolvimento das atividades de mineração de metais preciosos. Posteriormente, já em meados do século XX, com o desenvolvimento de programas governamentais e de empresas particulares, a formação de cidades intensificou-se na região. 
Naquele período, dois fatores foram fundamentais para acelerar a urbani zação: a construção de Brasília e, principalmente, o processo de modernização das atividades agropecuárias, com aplicação intensiva de tecnologias, como máquinas e equipamentos que dimi nuem o uso da mão de obra no campo. Associado a esses fatores, o crescimento das atividades industriais ligadas ao beneficiamento de produtos agrícolas, dos serviços e do comércio potencializou a urbanização do Centro-Oeste. 
Se na década de 1940 essa era a região menos urbanizada do país (21,52%), o cenário se modificou nas décadas se guintes. De acordo com o IBGE, em 2020, a taxa de urbanização chegou a aproxi madamente 90% e o Centro‑Oeste pas sou a ser a segunda região mais urbanizada do Brasil.
Nos últimos anos, o crescimento populacional médio da Região Centro-Oeste é o maior do Brasil, notadamente marcado pela presença de migrantes. Segundo o IBGE, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) de 2018, a participação média dos migrantes na população total do Centro‑Oeste ultrapassava 34%, com destaque para Mato Grosso, que apresentava um índice de 38%.

Importantes centros regionais e nacionais 


Além de Brasília (DF), as capitais esta duais Cuiabá (MT), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS) tornaram-se importantes centros regionais e nacionais. Há tam bém, em todos os estados, municípios que atuam como polos agroindustriais, comerciais ou centros prestadores de serviços. No Mato Grosso destacam-se, por exemplo, Rondonópolis, como polo agroindustrial, e as cidades de Sinop e Sorriso, como centros prestadores de serviços e comércio.
Em Mato Grosso do Sul, destacam-se municípios como Dourados, com a se gunda maior população do estado, com economia bastante diversificada e bom desenvolvimento nas áreas de educação e turismo; e Corumbá, que faz divisa com Bolívia e Paraguai e tem o quarto maior PIB do estado. 
Em Goiás, destacam-se os municípios de Catalão, Anápolis, Itumbiara, Rio Verde e Jataí, entre outros. Em Catalão, a agropecuária tem grande peso eco nômico, com destaque para a produção de soja, milho, arroz, trigo e café, além de atividades de extração mineral, como as minas de argila, fosfato, nióbio, ti tânio etc. Jataí se destaca por ser o maior produtor de grãos e leite do estado de Goiás e por dispor de um importante distrito agroindustrial, que comporta diferentes empresas.

Brasília e a integração nacional 


A necessidade de integração do território nacional preocupava a sociedade e os governantes do Brasil há muito tempo e já havia sido abordada na Consti tuição de 1891. Uma das medidas pensadas para promover essa integração era a mudança da capital federal do litoral para o interior. Porém, somente na década de 1950 esse projeto passou a ser concretizado, com a construção de Brasília durante o governo de Juscelino Kubitschek. As obras se iniciaram em 1957, com o estabelecimento da área do Distrito Fede ral (DF). A nova capital foi inaugurada em 1960. 
As obras de construção da capital federal estimularam um grande fluxo migratório, inicialmente marcado por trabalhadores da construção civil, que se deslocavam de diversos lugares do país, especialmente do Nordeste, para tra balhar nas obras do Plano Piloto (onde se localizam os prédios administrativos, as residências oficiais, as embaixadas, as asas Norte e Sul, entre outras edifica ções do governo federal). 
Os migrantes que se deslocaram para o Planalto Central eram chamados de candangos. Estima-se que durante os quatro anos de construção da capital federal, aproximadamente 60 mil pessoas fizeram esse movimento migratório. Posteriormente, a migração se intensificou, uma vez que, nos anos seguin tes à inauguração, diversas atividades começaram a ser desenvolvidas em Brasília e no seu entorno, impulsionadas, entre outros fatores, pela chegada de funcionários públicos e outras pessoas para trabalhar no comércio e nos servi ços urbanos. 
Isso acelerou o projeto de criação das cidades-satélite, as quais, conforme o projeto inicial, deveriam ser construídas para abrigar a maior parte dos trabalhadores. Nas últimas décadas, algumas cidades-satélite tornaram-se tão populosas quanto Brasília, como Taguatinga e Ceilândia. Além disso, a aglomeração urbana transformou o Distrito Federal em uma importante metrópole, com influên cia em praticamente todo o território nacional.
reúnem uma população de cerca de 3,3 milhões de habitantes, com grande parcela de migrantes. Segundo o IBGE (2017), a população de Brasília apresenta boa expectativa de vida ao nascer, baixa taxa de mortalidade infantil, elevado IDH e baixas taxas de analfabetismo, em comparação com outras capitais e cidades brasileiras. 
Entretanto, há diversos problemas derivados da urbanização acelerada, como aumento da favelização e dos índices de violência urbana, sistema de transporte ineficiente e insuficiente para atender à demanda da sociedade e carência de infraestrutura de serviços de saúde, saneamento etc., especialmente nas cidades-satélite, onde vive a maior parte dos trabalhadores.

A malha rodoviária consolida a integração 


A construção de Brasília e o processo de ocupação territorial do Distrito Federal causa ram grande reconfiguração na Região Centro‑Oeste, que, a partir dos anos 1960, passou a ganhar maior projeção no cenário nacional. A execução do projeto de transferência da ca pital pode ser considerada a continuidade de uma política territorial iniciada, como vimos, com a Marcha para o Oeste, nos anos 1940. 
Essa política articulou ações de povoamento com intenso deslocamento populacional e a construção de vias de transporte e comuni cação que visavam integrar áreas chamadas de “vazios demográficos” – as regiões Norte e Centro‑Oeste – com as regiões litorâneas, mais densamente ocupadas e com maior desenvolvimento econômico, com destaque para o Centro-Sul e parte do Nordeste. Após a construção de Brasília, a partir dos anos 1970, já nos governos militares, finalizou-se a construção de rodovias federais para estimu lar o povoamento do Centro-Oeste e do Norte, com destaque para as que ligam Belém (PA) a Brasília (DF); Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e Porto Velho (RO); e Brasília (DF) a Fortaleza (CE).

Centro-Oeste: biomas ameaçados


Nos últimos anos, por causa de belezas naturais, as atividades de turismo aumentaram enormemente na Região Centro-Oeste. Nesse contexto, destaca-se o município de Bonito, no estado do Mato Grosso do Sul, que conta com vários rios, cachoeiras, cavernas e fauna e flora exuberantes, que atraem muitos visitantes para a região. A partir de então, conheceremos as características de destaque do quadro natural da Região Centro-Oeste no que se refere a seus principais biomas: Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal.

Cerrado


O Cerrado é o segundo maior bioma em extensão do Brasil. Ele predo mina em todo o Centro-Oeste e caracteriza-se por vegetações de gramíneas e de arbustos, os quais, em geral, não ultrapassam a altura de 20 metros. Os espécimes dessa vegetação arbustiva são mais afastados entre si e seus galhos são retorcidos, com casca grossa. As raízes das plantas são profundas, pois, nos períodos de seca, torna-se necessário captar água em maiores profundidades para hidratação. Além dessas características gerais, as formações vegetais de cerrado podem ser diferenciadas.
O solo desse bioma é considerado antigo, profundo, e contém muito alumínio, manganês e ferro. Por essa razão, é um solo ácido e com baixo índice de nutrientes, sendo necessário usar corretivos agrícolas nele, como calcário e fertilizantes, para a prática da agricultura. A biodiversidade no Cerrado é enorme. Estima-se que existam mais de 2 500 espécies de animais, entre eles mamíferos, como antas, preás, quatis e macacos, além de aves, répteis e insetos, como borboletas. 
As áreas da Região Centro-Oeste pelas quais se es tende esse bioma são banhadas por cursos de água pertencentes a quatro grandes bacias hidrográficas: as dos rios Paraná, Paraguai, Araguaia-Tocantins e São Francisco. Além disso, boa parte do Aquífero Guarani se encontra nos três estados da região. Devido a essa grande riqueza hídrica, o Cerrado recebe o apelido de “Caixa-d’água do Brasil”.
Introduzida no Brasil pelos imigrantes japoneses no início do século XX, a produção de soja tornou-se relevante somente a partir da década de 1970, com o processo de modernização agrícola do país. Grande parte da Região Centro-Oeste, principalmente as áreas de Cerrado, tornou-se preferencial para a expansão do plantio desse grão. Isso porque, ainda que os solos necessitem de correção – como foi dito, eles são “pobres em nutrientes” –, as áreas de Cerrado encontram-se preferencialmente sobre rele vos de planalto, chapadas e depressões, com terrenos muito planos e que permitem a ampla mecanização das lavouras, ou seja, o uso de máquinas e equipa mentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e sis temas automatizados de irrigação.
O cultivo da soja em áreas do Cerrado é tão marcante que representa, aproxi madamente, 90% de tudo o que é plantado no Centro-Oeste. Entre 2000 e 2014, por exemplo, a expansão dessa cultura foi de 87%, ou seja, a soja tomou o lugar da vegetação original do Cerrado, de outros produtos agrícolas e, também, de pastagens. Isso contribuiu para que o Brasil se transformasse em um dos principais exportadores de soja do mundo. Na safra de 2018/2019 foram exportadas, aproximadamente, 75 milhões de toneladas. Atualmente, o Brasil desponta como um dos maiores produtores de soja do mundo, disputando, ano a ano, a primeira colocação com os Estados Unidos e estando à frente de países como a Argentina, a China, a Índia e o Paraguai. 

Soja e danos socioambientais 


O avanço da soja sobre o bioma Cerrado tem resultado em diversos impac tos socioambientais. Isso porque, para tornar a área agricultável, são utilizadas técnicas altamente agressivas ao meio ambiente. A sequência de imagens a se guir mostra como geralmente ocorre o processo de ocupação de áreas nativas de Cerrado pelos agricultores e pecuaristas.
Várias ONGs que trabalham para proteger o Cerrado brasileiro apontam que, entre os impactos do desmatamento acentuado e da introdução de culturas agrícolas na região, está a diminuição da biodiversidade, pois as atividades põem em risco muitas espécies de animais, como onças, tamanduás-bandeira, emas, entre outras. 
Além disso, o aumento das queimadas resulta em maior emissão de gases de efeito estufa, e a correção do solo, acom panhada do uso intenso de agrotóxicos nas lavouras, con tamina a terra e as águas superficiais e subterrâneas. Por fim, é importante destacar que diversas comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhos etc.) são afetadas e, muitas vezes, obrigadas a se deslocar, já que suas áreas são ocupadas pela soja e outras monoculturas, como a cana-de-açúcar e o algodão.

Floresta Amazônica

 
Parte da Região Centro-Oeste é recoberta pelo bioma amazônico, especialmente o norte e o noroeste do estado do Mato Grosso. São, aproximadamente, 500 mil km2 de densa floresta, com árvores de mais de 50 metros de altura e grande diversidade ecológica. Nessa porção do território, encontram-se o Parque Nacional do Xingu e o Parque Estadual do Cristalino. 
A área ocupada por projetos de colonização e com atividades agrope cuárias e madeireiras nessa parte do Centro-Oeste ficou conhecida pelo nome de franja amazônica. Esse processo de ocupação tornou-se mais intenso nas décadas de 1960 e 1970, assim como ocorreu em outros espaços geográficos do Centro-Oeste e do Norte do Brasil. Os governos federal, estaduais e muni cipais foram os principais articuladores dessa expansão, em associação com empresas de colonização privadas.

Impactos socioambientais da franja amazônica 


Até o início do século XX houve uma ocupação “espontânea” dessa franja da floresta, realizada por pequenos agricultores que se deslocavam especial mente do Nordeste do Brasil. Como vimos, posteriormente, empresas privadas promoveram projetos de colonização estimulando a ocupação e o desenvolvi mento agropecuário em vários municípios. Assim, as ocupações do norte do Mato Grosso foram marcadas pelas seguintes características:
- elevado desmatamento e queimadas para a implantação de culturas, como as de café, com intenso uso de agrotóxicos; 
- plantio de lavouras introduzidas pelos primeiros colonos, como de arroz, feijão e milho, substituídas, em vários municípios, pela pastagem para criação de gado bovino (corte e leite); 
- desenvolvimento de exploração mineral e de madeira (extração de ma deira em toras, em grande escala e, muitas vezes, de forma irregular, em áreas indígenas); 
- expansão da fronteira da soja, com grandes desmatamentos e poluição do solo e das águas. 
Atualmente, ainda se observam nessa franja do bioma atividades de extra tivismo vegetal, pequenas lavouras familiares, práticas de pecuária extensiva e intensiva, além do avanço da agricultura comercial, com vários impactos ambientais, como os já citados. 
Observam-se, também, o avanço de algu mas doenças tropicais, como a malária, resultantes do desmatamento e da ocupação desordenada da região; grande destruição da floresta; e contamina ção de ecossistemas aquáticos causada pelo uso dos agrotóxicos e de mercúrio nos garimpos. Além dos danos ambientais, todos esses problemas atingem diretamente as populações indígenas que vivem na região.

Pantanal 


O Pantanal é um bioma que se estende, em território brasileiro, pelos es tados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Nos países vizinhos, ele tam bém ocupa parte da Bolívia e do Paraguai, totalizando uma área com cerca de 250 mil km2, sendo considerado, pela Organização das Nações Unidas (ONU), Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. 
Nele encontramos vá rias áreas indígenas homologadas (com a demarcação administrativa ratificada por decreto presidencial) e algumas delimitadas e declaradas (já identificadas e com os limites estabelecidos e demarcados pelo Ministério da Justiça) ou em estudo (áreas em fase de levantamento para identificação e delimitação). Predomina no bioma Pantanal o clima tropical, com elevados índices pluvio métricos, especialmente no verão.
Nesse bioma, há grande ocorrência de gra míneas, arbustos e árvores de porte médio. Também há elevada biodiversidade, com muitas espécies de fauna e flora da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica e do Cerrado. Calcula-se que existam mais de mil espécies catalogadas nessa área, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. 
Há ainda uma riqueza de plantas muito grande, e várias delas têm excelente poder medicinal. O relevo da região é extremamente plano – ela é conhecida como planície do Pantanal – e sua altitude varia de 100 a 200 metros. A quase totalidade dos rios que banham esse bioma são afluentes do Rio Paraguai que, devido à planura do relevo, são bastante afetados pelo fenômeno das cheias (meses de verão) e das vazantes (meses de inverno) que ocorre durante o ano.

Pecuária e o meio ambiente pantaneiro


Em decorrência da presença de imensos campos com pastagens e da gran de disponibilidade de água, a pecuária avançou muito na região pantaneira nas últimas décadas. Além desses recursos naturais, diversos pecuaristas, pro curando aumentar a produtividade, têm retirado a vegetação nativa e plantado pastagens para alimentação dos rebanhos. Esse processo é feito com aplicação de diversos insumos, para a correção e fertilização dos solos, que contaminam tanto os solos quanto as águas do Pantanal. Ao mesmo tempo, a expansão das áreas de pastagens aumentou o assoreamento dos rios do bioma. 
Essa prática da pecuária tem contribuído também para diminuir a exploração econômica de outra potencialidade regional: o turismo. A região do Pantanal apresenta inúmeras belezas naturais, porém a expansão da atividade pecuária reduziu as áreas naturais da região, transformando-as em grandes pastagens. 



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

REGIÃO SUL

Sul: ocupação, economia e urbanização


Curitiba, capital do estado do Paraná, é uma importante metrópole da Região Sul. Ao lado de Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as outras duas capitais estaduais da região, a capital paranaense tem grande relevância econômica e cultural nos âmbitos regional e nacional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Região Sul respondeu em 2019 por 17% de todo o PIB brasileiro, perdendo apenas para o Sudeste.

Ocupação e fluxos migratórios


Originalmente, as terras que hoje formam a Região Sul eram ocupadas por povos indígenas, como os charruas, os kaingangs e os guaranis, sendo estes últimos considerados os primeiros agricultores dessa porção do continente. Parte dessas terras foi, séculos atrás, controla da pela Espanha. Com a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, os limites fronteiriços en tre as áreas pertencentes à Coroa espanhola e à Coroa portuguesa foram, então, redefini dos. Assim, o Sul passou a ser governado pelos portugueses, que, objetivando ocupar e domi nar todo o território, estimularam a imigração para essas áreas.
Assim, em meados do século XVIII, houve a primeira política migratória no país, já que Portugal incentivou sobretudo a vinda de famí lias paulistas e de casais açorianos (portugue ses do Arquipélago dos Açores) para ocupar a zona litorânea da região. Para tanto, a Coroa cedia terras, dinheiro, moradia, ferramentas e animais para ser usados no trabalho da lavoura.
Ainda no século XVIII, a mineração em Minas Gerais ajudou no cresci mento das terras que hoje formam a Região Sul, já que algumas de suas áreas se especializaram na pecuária para abastecer as áreas mineiras pro dutoras de ouro e diamantes, que careciam de gêneros alimentícios para a subsistência da população. Assim, nas estâncias (fazendas) do Rio Grande do Sul, criava-se gado para a produção de charque, que era vendido para a população mineira, a qual crescia a cada ano. Esse produto era transpor tado por tropas de mulas que levavam a carga ao lombo. Como a distância era grande, estabeleceram-se pousos para os tropeiros ao longo do tra jeto. Muitos desses locais se transformaram, posteriormente, em cidades importantes dessa região brasileira, como Erechim (RS), Lages (SC) e Ponta Grossa (PR).

Imigração e centros urbanos sulistas


Até a segunda metade do século XIX, a ocupação da Região Sul estava basi camente limitada às áreas litorânea e de planalto próximas à costa. Essa rea lidade mudou com a chegada de grandes levas de imigrantes europeus. Eram famílias de várias nacionalidades, sobretudo alemãs, italianas, polonesas, ucra nianas e espanholas, que se instalaram principalmente em colônias, ou seja, lo calidades compostas de pequenas e médias propriedades rurais, cuja produção agrícola era baseada, sobretudo, na policultura e na criação de aves e de gado leiteiro. Algumas dessas colônias de imigrantes deram origem a importantes centros urbanos da atualidade, como as cidades de Novo Hamburgo e Caxias do Sul (RS) e Blumenau e Joinville (SC).
Mais tarde, já no início do século XX, com a expansão das plantações de café, houve uma nova “onda migratória” do interior de São Paulo em direção ao norte do Paraná. Além dos imigrantes paulistas, essa área re cebeu mineiros, nordestinos, descendentes de europeus e muitos japo neses. Com esse processo de ocupação e a riqueza econô mica gerada pela produção de café, foram fundados importan tes centros urbanos, como as cidades de Londrina e Maringá (PR). Isso tornou a ocupação da região mais homogênea, ainda que existissem áreas pouco po voadas, como o oeste de Santa Catarina e o oeste e sudoeste do Paraná. 

Deslocamentos internos e emigração


A partir de 1950, a modernização conservadora da agricultura, ou seja, o processo baseado na expansão do latifúndio, da monocultura e da mecanização do campo, provocou um grande deslocamento populacional dentro da própria Região Sul. Muitas famílias, sobretudo gaúchas, migraram em busca de ter ras mais baratas no oeste de Santa Catarina e no sudoeste e oeste do Paraná, fazendo com que a atividade madeireira e a agricultura se destacassem nessas áreas, o que provocou o desenvolvimento de núcleos urbanos, como Chapecó (SC) e Cascavel (PR).
Contudo, a abertura dessas novas áreas de ocupação não foi suficiente para a fixação da população, o que provocou ondas de emigração, ou seja, a saída de sulistas para ou tras regiões brasileiras. Assim, entre as décadas de 1960 e 1990, grande quantidade de catarinenses, gaúchos e para naenses deslocaram-se em busca de novas terras, princi palmente no interior de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia, chegando a fixarem-se também em países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia. Destacam-se nesse mo vimento emigratório os deslocamentos provenientes do norte do Paraná e do Rio Grande do Sul, talvez o mais expressivo de todos. Segundo o IBGE, no ano de 2010, aproximadamente 2 mi lhões de gaúchos e paranaenses viviam fora de seu estado de origem. 

Agropecuária sulista 


O processo de ocupação da Região Sul esteve ligado ao desenvolvimento de atividades agropecuárias, baseadas sobretudo na mão de obra familiar, com exceção da pecuária extensiva em grandes pro priedades rurais no Rio Grande do Sul. Contudo, durante a segunda metade do século XX, essa realidade começou a mudar com a expansão da chamada agropecuária comercial. Vamos entender como se desenvolvem na atualidade essas duas modalidades agrícolas na Região Sul.

Agricultura familiar


A produção rural desenvolvida em pequenas e médias propriedades (chácaras e sítios) e com base na mão de obra familiar, em que trabalham quase ex clusivamente apenas famílias de camponeses, é um aspecto marcante da paisa gem da Região Sul do Brasil. De acordo com dados do IBGE (2018), cerca de 600 mil famílias se encontram envolvidas com a modalidade da agricultura familiar nos três estados sulistas. Nessas propriedades rurais, prioriza-se a produção de gêneros alimentícios, como arroz, feijão, milho, mandioca, ovos e leite, e de produtos artesanais, como queijos, farinhas, doces e embutidos.
A partir da década de 1970, verificou-se um processo de modernização de boa parte das pro priedades familiares nessa região, com a introdu ção do chamado sistema integrado de produção. Esse sistema consiste na parceria entre os peque nos e médios proprietários rurais e as chamadas agroindústrias, como frigoríficos, laticínios, vi nícolas e outros tipos de indústrias alimentícias. Estas cedem insumos agrícolas, como sementes, filhotes de aves e assistência técnica (agrônomos e veterinários) aos agricultores familiares, os quais se comprometem em comercializar sua produção exclusivamente com essas empresas.

Agricultura comercial moderna 


O espaço rural da Região Sul passou por profundas transformações a partir da década de 1970. Ao lado da modernização de parte das pe quenas e médias propriedades rurais, houve também um intenso processo de concentração de terras (aumento do número de grandes propriedades rurais), de mecanização das lavouras e do cultivo de produtos voltados à exportação, as chamadas commodities. 
Dessa forma, a área de produção do trigo, do milho, do café e principalmen te da soja foi ampliada na região, resultando, nas décadas seguintes, na expulsão de muitos trabalhadores rurais, obrigados a se deslocar para os centros urbanos próximos – e outras regiões distantes, como vimos na página 157. Atualmente, a agricultura comercial moderna é praticada em grandes propriedades e com alta tecnologia (uso de sementes selecionadas, tratores, colheitadeiras etc.). Destacam-se a produção de soja, cana-de-açúcar, algodão e trigo no estado do Paraná; arroz, soja e trigo no Rio Grande do Sul; e arroz e soja em Santa Catarina. 
Segundo o IBGE, em 2020 o Paraná colheu sozinho, por meio dessa modalidade, aproximadamente 20 milhões de toneladas de soja em grãos e 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. No caso do trigo, destacaram-se o Rio Grande do Sul e o Paraná, que são os principais produtores desse grão no país. Além da produção de grãos, destaca-se a monocultura de eucalipto e pínus (silvicultura), que tem avançado em todo o território brasileiro. Na Região Sul, cuja área planta da é de 35% do total nacional, o estado com maior área plantada – a segunda do Brasil – é o Paraná, 1 milhão e meio de hectares, do qual cerca de 53% são de pínus.

Impactos socioambientais no espaço rural 


É possível afirmar que o processo de modernização das atividades agrícolas aumentou a produtividade das lavouras e das criações, gerando riquezas mo netárias para a Região Sul e para o Brasil. Por outro lado, é importante enten dermos que a agricultura e a pecuária comercial moderna também têm causa do graves impactos ecológicos e sociais, que derivam de suas práticas. 
Entre esses impactos estão: a contaminação do solo e da água decorrente do uso excessivo de fertilizantes e agrotóxicos, o aumento do desmatamento das vegetações nativas e, consequentemente, a diminuição da biodiversidade e o aumento da erosão e da perda de fertilidade natural dos solos.
Do ponto de vista social, verificam-se alguns impactos negativos, como a concentração de terras e a expulsão de milhares de famílias camponesas. Na maioria das vezes, estas acabam tendo de atuar como trabalhadores rurais volantes ou migrar para as áreas urbanas da região ou para outras partes do país em busca de melhores condições de vida. Além disso, nas últimas décadas cresceu grandemente a dependência do produtor rural em relação às grandes empresas do setor, que exercem controle sobre a distribuição de sementes e de outros itens da produção agropecuária.

Impactos causados por hidrelétricas


Além da concentração de terras, outro fato que tem expulsado centenas de famílias sulistas de suas propriedades rurais é a construção de barragens de usinas hidrelétricas, pois elas inundam centenas de quilômetros quadrados de terras a fim de formar seus lagos artificiais. Calcula-se que, nas últimas décadas, milhares de famílias tiveram de deixar suas terras em razão da construção de hidrelétricas no Sul do Brasil, e boa parte delas, até hoje, não recebeu a devida indenização pela perda das propriedades. 
O relevo da Região Sul é composto de extensas áreas de planaltos, com terrenos acidentados e muitas serras (veja o mapa ao lado). Essa caracte rística proporciona elevado potencial para a explração de energia hidrelétrica, sobretudo, por meio da construção de barragens em rios de planalto, que cortam os vales bem encaixados à região. É o que ocorre nos vales tanto dos rios Paraná e Iguaçu, no Paraná, como nos rios Uruguai e Pelo tas, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Calcula-se que o Sul gere aproximada mente 25% de toda a energia elétrica consumida no Brasil. Por outro lado, os lagos formados pelas barragens dessas hidrelétricas cobriram milhares de hectares de terras produtivas.

Urbanização e indústria 


A origem de várias cidades da Região Sul está relacio nada aos fluxos migratórios e ao desenvolvimento de atividades econômicas ligadas à agropecuária. Até os anos 1970, o processo de urbanização sulista foi bastante vagaroso, com exceção das capitais Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). De maneira geral, enquanto o Sudeste apresentava, naquela década, uma urba nização mais acelerada, já com taxas acima de 70%, no Sul elas encontravam-se em torno de 40%. 
Na década de 1990, a taxa de urbanização dessa região chegou a 74% e, em 2010, atingiu 85%. Esse salto no processo de urbanização sulista é decorrente do intenso êxodo rural ocorrido no período, quando milhares de famílias que viviam no campo se dirigiram às cidades, devido, como vimos, à modernização das lavouras, à concentração de terras ou à desapropriação para construção de barragens de usinas hidrelétricas. 
Além desses aspectos, deve-se ressaltar que, nesse mesmo período, a re gião passou por um acelerado desenvolvimento industrial e uma ampliação de seu sistema de transportes (rodovias, portos e aeroportos) e de comunicações, o que atraiu ainda mais pessoas para os centros urbanos. Atualmente, o parque industrial sulista é o segundo maior do Brasil – perde apenas para o Sudeste –, apresentando grande abrangência de setores.

Densa rede de cidades 


Porto Alegre e Curitiba são as principais metrópoles do Sul e exercem grande influência sobre outros centros urbanos. Ao analisarmos a rede urbana da re gião, verificamos que Curitiba, por exemplo, influencia cidades como Londrina, Ponta Grossa e Cascavel, no Paraná. Porém, essa ação ultrapassa os limites do estado, atingindo Florianópolis, Blumenau e Chapecó, em Santa Catarina. Por sua vez, Porto Alegre influencia todas as cidades do Rio Grande do Sul. Além das duas metrópoles regionais, outras cidades se destacam na rede urbana sulista. 

Clima subtropical e biomas sulinos


O clima tropical típico atua somente na parte norte do estado do Paraná. No restante do Sul, que é a maior parte, atua o clima subtropical, caracterizado por boa distribuição de chuvas durante o ano e por médias térmicas anuais inferiores às das demais regiões brasileiras. Sobretudo no inverno, as tem peraturas são bem baixas em comparação com outros lugares do Brasil. Isso ocorre em razão da influência da massa polar atlântica (mPa), uma massa fria que ocasiona geadas e até neve nas áreas de pla nalto com maiores altitudes. Essa massa de ar é responsável tam bém pela geração de minuano, um vento frio que adentra a Região Sul no outono e no inverno, atuando predominantemente no Rio Grande do Sul. Durante o verão, as tempe raturas aumentam, já que há a pre dominância de atuação da massa tropical atlântica (mTa) e da massa tropical continental (mTc).

Biomas sulinos 


As características climáticas e suas inter-relações com outros aspectos natu rais, como o relevo e a hidrografia, criam as condições necessárias à existência dos seguintes biomas na Região Sul: a Mata de Araucárias, a Mata Atlântica, a Vegetação Litorânea e os Pampas ou Campos Sulinos. Observe a distribuição espacial desses biomas pela região no mapa ao lado. Em seguida, vamos conhe cer as características de cada um deles.

Mata de Araucárias 


A Mata de Araucárias, também denominada Mata de Pinhais, ocorre em conjunto com áreas do bioma da Mata Atlântica. Essa formação vegetal desenvolve-se, princi palmente, nas regiões de planaltos de maiores altitudes (como na fotografia da página 166), onde as temperaturas são mais baixas, desde o sul do estado de São Paulo, até o norte do Rio Grande do Sul. Entre as espécies predominan tes destaca-se a Araucaria angustifolia, um pinheiro (conífera) com folhas pontiagudas. São árvores de grande porte, que podem chegar a mais de 30 metros de altura. Entre tanto, na mata, verifica-se a presença de outras espécies, como o cedro, a canela, jacarandá e a guabiroba. A Mata de Araucárias foi intensamente degradada des de a ocupação inicial da Região Sul, tanto pelo desmatamento para a implantação de projetos agropecuários – como o plantio de erva-mate e a criação de gado – quanto pela exploração da madeira para a produção de móveis, por exemplo.

Mata Atlântica e Vegetação Litorânea 


Na Região Sul, bem como em outros locais do territó rio brasileiro, a Mata Atlântica predomina nas áreas de clima mais quente e com maior frequência de chuvas. Esse bioma tem aspecto muito exuberante nas regiões mais próximas ao litoral, como na Serra do Mar, no Paraná e em Santa Catarina, assim como em partes do interior dos três estados sulinos. 
A Mata Atlântica encontra-se bastante degradada na Região Sul, devido à explora ção das áreas ocupadas na época colonial,  e à implantação das monoculturas – como a do café, no norte do Paraná – na primeira me tade do século XX. 
Além das atividades agrícolas, os proces sos de urbanização e industrialização con tribuíram para acelerar essa degradação do bioma, reduzindo drasticamente sua área.

Pampas


O bioma de Pampas, também chamado de Campos Sulinos, ocupa quase a metade do território do estado do Rio Grande do Sul, além de partes do ter ritório dos países vizinhos Uruguai e Argentina. É um bioma caracterizado pela presença de gramíneas e vegetação arbus tiva bem esparsa. O solo é considerado fértil, porém bastante arenoso, muito propenso à erosão.
Desde o Período Colonial, há cerca de 300 anos, os Campos Sulinos são utilizadoscomo pastagens naturais para a criação de gado bovino e ovino. Além da atividade pecuária, mais recentemente, nas últimas décadas, os Pampas também têm sido ocupados pelas lavouras de grãos, em especial de soja. Esse processo de exploração trouxe a essa região sul-rio-grandense gra ves impactos ambientais, como o fenômeno de arenização dos solos.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...