quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ORIGENS E DISPERSÃO DOS SERES HUMANOS

Evidências arqueológicas indicam que o Homo sapiens originou-se na África há pelo menos 200 mil anos. Cem mil anos atrás, ele começou a se espalhar pelos outros continentes. O primeiro destino foi a atual região do Oriente Médio.
No entanto, muito antes dessas descobertas, os seres humanos tentavam desvendar suas origens mais remotas, bem como as do planeta. Quem somos? De onde viemos? Como começou a vida na Terra? Em busca de respostas, povos antigos propuseram explicações religiosas e científicas para as origens do ser humano.

Explicações de nossas origens


Vários povos do mundo desenvolveram explicações para a questão da origem humana. Elas podem ser encontradas nos mitos, nas religiões e nas ciências. 
As explicações mitológicas ou religiosas são baseadas em crenças. Já as da ciência são obtidas por meio de um conjunto de procedimentos conhecido como método científico
Ao empregar esse método, o cientista observa e analisa evidências para formular hipóteses que o ajudem a solucionar determinada questão. Em seguida, realiza testes e experimentos e, depois, apresenta a outros cientistas as conclusões que obteve. Após debater essas conclusões, os cientistas podem chegar a consensos e elaborar teorias. No entanto, os resultados podem gerar outras dúvidas. Nesse caso, a pesquisa deve ser retomada até que se produza consenso. Algumas vezes, ela dá origem a pesquisas científicas diferentes, em um ciclo constante de produção de conhecimento.
Os mitos são narrativas cheias de elementos sobrenaturais, como deuses, animais falantes e acontecimentos mágicos. Por meio delas, as pessoas tentam explicar o porquê de as coisas serem como são e como os integrantes de cada sociedade devem se comportar.
As explicações religiosas, nas quais um ou mais seres divinos teriam criado o ser humano e todo o Universo, são chamadas de criacionistas. Para cristãos e judeus, por exemplo, essa criação levou seis dias para ser concluída; no sétimo dia, o criador teria descansado.
De acordo com os iorubás, povo originário da África, o deus supremo Olodumarê deu vida, com seu sopro, a homens e mulheres feitos de barro. Para ajudá-lo a conceber tudo o que existe no mundo, Olodumarê também criou as divindades chamadas de orixás.
Na explicação dos indígenas guaranis sobre a concepção do mundo, Tupã, o deus do trovão, colocou as estrelas no céu e moldou tudo sobre a Terra, como oceanos, florestas e animais. Tupã então criou os guarani, e deles descenderam todos os outros povos.
Já entre os maias, o deus Hunab Ku criou a si mesmo, o céu e a Terra; depois, misturou terra e água e moldou o primeiro ser humano.
De acordo com um mito chinês, por exemplo, a origem do Universo, da Terra e dos seres humanos teria ocorrido de um “ovo cósmico”; dentro dele esta riam yin e yang, as duas forças opostas que compõem o Universo. Um dia, essas energias conflitantes quebraram o ovo: os elementos mais pesados formaram a Terra, os mais leves formaram o céu e, entre eles, surgiu o primeiro ser. 
Narrativas como essas são consideradas explicações mítico- religiosas. Elas têm em comum uma ideia mágica ou sobrenatural de que os humanos foram criados pela vontade de um ou de vários deuses. 
No Brasil, onde vivem mais de duzentos povos indígenas, há inúmeros mitos que explicam como o mundo e a humanidade foram criados.
Essas explicações, também conhecidas como mitos de fundação, são bastante variadas e dependem do povo, do lugar e da época em que foram desenvolvidas. Os mitos de fundação fazem parte da cultura dos povos e dão fundamentação às práticas religiosas e celebrações diversas ao redor do mundo. 
É importante valorizar essa diversidade, respeitando as diferentes tradições e culturas. No Brasil, onde convivem pessoas de diferentes religiões, uma das explicações religiosas mais conhecidas é o Criacionismo, para o qual a origem do mundo, dos animais e das pessoas é resultado da ação de um criador.
Os mitos que contam a origem dos seres humanos variam bastante de uma cultura para outra, porém quase sempre atribuem a criação da humanidade à iniciativa de deuses e de outros seres fantásticos, que teriam criado os homens e as mulheres moldando-os no barro, esculpindo-os na madeira, utilizando milho ou outros materiais.
A mitologia de um povo traz sentido às suas tradições e influencia sua visão de mundo e seus valores. Ela é transmitida por meio da tradição oral de geração a geração e mantém viva a identidade do povo. Como os relatos orais mudam ao longo do tempo, um mesmo mito pode ter várias versões; contudo, sua essência permanece.

Mitologia grega


A mitologia grega tem algumas histórias para explicar a origem dos seres humanos. Em uma delas, o titã Prometeu criou os homens a partir do barro. Para terminar sua criação, ele decidiu roubar uma centelha do Sol (fogo divino) e entregá-la aos homens. De acordo com a mitologia grega, porém, o fogo celeste era privilégio apenas dos deuses, seres imortais. Zeus, soberano dos deuses, ficou então furioso, punindo Prometeu e os homens. Como punição, Prometeu foi acorrentado a um rochedo e ali uma águia devorava seu fígado, que, no entanto, se regenerava a cada dia. Depois de sofrer por muito tempo, Prometeu foi libertado.
Já os mortais foram punidos com a criação de Pandora, que representa a primeira mulher. Como muitos personagens da mitologia grega, Pandora era repleta de virtudes e defeitos. Ela foi criada por vários deuses e cada um deles lhe deu um talento especial. Ao final, Zeus confiou a Pandora uma caixa, recomendando que ela jamais a abris se. Porém, um dia, Pandora decidiu abrir essa caixa e dela saíram todos os males do mundo. Assustada, ela fechou a caixa rapidamente, tendo restado ali dentro apenas o último consolo dos mortais: a esperança.
Segundo especialistas, as histórias da criação dos seres humanos não ocupam um lugar de destaque na mitologia grega. Mas existem algumas narrativas sobre a criação humana, bem como mitos que mostram interações dos seres humanos com os deuses e os heróis. Na maioria dessas narrativas, os humanos são caracterizados como mortais, ambíguos e contraditórios, conscientes de suas limitações. E, por isso, eles reverenciam os deuses buscando ajuda e proteção.

Criacionismo judaico-cristão 


O criacionismo defende que a vida e toda matéria existente no universo são resultados O criacionismo defende que a vida e toda matéria existente no universo são resultados da ação direta de um Criador. 
A perspectiva criacionista está presente em várias culturas da ação direta de um Criador. A perspectiva criacionista está presente em várias culturas e religiões, como o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. 
No mundo ocidental, marcado pelas tradições do judaísmo e do cristianismo, a narrativa criacionista mais conhecida está contida no livro do Gênesis, que integra o Antigo Testamento da Bíblia.
Observe trechos desse livro:

“No princípio, Deus criou o céu e a terra. [...] 
Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que ele domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra’. [...] 
Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou.”

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas, 1989. Gn 1: 1, 3, 4, 5, 24, 26, 27.

Os trechos citados trazem a ideia de que o ser humano é uma criação especial de Deus, diferenciando-se dos outros animais por sua espiritualidade. Essa espiritualidade se revela, por exemplo, na consciência, na linguagem simbólica, na imaginação artística e no senso ético.
O criacionismo é uma explicação para a origem do universo e da vida que se baseia na fé. Para os criacionistas, todas as coisas existentes foram criadas exatamente como são por uma ou mais entidades sobrenaturais superiores, ou seja, um deus ou vários deuses.
O criacionismo não é uma teoria porque não está amparado em evidências. Trata-se de uma narrativa mítica cuja aceitação depende das crenças religiosas das pessoas.

Teoria da Evolução 


Ao longo dos séculos XVIII e XIX, os cientistas passaram a dar mais atenção ao estudo de fósseis. Eles ficaram intrigados com o grande número de fósseis de animais desconhecidos e que não podiam ser encontrados vivos na natureza. Entre esses animais havia répteis e mamíferos que guardavam semelhanças com alguns animais conhecidos. Os fósseis de mamutes, por exemplo, tinham grande semelhança com os elefantes.
Um dos cientistas que ofereceu explicações para esses fatos foi o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), que em meados do século XIX elaborou a chamada Teoria da Evolução. Para Darwin, os fósseis de animais desconhecidos eram, na verdade, restos de animais que já haviam sido extintos.
Em meados do século XIX, a explicação criacionista para a origem da vida em geral e dos seres humanos em particular foi contesta da pelas descobertas de dois naturalistas britânicos: Alfred Russel Wallace e Charles Darwin. Suas ideias deram origem à teoria da evolução, também conhecida como evolucionismo.
Em 1831, Darwin participou de uma expedição científica a bordo do navio Beagle. Durante a viagem, ele estudou e comparou espécies de animais e de plantas de diferentes regiões. Também coletou fósseis e percebeu semelhanças entre organismos extintos e vivos. Com base nessas observações, Darwin concluiu que todas as espécies de seres vivos passam, no decorrer do tempo, por um processo natural de transformação.
Wallace viajou para o Brasil, para a Indonésia e para a Malásia entre 1848 e 1852, e, assim como Darwin, coletou plantas e animais para suas pesquisas. Com seus estudos, chegou às mesmas conclusões que Darwin a respeito das transformações das espécies.
A base dessa teoria consolidou-se com os estudos do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829) e do botânico austríaco Gregor Mendel (1822-1884), que realizaram pesquisas sobre hereditariedade e genética. Influenciado por esses estudos e pelas próprias observações, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) publicou, em 1859, o livro A origem das espécies, no qual propôs que os seres vivos compartilham um mesmo ancestral e que as espécies mudaram, evoluíram e se diferenciaram por meio de uma seleção natural. 
Nessa obra, ele apresentou um amplo estudo sobre a formação, a evolução e a extinção das espécies. Essa explicação para a origem dos seres vivos foi chamada de Teoria da Evolução.
Para Darwin, a Teoria da Evolução também se aplica à espécie humana. Isso significa que nós, como todos os seres vivos, somos resultado de um longo processo de seleção natural, no qual os indivíduos mais adaptados às condições do meio em que vivem obtêm melhores chances de produzir descendentes e, assim, transmitir suas características.  
Depois de muita pesquisa, ele concluiu que os seres vivos passaram por uma seleção natural ao longo de milhões de anos e que as espécies mais adaptadas ao ambiente eram as que deixavam descendentes. As que não se adaptavam desapareciam.
Nas sociedades cristãs do século XIX, essa teoria provocou grandes polêmicas – Darwin foi criticado por religiosos e cientistas cristãos. Na época, era difícil aceitar a ideia de que os seres humanos tinham um “parentesco” com outros animais.
Essa teoria, ao apresentar uma explicação científica para as origens do ser humano, entrou em choque com as interpretações de caráter religioso. Segundo os cientistas que reconhecem a teoria da evolução, evidências como fósseis de ancestrais humanos e ferramentas de pedra produzidas por eles, assim como pegadas de animais gigantes extintos, reforçam as ideias defendidas por Darwin.

Seleção natural


Charles Darwin percebeu que indivíduos da mesma espécie se relacionavam com o ambiente de acordo com as características que apresentavam. Assim, dependendo das condições ambientais, alguns se tornavam mais aptos a sobreviver do que outros de sua espécie. 
Aqueles que melhor se adaptam às mudanças no ambiente são os que têm maiores chances de sobrevivência e, consequentemente, de se reproduzir e transmitir suas características aos descendentes. Por outro lado, os seres vivos que não conseguem se adaptar ao ambiente têm mais dificuldade de se reproduzir e, com o passar do tempo, podem ser extintos.
Com base nessas observações, Darwin e o naturalista britânico Alfred Wallace propuseram a denominada teoria da seleção natural.
De acordo com a teoria evolucionista, há muitas variações entre indivíduos da mesma espécie. Algumas características aumentam as chances de reprodução ou de sobrevivência de um indivíduo, que, por isso, consegue deixar mais descendentes. 
Os indivíduos que não têm essas características vivem menos tempo e, portanto, têm menos descendentes. Após várias gerações, as características que aumentam as chances reprodutivas e de sobrevivência dos indivíduos da espécie estarão cada vez mais acentuadas e presentes na população. Darwin chamou esse processo de seleção natural.
Para explicar como funciona a seleção natural, Darwin utilizou o exemplo da girafa. Os ancestrais das girafas tinham pescoço de comprimentos variados: algumas nasciam com o pescoço mais comprido; outras, com o pescoço mais curto. Essas variações eram hereditárias, ou seja, passavam de uma geração a outra. 
Ao longo do tempo as girafas de pescoço mais longo, com melhores condições de sobrevivência, deixaram mais descendentes e foram se tornando predominantes, enquanto as girafas de pescoço curto foram desaparecendo.
Situações parecidas com esse exemplo aconteceram com vários outros animais ao redor do mundo. Esse processo de seleção natural foi chamado de evolução das espécies. E, assim como os outros animais, o ser humano passou por ele.
A seleção natural sucessiva, em uma escala extensa de tempo, pode levar a um acúmulo significativo de características selecionadas, resultando em novas espécies de seres vivos.
Darwin não conhecia a causa dessas variações entre os indivíduos da mesma espécie. Atualmente, os cientistas reconhecem que a variação de características em uma espécie é causada por mutações nos genes de alguns indivíduos. Essas mutações acontecem ao acaso na natureza, mas podem resultar também da intervenção humana.
A Terra passou por consideráveis mudanças ao longo do tempo: houve períodos mais quentes, outros frios; alguns mais chuvosos, outros secos. Além disso, a história do planeta é marcada por eventos como erupções vulcânicas e terremotos.
Em um mundo em constante transformação, algumas espécies ancestrais do ser humano sobreviveram por apresentar determinadas características vantajosas, enquanto outras acabaram sendo extintas. Isso mesmo: no passado, existiram várias espécies de hominídeos, a família de espécies que incluía a humana.

A teoria e a polêmica


Doze anos depois, Darwin publicou A origem do homem e a seleção sexual, que trata da evolução da espécie humana. Nesse livro, o naturalista inglês defendeu a ideia de que os seres humanos e os grandes primatas, como os gorilas e os chimpanzés, evoluíram de um ancestral comum. 
Algumas polêmicas ocorreram em virtude de interpretações incorretas da Teoria da Evolução, como a ideia de que os seres humanos descendem dos macacos. O que a Teoria da Evolução sugere é que humanos e demais primatas (macacos, chimpanzés, gorilas etc.) compartilharam, em algum momento, um mesmo ancestral. 
Ele nunca afirmou que descendíamos diretamente dos macacos, embora alguns críticos de seu trabalho tenham lhe atribuído equivocadamente essa ideia.
Mas atenção: não se deve pensar na evolução das espécies como um “aperfeiçoamento” em linha reta. A situação se parece mais com uma teia complexa. 
Atualmente, a Teoria da Evolução é estudada nas ciências e, assim como todas as teorias científicas, é continuamente questionada, revista e aprimorada. 

A EVOLUÇÃO DO SER HUMANO 


A teoria evolucionista de Darwin e Wallace resolveu um grande mistério científico. Desde o século XIX, arqueólogos e outros estudiosos encontravam em suas pesquisas ossos muito semelhantes aos de humanos modernos, mas nenhum ser humano conhecido tinha ossos exatamente como aqueles.
Utilizando a teoria evolucionista, os cientistas ligaram a origem do ser humano a um grupo de mamíferos chamado primatas, que surgiu na África há cerca de 70 milhões de anos.
Um grupo de primatas deve ter originado os primeiros hominídeos, ou seja, seres que já apresentavam características semelhantes às do homem moderno. Os mais antigos hominídeos de que se tem evidência foram os australopitecos. Eles viviam no sul da África, já andavam eretos sobre os dois pés e tinham habilidade com as mãos, mas não fabricavam instrumentos. 
Em 1974, descobriu-se na Etiópia o esqueleto de um australopiteco quase completo, de 3,2 milhões de anos. Depois de se comprovar que se tratava de uma mulher, o esqueleto foi batizado com o nome de Lucy, porque no momento da descoberta os arqueólogos estavam ouvindo a canção Lucy in the sky with dia monds, dos Beatles.
Em 2010 foi descoberto, também na Etiópia, um esqueleto 400 mil anos mais velho que o de Lucy, mas da mesma espécie que ela, um Australopithecus afarensis. Denominado pelos pesquisadores de Kadanuumuu, o esqueleto teria 3,6 milhões de anos.
As contínuas descobertas de esqueletos de hominídeos muito antigos na África levaram os cientistas a concluir que o ser humano provavelmente surgiu na África e de lá se espalhou para os outros continentes.

Os primatas 


Segundo o evolucionismo, os seres humanos pertencem à ordem dos primatas, isto , isto é, mamíferos com capacidade de agarrar objetos e de perceber visualmente a distância em que eles se encontram. Acredita-se que uma família de primatas deu origem aos primeiros hominídeos, indivíduos com algumas características humanas.
Com base em estudos científicos, os pesquisadores concluíram que os seres humanos são primatas, grupo do qual fazem parte os chimpanzés e os gorilas. Os primatas que deram origem ao ser humano se desenvolveram no continente africano há mais de 70 milhões de anos.
Ao longo do processo de evolução, eles adquiriram características específicas que os diferenciaram dos demais primatas, como o cérebro maior e o modo ereto de andar sobre duas pernas. Assim, há evidências de que os primeiros humanos também tiveram origem na África.

A hominização 


Com base na Teoria da Evolução, os cientistas passaram a analisar o processo de hominização, isto é, o desenvolvimento de características típicas do ser humano. 
Durante o processo de hominização, nossos ancestrais (hominídeos) desenvolveram uma grande capacidade de adaptação aos mais diferentes ambientes. Entre essas adaptações estão a forma ereta de andar, sobre duas pernas, e o desenvolvimento de um cérebro maior, capaz de elaborar pensamentos mais complexos.
Os cientistas denominam a espécie humana como Homo sapiens. Os Homo sapiens surgiram no continente africano há cerca de 300 mil anos e há cerca de 100 mil anos começaram a migrar para outros continentes. Os seres humanos modernos são chamados Homo sapiens sapiens.

Os primeiros humanos 


Um dos primeiros exemplares de hominídeos de que foram encontrados vestígios era do gênero Australopithecus. Existiram várias espécies desse gênero. Esses hominídeos viveram na África, ao sul do deserto do Saara, há cerca de 5,5 milhões de anos e andavam eretos sobre os dois pés. Com o tempo, algumas espécies sobreviveram, e outras se extinguiram. 
Cerca de 2 milhões de anos atrás surgiu um novo gênero de hominídeos mais semelhante aos seres humanos atuais. A esse novo gênero, chamado de Homo, pertence a espécie humana.
O esqueleto de Australopithecus mais conhecido foi descoberto na Etiópia, país do leste africano, em 1974. Era de uma fêmea da espécie Australopithecus afarensis e foi batizado de Lucy, porque, no momento da descoberta, os arqueólogos estavam ouvindo a canção Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles, grupo musical britânico. Na época, a descoberta causou sensação, pois se tratava de um ancestral humano com cerca de 3,2 milhões de anos.
Lucy tinha um pouco mais de um metro de altura e compartilhava com os humanos algumas características, como andar sobre duas pernas (bipedismo). No entanto, apresentava características de outros primatas, como os chimpanzés: braços longos e curvados e mandíbula inferior saliente, mais adaptada para mastigar vegetais crus. 
Ao longo de milhões de anos, muitas espécies de hominídeos apareceram e foram extintas. Algumas deram origem aos seres humanos atuais; outras aos gorilas, chimpanzés e orangotangos. 

O gênero Homo 


Por volta de 2,5 milhões de anos atrás, surgiu o gênero Homo, do qual faz parte a espécie Homo sapiens. É provável que esse gênero tenha evoluído do Australopithecus, mas isso ainda está em investigação. Conheça a seguir características de algumas das espécies do gênero Homo.

• Homo habilis (2,4-1,4 milhão de anos): É considerado o primeiro representante do gênero Homo; sabia fazer utensílios de pedra, com os quais caçava pequenos animais, o que lhe permitiu incluir a carne em sua dieta. Daí o seu nome que, em latim, significa “homem hábil”, “habilidoso”, “engenhoso”. Os indivíduos dessa espécie desenvolveram a habilidade de produzir instrumentos cortantes de pedra, que utilizavam para preparar alimentos. 


• Homo erectus (1,9 milhão-110 mil anos): É descendente direto do Homo habilis. Aperfeiçoou instrumentos de pedra, com os quais caçava animais grandes. Foi o primeiro a aprender a usar o fogo, conseguindo, com isso, adaptar-se a regiões frias da Europa e da Ásia.
Os indivíduos dessa espécie eram caçadores-coletores e usavam ferramentas de pedra lascada, como machados. Foram os primeiros a sair da África, ocupando regiões da Ásia e da Europa.

• Homo neanderthalensis (400-40 mil anos): Muitos dos restos do homem de Neandertal foram encontrados em cavernas, daí a expressão “homem das cavernas”. Acredita-se que ele tenha evoluído ao mesmo tempo que o humano moderno. Seu desaparecimento ainda é objeto de debates. O homem de Neandertal praticava a coleta e a caça em grupos de 20 ou 30 pessoas, fazia sepulturas para seus mortos cobertas com pedra e terra. Por isso, acredita-se ter sido a primeira espécie a realizar cerimônias religiosas.
Os neandertais viviam na Europa e na Ásia Ocidental em grupos de caçadores-coletores. Vestiam-se com peles de animais, fabricavam instrumentos de ossos, galhos e pedras e realizavam pinturas rupestres.  

• Homo sapiens: surgiu há cerca de 300 mil anos. É a espécie da qual fazemos parte. Originou-se na África há pouco mais de 100 mil anos e depois se espalhou por todos os continentes, adaptando-se a qualquer ambiente.
Eles produziram instrumentos e desenvolveram técnicas elaboradas, como as da cerâmica, da metalurgia e do curtume. Isso demonstra que eles tinham alta capacidade inventiva e de aprendizagem, atributos favorecidos pelo desenvolvimento da linguagem verbal.

A espécie Homo sapiens 


Fósseis de diferentes espécies de hominínios foram encontrados em várias regiões do planeta e receberam nomes específicos, conforme suas características físicas ou o lugar onde seus vestígios foram descobertos. Essas espécies desenvolveram particularidades próprias de acordo com o ambiente e as diferentes necessidades de sobrevivência, evoluindo ao longo de milhões de anos. Algumas delas conviveram entre si, às vezes de forma pacífica, às vezes nem tanto. 
Sabemos que, ao longo do tempo, as espécies de hominínios desapareceram, menos a Homo sapiens. Por que só a nossa espécie sobreviveu? Ainda não temos certeza, mas a maioria dos cientistas concorda que desenvolvemos características cerebrais específicas que nos diferenciaram de outras espécies. 
Os cientistas acreditam que, por ter um cérebro maior que o das outras espécies de Homo, o Homo sapiens era também mais inteligente. Foi graças à sua inteligência que desenvolveu a fala, além de outras habilidades,  como costurar, tocar, esculpir, desenhar. Assim, conseguiu sobreviver.
Adquirimos, por exemplo, as inovadoras capacidades de criar símbolos, de comunicar e de trocar informações. Essas habilidades permitiram, por exemplo, que um indivíduo alertasse seu grupo sobre a aproximação de um tigre-dentes-de-sabre ou sobre os efeitos prejudiciais provoca dos pela ingestão de uma fruta ou semente.
Assim, com o passar do tempo, os Homo sapiens conseguiram acumular e partilhar conhecimentos, realizar atividades colaborativas mais complexas, organizar-se em grupos maiores e cuidar do grupo com mais eficiência. Isso permitiu a eles que se alimentassem melhor, caças sem grandes mamíferos, se protegessem de predadores e de outros hominínios, garantindo a sobrevivência para um número cada vez maior de descendentes. 
A ciência sugere que essas vantagens, em milhares de anos, tiveram um efeito surpreendente para o crescimento dos grupos de Homo sapiens e, em algumas regiões, esse crescimento colaborou para o desaparecimento de outros hominínios menos adaptados.
Os cientistas ainda não conseguiram fazer a árvore genealógica completa da nossa espécie. Com base nas técnicas e nos materiais utilizados pelos nossos ancestrais, os pesquisadores dividem a chamada Pré-História em dois períodos: o Paleolítico, da pedra antiga  ou pedra lascada; e o Neolítico, da pedra nova ou pedra polida.

Discussões sobre a origem do gênero Homo


Entre os cientistas dos diversos ramos do conhecimento, há uma longa discussão sobre a origem do gênero Homo. A polêmica gira em torno dos locais onde surgiu a espécie Homo sapiens. Embora essa questão pareça ser meramente científica, foi com base em uma dessas explicações que certas teorias racistas foram desenvolvidas, especialmente no século XX. 
A ideia de que o ser humano, tal como ele é hoje, surgiu na África não foi muito bem aceita, especialmente por alguns europeus. Ainda no século XVIII, o naturalista sueco Carl Linnaeus (1707-1778) apresentou uma classificação da espécie humana separada em raças e as qualificou segundo o que alegava ser as características próprias das raças. 
Leia a seguir um trecho da classificação proposta por Linnaeus, apresentado pelo médico geneticista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sergio Danilo Pena.

[…] 
Homo sapiens europaeus: Branco, sério, forte 
Homo sapiens asiaticus: Amarelo, melancólico, avaro 
Homo sapiens afer [africanus]: Negro, impassível, preguiçoso Homo sapiens americanus: Vermelho, mal-humorado, violento 

[…] 
Sergio Danilo Pena. O DNA do racismo. Revista Ciência Hoje.

Os argumentos da teoria criada por Linnaeus serviram de base para outras teorias racistas ao longo dos séculos XIX e XX. 
A ideia de raça serviu de argumento para o extermínio de diversas populações ao longo da história e para a discriminação que ainda persiste, especialmente contra os afrodescendentes. 
A ciência atual reconhece que não existem raças humanas, já que todos os seres humanos pertencem a uma única espécie: o Homo sapiens.

DA ÁFRICA PARA O MUNDO 


Todas as evidências indicam que os seres humanos surgiram na África e, a partir dela, se espalharam para os outros continentes. Durante muito tempo, acreditou-se que essa dispersão havia se dado em uma única migração, ocorrida há 50 mil anos, com os grupos humanos seguindo até o norte da África e atravessando a península Arábica também pelo norte, em direção à Ásia central. 
Estudos recentes, contudo, concluíram que muito antes dessa migração houve outra, há cerca de 130 mil anos, quando grupos humanos deixaram a região nordeste da África em direção ao sul da península Arábica.


              



O TEMPO E A HISTÓRIA

Relógios, calendários e agendas são alguns exemplos de invenções feitas pelas sociedades humanas para medir e controlar o tempo. 
Mesmo sem relógios e calendários, desde os tempos mais antigos os seres humanos notavam que depois do dia vinha a noite, que as plantas, os animais e as pessoas, com o tempo, envelheciam e um dia morriam, que a Lua mudava de fases. Ou seja, os grupos humanos percebiam a passagem do tempo observando a natureza, da qual eles também faziam parte.
O tempo é fundamental para os estudos históricos. Existem, no entanto, diferentes maneiras de compreendê-lo. Vamos conhecer a seguir algumas delas.

Tempo da natureza


Existe o tempo que passa naturalmente e não depende da vontade humana, ou seja, não é cultural. Esse é o chamado tempo da natureza, que pode ser percebido, por exemplo, pelo crescimento das árvores e pelo envelhecimento das pessoas.
Entre as formas de pensar e organizar o tempo estão a observação e a marcação de eventos naturais, como as estações do ano, as fases da lua, a posição das estrelas no céu, a dinâmica de seca e chuva, de cheia e vazante dos rios, de plantio e colheita nos campos, etc. Esse tempo é conhecido como tempo da natureza.

Tempo cronológico


Diferentemente do tempo da natureza, o tempo linear, que podemos medir e organizar sequencialmente, é conhecido como tempo cronológico. Esse tempo é organizado em unidades de medida, como horas, dias, meses, anos, séculos, etc. Para calculá-lo, utilizamos instrumentos de medição de tempo, como o relógio, que assinala as horas, e o calendário, que demarca os dias, as semanas, os meses e os anos.
Esse tempo é um elemento cultural, pois foi o ser humano que criou as diversas formas de medição do tempo. 
O tempo cronológico pode ser dividido em unidades de medida: segundo, minuto, hora, dia, mês, ano etc. Atualmente, os principais instrumentos usa dos para medir a passagem do tempo cronológico são o relógio e o calendário.

Tempo histórico


O tempo cronológico, como vimos, pode ser marcado por instrumentos de medição, por exemplo, o relógio e o calendário, pois sua contagem é feita com unidades fixas de medida, como a hora, o dia ou o ano. 
O tempo histórico, por sua vez, apresenta diferentes ritmos e durações e pode ser verificado principalmente por meio das permanências e transformações que ocorrem nas sociedades. São os historiadores que, em seu trabalho, analisam os elementos que caracterizam o tempo histórico.
O tempo histórico é o tempo da experiência de um povo, de um país ou de uma época. Diz respeito, por exemplo, ao tempo da democracia no Brasil ou da globalização no mundo. A noção de tempo histórico possibilita dar significado às transformações vividas pelas sociedades humanas em suas relações com seu entorno. 
Um dos principais vícios que podem contaminar a análise histórica é o anacronismo (do grego, ana = “contra” + cronismo = “relativo ao tempo”). O anacronismo nos leva a julgar pessoas utilizando critérios atuais, como se fossem válidos para todas as épocas. Desse modo, o anacronismo consiste em atribuir aos sujeitos do passado razões ou sentimentos que não faziam parte de seu tempo histórico.
Por exemplo, não faz sentido dizer que o colonizador português desprezava a Ecologia ao derrubar árvores da Mata Atlântica. O motivo é que, entre os europeus do século XVI, prevalecia a noção de que os recursos naturais eram tão abundantes que podiam ser explorados de forma descontrolada ou indiscriminada. Afinal, a Ecologia é uma área do conhecimento que se desenvolveu, sobretudo, a partir do século XX.

O tempo histórico e suas durações


As pessoas e as sociedades se transformam no decorrer do tempo, porém muitos elementos permanecem semelhantes. 
O tempo histórico acompanha os ritmos das transformações de cada sociedade: umas apresentam um ritmo mais acelerado de transformações, outras nem tanto. Para facilitar o entendimento das transformações e das permanências, o historiador francês Fernand Braudel propôs três diferentes durações do tempo histórico: a curta, a média e a longa duração

O tempo de curta duração é caracterizado por eventos breves, com data e lugar determinados, como a descoberta de uma vacina, como um golpe político, uma disputa eleitoral ou a assinatura de uma lei.

O tempo de média duração é marcado por transformações mais lentas, mas que podem ser percebidas no decorrer da vida de uma pessoa, como a vigência de um sistema econômico ou a duração do reinado de um monarca. Tais fenômenos são chamados de conjunturais, pois resultam de flutuações no interior de uma estrutura.

O tempo de longa duração é formado por processos históricos que demoram longos períodos de tempo para se concretizarem. É o caso dos valores morais, que se transformam muito lentamente. Fenômenos como o cristianismo ocidental, o capitalismo, entre outros. Tais fenômenos são chamados de estruturais, e, para compreendê-los, é preciso inseri-los na longa duração.

Com base nessa representação dos três tempos históricos, formulada por Fernand Braudel, podemos perceber que, como o oceano, o tempo é um só, mas apresenta camadas temporais da mesma forma que o oceano contém camadas de água. Nos dois casos, as camadas são sobrepostas e simultâneas. É importante observar que os acontecimentos e processos históricos, apesar de terem diferentes durações, estão interligados e podem ser simultâneos. Por isso, o historiador, ao analisá-los, precisa levar em conta essas durações.

A periodização dos processos históricos 


Para facilitar a compreensão dos processos históricos, os estudiosos geralmente dividem o tempo em períodos, com base em acontecimentos que servem como marcos históricos. Desse modo, são criadas as periodizações, as quais não são naturais, pois são criações feitas pelos seres humanos e, portanto, fazem parte da cultura, podendo variar de lugar para lugar. Os critérios utilizados na criação de uma periodização podem ser, por exemplo, políticos, econômicos ou culturais. 
Dependendo dos critérios, podem ser estabelecidas diferentes periodizações para uma mesma sociedade. A divisão da história do Brasil nos períodos Colonial, Imperial e Republicano é uma das mais adotadas, mas não é a única. Trata-se de uma convenção que destaca os acontecimentos políticos.

Os calendários 


O calendário é um sistema de medição de dias inteiros, e não de horas, como fazem os relógios. Por isso, o tempo medido pelos calendários é bem mais longo.
O calendário é um instrumento utilizado para medir a passagem do tempo e dividi-lo em unidades, como dias, meses e anos. Em nosso país, é adotado oficialmente o calendário gregoriano, introduzido em 1582 pelo então papa Gregório XIII. 
Esse calendário é solar, ou seja, um ano corresponde a uma volta da Terra em torno do Sol. Nesse calendário, o ano tem 365 dias e, a cada quatro anos, ocorre um ano bissexto. O ano bissexto é aquele cujo mês de fevereiro possui 29 dias, somando ao todo, nos doze meses, 366 dias. Isso ocorre para alinhar nosso calendário com o movimento de translação da Terra em relação ao Sol.

Antes e depois de Jesus Cristo


Os historiadores adotaram o calendário cristão para definir a cronologia geral da História usando como referência o ano de nascimento de Jesus de Nazaré. Esse é o ano 1 da chamada “Era Cristã”.
No calendário gregoriano, a contagem dos anos tem início na data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo. Por isso, nos estudos históricos, é comum encontrarmos as siglas a.C. e d.C., que significam “antes de Cristo” e “depois de Cristo”, respectivamente. 
Dessa forma, o ano contado a partir do nascimento de Cristo é o ano 1, o segundo é o ano 2, e assim sucessivamente, em ordem crescente. Os anos “depois de Cristo” podem ou não ser acompanhados da sigla d.C. Da mesma forma, o primeiro ano anterior ao nascimento de Cristo é o ano 1 a.C., isto é, “antes de Cristo”, o segundo é o ano 2 a.C., e assim sucessivamente, em ordem decrescente.
O ano 1400 a.C., por exemplo, é anterior ao ano 1300 a.C. O número maior é o mais antigo. Já na Era Cristã ou “depois de Cristo”, o ano 300 d.C., por exemplo, vem antes do ano 400 d.C. Nesse caso, o número menor é o mais antigo.

Outros calendários


Embora o calendário gregoriano seja o mais utilizado em nosso país, é importante ressaltar que vários povos desenvolveram outras formas para medir e registrar a passagem do tempo. 
As sociedades humanas criaram diferentes calendários ao longo do tempo. O dos egípcios, criado por volta de 6 mil anos atrás, está entre os mais antigos. Baseado no ciclo lunar, ele tinha 12 meses que somavam 354 dias. Cerca de mil anos depois, os egípcios adotaram um calendário solar de 360 dias, divididos em 12 meses. Ao final do 12o mês eram acrescentados cinco dias complementares.
Os antigos habitantes da América também inventaram diferentes calendários. O povo inca, por exemplo, que habitava grande parte da faixa oeste da América do Sul por volta de 550 anos atrás, tinha um calendário que combinava o ano solar de 365 dias com 12 meses lunares. Cada mês tinha seu próprio festival, marcado por celebrações de culto ao Sol, aos mortos e à agricultura.
Com base em cálculos e observações, as sociedades criaram diferentes tipos de calendário de acordo com a sua época e suas necessidades. De modo geral, podemos afirmar que os calendários têm uma relação direta com o modo de vida da sociedade que os criou, apresentando, assim, características variadas.
Além do calendário cristão, existem outros tipos de calendários que têm origem religiosa. No calendário judaico, por exemplo, o marco inicial é a data em que, para os judeus, Deus criou o Universo. Esse fato teria ocorrido no ano 3760 a.C. do calendário cristão. Os muçulmanos, por sua vez, estabeleceram a Hégira como marco inicial do seu calendário. A data corresponde à saída do profeta Maomé da cidade de Meca em direção a Medina, ocorrida no ano 622 do calendário cristão.
Embora o calendário gregoriano tenha sido adotado como referência em quase todo o mundo, há países que não o utilizam. Outros, como Japão e Israel, usam mais de um calendário ao mesmo tempo. Por isso, se você acessar a versão digital de um jornal de Israel, em que a maioria da população é judaica, encontrará na capa duas datas: a do calendário gregoriano – por exemplo, 24 de julho de 2024 – e a do calendário judaico – 18 Tamuz de 5784.

O calendário chinês 


O calendário tradicional chinês, assim como o inca, é lunissolar, ou seja, combina influências das atividades do Sol e da Lua. Ele também tem 12 meses, cada um deles relacionado a um animal, segundo esta ordem: rato, boi, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, carneiro, macaco, galo, cão e porco. Após doze anos, o ciclo se reinicia e os nomes dos animais voltam a se repetir. 
O que poucas pessoas sabem é que na China se adotam dois calendários. O calendário ocidental, solar, é usado para atividades civis e administrativas: dia a dia do trabalho, escola, comércio, bancos, instituições públicas etc.
O calendário tradicional é usado principal mente para datar eventos relacionados à cultura do país, como o Ano-Novo Chinês e o Festival do Meio-Outono, dois feria dos nacionais na China.

A divisão do tempo em períodos 


Outra unidade de medida criada pelos estudiosos é o período. Cada um deles corresponde a uma longa extensão de tempo em que as sociedades humanas apresentaram determinadas características marcantes, diferentes das de outros períodos.
A periodização mais utilizada em livros de História foi criada por estudiosos europeus no século XIX. Eles dividiram a História em cinco períodos: Pré-história, Idade Antiga (ou Antiguidade), Idade Medieval, Idade Moderna e Idade Contemporânea. 
Muitos estudiosos criticam essa divisão porque ela leva em consideração apenas os acontecimentos da história europeia e anulam a história de outros povos. Essa periodização tradicional também recebe críticas porque está centrada em uma visão histórica voltada para os povos da Europa. É, portanto, eurocêntrica.
Também apontam que essa divisão pode dar a impressão de que o modo de vida dos europeus teria permanecido o mesmo em cada período – por exemplo, durante os mil anos do período medieval –, o que seria um grande erro.  
Por fim, o termo Pré-História também é criticado, pois o marco que separaria a História da Pré-História seria o surgimento da escrita. Hoje, esse critério perdeu o sentido, pois é consenso entre os historiadores que desde que os seres humanos surgiram existe história, independentemente de essa história ter ou não registro escrito.
Mesmo sem dominar a escrita, muitas sociedades produziram ferramentas, aproveitaram os recursos da natureza para garantir sua sobrevivência, criaram diferentes formas de arte e de religião e deixaram vestígios dos modos de vida que construíram. Essas sociedades apresentavam noções temporais próprias e formas particulares de medir a passagem do tempo.
Existem no presente sociedades cuja cultura não necessita da produção de registros escritos. É o caso de grupos nativos das Américas, da África, da Sibéria ou da Austrália. Alguns deles, por causa de seus contatos com as sociedades que dependem da escrita, adotaram alfabetos de outras línguas, como o latino, para registrar os sons de seus idiomas.
Os historiadores atuais não aceitam essa divisão entre Pré-História e História, porque consideram que: 
• as conquistas humanas anteriores à escrita (como o domínio do fogo, a invenção da roda, a prática da agricultura) são tão importantes quanto as posteriores; 
• os povos que não desenvolveram a escrita também possuem uma história movimentada, que precisa e pode ser melhor conhecida.

A distinção entre Pré-História e História foi criada por historiadores europeus que viveram no século XIX. Eles davam grande importância às fontes escritas porque supunham que elas eram mais confiáveis. 
Atualmente, os estudiosos não dão tanta importância para essa distinção entre fontes escritas e não escritas. Isso porque há várias formas de registro do passado que podem ser interpretadas. Além disso, o ser humano, desde que surgiu na Terra, é um ser histórico.
Além disso, nessa divisão é classificada como Pré-história todo o período anterior à invenção da escrita. O termo “pré-histórico” pode ser entendido de maneira pejorativa, pois se baseia na ideia de que os povos que não conheciam a escrita não tinham história, eram “atrasados” ou “não civilizados”. Acontece que nem todas as sociedades sentiram necessidade de desenvolver formas de registro escrito. Muitas se desenvolveram ao seu modo, transmitindo conhecimentos por meio da oralidade e de imagens gravadas sobre diferentes suportes.
Há outras razões para crer que essa divisão da História não é satisfatória, entre as quais se destacam: 
• A escolha do surgimento da escrita como critério para separar a Pré-História da História sugere que os povos sem escrita não tiveram ou não têm história. Com ou sem escrita, todos os povos têm história. 
• A expressão Idade Média, que só serve para separar a Idade Antiga da Idade Moderna, nada explica. 
• A expressão Idade Contemporânea, usada para cobrir o período que vai da Revolução Francesa aos dias de hoje, perdeu o sentido, pois foram muitas as mudanças ocorridas na história mundial desde então.

O principal problema dessa periodização, entretanto, é o fato de que toda a História é pensada com base na Europa. É, portanto, uma periodização eurocêntrica ou europocêntrica.



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