sábado, 22 de agosto de 2026

Sistema imunitário


As defesas de nosso corpo


Vivemos em um mundo rodeado de agentes que podem nos causar doenças; vírus, bactérias, protozoários, fungos, entre outros. A pele e as mucosas dos sistemas respiratório, digestório, urinário e genital, por exemplo, são barreiras naturais contra esses agentes infecciosos.
No entanto, muitas vezes eles conseguem invadir nosso corpo; nesses casos, você sabe como nosso corpo reage para impedir que esses microrganismos causem danos à saúde? Nosso corpo tem um mecanismo de defesa capaz de combater patógenos e eliminar infecções e as possíveis complicações causadas por eles. É o que chamamos de imunidade.


Sistema imunitário



O sistema imunitário é responsável pelas reações que conferem imunidade, ou seja, proteção contra agentes estranhos ao organismo.
O sistema imunitário é composto de células especializadas, como os leucócitos (ou glóbulos brancos), tecidos e órgãos que reagem de maneiras diversas para garantir a imunidade.
Está intimamente relacionado à circulação sanguínea e linfática. Tanto o sangue (do sistema cardiovascular) quanto a linfa (do sistema linfático) transportam os componentes do sistema imunitário. Graças a esse transporte, o corpo pode localizar uma infecção e enviar agentes para atuar no local para combatê-la.
Os glóbulos brancos são células encontradas no sangue e na linfa. Eles protegem o corpo, destruindo microrganismos e outros elementos estranhos ao organismo, compondo, assim, o sistema de defesa (sistema imunitário), junto com os órgãos linfáticos. Esse sistema nos confere imunidade, que é o conjunto de mecanismos de defesa do organismo contra agentes causadores de doenças e materiais tóxicos.
Os patógenos e as partículas estranhas ao organismo são denomina dos antígenos. Quando um antígeno é identificado em alguma parte do corpo, ocorre a mobilização de alguns tipos de glóbulo branco da corrente sanguínea para o local. O aumento no número de glóbulos brancos, que corresponde à primeira defesa do organismo, pode levar à destruição dos antígenos. Caso as reações da primeira linha de defesa não consigam eliminá-lo, ocorre a ativação de outros tipos de glóbulo branco, como os que produzem anticorpos para uma resposta imune mais específica. 
Ao analisar os resultados de um exame de sangue (hemograma), o médico observa, entre outros dados, a quantidade e o tipo de glóbulos brancos por milímetro cúbico de sangue. Essa informação pode ajudá-lo por exemplo, a identificar um quadro de infecção no organismo.

Leucócitos


Leucócitos são as células de defesa do organismo presentes no sangue. Eles se originam na medula óssea, assim como as hemácias e as plaquetas. Alguns tipos são capazes de produzir anticorpos.
Veja a seguir os principais tipos de leucócitos e algumas de suas características.

Linfócitos


São classificados em dois tipos: linfócitos T e B. Essas células participam da imunidade adquirida atuando no reconhecimento específico de patógenos. 
Os linfócitos são ativados na presença de elementos estranhos ao corpo e se multiplicam atuando na resposta contra o invasor. Os linfócitos T matam diretamente o patógeno ou interagem com outras células do sistema imunitário que também desempenham essa função. Já os linfócitos B atuam na produção de anticorpos.


Monócitos e granulócitos



São responsáveis por englobar e matar microrganismos invasores por meio de um processo denominado fagocitose. Os monócitos circulam na corrente sanguínea e, ao migrar para os tecidos, passam a ser chamados de macrófagos, responsáveis pela eliminação de células mortas ou restos celulares do organismo. Já os granulócitos (eosinófilos, basófilos e neutrófilos) são assim denominados porque contêm grânulos com substâncias tóxicas que utilizam contra invasores.


Anticorpos



Anticorpos são proteínas que neutralizam e eliminam os patógenos. Sua principal função é impedir que as células do corpo sejam invadidas e ocorra uma infecção. Para tanto, eles se ligam aos antígenos, que podem ser toxinas, outros organismos ou elementos presentes nos invasores.
Há diversos tipos de anticorpo e eles podem ser encontrados no sangue, na lágrima, no leite e no sistema respiratório.


Circulação sanguínea e linfática



Internamente, o corpo humano é percorrido por uma rede intrincada de vasos sanguíneos e linfáticos. O sangue irriga os tecidos e órgãos do corpo transportando substâncias pela circulação pulmonar e sistêmica.
A linfa percorre o corpo por um sistema paralelo ao cardiovascular, o sistema linfático. Ambos estão intimamente relacionados e compartilham substâncias e componentes celulares.
Durante a circulação sanguínea, uma parte do plasma atravessa a parede dos capilares, formando um material líquido entre as células dos diversos teci dos do corpo. O excesso desse líquido flui para um sistema de vasos chamados capilares linfáticos. Uma vez dentro dos vasos do sistema linfático, o fluido é denominado linfa.
Em sua composição, a linfa é semelhante ao sangue, pois contém leucócitos (glóbulos brancos), proteínas e lipídios. Entretanto, ela não contém hemácias nem plaquetas. Dos capilares linfáticos, a linfa segue para dois grandes vasos linfáticos. Desses vasos, ela é lançada nas veias cavas, de onde flui em direção ao coração.
No decorrer do percurso linfático, existem os linfonodos (distribuídos por todo o corpo), que armazenam os linfócitos. Os linfócitos são um dos tipos de leucócitos e são responsáveis pela produção de anticorpos – proteínas que combatem os microrganismos e outras substâncias estranhas que podem penetrar no organismo.
O sistema linfático é uma via acessória ao sistema cardiovascular, na qual líquidos podem fluir dos espaços intercelulares para o sangue. Esse sistema é composto basicamente de uma rede de capilares e vasos (semelhantes às veias sanguíneas), que transportam a linfa, e um conjunto de órgãos, como o baço, as tonsilas, os linfonodos e o timo.
As tonsilas participam das respostas de defesa do organismo contra as substâncias estranhas que são inala das. No timo, ocorre a maturação dos linfócitos, que são posteriormente distribuídos aos outros órgãos.


Ativação do sistema imunitário



Se um antígeno ou uma bactéria, por exemplo, conseguir superar as barreiras de nosso corpo (como a pele, o movimento dos cílios das vias aéreas ou o muco da cavidade nasal), entram em ação algumas células, um tipo de leucócito (macrófago) da corrente sanguínea, iniciando assim uma reação denominada resposta imune inata. Essas células englobam o antígeno por um processo chamado fagocitose. São as respostas iniciais a uma infecção.
Se essas respostas iniciais não forem suficientes, algumas células capturam os antígenos e entram nos vasos linfáticos ativando uma resposta mais tardia, a imunidade adquirida. Ela é assim chamada porque é desenvolvida após contato com o antígeno. Esse tipo de reação tem duas características principais: especificidade e memória imunológica. Especificidade é a capacidade de o organismo desencadear uma resposta específica para cada invasor. Memória imunológica é a capacidade de armazenamento de informações sobre determinado patógeno, o que possibilita respostas rápidas e eficazes contra ele.
A produção de anticorpos Além da infecção natural, o sistema imunológico pode ser induzido pela vacina. Quando o corpo é invadido por um agente patológico, ele inicia o processo de defesa e produção de anticorpos.
Essa produção demora alguns dias para alcançar uma quantidade de anticorpos que seja eficaz para neutralizar o patógeno. Durante esses dias, o corpo exibe os sintomas da doença. 
As vacinas contêm partes de patógenos, patógenos enfraquecidos (que não conseguem se reproduzir) ou material genético com instruções para a produção desses antígenos pelas nossas células. Ao serem inoculadas em um indivíduo sadio, geram uma resposta imunológica com a produção de anticorpos e, consequentemente, uma memória imunológica.
Ao ser infectado pelo patógeno natural, a produção de anticorpos pelo organismo vacinado é rápida a ponto de superar e impedir a manifestação de sintomas da doença, ou amenizá-los. 
A vacinação é, portanto, uma forma de imunidade ativa. Quando um indivíduo é vacinado, diz-se que ele foi imunizado contra determinado patógeno, isto é, passou a ter imunidade contra esse invasor específico.

Imunização artificial 


O organismo humano está constantemente exposto à ação de muitos elementos estranhos ao corpo, vivos ou não, como venenos, toxinas, bactérias e vírus. Para ampliar a proteção em relação a esses antígenos, são desenvolvidos soros e vacinas.

Soros 


Os soros contêm doses elevadas de anticorpos produzidos por outra pessoa ou por outro animal, como um cavalo. São utilizados para tratar intoxicações provocadas por toxinas de agentes infecciosos ou pela peçonha de alguns animais, como em casos de picada de serpentes ou de outro animal peçonhento. O soro neutraliza essas toxinas de modo rápido e eficaz, evitando que o organismo sofra danos.

Vacinas 


Vacina é uma preparação com microrganismos (vírus ou bactérias) mortos ou inativos ou com fragmentos deles. Vírus e bactérias são con siderados inativos quando perdem a capacidade de se reproduzir. Uma vez introduzidas no organismo, as vacinas provocam a produção de an ticorpos específicos para cada tipo de microrganismo. É o que acontece, por exemplo, com as vacinas contra o sarampo, a rubéola e a raiva. 
O efeito protetor da vacina aparece quando a pessoa entra novamente em contato com o microrganismo: seu corpo reage rapidamente, produzindo anticorpos que combatem o microrganismo causador. 
As vacinas têm prevenido doenças graves como sarampo, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, hepatite, rubéola, tuberculose e febre amarela, e até ajudaram a erradicar algumas delas.

Problemas relacionados ao sistema imunitário


Há ocasiões em que o sistema imunitário apresenta falhas, por motivos genéticos ou em decorrência de determinadas doenças. A aids, por exemplo, causa problemas nesse sistema, permitindo o desenvolvimento de doenças oportunistas que podem até levar à morte. Em outros casos, como o lúpus, a falha no sistema de defesa faz com que ele passe a agir contra o próprio corpo. O sistema imunitário também está envolvido com as rejeições de transplantes e as alergias.

Aids 


A aids é uma doença que pode se manifestar após a infecção do indivíduo pelo vírus da imunodeficiência humana, conhecido como HIV (do inglês, Human Immunodeficiency Virus). 
A sigla aids deriva do inglês acquired immunodeficiency syndrome, que em português quer dizer síndrome da imunodeficiência adquirida. Síndrome designa um grupo de sinais e sintomas que, uma vez considerados em conjunto, caracterizam uma condição. Imunodeficiência é a falha do sistema imunitário do organismo contra microrganismos invasores, como vírus, bactérias e protozoários. Adquirida significa que a aids não ocorre espontaneamente, mas por um fator externo: a infecção pelo HIV. 
O HIV destrói um tipo específico de glóbulo branco, responsável por comandar o sistema imunitário; com isso o indivíduo torna-se vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, assim chamadas por surgirem nos momentos em que o sistema imunitário do indivíduo está enfraquecido. Atualmente, em grande parte dos casos, a aids, quando tratada, pode ser considerada uma condição crônica. Isso significa que uma pessoa infectada pelo HIV, se estiver em tratamento médico, pode viver com o vírus por um longo período sem apresentar sintomas. No entanto, o tratamento traz uma série de efeitos colaterais. Mesmo com os avanços tecnológicos, a prevenção é sempre o melhor caminho.
A aids pode ser prevenida com o uso de preservativos (camisinha feminina ou masculina) durante as relações sexuais. Outros cuidados que devem ser tomados são não compartilhar objetos cortantes e perfurantes, como tesoura ou alicate de unha, que não tenham sido esterilizados, e, no caso da necessidade de uma transfusão sanguínea, informar-se sobre as condições dos bancos de sangue. As grávidas portadoras do HIV devem fazer pré-natal e ter tratamento adequado. Como a transmissão também pode ocorrer pelo leite materno, o bebê não pode ser amamentado pela mãe.

Lúpus 


O lúpus é uma doença crônica de causa desconhecida que leva a alterações fundamentais no sistema imunitário. Essa doença é mais comum em mulheres e pode afetar a pele, as articulações e os rins, entre outros órgãos. Uma pessoa com lúpus desenvolve anticorpos que reagem contra suas células normais. 
O lúpus é, portanto, uma doença autoimune. Entretanto, não se trata de uma doença contagiosa ou infecciosa. A maioria dos casos ocorre esporadicamente, indicando que fatores genéticos e ambientais têm papel importante no desenvolvimento da doença. 
O lúpus pode ser desencadeado por drogas, como a penicilina e a sulfa, por exposição excessiva à luz solar, por infecções e por problemas emocionais, como o estresse.

Rejeição a transplantes 


Transplante é a substituição de um tecido ou órgão. Geralmente, o organismo reconhece as proteínas do tecido ou órgão transplantado como estranhas ao corpo e produz anticorpos, rejeitando-o. 
Por isso, para realizar um transplante, é necessário fazer exames que determinem o grau de compatibilidade entre o doador e o receptor, o que pode reduzir o risco de rejeição. Drogas imunossupressoras também são utilizadas, porém elas tornam os indivíduos receptores suscetíveis a doenças infecciosas.

Alergias


Algumas pessoas apresentam reações alérgicas a determinados materiais, denominadas alérgenos. Os mais comuns são alimentos (leite, amendoim, crustáceos e ovos), alguns antibióticos, vitaminas (B1 e ácido fólico), vacinas, venenos de insetos, grãos de pólen, poeira, corantes, entre outros.
A alergia é uma reação exagerada do sistema imunitário. Algumas reações alérgicas podem ser localizadas, provocando inchaço nas pálpebras e nos lábios, cãibras, coceira e erupções na pele. Outras reações são generalizadas, como o choque anafilático, que causa problemas respiratórios e cardiovasculares, podendo até levar à morte. 
Pessoas alérgicas devem consultar especialistas para se informar sobre as maneiras de evitar as reações e como proceder em caso de manifestações alérgicas extremas.




A importância da microbiota ou flora intestinal

Em nosso intestino vivem bactérias e outros microrganismos que, além de atuar no processo de digestão, colaboram para o equilíbrio do organismo. Evitam também a proliferação de seres patogênicos. Nossa microbiota se forma logo após o nascimento e se modifica ao longo da vida por fatores genéticos e ambientais, incluindo o modo de nascimento (parto normal ou cesariana), a idade e os hábitos alimentares. A alimentação gordurosa e pobre em fibras e o uso indiscriminado de antibióticos afetam negativamente a microbiota.

O que são probióticos? 

São compostos ou alimentos que contêm microrganismos vivos que podem colaborar para a manutenção ou o reequilíbrio da microbiota, evitando formação excessiva de gases e diarreia. Podem ser encontrados em alimentos como certos iogurtes e leite fermentado. Também são vendidos como suplementos na forma de líquidos ou cápsulas. 
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta a fabricação e a venda desse tipo de produto.


Digestão

A digestão humana é extracelular, isto é, ocorre fora das células. A transformação dos alimentos é realizada no interior do tubo digestório por meio de dois tipos de processo: físicos (ou mecânicos) e químicos. 

• Durante os processos físicos, ocorrem a trituração e a redução dos alimentos, sem que haja transformação de uma substância em outra. A digestão mecânica é feita por meio da mastigação, da deglutição (o ato de engolir) e dos movimentos que acontecem no tubo digestório, denominados peristálticos. 

• Nos processos químicos, ocorrem reações nas quais as moléculas dos ali mentos são decompostas em outras mais simples ou transformadas. Esse processo é mediado pelas enzimas dos sucos digestivos. 
Para que possam ser absorvidos pelo organismo, quase todos os tipos de alimento devem passar por uma série de transformações digestivas, ou seja, pelo processo de simplificação de moléculas complexas. Isso é essencial, pois, para serem nutridas, as células só conseguem absorver moléculas bem simples.

Etapas da digestão humana

Digestão na boca 

Na boca, ocorre a mastigação, processo no qual o alimento é cortado e triturado pela ação mecânica dos dentes, auxiliados pela língua. A saliva, produzida pelas glândulas salivares, além de umedecer o alimento facilitando a mastigação, contém a enzima amilase, que atua sobre o amido transformando-o em moléculas mais simples. 
A digestão química, que transforma moléculas complexas em moléculas simples. 
Por exemplo, o amido é “quebrado“ em diversas moléculas de maltose (na boca e no intestino) e, depois, a maltose é quebrada em duas moléculas de glicose (no intestino).
A água, a glicose, os sais minerais e as vitaminas – moléculas pequenas – não precisam sofrer o processo digestivo para penetrar nas células.

Mastigação 

Nessa etapa, os alimentos são reduzidos a pedaços bem pequenos. Nesse processo mecânico, os dentes são auxiliados pela língua e pela adição de saliva, que mistura e solubiliza os alimentos na boca. 
A trituração aumenta a superfície de contato do alimento com a saliva, facilitando a ação das enzimas salivares e sua passagem pelo tubo digestório. Por isso é importante sempre mastigar bem os alimentos.

Salivação 

A saliva é produzida pelas glândulas salivares. Ela contém principalmente água, mas também muco (líquido viscoso expelido por mucosa), sais minerais e substâncias bactericidas, isto é, que matam bactérias. Ao umedecer o alimento, a saliva facilita a mastigação e, ao dissolver parte dele, facilita a percepção gustativa. 
A saliva tem também a amilase salivar, ou ptialina. A amilase salivar é uma das enzimas responsáveis pela digestão química na boca, isto é, ela “quebra” as moléculas do amido, relativamente grandes, transformando-as em moléculas menores. Contudo, ainda não ocorre a digestão total do carboidrato.

Da boca para o estômago 

Deglutição 

Depois da mastigação e da salivação, forma-se o bolo alimentar, que é, então, deglutido. Após o ato de engolir, o bolo alimentar passa pela faringe e chega ao esôfago.
Por meio da deglutição, alimentos parcialmente fragmentados – que formam o bolo alimentar – são conduzidos para a faringe e o esôfago (órgãos tubulares formados por músculos). Esse movimento é mecânico e voluntário. Mas, assim que é engolido, o bolo alimentar é conduzido do esôfago até o estômago por meio dos movimentos peristálticos, que são involuntários. 

Movimentos peristálticos 

A deglutição é um movimento voluntário realizado conscientemente. A partir daí, os movimentos peristálticos contribuem para a digestão mecânica, empurrando o bolo alimentar do esôfago para o estômago. Uma válvula (estrutura que possibilita regular ou interromper a passagem de uma substância), a cárdia, regula essa passagem de alimento.
Os movimentos peristálticos são contrações progressivas dos músculos lisos situados no esôfago, no estômago e nos intestinos (onde são mais intensos) que conduzem o bolo alimentar pelo tubo digestório. Além de empurrar o alimento, também promovem sua mistura com as enzimas digestivas. Esses movimentos são involuntários, isto é, independem de nossa vontade.

Digestão no estômago 

No estômago, os movimentos peristálticos misturam o bolo alimentar ao suco gástrico, produzido pelas glândulas da mucosa. Esse suco contém ácido clorídrico, que mantém a acidez estomacal, ativando as enzimas do estômago. A pepsina, principal enzima do estômago, atua na transformação das pro teínas, iniciando sua digestão química, que continuará no intestino delgado.
O suco alimentar resultante da digestão gástrica é chamado quimo; por isso, ela também é denominada quimificação. 
Por meio de outra válvula – o piloro – é regulada a passagem do quimo para o intestino.

Formação do quimo 

Nas paredes internas do estômago, há glândulas que produzem o suco gástrico, um composto de água, muco, ácido e enzimas digestivas. Entre essas enzimas está a pepsina, que age em ambiente ácido e digere proteínas. Após algumas horas sob a ação do suco gástrico, o bolo alimentar é transformado em quimo, um tipo de pasta. O quimo, por meio de movimentos peristálticos, passa para o intestino delgado.


Digestão no intestino delgado 


É no duodeno, segmento inicial do intestino delgado, que acontece a maior parte da digestão. As moléculas dos nutrientes são transformadas em moléculas menores, que o organismo pode absorver.
Nesse processo ocorre a ação das secreções descritas a seguir.

• Bile – secreção do fígado armazenada na vesícula biliar. Ela é lançada ao duodeno por meio de um canal e não contém enzimas digestivas. Os sais biliares, porém, emulsionam a gordura, isto é, separam as gorduras em partículas microscópicas, funcionando de modo semelhante a um detergente – isso facilita a ação das enzimas pancreáticas sobre os lipídios. 
• Suco pancreático – é produzido pelo pâncreas. Apresenta várias enzimas que atuam na digestão das proteínas, dos carboidratos e dos lipídios.
• Suco entérico ou intestinal: produzido pelas células da parede do intestino delgado, contém enzimas que digerem proteínas, carboidratos e lipídios. 
Nessa etapa, o quimo se transforma em um líquido viscoso, o quilo, que passa para o jejuno e o íleo – partes finais do intestino delgado.
O processo químico da digestão ocorre em vários locais do tubo digestório, pela ação de diversas enzimas. 

Absorção e destino dos alimentos

Cerca de 90% da absorção do quilo ocorre nas inúmeras vilosidades do intestino delgado. 
As pequenas moléculas resultantes da digestão dos nutrientes, e também as vitaminas e os sais minerais – que não são digeridos, apenas absorvidos –, atravessam as paredes intestinais e chegam à corrente sanguínea, de onde são distribuídas para todas as células do corpo. Nas células, os nutrientes são utilizados para obtenção de energia e para a manutenção do organismo.

As substâncias que formam o quilo podem ser absorvidas pelo organismo, isto é, atravessam as membranas das células intestinais (microvilosidades) presentes nas vilosidades do intestino delgado.
Com isso, ocorre a absorção dos nutrientes, ou seja, a passagem das substâncias nutritivas para os capilares sanguíneos. 
O que não é absorvido – parte da água e a massa alimentar, formada principalmente pelas fibras alimentares – passa para o intestino grosso.

Digestão no intestino grosso 

O intestino grosso absorve parte da água e dos sais minerais que ainda restam do quilo, transferindo-os, então, para a circulação sanguínea, para que sejam distribuídos até as células. 
Algumas bactérias intestinais realizam fermentação utilizando resíduos de alimentos e produzem vitaminas (a vitamina K e algumas do complexo B), que são aproveitadas pelo organismo. Nessas atividades, há liberação de gases – parte deles é absorvida pelas paredes intestinais e outra é eliminada pelo ânus. O material que não foi digerido – as fibras, por exemplo – forma as fezes.

Formação das fezes 

No intestino grosso, ocorre a absorção da água presente no material vindo do intestino delgado e de alguns nutrientes, como certas vitaminas e sais minerais. A absorção da água é essencial para hidratar o organismo. 
Com o processo, ocorre a formação das fezes, constituídas de uma pequena parte restante de água e dos resíduos que sobram dos alimentos no estômago após a digestão. As fezes são armazenadas temporariamente no intestino grosso, até ocorrer a defecação, ou seja, a eliminação pelo ânus.




O sistema digestório

Após uma refeição, os nutrientes dos alimentos devem chegar às células. Entretanto, na maioria das vezes, eles não as atingem diretamente: primeiro precisam ser transformados para, somente então, nutrir nosso corpo, pois as células só conseguem absorver moléculas simples. 
Esse processo de “quebra” das moléculas complexas recebe o nome de digestão. A digestão acontece no sistema digestório, formado por um tubo e glândulas anexas.
O sistema digestório é formado por um longo tubo de composição muscular responsável por mastigar, deglutir, digerir e absorver os nutrientes dos alimentos. Conforme o alimento percorre o sistema digestório, ele sofre transformações, possibilitando a assimilação dos nutrientes no intestino delgado. 

Tubo digestório 


O tubo digestório é composto dos seguintes órgãos: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso.

Boca 

A boca é a abertura que conduz os alimentos para dentro do tubo digestório. Nela se encontram a língua e os dentes, estruturas relacionadas à mistura e à mastigação dos alimentos, respectivamente.

Faringe e esôfago

A faringe é uma câmara muscular comum às vias digestórias e às vias respiratórias, ligando a boca ao esôfago. A faringe empurra o alimento em direção ao esôfago, caracterizando o processo de deglutição.
O esôfago é um tubo musculoso que mede cerca de 25 cm, localizado entre a faringe e o estômago. As contrações musculares do esôfago ajudam a empurrar o alimento em direção ao estômago.

Estômago 

O estômago é uma dilatação do tubo digestório e tem formato de bolsa. Além de músculos, ele é revestido internamente pela mucosa gástrica, um tecido que apresenta glândulas produtoras de suco gástrico, composto principalmente de água, muco, enzimas e ácido clorídrico. 
O ácido clorídrico mantém as condições ideais para a ação das enzimas do estômago, além de ajudar a destruir alguns microrganismos dos alimentos.
O estômago se comunica com o intestino delgado por um orifício musculoso chamado piloro, que funciona como uma válvula, controlando a passagem do alimento.

Intestino delgado

O intestino delgado é um tubo com cerca de 2,5 cm de diâmetro e 5,5 m de comprimento. Apresenta-se curvado sobre si mesmo, o que lhe possibilita ficar acomodado no abdome.

O intestino delgado é composto de três partes: 

• o duodeno, com cerca de 25 cm de comprimento; 
• o jejuno, com um pouco mais de 2 m; 
• o íleo, com aproximadamente 3 m.

Na parte interna do tubo do intestino delgado, há glândulas que produzem o suco intestinal, ou entérico, assim como minúsculas projeções digitiformes (em forma de dedos) denominadas vilosidades intestinais. Essas vilosidades aumentam a superfície de contato com os nutrientes, favorecendo sua absorção. As células dessas vilosidades também têm outras inúmeras projeções em suas membranas, chamadas microvilosidades.

Intestino grosso

O intestino grosso mede cerca de 1,5 m de comprimento e 6 cm de diâmetro. Ele é composto de três partes principais: 
ceco, que tem a forma de um saco com cerca de 6 cm; 
colo, que constitui sua maior parte; 
reto, que é o final do intestino grosso e termina com o canal anal, que se comunica com o exterior por meio de uma abertura denominada ânus. 
O esfíncter é um músculo localizado ao redor do ânus que controla a passagem das fezes. 
O apêndice está localizado na primeira porção do intestino grosso. Apesar de não ter de fato função digestória, ele apresenta, no entanto, tecidos produtores de células que atuam na defesa do organismo.

Glândulas anexas

As glândulas anexas estão ligadas ao tubo digestório e produzem substâncias que são consideradas imprescindíveis à digestão. Sãos elas: 
• as glândulas salivares; 
• o fígado; 
• o pâncreas.

Glândulas salivares 

As glândulas salivares, anexas à boca, produzem a saliva, líquido composto principalmente de água, além de muco e algumas enzimas. Uma vez produzida, ela é conduzida por canais até a cavidade bucal. Existem três pares de glândulas salivares: parótidas, submandibulares e sublinguais.

Fígado 

O fígado, situado na cavidade abdominal, é a maior glândula do corpo humano. Além de produzir a bile, que é armazenada na vesícula biliar e conduzida ao duodeno por meio de um canal denominado ducto colédoco, o fígado armazena e sintetiza nutrientes e neutraliza substâncias tóxicas ao organismo. 

Pâncreas 

Assim como o fígado, o pâncreas, situa-se na cavidade abdominal, mais à esquerda do estômago, junto aos intestinos. Ele exerce funções importantes, como a produção do suco pancreático, que atua na digestão. 
O pâncreas produz também hormônios como a insulina, responsável por regular a quantidade de glicose (açúcar) no sangue.




Doenças do sistema cardiovascular

A saúde do sistema cardiovascular pode ser afetada por doenças que atingem o coração, os vasos sanguíneos ou o sangue. A aterosclerose, a leucemia e a hipertensão são alguns exemplos.
Alguns fatores predispõem o organismo ao surgimento de distúrbios cardiovasculares. Entre eles estão: o consumo elevado de alimentos gordurosos, que pode causar o depósito de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos; a vida sedentária, que impede a adequada circulação do sangue; o tabagismo; e o alcoolismo.

Aterosclerose 

A Com o passar dos anos, as artérias podem ter o diâmetro diminuído, pelo acúmulo de gordura em suas paredes internas. Como consequência, os vasos sanguíneos ficam obstruídos, causando a aterosclerose.  
Em algumas ocasiões, a obstrução de determinada artéria é total, e o sangue não consegue levar gás oxigênio nem nutrientes às células naquela região do corpo, ocasionando o infarto. Se isso acontecer em um órgão vital, como o coração ou o cérebro, pode causar a morte.

Hipertensão 

A pressão sanguínea ou pressão arterial corresponde à força que o sangue exerce nas paredes das artérias. Como vimos, o ciclo cardíaco é composto de dois movimentos: as sístoles (contrações) e as diástoles (relaxamentos). Geralmente, a pressão máxima do sangue (pressão sistólica) em um adulto fica entre 100 e 140 mmHg, e a mínima (pressão diastólica), entre 60 e 90 mmHg. 
Quando uma pessoa sofre de hipertensão (conhecida por pressão alta), sua pressão máxima aumenta anormalmente, atingindo 180 mmHg ou mais. Essa situação pode ser esporádica ou permanente e põe em risco a saúde do paciente, pois nessas condições pode ocorrer ruptura de artérias. 

O coração

O coração funciona como uma bomba dupla que impulsiona o sangue no interior dos vasos sanguíneos. Dessa forma, o sangue circula por todo o corpo. As paredes do coração são formadas por um músculo potente, o miocárdio. Externamente, o coração é revestido por uma membrana, o pericárdio. O tamanho do coração depende do sexo, da idade e do estado de saúde da pessoa.

As cavidades cardíacas

O coração humano apresenta quatro cavidades: duas superiores, os átrios, e duas inferiores, os ventrículos. 
Os átrios, direito e esquerdo, têm paredes finas e recebem o sangue das veias. A veia cava superior e a veia cava inferior lançam o sangue no átrio direito, e as veias pulmonares, no átrio esquerdo. 
Os ventrículos, direito e esquerdo, têm paredes grossas e impulsionam o sangue para as artérias. Do ventrículo direito parte o tronco pulmonar, que se bifurca nas artérias pulmonares, e do ventrículo esquerdo, a aorta.

As valvas 

Entre as cavidades superiores e inferiores do coração situam-se as valvas atrioventriculares, que impedem o retorno do sangue dos ventrículos para os átrios. Nas saídas dos ventrículos também existem valvas, que impedem o retorno do sangue das artérias para o coração, como a valva do tronco pulmonar e a da aorta.

Os batimentos do coração

Para impulsionar o sangue, o coração bate continuamente por contrações de sua musculatura, chamadas sístoles, seguidas de relaxamentos, denominados diástoles. Esse conjunto de movimentos alternados e sequenciais recebe o nome de ciclo cardíaco. 
O coração de um adulto se contrai, em média, 72 vezes por minuto. Ao auscultar o coração com um estetoscópio, é possível detectar dois sons diferentes que provêm do fechamento das valvas: um, mais longo, corres ponde ao fechamento das valvas atrioventriculares; o outro, de menor duração, resulta do fechamento das valvas da aorta e do tronco pulmonar.

A circulação do sangue

O percurso do sangue no organismo humano recebe o nome de circulação sanguínea. Durante um percurso completo pelo corpo, o sangue passa duas vezes pelo coração. 

Pequena circulação

Também chamada circulação pulmonar, a pequena circulação vai do coração para os pulmões e retorna deles para o coração. 
• O sangue rico em gás carbônico é bombeado do ventrículo direito para o tronco pulmonar, que se divide em duas artérias pulmonares; cada uma delas segue para um pulmão.
• Nos pulmões, o sangue libera gás carbônico e absorve gás oxigênio. O sangue oxigenado vai para o átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares.

Grande circulação 

Também chamada circulação geral, a grande circulação é o trajeto que leva o sangue do coração para todos os órgãos do corpo e deles para o coração. 
• O sangue proveniente dos pulmões, rico em gás oxigênio, passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Dele, é impulsionado para a aorta, que se ramifica em muitas outras artérias, que vão para todas as partes do corpo. 
• O sangue volta para o coração pelas veias e atinge o átrio direito, tanto pela veia cava superior quanto pela inferior.


Sistema cardiovascular

O sistema cardiovascular é uma grande rede de tubos pela qual o sangue, impulsionado pelo coração, circula por todas as partes do corpo levando nutrientes provenientes da digestão, oxigênio da respiração e outras substâncias.
Os principais componentes do sistema cardiovascular são: coração, sangue e vasos sanguíneos.
O coração é um órgão muscular que bombeia o sangue para todo o corpo. Os vasos sanguíneos são estruturas tubulares por onde circula o sangue: são as artérias – que levam sangue do coração aos tecidos do corpo; as veias – que reconduzem ao coração o sangue vindo do corpo; e os capilares – que ligam artérias e veias, transportando sangue aos tecidos.
Os vasos sanguíneos estão distribuídos de forma que possam, em um movimento circulatório constante, levar o sangue do coração a todos os tecidos do corpo e trazê-lo, em seguida, ao coração.
O sangue é um líquido de cor vermelha, composto de células sanguíneas (glóbulos vermelhos ou hemácias e glóbulos brancos ou leucócitos), fragmentos celulares (plaquetas) e plasma (parte líquida do sangue composta de água, proteínas e sódio). Ele transporta os nutrientes provenientes da digestão, os gases da respiração e outras substâncias pelo organismo.

O sangue e seus componentes



O sangue é um fluido viscoso, de cor avermelhada, que circula por todo o organismo, transportando diferentes tipos de materiais. O corpo de um indivíduo adulto tem, em média, de 5 a 6 litros de sangue. Uma parte do sangue é líquida e recebe o nome de plasma. Nele, estão imersas células sanguíneas e fragmentos de células, chamados plaquetas.

Plasma

O plasma é um líquido de cor amarelada, que representa de 50% a 55% do volume total do sangue. É constituído por água, na qual estão dissolvidos nutrientes, gás oxigênio, gás carbônico e resíduos produzidos pelas células, entre outros materiais.

Células sanguíneas

As células sanguíneas são produzidas na medula óssea vermelha, que está localizada na parte interna de alguns ossos. Essas células podem ser de dois tipos: glóbulos vermelhos e glóbulos brancos.

Glóbulos vermelhos

Os glóbulos vermelhos, também chamados hemácias, são as células sanguíneas mais numerosas (entre 45% e 50% do volume total de sangue). Há aproximadamente 5 milhões dessas células em 1 mm3 — cerca de 1 gota — de sangue. Elas têm a forma de disco, não apresentam núcleo e contêm hemoglobina, composto responsável pela cor avermelhada característica do sangue.
A hemoglobina é uma proteína que contém ferro em sua estrutura e atua no transporte de gás oxigênio e de parte do gás carbônico. Combinado à hemoglobina, o gás oxigênio que sai dos pulmões é transportado para todas as células do corpo, assim como parte do gás carbônico produzido nas células é transportada para os pulmões.
Quando não consumimos regularmente alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, feijão, hortaliças com folhas escuras, entre outros), a quantidade de hemoglobina em nosso organismo pode diminuir e causar anemia.
Os glóbulos vermelhos permanecem no sangue em torno de 120 dias. Após esse período, são destruídos, principalmente no baço e no fígado.

Glóbulos brancos 

Os glóbulos brancos, também chamados leucócitos, são células sanguíneas nucleadas, maiores que os glóbulos vermelhos e presentes no sangue em menor quantidade: entre 5 mil e 10 mil por mm3, em condições normais. Essas células têm a função de defesa contra agentes estranhos ao organismo, como bactérias, vírus e materiais tóxicos. 
Há glóbulos brancos de vários tipos. Eles diferem uns dos outros pelo tamanho, pela forma do núcleo e pelo modo como atuam. Alguns fagocitam, isto é, englobam e digerem microrganismos, destruindo-os. Outros produzem anticorpos, proteínas que reconhecem determinados materiais estranhos ao organismo, denominadas antígenos, e neutralizam sua ação. A duração dos glóbulos brancos no sangue varia de algumas horas até meses ou anos. 

Plaquetas 

As plaquetas são fragmentos de células da medula óssea muito menores que os glóbulos brancos e os glóbulos vermelhos. Em condições normais de saúde, há aproximadamente 300 mil plaquetas por mm3 de sangue. O tempo de duração das plaquetas é curto: de 5 a 9 dias. Essas estruturas estão envolvidas na coagulação sanguínea, evitando a perda de sangue pelo organismo.


O sistema linfático

O sistema linfático é formado pelos vasos linfáticos e por estruturas como os linfonodos, o timo, as tonsilas e o baço. Parte do líquido que sai dos capilares sanguíneos e banha as células do corpo forma a linfa, um líquido esbranquiçado composto de plasma sanguíneo e glóbulos brancos. Ela circula no interior de linfonodos e vasos linfáticos.
Os linfonodos são estruturas arredondadas, distribuídas por todo o corpo, embora sejam mais abundantes na região das axilas, das virilhas, do pescoço e ao redor das orelhas. Eles filtram a linfa e contêm glóbulos brancos que identificam e destroem materiais estranhos ao organismo. Quando ocorre uma infecção, os glóbulos brancos dos linfonodos se multiplicam e levam essas estruturas a inchar, formando o que popularmente é denominado íngua.
O timo é um órgão localizado na porção superior do tórax, no qual se concentram determinados tipos de glóbulos brancos em formação e amadurecimento.
As tonsilas, localizadas na entrada das vias respiratórias e do tubo digestório, participam das respostas do corpo a materiais estranhos inalados ou ingeridos.
O baço é um órgão rico em linfonodos e armazena alguns glóbulos brancos. As células do baço fagocitam bactérias, plaquetas e glóbulos vermelhos danificados ou envelhecidos. Além disso, nesse órgão ocorre armazenamento de hemácias, que são lançadas na corrente sanguínea quando necessário.

Funcionamento do sistema linfático 

O sistema linfático drena os líquidos do corpo que ocupam os espaços entre as células, ajudando o sistema cardiovascular a remover o excesso desses líquidos. A linfa é conduzida lentamente pelos vasos linfáticos até retornar à circulação sanguínea e se misturar com o sangue. 
Ao contrário das artérias e das veias, os vasos linfáticos não têm seu líquido impulsionado diretamente pelo coração. A pulsação de artérias próximas e, principalmente, os movimentos musculares são os responsáveis pela circulação da linfa. 

Doenças do sistema linfático

Algumas doenças do sistema linfático são a filariose, o linfoma e a angina tonsilar.

Filariose

A filariose, conhecida também por elefantíase, é a obstrução dos vasos linfáticos que afeta principalmente os membros inferiores. É causada por nematódeos parasitas, as filárias (Wuchereria bancrofti). O membro afetado fica inchado em razão do acúmulo excessivo de líquido que não retorna à circulação sanguínea. As filárias são transmitidas pela picada de mosquitos contaminados do gênero Culex, que possui mais de 300 espécies. Essa doença está praticamente erradicada do Brasil.

Linfoma

O linfoma é um câncer que acomete as células do tecido linfático. Pode se originar nos linfonodos ou no tecido linfático dos órgãos do corpo. Caracteriza-se por rápido crescimento de um linfonodo ou de uma zona do órgão afetado. Ao contrário das ínguas, que provocam dor e desconforto, o aumento do linfonodo pelo linfoma não causa dor. A pessoa apresenta sintomas como febre e perda de massa corpórea.

Angina tonsilar

Quando as tonsilas palatinas (anteriormente denominadas amígdalas) infeccionam, surge a angina tonsilar (também chamada amigdalite), uma inflamação aguda na garganta, provocada principalmente por vírus ou bactérias. As tonsilas ficam maiores e com pontos brancos ou amarelos cheios de pus.

Muitas pessoas que sofrem de angina tonsilar crônica têm as tonsilas extraídas cirurgicamente, porque as infecções constantes podem dar origem a outras doenças, como febre reumática e problemas cardíacos. Nem todos os médicos estão de acordo com essa cirurgia, pelo papel protetor que as tonsilas desempenham nas vias respiratórias e no sis tema digestório.

Sistema urinário humano

O sistema urinário humano é composto de um par de rins e de vias urinárias.
As atividades celulares originam produtos que em determinadas concentrações se tornam tóxicos, como o gás carbônico, a ureia e o ácido úrico (os dois últimos resultantes do metabolismo de proteínas) e que, portanto, precisam ser eliminados do organismo. Esses produtos do metabolismo celular são chamados excretas, e o processo de eliminação é denominado excreção.
Nos seres humanos, a excreção é realizada principalmente por dois sistemas: o sistema respiratório, responsável pela eliminação do gás carbônico, e o sistema urinário, responsável pela eliminação de resíduos tóxicos ou em excesso e pela manutenção do equilíbrio da quantidade de água corporal.
O sistema urinário é formado pelos rins e pelas vias urinárias. Os rins produzem a urina e as vias urinárias transportam-na e a armazenam até sua eliminação para o meio externo.
Você já deve ter observado que, algum tempo depois de ter ingerido líquidos, dá vontade de urinar, principalmente se tiver bebido muito. Isso ocorre porque a urina é composta de substâncias residuais do metabolismo e outras que estão em excesso no organismo – como a água, que após atravessar o sistema digestório é integrada à corrente sanguínea. 
A cada cinco minutos, aproximadamente, os rins filtram todo o sangue do corpo, retornando-o para o sistema cardiovascular livre de substâncias tóxicas, que compõem a urina. 
A formação da urina ocorre em estruturas microscópicas denominadas néfrons, localizadas nos rins. Veja a seguir todo o processo.


Os rins 

Os rins são órgãos com formato similar ao de um feijão, de cor vermelho-escura, posicionados acima da cintura e considerados os principais órgãos excretores do corpo. Os seres humanos geralmente têm dois rins que, em adultos, medem aproximadamente 12 cm de altura cada um. O rim é formado pelas seguintes partes: córtex renal, medula renal e pelve renal. 
O córtex renal, parte mais externa do rim, é composto de mais de um milhão de néfrons, que são as unidades funcionais do rim. Os néfrons filtram o sangue do corpo cerca de 300 vezes por dia, retirando as excretas do organismo e dando origem à urina. 
A medula renal é a parte central do rim e contém numerosos ductos coletores de urina. 
A pelve renal é uma cavidade em forma de funil cuja função é coletar a urina formada e conduzi-la até os ureteres, tubos que fazem parte das vias urinárias.

As vias urinárias 

As vias urinárias são formadas por dois ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra. 
O ureter é um tubo que sai da pelve renal e conduz a urina até a bexiga urinária. 
A bexiga urinária é uma bolsa muscular na qual se acumula a urina antes de ser expelida. A bexiga aumenta de tamanho à medida que armazena urina. 
A uretra é o canal pelo qual passa a urina da bexiga urinária até o exterior do corpo. Na parte inferior da bexiga há o esfíncter, músculo que fecha a uretra e controla o ato de urinar.

A formação da urina

Os néfrons são responsáveis pela filtração do sangue e pela formação da urina. A urina é composta de várias substâncias, como água, sais minerais, ureia e ácido úrico. É um líquido amarelo-claro e transparente que pode sofrer variações na intensidade da cor e no odor de acordo com a quantidade de água ingerida. Simplificadamente, podemos dividir a formação da urina em três etapas principais: filtração, reabsorção e secreção. 
Durante a filtração, substâncias do sangue, como água, sais minerais, nutrientes e excretas, saem dos capilares sanguíneos e passam para o néfron, tornando-se parte do filtrado. 
As células sanguíneas e algumas proteínas não passam para o néfron e se mantêm na corrente sanguínea. Na etapa de reabsorção, parte da água e dos nutrientes é reabsorvida e volta ao sangue pelos capilares que rodeiam o néfron. 
Na secreção, determinados materiais que não foram filtrados inicialmente, como ácido úrico, sais minerais e medicamentos, passam diretamente do plasma sanguíneo para o néfron.

A eliminação da urina 

A urina produzida nos rins é conduzida até a bexiga pelos ureteres, onde fica armazenada, e depois é conduzida para fora do corpo pela uretra.


Eliminação de resíduos - excreção



Além do gás carbônico, eliminado pelo processo de respiração, há outras substâncias, como ureia, água e sais minerais, que podem estar em excesso no organismo. Essas substâncias são chamadas de excretas, e o processo de eliminação é conhecido como excreção. 
Contribuem para a excreção o sistema respiratório, que elimina gás carbônico; o sistema urinário, que elimina a urina (mistura de água e substâncias como a ureia); e as glândulas sudoríferas ou sudoríparas, que produzem e eliminam o suor, constituído principalmente de água e sais minerais.
O mecanismo de eliminação do suor pelas glândulas sudoríferas é funda mental para a manutenção da temperatura corporal. Quando a temperatura corporal aumenta, o hipotálamo recebe o sinal e o retransmite às glândulas sudoríparas, que passam a produzir suor. Por meio da condução, o corpo cede energia, na forma de calor, às partículas de água que compõem o suor. Ele, então, é liberado para o ambiente através da pele.

Sistema respiratório

A respiração pulmonar consiste nas trocas gasosas que ocorrem entre o pulmão e o ar do ambiente. Por meio do sistema respiratório absorvemos gás oxigênio (O2 ) do ar, que é utilizado pelas células na liberação de energia necessária ao funcionamento do corpo, e eliminamos gás carbônico (CO2 ), também chamado dióxido de carbono. A respiração pulmonar ocorre automaticamente por meio de estímulos nervosos involuntários, embora possamos, de maneira consciente, controlar parcialmente os movimentos da respiração.

Os pulmões são os órgãos mais conhecidos do sistema respiratório; fazem parte também desse sistema as vias respiratórias, que são compostas de vários órgãos e estruturas: o nariz (onde se encontram as cavidades nasais), a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos.

Cavidades nasais: cavidades paralelas que começam nas narinas e vão até a faringe, sendo separadas uma da outra por uma parede cartilaginosa. São revestidas por um tecido epitelial rico em vasos sanguíneos, que umedecem e aquecem o ar inalado. As cavidades nasais contêm pelos e muco, que dificultam a entrada de partículas e de microrganismos nos pulmões.
Faringe: tubo compartilhado pelos sistemas digestório e respiratório. Faz a comunicação entre as cavidades nasais e a laringe.
Laringe: tubo que liga a faringe à traqueia. Em sua parte superior há uma válvula, a epiglote, responsável pelo fechamento desse tubo durante a alimentação, impedindo que alimentos entrem no sistema respiratório. 
Traqueia: tubo formado por anéis cartilaginosos que se bifurca na extremidade inferior. Leva o ar aos brônquios.
Brônquio: tubo que se ramifica em bronquíolos.
Bronquíolos: cada uma das estruturas que terminam nos alvéolos.
Alvéolos pulmonares: local onde ocorrem trocas gasosas.
Diafragma: músculo que participa do controle da respiração.

As vias respiratórias 

O ar entra e sai do nosso corpo pelas vias respiratórias. Elas compreendem os seguintes órgãos e estruturas: cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos.

Os pulmões 

Os pulmões são órgãos de cor rosada e textura esponjosa. São com postos de alvéolos pulmonares, pequenos sacos de paredes finas, recobertos por capilares sanguíneos. Nos alvéolos ocorre a troca de gases entre o ar atmosférico que chega aos pulmões e o sangue dos capilares. Os pulmões têm cerca de 300 milhões de alvéolos. Se todos os alvéolos pulmonares de uma pessoa adulta fossem esticados e colocados lado a lado, sua superfície seria de 60 a 80 m2.

Os movimentos respiratórios

Desde que nascemos, e durante toda a vida, respiramos várias vezes por minuto. No processo de respiração, ocorrem alternadamente os movimentos de inspiração e expiração.
A entrada e saída de ar no organismo são possibilitadas pela respiração pulmonar ou ventilação pulmonar, que ocorre devido aos movimentos respiratórios. É nos alvéolos pulmonares que ocorre a troca de gases entre o ar dos pulmões e o sangue.
A ventilação pulmonar é resultante da ação conjunta do diafragma, músculo exclusivo dos mamíferos, localizado abaixo dos pulmões, separando o tórax do abdômen, e dos músculos intercostais, localizados entre as costelas.
Na inspiração, os músculos intercostais se contraem e elevam as costelas. O diafragma também se contrai, movimentando-se para baixo. Como resultado, o volume da cavidade torácica aumenta e o ar entra nas vias respiratórias. 
Na expiração, os músculos intercostais e o diafragma relaxam, diminuindo o volume da cavidade torácica e empurrando o ar para fora do organismo.

A circulação sanguínea e as trocas gasosas 


O coração humano possui quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos – um direito e um esquerdo. Para realizar o percurso completo no interior do organismo humano, o sangue percorre dois trajetos interligados. 
O sangue rico em gás carbônico, também chamado de sangue venoso, proveniente de outras partes do corpo, chega ao átrio direito do coração por meio das veias cavas superior e inferior; depois, ele é bombeado do ventrículo direito para a artéria pulmonar. A artéria pulmonar se divide em duas, que seguem uma para o pulmão direito e a outra para o pulmão esquerdo.
Os gases envolvidos na respiração são o gás oxigênio e o gás carbônico. O gás oxigênio é utilizado pelas células no processo de liberação da energia contida nos nutrientes. A maior parte desse processo, chamado respiração celular, ocorre nas mitocôndrias. O gás carbônico é formado no interior das células durante a respiração celular e deve ser eliminado Alvéolos pulmonares do corpo por causa de sua toxicidade em altas concentrações.
Nos pulmões, ocorre a troca gasosa nos capilares dos alvéolos pulmonares, ou seja, o sangue libera o gás carbônico proveniente das células do corpo e absorve o gás oxigênio proveniente da respiração. Depois dessa troca, o ar expirado será mais rico em gás carbônico do que o ar inspirado. 
O sangue oxigenado, então, retorna ao coração por meio das veias pulmonares, entrando pelo átrio esquerdo. Esse trajeto é chamado de circulação pulmonar ou pequena circulação. 
O átrio esquerdo bombeia o sangue para o ventrículo esquerdo, e essa cavidade, por sua vez, impulsiona o sangue para o interior da artéria aorta. A artéria aorta se ramifica em diversas outras artérias que, então, transportam o sangue oxigenado para os tecidos dos órgãos do corpo. 
Depois de passar pelos tecidos do corpo, o sangue retorna ao coração por meio das veias cavas. Esse trajeto é chamado de circulação sistêmica ou grande circulação. Ao chegar ao átrio direito, o percurso do sangue se repete. 
No decorrer da circulação sistêmica, o sangue carrega oxigênio e outros nutrientes vitais para as células e capta o gás carbônico e outros resíduos das atividades celulares. Assim, por meio do sangue, o oxigênio que foi captado do ambiente atmosférico pela inspiração e chegou até os pulmões é levado para todas as células do corpo. E o gás carbônico, produzido nas células, é expelido do organismo pelas vias respiratórias na expiração. 
O transporte de gases pela corrente sanguínea é feito pelas hemácias e pelo plasma sanguíneo. 
0 ar atmosférico, rico em gás oxigênio, é captado pelas vias respiratórias e encaminhado aos pulmões. Nos alvéolos pulmonares, que são altamente vascularizados por capilares sanguíneos, ocorrem as trocas gasosas.
A grande proximidade entre o ar inspirado e umidificado no interior dos alvéolos e o sangue no interior dos capilares, bem como a pouca espessura dessas estruturas, permite que ocorram as trocas gasosas entre o pulmão e o sangue. O gás oxigênio, que está mais concentrado no ar dos alvéolos pulmonares, passa para o sangue, no qual a concentração desse gás é menor; o gás carbônico, que está mais concentrado no sangue que chega aos pulmões, passa para o ar no interior dos alvéolos.
No sangue, o gás oxigênio é transportado quase exclusivamente pelas hemácias, ao passo que a maior parte do gás carbônico é transportada e dissolvida no plasma sanguíneo.
A troca de gases entre as células dos tecidos e o sangue contido nos capilares sanguíneos ocorre no sentido inverso: o gás oxigênio, que está mais concentrado nos capilares sanguíneos, passa para as células dos tecidos. O gás carbônico, que está mais concentrado nas células dos tecidos, passa para o sangue e é transportado para os pulmões, onde é eliminado.
O ar no interior dos alvéolos é parcialmente substituído pelo ar umidificado e inspirado a cada respiração. Com isso, o ar inspirado e o ar expirado apresentam concentrações de gases diferentes.

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