A América Central foi marcada pelo domínio europeu durante o período de colonização: a maioria dos países dessa região foi colonizada pela Espanha, como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, República Dominicana e Porto Rico. Além disso, o Reino Unido colonizou Belize, Jamaica e Trinidad e Tobago; e a França, o Haiti. As várias ilhas das Pequenas Antilhas foram colonizadas por França, Reino Unido e Países Baixos.
No entanto, após o processo de descolonização, que ocorreu no século XIX, os países da região passaram a sofrer influência do imperialismo estadu nidense. Esse processo, diferentemente da colonização europeia, não se pau tava pelo domínio territorial direto, mas por intervenções pontuais para garan tir que no poder dos países da América Central ístmica e nas principais ilhas do Caribe sempre estivessem no poder governantes alinhados com os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos.
Cuba, por exemplo, rompeu influência do domínio espanhol em 1898. No entanto, já em 1901 os Estados Unidos intervieram pela primeira vez na ilha caribenha, prática que se estendeu até 1934, quando se consolidou no poder o sargento Fulgêncio Batista, um ditador aliado aos Estados Unidos.
Batista só foi deposto por ocasião da Revolução Cubana, em 1959, o que contrariou os interesses dos Estados Unidos. Desse modo, no contexto do mundo bipolar da Guerra Fria, Cuba alinhou-se com a União Soviética, implan tando uma ditadura de partido único – o Partido Comunista de Cuba – e uma economia planificada como vimos no capítulo 12. Como retaliação, em 1962 os Estados Unidos expulsaram o país da OEA e lhe impuseram um embargo econômico que se estende até os dias de hoje.
Composição étnica da população
Nos países da porção continental da América Central, a população é majoritariamente descendente de europeus e de indígenas. Há uma predominân cia de mestiços fruto da miscigenação de europeus, notadamente espanhóis, com etnias nativas, como os maias.
Já no Caribe, onde foi instalada a plantation com uso de mão de obra es cravizada durante o período colonial, há maior presença de afrodescendentes, sendo maioria em alguns países, seguidos de mestiços de brancos com negros.
Distribuição da população
A maior concentração populacional está no norte da porção continental, com destaque para a Guatemala e Honduras, e nas maiores ilhas do Caribe, como na ilha de Cuba e na ilha de São Domingos, dividida entre o Haiti e a República Dominicana.
As regiões mais povoadas da América Central se localizam na faixa oeste da porção continental, pois, entre outros motivos, nessa área os solos vulcânicos são mais férteis, o que favorece a prática da agricultura.
A taxa de urbanização da América Central é relativamente alta. Em média 71,3% dos habitantes dos países da porção caribenha vivem em cidades; nos países da porção continental a taxa é ainda mais alta: 74,7%.
Apesar de os países da América Central terem altas taxas de urbanização. As populações são pequenas e não há nenhuma megacidade no subcontinente.
Indicadores sociais da América Central
Assim como os demais países latino-americanos, os países da América Cen
tral apresentam elevada desigualdade social. Em cada país há um pequeno
grupo social que concentra a maior parte da renda nacional e uma classe média
reduzida, enquanto a maior parte da população recebe baixos salários ou está
desempregada. A população marginalizada enfrenta diversos problemas, como
moradias precárias, subnutrição, ineficiência dos serviços públicos de saúde e
educação, entre outras dificuldades.
Além disso, sobretudo nos países do chamado Triângulo Norte da América
Central (Honduras, Guatemala e El Salvador), a violência provocada pela ação
de gangues urbanas e de grupos de traficantes de drogas é uma das mais altas
do mundo. Tudo isso explica o grande número de pessoas que emigram para
o México e principalmente para os Estados Unidos.
Os indicadores que compõem o Índice de De
senvolvimento Humano (IDH) de alguns países da América Central. Neste sub
continente não há nenhum país no grupo de IDH muito elevado; a maioria deles
apresenta IDH elevado e apenas um, o Haiti, IDH baixo.
Desigualdade social e pobreza
A partir da década de 1990, assim como ocorreu no restante da América
Latina, os indicadores sociais da América Central melhoraram e a maioria deles
já tem IDH elevado. Porém, a renda nacional permanece muito concentrada e
a taxa de pobreza ainda é elevada, principalmente entre a população indígena
e a afrodescendente.
A acentuada desigualdade social é um dos fatores que
mais contribuem para a América Latina ser a região mais violenta do mundo. A
violência atinge toda a sociedade, mas principalmente a população mais pobre,
sobretudo os homens mais jovens e as mulheres.
Porém, há grande disparidade entre os países. A Costa Rica é o país que
apresenta o menor índice de pobreza entre a população e o Haiti é o país com
o maior índice.
O caso do Haiti
Em 2004, após a queda do presidente Jean Bertrand
Aristide, o Haiti vivia uma situação que beirava a guerra
civil e apresentava altos índices de violência, sobretudo na
capital, Porto Príncipe, que estava dominada por gangues.
Nesse ano, para tentar controlar a caótica situação política
do país, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a
formação da Missão das Nações Unidas para Estabilização
do Haiti (Minustah, sigla em inglês).
Essa força de paz da ONU foi comandada desde o início por um general
do Exército brasileiro e contava com muitos soldados brasileiros (ao longo de
13 anos 37,5 mil soldados de nosso país passaram pelo Haiti) e também de
outras nacionalidades. Os soldados estiveram empenhados em conter a vio
lência, em ajudar na reconstrução do país e dar assistência básica à população:
alimentação para crianças, vacinas, etc.
Em 2017, depois de cumprir sua missão,
a Minustah foi encerrada. Nesse mesmo ano o Conselho de Segurança auto
rizou a criação da Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti
(Minujusth, sigla em inglês). Diferente da anterior, a Minujusth é composta de
um pequeno grupo de civis e oficiais de polícia que tem o objetivo de ajudar
o governo do Haiti a implantar a Polícia Nacional e fortalecer as instituições
legais do país, visando tornar mais seguro o cotidiano da população e garantir
o respeito aos direitos humanos.
Único país com baixo IDH em todo o continente americano, seu povo tem condições de vida muito precárias.
Segundo o Relatório de 2018 do Banco Mundial, 48% da
população vivia na pobreza, e 23,5% na extrema pobreza (com menos de 1,90
dólar por dia). Todas essas dificuldades explicam o grande
fluxo de haitianos que emigram em busca de melhores
condições de vida, muitos dos quais vieram para o Brasil.
Todos esses fatores agravados pelas catástrofes naturais que atingem o Haiti, como terremotos e furacões, fazem do país o mais pobre
de todo o continente americano.
O caso de Cuba
Antes da Revolução Cubana (1953-1959), a economia desse país baseava-se
na monocultura de cana-de-açúcar e frutas tropicais, além do turismo de en
tretenimento. Após a revolução e a aproximação com a União Soviética, os meios
de produção foram estatizados e terras foram distribuídas para usufruto dos
camponeses. O acesso à saúde e à educação foi garantido e, com isso, a partir
da década de 1960 houve grande melhoria nas condições de vida da população.
Nessa época, o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não
impactava tanto Cuba, porque a União Soviética fornecia ajuda econômica e
petróleo barato ao país. Porém, com o fim da superpotência socialista, em 1991,
a economia cubana entrou em colapso, devido ao baixo dinamismo da econo
mia planificada e à dependência da atividade açucareira.
O IDH de Cuba se mantém elevado porque o país tem boas condições de
saúde e educação: de acordo com o Banco Mundial, em 2015, 100% dos adul
tos eram alfabetizados e, como vimos, segundo o relatório do Pnud, a expec
tativa de vida era de quase 80 anos. Porém, há carência de bens de consumo,
como alimentos e material de limpeza, e a renda da população é muito baixa,
o que torna a capacidade de compra limitada.
A estagnação da renda per capita foi a responsável pela redução do IDH de
Cuba a partir de 2010 e pela perda de posições no ranking do Pnud (entre 2010
e 2015, o país perdeu 12 posições). No início daquela década o país centro-a
mericano chegou a apresentar o IDH mais alto da região e a fazer parte do
grupo de paí ses com IDH muito elevado. Compare no gráfico abaixo a evolução
do IDH de Cuba com Barbados, o país que em 2015 apresentava o mais eleva
do IDH da América Central, e com Trinidad e Tobago. Embora a escolaridade
média e a expectativa de vida dos cubanos sejam mais elevadas, a renda per
capita é metade da de Barbados e cerca de um quarto da de Trinidad e Tobago.
Portanto, apenas o crescimento econômico não é suficiente para a melhoria das condições de vida de uma população, a riqueza precisa ser distribuída. Porém, sem o crescimento
econômico não é possível elevar o
padrão de vida de uma população,
pois a riqueza precisa ser produzida.
Apesar do fim da Guerra Fria e da
reaproximação diplomática entre Es
tados Unidos e Cuba no final do governo Barack Obama (2009-2017), o
embargo econômico não foi suspenso
e as condições econômicas de Cuba
continuam difíceis.
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