quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Economia da América Central

Distribuição das atividades econômicas

Assim como a política, historicamente a economia da América Central foi influenciada pelos Estados Unidos, característica que se mantém até hoje. A situação econômica dos países centro-americanos varia bastante – tanto na produção de riqueza e sua distribuição como no emprego de mão de obra por setor de atividade econômica.
Embora as atividades econômicas dos países centro-americanos sejam va riadas, em alguns deles a agricultura ainda tem um peso muito grande, como na Guatemala, na Nicarágua, em Honduras e no Haiti, onde predominam as produções de bananas e outras frutas tropicais, além de cana-de-açúcar, café, algodão, tabaco, silvicultura e da agricultura de subsistência. Essa tradição vem desde o período colonial, quando essa produção era destinada à exportação para a Europa.
Após a independência dos países da América Central, muitas empresas estadunidenses se instalaram na região, passaram a comprar terras ou recebê-las em troca da construção de ferrovias e portos (para beneficiar seus próprios interesses) e a ampliar a produção de frutas tropicais para exportação. A mais poderosa de todas foi a United Fruit Company, que chegou a ser a maior produtora de bananas do mundo, com plantações em sete países: Colômbia, Costa Rica, Cuba, Jamaica, Nicarágua, Panamá e República Dominica.
Em Cuba, destaca-se a produção de cana-de-açúcar e tabaco – o açúcar e o charuto são produtos cubanos tradicionais de exportação. Embora o açúcar ainda tenha um peso muito grande nas exportações de Cuba, em 2016 o maior produtor de cana-de-açúcar da região foi a Guatemala, com 33,5 milhões de toneladas. Cuba vem a seguir com 18,9 milhões de toneladas (para comparação: o Brasil, maior produtor mundial, colheu 769 milhões de toneladas).
A produção de banana, antes muito concentrada na região, se espalhou por diversos países e hoje o maior produtor da região, a Guatemala, é apenas o 8o do mundo, com 3,8 milhões de toneladas (o maior produtor mundial é a Índia, com 29 milhões de toneladas).
Poucos países do subcontinente exploram recursos minerais, pois são escassos. No entanto, a bauxita é um dos principais produtos da economia jamaicana. Em 2016, o país foi o sexto produtor com uma participação de 3,2% do total mundial. Há também pequena produção de petróleo em Trinidad e Tobago e Cuba. Em 2016, eles extraíram, respectivamente, 71,9 mil barris/dia e 45,6 mil barris/dia.
As poucas indústrias existentes na América Central começaram a ser insta ladas somente na segunda metade do século XX. Predominam indústrias leves, como processadoras de alimentos, fábricas de bebidas, vestuário e açúcar, mas há algumas indústrias pesadas, como de produção de aço e cimento e de refino de petróleo, principalmente em Cuba e em Trinidad e Tobago.

A importância dos serviços


As atividades terciárias (comércio e serviços) são as que mais contribuem para o PIB dos países da América Central, e também as que mais utilizam mão de obra.
De todas as atividades terciárias desenvolvidas na América Central, o turismo internacional merece destaque. Em vários países centro-americanos essa atividade é uma importante fonte de renda e de geração de empregos. Em 2016, todos os países da região somados receberam 25 milhões de turistas, que gastaram cerca de 30 bilhões de dólares.
Os gastos dos visitantes em alguns países da América Central. A maioria dos turistas provém dos Estados Unidos e, em geral, escolhem Bahamas, Costa Rica e Panamá como destino – eles têm dificuldade para visitar Cuba em virtude das restrições impostas pelo governo Trump. Os países da América Central atraem também muitos canadenses, mexicanos, sul-americanos, europeus e asiáticos.
A organização do turismo envolve ampla infraestrutura nos setores de transportes (aeroportos, rodovias, portos, empresas de navegação e cruzeiros marítimos, deslocamento terrestre em ônibus e vans), hotelaria, restaurantes, cassinos, guias turísticos, venda de artesanato, entre outras atividades.
Grande parte dos investimentos necessários ao desenvolvimento do turismo é realizada por empresas de países desenvolvidos. Grupos espa nhóis e canadenses atuam em Cuba; empresas estadunidenses, inglesas, francesas e holandesas estão presentes na Jamaica, em Costa Rica, nas Bahamas e nas Pequenas Antilhas. Essas em presas constroem luxuosos resorts, hotéis, cassinos e restaurantes, além de financiar a construção de portos, aeroportos, rodovias, entre outras obras.

Finanças: paraísos fiscais


Outro destaque da América Central são os paraísos fiscais, que englobam diversas atividades de prestação de serviços financeiros. Os principais são: Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Panamá, Costa Rica, Bahamas e Barba dos. As autoridades desses países ou protetorados facilitam a constituição de empresas por estrangeiros, conhecidas como empresas offshore, que se apro veitam da isenção de impostos, do sigilo bancário e societário, das facilidades burocráticas e da livre circulação de capital. Por isso, são muito procurados por empresas ou pessoas que querem deixar seu dinheiro aplicado pagando impostos menores do que os cobrados em seus países de origem.
A operação é permitida por lei. No entanto, os paraísos fiscais também são usados para ocultação e “lavagem” de dinheiro proveniente de atividades ilegais, como tráfico de drogas e de armas, corrupção e desvio de dinheiro público.
Para combater as atividades ilegais, muitos países têm pressionado os governantes de territórios que são considerados paraísos fiscais para que coo perem com as ações contra a sonegação de impostos, a corrupção e a “lava gem” de dinheiro. A imprensa também tem papel importante na investigação e divulgação de casos de uso ilícito de paraísos fiscais, como no que ficou conhecida como Panama Papers.

Blocos econômicos regionais


A integração econômica dos países centro-americanos já é antiga, se com parada à de outros blocos da América. No subcontinente existem dois blocos, ambos criados para facilitar a integração econômica e as trocas comerciais entre os membros e com outros países. Observe no mapa os países que inte gram o Mercado Comum Centro-Americano e a Comunidade do Caribe.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA)


O MCCA é o maior e o mais antigo bloco centro-americano. É formado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Criado em 1961, com a assinatura do Tratado de Integração Centro-Americana, tem como objetivo facilitar o comércio entre seus países-membros. Embora exista a pretensão de avançar para o estágio de mercado comum (como o próprio nome dos blocos indica), na prática, o MCCA ainda funciona como uma zona de livre-comércio.

Comunidade do Caribe 


A Caricom (a sigla vem do inglês Caribbean Community) foi criada em 1973. É um bloco de cooperação econômica e política formado por 15 países da região insular da América Central, conforme mostra o mapa acima. É um bloco muito pequeno com uma população de apenas 16 milhões de habitantes. Se a participação das economias da América Central (continental e insular) no PIB da América Latina já é pequena, a participação do Caricom é menor ainda.




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