A distribuição da população da América do Norte é bastante desigual no território. As cadeias montanhosas que dominam a porção oeste da América do Norte e os climas frio e polar encontrados no Alasca, em grande parte do Canadá e na Groenlândia fazem com que a ocupação dessas regiões seja esparsa, com baixíssima densidade demográfica.
Já no vale do rio São Lourenço, na região dos Grandes Lagos, no nordeste e no litoral sudoeste dos Estados Unidos, bem como no planalto Mexicano, há elevada densidade demográfica, com a presença de grandes aglomerações urbanas.
O Canadá é o segundo maior país do mundo em extensão territorial, mas, como sua população é relativamente pequena, sua densidade demográfica é baixa. O mesmo não se aplica aos Estados Unidos: o país ocupa a quarta posição mundial em extensão territorial (quando se consideram as terras descontínuas, como o território do Alasca e o do Havaí), mas também é a terceira maior população do planeta.
A população dos Estados Unidos se concentra sobretudo na região nordeste do país, banhada pelo oceano Atlântico, por onde começou a colonização do território e principalmente o processo de industrialização.
Grandes cidades da América do Norte A taxa de urbanização é muito elevada nos países da América do Norte. O México, o menos urbanizado dos três, concentrava 80,2% de sua população em cidades. No Canadá a taxa de urbanização era de 81,4% e nos Estados Unidos, o mais urbanizado dos três, era de 82,3%. O número de grandes cidades é elevado no subcontinente.
As primeiras megalópoles do mundo se formaram nos Estados Unidos. Observe no mapa acima que há conurbação de várias aglomerações urbanas, com destaque para Boston/Nova York/Washington, D. C. (BosWash), Chicago/ Detroit/Pittsburgh (ChiPitts), São Francisco/Los Angeles/San Diego (SanSan), nos Estados Unidos; Cidade do México/Guadalajara, no México; e Toronto/ Montreal, no Canadá.
As grandes aglomerações urbanas da América do Norte apresentam muitos problemas, especialmente as grandes cidades mexicanas, com destaque para a Cidade do México.
Um dos problemas urbanos mais graves do México é a carência de habita ções adequadas: 11% da população do país vive em assentamentos precários, como favelas.
Nos Estados Unidos não há favelas, mas há pessoas morando em cortiços em áreas degradadas das grandes cidades e mesmo nas ruas. A maior parte dessas pessoas não mora propriamente nas ruas: à noite vai para abrigos públicos. Embora em menor quantidade, as grandes aglomerações urbanas canadenses também têm moradores de rua.
Outro problema que muitas grandes cidades dos Estados Unidos enfrentam é a decadência econômica, com todas as consequências sociais decorrentes, como desemprego, degradação das habitações e aumento da violência urbana. O maior exemplo disso aconteceu em Detroit (estado de Michigan), que na década de 1950 foi o maior centro mundial da indústria automotiva. A partir do final dos anos 1970 a cidade sofreu um processo de degradação urbana porque muitas fábricas de veículos e autopeças fecharam e se transferiram para outras regiões dos Estados Unidos e até mesmo para outros países. Isso gerou muito desemprego, migração e forte queda no preço dos imóveis.
Indicadores sociais da população norte-americana
Apesar de terem o mesmo IDH, os Estados Unidos são mais ricos que o Canadá, considerando a renda per capita, o que indica uma eco nomia mais dinâmica e produtiva. No entanto, a distribuição da renda cana dense é mais equilibrada, como aponta o índice de Gini.
O México apresenta IDH elevado, situando-se no ranking do Pnud próximo a outros países emergentes, como o Brasil. Um dos maiores problemas do México, além de a produtividade econômica ser relativamente mais baixa, o que se reflete numa renda per capita bem inferior à dos vizinhos desenvolvidos, é a grande concentração da riqueza e um índice de pobreza ainda muito elevado.
O Canadá apresenta baixa taxa de natalidade e elevada expectativa de vida. A tendência é que a proporção de idosos na população total aumente nos próximos anos.
É por isso que o Canadá promove políticas de incentivo ao ingresso de imigrantes. O objetivo é suprir a necessidade de mão de obra. Entretanto, a entrada de imigrantes é controlada pelo governo, que seleciona os países de origem, a profissão e a idade dos migrantes. Quando falta mão de obra em algum setor, o governo divulga uma lista de profissões e as pessoas com formação compatível podem se inscrever como candidatas à imigração.
Nos Estados Unidos os indicadores de desenvolvimento também são mui to elevados, mas, como vimos, diferentemente do Canadá, há grande desigualdade social e um alto índice de pobreza para um país desenvolvido, inclusive em regiões industriais degradadas pelo fechamento de fábricas. Tal característica contribuiu para a eleição de Donald Trump, com um programa de governo nacionalista e xenófobo.
No México, além da concentração de renda, o maior problema é o elevado contingente de pobreza da população. Como vimos, mais de 11% da população mexicana vive abaixo da linha internacional de pobreza. Enquanto nos Estados Unidos a pobreza atinge mais a população afrodescendente, no México ela atinge mais a população indígena, sobretudo nos estados do sul do país, como Chiapas e Oaxaca.
Assim como acontece em vários outros países latino-americanos, os indica dores sociais do México têm melhorado nas últimas décadas, mas ainda estão em nível bem inferior aos dos países desenvolvidos vizinhos. Como veremos no texto a seguir, isso estimula a emigração de mexicanos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, faz crescer a xenofobia.
Composição étnica da população
A composição étnica da população do Canadá, do México e dos Estados Unidos é bem diversificada, como veremos a seguir. Em proporções diferentes, em todas elas há a contribuição dos indígenas nativos, dos europeus, dos africanos e dos asiáticos.
A população do Canadá
A maioria dos cidadãos canadenses descende de colonizadores britânicos e franceses. Essa ascendên cia predominantemente anglo-france sa explica a existência desses dois idiomas oficiais no país. A população canadense é muito diversa do ponto de vista étnico. E tem ficado mais diversificada ainda com a chegada de novos imigrantes.
Os canadenses de origem francesa se concentram na província de Quebec, e os de origem britânica, na província de Ontário. Juntas, Quebec e Ontário reúnem mais da metade da população canadense.
Em Quebec existe um movimento separatista, o Movimento de Soberania do Quebec, composto de um grupo de pessoas que pretendem tornar a província um país independente. A proposta, no entanto, foi recusada pela maioria da população da província nos dois plebiscitos em que foi consultada, em 1980 e em 1995.
Dentre as 250 etnias canadenses, uma, embora muito minoritária, se destaca por ser conhecida e influente. No norte do Canadá vivem os inuítes (esquimós), nação indígena adaptada aos rigores climáticos da região. Em 1999, o governo canadense lhes concedeu o Território de Nunavut, que abrange 20% da área do país, onde eles têm autonomia administrativa. Desse modo, podem preservar sua cultura e seu modo de vida.
A população do México
No México, a maioria da população é composta de des cendentes da miscigenação de espanhóis e indígenas, como mostra o gráfico ao lado, e está concentrada na região do planalto Mexicano, onde ficam as maiores aglomerações urbanas do país. As maiores cidades mexicanas são: Cidade do México, Guadalajara, Monterrey, Puebla e Tijuana.
Na população do país há um grande percentual de in dígenas, que se concentram nos estados ao sul, principal mente em Oaxaca, Chiapas e Yucatán. É por isso que 7% da população, além do idioma oficial (espanhol), fala algu ma das 72 línguas indígenas existentes no país, com des taque para náhuatl, maya e tseital.
No sul do México, região mais pobre do país, predominam atividades agro pecuárias de subsistência. Nela existe um movimento camponês de defesa dos direitos dos povos indígenas inspirado nos ideais de Emiliano Zapata, que foi um camponês mestiço, como a maior parte da população mexicana, e liderou a luta por terra e liberdade para a população pobre. Acabou se tornando o principal líder da Revolução Mexicana de 1910, cujo objetivo era combater a ditadura de Porfírio Diaz (1884-1911) e lutar pela reforma agrária no país.
A população dos Estados Unidos
Os Estados Unidos receberam muitos imigrantes de di versos países desde o início de sua colonização. De 1850 a 2015 cerca de 80 milhões de estrangeiros se fixaram no país. Portanto, a população estadunidense é diversificada do ponto de vista étnico.
Ao longo do período em que o atual país foi uma colônia inglesa (século XVII e parte do XVIII), houve a imigração de europeus, com grande destaque para os britânicos, e a imigração forçada de africanos escravizados. Esses povos promoveram a ocupação do território e contribuíram para a formação da população do país. É importante destacar que esse povoamento provocou o genocídio dos povos indígenas.
O sul do território dos atuais Estados Unidos foi colonizado pelos espanhóis. Posteriormente, os britânicos, que fugiam da perseguição religiosa em seu país, conquistaram as terras localizadas a nordeste. Ao longo do século XIX e da primeira metade do século XX, também chegaram imi grantes da Irlanda, da Alemanha, da Itália, dos Países Baixos e de vários outros países da Europa.
A imigração forçada de africanos teve início no século XVII e terminou em 1863, quando a escravidão foi abolida. Hoje a maior concentração de população afrodescendente está nas regiões em que foi utilizada mão de obra escravizada durante a colonização.
Nos Estados Unidos, até 1964 os afro-americanos não gozavam dos mesmos direitos assegurados aos brancos. Em muitos estados, além de sofrerem com a segregação nos espaços públicos, semelhante ao que acontecia na África do Sul (reveja o assunto na página 117), eles nem sequer tinham direito de votar e ser votados, não sendo, portanto, considerados cidadãos plenos.
Desde os movimentos pelos direitos civis nos anos 1960, sob a liderança de Martin Luther King (1954-1968), prêmio Nobel da Paz em 1964, muita coisa mudou. Em 1964 foi aprovada a Lei dos Direitos Civis, a segregação nos espaços públicos foi abolida e a partir de então os afro-americanos são cidadãos com todos os direitos assegurados.
No entanto, atualmente continuam sofrendo com a discriminação e a violência policial – principalmente os homens jovens de bairros pobres. Após a morte de vários jovens afro-americanos, em 2013 ativistas organizaram o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a recuperação econômica e o aumento do desenvolvimento humano na Europa, houve uma mudança na corrente de imigração para os Estados Unidos. A partir da segunda metade do século XX passou a predominar a entrada de latino-americanos oriundos de diversos países, seguidos de imigrantes provenientes da China, da Índia, do Vietnã e de outros países asiáticos, além de países da África (tradicionalmente os africanos emigram mais para a Europa, onde estão as ex-metrópoles). Todos esses migrantes têm algo em comum: buscam novas oportunidades e melhores condições de vida nos Estados Unidos.
De acordo com o Yearbook of Immigration Statistics 2015, somente no período de 1990 a 2015 cerca de 26 milhões de imigrantes se fixaram nos Estados Unidos – considerando apenas os que entraram legalmente e obtiveram visto de permanência. Dessa onda mais recente de imigração a maioria é de origem latina: pessoas oriundas do México e de países da América Central e do Sul. Segundo o U. S. Census Bureau (órgão que faz o recenseamento nos Estados Unidos), quase 18% da população do país já é de origem hispânica. Muitos dos migrantes latinos entram de forma clandestina, inclusive brasileiros, correndo risco de perder a vida ao tentar pular o muro que separa o México dos Estados Unidos em parte da fronteira seca ou tentando atravessar a nado o rio Grande.
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