sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Região Sul - Ocupação Territorial

Colonização da região Sul 

Durante todo o século XVI, Portugal demonstrou pouco interesse pelas terras que hoje correspondem à Região Sul. Várias expedições de outros países visitaram-na em busca, principalmente, de pau-brasil, sem, contudo, estabelecer núcleos permanentes de povoamento.
No início da colonização portuguesa no Brasil, as terras que hoje pertencem aos estados da região Sul não foram prontamente ocupadas, como aconteceu no Nordeste, por exemplo. Como a região não dispunha de minérios conside rados valiosos por Portugal, como ouro e prata, e suas condições climáticas eram inadequadas ao cultivo de produtos tropicais, ela não oferecia possibilidades de exploração comercial, mineral ou agrícola que dessem lucros à metrópole. Assim, inicialmente nessas terras foram implantadas apenas algumas missões jesuíticas, isto é, aldeamentos criados e administrados por padres jesuítas para catequizar os indígenas. 
Já a partir de meados do século XVII, os bandeirantes passaram a adentrar as terras da atual região Sul para capturar indígenas e vendê-los como escravos. 

As reduções jesuíticas e o bandeirismo

O povoamento europeu do Sul iniciou-se no século XVII, em virtude de iniciativas como a implantação de reduções jesuíticas por padres espanhóis, nas terras que hoje pertencem ao Rio Grande do Sul e ao Paraná, onde catequizavam os indígenas e praticavam a agricultura e a pecuária bovina.
As reduções, também chamadas missões, foram sistematicamente invadidas por bandeirantes paulistas, que se dedicavam ao apresamento de indígenas com o objetivo de escravizá-los. Apesar disso, contribuí ram para a formação de cidades localizadas no atual estado do Rio Grande do Sul, como Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Nicolau e São Miguel das Missões.
As bandeiras que partiram de São Vicente (SP) e da Vila de São Paulo, em busca de ouro e do apresamento de indígenas, encontraram o metal pre cioso onde hoje ficam as cidades de Paranaguá, no litoral, e de Curitiba, ambas no Paraná.
No entanto, por falta de conhecimentos técnicos, essa exploração foi de curta duração, levando a população dessas localidades a se dedi car à agricultura e à criação de gado bovino, com o objetivo de abastecer a região das Minas Gerais. Quanto às terras que hoje pertencem a Santa Catarina, continuaram pouco povoadas por portugueses e luso-brasileiros na primeira metade do século XVII. 
A primeira povoação estável foi fundada no litoral em 1658, com o nome de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, atual São Francisco do Sul. Em seguida, em 1675, a Ilha de Santa Catarina foi povoada com a fundação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. E, em 1676, foi fundada Laguna.
No século XVIII, a Coroa portuguesa começou a doar terras para atrair imigrantes europeus que se dispusessem a povoar aquela área, uma vez que o povoamento era a melhor forma de garantir o domínio do terri tório e evitar invasões estrangeiras. Naquela época, vigorava o princípio cha mado uti possidetis (expressão em latim que significa “propriedade por posse”), que garantia a posse das terras a quem as ocupasse e promovesse sua colonização. 
As terras doadas concentravam-se principalmente nos vales e nas áreas montanhosas dos atuais estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
No mesmo século, o desenvolvimento da mineração em Minas Gerais incentivou a formação de fazendas de gado nos Pampas, também conhecidos como Campanha Gaúcha, para fornecer charque ao crescente mercado das cidades que surgiam em torno das minas de ouro e de pedras preciosas. Houve, então, o ingresso de pessoas escravizadas, que foram trazidas à força do continente africano para trabalhar nos Pampas.
O processo de colonização da região Sul foi marcado pela imigração de pessoas de várias origens. No século XVII houve ingresso de portugueses na região, que fundaram Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em 1673, e Colônia do Santíssimo Sacramento (hoje Colônia de Sacramento, no Uruguai), em 1680. Já em 1772, fundaram São Francisco do Porto dos Casais (atual Porto Alegre). 
Muitos deles, bem como seus descendentes, possuíam grandes fazendas de criação de gado nas áreas planas da Campanha Gaúcha, onde eram frequentes os conflitos com colonizadores espanhóis que imigraram para o atual território do Uruguai e da Argentina.

Açorianos 

O maior povoamento da Região Sul teve início com a chegada de ilhéus açorianos. Em 1742, casais vindos dos Açores fundaram a Vila do Porto dos Casais, hoje Porto Alegre, e se fixaram no vale de vários rios, como o Gravataí, o Sinos e o Jacuí, onde deram origem a diversas cidades. Em Santa Catarina, entre 1748 e 1756, desembarcaram cerca de 5 mil açorianos, iniciando o povoamento de trechos do litoral e da Vila de Nossa Senhora do Desterro, que deu origem à cidade de Florianópolis.

A articulação do Sul com as Minas Gerais 

No final do século XVII e início do século XVIII, a necessidade de couro e de carne para a região mineradora das Minas Gerais incentivou o des locamento de paulistas para os campos do Sul em busca de gado. Ini cialmente, o objetivo foi aproveitar o rebanho bravio, disperso na área, resultante da destruição das missões. Posteriormente, em decorrência do crescimento populacional da região da mineração, o fornecimento de gado por meio da caça tornou-se insuficiente. Iniciou-se, então, a for mação de estâncias na vegetação nativa dos Campos. 
Isso ocorreu inicialmente no litoral, em Rio Grande e Pelotas, e depois avançou para o interior, pela região de Bagé, o que estimulou a instalação de charqueadas nessa região. A mão de obra para a expansão da criação de gado no Rio Grande do Sul contou com a participação de africanos escravizados e açorianos. 
Com indígenas e espanhóis, esses grupos deram origem à cultura gaúcha. Deve-se em grande parte a eles a manutenção das fronteiras do Brasil com o Uruguai e a Argentina.

As tropas e a produção 

Para escoar o charque e o couro para os mercados compradores, entre eles a região das Minas, os tropeiros deslocavam-se por gran des distâncias, do sul para o norte, transpor tando suas mercadorias em lombos de mulas e burros. Ao longo do trajeto, paravam para des cansar, pernoitar e tratar dos animais. 
Alguns pousos dos tropeiros e caminhos de gado deram origem a cidades como: Osório, São Gabriel, Vacaria e Viamão, no Rio Grande do Sul; São Joaquim, Mafra, Porto União, em Santa Catarina; Castro e Lapa, no Paraná (localize essas cidades no mapa da página seguinte). 
O relevo mais plano das depressões facilitou os deslocamentos sul-norte dos tropeiros, que chegavam a durar três meses.

A imigração e a produção de espaços no Sul 

O século XIX marca um novo período da ocupação das terras e de pro dução de espaços na Região Sul. Além da maior ocupação do litoral, o povoamento do interior intensificou-se com a imigração europeia, o que acentuou a apropriação das terras indígenas. Após a vinda do príncipe D. João para o Brasil, em 1808, a Coroa por tuguesa tomou várias providências para povoar mais o sul da colônia. Para atrair imigrantes, D. João assinou um decreto permitindo que estrangeiros se tornassem proprietários de terras no Brasil, custeou as despesas de transporte para os imigrantes, disponibilizou empréstimos para a compra de instrumentos agrícolas e de animais de transporte, além de oferecer outras facilidades. 
Como o clima da porção sul do Brasil não era adequado para a produção de gêneros tropicais, como a cana-de-açúcar, estabeleceu-se na região uma agricultura em pequenos lotes de terra. Isso deu origem, na região, à pequena propriedade rural, diferentemente do ocorrido com a cultura da cana-de-açúcar no Nordeste, com a cafeicultura no Sudeste e com a pecuária nos campos do Rio Grande do Sul, que se estabeleceram em grandes propriedades, os latifúndios.

Portugueses açorianos

Aproveitando as vantagens ofereci das em 1808, a corrente de colonos por tugueses, vindos principalmente das Ilhas dos Açores, intensificou-se. Deu-se preferência aos imigrantes que formas sem grupos familiares, o que constituiu exceção na história da ocupação da co lônia até aquele momento. 
As 1500 fa mílias de açorianos que imigraram para o Brasil nesse período fixaram-se no li toral do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, dedicando-se principalmente à pesca e à agricultura de subsistência.

Alemães

As primeiras levas de imigrantes ale mães foram para o Rio Grande do Sul e se instalaram na região do vale do rio dos Sinos, onde formaram a colônia de São Leopoldo, em 1824. Com o tempo foram se constituindo pequenos núcleos urbanos, que posteriormente deram origem a vilas e cidades, entre elas, Novo Hamburgo, nas proximidades de Porto Alegre. No norte de Santa Catarina (no vale do rio Itajaí), eles foram responsáveis pela fundação de Blumenau, em 1850, e de Joinville, em 1851, entre outras cidades. 
Os imigrantes alemães deram importante contribuição à ocupação do sul do Brasil: em 1824, D. Pedro I iniciou a imigração alemã para o Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, nas mesmas bases da imigração açoriana; em 1827, 600 imigrantes alemães fixaram-se em Rio Negro, no Paraná; em 1850, famílias alemãs fundaram Blumenau, em Santa Cata rina, hoje importante centro industrial e comercial; em 1851, foi fundada a colônia de Dona Francisca, em Santa Catarina, que deu origem à cidade de Joinville, hoje também importante centro comercial e industrial.
Além desses núcleos urbanos, os alemães fundaram muitos outros no sul do Brasil. Muitos deles tornaram-se importantes cidades, como é o caso de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Italianos, poloneses e ucranianos 

A partir da segunda metade do século XIX, os italianos começaram a se instalar no vale do rio Tubarão (no sul do estado de Santa Catarina) e na serra Gaúcha. Eles fundaram cidades como Criciúma, Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves.
No Rio Grande do Sul, os imigrantes italianos dedicaram-se principalmente à cultura da uva (vinicultura) e à sua industrialização. Muitos de seus núcleos iniciais transformaram-se em cidades importantes, como Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul.
Em Santa Catarina, os italianos dedicaram-se a uma agricultura variada e também fundaram importantes cidades, como Nova Trento, Urus sanga e Nova Veneza. 
A partir de 1869, o estado do Paraná recebeu muitos imigrantes eslavos, como poloneses e ucranianos, que se fixaram em Curitiba e nas proximidades de Ponta Grossa, Castro, Lapa e Ivaí, no Paraná. Todos esses imigrantes dedicaram-se à agricultura e à pecuária. 
Com o tempo, houve diversificação da atividade econômica. O artesanato doméstico, por exemplo, deu origem a indústrias de grande porte voltadas, por exemplo, para a tecelagem, a confecção de roupas e a pro dução de cristais, motores elétricos, tintas etc. 

Japoneses 

A última grande corrente imigratória estrangeira para a região Sul, já no século XX, foi a dos japoneses, que se dedicaram, principalmente, à cafeicultura no Sudeste. 
Posteriormente, com a expansão do café para o norte do Paraná, por volta de 1930, imigrantes japoneses deslocaram-se para a região, fixando-se nos municípios de Londrina e Maringá. Também no norte do Paraná fundaram as cidades de Uraí e Assaí.

A organização das colônias 

Foi muito difícil para os imigrantes abandonar seu país de origem e iniciar o povoamento de um novo lugar, onde a natureza era praticamente intacta e tendo de produzir absolutamente tudo para sobreviver. Havia, ainda, o isola mento imposto principalmente pela falta de meios de comunicação. 
Para vencer esses obstáculos, os imigrantes que povoaram a região Sul organizavam grupos em seus países de origem e, ao chegarem ao Brasil, as sentavam-se em colônias. 
Os imigrantes fixavam-se em pequenas e médias propriedades, utilizando mão de obra familiar e praticando a policultura. Com algumas exceções, qua se não se utilizou trabalho escravo na região Sul: em grande parte, os indígenas foram aprisionados por bandeirantes, expulsos ou assassinados pelos novos ocupantes, e os africanos foram levados em menor número para lá, já que os imigrantes não dispunham de dinheiro para comprar escravos. Nas colônias havia uma divisão do trabalho. 
Por exemplo: uma família pro duzia trigo e arroz, outra criava alguns animais, outra produzia legumes, e assim por diante. A produção era vendida (ou trocada) e consumida na própria colô nia. Já no extremo sul da região, na Campanha Gaúcha, a produção de carne, couro e animais de carga (muares) abastecia principalmente o Sudeste, primei ro a região das minas e, posteriormente, do café. 
No século XIX, era famosa a feira de muares de Sorocaba, no estado de São Paulo, que comercializava animais criados no Sul.
Ao longo de todo o século XIX, principalmente na sua segunda metade, a entrada de imigrantes foi um fator importante no crescimento demográfico da região Sul, que, recebeu sobretudo imigrantes europeus.
Também no século XX o deslocamento de pessoas influenciou fortemente a dinâmica populacional na região, provocando primeiro a elevação e depois a redução das taxas de crescimento populacional. Naquela época, porém, os impactos foram causados pela migração interna.
No período de 1950 a 1960, a região Sul (assim como a Centro-Oeste) apresentou taxas de cres cimento elevadas, se comparadas às das demais regiões.
A abertura de novos espaços produtivos para a ati vidade agrícola atraiu expressivos fluxos migratórios, principalmente para o Paraná, aumentando de forma acentuada a sua população. 
Em 1950, metade de sua população era composta de brasileiros provenientes de outros estados, a maioriade São Paulo e Minas Gerais, e de estrangeiros, principalmente japoneses.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Região Sul: o meio natural

A Região Sul, a menor das cinco regiões brasileiras, é composta por três estados e corresponde a 7% de todo o território nacional, com extensão de aproxi madamente 577 mil km2.
O clima subtropical, predominante na região, tem chuvas bem distribuídas ao longo do ano e temperaturas mais baixas em comparação a outras partes do país, sobretudo no inverno. Sua vegetação é mais adaptada às baixas temperaturas, como os Campos e a Mata de Araucárias. 
A região também tem áreas preservadas cobertas por vegetação de Mata Atlân tica em locais de transição climática, onde as temperaturas são um pouco mais elevadas
A Região Sul conta com grande diversidade paisagística. A seguir, conheceremos as características de seu quadro natural.

Relevo e vegetação

A grande diversidade de vegetação da região Sul é consequência, sobretudo, das diferenças nas temperaturas médias anuais. Ao longo do tempo, no entanto, a agricultura, a pecuária e a extração de madeira, principalmente para fabricação de móveis, provocaram grande desmatamento, reduzindo drasticamente a cobertura vegetal da região. 
As terras altas (de maiores altitudes) da Região Sul são encontradas nas porções norte e nordeste do Rio Grande do Sul e se prolongam para os estados de Santa Catarina e Paraná. Formam diversas serras, entre elas a Serra do Mar e a Serra Geral, onde as massas de ar úmidas, vindas do oceano, provocam chuvas orográficas ao encontrar suas encostas.
Nessas serras e em outras da região, há remanescentes da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. 
A Mata dos Pinhais, como também é conhecida, aparece em maior concentração nas regiões serranas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, onde as temperaturas são mais baixas.
É na Serra Geral, no estado de Santa Catarina, que se localiza São Joaquim, a 1354 metros de altitude. Esse município é um dos mais frios do país. Por causa de sua altitude elevada e por estar sujeito às incursões da massa Polar atlântica, fria, já registrou temperatura de –10 °C e queda de neve no inverno.
A Mata de Araucária era a vegetação predominante da região Sul, embora ocorram algumas árvores características dessa vegetação em regiões serranas do Sudeste e no sul do estado de São Paulo. É formada por diversas espécies vegetais, com destaque para as variedades de araucárias, entre elas o pinheiro-do-paraná. Outra espécie vegetal característica dessa mata é a erva-mate, cujas folhas são utilizadas para preparar uma bebida digestiva. 
A Mata de Araucárias, formada por pinheiros adaptados às temperaturas mais baixas, cobria originalmente grande parte dessa região. No entanto, tal vegetação sofreu forte devastação em decorrência da expansão das atividades econômicas, principalmente dos cultivos agrícolas e do crescimento das áreas urbanas. Já os Campos, também adaptados às baixas temperaturas, são bastante aproveitados para áreas de pastagens e predominam no sul do Rio Grande do Sul.
Próximo ao litoral dos estados de Santa Catarina e Paraná, recobrindo a serra do Mar e estendendo-se até a planície Costeira, desenvolveu-se originalmente a Mata Atlântica, que hoje aparece apenas em pequenas manchas. A Mata Atlântica também se desenvolveu na porção oeste da região, mas apresentando características particulares relacionadas às variações de temperatura e umidade.
No litoral desenvolvem-se Mangues e Restingas, também fortemente ameaçados pela ocupação e as atividades humanas.
As terras baixas são encontradas ao longo do litoral, onde formam planícies litorâneas ou costeiras. Nelas estão situadas importantes cidades turísticas, como Balneário Camboriú, em Santa Catarina. 
Na porção centro-sul do Rio Grande do Sul, as terras baixas acompanham os vales dos rios Ibicuí, Santa Maria, Jacuí, Sinos e do Lago Guaíba, onde formam planícies fluviais. 
A cidade de Porto Alegre está situada na margem esquerda do Lago Guaíba, próximo à foz do Rio Jacuí. É nessas terras de baixas altitudes do Rio Grande do Sul que se encontram os Campos, vegetação com predominância de gramíneas, dominando o sul e o sudeste do estado. 
Essa formação varia conforme as características de solo e clima. A área campestre mais típica é a do sudoeste do Rio Grande do Sul, conhecida como Campanha Gaúcha ou Pampa, que se prolonga para o território do Uruguai e da Argentina. Seu relevo é geralmente plano, entre cortado por pequenos e baixos morros (cerros). 
A vegetação que se encontra mais preservada na região Sul são os Campos, com predomínio de diversos tipos de gramíneas, que se desenvolvem na porção meridional do Rio Grande do Sul. A vegetação dos Campos é menos exuberante do que a das matas, por exemplo, mas não menos importante, pois abriga grande biodiversidade. Historicamente utilizadas como pastagens, hoje essas áreas estão ameaçadas pelos cultivos de soja e arroz e pela introdução de espécies exóticas de gramíneas.
No século XVII, iniciou-se nos Campos a criação de bovinos e equinos e, posteriormente, a de ovinos, aproveitando as condições naturais favoráveis da região. 

As unidades de relevo

a as unidades do relevo da Região Sul: 
• os planaltos da porção leste, que fazem parte dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, representados pela Serra Geral e pela Serra do Mar; 
• em direção a oeste, o relevo perde altitude, dando lugar à Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná; 
• ultrapassada a depressão, surgem outras grandes áreas de planalto até o vale do Rio Paraná e em direção sul – são os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.

As lagoas costeiras 

As seguintes unidades do relevo da Região Sul não foram citadas no texto: Planalto Sul-Rio-Grandense, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense e a Planície das Lagoas dos Patos e Mirim. 
Nas bordas litorâneas do Rio Grande do Sul surgem três grandes lagoas costeiras parcialmente separadas do mar por extensos cordões litorâneos – as restingas. 
A Lagoa dos Patos, com cerca de 10000 km2, alimentada pelas águas do Lago Guaíba e dos rios Jacuí e Caí; e a Lagoa Mirim, com aproximadamente 4000 km², onde desá gua o Rio Jaguarão, são ligadas pelo Canal de São Gonçalo. A Lagoa Mangueira, de área menor, encontra-se entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico.
 
Clima
 
A região Sul é a que apresenta as temperaturas médias mais baixas do Brasil, sobretudo nos meses de inverno.
O Trópico de Capricórnio atravessa a porção norte do estado do Paraná. Assim, a maior parte da Região Sul está localizada na zona temperada; isso significa que, por causa da esfericidade da Terra, os raios solares incidem menos inclinados em relação à su perfície da Terra que na zona tropical.
Na pequena porção da região Sul que se encontra ao norte do trópico de Capricórnio predomina o clima tropical de altitude. Na porção localizada ao sul do trópico de Capricórnio, na zona temperada do planeta, predomina o clima subtropical, com forte influência das massas polares. Junta mente com as condições do relevo, isso explica o fato de a região Sul do Brasil apresentar médias de tempera tura mais baixas do que o restante do país.
É importante destacar que, ape sar de predominar um tipo climático, existem variações nas temperaturas e na precipitação devido às características locais. No litoral da região Sul, as tempe raturas são elevadas durante o verão, mas também caem bastante no inver no. Por exemplo, em Florianópolis, capital catarinense, a temperatura pode ultrapassar os 30 ºC no verão, mas diminui bastante no inverno.
Nas áreas de menor altitude as temperaturas médias são mais elevadas do que na porção serrana, onde a altitude provoca queda nas médias térmicas anuais. 
Nas porções mais elevadas do relevo, é comum a ocorrência de fortes geadas nos períodos de inverno. Em alguns municípios, como São Joaquim, Urubici e Lajes, localizados no estado de Santa Catarina, pode até mesmo haver, nos anos mais frios, precipitação de neve. 
Durante o inverno, é comum a ocorrência de geadas e, com menor frequência, a queda de neve. Uma das condições necessárias para a ocorrência de geada é que, durante a noite, o céu esteja limpo, sem nuvens e com ausência de ventos, o que favorece a perda de calor do solo e a queda brusca da temperatura. 
O clima frio, com a ocorrência de geada, costuma atrair visitantes e ajuda a movimentar a economia da região Sul. Entretanto, nas áreas agrícolas, as geadas podem provocar grande prejuízo, dependendo de sua intensidade, da espécie cultivada e da fase de crescimento em que as plantas se encontram.
Outra situação que provoca bastante preocupação entre os agricultores é a ocorrência de geadas negras, devido à ação da Massa Polar Atlântica, com ventos frios, de moderada a forte intensidade e baixa umidade do ar. Essa condição atmosférica provoca o congelamento da parte interna da planta, que fica escura e morre. 
As condições climáticas, associadas a variadas formas de relevo, propiciam o desenvolvi mento de diferentes formações vegetais nas paisagens naturais dessa região.

A massa de ar Polar atlântica 

A região está submetida a uma ação mais intensa da massa de ar Polar atlântica, originada no extremo sul do conti nente americano. Os ramos de entrada dessa massa de ar, ao se deslocarem na direção norte, passam pela Argentina e pelo Uruguai, onde provocam invernos frios. Ao chegarem à Região Sul do Brasil, seguem pelas áreas de menores altitudes: um de seus ramos avança pelo litoral, pelas planícies litorâneas, e o outro avança sobre o território do Brasil pelo interior. 
No outono e no inverno, essa massa de ar atua com maior intensidade. Forma as denominadas frentes frias, que provocam quedas de temperatura e invernos mais rigorosos no Sul.

O clima subtropical

A maior porção do território da Região Sul localiza-se na zona temperada, ao sul do Trópico de Capricórnio. Essa região é dominada pelo clima subtropical. 
A Região Sul é a única, entre as regiões do país, onde predomina o clima subtropical. Por essa razão, é conhecida pelas baixas tempe raturas que caracterizam boa parte de seu território no período de inverno.
De modo geral, esse tipo de clima se caracteriza por temperaturas médias anuais entre 15 °C e 20 °C. Entretanto, no extremo sul do Rio Grande do Sul, as médias térmicas anuais são inferiores a 15 °C. 
Quanto à precipitação total anual, há variação entre 1500 e 2000 milímetros, sendo bem distribuída no decorrer do ano, o que favorece a prá tica da agricultura e da pecuária. 

Hidrografia

A Região Sul abriga uma vasta rede hidrográfica, sendo que parte dela corre por terrenos localizados em planaltos, fato que confere amplo potencial energé tico à região.
A Região Sul conta com rios caudalosos e extensos que correm em áreas planálticas e apresentam quedas-d’água aproveitadas para a produção de energia elétrica. É o caso do Rio Paranapanema, na divisa de São Paulo e Paraná; do Rio Paraná, na divisa dos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que corre na fronteira do estado do Paraná com o Paraguai; do Rio Iguaçu, que separa, em parte, os estados do Paraná e de Santa Catarina. 
É nesse rio que se encontram as famosas Cataratas do Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, trecho em que sua largura é reduzida de 4000 metros para 100 metros. Em todos esses rios foram construídas usinas hidrelétricas a fim de garantir a produção de energia para a região. 
Entre as usinas hidrelétricas presentes no Rio Paraná, uma em particular, a usina hidrelétrica de Itaipu – Itaipu Binacional –, destaca-se por sua magnitude. Ela é uma usina binacional, pois foi desenvolvida por meio de uma parceria entre os governos do Brasil e do Paraguai. A usina produziu em 2021 cerca de 66 milhões de gigawatts-hora (GWh). Por ter sido um ano mais seco, a energia produzida foi responsável pelo suprimento de aproximada mente 8,4% do consumo no Brasil, e 86% no Paraguai.
Embora a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, iniciada em 1975, tenha sido um dos maiores empreendimentos de engenharia do país, foi alvo de muitas polêmicas, já que não foram poucos os impactos ambientais causados por sua construção.
Destaca-se também o Rio Uruguai, que nasce na Serra Geral com o nome de Rio Pelotas e, após receber as águas do Rio Canoas, passa a ser denomi nado Rio Uruguai. Esse rio faz a divisa entre os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e determina a fronteira deste estado com a Argentina.

O Aquífero Guarani


Além das águas superficiais, nessa região se localiza parte de um dos maiores reservatórios de águas subterrâneas do mundo: o Aquífero Guarani. Esse nome é uma homenagem da comunidade científica aos povos que habitavam a região do aquífero. Atualmente, sua denominação é Sistema Aquífero Guarani. Parte dele se localiza também nos territórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. 
Em 2010, para ampliar a cooperação para um maior conhecimento científico e a ges tão responsável de seus recursos hídricos, baseando-se em “critérios de uso racional e sustentável”, o Brasil e esses três países assinaram o Acordo sobre o Sistema Aquífero Guarani.
Ratificado em 2017 pelo Congresso Nacional do Brasil, o acordo estabelece uma série de normas para o desenvolvimento de ações de conservação e aproveitamento sustentável dos recursos hídricos do Sistema Aquífero Guarani, respeitando o domínio territorial de cada país sobre as porções desse aquífero. 
O Brasil abriga cerca de 70% do Aquífero Guarani. A água armazenada nos poros das rochas sedimentares abastece muitos municípios por meio de poços artesianos.



Sudeste - A expansão da cafeicultura

A expansão da cafeicultura em direção ao interior de São Paulo


Chegando às terras mais interiores da província de São Paulo, na primeira metade do século XIX, a cafeicultura desenvolveu-se amplamente. Por volta de 1840 ocupou terras da Depressão Periférica Paulista, entre elas a área do atual município de Campinas (SP), que se situa na zona de contato entre essa depressão, a oeste, e o Planalto Cristalino ou Oriental, a leste.
Depois, avançou para o Planalto Ocidental Paulista, tanto na direção do Rio Grande, na divisa de Minas Gerais, como em direção ao Rio Paraná e ao Rio Paranapanema. No Planalto Ocidental Paulista, a cafeicultura encontrou condições de clima e solo bastante favoráveis para o seu desenvolvimento: clima tropical, com verão chuvoso e inverno seco, e médias anuais de temperatura superiores a 20 °C, além de manchas de terra roxa de grande fertilidade.
Assim como aconteceu com os canaviais do Nordeste nos séculos XVI e XVII e também com a expansão da monocultura cafeeira no Vale do Paraíba e na Zona da Mata Mineira, o avanço da cafeicultura no Planalto Ocidental Paulista provocou a devastação de grande parte da cobertura vegetal natural. A Mata Tropical e o Cerrado foram progressivamente substituídos por culturas agrícolas – café, amendoim, cana-de-açúcar etc. –, pela pecuária e ainda pela urbanização e construção de ferrovias.

Ferrovias, cafeicultura e produção 


As ferrovias tiveram papel importante na ocupação humana e, por conseguinte, na produção de espaços geográficos no Sudeste, particu- larmente no estado de São Paulo. Muitas cidades surgiram ao redor de estações ferroviárias, destinadas a receber a produção cafeeira e outros produtos. É o caso, por exemplo, de Adamantina, Araçatuba, Bauru, Lins, Lucélia, Penápolis, Pompeia, São José do Rio Preto, Tupã e Votuporanga, todas no estado de São Paulo. 
Ao mesmo tempo que foram construídas para escoar a produção cafeeira, devemos considerar que as ferrovias foram importantes para a industrialização inicial de São Paulo e do Rio de Janeiro ao propiciar o transporte tanto de matérias-primas para as indústrias como da produ ção industrial para o interior. Observe a localização das culturas de café ao longo das ferrovias paulistas no mapa. As ferrovias cumpriram esse papel até, aproximadamente, os anos 1950, quando teve início o desenvolvimento rodoviário.

A cafeicultura e a imigração estrangeira


Em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de pes soas escravizadas da África para o Brasil, o problema da falta de mão de obra para a cafeicultura em expansão se agravou, pois o preço do escravo aumentou para quem desejasse comprá-lo. Esses fatos, somados ao movimento abolicionista, levaram os grandes plantadores de café a pensar se não seria mais conveniente e mais barato empregar trabalhadores livres. 
Considerando-se que o número de brasileiros livres nos espaços da cafeicultura era insuficiente para o trabalho nas fazendas, a solução encontrada pelos fazendeiros e pelo governo da época foi buscar mão de obra fora do Brasil. Agentes enviados para a Europa passaram a divulgar que o Brasil estava precisando de imigrantes para o trabalho na lavoura de café. Criou-se, então, um fluxo migratório para o país, que se acentuou após a abolição da escravidão, em 1888, particularmente para a província de São Paulo.
Imigrantes de várias nacionalidades vieram para São Paulo: espa nhóis, portugueses, japoneses, italianos e outros. Os italianos foram os que vieram em maior número. Contribuíram, assim, de forma significativa, como trabalhadores na cultura cafeeira, para a ocupação do território e a produção de espaços geográficos.

Trabalho livre e mercado interno  


Durante o período da escravidão, o mercado interno de consumo era bastante limitado. Os trabalhadores livres eram em pequeno número e os escravizados não recebiam salário por seu trabalho. Estavam, portanto, impossibilitados de comprar bens ou mercadorias. 
Com a expansão das relações assalariadas de trabalho e o estabe lecimento dos fluxos imigratórios, essa situação se alterou. Ao receber dinheiro pelo trabalho, o trabalhador passou a consumir e, em consequência, estimulou a produção interna de mercadorias e a industrialização. Além disso, muitos imigrantes trouxeram consigo técnicas de fabricação de variadas mercadorias. Uma parte deles montou oficinas ou pequenas fábricas que ao longo do tempo, em vista do crescimento urbano, transformaram-se em indústrias.
Desse modo, desde o final do século XIX, começou a se formar um mercado interno de consumo que favoreceu o desenvolvimento urbano, comercial, agrícola, indus trial, financeiro (dos bancos) e de prestação de serviços (escolas, hospitais, rede de água e de esgoto, coleta de lixo etc.). 
A cafeicultura, com seu dinamismo, movimen tou a economia e forneceu o capital financeiro para essas transformações no Sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os espaços geográ ficos, até então produzidos de acordo com uma economia voltada para o mercado externo (espaços extrovertidos), passaram também a ser produzidos para atender às suas próprias necessidades.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Economia da Região Sudeste

A Região Sudeste se destaca por ser a mais industrializada e economicamente desenvolvida do país, tanto pela geração de uma importante parcela do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

A atividade industrial


A região Sudeste, nas primeiras décadas do século XX, reuniu as condições favoráveis à industrialização. Até essa época, o café era o principal produto da economia brasileira, mas a atividade sofreu grande enfraquecimento a partir de 1929, quando teve início uma crise econômica mundial, que abalou o comércio internacional. 
Houve redução tanto no volume de exportações brasileiras como no de importações de produtos industrializados, o que tornou necessária a instalação de novas fábricas no país para produzir mercadorias que antes eram importadas. Na região Sudeste se concentrou a instalação de indústrias.
A cidade de São Paulo já era um importante centro comercial e financeiro e contava com uma boa infraestrutura. Tinha ainda uma população numerosa e pessoas com espírito empreendedor, com destaque para os imigrantes. 
Muitos estrangeiros tinham bom nível de qualificação profissional, porque seus países de origem começaram a industrializar-se antes do Brasil. 
Toda essa infraestrutura e esses recursos humanos, mais o dinheiro acumulado com as exportações de café ao longo do tempo, foram direcionados para o desenvolvimento de atividades industriais, e São Paulo começou a comandar o processo de industrialização nacional.
O Rio de Janeiro – principalmente por ter sido a capital federal desde 1763 e por ter passado por uma onda de modernização com a chegada da família real, em 1808 – também dispunha de boa infraestrutura e uma diversificada rede de comércio e serviços, que serviram de base para o processo de industrialização. 
Em Belo Horizonte, o processo de industrialização ganhou impulso a partir da década de 1940, quando a extração de minérios e a produção de aço se tornaram atividades importantes em municípios próximos. Em 1942, Getúlio Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce, uma empresa de mineração que atraiu a instalação de muitas outras indústrias que utilizavam os minérios (ferro, alumínio, níquel e outros) como matéria-prima.
Além disso, a região Sudeste recebeu do governo federal muitos investi mentos em infraestrutura ao longo do século XX, principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), sobretudo em energia e trans portes. Isso aconteceu porque era mais barato concentrá-los espacialmente, pois as estruturas poderiam ser utilizadas de forma compartilhada. 
Esses investimentos por parte do governo brasileiro atraíram muitas em presas estrangeiras para o Brasil, com destaque para as indústrias automobi lísticas no ABC (municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano, que fazem parte da região metropolitana de São Paulo).
A entrada das indústrias automobilísticas gerou investimento nacional e estrangeiro em vários outros setores complementares, como o da produção de máquinas e equipamentos industriais, vidros, bancos, peças para motores e muitos outros. Isso porque as indústrias automobilísticas não fabricam os auto móveis; na verdade, elas os montam a partir do que é produzido em outras fábricas. Por isso, são chamadas de montadoras de veículos.
O desenvolvimento da atividade industrial no Sudeste caracterizou-se pela formação de um diversificado e vasto parque industrial, com indústrias de base, como siderúrgicas e petroquímicas; de bens intermediários, como as de autope ças; de materiais de transporte e máquinas industriais, que fabricam máquinas e equipamentos para outras indústrias; de bens de consumo duráveis, que são as automobilísticas e de aparelhos eletroeletrônicos, além de indústrias de bens não duráveis, como as alimentícias e de produtos de higiene e limpeza.
Embora o Sudeste seja uma região bastante industrializada, a atividade industrial não está distribuída de maneira homogênea entre os estados que a compõem. As maiores concentrações industriais estão localizadas em seus grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Nessas cidades, também estão localizadas as grandes empresas nacionais e multinacionais e as sedes, no Brasil, dos grandes bancos internacionais e institui ções financeiras, como as bolsas de valores.
Além disso, concentram as principais universidades e possuem os mais avançados laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas produzidas no país. Isso explica por que, no Sudeste, estão instaladas indústrias de alta tecnologia, como as de informática, eletrônica, telecomunicações, aeroespacial e farmacêutica.

A recente desconcentração industrial


Desde o final da década de 1970 vem ocorrendo uma desconcentração da produção industrial brasileira. 
Houve um crescimento da produção industrial nas regiões Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Muitas indústrias se transferiram para essas regiões do país e novas estão sen do instaladas, em função dos investimentos em infraestru tura do governo federal, de isenções fiscais e do custo da mão de obra mais baixo do que nas áreas de industrialização já consolidada, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de incentivos de municípios que muitas vezes doam os terrenos para a instalação de indústrias. 
Além disso, muitas indústrias têm se transferido para outras áreas do mes mo estado. Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, diversas cidades até então com poucas ou pequenas indústrias pas saram a receber investimentos em infraestrutura, especialmente nos setores de transportes, energia e telecomunicações, para atender indústrias recém-chegadas e atrair novas. 

Indústria e a população urbana


O processo de industrialização provocou grandes transformações na organiza ção do espaço geográfico da Região Sudeste. A expansão da atividade industrial fez com que a Região Sudeste tivesse um expressivo aumento na população urbana. Isso ocorreu porque, à medida que as indústrias se multiplicavam, um grande contingente de trabalhadores era atraído em direção aos centros urbanos que se industrializavam. A partir da década de 1950, um grande número de nordestinos se dirigiu espe cialmente para o estado de São Paulo, que já se destacava como o estado mais industrializado do país.
Dessa forma, podemos concluir que a industrialização do Sudeste contribuiu para torná-la a região mais urbanizada do país, pois ocorreu de maneira desigual e concentrada e impulsionou o crescimento de grandes cidades e metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Isso explica por que o Sudeste é a região que apresenta a maior a taxa de urbanização do país. Atualmente, de cada 100 habitantes que vivem na Região Sudeste, 93 moram em áreas urbanas.

A produção agropecuária


A produção agropecuária da região Sudeste é muito dinâmica, apresenta alta produtividade e dispõe de eficiente infraestrutura de escoamento da produção por rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Em muitas propriedades rurais da Região Sudeste, a atividade agropecuária é considerada moderna, apresentando elevada produtividade. Essa característica foi adquirida e impulsionada pela própria industrialização da região que, ao acelerar o processo de modernização do campo, fez aumentar sensivelmente a produtividade das lavouras e criações, como as de gado bovino e suíno. 
Esse processo de modernização ocorreu mediante o uso crescente de máquinas e de equipamentos agrícolas nas propriedades rurais, assim como pela expansão do crédito, das agroindústrias e das cooperativas agrícolas na região.
A região Sudeste concentra cerca de 40% da população brasi leira e nela se localizam as três maiores regiões metropolitanas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Vitória, Campinas e outras. Cerca de 94% da população reside na zona urbana de seus municípios, gerando a necessidade de grande produção agrícola para abastecimento, associada à bus ca de alimentos nos mercados de outros estados e países. 
A região concentra o maior volume e o maior valor da produção agrícola do Brasil e nela encontramos os mais variados tipos de produção e organização das atividades agropecuárias. 
Além das grandes propriedades rurais monocultoras presentes nessa região, existem as médias e pequenas propriedades, que contribuem para a diversificação da produção agropecuária e são fundamentais para atender ao abastecimento do mercado interno. 
Há diversas regiões onde se pratica agricultura familiar para abastecimento dos centros urbanos, muitas vezes com uso de tecnologia moderna e alta produtividade, e onde houve recente aumento da prática de agricultura orgânica. 
A agricultura de subsistência ainda é praticada em locais onde a terra é de baixa fertilidade e tem menor valor comercial. Nas médias e grandes propriedades também é desenvolvida uma grande variedade de atividades, com destaque para a exportação de produtos agroindustriais. 
Os produtos agrícolas voltados para o mercado externo de maior destaque na Região Sudeste são a laranja e o café. Já produtos agrícolas como arroz, feijão, mandioca, batata, amendoim, tomate e cana-de-açúcar, produzidos nessa região são destinados ao consumo interno do país.
Com exceção do café, que, além de abastecer o mercado interno, é exportado sem nenhum processamento industrial, os demais produtos são comer cializados no mercado interno e também exportados depois de serem proces sados nas agroindústrias, ou seja, após passarem por um processo de industrialização. Na região, entre outras produções agroindustriais, destacam-se: 
■ o cultivo de laranja para produção de suco concentrado (o estado de São Paulo é o maior produtor mundial); 
■ o cultivo de cana-de-açúcar para produção de açúcar e álcool (São Paulo é o maior produtor nacional e reúne a maior quantidade de usinas); 
■ o cultivo de eucalipto para produção de papel e celulose, espalhado por várias sub-regiões (Minas Gerais é o maior produtor nacional); 
■ a criação de gado para produção de carne, leite e laticínios, com a maior produção regional concentrada em Minas Gerais; ■ a criação de aves para produção de carne e ovos, com concentração de granjas no estado de São Paulo.

Extrativismo 


A Região Sudeste apresenta uma expressiva atividade extrativa. Isso acontece porque, no subsolo dessa região, há minerais que podem ser explorados comercial mente, como ferro, urânio, níquel, chumbo, cobre, cromo, fósforo e zinco, além de pedras preciosas como o diamante. A presença da intensa atividade extrativa na região propiciou a instalação de várias siderúrgicas nessa parte do território brasileiro. 
O estado de Minas Gerais apresenta importante exploração de pedras precio sas, como ouro, diamante, esmeralda e água-marinha. Além disso, o minério de ferro, de grande destaque na região, é extraído principalmente da região do qua drilátero ferrífero, no estado de Minas Gerais, formado pelas cidades de Sabará, Congonhas, Ouro Preto, Itabira, entre outras. 
Esse minério é utilizado, sobretudo, em siderúrgicas localizadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde é transformado em ligas de aço, que, posteriormente, serão utilizadas na fabricação de inúmeros produtos, como automóveis e eletrodomésticos.
Grande parte do minério de ferro extraído na Região Sudeste também é destinada à exporta ção. Para isso, o material extraído em Minas Gerais é transportado por meio de estrada de ferro até o porto de Tubarão, no Espírito Santo. Os principais destinos des ses produtos são China e Japão.
Na Região Sudeste, o petróleo é extraído principalmente do sub solo marinho, em especial da Ba cia de Campos, uma das maiores reservas de petróleo do país, localizada entre os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
A Região Sudeste é responsável pela maior parte do petró leo extraído no país, destinado, principalmente, ao refino para produção de combustíveis e de rivados voltados para o consumo interno.


O petróleo na camada do pré-sal


O petróleo extraído da camada pré-sal é encontrado em águas profundas e a distâncias ainda maiores do assoalho oceânico. Isso por que, segundo os geólogos, essa camada, que abriga o petróleo, se formou antes da camada de sal depositada na crosta terrestre. Veja a lo calização da camada do pré-sal na ilustração. 
O petróleo encontrado no pré-sal é consi derado de excelente qualidade e com grande valor comercial. No Brasil, estudos apontam que essa camada se estende desde o litoral da Região Nordeste até o litoral da Região Sul. 
No entanto, ela vem sendo explorada nas ba cias de extração da Região Sudeste, principal mente na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e na Bacia de Santos, em São Paulo, apresentando uma capacidade produtiva bastante elevada em relação às camadas mais superiores de petróleo.


Setor terciário


Segundo os dados do IBGE, a Região Sudeste é responsável por aproximadamente 53% do PIB brasileiro, sendo que mais da metade de toda a riqueza gerada pelo PIB de seus quatro estados é proveniente do setor terciário.
As atividades de maior destaque desenvolvidas pelo setor terciário no Sudeste estão relacionadas ao comércio varejista e atacadista.
Na Região Sudeste, as empresas prestadoras de serviços localizam-se principal mente nos grandes centros urbanos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Algumas dessas empresas são repartições públicas, bancos e instituições de ensino. 
A B3, bolsa de valores brasileira, por exemplo, está situada na cidade de São Paulo, que é considerada o centro financeiro do Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2019 a Região Sudeste também se destacava por empregar 59% de toda a população brasileira ocupada no setor terciário.

Sudeste: o meio natural


Aspectos do meio natural


A Região Sudeste é formada por quatro estados, que, juntos, ocupam uma área de aproximadamente 925 mil km2, correspondendo a cerca de 11% do território brasileiro.
Há vários aspectos importantes que nos auxiliam a compreender a formação e a transformação das paisagens do Sudeste. O clima, a vegetação o relevo e a hidrografia dessa região formam um conjunto contrastante e rico. 
Na região Sudeste encontram-se várias planícies, além de formações serranas com relevo acidentado, como as serras do Mar e da Mantiqueira e, mais afastada do litoral, a serra do Espinhaço. 

Relevo e hidrografia


O Sudeste compreende a maior parte do domínio morfoclimático denominado Domínio dos Mares de Morros. Esse domínio está inserido na unidade dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste. O Sudeste apresenta ainda mais três conjuntos planálticos, duas depressões e a planície litorânea, em terras de várias altitudes. 
O traço marcante do relevo é o conjunto de serras de topos arredondados que formam uma paisagem de mar de morros. É esse o caso das serras do Mar, da Mantiqueira. Outra característica do relevo do Sudeste, prin cipalmente nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, são os pães de açúcar – formações com cumes arredondados e encostas abruptas.
Entre as áreas de maior altitude na região, encontram-se os “mares de morros”, áreas de morros com topos mais arredondados. Esse con junto é denominado pla nalto Atlântico. Nessas áreas a rede hidrográfica possui grande densidade de rios. Na porção mais ocidental da região, no oeste do estado de São Paulo, predominam os planaltos menos acidentados.
A faixa litorânea é ocupada por planícies. No trecho que vai do nordeste do estado de São Paulo ao sul do estado do Rio de Janeiro, a escarpa da serra do Mar fica muito próxima do oceano, determinando uma estreita planície litorânea. Já no sul do estado de São Paulo, na região do Vale do Ribeira, ao norte do li toral do Rio de Janeiro e em todo o litoral do Espírito Santo, a serra do Mar está mais afastada do oceano e a planície costeira tem maior extensão.
As serras do Espinhaço, do Mar, da Mantiqueira e da Canastra (que avança para o interior do território) formam os divisores de águas das grandes bacias hi drográficas da região Sudeste. Repare, no mapa a seguir, que os rios da região hidro gráfica do Paraná dirigem-se ao interior do continente, alimentando o rio Paraná.
Entre as serras da Canastra e do Espinhaço, forma-se a bacia do rio São Fran cisco. Na porção leste da região, encontram-se bacias secundárias, que fazem parte das bacias costeiras, com destaque para as dos rios Paraíba do Sul, Doce e Jequitinhonha. Os rios dessas bacias nascem no planalto e deságuam no oceano.

Clima


A região Sudeste apresenta grande variedade de climas. Um dos fatores que de terminam a variação climática da região é a diferença de altitude.
O clima predominante na Região Sudeste é o tropical, caracterizado por verões quentes e chuvosos e invernos secos com temperaturas mais amenas.
Os tipos de clima do Sudeste são o clima tropical e o clima subtropical. O tropical apresenta-se dividido em subtipos climáticos:

• tropical com verão úmido e inverno seco, que predomina nas por ções norte e leste de Minas Gerais, e oeste do estado de São Paulo;

• tropical de altitude, cuja característica principal são as médias térmicas mensais mais baixas no inverno em virtude do relevo de maior altitude e da penetração da massa de ar Polar atlântica, abrange vasta porção do Sudeste;

• tropical litorâneo úmido, que abrange uma área sujeita aos efeitos da maritimidade e das incursões de massas de ar úmidas prove nientes do Oceano Atlântico. Esse subtipo climático se apresenta úmido o ano todo, com precipitações mais elevadas entre novembro e janeiro. 
Nas áreas de maiores altitudes predomina o clima tropical de altitude, cujas temperaturas médias tendem a ser menores do que nas áreas que se encontram, por exemplo, ao nível do mar, que estão sob o clima litorâneo úmido.
O clima subtropical úmido ocorre na porção do território brasileiro situada ao sul do Trópico de Capricórnio. No Sudeste, ele abrange o sul do estado de São Paulo. O município de São Paulo situa-se sobre o relevo elevado do Sudeste, na área de transição entre o clima tropical de altitude e o clima subtropical úmido. Apresenta 1450 mm anuais de precipitação, com concentração das chuvas entre outubro e março, e média térmica anual em torno de 19 °C. É uma área sujeita à atua ção da massa Polar atlântica, o que explica as médias térmicas mais baixas no inverno.
No interior da Região Sudeste, predomina um clima com baixa umidade em alguns meses do ano. Isso dificulta o desenvolvimento de uma vegetação mais densa, exceto próximo às margens dos rios. Essas áreas, geralmente, estão cobertas por vegetação mais esparsa, como o Cerrado e até mesmo a Caatinga (no norte de Minas Gerais), e apresentam amplos campos de vegetação rasteira, com plantas adapta das ao calor e aos períodos de pouca chuva.
No sul do estado de São Paulo, em razão da presença do clima subtropical, e na região da Serra da Mantiqueira, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, devido à altitude do relevo, há áreas onde se desenvolve a Mata de Araucárias.

Vegetação


Por causa da variedade de climas, a região apresenta formações vegetais também diversificadas. Na maior parte dela, predominam a Mata Atlântica e o Cerrado, que apresentam características diferentes de acordo com fatores locais. Na região também aparecem pequenas manchas de Campos nas maiores altitudes; em Minas Gerais predomina o Cerrado, e no norte desse estado, área de clima mais seco, aparece a Caatinga. Nas planícies do litoral, desenvolvem-se a Vegetação de Restinga e os Mangues, influenciados sobretudo pelas marés e pelos solos arenosos.
Originalmente, o Sudeste apresentava cinco formações vegetais: a Mata Atlântica e seu prolongamento para o interior, denominada Floresta Tropical ou Mata Tropical, cobrindo vastas extensões dessa região; o Cerrado, dominando a porção central e oeste de Minas Gerais e alguns trechos do estado de São Paulo; a Caatinga, em trechos do norte de Minas Gerais abrangidos pelo clima tropical semiárido; a Mata dos Pinhais, em pequenos trechos do estado de São Paulo; e a Vegetação litorânea, destacando-se nela as existentes nos manguezais e nas restingas. Todas essas formações vegetais foram, em grande parte, destruídas pela ocupação humana. 
O avanço das culturas agrícolas – café, algodão, cana-de-açúcar e outras – e da pecuária, somado à extração madeireira, à fundação de cidades e à construção de estradas, reduziu a pequenas áreas as formações vegetais originais. Quanto aos manguezais e às restingas, a urbanização do litoral, acompanhada pela intensa especula ção imobiliária, destruiu em larga escala esses ecossistemas.

Mata Atlântica ou Mata Tropical 


Em razão do relevo acidentado, os morros e as serras perto do litoral bloqueiam a umidade trazida pelos ventos oceânicos, provocando chu vas constantes nas áreas costeiras e na porção leste da re gião. A umidade característica dessas áreas permite o desenvolvimento de uma floresta tropical densa e diversificada, denominada Mata Atlântica.
Assim como aconteceu na Região Nordeste, com o avanço da cultura da cana-de-açúcar e a multiplicação dos engenhos, a Mata Atlântica foi bastante desmatada também na Região Sudeste, principalmente com a expansão da cafeicultura e das “ferrovias do café”, que usavam a madeira como lenha nas locomotivas e na fabricação de dormentes para fixar os trilhos.
Calcula-se que, quando os portugueses chegaram, em 1500, a cober tura florestal do que hoje é o estado de São Paulo estendia-se por 82% de sua área territorial. Com o passar do tempo, com as intervenções humanas, foi reduzida a 7% de sua área original. 
Em 2020, graças a iniciativas para sua recuperação, chegou a 16,2%. Árvores como peroba, faveiro, canela, angico, jacarandá, cedro, ipê e muitas outras foram intensamente exploradas. Provavelmente muitas espécies de plantas e de animais foram extintas antes mesmo de serem estudadas por especialistas. 
O que sobrou da Mata Atlântica no Sudeste encontra-se geralmente nos trechos de relevo íngreme e de difícil acesso da Serra do Mar e da Mantiqueira e, também, em áreas transformadas em Unidades de Conservação, como é o caso da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, no litoral sul do estado de São Paulo, criada em 1986, após um longo processo de mobilização da sociedade civil. Cabe destacar a atuação de organizações não governamentais (ONGs) em prol da Mata Atlântica.

O desmatamento


A vegetação original da região Sudeste, principalmente a Mata Atlântica, tem sofrido com o desmatamento sistemático, no qual a vegetação é substituída pelas construções humanas.
Nos quatro estados da região Sudeste ainda são encontrados remanescen tes de Mata Atlântica, vegetação que foi bastante desmatada ao longo da história em razão da expansão agropecuária e do crescimento urbano-industrial. 
Em toda a faixa litorânea desses estados, principalmente nas encostas da serra do Mar, desde o Vale do Ribeira, litoral sul do estado de São Paulo, até o Espírito Santo, encontramos áreas de Mata Atlântica ainda preservadas, pro tegidas pela criação de Unidades de Conservação. 

Hidrografia 


A Região Sudeste compartilha com as regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste a Região Hidrográfica do Paraná, a Região Hidrográfica do São Francisco, a Região Hidrográfica Atlântico Sudeste (Rio Doce, Rio Paraíba do Sul e Rio Ribeira de Iguape) e a Região Hidrográfica Atlântico Leste (Rio Mucuri e Rio Jequitinhonha).
Em áreas de planalto, por causa dos desníveis dos terrenos e, consequentemente, da maior vazão de água, vários rios do Sudeste apresentam potencial hidrelétrico e são utilizados para a produção de energia. A construção de usinas, em alguns pontos, transformou o curso de alguns rios em represas artificiais, submergindo até mesmo algumas quedas-d’água.
As bacias hidrográficas do Sudeste apresentam grande potencial hidrelétrico. Nelas foram construídas várias usinas hidrelétricas que abastecem de energia elétrica não apenas o Sudeste, mas também as regiões Sul e Centro-Oeste. No Rio Tietê e no Rio Paraná, rios de planalto que formam a Hidrovia Tietê-Paraná, foram construídas eclusas para vencer os desníveis dos cursos fluviais e permitir a navegação. 
O Rio São Francisco tem suas nascentes situadas nas áreas chuvosas das serras ao sul de Minas Gerais e se desloca rumo ao Nordeste do país, atravessando todo o Sertão semiárido antes de desaguar no Oceano Atlântico. Percorrer esse longo trecho, em áreas de chuvas escassas, sem secar, só é possível graças às abundantes chuvas que irrigam suas nascentes.
Vários rios do Sudeste compõem a bacia hidrográfica do Rio Paraná, entre eles o Paraná, o Tietê e o Iguaçu. Alguns são marcos naturais de fronteiras estaduais ou municipais, como o Rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo, e o Paranapanema, que marca a divisa entre o estado de São Paulo e o Paraná. Mas é a geração de energia elétrica e o transporte fluvial que conferem a essa bacia significativa importância econômica e estratégica.
O Rio Paraíba do Sul é conhecido por sua importância histórica. Entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, esse rio cavou um vale, ao longo do tempo, que corre sobre uma depressão situada entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Essa região é conhecida como Vale do Paraíba. Atualmente, o Paraíba é utilizado para o abastecimento de água das indústrias locais, que despejam nele grande parte dos resíduos que produzem.

Hidrovia Tietê-Paraná 


Entre as hidrovias mais importantes do Sudeste destaca-se a Tietê-Paraná. Consiste em um sistema de aproximadamente 2,4 mil quilômetros de vias navegáveis, interligadas ao longo dos rios Tietê, Paraná, Piracicaba, Paranaíba, Paranapanema e Grande. 
Para que diferentes rios sejam interligados em um único sistema hidroviário, a Tietê-Paraná conta com uma complexa infraestrutura de canais, represas, eclusas e terminais portuários intermodais. Esses últimos, por sua vez, proporcionam conexão com rodovias e ferrovias regionais e federais com acesso aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que estão entre os mais importantes do país.
O sistema hidroviário Tietê-Paraná conecta cinco estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, servindo à navegação fluvial de longa distância e ao transporte de cargas e de passageiros no país, com papel fundamental no escoamento da produção agrícola regional. Além das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, essa hidrovia beneficia estados de outras regiões, como Rondônia e Tocantins, e possibilita acesso ao Paraguai, país vizinho e que, assim como o Brasil, integra o Mercosul.

Ocupação da região Sudeste

O início do povoamento 


São Vicente, no litoral do que é hoje o estado de São Paulo, foi o primeiro núcleo de povoamento permanente instalado pelos por tugueses no Brasil Colônia. Foi fundado em 1532, por Martim Afonso de Sousa, comandante da primeira expedição colonizadora enviada por Portugal. 
Foram introduzidas na região a criação de animais, a cultura da cana-de-açúcar, a agricultura de subsistência e a produção de açúcar. Em seguida, os portugueses fundaram outros núcleos de povoamento no litoral do que hoje consideramos a Região Sudeste: Vila Nossa Senho ra da Vitória, em 1535, que deu origem ao município de Vila Velha; Todos-os-Santos, em 1546, que originou o município de Santos; Vila Nova do Espírito Santo, em 1551, que se transformou no município de Vitória; São Sebastião, em 1565, fundado por Estácio de Sá (capitão de uma armada portuguesa), que deu origem ao município do Rio de Janeiro, entre outros núcleos.
Após ultrapassar a barreira da Serra do Mar, o padre Manoel da Nóbrega, superior dos jesuítas no Brasil, acompanhado por José de Anchieta e outros padres, ergueu, em janeiro de 1554, um barra cão para a catequese dos indígenas que recebeu o nome de Colé gio de São Paulo. Localizado no planalto de Piratininga, entre os rios Tamanduateí e Anhan gabaú, afluentes do Rio Tietê, o colégio deu origem à cidade de São Paulo. Assim, o povoamento que antes se restringia ao litoral instalou-se no planalto, permitindo o avanço para o interior do território.

Da Vila de São Paulo para o interior 


Durante os séculos XVI e XVII, a Vila de São Paulo manteve-se pobre e isolada das áreas mais dinâmicas da economia do Brasil Colônia, como o Nordeste açucareiro, que liderava a economia. A Vila de São Paulo tinha poucos habitantes, que se dedicavam principalmente à lavoura de subsistência. 
No entanto, foi nesse período que São Paulo se tornou centro irradiador de bandeiras em direção ao interior com o objetivo de aprisionar indígenas e vendê-los como escravos para as áreas açucareiras do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco. 
Outras bandeiras se organizaram com o objetivo de descobrir ouro e pedras preciosas, o que ocorreu por volta de 1695, nas Minas Gerais.
Devem-se a essas expedições armadas o início do po voamento do interior e o da construção de espaços ge ográficos não só no Sudeste, mas também nas atuais regiões Centro-Oeste e Sul.

O período de ouro


Embora algumas áreas do que viria a ser a região Sudeste tivessem sido ocupadas pelos colonizadores desde o início do século XVI, a primeira atividade econômica que atraiu grande número de pessoas para a região foi a exploração do ouro no fim do século XVII. Além disso, várias expedições, chamadas bandeiras, foram organizadas para percorrer o interior à procura de indígenas e riquezas minerais e também impulsionaram a ocupação.
Com a descoberta de ouro e pedras preciosas nas Minas Gerais, no final do século XVII, ocorreu intensa migração de pessoas do Nordeste, de São Paulo e até mesmo de Portugal para a área da mineração. 
Por causa da atividade mineradora, a região que atualmente pertence ao estado de Minas Gerais tornou-se importante centro econômico e, no início do século XVIII, começaram a se desenvolver várias cidades.
A atividade mineradora nas Minas Gerais deu origem a vilas que se transformaram em cidades. É o caso de São José del Rei, atual Tiradentes; Vila Rica, atual Ouro Preto; Sabará; Ribeirão do Carmo, atual Mariana; Diamantina e outras.
A exploração do ouro em Minas Gerais motivou a transferência da capital do país de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763, onde se localizava o principal porto de escoamento da produção. Desse modo, os governantes poderiam controlar melhor a produção e a circulação do ouro. O maior volume de produção vinha de Minas Gerais, mas o ouro também foi explorado em Goiás e Mato Grosso, onde a mineração estimulou o surgimento de cidades como Vila Boa (GO), Vila Bela e Vila Real (MT).
À população indígena nativa somaram-se milhares de Estrada Real – século XVIII pessoas livres vindas da região que hoje conhecemos como Nordeste e muitas de Portugal. A maioria da população, no entanto, era composta de africanos escravizados e seus descendentes, que trabalhavam nas minas. 
Para abastecer com alimentos e outros produtos a população que chegava à região das minas, novas áreas co meçaram a ser ocupadas para produção agrícola e pecuária, 20º S principalmente no norte do estado de São Paulo, e foram criadas rotas de tropeiros que levavam charque e muares.
No período da mineração de ouro, as cidades ganharam dinamismo, e a forma de povoamento predominante foi urbana, isto é, as atividades das cidades se desenvol veram mais rapidamente que as rurais e  já havia uma rede de comunicação entre elas, através das estradas que ligavam as áreas de mineração em Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro e de Parati.
As cidades brasileiras do período colonial eram muito parecidas com as cidades portuguesas: caracterizavam-se por sobrados residenciais geminados (colados uns aos outros), construídos rente à calçada (sem recuo na frente) e com quintal nos fundos. Havia também algumas peque nas hospedarias, lojas, armazéns, sapatarias e, ocasional mente, joalherias, oficinas de escultura, etc. 
Em cidades como Ouro Preto e Tiradentes muitas construções com estilo colonial permanecem preservadas, não só por cau sa da estagnação econômica do final do período de ex ploração mineral, mas principalmente pelas medidas de proteção que se seguiram aos seus tombamentos. 
Por volta da segunda metade do século XVIII, teve início a decadência da mineração, em virtude, entre outros fatores, do esgotamento dos aluviões auríferos. 
Com isso, a economia mineira regrediu a um nível de autossubsis tência. O espaço geográfico até então aí construído tornou-se uma área de repulsão de população: famílias migraram em busca de solos mais férteis para a prática da agricultura, e muitos se dirigiram para áreas dos atuais estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. 

O período do café


Com o declínio da atividade mineradora, buscou-se um produto que pudesse garantir os ganhos na Colônia. O produto encontrado foi o café, planta de origem africana introduzida no Pará em 1727 pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta, com mudas trazidas  clandestinamente da Guiana Francesa.
A cafeicultura, porém, não trouxe os resultados esperados pelos pro dutores nos primeiros anos. A produção de grãos de café começou a crescer somente a partir de 1816. Pouco tempo depois, em 1822, o Brasil conquistou sua independência política em relação a Portugal. O café tornou-se o principal produto agrícola do país na segunda metade do século XIX. 
Desse modo, as imediações da cidade do Rio de Janeiro tornaram-se o centro irradiador da cafeicultura a partir do final do século XVIII. Daí a cultura do café se expandiu, em períodos diferentes, para o Vale do Paraíba, em direção a São Paulo, para a Zona da Mata Mineira, para terras do Espírito Santo e, bem posteriormente, para o Triângulo Mineiro e ou tras regiões do Brasil, como é o caso do norte do Paraná e de Mato Grosso.
O cultivo de café para exportação foi a atividade econômica que mais se expandiu na atual região Sudeste na segunda metade do século XIX. Das fazendas do Vale do rio Paraíba do Sul, região onde o cultivo teve início, as tropas de mulas transportavam o café até o porto. 
Nos pontos onde os tropeiros paravam para descansar, desenvolveram-se várias cidades: Taubaté, Pindamo nhangaba e Resende são algumas delas. Os tropeiros desciam a serra do Mar para levar o café até pequenos portos no litoral, para que fosse transportado para os portos do Rio de Janeiro e de Santos, de onde seguia para o exterior. 
A expansão da cafeicultura do Rio de Janeiro em direção a São Paulo recuperou a economia do Vale do Paraíba, que atingira certo crescimento na fase áurea da mineração das Minas Gerais. Com a cafeicultura se deram, então, a reorganização e a reconstrução do espaço geográfico do Vale do Paraíba.
Esse movimento contribuiu para o desenvolvimento de algumas cidades portuárias do litoral, como São Sebastião, Ubatuba e Parati, que já havia sido um importante porto de escoamento da produção mineradora no século XVIII. 
Muitas vilas e cidades até então decadentes voltaram a crescer. É o caso de Vassouras e Valença, no Rio de Janeiro, e Bananal, Areias, Lorena, Guaratinguetá e Taubaté, em São Paulo – cidades que, como outras da região, continuaram a ser, até 1880, grandes produtoras de café. 
Nessa época, ainda se utilizava mão de obra escrava nas lavouras. No século XIX, os cafezais se estenderam para o interior de São Paulo e, no século XX, alcançaram as terras do Oeste paulista e norte do Paraná, colocan do o Brasil no posto de maior produtor e exportador mundial de café, posição que ocupa até hoje. 
Essa interiorização da produção de café só foi possível com a construção das ferrovias. Embora o solo de boa parte do Oeste paulista seja muito fértil graças à terra roxa, seria inviável plantar café a mais de 400 quilômetros do porto de Santos e transportá-lo no lombo de animais. As ferrovias que ligam o porto de Santos ao interior chegaram a Jundiaí em 1867, a Campinas em 1872 e a São Carlos em 1884.
No Vale do Paraíba, os cafeicultores utilizaram muita mão de obra escrava. No entanto, na segunda metade do século XIX, ao mesmo tempo que o café se tornava o principal produto da economia brasileira e sua área cultivada se expandia aceleradamente, a Lei Eusébio de Queirós (1850) punha fim ao tráfico de escravos e a Lei Áurea (1888) abolia oficialmente a escravidão no país. 
Assim, a partir de 1850 o Brasil incentivou a vinda de imigrantes (principal mente italianos, mas também espanhóis e, mais tarde, japoneses) para suprir a demanda de mão de obra nos cafezais do interior paulista.
No fim do século XIX e início do século XX, a cidade de São Paulo tornou-se o centro de comercialização da produção cafeeira, local de residência de vários “barões do café”, sede de bancos, empresas de importação e exporta ção e diversos outros serviços.
Com o fim da escravidão, recursos econômicos passaram a ser investidos em outras atividades, como a modernização dos portos, a instalação de ferro vias para facilitar o escoamento do café e a aquisição de máquinas para as indústrias – cujo maior impulso ao crescimento ocorreu nas primeiras décadas do século XX –, além de promover a diversificação do comércio e dos serviços nas cidades, sobretudo em São Paulo.
Nas áreas da região Sudeste onde predominou a utilização de mão de obra assalariada de europeus, principalmente italianos, seus descendentes compõem grande parcela da população. Devido às más condições de trabalho a que eram submetidos em muitas das fazendas, muitos imigrantes passaram a viver nas áreas urbanas, trabalhando como operários nas indústrias que surgiam, como comerciantes ou prestando algum serviço, já que muitos exerciam alguma profissão no país de origem. 
Há também importantes núcleos de descendentes de japoneses no estado de São Paulo, em municípios como Aliança, Bastos e Iguape, que começaram como colônias de pequenos produtores rurais. 
Por outro lado, o avanço da cafeicultura provocou imensos desmatamentos na Mata Atlântica que cobria o Vale do Paraíba. Era praticada a agricultura itinerante, que, no caso da cafeicultura, se caracterizou pela derrubada da mata, seguida de queimada dos restos da vegetação, limpeza da área e cultivo das mudas. 
Quando o solo não oferecia mais a produtividade esperada, em virtude de seu esgotamento ou empobrecimento, a área era abandonada e uma nova área era desmatada, repetindo-se o processo.
Assim, a cafeicultura deixou atrás de si destruição ecológica, além de provocar a decadência de muitas cidades, o que levou o escritor Monteiro Lobato a chamá-las de “cidades mortas”. Estas somente se recuperariam por volta de 1940.

Principais características da rede de cidades


A rede de cidades da região Sudeste, que é a mais densa e articulada do país, não é uniforme. Há uma concentração de cidades no sudeste de São Paulo, sudoeste do Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, onde as atividades industriais e agroindustriais são mais dinâmicas. 
Essa concentração tem origem na história de ocupação da região e, entre outras atividades, está relacionada à instalação de fábricas e de unidades agroindustriais e ao desenvolvimento das atividades terciárias, que atraíram muitos trabalhadores e promoveram grande crescimento das cidades nessas áreas. Já no norte de Minas Gerais, por exemplo, onde a agropecuária é a principal atividade econômica, a rede de cidades é mais esparsa.
A expansão das duas maiores cidades da região Sudeste originou as duas maiores regiões metropolitanas do país: a região metropolitana de São Paulo, criada em 1973, e a região metropolitana do Rio de Janeiro, criada em 1974, após a fusão do estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro.
A distribuição populacional é ainda menos uniforme que a distribuição das cidades pelos territórios dos estados da região. Mas, embora as regiões metropoli tanas do Sudeste concentrem grande parte da população e apresentem as maio res densidades demográficas, como podemos observar no mapa a seguir, há importantes cidades de médio e grande porte espalhadas por todo o seu território.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...