terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Aspectos naturais da Região Norte

A Região Norte abriga uma das formações vegetais com maior biodiversidade do planeta e o maior complexo fluvial do mundo – a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. De modo geral, a densidade demográfica da região é baixa e a população vive, em sua maioria, ao longo dos principais rios, que constituem importantes vias de transporte de pessoas e de mercadorias.

Clima 

A região Norte localiza-se na zona climática mais quente do planeta (próximo do equador). Apresenta pequena amplitude térmica diária e anual. Isso significa que há pequena variação entre as temperaturas máxima e mínima durante os dias e entre as médias mensais ao longo do ano. 
Em grande parte do território não existe estação seca. Em alguns outros lugares, porém, como em Palmas (TO), há um período de seca que pode durar de um a cinco meses. 

Vegetação 

Grande parte da Região Norte está sob influência do clima equatorial. Por ser quente e úmido, esse clima favorece a presença da rica diversidade vegetal da floresta. Embora a floresta Amazônica seja predominante, outras formações vegetais também são encontradas na região.
Próxima ao litoral, nos estados do Pará e do Amapá, desenvolve-se a vegetação litorânea, com formações de mangues e arbustos. Na Ilha de Marajó, também no Pará, e em parte do Amapá, temos a vegetação de Campos. 
Na maior parte do Tocantins, está presente a vegetação de Cerrado, que também pode ser observada em outros estados da região, menos no Acre.
Embora a Região Norte abrigue manchas de vegetação de Cerrado e de Campos (como em Roraima, em Rondônia, no Amapá, no Pará e no Amazonas), além de vegetação com influência marinha e/ou fluvial (como no Pará, no Amapá e em Rondônia), a maior parte de sua cobertura vegetal é formada pela Floresta Amazônica, também conhecida como Floresta Tropical Pluvial, Hileia e Floresta Equatorial. 
Como as demais formações vegetais do Brasil, na Floresta Amazônica a área antropizada cresce a cada ano, com grandes intervenções huma nas predatórias, a exemplo de queimadas e desmatamentos decorren tes da ação de alguns madeireiros, da implantação de fazendas de gado e de agricultura, de empresas de mineração etc. De modo geral, são encontrados na Floresta Amazônica dois ecossistemas principais: as matas de terra firme e as matas de inundação. 

Matas de terra firme 

A biodiversidade da Floresta Amazônica é encontrada, em gran de parte, nas matas de terra firme, ou seja, matas que nunca sofrem inundações dos rios. Recobrem 90% da Bacia Amazônica e localizam-se nas áreas de altitudes mais elevadas. A altura média das árvores é de 40 m, firmadas em solos bem drenados. Predominam matas densas, com pouca luz e muita umidade, em virtude de a junção das copas das árvores dificultar a entrada da luz do sol. Nelas são encontradas madei ras nobres, como o cedro, o mogno e os louros. 

Matas de inundação 

As matas de inundação são aquelas sujeitas à invasão das águas dos rios, com vegetação adaptada para sobreviver por longos períodos de submersão. Dividem-se em:
- Matas de igapó: o termo “igapó” designa as áreas muito encharca das, com inundações permanentes. As matas de igapó situam-se nos terrenos mais baixos e permanecem quase sempre inundadas. Nelas a vegetação é baixa, com arbustos, cipós e musgos. Também são encontradas plantas aquáticas, como a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia (observe a foto). 
- Matas de várzea: são aquelas inundadas somente em determina dos períodos do ano, durante a cheia dos rios, e situadas em áreas mais elevadas em relação às matas de igapó.

Maior complexo fluvial do mundo 

A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas situa-se, predo minantemente, na Região Norte. Além do Brasil, banha terras da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela. Formada pelo Rio Amazonas e seus afluentes, é a maior bacia hidrográfica do mundo, tanto em exten são como em volume de água. Essa bacia detém 11% da água doce disponível no mundo e é o maior reservatório de água doce do planeta.
Da fronteira do Peru com o Brasil até a confluência com o Rio Negro, em Manaus, o principal rio dessa bacia recebe o nome de Rio Solimões. Desse ponto até sua foz, no Golfão Amazônico, é denominado Rio Amazonas. O Rio Amazonas é o maior e o mais caudaloso rio do mundo: tem 6580 km de extensão e representa 20% do volume de água de todos os rios da Terra. 
A Floresta Amazônica e a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas fornecem à atmosfera grande quantidade de vapor de água, que volta à superfí cie terrestre na forma de chuva, estabelecendo, assim, o ciclo hidroló gico ou ciclo da água, com influência não apenas local e regional, mas também global.

Hidrografia da Região Norte e aspectos socioeconômicos 

O Rio Amazonas é navegável desde a foz até a cidade de Nauta, no Peru, em uma extensão de mais de 4000 quilômetros. Na Região Norte, os maiores fluxos de pessoas e de mercadorias são feitos por meio das hidrovias. 
Como os rios facilitam o transporte e a co municação, as maiores densidades demográficas e as áreas mais urbanizadas da Região Norte se concentram nas planícies do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. 
O porto de Manaus, capital do estado do Amazonas, é o maior porto fluvial brasileiro em volume de carga. Grande parte das mercadorias que circulam na Região Norte passa por esse porto. 
Além de sua relevância para o transporte na Região Norte, a Bacia Amazônica apresenta outros usos importantes. Os povos indígenas e as populações tradicionais, por exemplo, dependem dos rios para obter parte de seu sustento pela pesca. 
Além disso, os rios possuem importância cultural e estão ligados às crenças e ao modo de vida de diferentes povos da floresta – como é o caso das comunidades ribeirinhas, que constroem as suas moradias sobre palafitas às margens dos cursos d'água. 
Os rios da Bacia Hidrográfica do Amazonas apresentam, também, grande potencial turístico. A praia do Rio Negro (maior afluente do Rio Amazonas) pode ser facilmente confundida com uma praia oceânica. Hotéis e restaurantes recebem turistas que buscam lazer na praia fluvial ou nas ilhas desse rio.

Potencial hidrelétrico e impactos ambientais

No Brasil, em 2020, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 62,5% da energia elétrica era obtida por meio de hidrelétricas, sendo a Região Norte a com maior potencial hidrelétrico. Nesse sentido, a Bacia Amazônica é estratégica para o desenvolvimento nacional, pois graças ao Sistema Interliga do Nacional (SIN), a energia elétrica gerada nas usinas da Região Norte fica disponível para todo o Brasil. 
Nos últimos anos, os investimentos em produção de energia hidrelétrica vêm aumentando significa tivamente no Brasil. Entretanto, apesar de se tratar de uma fonte de energia renovável que apresenta vantagens em comparação às fontes não renováveis, a construção de usinas hidrelétricas gera dis cussões relacionadas aos impactos socioambientais que elas podem causar, tais como: o desmatamento das áreas alagadas para construção das barragens; diminuição da biodiversidade; alteração nos ecossistemas fluviais; assoreamento dos rios; deslocamento de comunidades inteiras de seus lugares de vivência, ocasionando prejuízos sociais, ambientais, econômicos e culturais a milhares de pessoas. 
A presença de rios volumosos com potencial para geração de energia é um dos fatores que tornam a região atrativa para a construção de usinas hidrelétricas (UHEs). 
A energia hidrelétrica, em associação com outras fontes, como a eólica, a solar e os combustíveis fósseis, é muito importante para atender à crescente demanda por energia no Brasil. Porém, assim como outras obras de infraestrutura (ferrovias, rodovias, portos, aeroportos etc.), a construção das usinas provoca impactos socioambientais. 
Por isso, esses projetos enfrentam resistência de ambientalistas, indígenas, comu nidades ribeirinhas, movimentos sociais, organizações não governa mentais (ONGs), entre outros.
Um exemplo recente é a UHE Belo Monte (PA), cuja cons trução causou polêmica desde a fase inicial do projeto até sua inauguração, em 2015. A seguir, algumas das principais con sequências socioambientais da implantação da hidrelétrica de Belo Monte.
- As águas do Rio Xingu foram desviadas de seu curso natural, deixando parte de seu trecho seco. Nessa área vivem comu nidades ribeirinhas que dependem do rio para a pesca, que lhes garante alimento e renda. 
- Cerca de 10 mil famílias foram removidas em razão das obras. Somente 4 mil foram reassentadas pela empresa responsável pela Belo Monte. 
- Treze terras indígenas foram afetadas pela construção da usina, envolvendo cerca de 4 mil indígenas. 
- A flora e a fauna das áreas inundadas foram destruídas. 
- Os índices de criminalidade aumentaram: o município de Altamira (PA) foi considerado o segundo mais violento do país, segundo o Atlas da Violência 2019, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o regis tro de 133,7 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Importância dos rios 

Na Região Norte, os rios têm grande importância no dia a dia da população e nas atividades econômicas. Eles representam a principal via de transporte para o fluxo diário de pessoas e mercadorias. Muitas comunidades só podem ser alcançadas de barco e grande parte das principais cidades da região está localizada às margens dos rios ou próxima deles. 
Os rios influenciam a construção de moradias e outras estruturas. Tanto nas cidades quanto nas comunidades ribeirinhas, há, por exemplo, moradias e escolas construídas sobre estacas altas de madeira (palafitas) para evitar que a água inunde as construções. Existem, ainda, portos flutuantes que se movimentam acompanhando os períodos de cheia e de seca dos rios. 
O sustento das comunidades ribeirinhas também está muito ligado aos rios. Os ribeirinhos sobrevivem principalmente da pesca, mas desenvolvem outras atividades, como a agricultura de vazante (mandioca, milho, feijão e arroz), praticada nas margens dos rios nos períodos de seca, e o extrativismo vegetal (látex, castanha-do-pará, piaçava e açaí). 
Em termos regionais, os rios estruturam a organização social e econômica dos povos da Região Norte. São fundamentais para o transporte, o abastecimento e a subsistência da população e influenciam na localização das cidades. Nesse sentido, um dos desafios atuais do Estado brasileiro é conciliar, de maneira sustentável, as questões locais e regionais com as demandas nacionais.

Relevo 

Na Região Norte predominam relevo e altitudes de até 200 metros. Essas terras de baixas altitudes acompanham os vales dos rios da Bacia Amazônica, formando extensas planícies. 
O relevo da região Norte é composto de planícies, planaltos e depressões, com predomínio de baixas altitudes. Parte dele está sobre uma grande bacia sedimentar, mas que hoje sofre mais desgaste do que sedimentação – por isso o predomínio de terras baixas (ou baixos platôs) e de depressões.
As várzeas, que são áreas de planície, acompanham o curso dos rios da região. Existem, porém, várias serras, principalmente ao norte, na fronteira com a Venezuela
As terras de altitudes mais elevadas localizam-se, principalmente, no norte do estado de Roraima e no norte e noroeste do estado do Amazonas, onde se encontra o ponto culminante do Brasil – o Pico da Neblina –, com 2995 metros de altitude, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela. 

Região Sul: problemas ambientais

Atitudes prejudiciais ao meio ambiente são resultado, entre outros fatores, do desconhecimento da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico. Daí a importância da criação de uma consciência ecológica por parte de toda a sociedade. Outro fator significativo é o desejo de ganhar muito dinheiro sem se importar com a natureza, en tendendo-a apenas como fonte de lucro e não como fonte de vida.

Região Sul: desmatamento

A cobertura vegetal é importante para o equilíbrio ecológico, pois pro tege a nascente dos rios, regula o clima e os mananciais que abastecem as cidades, influi na fertilidade do solo e o protege da erosão, cria beleza paisagística e é fonte de vida para as comunidades que dela dependem diretamente, como é o caso dos indígenas, dos caiçaras e dos ribeirinhos.

Mata Atlântica 

Assim como no Nordeste e no Sudeste, a Mata Atlântica da Região Sul foi intensamente desmatada com a marcha do povoamento. As áreas não desmatadas ocupam trechos de difícil acesso da Serra do Mar e da Serra Geral, além de trechos do vale do Rio Ribeira de Iguape, entre os estados do Paraná e de São Paulo – o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país. 
Entretanto, apesar da fiscalização do Ibama, o desma tamento continua ocorrendo. São desmatamentos de áreas menores, não detectados nas imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas eles ocorrem e criam uma fragmentação florestal que dificulta a sobrevivência de vegetais e animais da região. Uma das causas atuais do desmatamento da Mata Atlân tica na Região Sul é a substi tuição dessa vegetação nativa pela silvicultura de pínus, usado como matéria-prima na indús tria de papel e celulose.

A Mata de Araucárias 

A Mata de Araucárias ou dos Pinhais cobria uma vasta exten são de terras – cerca de 185000 km2 –, estendendo-se desde as terras altas do sul do estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, prolongando-se, ainda, pelo extremo nordeste da Argenti na. Não era uma floresta homogênea; abrigava muitas outras es pécies vegetais, como angico, tamboril, imbuia, cedro, gamelei ra, canela etc. 
No processo de produção de espaços geográficos da Região Sul, essa floresta foi amplamente desmatada, a exemplo do que ocorreu com a Mata Atlântica. De início, a extração da madeira do pinheiro, o pinho, atendia ao mercado interno. 
Por oferecer madeira mole, ideal para a construção de casas, para a fabricação de móveis e para a confecção de tábuas, essa floresta passou a ser explorada de modo intenso. Posteriormente, com o fluxo imi gratório alemão, italiano e polonês, muitas de suas áreas foram desmatadas para ceder lugar à prática da agricultura.
O grande desmatamento da Mata dos Pinhais ocorreu entre 1915 e 1960, pois, nesse período, tornou-se grande a procura por madeira mole no mercado internacional. Por falta de fiscalização governamental, serrarias clandestinas se espa lharam na Região Sul, promovendo intensa destruição florestal. 
Após 150 anos de intervenção humana, restaram apenas 5% dessa mata. O que sobrou foi transformado em áreas de preser vação ambiental sob os cuidados dos estados e do governo federal. 
Especialistas mostram que esse ecossistema está quase extin to. Roedores, aves e insetos que se alimentavam do pinhão, ou que aí encontravam o seu hábitat, morreram ou estão ameaçados de extinção. 

Principais problemas ambientais 

Na Região Sul, o estado do Paraná foi o que perdeu maior parte de sua vegetação nativa com a devastação da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. A ação humana também criou alguns problemas ambientais nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As bacias hidrográficas e os problemas ambientais no Rio Grande do Sul 

No Rio Grande do Sul, podemos identificar a degradação ambiental por meio da observação das bacias hidrográficas do estado. Com o conhecimento desses problemas, a sociedade e o Estado conseguem definir qual é a melhor estratégia para solucioná-los.

Arenização na Campanha Gaúcha Desde o século XVIII, os solos da Campanha Gaúcha são usados para a criação de gado. Em decorrência disso, eles vêm sofrendo: 
• compactação pelo pisoteio constante de animais; 
• rarefação das gramíneas (pastagens), decorrente do número excessivo de gado por área, que, ao deixar o solo sem cobertura vegetal, causa a erosão e o assoreamento de rios e córregos;
• queimadas, provocadas para eliminar as sobras secas de pastagens durante o inverno e facilitar a rebrota das gramíneas; esse procedimento mata os micro-organismos importantes para o solo. 
Esses fatos têm afetado seriamente o solo da Campanha Gaúcha, causando a arenização, ou seja, o afloramento de depósitos arenosos resul tantes da lavagem do solo pela água da chuva, que, além de retirar a cobertura vegetal, provoca a perda de matéria orgânica e de elementos químicos importantes na constituição do solo. 

 Degradação ambiental em Santa Catarina 

Na zona costeira, a implantação de balneários sem a devida infraes trutura de rede coletora de esgoto tem provocado a poluição de rios, córregos e vales e o despejo de dejetos no mar. Tal situação, além de ser responsável pela contaminação ambiental, compromete a ativida de turística. 
Na região carbonífera do sul do estado, que compreende os municípios de Criciúma, Tubarão e Imbituba, a exploração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias arrasa paisagens e contamina as águas de superfície e subterrâneas. Além disso, o carvão mineral trazido à superfície, em contato com o oxigênio e a umidade do ar, dá origem ao ácido sulfúrico, substância tóxica e corrosiva que pode provocar chuvas ácidas. 
Somam-se a esses problemas outros impactos causados pelas atividades agropecuárias: a erosão do solo, o assoreamento de rios e a con aminação das águas provocada pelo uso de agrotóxicos, assim como a contaminação de cursos de água pelos excrementos de aves e suínos criados em sistema intensivo no oeste catarinense.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Economia da Região Centro-Oeste

A partir de 1970, a Região Centro-Oeste passou a desempenhar um papel importante na organização do espaço geográfico brasileiro. A expansão da fronteira econômica para a Região Centro-Oeste promoveu o de senvolvimento das atividades econômicas na região, com destaque para a agropecuária. O crescimento dessa atividade transformou a região em uma das principais produtoras e exportadoras de produtos agropecuários do Brasil.
O grande destaque econômico do Centro-Oeste é o agronegócio. A região é responsável por cerca de metade da soja e do milho produzidos no Brasil, que está entre os maiores produtores do mundo. Também apresenta o maior rebanho de bovinos do país. 
A partir da década de 2000, principalmente com a expansão da soja, a participação do Centro-Oeste no PIB do país tem aumentado significativamente e, em 2019, correspondia a aproximadamente 10% do total nacional. Ao mesmo tempo, o parque industrial vem se consolidando em torno das agroindústrias, e muitas delas provêm de estados sulistas e trazem consigo inovações técnicas de produção.
A partir da década de 1960, o governo federal colocou em prática projetos para ocupar, povoar e integrar o Centro-Oeste a outras regiões. As principais ações realizadas foram a construção de Brasília, a expansão das áreas agrícolas e a construção de rodovias. Para promover a expansão das áreas agrícolas entre as décadas de 1970 e 1980, algumas medidas foram implantadas. Entre elas, destacamos:
- financiamentos para que agricultores pudessem pagar as terras adquiridas; 
- investimentos em infraestrutura de transporte para facilitar o deslocamento de pessoas e o escoamento da produção agro pecuária – por exemplo, muitas rodovias ligando as capitais da região ao restante do país foram construídas; 
- desenvolvimento e introdução de técnicas modernas de produção, como as adotadas para a correção dos solos do Cerrado, naturalmente ácidos e, até então, considerados inadequados para o agronegócio.
Pessoas de outras regiões migraram para o Centro-Oeste, principalmente agricultores do Sul, atraídos pelas grandes extensões de terras a baixos preços. De início, enfrentaram diversas dificuldades para se estabelecer, pois a região contava com infraestruturas precárias ou inexistentes. 
Os primeiros agricultores que se estabeleceram no Centro-Oeste eram chamados de pioneiros. Uma vez instalados, eram seguidos por outros membros de suas famílias. 
Atualmente, muitas empresas do agronegócio que atuam no Centro-Oeste pertencem aos migrantes sulistas. Estima-se que, entre 1975 e 1996, aproximadamente 1 milhão de famílias tenham migrado do Sul para o Centro-Oeste.

A produção agropecuária


A atividade agropecuária do Centro-Oeste desempenha um papel expressivo na economia brasileira. Ela corresponde a aproximadamente 23% da produção nacional.
Além disso, a elevada produção agropecuária na Região Centro-Oeste ocorre, em parte, devido às transformações ocorridas no campo a partir da segunda metade do século XX, quando o governo brasileiro passou a adotar medidas para promover o desenvolvimento regional. Entre essas medidas, houve o financiamento de pesquisas para aprimorar as técnicas empregadas tanto na agricultura quanto na pecuária.
Atualmente, a criação de gado bovino, os abatedouros, os e os frigoríficos relacionados à pecuária constituem a atividade econômica mais importante da região Centro-Oeste. Segundo dados do IBGE, em 2016 a região Centro-Oeste abrigava o maior rebanho de bovinos do país. 
No início do processo de ocupação da região, os criadores limitavam-se a deixar o gado solto no Cerrado para que se alimentasse de pastagem natural. Hoje, as fazendas cultivam seus pastos, confinam os animais na época da engorda e têm alta produtividade. 
Também se destacam na região os cultivos de milho, algodão, cana-de-açúcar e soja, que utilizam tecnologia de ponta em cultivos de clima tropical. Essa produção tornou o Brasil o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. 
A participação da região no total da produção agrícola do país vem aumentando graças a uma associação de vários fatores que permitiram grande ampliação da área cultivada e da produtividade, entre os quais estão:
- a correção da acidez natural dos solos desde a década de 1960, com a utilização de calcário (técnica conhecida como calagem); 
- os investimentos em pesquisa genética, desenvolvida especialmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o que permitiu que várias plantas nativas de clima temperado fossem adaptadas ao clima tropical, como soja e trigo; 
- a mecanização do preparo dos solos, do cultivo e da colheita; 
- a ampliação da irrigação.
Os solos, que apresentavam baixa quantidade de nutrientes, foram corrigidos por meio de técnicas como a calagem e a aplicação de fertilizantes, permitindo o desenvolvimento de grandes lavouras monocultoras. Além disso, o emprego de modernos maquinários agrícolas, entre eles semeadeiras e colheitadeiras, possibilitou o desenvolvimento e a expansão da agropecuária regional.
O desenvolvimento da atividade agropecuária no Centro-Oeste vem desmatando extensas áreas de Cerrado. As queimadas irregulares, praticadas para ampliar as áreas de lavouras para o plantio de soja, arroz e milho e também para pastagem, sobre tudo para a criação de gado bovino, têm alterado significativamente a extensão ori ginal dessa formação vegetal. Além disso, com a destruição da vegetação nativa do Cerrado, muitos animais estão perdendo seu hábitat natural.
Atualmente, o cultivo da cana-de-açúcar vem ganhando espaço nas lavouras da região. Na última década, o número de usinas produtoras de álcool e a área plantada de cana-de-açúcar aumentaram consideravelmente. 
Entre os principais motivos da introdução do cultivo da cana na região está o crescente aumento da produção de etanol feito de cana-de-açúcar. O etanol é usado, sobretudo, como combustível para automóveis e figura como importante alternativa na substituição de combustíveis fósseis, pois é um recurso renovável e causa menos impacto ambiental.
Já a atividade pecuária foi inicialmente desenvolvida em áreas de vegetação de Cerrado. Isso ocorreu em razão da proximidade com a Região Sudeste, grande mercado consumidor, e foi essencial para a ocupação da Região Centro-Oeste. Atualmente, essa atividade é impulsionada pelo mercado de exportação, sobretudo para países da União Europeia, China e Estados Unidos.

Agricultura e tecnologia 


A principal atividade econômica da região está baseada na agricultura. Grandes rebanhos de gado, principalmente em Mato Grosso, bem como vastas plantações de soja, são frequentes na paisagem do Centro-Oeste. 
Tanto a carne quanto a soja produzidas visam, em primeiro lugar, ao comércio externo. No caso da carne, os principais destinos são a Rússia  e os países europeus. Em relação à soja, China e Estados a Unidos são os maiores compradores.
O modelo de produção de soja para exportação adotado no Centro-Oeste é consequência de uma combinação de fatores: terrenos planos, concentração de terras em grandes propriedades e chuvas regulares em parte do ano. 
Faltava corrigir o solo, que não era muito bom para o cultivo. Com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse problema foi corrigido e o resultado foi o crescimento da produção agrícola.

O domínio das grandes propriedades rurais


O desenvolvimento agropecuário da região também contou com a inserção de máquinas agrícolas modernas (colheitadeiras e semeadeiras), com a utilização de várias técnicas de manejo e com tratamentos específicos na criação animal, garantindo, assim, um produto final com qualidade, além da elevada produção. 
A maior parte das áreas agricultáveis pertence às grandes propriedades rurais, constituídas por imensas lavouras monocultoras. Entre elas, destacam-se as lavouras de soja, milho, arroz, cana-de-açúcar e algodão. 
Na pecuária, a bovinocultura é a criação que mais se destaca, concentrando o maior rebanho do país. São cerca de 75 milhões de cabeças de gado bovino criadas em vastas áreas de Cerrado, sendo a maior parte de forma extensiva para corte.
A criação do gado bovino na região é destinada prin cipalmente para o abastecimento do mercado nacio nal, sobretudo para o mercado consumidor da Região Sudeste. Porém, uma parcela significativa da produção de carne é direcionada para o mercado externo. 
Outra criação de destaque é a de suínos, principal mente nos estados de Goiás e de Mato Grosso do Sul. O avanço das atividades agropecuárias tem provo cado grandes impactos ambientais na região, principalmente a devastação da vegetação nativa.

Escoamento da produção agropecuária 


Por algum tempo, o escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste dependeu de transporte rodoviário entre as fazendas e as ferrovias do Sudeste. A ferrovia Noroeste do Brasil, que liga Bauru (SP) a Corumbá (MS), com conexão até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi inaugurada em 1914 e apesar das diferenças de entre alguns trechos, que exigiam transferên cia de carga de um trem para outro, foi importante para a comunicação do Centro-Oeste com o Sudeste e, consequentemente, com os portos de exportação.
A partir da década de 1990, importantes hidrovias, como as dos rios Paraguai, Madeira, Araguaia e Tocantins, Tapajós-Teles Pires e outras, passaram a transportar grande parte dos produtos agrícolas de exportação, tais como soja, diminuindo o custo dos transportes e provocando em seu entorno um grande aumento da produção. 
Parte da produção agrícola da região também é levada por caminhões até os municípios goianos de Alto Araguaia, Alto Taquari e outros no entor no do Distrito Federal, de onde é transportada por trens até os principais portos do Sudeste – Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Sepetiba (RJ) e Vitória (ES). 

Centro-Oeste: economia em expansão


A Região Centro-Oeste foi também a que apresentou o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas décadas. Os dados de população e de PIB são indicativos de que o Centro-Oeste se encontra em plena expansão econômica. Esse crescimento nos últimos anos se deve sobretudo ao setor agropecuário. A Grande Região abrigava, em 2020, o maior rebanho bovino do país, com mais de 75 milhões de cabeças, o que corresponde a mais de um terço do total na cional. Além disso, respondeu, em 2020, por quase metade da soja produzida no Brasil (48,5%) – somente Mato Grosso contribuiu com cerca de 29% da produção nacional. Foi também a maior produ tora de milho em grãos. 
Cada estado do Centro-Oeste se destaca em determinados produtos agropecuários. Goiás foi, em 2020, responsável por cerca de 42% do sorgo produzido no Brasil e sobressai também na produção de soja e milho. Nesse ano, Mato Grosso foi o maior produtor nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, e Mato Grosso do Sul, além de ser grande exportador de carne, destacou-se na produção de soja, milho etc.

Fronteira agropecuária e a preservação ambiental 


Nos últimos 50 anos, grandes áreas ocupadas originalmente pelo Cerrado e pela Floresta Amazônica, no norte de Mato Grosso, foram ocupadas pela agropecuária. Apesar de ser o bioma mais bem preservado do país, o Pantanal também foi agredido por intervenções humanas, que ameaçam a sua diversidade de flora e de fauna.
A expansão da fronteira agropecuária sobre essas formações vege tais provocou alterações ambientais, com risco de perda de sua biodiversidade, e ainda é responsável pelo desmatamento daquelas áreas, que continuam a ser ocupadas, sobretudo, pelo plantio da soja e pela pecuária. 
Por isso, o grande desafio do Centro-Oeste é conciliar a expansão dessas atividades com a preservação ambiental e o respeito ao modo de vida dos povos tradicionais da floresta e do Cerrado, como quilombolas, vazanteiros, pantaneiros, entre outros, que buscam o reconhecimento e a proteção de seus territórios. 
Daí a necessidade de disciplinar o uso do solo e dos recursos naturais regionais por meio da fiscalização e da aplicação da legislação ambiental.

A indústria da Região Centro-Oeste


A Região Centro-Oeste é uma das menos industrializadas do Brasil. Assim como a Região Norte, o Centro-Oeste teve seu processo de ocupação tardio em relação às demais regiões. Apenas na década de 1950 essa região passou a receber a instalação de indústrias com base em incentivos fiscais e em investimentos do governo em vias de transporte para o escoamento da produção industrial.
A maior parcela das atividades industriais do Centro-Oeste é composta por agroindústrias. A expansão da agricultura e da pecuária na região vem promovendo a ampliação desse tipo de atividade industrial. Essas indústrias estão ligadas tanto ao beneficiamento de produtos agrícolas, transformando-os em alimentos e bebidas, quanto ao próprio trabalho nas lavouras, com a fabricação de maquinário e insumos cada vez mais modernos e que possibilitem o aumento da produtividade agrícola.
Nas últimas décadas, o Centro-Oeste vem apresentando um desenvolvimento econômico significativo, em decorrência de diversos fatores, entre eles, está a atividade industrial. 
Grande parte desta atividade está atrelada ao setor agropecuário, o que caracteriza o predomínio de agroindústrias, que são, em parte, responsáveis pela expansão das monoculturas altamente mecanizadas na região. 
Essas empresas, além de buscar a alta produtividade — capaz de abastecer o mercado interno e o externo com as culturas, sobretudo, de soja e milho — promovem sistemas de produção em parceria com produtores, a exemplo dos avicultores de diferentes municípios da região.
Muitas agroindústrias instaladas no Centro-Oeste pertencem a grandes grupos alimentícios que atuam no Brasil e no exterior. Atraídas por fatores como incentivos fiscais, oferta de terrenos a preço reduzido, disponibilidade de energia e melhoria na infraestrutura de transportes, as agroindústrias passaram a atuar cada vez mais nessa porção do território. 
Entre as agroindústrias que se destacam no Centro--Oeste estão os frigoríficos e as beneficiadoras de soja, que produzem, sobretudo, óleo e ração para animais.
Embora as agroindústrias constituam um ramo industrial de grande expressão no Centro-Oeste, outras atividades industriais também são desenvolvidas. Predominando os ramos de extração e transformação mineral, química, de madeira, de alimentos (frigorífico) e bebidas, têxtil e alimentício estão instaladas na região, sobretudo nos estados de Goiás e Mato Grosso.
Em Goiás, o perfil da industrialização vem sendo alterado nos últimos anos, com o desenvolvimento das indústrias farmacêutica, metalúrgica e de autopeças em Goiânia e com a instalação de montadoras de veículos automotores da China e da Coreia do Sul em Anápolis.

Indústria automobilística 


Nos últimos anos, atividades industriais começam a ter como destino estados do Brasil Central. Montadoras de automóveis escolheram Goiás para implantar suas fábricas.
Em 1998, uma empresa montadora de automóveis que tem origem no Japão inaugurou sua fábrica em Catalão, no interior de Goiás. O município goiano foi escolhido por conta dos subsídios fiscais que concedeu à montadora japonesa. 
A montagem dos carros envolve várias outras empresas situadas no Distrito Industrial de Catalão, distribuídas em 630 mil m² e que geram cerca de 2 mil empregos diretos. A produção no final de 2017 era de cerca de 22 mil veículos por ano, enquanto que em 2014 chegou a cerca de 45 mil. 
Já outra empresa automobilística passou a montar veículos com origem na Coreia do Sul e na China. Ela se instalou em Anápolis, que está a cerca de 55 quilômetros de Goiânia. Segundo dirigentes da em presa, a opção por instalar a fábrica no município deu-se por causa da infraestrutura de transporte dis ponível, além dos incentivos fiscais. 
Em 2017, a fábrica empregava cerca de 1 300 trabalhadores e produzia cerca de 45 mil carros por ano. Outra empresa de origem chinesa escolheu Itumbiara para instalar sua nova fábrica, que vai operar a partir de 2019, para montar cerca de 35 mil automóveis por ano, com cerca de 800 trabalhadores.
É de São Paulo e Minas Gerais que saem muitas das peças dos carros monta dos em Goiás. Esse caso serve como exemplo da influência que a região mais industrializada do país exerce, mesmo sobre áreas de expansão industrial. Outro importante elemento na estrutura de produção de carros em Goiás é o chamado porto seco, um lugar que pode receber mercadorias importadas e servir de ponto de partida de produtos exportados. 
Em um porto seco são realizadas operações de fiscalização pela Polícia Federal, que costumam ocorrer em portos e aeroportos. Isso facilita muito a movimentação de partes de produtos que são importadas, pois essas peças não precisam ficar aguardando a presença de um fiscal em um porto fluvial ou marítimo. A principal vantagem para importadores e exportadores é o tempo que ganham, o que torna seus produtos mais competitivos. 
Além disso, junto a Anápolis, desenvolveu-se um importante polo de produção de fármacos. Esse segmento envolve pesquisa científica e tecnológica e pode gerar um novo dinamismo regional, já que visa abastecer o mercado bra sileiro, que não é pequeno. 

A indústria e o turismo 


Nas últimas décadas vem aumentando a instalação de indústrias ligadas a produtos agropecuários no Centro-Oeste, tais como processadoras de alimen tos e usinas de açúcar e álcool. Mas a região também começa a se destacar pela ampliação e diversificação do setor industrial. 
Em Goiás há um parque industrial bastante diversificado, que vem crescen do nas últimas décadas. Anápolis (GO) abriga um distrito que concentra a produção dos setores químico e farmacêutico, além de indústrias automobi lísticas, alimentícias, têxteis e de bebidas. No sul de Goiás, destaca-se a cida de de Catalão, onde estão instaladas uma montadora de automóveis e outras indústrias mecânicas, químicas e alimentícias. 
Em Rondonópolis, a segunda maior economia de Mato Grosso, também foram instaladas empresas de diversos segmentos e, em Mato Grosso do Sul, chamam a atenção a produção industrial de Dourados e de Três Lagoas (es pecialmente a de celulose). 
O turismo é uma importante atividade econômica que vem crescendo na região Centro-Oeste. O Pantanal e os diversos Parques Nacionais, com suas belezas naturais, atraem grande número de turistas que buscam o contato com a natureza. Brasília (declarada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, por sua arquitetura) e algumas cidades históricas e estâncias hidrotermais, como Pirenópolis e Abadiânia, entre outras, também são atrações turísticas dessa região, que dispõem de boa infraestrutura para hospedagem, alimentação, transporte e outros serviços de atendimento aos visitantes.

Mudando tradições 


Ao longo dos rios de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso se desenvolveu a atividade do garimpo do ouro e de pedras preciosas. Nesse processo muitos indígenas foram escravizados. Além disso, algumas fortificações com o objetivo de defender as terras sob domínio português foram instaladas em locais que, mais tarde, viraram cidades. 
Depois, o Brasil central, coberto pelo Cerrado, foi ocupado pela pecuária e pela agricultura. A expansão da produção cafeeira em São Paulo permitiu que novas áreas fossem incorporadas à produção agrícola, em especial no Centro-Oeste. 
Nos últimos anos, o patrimônio histórico de áreas como a cidade de Pirenópolis, em Goiás, passou a ser valorizado, em especial, para a atividade turística, o que gerou novas oportunidades de negócios. São agências de viagens, pousadas, restaurantes, guias de turismo locais, que passam a oferecer serviços a quem busca conhecimento e diversão com o chamado turismo cultural.

A atividade extrativa  


A atividade extrativa do Centro-Oeste também desempenha importante papel na economia regional.
Na Região Centro-Oeste, a atividade extrativa iniciou-se com a garimpagem de ouro e diamante no século XVIII. Atualmente, a maior parte do extrativismo mineral no Centro-Oeste é de minérios de ferro e manganês, que atendem, principalmente, às indústrias siderúrgicas localizadas nas proximidades da cidade de Corumbá, no estado do Mato Grosso do Sul.
A produção desses minerais também segue para exportação, sendo escoada tanto pelo rio Paraguai, com destino aos países da América Latina, quanto pelo rio Paraná, até alcançar os portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná.
A extração mineral está presente desde a época da colonização, de modo que até hoje o garimpo de ouro e diamantes é bastante praticado, principalmente nos estados do Mato Grosso e em Goiás. 
No extremo oeste do Mato Grosso do Sul, próximo ao município de Corumbá, está localizado o maciço do Urucum, on de existem importantes reservas de minério de ferro e manganês. A produção desses minérios é destinada tanto para o mercado externo quanto para o interno, servindo dessa maneira como matéria-prima para várias indústrias siderúrgicas nacionais.
Além da atividade extrativa mineral, a extração vegetal de madeira e borracha também sobressai, principalmente na área de floresta Amazônica, no norte do Mato Grosso.

Centro-Oeste: ocupação e população

Os primeiros exploradores

As primeiras incursões de portugueses e luso-brasileiros no es paço do atual Centro-Oeste ocorreram nos séculos XVI, XVII e XVIII e resultaram em aldeamentos indígenas realizados por missões religiosas e pelo bandeirismo, que visava descobrir ouro e pedras preciosas ou, ainda, aprisionar indígenas para vendê-los como escravos no Nordeste açucareiro.
Até o início do século XVIII, a população do território onde atualmente se loca- lizam os estados do Centro-Oeste era composta basicamente de povos indígenas. Desde então, com a descoberta de jazidas de ouro e de pedras preciosas, a região passou a ser ocupada por mais pessoas. 
Essas riquezas foram encontradas por meio de expedições bandeirantes, ou seja, viagens de interesse particular feitas por desbravadores que partiam da antiga Vila de São Paulo em direção ao interior do território brasileiro, também conhecido na época como sertões. Desde meados do século XVII, expedições foram organizadas a fim de buscar riquezas e capturar indígenas para serem escravizados.
Nos deslocamentos pelo território, os bandeirantes faziam pousos ou paradas para o descanso e, quando encontravam ouro ou pedras preciosas, fixavam-se no lugar, dando início a um arraial. 
Por onde passavam, os bandeirantes estabeleciam pouso em lugares que se transformaram mais tarde em vilas e, posteriormente, em ci dades, como Bom Jesus de Cuiabá, a atual Cuiabá, capital do Mato Grosso, fundada em 1719. 
Com a ocupação dessa região, iniciava-se também a expansão da pecuária, atividade que ganhou des taque econômico com o declínio da mineração, no final do século XVIII.
Quando o ouro se esgotava nos cursos de água de onde era extraído, muitos desses arraiais eram abandonados. Entretanto, no início da exploração de filões auríferos, a população tornou-se sedentária, formando povoados, que se transformaram em vilas e cidades, como Cuiabá .
Já Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Cáceres, no estado de Mato Grosso, ambas nas margens do Rio Paraguai, têm as suas origens relacionadas a postos ou fortificações implantados por portugueses e luso-brasileiros.

A fronteira econômica e a intensificação do povoamento

A reduzida quantidade de grandes vias de transporte ligando os pequenos nú cleos urbanos da Região Centro-Oeste aos estados localizados a leste do território brasileiro, principalmente os estados de Rio de Janeiro e São Paulo, maiores cen tros consumidores da época, contribuiu para o reduzido povoamento da região até a década de 1940. 
Mas, a partir de meados do século XX, o governo brasileiro criou uma série de projetos de colonização, entre eles as colônias agrícolas, a fim de incentivar o aumento da produção agropecuária da região. Para promover o povoamento dessa área, o governo também investiu na construção de rodovias e ferrovias, possibili tando o transporte dessa produção agropecuária para outras regiões e a chegada ao Centro-Oeste de produtos industrializados e de pessoas. 
Com isso, a partir da década de 1950, a Região Centro-Oeste passou a ser o destino de muitos investidores que apostavam principalmente no desenvolvimento da agropecuária naquela parte do território brasileiro. A expansão dessa nova fronteira agrícola atraiu muitos migrantes de outros estados, principalmente da Região Sul, que, nas décadas seguintes, partiram para o Centro-Oeste em busca de trabalho e de melhores condições de vida.

A construção de Brasília 

A expansão da fronteira econômica em direção ao interior do território brasi leiro tornou-se mais efetiva quando teve início a construção da cidade de Brasília. 
A nova cidade, inaugurada em 1960, atraiu muitas pessoas, vindas principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil, para trabalhar na construção de ruas, casas, prédios e outros estabelecimentos da capital federal. 
A transferência da capital da cidade do Rio de Janeiro para a área central do país proporcionou maior integração entre as regiões brasileiras e atraiu grandes investimentos financeiros para a Região Centro-Oeste.

O crescimento populacional

Diferentemente das Regiões Nordeste e Sudeste, a Região Centro-Oeste manteve-se isolada e pouco povoada durante muito tempo.
Do período colonial até meados do século XX, a região não se transformou em forte área de atração populacional. Com exceção do curto período em que ocorreu a exploração de metais e pedras preciosas, nos séculos XVII e XVIII, não havia atrativos econômicos que justificassem expressivos fluxos migratórios para a região. 
Além disso, a falta de ferrovias e rodovias – com exceção da E. F. Noroeste do Brasil – dificultava a exploração dos recursos naturais, principalmente no atual estado de Mato Grosso e de Goiás. 
Como já sabemos, até meados do século XX o povoamento da Região Centro-Oeste era escasso. A economia era frágil e havia obstáculos que dificultavam o desenvolvimento, entre eles a escassez de energia elétrica, a falta de estradas e desconhecimento técnico quanto à melhor forma de uso dos solos do Cerrado para a agricultura. 
A expansão da fronteira econômica promoveu a integração de vastas áreas do Centro-Oeste com as regiões Sudeste e Sul. Tal fato colaborou para o expressivo aumento populacional nessa região do país, até então pouco povoada. 
A população do estado de Goiás, por exemplo, saltou de 1,2 milhão de habitantes, em 1950, para aproximadamente 3,8 milhões, em 1980. 
Segundo dados do IBGE, em 2021 a Região Centro-Oeste tinha aproximadamen te 17 milhões de habitantes, concentrados, em sua maioria, nas áreas urbanas, que receberam um grande contingente de trabalhadores expulsos do campo pela intensa concentração fundiária.

A Expedição Roncador-Xingu: os irmãos Villas Bôas

No início dos anos 1940, o governo do presidente Getúlio Vargas lan çou o projeto “Marcha para o Oeste” com o objetivo de promover o po voamento do Centro-Oeste. 
Entre outras iniciativas governamentais, foi organizada a Expedição Roncador-Xingu, em 1943, em Mato Grosso, que fez um amplo trabalho de reconhecimento e mapeamento de territórios até então desconhecidos, sob o comando dos irmãos Orlando (1914-2002), Cláudio (1916-1998) e Leonardo (1918-1961) Villas Bôas que, no início da década de 1940, integraram as expedições de desbravamento do interior do Brasil organizadas pelo Governo Federal. 
Por meio da abertura de estradas e da construção de campos de pouso de emergência, calcula-se que essa expedição deu origem a cerca de 40 municípios e 4 bases aéreas. 
Ao terem contato com os indígenas que habitavam aquela região, os irmãos se sensibilizaram com a ideia de proteger o território des ses povos para que pudessem preservar suas tradições.
Graças ao empenho dos irmãos Villas Bôas, foi criado em 1961, pelo governo federal, o Parque Nacional do Xingu – reserva indígena no alto do Rio Xingu, no estado de Mato Grosso, que abriga indígenas de diversas aldeias e tem como objetivo preservar os seus territórios e valores culturais.
Assim, eles elaboraram um projeto de delimitação de uma área de proteção para os povos indígenas que ocupavam a região do rio Xingu e lutaram pelo reconhecimento nacional de sua política em defesa desses povos. Em 1961, con seguiram apoio do Governo Federal para que fosse criado o Parque Indígena do Xingu (PIX), localizado ao norte do estado do Mato Grosso. Atualmente, o parque conta com aproxima damente 16 etnias indígenas, que se distribuem em diversas aldeias.

A integração do Centro-Oeste 

Na década de 1950, o governo brasileiro passou a priorizar a construção de estradas para promover a integração entre as diversas áreas do território, sobre tudo das regiões Centro-Oeste e Norte e das principais cidades na faixa leste do país, e incentivar seu processo de interiorização e ocupação. 
Desde então, o meio de transporte rodoviário passou a ser o mais utilizado no Brasil. A construção de importantes rodovias, como a Belém-Brasília e a Cuiabá-Santarém, ao ampliar o fluxo de migrantes originários de diferentes lugares do país para essas regiões menos povoadas, promoveu a expansão de atividades econômicas, especialmente a agricultura e a pecuária, e impulsionou a formação e o crescimento de cidades. 
A rodovia BR-153 é também conhecida como rodovia Belém-Brasília ou Transbrasiliana. Com aproximadamente 3677 km de extensão, ela passa pelos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais, de Goiás, de Tocantins e do Pará. 
Devido à sua grande extensão, ela é considerada uma das principais rodovias responsáveis pela integração do território nacional e uma das mais importantes vias de acesso à região central do Brasil.
Assim, deu-se prosseguimento à construção das chamadas rodovias da integração nacional: Brasília-Acre, Cuiabá-Santarém, Transpantaneira (ligando Corumbá a Cuiabá), Campo Grande-Três Lagoas, Cuiabá-Vitória e outras. As rodovias abriram novas possibilidades para o desen volvimento econômico da região.

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

Em 1914, a inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi um marco importante para a articulação da Região Centro-Oeste, particu- larmente do estado de Mato Grosso, com o estado de São Paulo (em 1914, não havia o estado de Mato Grosso do Sul, que foi criado em 1977, após o desmembramento de Mato Grosso). 
Partindo da cidade de Bauru, no interior de São Paulo, a E. F. Noroeste do Brasil – hoje denominada Ferrovia Novoeste –, após atravessar o oeste paulista e o Rio Paraná, entra em terras de Mato Grosso do Sul e alcança Campo Grande. De lá, segue até a fronteira da Bolívia, atingindo a cidade de Corumbá, às margens do Rio Paraguai.
A implantação da E. F. Noroeste do Brasil, com extensão de 1622 km, alterou profundamente as comunicações entre o Centro-Oeste e o Su deste. Antes de essa ferrovia ser implantada, a comunicação entre Campo Grande, Corumbá e outras localidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, era feita pelo Rio Paraguai. 
O trajeto era muito longo: do Rio Paraguai, seguia-se pelo Rio da Prata, entre Buenos Aires (capital da Argentina) e Montevidéu (capital do Uruguai), para então avançar, já no Oceano Atlântico, rumo ao Rio de Janeiro e a Santos (SP). 
A ferrovia permitiu a integração dos espaços geográficos do Centro-Oeste com outras áreas e estimulou as migrações, principalmente de paulistas, para Mato Grosso do Sul, onde fundaram fazendas e abriram novas fronteiras agropecuárias.

As eclusas e as hidrovias 

Com os modernos recursos de engenharia, é possível tornar um rio de planalto navegável por meio da construção de eclusas, como as que existem no Rio Paraná e em outros rios da sua bacia, como o Rio Tietê. 
Para garantir o aproveitamento hidroviário dos rios dessa bacia, foram construídas eclusas junto às barragens das usinas de Barra Bonita, Jupiá, Três Irmãos, entre outras. Atualmente, um trecho grande da Bacia do Paraná é navegável. 

Marechal Rondon e o Centro-Oeste 

No final do século XIX, o militar mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon comandou algumas das expedições promovidas pelo governo brasileiro para o reconhecimento do território e de áreas propícias ao povoamento.
Rondon, militar de origem indígena nascido em Mato Grosso, iniciou um importante trabalho de reconhecimento dos sertões mato-grossense e amazônico. O marechal mapeou vastas áreas do Centro-Oeste e Norte, defendeu os povos indígenas e levantou dados sobre as características naturais da região. Rondon também organizou a construção da primeira linha telegráfica do Centro-Oeste, entre Cuiabá e a região do Araguaia.
Seus trabalhos de campo – nos quais mapeou rios, divisores de águas e características do relevo, entre outros aspectos do meio natural – foram muito importantes para a elaboração das primeiras cartas geográficas do estado de Mato Grosso.
Sob o comando de Rondon foi construída, em 1890, uma linha tele gráfica entre Cuiabá e a região do Rio Araguaia, habitada pelos indígenas do povo Bororo. 
Posteriormente, essa linha foi estendida até Goiás. Rondon, ao mesmo tempo que supervisionava o trabalho de construção de linhas telegráficas e levantava dados sobre a natureza, fazia o trabalho de atração, pacificação e proteção dos indígenas (consulte a foto da página seguinte). É dele o lema “morrer se preciso for, matar nunca”, referindo-se ao seu trabalho com os indígenas. O trabalho de Rondon e de sua equipe estendeu-se por toda a primeira metade do século XX. 
As expedições por ele chefiadas entraram várias vezes nos territórios das atuais Regiões Centro-Oeste e Norte e contribuí ram de forma significativa para o conhecimento do território brasileiro, facilitando a expansão da fronteira agropecuária, a explora ção comercial da região e, por conseguinte, a construção de espaços geográficos.

Implantação de áreas de colonização 

Para estimular o desenvolvimento econômico de Goiás e Mato Grosso por meio do aproveitamento e da exploração dos recursos naturais, o governo federal criou, na década de 1940, duas áreas de colonização: a Colônia de Dourados, situada cerca de 220 quilômetros ao sul de Campo Grande, e a Colônia de Goiás, no município de Ceres, aproximadamente 150 quilômetros ao norte de Goiânia. 
Diante do sucesso dessa iniciativa, foram implantadas fazendas na queles estados por um número crescente de pessoas originárias, sobre tudo, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. 
A partir de 1970, no estado de Mato Grosso foram implantados outros proje tos de colonização pelos governos fede ral e estadual e por empresas particulares que assentaram milhares de famílias, pro cedentes de diversas regiões do Brasil, em vários municípios (consulte o mapa). Muitos desses projetos de colonização ocuparam terras indígenas, provocando conflitos de territorialidade. 
Nesse processo, indígenas foram desterritorializados, expulsos para ou tras áreas, marginalizados, acultura dos ou, ainda, integrados às comuni dades locais como mão de obra nas fazendas de gado, na produção agrícola ou nos garimpos.

Migrações e a expansão da fronteira agropecuária 

Desde antes dos anos 1940, existiam fazendas de gado no oeste pau lista. Durante a expansão da pecuária, muitos fazendeiros ultrapassaram o Rio Paraná e entraram em Mato Grosso (à época não existia o estado de Mato Grosso do Sul, criado em 1977 pelo desmembramento do es tado de Mato Grosso), enquanto outros partiram em direção à porção sul do estado de Goiás, onde implantaram fazendas de gado no Cerrado. 
O maior fluxo migratório interno para o Centro-Oeste ocorreu a partir da década de 1960. Tal fluxo não era formado apenas por paulistas, mas, sobretudo, por gaúchos, catarinenses e paranaenses. 
Apoiados em es tudos da Embrapa – empresa pública fundada em 1972 com o objetivo de produzir tecnologia de apoio à agropecuária brasileira – e no uso da calagem do solo, os migrantes transformaram muitos espaços do Centro-Oeste em áreas de agricultura e pecuária modernas.
As migrações e a expansão da fronteira agropecuária transforma ram substancialmente a economia regional. Essa expansão, apoiada na construção de rodovias, possibilitou a fundação de cidades e dinamizou a economia. É esse o caso do município de Sorriso, localizado na região norte de Mato Grosso, à beira da Rodovia Cuiabá-Santarém. As primeiras levas de migrantes aí chegaram ao final da década de 1970. Sorriso é, individualmente, o município brasileiro líder na produção de grãos, principalmente soja e milho. 
Do mesmo modo, a criação do núcleo urbano de Sapezal está atre lada ao contexto de abertura da fronteira agrícola mato-grossense e da migração sulista. Em 2020, o município foi o terceiro maior produtor agrícola nacional, com destaque para as colheitas de algodão herbáceo, soja, milho e feijão.

Centro-Oeste - Aspectos físicos da região

Entre as Grandes Regiões do Brasil, a Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, sendo a mais interiorizada do território brasileiro. 
O Centro-Oeste é a segunda maior região brasileira, com uma extensão de, aproximadamente, 1,6 milhão de km², representando cerca de 19% do território nacional. Além de três estados, abriga o Distrito Federal e a cidade de Brasília, sede administrativa do nosso país. Em 1º de julho de 2021, a população estimada da Região Centro-Oeste era de 16 707 336 habitantes, o que a colocava como a menos populosa entre as regiões do Brasil. 
É nela que se localiza Brasília, a capital político-administrativa de nosso país. Desde o século XVI até meados do século XX, a Região Centro-Oeste manteve-se pouco povoada e pouco articulada com as demais regiões brasileiras. 
Nela predominavam, de modo geral, os espaços geográficos voltados para si próprios. Somente a partir das décadas de 1940 e 1950 passou a ser mais povoada, em razão da construção de rodovias e da expansão da fronteira agropecuária em seu território por meio da implantação de fazendas de gado e agrícolas, sítios etc.
Na região Centro-Oeste as transformações são muito recentes, mas não menos impactantes. A região foi ocupada pela penetração causada pela busca de ouro e só recentemente, graças a inovações tecnológicas, passou por mudanças que a posicionam entre as maiores produtoras de alimentos do mundo.
Nessa região, destaca-se o clima tropical típico. Sua vegetação é bastante diversificada, com a predominância de Cerrado. O relevo é composto, em sua maioria, de planaltos, com hidrografia importante, contando com os rios Paraná e Paraguai.

Clima e vegetação 

O clima dessa região é predominantemente tropical, caracterizado, de modo geral, por duas estações: o verão, quente e chuvoso, e o inverno, seco e com temperaturas mais amenas. Nessas condições climáticas, desenvolvem-se diferentes formações vegetais. 
A região Centro-Oeste é muito rica em termos de biodiversidade. Nela se encontram áreas como a Floresta Amazônica, o Cerrado e o Pantanal, uma das áreas com mais biodiversidade do planeta. Parte dessa vegetação original está protegida, mas ainda é pouco, se comparada com o tamanho da região.
Cobrindo quase toda a parte central da região, na qual predominam terrenos de planaltos e chapadas, desenvolve-se a vegetação do Cerrado. 
Na porção oeste, dividida entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, apresenta-se a maior planície do interior do país, coberta pela vegetação do Pantanal. 
Já ao norte da região estende-se parte da formação da Floresta Amazônica. Também se desenvolvem na região a Floresta Tropical e a vegetação de Campos, porém em menor proporção em relação às demais.
Com relação à exploração de minérios, pode-se dizer que no Centro-Oeste a atividade é importante, porém menos significativa se comparada a outras regiões brasileiras, como o Norte e o Sudeste. Na região existem reservas de diversos recursos naturais.

Clima

Com exceção de uma pequena porção do território do estado de Mato Grosso do Sul, que se encontra ao sul do Trópico de Capricórnio, a Região Centro-Oeste localiza-se na zona tropical. Essa posição geográfica e as altitudes modestas do relevo, que facilitam a circulação atmosférica, ou seja, não constituem obstáculos para o deslocamento de massas de ar, con ferem o clima tropical, com verão úmido e inverno seco, à maior parte de seu território.
As áreas no norte de Mato Grosso são dominadas pelo clima equatorial úmido – o mesmo clima da Ama zônia. Nesse local, as temperaturas são elevadas no decorrer de todo o ano e o período de seca é curto, cerca de 2 a 3 meses durante o inverno.
É uma sub-região sob influência da massa Equatorial continen tal (mEc), massa de ar quente e úmida que se forma na Amazônia Ocidental. 
Durante o inverno do Hemisfério Sul, a área do Centro-Oeste de clima tropical permanece sob a influência da massa Polar atlântica (mPa). Entretanto, essa massa de ar se apresenta bas tante alterada quanto às suas características iniciais. Nessa re gião – como também em partes da Região Sudeste –, a massa Polar atlântica torna-se a responsável pelas baixas umidades relativas do ar nos meses de inverno, pois quando aí chega já é uma massa de ar seca. 
A umidade relativa é a proporção da quantidade de vapor de água presente em determinado volu me de ar, em dado momento, em relação à quantidade máxi ma de vapor de água que esse volume de ar pode conter, na temperatura desse momento. Geralmente, seu valor é expres so em porcentagem.
No Centro-Oeste, é comum que a umidade relativa do ar atin ja pontos críticos, abaixo de 30%, nos meses de inverno. Nessas condições, os problemas respiratórios da população se agravam, principalmente em idosos e crianças. 
Tal situação leva escolas a suspender aulas e a população é orientada a moderar as ativida des físicas e beber muita água para hidratar o organismo. 

Vegetação nativa
 
Originalmente, a porção norte da Região Centro-Oeste era recoberta: pela Floresta Amazônica; pela Mata Atlântica (Tropical), acompanhando vários vales fluviais da região; pelo Cerrado, cobrindo grandes trechos de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso; e pela vegetação do Pantanal, denominada Complexo do Pantanal. 
A expansão da fronteira agropecuária na região modificou a paisagem do Centro-Oeste nos últimos 50 anos. Atualmente, grandes fazendas de gado substituíram amplamente a vegetação natural.

As diversas fisionomias do Cerrado 

O Cerrado apresenta diversos tipos de árvores, arbustos e vegetação herbácea (rasteira), formando diferentes composições – chamadas de fisionomias –, que variam de acordo com as condições locais, como tipo de solo e altitude, entre outros fatores. 
Durante o inverno, período em que predomina a baixa pluviosidade, as queimadas, que são comuns na região, se alastram com mais facilidade. 
As queimadas naturais são importantes para o Cerrado, porque impedem que as gramíneas predominem e contribuem para o equilíbrio desse bioma. Porém, também ocorrem queimadas criminosas, que podem ter grandes proporções e destruir extensas áreas de vegetação, além de causar problemas respiratórios em moradores de cidades localizadas nas proximidades.

Pantanal 

Localizado na Região Hidrográfica do Paraguai, o Pantanal é a maior planície alagá vel das Américas. A vida nesse domínio morfoclimático gira em torno de duas estações diferenciadas, a seca e a úmida (cheia), que influenciam o modo de ser e de produzir do pantaneiro, habitante tradicional do Pantanal. A criação extensiva de gado, a pesca e o ecoturismo são as principais atividades econômicas. 
O Pantanal abrange uma área aproximada de 230 mil km² em três países. Cerca de 85% estão no território brasileiro (imagem de satélite), 10% na Bolívia e 5% no Paraguai. Nesses dois países, recebe o nome de Chaco.
O período de seca no Pantanal vai de maio a outubro. 
As baías e os corixos secam à medida que a água escorre lentamente para o Rio Paraguai. As baías são lagoas rasas de água doce de até dois metros de profundidade. Têm tamanhos e formas variadas e podem ser cobertas por vegetação aquática. Os corixos são canais naturais que escoam a água das lagoas para os rios e ligam as baías. No período das chuvas isso se inverte: as águas dos rios vão para as lagoas. As plantas aquáticas e os peixes atraem aves e outros animais, e essa concentração de vida proporciona alimento e oportunidades de reprodução para a fauna e a flora da região.
O período de cheia no Pantanal vai de novembro a abril. Os rios transbordam e as planícies são inundadas: as águas invadem áreas que estavam secas até então. Surgem os corixos e a inundação abastece as lagoas e baías conectando diferentes corpos de água. Isso permite o deslocamento das espécies aquáticas. A vegetação fica exuberante. 
Há áreas de serras e morrarias onde a água não alcança: as cordilheiras. Nelas se encontra uma vegetação de cerradões, que são semelhantes ao Cerrado, porém mais densos e com maior porte. 


Relevo e hidrografia 

No Centro-Oeste predominam terras com altitudes entre 200 e 500 metros. As terras mais elevadas são encontradas no estado de Goiás, como a Serra dos Pireneus e a Chapada dos Veadeiros. Entre as terras de baixas altitudes, de 100 a 200 metros, destaca-se a área do Pantanal Mato-Grossense, na porção sudoeste da região.
O relevo da região Centro-Oeste não apresenta elevadas altitudes. Predominam os planaltos, e as chapadas são as formas que se destacam na região. 
Chapadas são formas de relevo com topos aplainados e encostas escarpadas cujo topo foi modelado pela ação erosiva – principalmen te dos ventos – ao longo de milhões de anos. 
Essas formas são testemunhos de períodos passados, quando na região predominou um clima mais seco que o atual e a ação da água da chuva, que geral mente arredonda as superfícies, não era tão intensa.
Atualmente, o principal fator de erosão no Centro-Oeste é a água das chuvas. Por isso, caso o índice de chuvas continue com as mesmas características de hoje, dentro de alguns milhares ou milhões de anos esse terreno poderá apresentar formas mais arredondadas que atualmente, como resultado da erosão pluvial.
Outra forma de relevo que se destaca na região Centro-Oeste é a planície do Pantanal, área onde predomina a deposição de sedimentos trazidos pela densa rede de rios, de baixas altitudes.
O Centro-Oeste localiza-se em uma porção do território brasileiro onde predomina o relevo de planalto, com serras e chapadas, e onde estão as nascentes de vários rios. 
Nas maiores altitudes da região Centro-Oeste encontram-se as nascentes de rios que formam importantes regiões hidrográficas brasileiras, fazendo do planalto Central um importante divisor de águas do país.
Esses rios fazem parte de algumas das maiores bacias hidrográficas do Brasil, como a Bacia do Paraná, a do Paraguai e a do Araguaia-Tocantins, além de parte da Bacia Amazônica. 
Na Região Centro-Oeste encontramos nascentes de rios que formam quatro regiões hidrográficas brasileiras. Alguns afluentes e subafluentes do Rio Amazonas, como o Rio Xingu e os rios Juruena e Teles Pires – que formam o Rio Tapajós –, nascem em Mato Grosso. 
Da mesma forma, é no Centro--Oeste que nascem afluentes da margem direita do Rio Paraná e afluentes da margem esquerda do Rio Paraguai, além dos rios formadores da região hidrográfica do Tocantins-Araguaia.
A maioria das nascentes do Centro-Oeste se encontra nas partes mais elevadas da região e corre para as áreas de menor altitude, formando o chamado divisor de águas do Brasil. Os rios da Região Centro-Oeste são utilizados tanto para a navegação quanto para a produção de energia hidrelétrica.
Essa rica rede hidrográfica oferece a possibilidade de navegação, de irrigação de terras, de produção de energia elétrica e de fornecimento de alimentos. Os rios que a formam desempenharam, nos séculos anteriores, o papel importante de vias de acesso para o povoamento regional.

As unidades do relevo 

Quanto ao relevo, predominam no Centro-Oeste os planaltos e as chapadas, que compõem as unidades dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e dos Pla naltos e Chapadas dos Parecis. 
Essas formações são tradicionalmente agrupadas sob a denominação geral de Planalto Central do Brasil. Brasília está situada a 1171,8 m de altitude, em uma das chapadas de Goiás. 
As depressões abrangem menores extensões. Destacam-se a Depressão do Tocantins e a Depressão Marginal Sul-Amazônica, que se estende desde o norte de Mato Grosso até o vale do Rio Amazonas, na Região Norte. 
As planícies ocupam a área do Panta nal e são representadas pela Planície e Pantanal do Rio Guaporé, pela Planície e Pantanal do Rio Paraguai e por um trecho da Planície do Rio Araguaia.

A Chapada dos Veadeiros 

Localizado no estado de Goiás, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma área de conservação natural considerada um Patrimônio Mundial pela Unesco, desde 2001. A Chapada dos Veadeiros situa-se em uma área de planalto elevada, atingindo altitudes superiores a 1700 metros, abrangendo algumas serras e formações esculpidas pela ação da erosão sobre rochas muito resistentes, ao longo de milhões de anos. 
Alguns municípios da região, como Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul e Cavalcante, atraem muitos turistas do Brasil e de outros países, que vêm para a região em busca de maior contato com a natureza, como diversas cachoeiras, águas termais. São locais de beleza singular em meio a uma das maiores áreas de Cerrado preservadas do país. 
Um dos principais cartões postais do parque é o Vale da Lua, lentamente esculpido pela ação das águas do Rio São Miguel sobre rochas sedimentares. O nome desse atrativo faz referência à superfície lunar, em razão dos tons de cinza adquirido pelas rochas sedimentares e de seu formato irregular. 

A planície do Pantanal 

O Pantanal é considerado a maior planície inundável do mundo e se estende por dois estados brasileiros: ocupa 25% do território de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso, com cerca de 140 mil quilômetros quadrados, além de estar presente nos territórios da Bolívia e do Paraguai. 
Os rios do Pantanal percorrem áreas de pouca declividade, formando muitas curvas (meandros). Nas margens, as praias são de areia fina. A dinâmica desse ambiente, que abriga grande diversidade de fauna e flora, é determinada pelos períodos de seca e de cheia. 
Nas cheias, os rios transbordam e carregam folhas, galhos e restos de animais, que se depositam nas partes mais baixas e adubam naturalmente o solo. Além disso, nesse período acontece a migração de aves, peixes, etc., e os criadores de gado são obrigados a transferir os animais para as partes mais altas do relevo.
As espécies vegetais e animais que se desenvolvem no Pantanal recebem in fluência da floresta Amazônica, do Cerrado e da Mata Atlântica, reunindo um conjunto de características únicas no mundo, como plantas adaptadas aos longos períodos de cheias e exemplares exuberantes de espécies vegetais, como o ipê-roxo, presente nas áreas de maior altitude; e grande varie dade de peixes, aves e répteis, com destaque para os jacarés, que habitam as águas rasas dos alagados. 
Diante disso, no ano 2000, a região pantaneira foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Organiza ção das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Apesar de estar menos degradado se comparado com a Mata Atlântica e o Cerrado, o Pantanal sofre a agressão do avanço das atividades econômicas, sobretudo da agropecuária, e também do crescimento das cidades e do aumento da ativi dade turística.


A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...