terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Africa: composição étnica e as religiões


A grande diversidade étnica e cultural da África é evidenciada por diferentes idiomas, dialetos, crenças religiosas, culinária e costumes. A diversidade também pode ser observada na economia. Enquanto muitos países ainda são predominan temente agrários, outros têm uma economia dinâmica, baseada em diversos setores e atividades.
A população africana é predominantemente negra. Os brancos, em sua maioria islâmicos, ou muçulmanos, de língua árabe, constituem um terço do total e se concentram na porção setentrional do continente. Ao sul do Saara também há uma população branca de origem europeia, concentrada na África do Sul.
Os brancos do norte da África subdividem-se em árabes e berberes. Os primeiros pertencem ao grupo étnico semita, que conquistou a África setentrional no século VII, fixando-se no Egito, na Tunísia, na Líbia e na porção oriental da Argélia.
Os berberes, pertencentes ao grupo étnico camita, são os mais antigos habitantes do Magreb e constituem a maior parte da população do Marrocos e das regiões montanhosas da Argélia. Entre os berberes destacam-se os tuaregues (nômades do deserto) e os etíopes. Os dois grupos, em sua maioria, professam a religião islâmica.
A população negra, concentrada ao sul do Saara, apresenta grande diversidade de povos, religiões e idiomas (mais de 100). Além de diferentes línguas e dialetos nativos, são falados o francês, o inglês e o português, introduzidos pelos colonizadores. Alguns povos negros são seguidores da religião islâmica, mas, nos últimos anos, tem crescido o número de cristãos (sobretudo adeptos do catolicismo). Muitos seguem o animismo.
Os negros no continente africano se subdividem nos seguintes grupos:
• Bantos: os mais numerosos, que ocupam a maior parte da região equatorial (bacia do Congo), a região dos grandes lagos e parte da Namíbia, de Botsuana e da África do Sul;
• Sudaneses: estabelecidos principalmente na porção ocidental da África;
• Hotentotes: em maior número na África do Sul, na Namíbia e em Botsuana;
• Nilóticos: habitantes da região do alto curso do rio Nilo;
• Bosquímanos: habitam Estepes situadas às margens do deserto do Kalahari;
• Pigmeus: habitantes das Florestas Equatoriais; 
• Malgaxes: habitantes da ilha de Madagascar.

Artes africanas tradicionais 


Os povos africanos possuem uma produção artística rica e variada, porém pouco conhecida em países de outros continentes. Isso ocorre, entre outros fatores, em razão da difusão de uma imagem historicamente distorcida do continente africano, apresentado como desorganizado social e politicamente e ocupado por povos cultural e intelectualmente inferiores. Essa visão é equivocada, pois a África estava organizada em sociedades bastante complexas muito antes da chegada do colonizador europeu, com ciências e artes presentes no cotidiano dos povos.

Revoltas populares no norte da África

A partir de 2010, uma onda de revoltas populares atingiu o norte da África e países do Oriente Médio. A luta da população por democracia, abertura política e melhorias sociais, entre outros aspectos, derrubou regimes autoritários e foi responsável por uma mudança de olhar em relação ao mundo árabe, quase sempre visto exclusivamente sob o viés das questões étnico-religiosas ou do petróleo.
A mobilização popular nas reivindicações por melhoria das condições sociais e por democracia contou com participação ativa sobretudo de jovens nas redes sociais, utilizadas para disseminar informações e convocar pessoas para os pro testos nas ruas. 
Na Líbia, o movimento derrubou o ditador Muamar Kadafi, mas o país entrou em guerra civil, com milícias e grupos islâmicos contro lando porções territoriais do país. 
Na Tunísia, a queda do ditador Ben Ali em 2011 abriu espaço para que o partido islâmico moderado assumisse o governo do país, que, em 2016, recorreu ao FMI para a obtenção de recursos. Em contrapartida, o Fundo exigiu um programa de redução dos gastos governamentais. Em 2018, o povo foi novamente às ruas para exigir melhoria nas condições sociais.
No Egito, os protestos da população levaram o presidente Hosni Mubarak a renunciar ao governo em 2011. No ano seguinte, com as primeiras eleições de mocráticas para presidente no país, Mohamed Mursi foi eleito para a presidência. No entanto, sob um governo autoritário, as melhorias nas condições sociais não ocorreram para boa parte da população. Em razão dessa situação, os protestos foram retomados e, nesse contexto de instabilidade, as forças armadas derrubaram Mursi. Novas eleições foram realizadas em 2014, levando ao poder novamen te um governo autoritário e frustrando as expectativas de boa parte da população, que ansiava por novas perspectivas sociais e democracia.

O Brasil e os países africanos

Parcerias que intensifiquem as relações econômicas com países em desenvolvimento, principalmente emergentes, podem facilitar a superação dos diversos problemas que os países africanos enfrentam, sobretudo os da África Subsaa riana. Tendo em vista os fortes laços étnico-culturais, o Brasil é um país capaz de desempenhar papel importante nesse sentido.
O Brasil também tem presença na África, seja por meio de acordos de cooperação técnica e econômica, como os da Embrapa, seja por meio de investimentos de empresas nacionais – privadas e estatais –, que estão desenvolvendo principalmente projetos em mineração e infraestrutura. 
O Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), mantém diversos projetos de cooperação técnica com países africanos, como os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) – Angola, Cabo Verde, Guiné--Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – com os quais tem maior aproximação histórica e cultural. Um dos problemas que as empresas brasileiras enfrentam ao se instalar na África é a carência de profissionais qualificados, sobretudo no setor industrial. 
O Brasil também tem uma relação muito próxima com a União Africana, entidade criada em 2002 em substituição à Organização da Unidade Africana, fundada em 1963 para apoiar os Estados africanos recém-independentes. 
Neste início de século, o governo brasileiro aumentou de 18 para 30 o número de embaixadas e instalou dois consulados-gerais em países africanos. Experiências realizadas no Brasil na área da saúde, no combate à fome e outras formas de assistência social vêm sendo implementadas em países africa nos, como Angola e Moçambique, por exemplo. Entretanto, em razão dos efeitos da crise econômica no Brasil a partir de meados da década de 2010, foram reduzidos alguns investimentos na África e também as doações humanitárias.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A África no contexto da economia globalizada

Os governos que se estruturaram após os processos de independência foram, de modo geral, marcados pelo autoritarismo e pela corrupção. Além disso, as disputas pelo poder entre nações rivais, a carência de recursos financeiros e a economia fortemente voltada para a exportação, aliadas aos interesses econômicos e político-militares das grandes potências (incluindo Estados Unidos e ex-União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial), entre outros fatores, dificultaram reformas na organização política e socioeconômica da maioria dos países africanos.
Esse quadro, associado aos longos períodos de seca e à pressão demográfica sobre os recursos naturais, tem ocasionado situações de fome crônica e disseminação de doenças em vários países da África. Além disso, a utilização de muitas terras férteis do continente para a produção de gêneros de exportação impactou a produção de alimentos. Entre 1960 e 2010, enquanto a produção de gêneros alimentícios no mundo cresceu 150%, no continente africano caiu 10%.

Novos paradigmas 

Desde a segunda metade do século XX, muitos países africanos buscaram sua independência em relação às potências coloniais da Europa. Com o fim da Guerra Fria, a África integrou-se à Nova Ordem Mundial como uma espécie de nova fronteira para os negócios internacionais. 
Após violento processo marcado por guerras civis e conflitos entre grupos étnicos locais, em que a antiga URSS e os EUA tomaram partido em função de seus interesses, governos dos países africanos foram se estabelecendo, ora eleitos, ora instituídos por golpes de Estado, e abriram-se para a entrada de investimentos internacionais.
No contexto da economia globalizada – caracterizada por intensos fluxos financeiros, desenvolvimento de tecnologia avançada e busca de mão de obra qualificada e mercados consumidores para produtos de alta tecnologia –, a maioria dos países africanos, sobretudo os subsaarianos (que se situam ao sul do deserto do Saara), tem o desafio de melhorar e ampliar a infraestrutura energética, de telecomunicações e de transportes, além de qualificar mão de obra a fim de atrair investimentos. A participação do continente africano no PIB global é de apenas 2,7%. 
A maioria dos países subsaarianos dispõe basicamente de matérias-primas minerais e agrícolas, cujos preços apresentaram alta na primeira década do século XXI, porém sofreram redução na demanda e nos valores na segunda década deste século. A alta de preços alavancou o crescimento econômico de alguns países, como Angola, Guiné Equatorial e Nigéria, cujas taxas chegaram a se manter superiores a 5% ao ano.
Os setores produtores de matérias-primas minerais e energéticas (petróleo e gás), embora gerem expressivas receitas por meio da exportação para alguns países, não contribuem expressivamente para a geração de empregos. Daí a necessidade de diversificação econômica nos países da região, cuja exceção é a África do Sul (que faz parte do Brics).
Ações no sentido de atrair mais investimentos e diversificar a economia africana têm sido empreendidas por países como a Etiópia, na África Oriental, cujo governo montou parques industriais em alguns setores da economia (agroalimentar, farmacêutico, têxtil e de curtume), e o Quênia, que em 2015 aprovou uma nova legislação para atividades econômicas, que inclui a criação de uma Zona Econômica Especial para a estruturação de empresas da indústria de transformação. No entanto, os investimentos estrangeiros ainda se concentram em boa parte nos setores de produção de matérias-primas.
Com a ascensão do bloco econômico denominado Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), alguns países africanos foram favorecidos com acordos comerciais em um contexto de fortalecimento das relações políticas sul-sul, isto é, entre economias emergentes e em desenvolvimento. 
Ainda assim, muitos países do continente figuram entre as piores colocações no ranking mundial de desenvolvimento humano e entre algumas das economias mais enfraquecidas do mundo. De modo geral, a economia dos países africanos é baseada no setor primário, sendo a agricultura a principal atividade. A África também se destaca na produção mundial de minérios. 
A África do Sul é o país mais industrializado do continente, a maior economia africana e um dos países com o maior índice de desigualdade econômica e social do mundo.

Agropecuária 

As potências coloniais não tinham interesse em desenvolver economias locais fortes, e sim man tê-las atreladas ao antigo modelo de exploração. Assim, como herança do Período Colonial, permanece no continente africano o modelo de pequenas lavouras de subsistência, nas quais trabalha grande parte da população, bem como as monoculturas voltadas para a exportação.
principalmente nas áreas de florestas e nas savanas. Esse tipo de prática agrí cola – baseada no uso coletivo da terra – tem como finalidade o autoabastecimento, ocupando grande parcela da mão de obra feminina na África. Em geral, esse sistema de cultivo – fundamental para a segurança alimentar dos países africanos – desenvol ve-se em pequenas e médias propriedades, nas quais se utilizam técnicas mais simples, com menores rendimentos. 
A monocultura exportadora foi introduzida no continente pelos colonizadores com a finalidade de exportar os produtos tropicais para abaste cer os mercados internos da Europa. Esse tipo de prática agrícola comercial denomina--se plantation.
As plantations predominam na África Subsaariana e, atualmente, são controla das, sobretudo, por investimentos estrangeiros, com estrutura de beneficiamento de produção e sistemas ferroviários que atendem às exportações. 
Por serem essencialmente agrícolas, os países africanos têm uma economia frágil, uma vez que dependem de fatores ambien tais (períodos de seca e de cheia), bem como dos preços das commodities no mercado internacional. 
As condições desiguais de produção agrícola e de investimentos existentes entre as nações ricas ou emergentes e os países africanos causam desvantagem aos governos locais africanos, impedindo muitas vezes uma boa lucratividade oriunda da comercialização de sua produção agrícola.
Além disso, muitos países ricos costumam subsidiar seus produtores para incentivar a produção agrícola local, medida que garante preços mais atrativos de certos produtos no mercado mundial. Essa concorrência desi gual impede uma maior expansão na exportação de produtos agrícolas produzidos na África e, consequentemente, dificulta o crescimento da economia no continente. 
Por causa das desigualdades sociais, as melhores terras e a tecnologia são empregadas em grande parte na agricultura destinada à exportação, que, por sua vez, ocupa cada vez mais as áreas onde a agricultura de subsistência era praticada. Alguns países já buscam desenvolver a agricultura local por meio de projetos que misturam a aplicação de tecnologia de ponta, conhecimen tos tradicionais e estratégias de ascensão social, como é o caso do Instituto Queniano de Agricultura Orgânica, que atua na inclusão social de camadas empobrecidas da população por meio do fomento de técnicas orgânicas de cultivo de alimentos.
Quanto à atividade criatória, destaca-se no continente africano a pecuária extensiva. Na África do Sul estão alguns dos maiores rebanhos de ovinos do mundo. Alguns dos projetos internacionais de incentivo à economia africana direcionam seus investimentos para a agropecuária, uma vez que o desenvolvimento do setor é fundamental no combate à desnutrição e à fome.

Mineração

O continente africano conta com metade das reservas mundiais de ouro e com dois terços das reservas mundiais de diamante e cobalto. Além disso, no subsolo africano existem grandes reservas de fontes energéticas, como o petróleo, cuja extração está destinada, na maior parte, à exportação. 
Nigéria e Angola são os maiores produtores de petróleo no continente. Na produção de carvão mineral, destacam-se África do Sul e Moçambique. Desde o Período Colonial, as reservas minerais africanas foram motivo de cobiça e interesse. Nas últimas décadas, a maior parte dos investimentos estran geiros empregados em países africanos foi direcionada à exploração mineral.
A maioria dos polos de crescimento econômico atuais no continente con centra-se na exploração mineral. Em 2009, a China se tornou o maior parceiro comercial da África, superando os Estados Unidos, e, recentemente, intensificou o comércio com os países africanos. Além dos empréstimos concedidos, os chineses constroem estradas, usinas hidrelétricas e termelétricas, hospitais e escolas no continente. Observe no mapa ao lado as taxas de trocas comerciais entre os países africanos e a China.
O controle e a extração dos recursos minerais da África (sobre tudo petróleo e diamantes) causam muitos conflitos; e a abundância desses recursos não se reverte em qualidade de vida para a população. Países que direcionaram a economia para a exportação de petróleo (Nigéria, Gabão, Sudão, Congo, Guiné Equatorial e Chade) registram uma longa história de conflitos civis e golpes militares.
Parte das riquezas minerais do conti nente foi usada para financiar a violência contra as próprias populações africanas, como os “diamantes de sangue” (nome dado às pedras contrabandeadas para fora do país que financiavam grupos envolvidos em conflitos) de Angola, Congo e Serra Leoa. A outra parte enriqueceu grandes investidores estrangeiros, por causa dos governos instáveis e corruptos do continente apoia dos por empresários corruptores de muitos outros países.

Indústria

Atualmente, as indústrias de bens de consumo são as que mais se desen volvem no continente. Nos últimos 10 anos, os produtos manufaturados dupli caram na África, tendo como destino principal as economias emergentes, em detrimento das potências tradicionais, o que fortaleceu as relações políticas e comerciais sul-sul. 
Responsável por quase metade de toda a produção industrial africana, a África do Sul é o país mais industrializado do continente. Pertence ao grupo dos países de economia emergente, sendo o único da África Subsaariana a se destacar no setor industrial, além de ter o mais avançado e diversificado parque industrial do continente. Sobressai-se nas indústrias automobilística, petroquímica, têxtil, siderúrgica e alimentícia.
A Nigéria e o Senegal também são países da África Subsaariana em que a indústria começa a ter relevância no setor econômico. No Norte da África, por sua vez, há países com importantes áreas industriais, com destaque para os gêneros alimentícios, têxteis, petroquímicos e siderúrgicos.
A estrutura geológica bastante antiga do continente possibilitou a formação de um subsolo rico em recursos minerais. Isso proporcionaria ao continente o desenvolvimento de amplas atividades industriais, que ainda não ocorreu em consequência da falta de investimento dos Estados africanos em desenvolvimento tecnológico por causa da frágil situação econômica, da corrupção de alguns governantes e da falta de interesse das maiores potências do mundo em estabelecer parcerias; além desses motivos, a falta de maiores investi mentos na indústria também é consequência da herança colonial, que desprezava a industrialização na África.

INVESTIMENTOS, INOVAÇÃO E COOPERAÇÃO


Considerando as diretrizes das grandes empresas multinacionais, os países africanos atraíram investimentos em diversos setores. A região do Golfo da Guiné, rica em petróleo, passou a atrair empresas do setor petrolífero. As primeiras a chegar foram as empresas europeias, que ainda dominam a extração de petróleo e gás natural na região. 
A britânica Royal Dutch Shell é a maior produtora de petróleo na Nigéria. No Gabão, está a francesa Total. Há também empresas dos Estados Unidos na Guiné Equatorial (Exxon) e em Angola (Chevron). Mais recentemente, a competição pelo petróleo africano passou a incluir empresas dos chamados países emergentes, como Índia, Brasil e, principalmente, China.
Além disso, muitas empresas à procura de oportunidades de investimento veem na África um mercado promissor no setor de tecnologia e de inovação. 
Os problemas socioeconômicos e de infraestrutura em muitos países africanos atraem investidores do setor de inovação para desenvolver soluções adaptadas à realidade local, especialmente na África do Sul, na Nigéria e no Quênia. 
De acordo com o estudo da African Private Equity and Venture Capital Association, em 2021, empresas do setor privado investiram mais de 5 bilhões de dólares em startups africanas que desenvolvem inovações para o setor agrícola, energético, de telefonia celular, acesso à internet e serviços digitais.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

África: economia e conflitos


Economia africana

A maioria dos países africanos possui a economia apoiada basicamente nas ati vidades primárias: produção de gêneros agropecuários e de recursos minerais, in cluindo a extração de recursos energéticos fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
Esse modelo econômico foi introduzido a partir do século XIX, quando os colo nizadores europeus se apossaram do continente apenas para explorá-lo economica mente. Durante o período colonial, a economia baseava-se nas plantations, ou seja, grandes lavouras monocultoras de produtos tropicais voltados para exportação, e também na extração de recursos minerais e vegetais existentes em abundância no território africano. Essas matérias-primas serviam basicamente para abastecer a in dústria e o mercado consumidor europeu.
Assim, desde aquela época, a economia do continente africano voltou-se para a produção de matérias-primas destinadas ao abastecimento do mercado externo. Dessa forma, vários países da África foram inseridos na Divisão Internacional do Tra balho (DIT) como exportadores tanto de gêneros agrícolas, como café, cacau, borra cha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim, quanto de recursos minerais e energéticos.

Agropecuária

A agropecuária, que constitui uma das mais importantes fontes de renda nos países da África, ocupa atualmente parte expressiva da população economicamente ativa de muitos países do continente. Essa atividade é desenvolvida de duas formas principais: as lavouras tradicionais e as plantations.
• As lavouras tradicionais, voltadas para a produção de alimentos para o consu mo da população local, são desenvolvidas em diversas áreas do território africano. De modo geral, nessas áreas, prevalecem pequenas propriedades e técnicas rudimentares de cultivo, sendo os produtos mais cul tivados arroz, sorgo, feijão, batata, inhame e banana.
Os longos períodos de secas, a reduzida qualidade dos solos e, sobretudo, os escassos investimentos em tecnologias fazem com que a agropecuária de subsistência apresente baixa produtividade, tornando necessária a importação de alimentos para o consumo da população.
• As plantations, desenvolvidas principalmente na África Subsaariana, são extensas lavouras monocultoras cultivadas com utilização de fertilizantes, agrotóxicos e, geralmente, com grande quantidade de mão de obra. Nelas, faz-se o cultivo de produtos tropicais voltados para a exportação, como café, cacau, chá, cana-de-açúcar e amendoim. Portanto, não se destinam a servir de alimento para o consumo interno.

A atividade agropecuária no continente africano

As atividades agrárias que predominam em grande par te do continente africano são as praticadas de maneira tradicional, como a agropecuária de subsistência, a pecuária extensiva e o pastoreio nômade. 
As atividades agropecuárias comerciais, praticadas com re cursos tecnológicos mais avançados, estão restritas a certas regiões de apenas alguns países africanos, como na África do Sul, Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Serra Leoa.

Recursos minerais 

Uma das características marcantes da África é sua grande riqueza mineral. Atu almente, muitos dos seus países têm economia quase totalmente dependente da exploração de minerais e de recursos energéticos fósseis, como o carvão mineral e o petróleo. 
As principais reservas minerais (ouro, diamante, ferro, carvão mineral, bauxita) se encontram em depósitos geológicos localizados na porção centro-sul do continente, sobretudo em países como África do Sul, Zimbábue e República Democrática do Congo, e também em países localizados na costa atlântica, como Gana e Libéria. 
Entre as principais regiões produtoras de petróleo e gás natural, destacam-se as bacias sedimentares da costa oeste do continente, principalmente em Angola, Gabão, Camarões e Nigéria, e também os campos petrolíferos encontrados, por exemplo, nos desertos da Argélia, Líbia e Egito, ao norte do continente.

Atividade industrial 

De maneira geral, a atividade industrial no continente africano é pouco expressiva, tendo participação bastante restrita na exportação mundial de produtos industrializa dos. Atualmente, o continente africano responde por menos de 1% das exportações de produtos manufaturados comercializados em todo o mundo. Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial res trito no continente, podemos citar: 
• a falta de infraestrutura (vias de transporte, energia elétrica etc.), que dificulta a implantação de parques industriais mais complexos; 
• a escassez de mão de obra qualificada, que inibe a expansão das empresas; 
• a existência de um mercado consumidor de baixo poder aquisitivo, que limita o consumo da população aos bens industrializados.
Devido a esses fatores, a atividade industrial no continente africano restringe-se prin cipalmente aos setores mais tradicionais, com uso de tecnologia menos desenvolvida (alimentos, bebidas, têxteis, calçados etc.). Em geral, essas indústrias concentram-se principalmente nas maiores e mais importantes cidades do continente, entre elas Johanesburgo (África do Sul), Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria).
A África do Sul e o Egito são os dois países mais industrializados do continente africano. Assim, como os demais países subdesenvolvidos, como Brasil, México e Argentina, a industrialização desses países africanos também foi tardia, pois ocorreram somente a partir de meados do século XX.

Crescimento econômico da África

Nos últimos anos, o mundo vem presenciando o crescimento econômico de mui tos países africanos. De acordo com o Banco Mundial, em 2021, alguns países da África apresentaram um crescimento econômico maior que a média mundial, de 5,8%. Foi o caso de Ruanda e Costa do Marfim, que nesse mesmo ano cresceram 10,9% e 7% respectivamente.
Ainda de acordo com o Banco Mundial, o crescimento econômico de países africanos, sobretudo dos pertencentes à África Subsaariana, deve-se principalmente à abundância de recursos naturais e aos elevados preços mundiais de matérias-primas, como os recursos minerais.
A descoberta de novas áreas de extração de recursos como gás natural, petróleo e outros recursos minerais, em países como Moçambique, Níger e Zâmbia, vem contribuindo para o crescimento econômico do continente. Atualmente, são pou cos os países do continente que não estão envolvidos na exploração de algum tipo de minério.
Em função desse crescimento, o continente tem atraído grande número de inves tidores estrangeiros. Além da abundância de recursos naturais, o crescimento demo gráfico e a urbanização acelerada de alguns países vêm aumentando o consumo de modo geral e incentivando a entrada de empresas estrangeiras. 
Porém, para que esse crescimento econômico se reflita em desenvolvimento das condições de vida da população em geral, é necessário que os ganhos sejam rever tidos na melhoria da saúde, da educação, da infraestrutura básica, no aumento da produtividade agrícola e na geração de empregos. Dessa forma, a pobreza poderá ser reduzida significativamente.

Riquezas minerais e o interesse do capital internacional

Os países africanos, em geral, não dispõem de recursos técnicos nem financeiros ou mesmo de mão de obra mais especializada para promover a exploração dos recursos minerais e energéticos existentes em seus territórios. Em razão disso, o desenvolvimento da mineração tem sido realizado e controlado por grandes empresas estrangeiras, sobretudo europeias, estadunidenses, japonesas e chinesas, cujos lucros são enviados aos países mais ricos, onde essas empresas estão sediadas.




A urbanização no continente africano

De modo geral, os índices de urbanização na África são relativamente baixos (cerca de 40%, em média) e a maior parte da população do continente ainda vive no campo. Os países da África do norte são, em geral, os mais urbanizados (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia).
Alguns países da África subsaariana também apresentam populações majoritariamente urbanas. 
Sobretudo na África subsaariana, o acelerado crescimento populacional (maior do que o aumento da produção rural), o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos, entre outros fatores, vêm estimulando o êxodo rural, processo que tem se intensificado nas últimas décadas. Dentro desse contexto, a taxa de urbanização no continente vem crescendo em um ritmo superior ao de outros continentes – cerca de 1,3% ao ano entre 2015 e 2020.

As principais cidades e os problemas urbanos

 
Na África setentrional, o índice é superior, cerca de 50%, em média (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia); na África do Sul, é de 62%; na África subsaariana, sobretudo no Sahel, diversos países registram índices inferiores a 35%. 
As grandes cidades africanas se estruturaram com a instalação de portos de exportação dos produtos agrícolas e minerais para os países desenvolvidos (e importação de produtos desses países). São exemplos: Lagos (Nigéria), Dacar (Senegal), Luanda (Angola), Cidade do Cabo (África do Sul), Maputo (Moçambi que), Trípoli (Líbia) e Túnis (Tunísia).
Os fluxos migratórios campo-cidade na África têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que vêm crescendo rapidamente e intensificando os graves problemas sociais e urbanos já existentes. 
O acelerado crescimento populacional, maior do que o aumento da produção rural, o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos (ainda que precários), entre outros fatores, vêm sendo responsáveis pelo êxodo rural. Os fluxos migratórios campo-cidade, intensos a partir dos anos 1960, têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que crescem em ritmo desenfreado, com a formação de grande número de favelas.
O crescimento da população urbana em um ambiente de desigualdade estimula a favelização (processo de formação de favelas). Estima-se que, em 2018, cerca de 53% da população urbana da África subsaariana vivia em favelas, muitas delas em áreas de risco.
Outros problemas urbanos envolvem a oferta limitada de serviços de saneamento básico, transporte, saúde e educação de qualidade. Na tentativa de promover a interiorização do desenvolvimento e melhorar a organização territorial, alguns países, como Costa do Marfim e Nigéria, decidiram promover melhorias em uma cidade e construir outra, para abrigar suas novas capitais – Yamoussoukro e Abuja (1980), respectivamente.
Situadas no interior de seus territórios, essas cidades destoam das grandes metrópoles desses países (Abidjã e Lagos, respectivamente) por serem servidas por redes de saneamento, transporte e comunicação eficientes.
Embora cerca de 60% da população africana ainda se concentre no espaço rural, nas últimas décadas, foi grande o número de pessoas que migrou do campo para as cidades, sobretudo para os maiores centros urbanos. Essas migrações têm sido impulsionadas por razões diversas, entre as quais se destacam: 
• o aumento da concentração de terras provocado pelo avanço das grandes la vouras monocultoras, que se apropriam de terras originalmente ocupadas por comunidades agrícolas e pastoris; 
• o desgaste e o empobrecimento dos solos (erosão, desertificação etc.), decorrentes da utilização de técnicas agrícolas rudimentares inadequadas, que diminuem a fertilidade e a produtividade das terras; 
• a ocorrência de guerras e conflitos étnicos e políticos em vários países do continente.
O processo de urbanização ocorrido recentemente no continente foi motivado sobretudo por problemas que afetam diretamente o campo e sua população. Assim, ao contrário do que ocorre em outros países e regiões do planeta, a urbanização no continente africano não está diretamente ligada ao processo de industrialização, que tende a atrair um grande contingente de pessoas do campo para as cidades.
A intensificação do êxodo rural no continente africano vem provocando o crescimento acelerado das grandes cidades, como Lagos, Cairo, Kinshasa e Luanda. Com isso, essas aglomerações passaram a crescer de maneira desordenada, desprovidas de infraestrutura e de serviços essenciais (moradias, redes de transportes, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico etc.).

Urbanização e desigualdades nas cidades africanas


O fato de que a economia da maior parte dos países da África se apoia nas atividades primárias explica, de certa forma, por que aproximadamente 43% dos africanos ainda habitam o espaço rural. Por outro lado, o ritmo de urba nização tem sido intenso: no continente existem megacidades com mais de 10 milhões de habitantes, como Lagos, na Nigéria, ou o Cairo, no Egito, e várias cidades com mais de 5 milhões de habitantes, casos de Kinshasa, no Congo, Luanda, na Angola, e Cartum, no Sudão.
Uma forte marca desse processo de crescimento das cidades na África são as desigualdades espaciais. Depois da descolonização, diversos centros urbanos da África Subsaariana continuaram apresentando divisões raciais. Em deter minadas áreas de muitas cidades residiam exclusivamente brancos europeus, enquanto nas extensas áreas urbanas deterioradas se formavam verdadeiros “bolsões” de miséria, onde vivia a maioria negra da população. Esse aspecto tornou-se marcante, por exemplo, na África do Sul, onde a segregação racial foi levada ao extremo ao ser institucionalizada pelos governos de minoria branca por meio do sistema de apartheid.
No entanto, em muitos países, a segregação racial foi substituída, em grande parte, pela separação econômica e étnica. Atualmente, os bairros providos de melhor infraestrutura são habitados por uma elite composta de executivos de multinacionais, profissionais liberais, políticos e funcionários públicos de alto escalão. 
A maior parte da população (cerca de 52%), porém, continua a viver em favelas (as townships, nos países de língua inglesa, ou as bidonvilles, nos de língua francesa), que, em muitos casos, dividem-se em guetos, cada qual com o predomínio de algum grupo étnico geral mente oriundo das áreas rurais. Divergências e confron tos entre esses grupos têm colaborado para aumentar a tensão e a violência nos centros urbanos.
De maneira geral, tanto as pequenas aglomerações urbanas como as grandes cidades da África do Norte e da África Subsaariana sofrem com a carência de infraestrutura. São graves os problemas ligados ao fornecimento de água potável e de energia elétrica – com a ocorrência frequente de blecautes –, bem como ao sistema de transporte público, em geral bastante precário. Uma parcela ínfima da população urbana conta com sistema de telefonia fixa e móvel, rede de esgoto e coleta de lixo – serviços restritos, na maioria das vezes, às áreas centrais. 
Como a atividade industrial é pouco desenvolvida, a função da maior parte dos centros urbanos da África é administrativa, com a economia baseada em atividades comerciais ligadas, sobretudo, ao setor informal, uma alternativa para o grande número de desempregados.

Os contrastes socioeconômicos na África

Diversidade étnica 


A sociedade africana se apresenta etnicamente diversa em razão do grande número de povos que vivem no continente. Essa heterogeneidade se reflete na pluralidade de culturas: idiomas, religiões, rituais, musicalidades, festas etc. Uma das formas de regionalizar a África é o critério étnico-cultural, que considera a África Subsaariana. Outra forma é o critério geográfico, que, por sua vez, oferece a seguinte divisão: Norte da África, África Oriental, África Austral, África Ocidental e África Central.
Veja alguns aspectos da sociedade africana com base na regionalização étnico-cultural.

Norte da África 


O Norte da África, que coincide com parte do Magreb, é composto de cinco Estados-nações e pelo território do Saara Ocidental. A região estende-se ao longo do litoral do mar Mediterrâneo e abrange grande parte do deserto do Saara. 
O Norte da África é composto de uma população de maioria árabe. A partir do século VII, o povo árabe disseminou a língua, a cultura e a religião islâmica nessa região. O árabe é falado por mais de 150 milhões de africanos, além de ser a língua oficial de sete países do continente. 
Etnicamente, a maioria da população é formada pelos grupos camitas (sobretudo berberes) e semitas (árabes). Os berberes constituem a maior parte da população do Marrocos e das áreas montanhosas da Argélia. Nesse grupo, destacam-se os tuaregues e os etíopes.
Embora os indicadores socioeconômicos sejam mais satisfatórios que o restante do continente, alguns dos principais problemas do Norte da África são a baixa oferta de emprego para os jovens e a pressão do crescimento popula cional sobre os recursos naturais. Além de ter atrativos turísticos, os países do Norte dispõem de reservas de petróleo, embora as riquezas decorrentes dessa atividade não beneficiem toda a população, mas apenas pequenas elites locais e petroleiras transnacionais.
O Norte da África é caracterizado pela concentração populacional no litoral do Mar Mediterrâneo, sendo o Egito o país mais povoado e populoso da região. São exemplos de cidades populosas do Norte da África: Cairo, no Egito; Argel, na Argélia; Casablanca, no Marrocos; e Trípoli, na Líbia. Nessa porção do continente estão os maiores índices de urbanização da África.
Nessa área, a proximidade com a Europa favorece o comércio externo. As condições físico-naturais também facilitaram a ocupação e as atividades econômicas ao longo do tempo.
A agropecuária e a extração e exportação de petróleo são a base da economia regional. No entanto, alguns países da região, como Egito e Marrocos, apresentam maior participação das indústrias na economia, em especial no setor de bens de consumo não duráveis, como roupas, bebidas e sapatos.

África Subsaariana 


A África Subsaariana localiza-se ao sul do Deserto do Saara e ocupa a maior parte do território africano, onde vivem centenas de etnias, que se distribuem por 46 países e apresentam grandes diferenças culturais entre si. 
Concentrando cerca de 83% da população do continente, a região apresenta grandes con trastes socioeconômicos. Há países que se destacam na economia mundial, como África do Sul e Nigéria, e outros extremamente pobres, com problemas estruturais socioeconômicos associados a conflitos e instabilidade política, como Congo e Somália.
Em relação à urbanização, apesar da presença de grandes metrópoles, como Abidjan, na Costa do Marfim, Johanesburgo, na África do Sul, Nairóbi, no Quênia, e Lagos, na Nigéria, observam-se na região as menores taxas populacionais no espaço urbano, e as maiores, no espaço rural.
A população da África Subsaariana vive de intensa atividade agrícola de subsistência, cultivando milho, arroz, inhame, entre outros; da produção de matérias-primas agrícolas de exportação, como cacau, chá, amendoim e algodão, principalmente em Ruanda, Costa do Marfim e Moçambique; e da exportação de minerais preciosos extraídos de países como Gana, Congo e Tanzânia.
A economia da África Subsaariana, em geral, baseia-se na extração de recursos minerais, principalmente ouro e diamante, e na produção agrícola para exportação de itens como algodão, café, cana-de-açúcar e cacau. Em muitos países, a expansão da agricultura comercial, principal mente para produção de matérias-primas destinadas à indústria, faz com que muitas famílias de agricultores fiquem restritas a terras menos férteis, agravando os problemas sociais.

Aspectos socioeconômicos


Com relação ao desenvolvimento socioeconômico, os países africanos têm muitos contrastes entre si. O principal deles pode ser observado entre os países da África do Norte e os da África Subsaariana. A região Subsaariana abrange alguns dos países mais pobres do mundo e mais de 430 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados da ONU.
Na África Subsaariana concentram-se os maiores problemas sociais e econômicos do mundo, dos quais os mais preocupantes são a pobreza extrema, a fome e a desnutrição. Vale ressaltar que a fome e a desnutrição atingem as populações de alguns países que têm produtos agrícolas e alimentícios no topo das suas principais exportações.
Esses problemas socioeconômicos se devem a diversos fatores, como guerras, epidemias, secas, a intensa e predatória colonização e a dominação sofrida.
São vários os fatores que explicam o quadro de baixo desenvolvimento verifica do na África Subsaariana. Entre eles, elevadas dívidas externas contraídas pelos Estados africanos, que foram agravadas por políticas públicas ineficientes e pela sucessão de governos, muitas vezes, autoritários e associados à corrupção. Além disso, há o baixo nível de industrialização, a relação de dependência econômica e tecnológica com outros países (desenvolvidos e em desenvolvimento industrializados), as desigualdades sociais e a falta de investimentos em áreas públicas para melhorar a qualidade de vida da população.
A falta de investimentos destinados à ampliação da rede de saneamento básico, à construção de moradias e a melhorias no sistema de saúde e de educação agrava as precárias condições de vida de parte da população da África Subsaariana. A população da região teve aumento acima da média mundial ao longo do último século, caracterizando-se, consequentemente, como uma população muito jovem, com baixa expectativa de vida.
Na África Subsaariana também estão os mais graves proble mas de saúde do mundo. Entre as principais doenças que afetam milhares de pessoas dessa região estão a malária e a aids.
Em relação à mortalidade infantil, os dados são alarmantes em toda a África Subsaariana, com aproximadamente 38% das mortes de recém-nascidos do mundo. Segundo o fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 2020, Serra Leoa teve o pior resultado do mundo, com 80 mortes por mil nascimentos, seguida pela República Centro-Africana e pela Somália. 
Nos países em desenvolvimento, a média atual da mortalidade neonatal é de 27 mortes a cada mil nascimentos, enquanto nos países desenvolvidos a taxa média é de apenas três para cada mil. A mortalidade ligada à fome e à desnutrição é resultado das péssimas condições de infraestrutura nos países da África Subsaariana, cujo saneamento básico é bastante precário. Pouco mais da metade dos habitantes tem acesso à água potável.
Quanto à alfabetização, a situação é bastante grave. Em muitos países, a maioria da população com mais de 15 anos é analfabeta. Diante desse quadro, o continente tem os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do mundo. 
Apesar do acelerado crescimento econômico dos países da África na última década, esse processo não beneficiou as populações mais pobres. Os níveis de desigualdade são alarmantes, mesmo com o crescimento econômico de alguns países, como Sudão do Sul, Etiópia e Níger, que, de acordo com o Banco Mundial, estiveram entre as dez economias que mais cresceram no mundo em 2020, sobretudo em função dos volumosos investimentos chineses no setor da construção civil e da agroindústria.
Muitos países da África Subsaariana estão entre os mais desiguais do mundo, isto é, apresentam a maior distância entre os mais ricos e os mais pobres. A África do Sul é um dos países com o maior índice de desigualdade do mundo, apesar de ser a economia mais forte do continente. Tal condição aponta para o fato de que produção de riqueza não gera, necessariamente, melhoria de vida para toda a sociedade.
Outro fator relevante é o elevado ritmo de crescimento natural da população nos países dessa região. Entre 2020 e 2025, a taxa de crescimento anual médio nos países africanos foi de aproximadamente 2,5%, a mais alta entre todos os continentes do mundo. Esse cenário contribui, por exemplo, para as elevadas taxas de desemprego em muitos países, nos quais o mercado de trabalho não consegue absorver o grande contingente de jovens em busca de oportunidades.

Subdesenvolvimento e contrastes 


As condições de subdesenvolvimento e pobreza que caracterizam boa parte dos países africanos convivem com a diversidade cultural, étnica e econômica que marca o continente. Alguns países africanos têm alcançado expressivo crescimento econômico, apoiado fundamentalmente na exploração dos recursos naturais do continente, como os minérios e, sobretudo, o petróleo. 
Angola, por exemplo, teve sua econo mia completamente estagnada com a guerra civil que durou de 1975 a 1991. Graças aos recursos petrolíferos, no entanto, o crescimento do PIB foi superior a 20% em meados da década de 2000. Ainda assim, o crescimento econômico, como é característico dos países em desenvolvimento, acaba beneficiando uma camada restrita da população e acentuando as desigualdades sociais.
Nos últimos anos, vários países intensificaram relações diplomáticas com o continente africano. Um deles é a China, onde cerca de 30% do petróleo consumido provém da África. Esse país asiático é o segundo maior comprador mundial do produto. Os Estados Unidos tambémim portam de países africanos 15% do petróleo utilizado em todo o território estadu nidense, o que equivale ao percentual registrado em relação ao produto fornecido pelos países do Oriente Médio.
As relações comerciais entre a China e diversos países africanos vêm cres cendo significativamente, assim como os investimentos chineses no continente africano. 
Analistas internacionais criticam o fato de a China dar sustentação a regimes ditatoriais e corruptos – não comprometidos com os direitos humanos – em troca de acordos comerciais favoráveis. Em Angola, a China vem exercendo papel importante na reconstrução do país. No caso do petróleo, os chineses também estruturaram uma cadeia de produção que engloba a extração, o transporte e o processamento da mercadoria.
O mercado de telecomunicações cresceu de modo expressivo no continente africano. O caso da Nigéria é ilustrativo. Em 2000, com uma população de 160 milhões de habitantes, o país contava apenas 400 mil linhas telefônicas fixas; em 2012, o número de assinantes de telefones celulares era de 60 milhões. Nesse setor das telecomunicações, a presença da China é dominante. Até mesmo a constru ção da sede da União Africana em Adis Abeba, na Etiópia, foi financiada pela China. 
Em muitas cidades e vilas africanas, comerciantes chineses se estabelece ram vendendo mercadorias variadas, sobretudo importadas da China. Essas mer cadorias “made in China” são vendidas em diversos tipos de estabelecimento – de lojas em shopping centers a supermercados, passando pelo comércio ambulante.
A China financia obras de infraestrutura em diversos países do continente africano – rodovias, ferrovias, portos, redes de energia elétrica, planos de geração de energia alternativa –, que fazem parte de um ambicioso projeto denominado Nova Rota da Seda. Essa iniciativa envolve os continentes asiático, europeu e africano e compreende a instalação de redes de cabos de fibra óptica, oleodutos e gasodutos. Em seu conjunto, o projeto abrange o território de 68 países.

A sociedade e as condições de vida da população 


Em 2021, a população absoluta do continente africano era cerca de 1,3 bilhão de habitantes, o que correspondia a aproximadamente 15% da população mundial. De modo geral, os países africanos apresentam populações jovens e taxas de crescimento demográfico superiores a 2,2% (enquanto a média mundial é de aproximadamente 1,2%). 
A busca por melhores condições de vida e a fuga motivada por conflitos étnicos provocam migrações no interior do continente, principalmente em direção a regiões que apresentam maior estabilidade política e econômica. A intensa e rápida urbanização acelera o crescimento de algumas cidades já bastante populosas, como Lagos (Nigéria), Cairo (Egito) e Johannesburgo (África do Sul), intensifican do os graves problemas sociais e urbanos existentes e causando, eventualmente, novos conflitos e novas migrações.
Os indicadores sociais dos países africanos revelam as condições de vida ruins de parte de suas populações, principalmente na África subsaariana. Em 2019, o valor do IDH médio da região era de 0,547 – o menor entre todas as regiões do mundo, refletindo problemas como a baixa renda, a elevada mortalidade infantil e a falta de acesso à educação. 
A escassez de recursos para investimentos em saúde e saneamento básico, aliada à falta de políticas que priorizem a produção de alimentos para consumo interno, tende a manter baixa a expectativa de vida em muitos países da África subsaariana, contribuindo para a prevalência de doenças infecciosas como a aids (provocada pelo HIV) e a malária, assim como para a situação de insegurança alimentar à qual está sujeita uma parcela de sua população. 
O atraso tecnológico, a economia de baixa produtividade — baseada nas atividades primárias —, as guerras civis, a corrupção dos governos e os regimes antidemocráticos, o ritmo de crescimento populacional superior ao ritmo de cres cimento econômico, as secas periódicas — que assolam sobretudo a região do Sahel —, a intensa retirada de recursos naturais sem a aplicação de práticas sus tentáveis são fatores limitadores da melhoria das condições de vida de parcela considerável da população. 
Os países africanos apresentam ainda um dos piores níveis de desigualdade do mundo, com coeficiente de Gini médio de 0,43. Para comparação, os países em desenvolvimento têm, em média, coeficiente de Gini de 0,39 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre as pessoas).
Outro grave problema na África é o desemprego, que afeta principalmente os jovens. Muitos jovens não conseguem trabalho fixo mesmo com nível de escolaridade alto. 

A fome na África


Entre os mais graves problemas sociais que atingem a população africana, a falta de alimentos em quantidade e variedade suficientes para suprir as necessi dades nutricionais das pessoas se destaca entre os mais preocupantes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação adequada significa consumir diariamente uma quantidade mínima de calorias ne cessárias, que corresponde a 2 500 quilocalorias por dia, além de nutrientes que compõem uma alimentação balanceada para manter uma vida saudável. Milhões de pessoas no mundo vivem em condição de carência alimentar, ou seja, não ingerem a quantidade mínima de calorias recomendada pela OMS, quadro que pode levar a problemas como a fome crônica e a desnutrição.
A maior parte das pessoas que sofre com a fome e a desnutrição vive na África e na Ásia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Ali mentação (FAO), a carência alimentar afeta cerca de 282 milhões de pessoas no continente africano, principalmente nos países da África Subsaariana.
Em muitos casos, a principal causa da fome não é a falta de alimentos proporcionada pelo crescimento da população. A produção mundial de grãos, por exem plo, seria mais do que suficiente para alimentar toda a população mundial. Nesse sentido, as principais causas da carência alimentar são a falta de recursos financei ros para adquirir alimentos e a má distribuição da produção agrícola nos campos.
A agricultura comercial, destinada à produção de gêneros para exportação, ocupa a maior parte das terras férteis da África, enquanto a agricultura tradicional, responsável pela produção da maior parte dos alimentos consumidos pela população, é prejudicada pela falta de apoio dos governos, que não proporcio nam créditos nem acesso a insumos e tecnologia.
Outros agravantes da fome na África são os conflitos existentes em alguns países e as mudanças climáticas, que intensificam a erosão e a desertificação dos solos. A ONU e outras organizações internacionais realizam programas com o objetivo de proporcionar ajuda humanitária à África, inclusive por meio da distribuição de alimentos em regiões afetadas pela fome.
Embora essa ajuda seja importante para pessoas que estão em situação vulnerável, essas ações ainda são ineficientes, pois não atuam nas causas do problema da fome e prejudicam ainda mais os pequenos agricultores.

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oik...