sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Conflitos no continente africano

A África nem sempre se viu às voltas com a pobreza, epidemias e outras carências. Basta lembrar-se de que a história Pré-Colonial africana é marcada por grandes impérios, sociedades complexas e desenvolvidas, que já mantinham relações comerciais e políticas com outras regiões do mundo antes mesmo da chegada dos colonizadores europeus.
O continente africano sofreu as consequências negativas deixadas pelo período da exploração colonial; também em grande parte, suas riquezas são exploradas por empresas transnacionais e ainda a atuação dos governos corruptos e das elites locais, somada à concorrência do mercado internacional no mundo globalizado, contribuíram para explicar o quadro geral de desigualdade econômica e social que domina a maior parte do continente. Dessa forma, podemos concluir que todos esses problemas corroboraram para que a África fosse palco de tantos conflitos armados e tragédias.
Nos principais conflitos da África contemporânea, é possível observar que em diversos Estados, alguns consideravelmente novos, custaram muito a consolidar suas fronteiras ou ainda não o fizeram. 
Vários outros também não encontraram uma forma de governar que satisfizesse às necessidades básicas da população. Em muitos casos, grupos étnicos e religiosos que se entendem como nação almejam governar o país e acabam por insuflar movimentos não democráticos, ou mesmo separatistas, na busca por um território em que possam exercer soberania e relações de poder.

Conflitos e guerras 


De acordo com a ONU, a África é o continente com o maior número de conflitos duradouros em todo o mundo. Em razão da instabilidade política de muitos países africanos, que ainda lutam pela construção de um Estado sólido e de um governo representativo e democrático em um contexto tão diverso e problemático, a maioria das guerras no continente se configura como conflito interno. 
As principais causas desses conflitos são as disputas pelo controle do poder político, as rivalidades religiosas e as lutas por autonomia de grupos étnicos. Além disso, há a disputa pela grande quantidade de riquezas minerais do solo africano, que interessa tanto aos grupos armados quanto aos governos e às grandes corporações. 
Muitas guerras são financiadas pelos lucros oriundos da extração desses recursos, algumas das quais chegam a ultrapassar as fronteiras políticas dos territórios, como é o caso da República Democrática do Congo. 
Ainda que o número de conflitos tenha diminuído, as guerras prolongam-se e apresentam grande impacto no desenvolvimento humano. Assim, é possível estabelecer uma relação direta entre os conflitos e a pobreza do continente, pois as guerras destroem o sistema produtivo, aumentando a fome e a desnutrição da população. 
Na lista dos dez principais países de origem dos refugiados em 2021 estão cinco africanos: Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Sudão, Somália e República Centro-Africana. O número total de sul-sudaneses deslocados nos últimos anos já alcança 3,3 milhões, o que significa dizer que um em cada quatro sul-sudaneses se encontra deslocado de seu país de origem.
Aproximadamente 30% dos refugiados do mundo são pessoas nascidas no continente africano, notadamente em duas regiões: Ocidental, com conflitos em Serra Leoa, Nigéria, Libéria e Costa do Marfim; e Centro-Oriental, no arco norte-sul, que se estende do Sudão até os Grandes Lagos, passando pela região do chifre africano. Em diversos locais da África há campos de refugiados da ONU. O maior deles fica no Quênia e já contou com uma população de mais de 400 mil pessoas.
Apesar de a grande maioria de refugiados africanos permanecer na própria África, um grande número de pessoas tenta chegar à Europa atravessando o Mar Mediterrâneo, onde muitos perdem a vida em naufrágios. 
As guerras em países africanos, além de causar mortes, pioram as condições de vida dos habitantes, entre os quais estão incluídas imensas massas de refugiados, que sofrem as consequências dos conflitos. 
Nas últimas décadas, Nigéria, Ruanda e Sudão do Sul, entre outros países, sofreram com violentos conflitos armados.

Nigéria 


A Nigéria enfrenta conflitos internos desde sua independência, em 1960. Seu território é constituído por cerca de 250 grupos étnicos, prevalecendo três deles: os hauçá-fulá (32% da população), os iorubás (21%) e os ibos (18%).
A luta pelo poder entre esses três grupos levou o país a uma das mais sangrentas guerras civis da África: a Guerra de Biafra (1967-1970).
Os ibos, provenientes da província de Biafra, no leste do país, formavam a elite da Nigéria. Em um golpe de Estado dado em 1966, generais da etnia ibo tomaram o poder dos hauçá-fulá. Um contragolpe derrubou o regime, e os ibos passaram a ser caçados e massacrados pelo país. Eles, então, declararam a independência da província de Biafra, iniciativa não reconhecida pelo governo central. 
Todos esses fatos resultaram na guerra civil que matou mais de 1 milhão de pessoas e terminou com a rendição de Biafra, novamente anexada ao território nigeriano.
Desde o fim da guerra civil, a Nigéria convive com a rivalidade entre o sul, cristão e economicamente mais desenvolvido, e o norte, predominantemente muçulmano e detentor do controle político do país. A disputa envolve cristãos e islâmicos. 
Os conflitos étnicos e religiosos na Nigéria são agravados pela ação de grupos radicais islâmicos, como o Boko Haram, que reivindica a construção de uma república islâmica e o combate à cultura ocidental deixada pelos colonizadores ingleses no país.
O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram luta para derrubar o atual governo e fundar um Estado somente para os islâmicos, valendo-se, para tanto, de estratégias terroristas.
Desde 2009, o Boko Haram comete atos violentos, fazendo muitas vítimas entre civis, militares, políticos e religiosos. O aumento da violência provocou a fuga de milhares de pessoas do país.
Recente mente, o exército nigeriano reconquistou o poder nas áreas do país onde o grupo terrorista havia assentado suas bases e intensificado suas ações. 
No entanto, o risco ainda continua e, para alguns especialistas, a ameaça terrorista poderia ser controlada se o governo nigeriano conseguisse reduzir a pobreza crônica do país, além de conciliar, por meio de um sistema de ensino diversamente étnico, cristãos e muçulmanos.

Ruanda 


Ruanda foi devastada por conflitos étnicos entre as etnias hutu e tutsi, culminando com o grande genocídio de 1994, que vitimou em cem dias cerca de 800 mil pessoas do grupo étnico tútsi, levando mais de 2 milhões de pessoas do grupo étnico hútu a se deslocar forçadamente para o antigo Zaire, atual República Democrática do Congo – onde ainda há ecos da tensão entre grupos radicais. 
Uma das causas que levaram ao genocídio entre tútsis e hútus foi a diferenciação no tratamento dado às etnias pelos belgas, ainda ocorrida no Período Colonial. 
A rivalidade entre as etnias, que se reconheciam diferentes, mas conviviam no mesmo território, foi então fomentada por ideias racistas. Atualmente, Ruanda é uma das economias que mais cresce no continente africano. 
O país mantém-se em constante alerta e, por meio de muitos esforços, alcançou considerável estabilidade na convivência entre as etnias, apesar dos baixos índices de desenvolvimento humano e da ainda grande desigualdade de renda – inclusive entre hútus e tútsis. As rivalidades prosseguem até a atualidade, embora com menor intensidade.

Angola 


Angola vivenciou, desde a independência, em 1975, uma devastadora guerra civil, em que se opunham o partido do governo, de orientação socialista, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), anticomunista. O conflito fez milhares de vítimas e, até hoje, minas terrestres espalhadas pelo país promovem mutilações e mortes. Desde 2006, o país está em paz.

Sudão do Sul 


O Sudão passou por uma longa guerra civil em razão das disputas de poder e de controle do território e de seus recursos naturais, sobretudo o petróleo. Contrapunham-se o norte, então sede do governo e com população predominantemente muçulmana, e o sul, base do Exército de Libertação do Povo Sudanês (ELPS), com população majoritariamente cristã. Apesar de as diferenças culturais, étnicas e religiosas terem influenciado os conflitos, eles foram motivados essencialmente pelas disputas econômicas.
O conflito está relacionado à hostilidade entre líderes políticos e associado à disputa pelo controle das reservas de petróleo. Em 2005 foi assinado um cessar-fogo, mas os conflitos e as mortes continuaram. Em 2011, 98% da população optou em plebiscito pela separação do sul e pela criação de um Estado-nação: o Sudão do Sul. 
O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, independente desde 2011, vive uma guerra civil iniciada em 2013. 
Apesar das grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul “nasceu” com os mesmos problemas sociais que afetam a maioria da população da África Subsaariana. Em 2013, uma nova guerra civil envolveu duas etnias sul-sudanesas: dinka e nuer.
O estopim para o conflito foi uma crise interna no tão novo quanto instável governo sul-sudanês. O presidente, Salva Kiir, acusou o ex-vice-presidente Riack Machar de organizar um golpe de Estado. A partir de então, milícias aliaram-se aos dois grandes rivais, que também são de etnias diferentes.  A rivalidade detonou um conflito violento, que fez mais de 300 mil vítimas e levou o país a uma grave crise humanitária.
Em 2015, os envolvidos no conflito armado assinaram um acordo de paz que não durou mais de um ano. Em 2017, foi assinado um cessar-fogo, que possibilitou a criação de um ambiente minimamente seguro para que organizações internacionais de ajuda humanitária entrassem no país e chegassem até os civis que mais precisavam de atendimento.
Apesar da assinatura de um acordo de paz em setembro de 2018, a situação no país piorou muito. As disposições do tratado não foram implementadas em razão dos conflitos constantes entre os dois líderes. De acordo com a ONU, mais de 50 mil pessoas morreram em decorrência do conflito. 
De acordo com dados da ACNUR, 4,3 milhões de sul-sudaneses haviam deixado suas casas em 2021, representando o quarto maior grupo de refugiados do mundo.
Atualmente, metade da população do Sudão do Sul sofre de desnutrição, e a fome já é um problema crônico no país, que atravessa uma das piores crises humanitárias do mundo.

República Democrática do Congo 


Os conflitos começaram em 1994, quando milhares de refugiados hutus migraram para o país. Os refugiados instalaram-se na província de Kivu, no leste do território congolês, ocupada predominantemente pela etnia tutsi, inimiga dos hutu. 
Sentindo-se ameaçados pelo grande número de refugiados hutus e abandonados pelo regime ditatorial do então presidente Mobutu Sese Seko (1930-1997), os tutsi iniciaram uma guerrilha contra o governo, apoiados por Uganda e pelo governo tutsi instaurado em Ruanda. 
Em 1997, Laurent Kabila (1939-2001), que não era tutsi, mas liderava o movimento guerrilheiro contra Mobutu, assumiu o poder e passou a ignorar seus aliados tutsis, cortando as relações com Uganda e Ruanda.
Insatisfeitos, os tutsi de Kivu iniciaram uma nova guerra civil em 1998. Acuado, o governo congolês pediu ajuda militar a Angola, Zimbábue e Namíbia, gerando conflitos que causaram cerca de 3 milhões de mortes.
Joseph Kabila (1971-), filho de Laurent Kabila, assumiu o poder em 2001 com propostas de paz e de reorganização do país. Seu mandato terminou em 2019, sem a pacificação prometida. A crise econômica agravou os conflitos étnicos e o confronto entre grupos armados e o Exército congolês, que disputam territórios ricos em recursos naturais. 
De acordo com dados de 2022 da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o aumento da violência forçou mais de 5,6 milhões de congoleses a se deslocar dentro do país e outro milhão a buscar refúgio em outros países da África.

Chifre da África 


O Chifre da África é uma sub-região da África Subsaariana, constituída por Quênia, Somália, Etiópia, Eritreia e Djibuti, apresentando graves problemas como pobreza, fome, guerras, disputas internas, secas e pirataria.
Os dois maiores países da região, Etiópia e Somália, estiveram envolvidos em uma disputa pelo deserto de Ogaden, território etíope ocupado por somalis. Em 1988, um acordo incorpo rou esse território à Etiópia. Os somalis que viviam na região tiveram de voltar para a Somália ou seguir como refugiados para o Quênia. 
Desde a década de 1990, a Somália enfrenta uma guerra civil entre vários clãs rivais, apesar de esses clãs pertencerem ao mesmo grupo étnico. Apesar da ajuda de soldados estrangeiros entre 1992 e 1995, a guerra continuou, pois não há um governo central forte capaz de conter os conflitos internos, os diferentes grupos rebeldes e as milícias que controlam consideráveis trechos do território somali, como a milícia radical islâmica Al-Shabab e grupos de piratas que atuam no litoral.
Além dos atentados terroristas frequentes, os grupos radicais impedem a entrada de ajuda humanitária por organizações internacionais. O país também é atingido por graves episódios de secas, como os ocorridos em 2011, 2017, 2021 e 2022. Depois de dez anos de crescimento econômico, a Etiópia entrou em uma guerra civil no final de 2020, opondo o Exército etíope aos rebeldes da Frente Popular de Libertação do Tigré (região situada no norte do país). A guerra fez com que outras etnias entrassem em conflito em diversas regiões.

Primavera Árabe 


As revoltas populares ocorridas em países do Norte da África a partir de 2010 evidenciaram o descontentamento da população em relação aos líderes ditadores que enriquece ram no poder ao longo de décadas, enquanto a população era mantida em condições de pobreza extrema. Cansada dos desmandos de governos autoritários, a população protestou por mudanças.
O primeiro resultado do movimento se deu na Tunísia: a queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali (1936-2019), que comandara o país por 23 anos (1987-2011). No Egito, após 30 anos no poder (1981-2011), o ditador Hosni Mubarak (1928-2020) renunciou à presidência do país. Por sua vez, Muammar Kadafi (1942-2011) perdeu, em 2011, o governo da Líbia, que estava sob sua ditadura desde 1969. Em seguida, os conflitos atingiram o Marrocos e a Argélia. 
Esse movimento ficou conhecido como Primavera Árabe, alastrando-se para países do Oriente Médio. Apenas na Tunísia se pode dizer que houve mudanças positivas, pois em alguns deles se instalaram outros regimes ditatoriais.


África: recursos naturais e meio ambiente

A maior parte do território africano é constituída de terrenos geologicamente muito antigos, datados do Período Pré-Cambriano, os quais foram bastante des gastados pela ação erosiva. Esse fato confere importante característica ao continente: a presença de grande quantidade de afloramentos de rochas e minerais. Também são relevantes as bacias petrolíferas e de gás natural localizadas em planícies sedimentares de eras geológicas mais recentes.
A abundância de jazidas minerais foi um dos aspectos naturais da África que mais atraíram os colonizadores europeus, os quais ne cessitavam cada vez mais de matérias-primas para abastecer a crescente industrialização de seus respectivos países.
Ainda hoje, mesmo após a descolonização, as maiores companhias mineradoras na África são de origem europeia, além das empresas estadunidenses, japonesas e chinesas, fato semelhante ao que ocorre no Brasil e nos de mais países da América Latina. As multinacionais exploram o subsolo africano, destinando aos países de origem a maior parte da produção e dos lucros obtidos com a comercialização dos recursos naturais.
Atualmente, três países africa nos (Angola, Botsuana e Namíbia) exploram jazidas de diamante no próprio território, produzindo cerca de 54% do total mundial desse mineral. Também são líderes mundiais: o Congo e a Zâmbia, na pro dução de cobalto; a África do Sul, na produção do cromo; a Namíbia e a África do Sul, na produção de manganês. Além disso, são explorados outros minérios de grande valor comercial, como o estanho, o ferro e o fosfato, gerando grande parte do PIB de vários países africanos.

Riquezas exploradas


O continente africano é rico em recursos naturais. Desde meados do século XX, essa riqueza foi disputada e explorada pelas potências neocoloniais. Hoje, a África continua a ser explorada, mas pelas grandes empresas transnacionais.
Grande parte do território africano é constituída por terrenos de estruturas geológicas antigas. Essas formações proporcionam ao continente grande quantidade de minérios, principalmente metálicos. A África tem as maiores reservas de metais preciosos do mundo, sendo responsável por 50% da produção de diamantes e por metade das reservas de ouro do planeta.
Contudo, o lucro obtido com a extração de petróleo, gás natural, carvão mineral, ferro, níquel, ouro, dia mante e outros minerais não é suficiente para alavancar as economias locais e o desenvolvimento dos países africanos.
As atividades das empresas transnacionais que exploram os recursos do continente africano, além de causarem danosos impactos ao meio ambiente, não promovem melhorias para as popu lações locais. Combustíveis fósseis, matérias-primas, minérios e até mesmo a água têm sido alvo de disputa de interesses econômicos e políticos.

Recursos minerais e energéticos


A África apresenta grande diversidade de recursos naturais com alto potencial econômico. Essa característica tem despertado o interesse de vários países, que deixaram de vê-la apenas como uma região pobre e carente de infraestruturas e passaram a enxergá-la como um continente de oportunidades.
Os recursos minerais são os principais produtos de exportação de vários países africanos. Em 2020, a Zâmbia foi o país que mais exportou cobre no mundo, e Botsuana foi o oitavo maior exportador de diamantes. A África do Sul está entre os maiores produtores mundiais de ouro. 
O continente africano possui cerca de 7,5% das reservas mundiais de petróleo e gás natural e 6% das reservas de carvão mineral, os recursos energéticos mais consumidos do mundo. As maiores reservas de petróleo do continente estão no Norte da África – especialmente na Argélia e na Líbia – e no Golfo da Guiné, onde estão localizados Nigéria, Congo, Gabão, Camarões e Guiné Equatorial. 
Os maiores produtores são Nigéria, Angola, Argélia e Líbia, que, juntos, detêm cerca de 80% da produção do continente. Os principais destinos do petróleo africano são Europa, Estados Unidos e China. Quanto ao gás natural, as reservas se concentram na Argélia, no Egito e na Líbia, mas o maior produtor é a Nigéria. Em relação ao carvão mineral, a África do Sul possui as maiores reservas e está entre os principais produtores mundiais.
Apesar da grande disponibilidade de recursos energéticos, a principal fonte de energia utilizada na África ainda é a lenha, proveniente das grandes áreas de Florestas Equatoriais e Tropicais e das Savanas. A energia hidrelétrica é explorada principalmente nas bacias hidrográficas dos rios Zambeze, Congo, Nilo e Níger, mas as usinas não apresentam grande produção, um dos fatores que dificulta o desenvolvimento da indústria no continente. 
Embora o extrativismo mineral seja uma atividade central em muitos países africanos, ela não beneficia a maioria da população. A exploração em jazidas profundas é realizada principalmente por empresas estrangeiras, geralmente europeias, estadunidenses, chinesas e japonesas, que dominam o mercado e a produção. 
Nas jazidas superficiais, em geral, a exploração é realizada por garimpeiros que utilizam técnicas simples de extração, trabalhando por baixos salários e em condições precárias.

A exploração de carvão mineral 


Moçambique dispõe de jazidas de carvão mineral que estão entre as maiores do mundo. Atualmente, a extração desse minério consolidou-se como a maior fonte de exportação para o país. No entanto, os acordos firmados com as transnacionais vêm se mostrando mais vantajosos para as empresas do que para os cidadãos locais e para o meio ambiente. 
Pesquisas constataram contaminação das águas superficiais da região da bacia carbonífera de Moatize, impactando diretamente a comunidade que faz uso dela. Além disso, na área onde há carregamentos e descarrega mentos de carvão mineral há muita poeira. No ar, a presença de poluentes como dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono causa poluição atmosférica e pode ser prejudicial à saúde da população. 

A extração de petróleo 


A Nigéria é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e membro da Opep. Segundo relatórios dessa organização, no início de 2018 a Nigéria havia ultrapassado Angola como o maior produtor africano de petróleo, com mais de 1,8 milhão de barris por dia. Por trás desses números escondem-se danos imensuráveis ao meio ambiente e à saúde pública. Uma das áreas mais afeta das pela exploração do petróleo é o Delta do Níger, ao sul do país. A região é um dos polos petroleiros nigerianos mais produtivos e ao mesmo tempo mais poluentes. De acordo com estimativas, mais de 6,5 mil vazamentos já foram registrados na região.
Em 2008, dois derramamentos de petróleo em Ogoniland levaram as comunidades locais a se aliar a organizações não governamentais. O cenário de Ogoniland contava com manchas de óleo de centímetros de espessura que cobriam o mar, os rios e os lagos, nos quais não era mais possível encontrar peixes e crustáceos, bem como terras onde já não se podia plantar e colher, pondo em risco a reprodução da vida nas comunidades locais. 
Além das manchas de óleo, que impossibilitaram a pesca e a agricultura, os derrames de petróleo atingiram os lençóis freáticos da região, colocando o abastecimento de água potável em risco. Já a queima do gás – proibida por lei desde 1984, mas nunca interrompida – vem causando doenças respiratórias em toda a população.

A corrida do ouro 


O continente africano tem mais da metade das reservas de ouro do mundo. Tanzânia, Mali, Gana e África do Sul estão entre os maiores produtores. Apesar disso, os três primeiros apresentam baixo índice de desenvolvimento humano, enquanto a África do Sul ostenta apenas um modesto médio desenvolvimento.
O uso de mercúrio em jazidas de ouro, com a finalidade de separar o metal precioso do minério bruto, causa um problema ambiental de alcance global. Quando descartado, o mercúrio contamina as águas dos rios nos quais ocorre a lavagem dos minérios. Esse metal, pesado e muito tóxico, é acumulado no organismo dos animais e da vegetação desses rios. Se peixes con taminados por mercúrio forem consumidos na alimentação humana, há sérios riscos de desenvolvimento de doenças fatais. 
Medidas de restrição do uso de mercúrio já foram tomadas em países desen volvidos, o que levou esse problema ambiental a se concentrar em pequenos garimpos nos países mais pobres, de fiscalização ineficaz, como os africanos.
Pesquisas indicaram que as águas do Lago Vitória apresentam concentrações de mercúrio elevadas, principalmente nas regiões próximas a grandes minas de ouro. O risco de intoxicação humana pode ser direto, pela população ribeirinha que utiliza a água para consumo e higiene, ou indireto, por meio do consumo de peixe e gado expostos à água do lago.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Questões ambientais na África


De modo geral, as questões ambientais na África são semelhantes às detecta das em outras partes do mundo e decorrentes tanto de fatores naturais como da atividade humana. No entanto, o contexto de extrema pobreza da população de alguns países agrava ainda mais essas questões no continente africano.

Problemas climáticos


Os problemas climáticos que atingem a África costumam se manifestar de duas maneiras distintas: na forma de secas severas, com consequente desertificação em áreas de degradação do solo, e na forma de chuvas torrenciais, com consequentes inundações. O processo de desertificação avança, especialmente, na porção sul do Deserto do Saara, na região semiárida conhecida como Sahel, que tem sofrido com o avanço gradual do deserto. A porção do continente que mais tem sentido o impacto decorrente de chuvas torrenciais nas últimas décadas é a África Oriental.

Questões energéticas


Em pleno século XXI, é preocupante constatar que, na África Subsaariana, cerca de 65% do total de energia gerada provém da biomassa. Enquanto a energia gerada pelas hidrelétricas e termelétricas se restringe, principalmente, ao abastecimento das cidades, em muitas áreas rurais do continente, a população depende, em larga medida, do uso de madeira e carvão vegetal para atender às suas demandas energéticas. Embora a madeira seja um recurso natural renovável, nesse caso, ela não provém de reflorestamento, mas da exploração excessiva de áreas florestais, agravando os problemas de desmatamento e degradação dos solos.

Desmatamento


A destruição das florestas e outros tipos de vegetação nativa vem afetando, principalmente, a ilha de Madagascar e os países das regiões da África Central e Oriental. Grande parte do problema advém das queimadas, das demandas energéticas por lenha e madeira e da superexploração florestal visando à exportação madeireira e à implantação de atividades agropecuárias.

Perda de biodiversidade


A desertificação e o desmatamento têm diminuído o hábitat natural de muitas espécies, contribuindo para reduzir a rica biodiversidade africana. Outro fator que agrava esse problema é a caça e o tráfico de espécies silvestres e exóticas. Tais atividades ilegais se destinam a abastecer o comércio ilícito de animais e itens, como chifres de rinoceronte e presas de marfim de elefantes, cobiçados em mercados de outros continentes.

A questão da água


O acesso, o uso e o consumo de água estão entre os maiores problemas ambientais da África. Apesar de grandes rios, aquíferos e, principalmente, lagos, a água está distribuída de maneira extremamente desigual pelas diferentes regiões africanas. Diversos países dependem do abastecimento de água proveniente de outras nações, em especial os que abrigam áreas de deserto, como Botsuana, Mauritânia, Níger e Sudão. As mudanças climáticas e a ocorrência de secas prolongadas têm tornado esse problema ainda mais grave.
A tendência é que a escassez desse recurso crie conflitos entre países por onde correm volumosos rios. É o caso do Rio Nilo e de rios em países do centro e do norte do continente africano.
Há anos a Etiópia vem se empenhando na construção da Grande Barragem Renascença, que produzirá eletricidade por meio de uma usina hidrelétrica. No entanto, o projeto é alvo de muita polêmica entre os países vizinhos, pois, com sua implementação, as águas do Nilo Azul, um impor tante afluente do Rio Nilo, serão represadas, e principalmente o Egito e o Sudão veem ris cos de comprometimento do fluxo da água. 
No extremo sul do continente, na África do Sul, a Cidade do Cabo enfrenta a maior crise hídrica de sua história recente. Além do crescimento exponencial da população e da maior seca dos últimos anos, o desperdício de água e a má gestão dos recursos hídricos estão na origem do estresse hídrico da cidade.

Solos da África


A degradação dos solos constitui um dos mais graves problemas ecológicos que o continente africano enfrenta. A erosão eólica e a progressiva desertificação, unidas ao sistema comunal de propriedade da terra, à superexploração agrícola de algumas regiões e aos métodos de cultivo rudimentares, formam um conjunto de fatores que contribui para o processo de deterioração dos solos, pobres em nutrientes, e para seu escasso rendimento agrícola.

Continente árido


Na África existem grandes extensões de terras desérticas (aridissolos e entissolos), escassas em matéria orgânica e pouco aptas para a agricultura. Na África Oriental há alguns redutos de terras muito férteis: os molissolos, também conhecidos como chernozems ou terra negra. No sul e no oeste destacam-se a produtividade dos alfissolos e dos podossolos.
250 milhões de africanos vivem em solos desérticos ou dependem deles para a subsistência. Esse valor equivale a aproximadamente 30% da população continental.
Os ultissolos e os oxissolos, que dominam boa parte do continente, são pouco aptos para a agricultura permanente, a menos que sejam enriquecidos com fertilizantes e nutrientes.

Um deserto que se expande 


Do total das terras do continente africano, 46% estão submetidos a processos de desertificação. A degradação dos solos, um problema crescente na África, tem deixado uma marca irreparável em aproximadamente 20% do território.
US$ 4 bilhões se perdem por ano em nutrientes do solo na África por causa de práticas agrícolas inadequadas e da desertificação.

EXPLOSÃO AGRÍCOLA


Nos últimos 30 anos, o importante crescimento da atividade agropecuária na África contribuiu para a degradação dos solos dedicados ao cultivo e à pecuária no continente.
A chamada Revolução Verde, que possibilitou o espetacular incremento dos rendimentos agrícolas na última metade do século XX, não chegou ao continente africano.

Solos e desertificação 


Desertificação é o processo de degradação dos solos, no qual há destruição ou redução de sua produtividade biológica, ou seja, o solo torna-se infértil. É mais comum em áreas onde predominam climas áridos e semiáridos, sendo resultado de diversos fatores:
  • desmatamento para diferentes fins, como construções e pastagens; 
  • mudanças nos hábitos alimentares das pessoas (o maior consumo de produtos de origem animal faz com que aumentem as áreas de pastagem e a pressão sobre o solo por causa do pisoteio do gado); 
  • aplicação de técnicas inadequadas e manejo do solo, como queimadas e arados; 
  • uso da água sem planejamento e com técnicas inadequadas de irrigação; 
  • mudanças climáticas, com aumento da temperatura média global e episódios de seca; 
  • erosão do solo causada pela ação da água e dos ventos.
A desertificação é um processo crescente, que afeta aproximadamente 40% das terras emersas do planeta e suas populações. Com a consequente redução das áreas de agricultura, a produção de alimentos para comunidades locais é prejudicada. 
Além disso, os ecossistemas são alterados, resultando em escassez de água e perda da biodiversidade, com extinção de espécies animais e vegetais. No continente africano, a desertificação ocorre especialmente na região do Sahel, onde há vegetação de Estepe e os solos são mais frágeis.
Em muitos países, projetos vêm sendo desenvolvidos para combater a desertificação. No continente africano, um desses projetos é conhecido como “Grande Muralha Verde”. Iniciado em 2007, ele envolve vários países. 
A ideia principal é plantar árvores na faixa do Sahel, do Senegal até o Djibuti, formando uma “muralha verde” que impede a passagem do vento e da areia do deserto para o restante do continente, além de melhorar a qualidade do solo, com a matéria orgânica produzida pela vegetação. 
Quase vinte anos após o início do projeto, o balanço é positivo. Além do plantio de árvores, outras iniciativas envolvendo as populações locais surgiram em torno da formação da muralha, como projetos agropastoris e de gestão dos recursos naturais, que, ao criarem melhores condições de vida, contribuem para a fixação das populações e para a redução da violência, entre outros exemplos.

Florestas remanescentes na África 


República Democrática do Congo (RDC), Camarões e Gabão, juntos, concentram mais de 90% da cobertura original de Florestas Tropicais da África. A RDC é o segundo país com maior cobertura de Florestas Tropicais do mundo. O Brasil ocupa o primeiro lugar. 
Apesar dos esforços dos países para combater a exploração ilegal de madeira, essa atividade continua sendo uma das principais ameaças às Florestas Tropicais e Equatoriais africanas. Mais de 80% de toda a exploração é feita de forma ilegal, inclusive em áreas protegidas. 
Além da extração madeireira, também ameaçam a fauna e a flora locais o cultivo de palmeiras para a extração do óleo de palma e de outros produtos agrícolas, a mineração de ouro e a exploração de petróleo. 
Parte da extração de madeira na República Democrática do Congo ocorre por meio de concessões feitas a empresas estrangeiras, com o objetivo de regularizar a atividade e minimizar os impactos socioambientais. 
A realidade, porém, aponta o aumento da devastação das áreas florestais e, consequentemente, a precarização das condições de vida de milhões de pessoas reunidas em mais de 150 comunidades tradicionais, que tiram seu sustento dessas áreas. 
Nas áreas de concessões, é comum que os recursos dos quais as comunidades dependem se tornem escassos e que haja supressão de postos de trabalho. Além disso, aqueles que resistem às operações realizadas pelas madeireiras enfrentam conflitos e violações de direitos humanos. 
Em 2021, alguns contratos de concessão começaram a ser revistos pelo governo, sob suspeita de corrupção e favorecimento a empresas estrangeiras. Porém, há previsão de abertura de novas concessões, o que tem gerado grande reação por parte da comunidade internacional.

Erosão dos solos e desertificação no Sahel


A região do Sahel, que ladeia o sul do Saara, com preende uma zona de transição ecológica onde se intercalam domínios de savanas e estepes. Nessa região, que abrange parte de países como Mali, Níger, Chade e Senegal, a maior parte das atividades agro pecuárias é desenvolvida para a subsistência das populações locais, sobretudo as culturas de amendoim, arroz, algodão e a criação de caprinos e bovinos.
A implantação de extensas lavouras monocultoras, em especial de algodão e amendoim, nas áreas de sa vanas do Sahel, tem causado profundas transformações sociais e naturais. As empresas agrícolas responsáveis pela implantação dessas lavouras ocupam as melhores terras, forçando centenas de comunidades nativas de agricultores e de pastores a migrar para áreas semidesérticas, de vegetação de estepe com solos mais frágeis, localizadas ao norte, próximo ao Deserto do Saara. 
A ocupação humana dessas áreas, com a formação de aldeias e o desenvolvimento de culturas de subsistência e pastoreio, tem intensificado o desmatamento, causando forte impacto ambiental e desencadeando o fenômeno da desertificação. Além da ação antrópica, nas últimas três décadas fortes secas  atingiram áreas do Sahel, colaborando para intensificar a desertificação. 
No Sahel, o clima semiárido proporciona uma pluviosidade anual média de 884 milímetros, com chuvas concentradas nos meses de junho e julho. 
Entretanto, estiagens que chegam a durar alguns anos secam ainda mais a vegetação, o que favorece queimadas e a ação dos ventos, que removem grande quantidade de areia dos solos cobrindo outras áreas e acelerando a desertificação.


Ajuda ao desenvolvimento na África

Diante dos diversos problemas socioeconômicos que afligem grande parte dos países em desenvolvimento, em 1970 a ONU afirmou, junto aos governos dos países desenvolvidos, sobretudo os que fazem parte da OCDE, o compromisso de financiar projetos que objetivem auxiliar essas nações.
Para isso, ficou determinado que os países desenvolvidos membros da OCDE deveriam converter 0,7% de sua renda nacional bruta (RNB) em doações e em préstimos que amenizassem problemas vivenciados pelas nações pobres do mun do. Entre os projetos, podem ser destacados a ajuda alimentar, o auxílio militar e financeiro e a assistência técnica em setores estratégicos, como a defesa (treina mento de tropas e fornecimento de equipamentos e suprimentos para o combate a grupos extremistas e milícias).
Ao longo dos anos, foram poucas as nações que atingiram a meta estipula da pela ONU. Com exceção de Luxemburgo, Suécia, Países Baixos, Noruega e Dinamarca, todos os outros incumbidos dessa responsabilidade, como Estados Unidos, Itália e Japão, não atingiram o valor estipulado que deveria ser desti nado a ajudar os países em desenvolvimento. 
A ajuda econômica aos países africanos, principalmente os da África Subsaariana, também envolve críticas em razão da elevada corrupção presente em muitos governos da região, dado que os recursos destinados à saúde e à educação não são devidamente investidos. Para muitos africanos, tal auxílio não encaminha para a resolu ção do problema, pois à medida que se destinam empréstimos aos países em desenvolvimento, como vimos anteriormente, estes se tornam cada vez mais dependentes e endividados, já que as taxas de juros aumentam o montante do valor emprestado.

OCDE: Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, formada por 30 países, muitos deles altamente industrializados. Com sede em Paris, na França, a OCDE tem como um de seus objetivos promover o desenvolvimento econômico de seus países-membros.

Integração e a União Africana (UA)

Os países da África ainda não têm o mesmo nível de integração política e econômica verificado entre nações de outros continentes. Isso é evidenciado, por exemplo, pelo fato de que a vasta maioria dos Estados africanos realiza boa parte de suas transações comerciais com países de outras regiões do mundo. 
No entanto, avanços significativos direcionados a uma maior integração entre as nações africanas ocorreram no século XXI. Apesar das diferenças, a ideia da integração política e econômica entre os países africanos ganhou novo impulso em 2001, com a criação da União Africana (UA), em substituição à desgastada Organização da Unidade Africana (OUA).
Entre os objetivos da UA, destacam-se a promoção da unidade, solidariedade, democracia e direitos humanos, a eliminação da dependência externa, a integração econômica e a cooperação política e cultural.
Atualmente, todos os países do continente integram essa organização, cuja sede foi construída em Adis Abeba, na Etiópia, com investimentos chineses.
A UA abarca diversos órgãos e atua para promover a cooperação política, assegurar a manutenção da paz e estimular as relações comerciais entre seus países-membros. O principal órgão dessa organização é a Assembleia da União Africana, formada pelos chefes de Estado de todos os países africanos.
Além da integração econômica e política, um dos grandes desafios a ser superados pela UA atualmente é a promoção da democracia no continente, ainda marcado pela presença de governos autoritários. A organização busca também reduzir as desigualdades econômicas e, consequentemente, elevar o peso político e comercial da maioria de seus países-membros, muitos dos quais ainda estão à margem das negociações inter-regionais no continente.
Em março de 2018, os países da UA assinaram a criação da Área de Livre Comércio Continental da África (AFCFTA), constituindo o maior bloco econômico do mundo em número de países. Com exceção da Eritreia, todos os países africanos ratificaram os termos do acordo, que entrou em vigor em janeiro de 2021 e deve estar efetivamente implantado por volta de 2030.

As Comunidades Econômicas Regionais 


A livre circulação de mercadorias, pessoas e serviços, o desenvolvimento de infraestruturas e o combate à fome estão entre os principais objetivos das organizações econômicas entre países africanos.
O órgão da UA responsável pelo desenvolvimento e estímulo à integração econômica é a Comunidade Econômica Africana (CEA). Para o futuro, destaca-se o plano de criar uma zona de livre-comércio no continente africano.
Atualmente, no entanto, os pilares da integração econômica da África são as Comunidades Econômicas Regionais, ou CER, que atuam como blocos econômicos regionais do continente. 
Hoje em dia, a mais expressiva dessas comunidades é a SADC, bloco instituído ainda em 1992 com o propósito de estabelecer um mercado comum e intensificar as relações comerciais entre seus países-membros. 
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) foi criada em 1992 com o objetivo de assegurar o bem-estar econômico e a melhoria das condições de vida da população da África Austral. Em 2005, passou por uma reestruturação com o objetivo de criar um mercado comum.
Atualmente, 15 países africanos, compõem a SADC. Juntos, eles somam um PIB de aproximadamente 623 bilhões de dólares e reúnem uma população de cerca de 362 milhões de pessoas.
Entre os países-membros, a África do Sul é o que mais se destaca, por ser a economia mais industrializada do continente. Nesse sentido, os produtos industrializados sul-africanos dominam parte dos mercados nos demais países da SADC, e o país também é um dos maiores investidores do bloco.
A União do Magreb Árabe (UMA), fundada em 1989, tem por objetivo promover o desenvolvimento industrial, agrícola, comercial e social dos países-membros. A UMA pretende instituir, a longo prazo, um mercado comum que prevê a livre circulação de mercadorias, pessoas e serviços.
Instituída em 1994, a Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac) tem como principais objetivos, além do aumento das trocas comerciais e da livre circulação de pessoas, o desenvolvimento de infraestrutura de transportes e energia, o combate à fome e a implementação de uma moeda única.
A Comunidade Econômica do Oeste Africano (Cedeao/Ecowas) foi criada em 1975 com o objetivo de promover a integração em todos os campos relacionados à economia, às telecomunicações, à energia, à segurança, aos mercados financeiros, à agricultura, ao transporte, à indústria etc. 
Criada em 1910, a União Aduaneira da África Austral (Sacu) é a mais antiga do mundo. Constituída por cinco países-membros, assegura a livre circulação de mercadorias.

A África e a China

Por causa do passado colonial e das ligações históricas, econômicas e culturais, predominam capitais europeus no continente africano. Em geral, cada país europeu concentra o investimento em sua ex-colônia, como os negócios portugueses em Angola. Os Estados Unidos também investem no continente, sobretudo na África do Sul. 
Os países da África têm fortalecido parcerias comerciais e financeiras tanto entre si como com países de outros continentes, visando aumentar suas produções econômicas, atrair investimentos e diversificar os destinos de suas exportações.
Nesse contexto, muitos parceiros comerciais vêm surgindo no cenário econômico africano nas últimas décadas, sendo o principal deles a China. 
O desenvolvimento econômico acelerado vivenciado pela China a partir dos anos 1990 culminou na busca por matérias-primas e fontes de energia em vários países, muitos deles localizados na África. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do continente africano. Além da exploração de recursos naturais, a China tem investido em projetos de infraestrutura (ferrovias, estradas, usinas hidrelétricas, portos, aeroportos etc.).
Em 2011, a África do Sul aderiu formalmente ao Brics. A participação do país africano é estratégica. Além de garantir aos demais integrantes – e sobretudo à China – acesso a um mercado consumidor em plena expansão, permite alavancar investimentos para continuar se desenvolvendo economicamente.
Os chineses, atualmente, são os principais parceiros comerciais da maioria dos países do continente e vêm aumentando consideravelmente seus investimentos na África.
Os chineses têm se empenhado em garantir seu abastecimento de alimentos, matérias-primas agrícolas e minerais, bem como de fontes de energia, para sustentar seu enorme crescimento econômico (no período de 2000-2017, o PIB chinês cresceu em média 9,7% ao ano).
Esse interesse nos países africanos é explicado por diversos motivos. A China é atualmente o segundo maior consumidor mundial de petróleo e obtém cerca de um terço de seu abastecimento do continente africano.
Além disso, em razão do aumento – também enorme – de suas exportações, eles acumularam grandes volumes de reservas internacionais (em 2017, eram 3,2 trilhões de dólares). Ou seja, os chineses estão com muito dinheiro em caixa e possuem grandes empresas que buscam se internacionalizar. Por isso, cada vez mais têm tomado o lugar dos europeus e estadunidenses como investidores no continente africano; no entanto, há uma diferença importante com a chegada dos chineses. 
Na época do imperialismo (século XIX e início do século XX), as potências europeias dominaram política e territorialmente as nações africanas, que foram transformadas em colônias de exploração. Queriam com isso garantir o fornecimento da matérias-primas baratas para seu processo de industrialização. 
Na época da Guerra Fria (1947-1991), os Estados Unidos estavam mais interessados em difundir seu modelo político-econômico aos países recém-independentes, para conter o avanço da influência soviética, do que em fazer investimentos produtivos. 
No início do século XXI, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, agências de financiamento internacional controladas pelos Estados Unidos, só concedem empréstimos mediante a imposição de certas condições, como que os países adotem as políticas econômicas defendidas por essas instituições. 
Já a China, na atual fase da globalização, não está interessada em dominar politicamente os países africanos nem em lhes impor seu modelo político-econômico; quer sim investir suas enormes reservas de capitais acumulados, seja por meio de investimentos produtivos ou de empréstimos. Dessa forma, a China pretende assegurar seu fornecimento de alimentos, matérias-primas e fontes de energia, garantindo seu desenvolvimento econômico e o dos países africanos, onde também tem investido em infraestrutura.
Os chineses também são compradores de 60% da madeira exportada da África, além de diversos recursos minerais essenciais à sua atividade industrial. Além de possuir numerosas fontes de recursos naturais e energéticos, o continente africano representa um grande mercado consumidor potencial dos produtos industrializados chineses.
Dessa forma, buscando fortalecer sua influência econômica e política nos países do continente por meio de uma diplomacia amigável e comercialmente favorável, os chineses vêm estreitando suas relações com as nações da África.
Os chineses defendem uma interação internacional baseada em ganhos mútuos. Por essa razão, têm aumentado sua presença em países em desenvolvimento, tanto na África como na América Latina. À medida que a presença da China aumenta, é natural que cresça também sua influência política, sobretudo em economias pequenas e dependentes, como as de muitos países africanos.
Em troca de acordos para a importação de recursos minerais e outras matérias-primas, os chineses concedem aos países africanos empréstimos em condições favoráveis e investem na ampliação da infraestrutura do continente, facilitando a inserção das nações da África nas cadeias mundiais de produção.
Nesse contexto, os chineses constroem pontes, estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, hospitais e escolas nos países africanos, participando até mesmo com a mão de obra, motivo pelo qual milhares de trabalhadores chineses têm migrado todos os anos para a África.
Entre as principais críticas a essa presença, destaca-se a dependência excessiva que alguns países têm em relação à economia chinesa atualmente, assim como o apoio chinês a governos autoritários, dificultando o avanço da democracia no continente.
Alguns analistas entendem que a China está interessada exclusivamente na exploração das riquezas naturais e no aumento de sua influência na África, que permanece como expor tadora de produtos primários e importadora de produtos industrializados. Essa posição está de acordo com o que pensam muitos cientistas e políticos dos Estados Unidos e da União Europeia, principais concorrentes da China. Essa corrente de pensamento frequentemente acusa o país asiático de “neocolonialista”.
No entanto, outros estudiosos consideram a aproximação da China com a África como vantajosa para ambos. A África ganharia com a exportação de produtos primários, melhoria da infraestrutura, geração de empregos e diminuição da pobreza.



África: aspectos econômicos

Espaço econômico


A colonização e a descolonização da África criaram repercussões que se fazem sentir ainda hoje, limitando o potencial econômico do continente. Antes organizado de acordo com os interesses das antigas metrópoles, o espaço eco nômico dos países africanos hoje é organizado, em parte, em função dos interesses das grandes potências e corporações mundiais.

Problemas econômicos na África 


Embora haja muitos contrastes socioeconômicos entre as nações da África, o continente abriga alguns dos países em desenvolvimento mais pobres do plane ta. Em 2019, por exemplo, 9 das últimas 10 posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global eram ocupadas por países da África Subsaariana, região com indicadores econômicos e sociais inferiores aos da África do Norte e de outras regiões do mundo.
As condições econômicas que atualmente marcam os países mais pobres da África têm raízes em seu passado colonial, com a intensa exploração das populações nati vas e a pilhagem dos recursos naturais presentes em seus territórios. Atualmente, embora o continente possua diversas riquezas naturais importantes, responde por apenas uma pequena fração de tudo o que é gerado no mundo.
A desigualdade econômica entre os países africanos é, contudo, um aspecto marcante. Apenas Nigéria, Egito e África do Sul respondiam por cerca de metade do PIB do continen te em 2021. 
A Nigéria tem o maior PIB do continente, mas a África do Sul representa o país com a economia mais moderna, diversificada e industrializada. 

Economia pouco desenvolvida 


Atualmente, a maior parte das nações africanas tem uma economia essencial mente primária. Além de questões históricas, esse é um dos fatores pelos quais a África participa da DIT como fornecedora de commodities e consumidora de pro dutos industrializados. Contudo, em muitos países africanos, a prestação de serviços e a indústria têm se destacado na composição do PIB. 
Nos últimos anos, Nigéria, África do Sul, Egito, Angola, Argélia, Etiópia e Tunísia, entre outras nações da África, vêm apresentando relativo crescimento econômico. No entanto, tal crescimento não diminui a gravidade da pobreza que assola vários países do continente. Embora muitos tenham se esforçado para diversificar seus parques industriais, uma série de desafios impediu que esse objetivo fosse conquistado, como falta de mão de obra qualificada, corrupção, ocorrência de conflitos internos e longos períodos de ditadura. Além disso, a falta de recursos financeiros e a precária infra estrutura (redes de transporte, energia e comunicação) em diversos países preju dica imensamente a inserção dessas nações na economia mundial. Nos últimos anos, a África participou de apenas 2% das relações comerciais mundiais e recebeu aproximadamente 4% de investimentos diretos provenientes de outros países.

A atividade agrária da África 


A agricultura e a pecuária, assim como o extrativismo, representam atividades de grande importância para a população e para a economia de boa parte dos paí ses do continente africano. Outros problemas interferem significativamente na economia de alguns desses paí ses, entre eles os efeitos proporcionados pelas condições climáticas adversas e práti cas tradicionais das atividades agropecuárias, que vêm gerando impactos ambientais como desertificação e erosão, ambos responsáveis pela perda de solo cultivável.
Em 2019, as atividades agrícolas eram responsáveis por empregar cerca de 53% da população da África Subsaariana, e os produtos agropecuários respondiam por 13% da pauta de exportações de seus países. Em alguns, como Serra Leoa e Chade, aproximadamente 30% do PIB provêm da agricultura.
De modo geral, o espaço agrário africano ainda preserva características do período colonial, proporcionando a existência simultânea das lavouras de subsis tência (agricultura tradicional) e também de grandes monoculturas de exportação (agricultura comercial). Entre os principais cultivos desenvolvidos, destacam-se alguns gêneros que compõem a base da alimentação das populações africanas e que são produzidos, principalmente, pela agricultura tradicional em pequena escala, como arroz, banana, mandioca, milhete, milho e painço. 
Já entre os principais cultivos para exportação, realizados por meio da agricultura comercial em larga escala, destacam-se algodão, cacau, café, chá, flores e óleo de palma (azeite de dendê). Nos extremos norte e sul do continente, os climas temperado e mediterrâneo também permitem o desenvolvimento de cultivos como trigo, oliveiras e uvas.
Contrastes entre modos de produção modernos e tradicionais ocorrem entre os países africanos. No Marrocos e na África do Sul, por exemplo, parte da produção agro pecuária comercial é desenvolvida por meio de técnicas modernas.
Com relação à produção pecuária, são importantes também as criações de bovinos, ovinos, suínos e aves, de acordo com a região do continente. Nas regiões mais ári das da África, é comum o pasto reio nômade, no qual as criações percorrem longas distâncias em busca de água e alimento.
Além dos efeitos da desertificação e das condições climáticas, podemos citar a bai xa fertilidade natural dos solos (cerca de um terço do continente é marcado pela presença de desertos e semiáridos), o uso inadequado da terra e a ausência de políticas que facilitem o acesso ao crédito rural e a insumos para os pequenos agricultores.
A maior parte das terras férteis do continente é ocupada pelas propriedades mo nocultoras de exportação. Muitos países africanos, embora exportem diversos pro dutos agrícolas, atualmente dependem da importação de alimentos, e assim necessitam investir recursos financeiros para importar comida. Além disso, a falta de in vestimentos locais e o baixo acesso a tecnologias digitais e sustentáveis, aplicadas para uma produção mais eficiente e menos nociva ao meio ambiente, contribuem para o escasso desenvolvimento de atividades rurais em vários países da África. 
Os recursos minerais e energéticos da África Atualmente, a mineração e a agropecuária representam, juntas, a base da eco nomia de muitos países africanos. Enquanto em alguns as economias são essen cialmente agrícolas, em outros a maior parte da receita de exportações advém do extrativismo mineral. 
No território africano, há uma grande diversidade de recursos minerais, como diamantes, ouro e cobre, além de recursos energéticos fósseis, como petróleo e gás natural. 
Entre os países africanos de economias petroleiras, destacam-se Angola e Nigéria, ambos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), além de Gabão, Congo, Sudão do Sul, Sudão e Chade.
Desde o período colonial, a explora ção das riquezas minerais da África tem ficado, em sua maior parte, a cargo de grandes empresas transnacio nais do setor, associadas algumas vezes a empresas estatais africanas. 
Nas últimas décadas, muitos países desenvolvidos europeus e também a China têm feito investimentos no continente, a fim de ampliar a exploração e controlar suas riquezas minerais.

Agropecuária de subsistência 


Na maioria dos países africanos de hoje, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial.
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às necessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura caracteriza-se pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
Em alguns casos, a agricultura de subsistên cia está associada à prática do sistema itineran te, no qual se cultiva determinada área até que se esgote a fertilidade do solo, para depois abrir espaço para o cultivo em outra área, ateando fogo na vegeta ção e usando as cinzas como fertilizante. 
No entanto, esse sistema nem sempre é realizado com os cuidados necessários e, muitas vezes, acaba intensificando o desmatamento e a degradação dos solos. Sistemas mais sustentáveis, como as agroflorestas, também são desenvolvidos em muitos países, mas o financia mento para projetos de agricultura sustentável ainda é limitado.
A pecuária tradicional também faz parte do modo de vida em muitas partes da África, com destaque para áreas de clima árido e semiárido, onde se pratica o pastoreio nômade para criação de caprinos, ovinos e bovinos. Em alguns ca sos, esse sistema pode ocasionar o sobrepastoreio, contribuindo para intensifi car impactos ambientais nessas regiões.

Agropecuária comercial 


Durante e após o período colonial, a produção agrícola africana deixou de ser organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, sendo substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de expor tação, baseada no sistema de plantation, que gradualmente passou a ocupar as melhores terras do continente.
Praticado principalmente nas zonas litorâneas, esse sistema objetiva a pro dução de culturas destinadas ao abastecimento do mercado externo e é caracterizado pelo predomínio das monoculturas e das grandes propriedades. O uso de tecnologias modernas também é uma característica desse modo de produção, mas, no caso de alguns cultivos como tabaco, chá e cacau, destaca-se o uso de mão de obra em etapas, como a colheita. 
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os seguintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, República Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali e Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul e Marrocos) e chá (Quênia, Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
A pecuária comercial é praticada principalmente na África do Sul, tanto de maneira extensiva como intensiva, incluindo criações de bovinos, suínos e avestruzes, além de um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, so bretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

Riquezas minerais 


Desde o período colonial, as riquezas minerais africanas são exploradas predominantemente por companhias estrangeiras. No período pós-independência, alguns governos chegaram a nacionalizar suas principais jazidas, mas a maior parte das áreas de extração segue concessionada às grandes empresas transnacionais. 
Entre os países com expressivas reservas de recursos minerais e energéticos, destacam-se: Angola, Líbia, Argélia e Nigéria, principais produtoras de petróleo do continente e que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep); a África do Sul, que possui amplas reservas de platina, ouro, diamante e carvão mineral; Botsuana, maior produtor mundial de diamantes; a República Democrática do Congo, que, além de diamantes, tem grandes reservas de cobre (representa cerca de 50% do valor total de suas exportações) e manganês; a Zâmbia, cuja economia é baseada na extração de cobre (corresponde a 80% das exportações do país); e Marrocos e Tunísia, grandes exportadores de fosfato. 
No século XXI, alguns países obtiveram expressivo crescimento econômico apoiados na exploração dos recursos minerais. Em Angola, por exemplo, o cres cimento do PIB foi superior a 20% em meados da década de 2000, graças às exportações de petróleo. 
Ainda assim, o crescimento econômico atrelado a essas exportações acaba beneficiando uma camada restrita da população. Além disso, essas atividades geram impactos ambientais como desmatamento, a poluição dos solos e das fontes de água, desestruturando atividades econômicas de subsistência nas áreas afetadas. 


A atividade industrial da África 


A maioria dos países africanos é dependente da importação de produtos industrializados e o setor industrial, em geral, tem baixa participação na composição do Produto Interno Bruto (PIB) da África. Indústrias de bens de consumo duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia, Nigéria e África do Sul. 
Na maior parte dos países da África subsaariana, no entanto, a atividade industrial é restrita basicamente às indústrias de bens de consumo não duráveis, ou então atreladas ao setor extrativista. Em alguns países produtores e exportadores de petróleo, como Nigéria e Angola, o setor petrolífero vem apresentando crescimento e assume grande importância no cenário industrial africano.
De modo geral, os países da África têm setores industriais pouco diversificados e dependem da importação de diversos produtos industrializados, sobretudo os que são tecnologicamente mais avançados. Em muitos casos, as indústrias instaladas na África estão ligadas diretamente às atividades agrícolas e minerais, responsáveis por fornecer os principais produtos e matérias-primas da pauta de exportação de vários países africanos. 
Alguns países do continente destacam-se nos setores industriais mais desenvolvidos, como África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Marrocos e Nigéria. Recente mente, a Etiópia também vem se tornando um polo manufatureiro no continente, atraindo indústrias estrangeiras por meio de vantagens, como mão de obra e energia baratas, e elevando suas exportações de produtos industrializados.
Os reduzidos investimentos externos e a falta de capital interno estão entre os principais empecilhos para o progresso do setor industrial africano. Muitos países desse continente, em razão do baixo crescimento econômico, não dispõem de meios necessários para se fortalecer e, assim, expandir a competitividade das ati vidades industriais. 
A maioria tem mercados consumidores ainda pouco expressivos e não dispõe de mão de obra qualificada e infraestrutura de energias e de transportes eficien tes. Alguns, como Zâmbia, Uganda e Botsuana, não têm saída para o mar, tornan do ainda mais oneroso o transporte de mercadorias das regiões produtoras até os portos para a exportação.

Economias vulneráveis


Ao mesmo tempo que os países do continente africano dependem da importação de gêneros industrializados e alimentos, a pauta de exportações dessas nações não é diversificada e inclui poucos produtos industrializados. Grande parte das exportações desses países africanos corresponde a gêneros primários. Essa característica torna os países do continente muito vulneráveis às oscilações no preço desses produtos no mercado internacional, pois significa que, se o preço desses produtos cair, as receitas de exportações dos países serão prejudicadas.
Os países com melhores redes de infraestrutura, com destaque para a África do Sul, oferecem vantagens às indústrias, que importam matérias-primas e exportam produtos com menores custos.

O crescimento econômico dos países africanos 


Desde o começo do século XXI, alguns países africanos têm despontado entre os que mais rapidamente crescem economicamente no mundo. 
Em 2020, os países africanos produtores de petróleo exploraram em média cerca de 7 milhões de barris desse combustível por dia, o que representa aproximadamente 8% da demanda mundial. A África atualmente abrange cerca de 7,2% das reservas de petróleo do mundo, e alguns países se destacam na produção desse recurso.
No entanto, a riqueza gerada pela exportação de petróleo leva a muitas contra dições. A maioria da população não se beneficia do fluxo de recursos provenientes dessas receitas, que acabam enriquecendo pequenas elites e empresas es trangeiras e não são revertidas em serviços essenciais. Além disso, a exploração petrolífera está associada a impactos ambientais e sociais. 
O desenvolvimento econômico da África, além da riqueza gerada pelo petróleo, carece tanto de investimentos em fontes de energia sustentáveis como em melhorias na qualidade de vida da população.

O potencial econômico da África 


A África é um continente com grande potencial de de senvolvimento, sobretudo em razão da riqueza de recursos naturais, da população predominantemente jovem e da localização geográfica estratégica, com acesso à Europa e à Ásia. 
No contexto da economia globalizada, contudo, os investimentos estrangeiros são, em geral, canalizados para os países que oferecem mão de obra especializada, mercados consumidores em expansão, capacitação tecnológica e boa infraestrutura de transportes e de comunicações. Diante dessas exigências, diversos países africanos são excluídos do mercado mundial. 
Recentemente, os crescentes investimentos chineses na África vêm contribuindo para elevar o potencial econômico de muitos desses países. No entanto, além da baixa diversificação econômica, diversos fatores limitam o potencial das economias africanas, entre eles:
- O elevado deficit comercial, que tem impacto nas recei tas dos governos africanos. As exceções são a África do Sul e alguns dos grandes exportadores de petróleo do continente, como Líbia, Gabão, Nigéria, Angola e Argélia. 
- O endividamento externo, que, no caso de alguns países, che ga a ser dezenas de vezes superior às exportações ou ao PIB. 
- A existência de regimes antidemocráticos, democracias frágeis e governos corruptos em alguns países. 
- A existência de redes de transporte, comunicação e energia insuficientes e, em alguns casos, precárias, que desestimulam os fluxos comerciais. 
- Dependência tecnológica e financeira em relação aos países desenvolvidos. 
- Taxas de desemprego elevadas e que não são reduzidas ao longo do tempo, dificultando a inserção de jovens no mercado de trabalho.

O desemprego e a fuga de cérebros 


Nos países africanos, o desemprego afeta principalmente os jovens – grupo que hoje representa a maioria da popula ção do continente. Esse é um dos principais fatores que con tribuem para o fenômeno da “fuga de cérebros”, resultante da emigração de indivíduos com alta qualificação para ou tros países e regiões que oferecem melhores oportunidades de trabalho.

A China na África 


Vimos que as relações comerciais entre a China e os paí ses africanos vêm crescendo significativamente no século XXI. 
Nesse contexto, os chineses financiam obras de infraestrutura no continente, construindo rodovias, ferrovias, portos, redes de energia elétrica e comunicação e planos de geração de energia alternativa. Além disso, diversas parcerias – joint ventures – nos setores petrolífero, minerador, de geração de energia, de indústria de transformação e de telecomunicações já foram estabele cidas entre empresas chinesas e africanas. 
A China acaba se beneficiando desses investimentos, pois é a principal parceira econômica dos países africanos e uma parte significativa dos recursos naturais importados pelo país (incluindo cerca de 30% do petróleo) vem da África. 
As ações chinesas na África fazem parte de um ambicio so projeto denominado Nova Rota da Seda (observe o mapa a seguir). Em seu conjunto, a iniciativa abrange o território de 68 países e envolve os continentes asiático, europeu e africano por meio da instalação de redes de cabos de fibra óptica, oleodutos, gasodutos, complexos portuários, rodovias e ferrovias.

O turismo 


Apesar da riqueza cultural e natural da África, que estimula o desenvolvimento do turismo, apenas recentemente a atividade passou a apresentar importância significativa na economia africana. Na África do norte, destaca-se o patrimônio histórico e cultural de países como o Egito, que conta com pirâmides, templos, museus, mesquitas e outras atrações que o eleva à condição de país mais visitado da África. Já na África subsaariana, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística. 
No contexto da maioria dos países da África subsaariana, destaca-se a importância de parques nacionais e outras áreas de conservação, sobretudo aquelas dotadas de savanas e florestas tropicais. Nessas áreas, os famosos safáris (a palavra safári vem da língua suaíli e significa “viagem”), destinados à observação de animais, atraem milhares de turistas de todo o mundo. Os mais visitados estão na África do Sul, em Botsuana e no Quênia.
O crescimento do turismo no continente africano no século XXI vem contribuin do para o desenvolvimento econômico, gerando empregos e renda para a população. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes somada à instabilidade e às condições de insegu rança em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo no continente, que também foi profundamente afetado pela pandemia de covid-19 – que, em 2022, ainda limitava os fluxos de turistas em direção à África.

O Universo

O interesse do ser humano pelo céu estrelado surgiu nos primórdios da civilização. O encanto e o temor despertados pelos fenômenos levaram a...