quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Integração e a União Africana (UA)

Os países da África ainda não têm o mesmo nível de integração política e econômica verificado entre nações de outros continentes. Isso é evidenciado, por exemplo, pelo fato de que a vasta maioria dos Estados africanos realiza boa parte de suas transações comerciais com países de outras regiões do mundo. 
No entanto, avanços significativos direcionados a uma maior integração entre as nações africanas ocorreram no século XXI. Apesar das diferenças, a ideia da integração política e econômica entre os países africanos ganhou novo impulso em 2001, com a criação da União Africana (UA), em substituição à desgastada Organização da Unidade Africana (OUA).
Entre os objetivos da UA, destacam-se a promoção da unidade, solidariedade, democracia e direitos humanos, a eliminação da dependência externa, a integração econômica e a cooperação política e cultural.
Atualmente, todos os países do continente integram essa organização, cuja sede foi construída em Adis Abeba, na Etiópia, com investimentos chineses.
A UA abarca diversos órgãos e atua para promover a cooperação política, assegurar a manutenção da paz e estimular as relações comerciais entre seus países-membros. O principal órgão dessa organização é a Assembleia da União Africana, formada pelos chefes de Estado de todos os países africanos.
Além da integração econômica e política, um dos grandes desafios a ser superados pela UA atualmente é a promoção da democracia no continente, ainda marcado pela presença de governos autoritários. A organização busca também reduzir as desigualdades econômicas e, consequentemente, elevar o peso político e comercial da maioria de seus países-membros, muitos dos quais ainda estão à margem das negociações inter-regionais no continente.
Em março de 2018, os países da UA assinaram a criação da Área de Livre Comércio Continental da África (AFCFTA), constituindo o maior bloco econômico do mundo em número de países. Com exceção da Eritreia, todos os países africanos ratificaram os termos do acordo, que entrou em vigor em janeiro de 2021 e deve estar efetivamente implantado por volta de 2030.

As Comunidades Econômicas Regionais 


A livre circulação de mercadorias, pessoas e serviços, o desenvolvimento de infraestruturas e o combate à fome estão entre os principais objetivos das organizações econômicas entre países africanos.
O órgão da UA responsável pelo desenvolvimento e estímulo à integração econômica é a Comunidade Econômica Africana (CEA). Para o futuro, destaca-se o plano de criar uma zona de livre-comércio no continente africano.
Atualmente, no entanto, os pilares da integração econômica da África são as Comunidades Econômicas Regionais, ou CER, que atuam como blocos econômicos regionais do continente. 
Hoje em dia, a mais expressiva dessas comunidades é a SADC, bloco instituído ainda em 1992 com o propósito de estabelecer um mercado comum e intensificar as relações comerciais entre seus países-membros. 
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) foi criada em 1992 com o objetivo de assegurar o bem-estar econômico e a melhoria das condições de vida da população da África Austral. Em 2005, passou por uma reestruturação com o objetivo de criar um mercado comum.
Atualmente, 15 países africanos, compõem a SADC. Juntos, eles somam um PIB de aproximadamente 623 bilhões de dólares e reúnem uma população de cerca de 362 milhões de pessoas.
Entre os países-membros, a África do Sul é o que mais se destaca, por ser a economia mais industrializada do continente. Nesse sentido, os produtos industrializados sul-africanos dominam parte dos mercados nos demais países da SADC, e o país também é um dos maiores investidores do bloco.
A União do Magreb Árabe (UMA), fundada em 1989, tem por objetivo promover o desenvolvimento industrial, agrícola, comercial e social dos países-membros. A UMA pretende instituir, a longo prazo, um mercado comum que prevê a livre circulação de mercadorias, pessoas e serviços.
Instituída em 1994, a Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac) tem como principais objetivos, além do aumento das trocas comerciais e da livre circulação de pessoas, o desenvolvimento de infraestrutura de transportes e energia, o combate à fome e a implementação de uma moeda única.
A Comunidade Econômica do Oeste Africano (Cedeao/Ecowas) foi criada em 1975 com o objetivo de promover a integração em todos os campos relacionados à economia, às telecomunicações, à energia, à segurança, aos mercados financeiros, à agricultura, ao transporte, à indústria etc. 
Criada em 1910, a União Aduaneira da África Austral (Sacu) é a mais antiga do mundo. Constituída por cinco países-membros, assegura a livre circulação de mercadorias.

A África e a China

Por causa do passado colonial e das ligações históricas, econômicas e culturais, predominam capitais europeus no continente africano. Em geral, cada país europeu concentra o investimento em sua ex-colônia, como os negócios portugueses em Angola. Os Estados Unidos também investem no continente, sobretudo na África do Sul. 
Os países da África têm fortalecido parcerias comerciais e financeiras tanto entre si como com países de outros continentes, visando aumentar suas produções econômicas, atrair investimentos e diversificar os destinos de suas exportações.
Nesse contexto, muitos parceiros comerciais vêm surgindo no cenário econômico africano nas últimas décadas, sendo o principal deles a China. 
O desenvolvimento econômico acelerado vivenciado pela China a partir dos anos 1990 culminou na busca por matérias-primas e fontes de energia em vários países, muitos deles localizados na África. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do continente africano. Além da exploração de recursos naturais, a China tem investido em projetos de infraestrutura (ferrovias, estradas, usinas hidrelétricas, portos, aeroportos etc.).
Em 2011, a África do Sul aderiu formalmente ao Brics. A participação do país africano é estratégica. Além de garantir aos demais integrantes – e sobretudo à China – acesso a um mercado consumidor em plena expansão, permite alavancar investimentos para continuar se desenvolvendo economicamente.
Os chineses, atualmente, são os principais parceiros comerciais da maioria dos países do continente e vêm aumentando consideravelmente seus investimentos na África.
Os chineses têm se empenhado em garantir seu abastecimento de alimentos, matérias-primas agrícolas e minerais, bem como de fontes de energia, para sustentar seu enorme crescimento econômico (no período de 2000-2017, o PIB chinês cresceu em média 9,7% ao ano).
Esse interesse nos países africanos é explicado por diversos motivos. A China é atualmente o segundo maior consumidor mundial de petróleo e obtém cerca de um terço de seu abastecimento do continente africano.
Além disso, em razão do aumento – também enorme – de suas exportações, eles acumularam grandes volumes de reservas internacionais (em 2017, eram 3,2 trilhões de dólares). Ou seja, os chineses estão com muito dinheiro em caixa e possuem grandes empresas que buscam se internacionalizar. Por isso, cada vez mais têm tomado o lugar dos europeus e estadunidenses como investidores no continente africano; no entanto, há uma diferença importante com a chegada dos chineses. 
Na época do imperialismo (século XIX e início do século XX), as potências europeias dominaram política e territorialmente as nações africanas, que foram transformadas em colônias de exploração. Queriam com isso garantir o fornecimento da matérias-primas baratas para seu processo de industrialização. 
Na época da Guerra Fria (1947-1991), os Estados Unidos estavam mais interessados em difundir seu modelo político-econômico aos países recém-independentes, para conter o avanço da influência soviética, do que em fazer investimentos produtivos. 
No início do século XXI, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, agências de financiamento internacional controladas pelos Estados Unidos, só concedem empréstimos mediante a imposição de certas condições, como que os países adotem as políticas econômicas defendidas por essas instituições. 
Já a China, na atual fase da globalização, não está interessada em dominar politicamente os países africanos nem em lhes impor seu modelo político-econômico; quer sim investir suas enormes reservas de capitais acumulados, seja por meio de investimentos produtivos ou de empréstimos. Dessa forma, a China pretende assegurar seu fornecimento de alimentos, matérias-primas e fontes de energia, garantindo seu desenvolvimento econômico e o dos países africanos, onde também tem investido em infraestrutura.
Os chineses também são compradores de 60% da madeira exportada da África, além de diversos recursos minerais essenciais à sua atividade industrial. Além de possuir numerosas fontes de recursos naturais e energéticos, o continente africano representa um grande mercado consumidor potencial dos produtos industrializados chineses.
Dessa forma, buscando fortalecer sua influência econômica e política nos países do continente por meio de uma diplomacia amigável e comercialmente favorável, os chineses vêm estreitando suas relações com as nações da África.
Os chineses defendem uma interação internacional baseada em ganhos mútuos. Por essa razão, têm aumentado sua presença em países em desenvolvimento, tanto na África como na América Latina. À medida que a presença da China aumenta, é natural que cresça também sua influência política, sobretudo em economias pequenas e dependentes, como as de muitos países africanos.
Em troca de acordos para a importação de recursos minerais e outras matérias-primas, os chineses concedem aos países africanos empréstimos em condições favoráveis e investem na ampliação da infraestrutura do continente, facilitando a inserção das nações da África nas cadeias mundiais de produção.
Nesse contexto, os chineses constroem pontes, estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, hospitais e escolas nos países africanos, participando até mesmo com a mão de obra, motivo pelo qual milhares de trabalhadores chineses têm migrado todos os anos para a África.
Entre as principais críticas a essa presença, destaca-se a dependência excessiva que alguns países têm em relação à economia chinesa atualmente, assim como o apoio chinês a governos autoritários, dificultando o avanço da democracia no continente.
Alguns analistas entendem que a China está interessada exclusivamente na exploração das riquezas naturais e no aumento de sua influência na África, que permanece como expor tadora de produtos primários e importadora de produtos industrializados. Essa posição está de acordo com o que pensam muitos cientistas e políticos dos Estados Unidos e da União Europeia, principais concorrentes da China. Essa corrente de pensamento frequentemente acusa o país asiático de “neocolonialista”.
No entanto, outros estudiosos consideram a aproximação da China com a África como vantajosa para ambos. A África ganharia com a exportação de produtos primários, melhoria da infraestrutura, geração de empregos e diminuição da pobreza.



África: aspectos econômicos

Espaço econômico


A colonização e a descolonização da África criaram repercussões que se fazem sentir ainda hoje, limitando o potencial econômico do continente. Antes organizado de acordo com os interesses das antigas metrópoles, o espaço eco nômico dos países africanos hoje é organizado, em parte, em função dos interesses das grandes potências e corporações mundiais.

Problemas econômicos na África 


Embora haja muitos contrastes socioeconômicos entre as nações da África, o continente abriga alguns dos países em desenvolvimento mais pobres do plane ta. Em 2019, por exemplo, 9 das últimas 10 posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global eram ocupadas por países da África Subsaariana, região com indicadores econômicos e sociais inferiores aos da África do Norte e de outras regiões do mundo.
As condições econômicas que atualmente marcam os países mais pobres da África têm raízes em seu passado colonial, com a intensa exploração das populações nati vas e a pilhagem dos recursos naturais presentes em seus territórios. Atualmente, embora o continente possua diversas riquezas naturais importantes, responde por apenas uma pequena fração de tudo o que é gerado no mundo.
A desigualdade econômica entre os países africanos é, contudo, um aspecto marcante. Apenas Nigéria, Egito e África do Sul respondiam por cerca de metade do PIB do continen te em 2021. 
A Nigéria tem o maior PIB do continente, mas a África do Sul representa o país com a economia mais moderna, diversificada e industrializada. 

Economia pouco desenvolvida 


Atualmente, a maior parte das nações africanas tem uma economia essencial mente primária. Além de questões históricas, esse é um dos fatores pelos quais a África participa da DIT como fornecedora de commodities e consumidora de pro dutos industrializados. Contudo, em muitos países africanos, a prestação de serviços e a indústria têm se destacado na composição do PIB. 
Nos últimos anos, Nigéria, África do Sul, Egito, Angola, Argélia, Etiópia e Tunísia, entre outras nações da África, vêm apresentando relativo crescimento econômico. No entanto, tal crescimento não diminui a gravidade da pobreza que assola vários países do continente. Embora muitos tenham se esforçado para diversificar seus parques industriais, uma série de desafios impediu que esse objetivo fosse conquistado, como falta de mão de obra qualificada, corrupção, ocorrência de conflitos internos e longos períodos de ditadura. Além disso, a falta de recursos financeiros e a precária infra estrutura (redes de transporte, energia e comunicação) em diversos países preju dica imensamente a inserção dessas nações na economia mundial. Nos últimos anos, a África participou de apenas 2% das relações comerciais mundiais e recebeu aproximadamente 4% de investimentos diretos provenientes de outros países.

A atividade agrária da África 


A agricultura e a pecuária, assim como o extrativismo, representam atividades de grande importância para a população e para a economia de boa parte dos paí ses do continente africano. Outros problemas interferem significativamente na economia de alguns desses paí ses, entre eles os efeitos proporcionados pelas condições climáticas adversas e práti cas tradicionais das atividades agropecuárias, que vêm gerando impactos ambientais como desertificação e erosão, ambos responsáveis pela perda de solo cultivável.
Em 2019, as atividades agrícolas eram responsáveis por empregar cerca de 53% da população da África Subsaariana, e os produtos agropecuários respondiam por 13% da pauta de exportações de seus países. Em alguns, como Serra Leoa e Chade, aproximadamente 30% do PIB provêm da agricultura.
De modo geral, o espaço agrário africano ainda preserva características do período colonial, proporcionando a existência simultânea das lavouras de subsis tência (agricultura tradicional) e também de grandes monoculturas de exportação (agricultura comercial). Entre os principais cultivos desenvolvidos, destacam-se alguns gêneros que compõem a base da alimentação das populações africanas e que são produzidos, principalmente, pela agricultura tradicional em pequena escala, como arroz, banana, mandioca, milhete, milho e painço. 
Já entre os principais cultivos para exportação, realizados por meio da agricultura comercial em larga escala, destacam-se algodão, cacau, café, chá, flores e óleo de palma (azeite de dendê). Nos extremos norte e sul do continente, os climas temperado e mediterrâneo também permitem o desenvolvimento de cultivos como trigo, oliveiras e uvas.
Contrastes entre modos de produção modernos e tradicionais ocorrem entre os países africanos. No Marrocos e na África do Sul, por exemplo, parte da produção agro pecuária comercial é desenvolvida por meio de técnicas modernas.
Com relação à produção pecuária, são importantes também as criações de bovinos, ovinos, suínos e aves, de acordo com a região do continente. Nas regiões mais ári das da África, é comum o pasto reio nômade, no qual as criações percorrem longas distâncias em busca de água e alimento.
Além dos efeitos da desertificação e das condições climáticas, podemos citar a bai xa fertilidade natural dos solos (cerca de um terço do continente é marcado pela presença de desertos e semiáridos), o uso inadequado da terra e a ausência de políticas que facilitem o acesso ao crédito rural e a insumos para os pequenos agricultores.
A maior parte das terras férteis do continente é ocupada pelas propriedades mo nocultoras de exportação. Muitos países africanos, embora exportem diversos pro dutos agrícolas, atualmente dependem da importação de alimentos, e assim necessitam investir recursos financeiros para importar comida. Além disso, a falta de in vestimentos locais e o baixo acesso a tecnologias digitais e sustentáveis, aplicadas para uma produção mais eficiente e menos nociva ao meio ambiente, contribuem para o escasso desenvolvimento de atividades rurais em vários países da África. 
Os recursos minerais e energéticos da África Atualmente, a mineração e a agropecuária representam, juntas, a base da eco nomia de muitos países africanos. Enquanto em alguns as economias são essen cialmente agrícolas, em outros a maior parte da receita de exportações advém do extrativismo mineral. 
No território africano, há uma grande diversidade de recursos minerais, como diamantes, ouro e cobre, além de recursos energéticos fósseis, como petróleo e gás natural. 
Entre os países africanos de economias petroleiras, destacam-se Angola e Nigéria, ambos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), além de Gabão, Congo, Sudão do Sul, Sudão e Chade.
Desde o período colonial, a explora ção das riquezas minerais da África tem ficado, em sua maior parte, a cargo de grandes empresas transnacio nais do setor, associadas algumas vezes a empresas estatais africanas. 
Nas últimas décadas, muitos países desenvolvidos europeus e também a China têm feito investimentos no continente, a fim de ampliar a exploração e controlar suas riquezas minerais.

Agropecuária de subsistência 


Na maioria dos países africanos de hoje, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial.
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às necessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura caracteriza-se pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
Em alguns casos, a agricultura de subsistên cia está associada à prática do sistema itineran te, no qual se cultiva determinada área até que se esgote a fertilidade do solo, para depois abrir espaço para o cultivo em outra área, ateando fogo na vegeta ção e usando as cinzas como fertilizante. 
No entanto, esse sistema nem sempre é realizado com os cuidados necessários e, muitas vezes, acaba intensificando o desmatamento e a degradação dos solos. Sistemas mais sustentáveis, como as agroflorestas, também são desenvolvidos em muitos países, mas o financia mento para projetos de agricultura sustentável ainda é limitado.
A pecuária tradicional também faz parte do modo de vida em muitas partes da África, com destaque para áreas de clima árido e semiárido, onde se pratica o pastoreio nômade para criação de caprinos, ovinos e bovinos. Em alguns ca sos, esse sistema pode ocasionar o sobrepastoreio, contribuindo para intensifi car impactos ambientais nessas regiões.

Agropecuária comercial 


Durante e após o período colonial, a produção agrícola africana deixou de ser organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, sendo substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de expor tação, baseada no sistema de plantation, que gradualmente passou a ocupar as melhores terras do continente.
Praticado principalmente nas zonas litorâneas, esse sistema objetiva a pro dução de culturas destinadas ao abastecimento do mercado externo e é caracterizado pelo predomínio das monoculturas e das grandes propriedades. O uso de tecnologias modernas também é uma característica desse modo de produção, mas, no caso de alguns cultivos como tabaco, chá e cacau, destaca-se o uso de mão de obra em etapas, como a colheita. 
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os seguintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, República Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali e Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul e Marrocos) e chá (Quênia, Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
A pecuária comercial é praticada principalmente na África do Sul, tanto de maneira extensiva como intensiva, incluindo criações de bovinos, suínos e avestruzes, além de um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, so bretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

Riquezas minerais 


Desde o período colonial, as riquezas minerais africanas são exploradas predominantemente por companhias estrangeiras. No período pós-independência, alguns governos chegaram a nacionalizar suas principais jazidas, mas a maior parte das áreas de extração segue concessionada às grandes empresas transnacionais. 
Entre os países com expressivas reservas de recursos minerais e energéticos, destacam-se: Angola, Líbia, Argélia e Nigéria, principais produtoras de petróleo do continente e que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep); a África do Sul, que possui amplas reservas de platina, ouro, diamante e carvão mineral; Botsuana, maior produtor mundial de diamantes; a República Democrática do Congo, que, além de diamantes, tem grandes reservas de cobre (representa cerca de 50% do valor total de suas exportações) e manganês; a Zâmbia, cuja economia é baseada na extração de cobre (corresponde a 80% das exportações do país); e Marrocos e Tunísia, grandes exportadores de fosfato. 
No século XXI, alguns países obtiveram expressivo crescimento econômico apoiados na exploração dos recursos minerais. Em Angola, por exemplo, o cres cimento do PIB foi superior a 20% em meados da década de 2000, graças às exportações de petróleo. 
Ainda assim, o crescimento econômico atrelado a essas exportações acaba beneficiando uma camada restrita da população. Além disso, essas atividades geram impactos ambientais como desmatamento, a poluição dos solos e das fontes de água, desestruturando atividades econômicas de subsistência nas áreas afetadas. 


A atividade industrial da África 


A maioria dos países africanos é dependente da importação de produtos industrializados e o setor industrial, em geral, tem baixa participação na composição do Produto Interno Bruto (PIB) da África. Indústrias de bens de consumo duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia, Nigéria e África do Sul. 
Na maior parte dos países da África subsaariana, no entanto, a atividade industrial é restrita basicamente às indústrias de bens de consumo não duráveis, ou então atreladas ao setor extrativista. Em alguns países produtores e exportadores de petróleo, como Nigéria e Angola, o setor petrolífero vem apresentando crescimento e assume grande importância no cenário industrial africano.
De modo geral, os países da África têm setores industriais pouco diversificados e dependem da importação de diversos produtos industrializados, sobretudo os que são tecnologicamente mais avançados. Em muitos casos, as indústrias instaladas na África estão ligadas diretamente às atividades agrícolas e minerais, responsáveis por fornecer os principais produtos e matérias-primas da pauta de exportação de vários países africanos. 
Alguns países do continente destacam-se nos setores industriais mais desenvolvidos, como África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Marrocos e Nigéria. Recente mente, a Etiópia também vem se tornando um polo manufatureiro no continente, atraindo indústrias estrangeiras por meio de vantagens, como mão de obra e energia baratas, e elevando suas exportações de produtos industrializados.
Os reduzidos investimentos externos e a falta de capital interno estão entre os principais empecilhos para o progresso do setor industrial africano. Muitos países desse continente, em razão do baixo crescimento econômico, não dispõem de meios necessários para se fortalecer e, assim, expandir a competitividade das ati vidades industriais. 
A maioria tem mercados consumidores ainda pouco expressivos e não dispõe de mão de obra qualificada e infraestrutura de energias e de transportes eficien tes. Alguns, como Zâmbia, Uganda e Botsuana, não têm saída para o mar, tornan do ainda mais oneroso o transporte de mercadorias das regiões produtoras até os portos para a exportação.

Economias vulneráveis


Ao mesmo tempo que os países do continente africano dependem da importação de gêneros industrializados e alimentos, a pauta de exportações dessas nações não é diversificada e inclui poucos produtos industrializados. Grande parte das exportações desses países africanos corresponde a gêneros primários. Essa característica torna os países do continente muito vulneráveis às oscilações no preço desses produtos no mercado internacional, pois significa que, se o preço desses produtos cair, as receitas de exportações dos países serão prejudicadas.
Os países com melhores redes de infraestrutura, com destaque para a África do Sul, oferecem vantagens às indústrias, que importam matérias-primas e exportam produtos com menores custos.

O crescimento econômico dos países africanos 


Desde o começo do século XXI, alguns países africanos têm despontado entre os que mais rapidamente crescem economicamente no mundo. 
Em 2020, os países africanos produtores de petróleo exploraram em média cerca de 7 milhões de barris desse combustível por dia, o que representa aproximadamente 8% da demanda mundial. A África atualmente abrange cerca de 7,2% das reservas de petróleo do mundo, e alguns países se destacam na produção desse recurso.
No entanto, a riqueza gerada pela exportação de petróleo leva a muitas contra dições. A maioria da população não se beneficia do fluxo de recursos provenientes dessas receitas, que acabam enriquecendo pequenas elites e empresas es trangeiras e não são revertidas em serviços essenciais. Além disso, a exploração petrolífera está associada a impactos ambientais e sociais. 
O desenvolvimento econômico da África, além da riqueza gerada pelo petróleo, carece tanto de investimentos em fontes de energia sustentáveis como em melhorias na qualidade de vida da população.

O potencial econômico da África 


A África é um continente com grande potencial de de senvolvimento, sobretudo em razão da riqueza de recursos naturais, da população predominantemente jovem e da localização geográfica estratégica, com acesso à Europa e à Ásia. 
No contexto da economia globalizada, contudo, os investimentos estrangeiros são, em geral, canalizados para os países que oferecem mão de obra especializada, mercados consumidores em expansão, capacitação tecnológica e boa infraestrutura de transportes e de comunicações. Diante dessas exigências, diversos países africanos são excluídos do mercado mundial. 
Recentemente, os crescentes investimentos chineses na África vêm contribuindo para elevar o potencial econômico de muitos desses países. No entanto, além da baixa diversificação econômica, diversos fatores limitam o potencial das economias africanas, entre eles:
- O elevado deficit comercial, que tem impacto nas recei tas dos governos africanos. As exceções são a África do Sul e alguns dos grandes exportadores de petróleo do continente, como Líbia, Gabão, Nigéria, Angola e Argélia. 
- O endividamento externo, que, no caso de alguns países, che ga a ser dezenas de vezes superior às exportações ou ao PIB. 
- A existência de regimes antidemocráticos, democracias frágeis e governos corruptos em alguns países. 
- A existência de redes de transporte, comunicação e energia insuficientes e, em alguns casos, precárias, que desestimulam os fluxos comerciais. 
- Dependência tecnológica e financeira em relação aos países desenvolvidos. 
- Taxas de desemprego elevadas e que não são reduzidas ao longo do tempo, dificultando a inserção de jovens no mercado de trabalho.

O desemprego e a fuga de cérebros 


Nos países africanos, o desemprego afeta principalmente os jovens – grupo que hoje representa a maioria da popula ção do continente. Esse é um dos principais fatores que con tribuem para o fenômeno da “fuga de cérebros”, resultante da emigração de indivíduos com alta qualificação para ou tros países e regiões que oferecem melhores oportunidades de trabalho.

A China na África 


Vimos que as relações comerciais entre a China e os paí ses africanos vêm crescendo significativamente no século XXI. 
Nesse contexto, os chineses financiam obras de infraestrutura no continente, construindo rodovias, ferrovias, portos, redes de energia elétrica e comunicação e planos de geração de energia alternativa. Além disso, diversas parcerias – joint ventures – nos setores petrolífero, minerador, de geração de energia, de indústria de transformação e de telecomunicações já foram estabele cidas entre empresas chinesas e africanas. 
A China acaba se beneficiando desses investimentos, pois é a principal parceira econômica dos países africanos e uma parte significativa dos recursos naturais importados pelo país (incluindo cerca de 30% do petróleo) vem da África. 
As ações chinesas na África fazem parte de um ambicio so projeto denominado Nova Rota da Seda (observe o mapa a seguir). Em seu conjunto, a iniciativa abrange o território de 68 países e envolve os continentes asiático, europeu e africano por meio da instalação de redes de cabos de fibra óptica, oleodutos, gasodutos, complexos portuários, rodovias e ferrovias.

O turismo 


Apesar da riqueza cultural e natural da África, que estimula o desenvolvimento do turismo, apenas recentemente a atividade passou a apresentar importância significativa na economia africana. Na África do norte, destaca-se o patrimônio histórico e cultural de países como o Egito, que conta com pirâmides, templos, museus, mesquitas e outras atrações que o eleva à condição de país mais visitado da África. Já na África subsaariana, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística. 
No contexto da maioria dos países da África subsaariana, destaca-se a importância de parques nacionais e outras áreas de conservação, sobretudo aquelas dotadas de savanas e florestas tropicais. Nessas áreas, os famosos safáris (a palavra safári vem da língua suaíli e significa “viagem”), destinados à observação de animais, atraem milhares de turistas de todo o mundo. Os mais visitados estão na África do Sul, em Botsuana e no Quênia.
O crescimento do turismo no continente africano no século XXI vem contribuin do para o desenvolvimento econômico, gerando empregos e renda para a população. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes somada à instabilidade e às condições de insegu rança em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo no continente, que também foi profundamente afetado pela pandemia de covid-19 – que, em 2022, ainda limitava os fluxos de turistas em direção à África.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

África do Sul

África do Sul: realidade socioeconômica


A África do Sul está localizada em uma área estratégica, que, desde o sé culo XVII, fazia parte da rota marítima da Europa e da América em direção à África oriental, à Índia e ao Extremo Oriente e vice-versa. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento.
O país tem três capitais: Tshwane, ex-Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária), mas a cidade mais importante é Johannesburgo, principal centro comercial, industrial e financeiro.
Com uma área de 1.221.037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. O país abriga 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de man ganês. Além disso, possui reservas de cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata. Mas o ouro é, sem dúvida, a mais importante de suas riquezas minerais.
O país é responsável por cerca de 35% da produção mundial. Apenas alguns países de grande extensão territorial, como Rússia, Esta dos Unidos, Canadá e Brasil, considerados países-continentes, apresentam maior quantidade de riquezas minerais do que a África do Sul.
Embora apenas 11% do território sul-africano seja considerado apropriado para a agricultura, o país tem uma produção diversificada e fornece alguns produ tos agrícolas para o mercado externo, como laranja, uva, maçã e frutas tropicais. As duas principais culturas são as do milho e o trigo, que ocupam, respectivamen te, 26% e 13% das terras cultiváveis. Destaca-se também a cultura de cana-de--açúcar. Na atividade de criação, o maior rebanho é o de ovinos.
O carvão mineral é outro importante recurso energético. Cerca de 30% das minas exploradas são a céu aberto, o que facilita a extração do produto. A exportação de carvão mineral em 2016 perfazia 5% do valor total exportado pelo país.
Articulada com as cadeias produtivas globais de corporações multinacionais, como as montadoras de veículos, a África do Sul é o país mais industrializado do continente africano. Em 2016, as exportações de veículos prontos correspondiam a cerca de 7% do va lor total exportado, perdendo em importância apenas para diamante e platina, que representavam, respectivamente, 10% e 8,2%.
A indústria sul-africana, estruturada ao longo do período de dominação europeia, tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%). A abundância de recursos minerais e energéticos também favoreceu a industrialização do país, além de gerar recursos com as exportações – o minério de ferro está entre os mais exportados. A atividade industrial e a extração mineral, porém, continuam a ser controladas pela elite branca e realizadas com a força de trabalho da maioria negra.

A sociedade e o apartheid 


Em 2017, a população da África do Sul era de 55 milhões de habitantes, cuja composição era de aproximadamente 79% negros, 9,6% brancos, 8,9% mestiços e 2,5% asiáticos (indianos, principalmente). 
Até a primeira metade dos anos 1990, os brancos mantinham uma forte política de segregação racial (apartheid), segundo a qual os negros não usufruíam os mesmos direitos dos brancos, ou seja, as pessoas não eram iguais perante a lei. 
O apartheid foi um regime de segregação racial institucionalizada, que praticamente negava aos negros a condição humana. Em 1953, foi publicada a Lei de Recreações, que estabeleceu bibliotecas, escolas, praias e parques separados para brancos e não brancos. No grupo dos não brancos eram incluídos, além dos negros, os mestiços e os asiáticos, também vítimas da segregação racial.
O apartheid foi criado com a finalidade de sustentar um modelo econômico de senvolvido pelos brancos, baseado na exploração da mão de obra negra. Para atingir esse objetivo, era necessário manter o controle da maioria negra da população. 
Por décadas, esse regime separou brancos de negros, proibindo a convivência entre eles nas escolas, nos parques, nos ônibus e nos bairros (viviam em áreas separadas). Até mesmo o matrimônio entre brancos e negros era vetado por lei. Pautado na segregação racial, o apartheid tinha como intuito explorar a mão de obra dos negros africanos e legitimar o poder dos brancos no território sul-africano.
Alguns números expressam bem o resultado dos longos anos em que vigorou esse regime de segregação racial: até meados da década de 1990, havia na África do Sul aproximadamente 750 mil piscinas, privilégio praticamente exclusivo dos brancos, o que significava a média de uma piscina para duas famílias brancas. Ao mesmo tempo, cerca de 10 milhões de pessoas, quase todas negras, não tinham acesso a água potável.
Nessa mesma época, 84% das pessoas com curso universitário eram bran cas e apenas 7,5%, negras. Enquanto o índice de analfabetismo entre os brancos era insignificante (apenas 1%), 50% dos negros eram analfabetos. 
Também no que diz respeito à questão educacional, na década de 1950, o go verno sul-africano instituiu a “Educação Banto” para os negros, que era inferior à educação oferecida aos brancos. Chegava-se a ponto de não ensinar Matemática aos estudantes negros, sob a justificativa de que “isso não fazia parte de sua cultura”. 
Atualmente, a renda per capita dos brancos está na faixa dos 7 mil dólares, enquanto a dos negros é de aproximadamente 600 dólares. A taxa de mortalidade infantil entre os negros é de 74 por mil; a dos brancos, de 10 por mil.

O fim do apartheid e a nova África do Sul 


Na década de 1980, a ONU impôs sanções ao país para pressionar o regime racista. Houve forte pressão internacional para que o governo sul-africano extinguisse o regime do apartheid. Alguns países chegaram a impor um boicote econômico à África do Sul. 
Em resposta, alguns dirigentes políticos sul-africanos, liderados pelo presidente Frederik de Klerk, adotaram medidas para abrandar o regime de segregação racial. Em 1990, o líder negro Nelson Mandela, preso havia 27 anos, foi libertado, assim como todos os presos políticos do país.
Diversos grupos e partidos políticos de oposição, entre eles o Congresso Nacional Africano (CNA), foram legalizados. Em 1991, foram banidas diversas leis discriminatórias, liberando-se o uso de piscinas, praias, ônibus, bibliotecas, escolas e banheiros públicos para toda a população. 
Em razão dessas mudanças, que ampliaram os direitos dos negros no país, muitos brancos extremistas organizaram uma série de protestos, ameaçando as reformas do governo sul-africano, cujo maior desafio passou a ser a instauração da lei do direito ao voto, que daria à maioria negra a possibilidade de lutar por seus ideais no Parlamento da África do Sul.
A aplicação da nova lei eleitoral se concretizou en tre 26 e 28 de abril de 1994, quando foram realizadas as eleições multirraciais. Os negros votaram pela primeira vez na África do Sul. Nelson Mandela, principal dirigente do partido do CNA, o mais antigo movimento nacionalista da África, foi eleito presidente do país. 
Entretanto, a instituição da democracia e a eleição de Mandela como presidente representaram um grande desafio: transformar a sociedade sul-africa na, pois toda a riqueza estava concentrada nas mãos dos brancos. 
O governo de Mandela também se deparou com sérios problemas étnicos. Na África do Sul há, basicamente, onze diferentes etnias, das quais as principais são a dos zulus e a dos xhosas. A maior é a dos zulus, com cerca de 6 milhões de pessoas. Essa etnia ocupa diversas partes do território sul-africano, mas se concentra na província de Kwazulu-Natal, a qual pretende se tornar um país independente.
Na gestão de Nelson Mandela ocorreram alguns avanços importantes: mais de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a água encanada e quase todas as casas foram conectadas à rede de energia elétrica.
Essas desigualdade mantém a separação entre negros e brancos, mas não institucionalmente. Enquanto a população negra sul-africana recebe os menores salários e acumula menos anos de escolaridade, os brancos mantêm os postos de empregos mais importantes e mais bem remunerados, detêm mais propriedades e somam mais anos de escolaridade.
No entanto, desde o fim do apartheid, medidas afirmativas vêm sendo implantadas pelo governo sul-africano em vários setores da socie dade – por exemplo, na economia e na educação –, a fim de minimizar essas diferenças.
Em 1997, o Parlamento sul-africano aprovou a Lei de Igualdade no Trabalho, estabelecendo a adoção por parte de todas as empresas do país, tanto estatais como privadas, de uma política de emprego voltada à ampliação da participação de negros, mestiços, mulheres e deficientes em seus quadros, particularmente nos postos de nível hierárquico mais elevado (supervisão, gerência, direção). 
Essa lei visa corrigir as distorções que ocorreram na contratação de funcionários pelas empresas durante o regime do apartheid, que privilegiava os brancos.
Com o fim do apartheid, ocorreram profundas transformações econômicas e políticas. Entretanto, apesar de hoje pertencer ao grupo dos países em desenvolvimento, e além de ser membro do G20, grupo que reúne as 20 principais economias do planeta, a África do Sul continua extremamente desigual, alcançando o posto, segundo o índice Gini, de país com a maior desigualdade de renda do planeta.

A África do Sul no BRICS 


Em abril de 2011, a oficialização da África do Sul como membro do BRICS mostrou que o país vem ganhando projeção no cenário mundial. Apesar de apresentar indicadores econômicos ainda muito distantes daqueles alcançados pelos de mais países do grupo e inúmeros problemas sociais, a África do Sul tem consolida do sua posição de país emergente. Como uma das maiores e mais diversificadas economias da África, a África do Sul está de acordo com especialistas, em posição de destaque no continente.

África do Sul: o parque industrial mais diversificado do continente 


A África do Sul é um dos países com maiores reservas de minérios no continente e é um dos maiores produtores mundiais. O país exporta minérios brutos, dos quais é um dos principais fornecedores mundiais e o maior da África.
Entretanto, possui indústrias que processam internamente grande parte da produção mineral; usinas siderúrgicas e meta lúrgicas, que produzem diversos tipos de metais – ferro, aço, alumínio, cobre, etc. –, os quais, por sua vez, alimentam outras indústrias, como a automobilística.
O parque industrial do país é o maior, mais diversifica do e mais moderno da África. Isso contribui para que sua economia seja a segunda maior entre todos os países africanos, a maior economia é a Nigéria, mas sua população é 3,4 vezes maior que a da África do Sul). 
Entre os outros fatores que exerceram influência em sua economia está a entrada de investimentos ingleses e esta dunidenses e os investimentos em infraestrutura e nas indústrias de base. 
Além disso, os imigrantes europeus trouxeram conhecimentos e experiência em diversas modalidades de trabalho, e a superexploração da mão de obra de xhosas, zulus e outras etnias do país durante o regime do apartheid trouxe altos lucros às empresas nacionais e estrangeiras. Hoje há a garantia de uma série de direitos aos trabalhado res reduzindo o grau de exploração. 

África: uma economia dependente

África: continente em reconstrução 


A maioria dos países africanos tem muita dificuldade para manter a estabilidade política, econômica e social. Essa dificuldade está ligada a dois fatores que se perpetuam na realidade africana mesmo após a consolidação dos processos de independência: a dependência externa (sobretudo, das antigas potências colonizadoras) e a eclosão de conflitos internos. Vamos conhecer um pouco desses aspectos, que precisam ser superados para que as sociedades africanas.
Para entender os vários aspectos da economia da África, é necessário levar em consideração a longa fase de colonização europeia, cujas repercussões se fazem sentir ainda nos dias de hoje. Desde o período colonial, o espaço geográfico do continente africano vem sendo organizado de acordo com os interesses das ex-metrópoles ou das grandes potências mundiais.
Com a economia voltada para a produção de recursos primários, a África apresenta baixo nível de industrialização, mesmo se comparada com a de outras regiões do mundo subdesenvolvido. Os principais setores industriais estão ligados ao beneficiamento de produtos agrícolas destinados à exportação, como tecelagens de algodão, fábricas de óleo vegetal e de suco concentrado, usinas de açúcar e torrefações de café.
Outros setores industriais importantes estão ligados à extração e transforma ção de recursos minerais e energéticos fósseis, como as mineradoras e refinarias de petróleo. Os países africanos mais industrializados são a África do Sul, o Egito, a Nigéria e a Argélia, e a produção dos três últimos é basicamente voltada para a indústria têxtil, a de alimentos, a produção de gás natural e o refino de petróleo.

A agropecuária


A produção agrícola africana, que, antes do período colonial, era organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, foi substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de exportação. Na maioria dos países africanos, atualmente, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial. 
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades, com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às ne cessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura se caracteriza pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais.
Essa atividade agrícola, praticada principalmente nas áreas de Savanas, utiliza o sistema itinerante, no qual o lavrador limpa uma pequena extensão de terra, realiza a queimada e, posteriormente, com a ajuda da enxada, retira os torrões de terra e faz a semeadura, empregando a cinza que restou como fertilizante. Decorridos alguns anos, quando os solos começam a apresentar sinais de esgotamento, o lavrador parte para uma nova área e, assim, sucessivamente, vai caminhando em busca de novas terras. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
A agricultura comercial para exportação, denominada plantation, surgiu com a chegada do colonizador. Praticada principalmente nas zonas litorâneas, sua finalidade é a produção de culturas destinadas a abastecer o mercado externo. Nela predomina a monocultura, realizada em grandes propriedades, que ocupam as melhores terras do continente. É nessas terras férteis que vem se expandido a agricultura moderna, igualmente voltada à exportação.
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os se guintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, Re pública Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali, Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos) e chá (Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
Na região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia), destacam-se as culturas de trigo, cevada, cen teio, oliveira e videira, que também são cultivados no sul da África do Sul, onde predomina o clima Mediterrâneo. 
A atividade de criação de animais é praticada principalmente na região mediterrânea, nas Estepes e Savanas do Sudão, na África do Sul, e nas regiões às margens dos grandes lagos da parte oriental. 
A África do Sul concentra um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, sobretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

As riquezas minerais e a atividade industrial


Desde as primeiras descobertas, as riquezas minerais africanas têm sido exploradas por companhias estrangeiras, principalmente multinacionais. Entre tanto, no final da década de 1960, alguns países resolveram nacionalizar suas minas, apoiando-se em organismos internacionais que reúnem vários países produtores de minérios.
Um desses organismos é o Conselho Intergovernamental de Países Exportadores de Cobre (Cipec), ao qual a República Democrática do Congo e a Zâmbia, dois grandes produtores de cobre, se associaram após nacionalizarem suas principais jazidas. Essa atitude foi seguida pelos produtores de minério de ferro e bauxita, que passaram a se unir e a ingressar em entidades supranacionais para defender seus interesses.
O petróleo, um dos mais significativos produtos minerais africanos e grande fonte de divisas para vários países, é explorado na Líbia, no Marrocos, na Argélia, no Egito (na península do Sinai), na Nigéria (próximo ao delta do rio Níger), em Angola, no Sudão, no Chade e no Gabão, entre outros. Angola, Líbia, Argélia, Nigéria e Gabão são grandes produtores mundiais e os quatro primeiros fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes. A República Democrática do Congo, além de diamantes, possui duas outras importantes riquezas minerais: o cobre, que representa cerca de 50% do valor total de suas exportações, e o manganês. Na Zâmbia, o comércio de cobre corresponde a 80% das exportações do país.
O Marrocos e a Tunísia são grandes exportadores de fosfato, matéria-prima da indústria de fertilizantes. O Marrocos, por exemplo, responde por cerca de 30% do fosfato comercializado internacionalmente. 
A África do Sul é outro país riquíssimo em minerais, destacando-se o ouro, o diamante, o carvão e o urânio.
Apesar de toda a riqueza do subsolo africano, a produção é quase toda administrada por multinacionais e destinada ao abastecimento dos mercados dos países desenvolvidos, portanto, não contribui para a melhoria do nível de vida da população africana, em geral. 
O principal tipo de indústria que vem se desenvolvendo em alguns países da África é a de bens de consumo, sobretudo não duráveis. As indústrias de bens duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia e, principalmente, África do Sul, que apresenta a maior diversificação industrial do continente. 
A África do Sul reúne o maior parque industrial do continente africano. À exceção dos outros, esse país abriga uma indústria diversificada, com destaque para os setores automobilístico, siderúrgico, químico e alimentício. A maior parte das indústrias sul-africanas é composta de multinacionais, que se instalaram no país principalmente a partir da década de 1960. Por isso, podemos afirmar que a África do Sul é um país de industrialização tardia, como o Brasil, o México e a Argentina.
Dessa forma, não se desencadeou, na maior parte da África, a industrialização por substituição das importações, como ocorreu em outros países subdesenvolvidos. 
Na maioria dos países africanos, os produtos industrializados, que incluem tanto bens de produção (equipamentos de transporte, produtos químicos e metalúrgicos) quanto bens de consumo (automóveis, vestuário, eletrodomésticos e mobiliários), precisam ser importados de outros países, principalmente da União Europeia, dos Estados Unidos e da China. 
Isso tudo causa atraso tecnológico, impedindo que as nações africanas rompam com a situação de dependência em que se encontram em relação aos países mais ricos e industrializados.
As principais áreas industriais da África estão situadas no entorno de cidades como: Argel, na Argélia; Alexandria e Assuan, no Egito; Trípoli, na Líbia; Tânger, no Marrocos; Túnis, na Tunísia; e Dacar, no Senegal; além das cidades da África do Sul, país mais industrializado do continente. A produção industrial africana corresponde a cerca de 11% do total do PIB da África.

Fatores do baixo desenvolvimento industrial africano 


O baixo desenvolvimento industrial africano decorre, sobretudo, dos fatores a seguir. 
- Existência de um mercado consumidor restrito para bens de consumo industrializados, já que a maioria da população vive em estado de pobreza.  
- Falta de interesse por parte dos empresários locais e das multinacionais em investir na implantação de indústrias que substituam as importações de mercadorias provenientes dos países desenvolvidos.

A dívida externa e a dependência econômica da África 


Muitos países africanos têm seu desenvolvimento limitado pela elevada dívida externa e a consequente dependência econômica em relação aos países desenvolvidos e instituições financeiras internacionais. 
Atualmente, o pagamento das dívidas adquiridas por sucessivas administrações compromete os gastos públicos desses países. Os valores deveriam ser aplicados em programas de desenvolvimento industrial ou de saúde e educação. Tal problema é particularmente acentuado nos países da África Subsaariana.
A dívida externa tem origem no perío do pós-independência dos países africa nos, mas aumentou consideravelmente a partir das décadas de 1970 e 1980. 
Já na de 1980, o valor da dívida externa dos países da região correspondia a quase 60% de toda a riqueza gerada, chegan do, em alguns países, a superar o valor do PIB anual de países devedores. No caso da Libéria, a dívida externa chegou a ser seis vezes maior que o PIB. 
Sem ter como dar conta do valor total das parcelas da dívida, vários países do continente africano passaram a pagar apenas seus juros. Nesse contexto, parte substancial do PIB passou a ser destinada ao pagamento de parcelas da dívida externa, resultando na redução dos gastos com serviços públicos.
Alguns países da África Subsaariana são dependentes da ajuda financeira internacional. No entanto, questiona-se o interesse de parte desses credores, os quais, para alguns analistas, beneficiam-se em continuar fornecendo créditos e ampliando o endividamento desses países. 
Questiona-se também a conduta dos países desenvolvidos e das grandes empresas transnacionais em relação à África. Nesse sentido, são cobradas ações mais concretas que beneficiem os países africanos e possibilitem criar bases para seu desenvolvimento, como a transferência de tecnologias e a realização de investimentos em áreas estratégicas com potencial para transformar as economias rurais e urbanas do continente, a exemplo da educação, do desenvolvimen to de infraestrutura e do aproveitamento de fontes de energia renováveis.

Economias dependentes, populações debilitadas


A dívida externa e a corrupção são alguns dos principais fatores que agravam, dia a dia, a situação dos africanos. O pagamento de parcelas da dívida e o desvio de verbas públicas esvaziam os cofres dos governos, deixando a população da maioria dos países africanos completamente desassistida, sem acesso a serviços públicos de saúde, educação e alimentação. Isso faz com que a África apresente os piores indicadores sociais do mundo.
Os problemas sociais desse continente estão se agravando também em razão do rápido crescimento populacional ocorrido nas últimas décadas. A África é um dos continentes que apresentam uma das maiores taxas médias de crescimento natural: cerca de 2% ao ano. As principais causas desse elevado crescimento são as altas taxas de natalidade: cerca de 4% ao ano em média. Elas indicam grande percentual de crianças e jovens no total da população. Estima-se que, atualmen te, 50% dos africanos tenham menos de 18 anos de idade.
As taxas de mortalidade também são bastante elevadas, sendo agravadas pelo precário atendimento médico. Esse fato implica baixa expectativa de vida, atualmente em torno dos 60 anos. Como consequência, a População Economicamente Ativa (PEA) é insuficiente para sustentar a grande parcela de crianças e jovens que compõem a população. Além de reduzida, a PEA é bastante desqualificada em razão, principal mente, do alto índice de analfabetismo.

Investimentos estrangeiros 


O continente africano como um todo não está plenamente integrado aos fluxos mais significativos da economia mundial. Isso dificulta a solução de muitos de seus problemas sociais e econômicos – quando não os agrava. 
Por exemplo: apesar do recente crescimento observado em muitos países da África, o fluxo de capitais produtivos, que são investimentos que geram riqueza – lucro para as empresas, empregos para os trabalhadores e impostos para o Estado –, mantém-se como um dos mais baixos do mundo. Além de esse fluxo de investimentos ser baixo, está muito concentrado em poucos países.
 

O turismo 


Apesar da riqueza do patrimônio natural da África que poderia, por exemplo, estimular o desenvolvimento do turismo ecológico, apenas mais recentemente a atividade turística vem apresentando uma importância mais significativa na economia africana. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes e os constantes conflitos étnicos existentes em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo.
Na região do Mediterrâneo – Marrocos, Tunísia e Egito, principalmente –, ocorre um maior fluxo turístico. Sem dúvida, o patrimônio histórico egípcio, com suas pirâmides e templos, é uma das principais atrações do continente africano, o que eleva o Egito à posição de país mais visitado da África. Na África subsaaria na, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística.


Africa: composição étnica e as religiões


A grande diversidade étnica e cultural da África é evidenciada por diferentes idiomas, dialetos, crenças religiosas, culinária e costumes. A diversidade também pode ser observada na economia. Enquanto muitos países ainda são predominan temente agrários, outros têm uma economia dinâmica, baseada em diversos setores e atividades.
A população africana é predominantemente negra. Os brancos, em sua maioria islâmicos, ou muçulmanos, de língua árabe, constituem um terço do total e se concentram na porção setentrional do continente. Ao sul do Saara também há uma população branca de origem europeia, concentrada na África do Sul.
Os brancos do norte da África subdividem-se em árabes e berberes. Os primeiros pertencem ao grupo étnico semita, que conquistou a África setentrional no século VII, fixando-se no Egito, na Tunísia, na Líbia e na porção oriental da Argélia.
Os berberes, pertencentes ao grupo étnico camita, são os mais antigos habitantes do Magreb e constituem a maior parte da população do Marrocos e das regiões montanhosas da Argélia. Entre os berberes destacam-se os tuaregues (nômades do deserto) e os etíopes. Os dois grupos, em sua maioria, professam a religião islâmica.
A população negra, concentrada ao sul do Saara, apresenta grande diversidade de povos, religiões e idiomas (mais de 100). Além de diferentes línguas e dialetos nativos, são falados o francês, o inglês e o português, introduzidos pelos colonizadores. Alguns povos negros são seguidores da religião islâmica, mas, nos últimos anos, tem crescido o número de cristãos (sobretudo adeptos do catolicismo). Muitos seguem o animismo.
Os negros no continente africano se subdividem nos seguintes grupos:
• Bantos: os mais numerosos, que ocupam a maior parte da região equatorial (bacia do Congo), a região dos grandes lagos e parte da Namíbia, de Botsuana e da África do Sul;
• Sudaneses: estabelecidos principalmente na porção ocidental da África;
• Hotentotes: em maior número na África do Sul, na Namíbia e em Botsuana;
• Nilóticos: habitantes da região do alto curso do rio Nilo;
• Bosquímanos: habitam Estepes situadas às margens do deserto do Kalahari;
• Pigmeus: habitantes das Florestas Equatoriais; 
• Malgaxes: habitantes da ilha de Madagascar.

Artes africanas tradicionais 


Os povos africanos possuem uma produção artística rica e variada, porém pouco conhecida em países de outros continentes. Isso ocorre, entre outros fatores, em razão da difusão de uma imagem historicamente distorcida do continente africano, apresentado como desorganizado social e politicamente e ocupado por povos cultural e intelectualmente inferiores. Essa visão é equivocada, pois a África estava organizada em sociedades bastante complexas muito antes da chegada do colonizador europeu, com ciências e artes presentes no cotidiano dos povos.

Revoltas populares no norte da África

A partir de 2010, uma onda de revoltas populares atingiu o norte da África e países do Oriente Médio. A luta da população por democracia, abertura política e melhorias sociais, entre outros aspectos, derrubou regimes autoritários e foi responsável por uma mudança de olhar em relação ao mundo árabe, quase sempre visto exclusivamente sob o viés das questões étnico-religiosas ou do petróleo.
A mobilização popular nas reivindicações por melhoria das condições sociais e por democracia contou com participação ativa sobretudo de jovens nas redes sociais, utilizadas para disseminar informações e convocar pessoas para os pro testos nas ruas. 
Na Líbia, o movimento derrubou o ditador Muamar Kadafi, mas o país entrou em guerra civil, com milícias e grupos islâmicos contro lando porções territoriais do país. 
Na Tunísia, a queda do ditador Ben Ali em 2011 abriu espaço para que o partido islâmico moderado assumisse o governo do país, que, em 2016, recorreu ao FMI para a obtenção de recursos. Em contrapartida, o Fundo exigiu um programa de redução dos gastos governamentais. Em 2018, o povo foi novamente às ruas para exigir melhoria nas condições sociais.
No Egito, os protestos da população levaram o presidente Hosni Mubarak a renunciar ao governo em 2011. No ano seguinte, com as primeiras eleições de mocráticas para presidente no país, Mohamed Mursi foi eleito para a presidência. No entanto, sob um governo autoritário, as melhorias nas condições sociais não ocorreram para boa parte da população. Em razão dessa situação, os protestos foram retomados e, nesse contexto de instabilidade, as forças armadas derrubaram Mursi. Novas eleições foram realizadas em 2014, levando ao poder novamen te um governo autoritário e frustrando as expectativas de boa parte da população, que ansiava por novas perspectivas sociais e democracia.

Haiti

O Haiti ocupa uma área territorial de aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados, o que corresponde à área do estado brasileiro de Alagoas...