sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: superpotência mundial

Para compreender como os Estados Unidos chegaram, em termos econômicos e geopolíticos, à atual posição de superpotência mundial, precisamos analisar sua formação histórica e identificar os fatores que contribuíram para seu desenvolvimento.
As colônias que, no século XVII, foram estabelecidas na costa do Atlântico Norte, e que depois deram origem aos Estados Unidos, despertaram pouco interesse nos ingleses. Nessas terras, localizadas em áreas de clima temperado, não se desenvolviam bem os gêneros agrícolas tropicais, muito valorizados na Europa àquela época. Além disso, não havia no local jazidas de minerais preciosos, como ouro e prata. Assim, a ocupação dessas áreas atendia somente às necessidades das próprias colônias. Por isso, a forma de ocupação foi baseada no estabelecimento de pequenas propriedades camponesas, com predomínio do trabalho agrícola familiar, assim como no desenvolvimento do artesanato e da manufatura, com a produção de artigos diversos.
O aumento da produção agrícola e da atividade artesanal propiciou o cres cimento do mercado interno, acelerando a expansão das manufaturas, do comércio e das casas bancárias. A ampliação dessas atividades permitiu significativa acumulação de capital, que, a partir do século XIX, passou a ser investido nas primeiras fábricas, as quais, mais tarde, impulsionaram o desenvolvimento industrial e econômico do país.

Revolução industrial estadunidense


A partir do final do século XVIII, os Estados Unidos passaram por uma fase de grande prosperidade econômica, motivada especialmente pela expansão do mercado consumidor interno, fato que assegurou o crescimento da produção industrial na região nordeste do país.
Na segunda metade do século XIX, muitos recursos passaram a ser aplica dos na mineração, tendo em vista a demanda de matérias-primas destinadas ao abastecimento da crescente indústria. Iniciou-se a exploração de imensas jazidas de carvão nos Montes Apalaches, enquanto o ferro era extraído em abun dância nas proximidades dos Grandes Lagos na região nordeste do país. A exploração desses recursos alavancou o desenvolvimento da atividade industrial.
Mais tarde, no final do século XIX, a descoberta e a extração do petróleo, primeiro próximo aos Grandes Lagos e depois no Texas e no Golfo do México, proporcionaram grande desenvolvimento da indústria, em especial do setor petroquímico. O petróleo passou a ser empregado como combustível para o funcionamento de máquinas industriais e de veículos de transporte, principal mente automóveis.

Colonização e formação da América Anglo-Saxônica


A colonização do Canadá iniciou-se no século XVII, com o estabelecimento de ingleses na baía de Hudson e de franceses no litoral leste. A ocupação europeia seguiu gradativamente para oeste, alcançando o litoral ocidental do país no final do século XIX, com a chegada da ferrovia a Vancouver. 
O Canadá conquistou sua independência da Inglaterra somente em 1867. A colonização efetiva do território que atualmente compõe os Estados Unidos ocorreu em 1776 com a independência das chamadas Treze Colônias, que até então estavam sob o domínio inglês. Em segui da, iniciou-se o processo de ocupação do interior, chamado Conquista do Oeste ou Marcha para o Oeste. Dessa forma, novas áreas foram incorporadas (sobretudo para uso agrícola), algumas anexa das por meio de guerras, outras compradas ou cedidas aos estadunidenses. Assim como ocorreu no Canadá, a construção de ferrovias nos Estados Unidos foi fundamental para o relativamente rápido pro cesso de ocupação do território. 
Por outro lado, durante esse processo, dezenas de povos indígenas que viviam nos territórios compra dos acabaram perdendo suas terras, o que obrigou milhares de pessoas a viver em áreas restritas do ter ritório estadunidense (e também canadense) designadas pelo governo, as chamadas reservas indígenas.

Ascensão como potência econômica


A intensa acumulação de capital ocorrida na segunda metade do século XIX possibilitou a emergência dos Estados Unidos como uma das maiores potências econômicas mundiais.
No início do século XX, o país já abrigava grandes empresas que detinham o monopólio de alguns setores estratégicos da economia, como o de petróleo (pertencente à família Rockefeller), o de aço (da família Morgan), o de automóveis (da família Ford) e o setor de ferrovias (pertencente à família Vanderbilt).
O crescimento da economia estadunidense também foi favorecido por dois importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como eles ocorreram principalmente no território da Europa, os países desse continente, que já eram industrializados e despontavam como potências econômicas, foram praticamente arrasados. Be neficiados por estarem geograficamente distantes da Europa, os Estados Unidos não sofreram os mesmos desgastes e perdas resultantes desses conflitos.
Ao final da Segunda Guerra, países como Inglaterra, França, Itália e Alemanha estavam muito enfraquecidos e com as produções agrícola e industrial arruinadas. A escassez de produtos no mercado interno os fez recorrer às importações dos Estados Unidos, acelerando o crescimento da economia estadunidense.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a destinar grande ajuda financeira para a reconstrução dos países europeus. A realização desses empréstimos contribuiu para o endividamento desses países, ampliando ainda mais a depen dência deles em relação à economia estadunidense.

A geopolítica vista pelos Estados Unidos 


Embora no mundo despontem várias áreas de influência geopolítica, por mais amplas e diversificadas que sejam, um dos polos mais fortes e mais influentes está na América do Norte: os Estados Unidos.
Isso porque é um país de incomparável potência militar, não existindo concorrentes à sua altura no campo bélico, mesmo levando em consideração as potências militares mais notáveis do mundo, como França, Inglaterra, Rússia e China. Em 2021, do total de aproximadamente 2,1 trilhões de dólares gastos no mun do inteiro com despesas militares, cerca de 39% são dos Estados Unidos.
A disparidade militar entre os Estados Unidos e os demais países ficou mais evidente após o fim da Guerra Fria e, sobretudo, depois dos ataques terroristas às Torres Gêmeas do World Trade Center e ao Pentágono, em setembro de 2001. Esse evento marcou o início da política de combate às ameaças contra os Estados Unidos, conhecida como Guerra ao Terror.
Na prática, a Guerra ao Terror significa legitimar qualquer ação militar, política e econômica adotada pelo governo estadunidense contra qualquer país conside rado uma ameaça à sua segurança, mesmo que as ações envolvam o uso de seu poderio bélico e militar. Dessa forma, a partir da Guerra ao Terror, os gastos militares cresceram, e as bases militares e os porta-aviões estadunidenses se espalharam pelo mundo de tal modo que, atualmente, há dezenas deles em diversos países.  

Liderança econômica no mundo 


Os Estados Unidos representam o maior mercado consumidor do mundo. Por ser um mercado muito procurado por empresas de outros países para comercialização de seus produtos, muitas vezes o governo estadunidense impõe uma série de exigências que incluem detalhes técnicos ou sanitários que dificultam a entra da de produtos estrangeiros no país. Aliviar essas exigências é uma das formas usadas pelos Estados Unidos para conseguir aliados para o estabelecimento de parcerias comerciais. 

O dólar na economia mundial


Ao término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, na condição de grandes credores internacionais, afirmaram sua hegemonia econômica. Essa posição, entretanto, já havia se evidenciado na Conferência de Bretton Woods, realizada no país em 1944.
O objetivo dessa reunião foi planejar a estabilização da economia mundial, profundamente abalada pela guerra. Naquela ocasião, o dólar estadunidense estava tão valorizado que se tornou a moeda de referência no mercado in ternacional, ou seja, o valor das mercadorias comercializadas entre os países passou a ser definido conforme a cotação dessa moeda no mercado mundial.

Multinacionais e comércio estadunidense


A partir da segunda metade do século XX, a economia dos Estados Unidos iniciou uma nova fase, caracterizada pela expansão de grandes empresas que, em busca de novos mercados, passaram a atuar em outros países. Ao ampliar sua participação no mercado mundial, as multinacionais estadunidenses do minaram o processo de acumulação capitalista, aumentando o poderio dos Estados Unidos em relação às demais nações.
Os investimentos realizados por essas multinacionais foram direciona dos principalmente para os países desenvolvidos da Europa, como França e Inglaterra. Muitas dessas empresas também investiram nos mercados consumi dores em expansão dos países subdesenvolvidos, entre eles Brasil, Argentina, México e África do Sul.

Multinacionais estadunidenses no Brasil


Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entan to, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro.
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica.

Influência econômica dos Estados Unidos


As reportagens acima mostram a influência econômica dos Estados Unidos sobre o comércio e o mercado financeiro mundial. Essa influência se manifesta por meio do grande poder político sobre os organismos financeiros internacio nais, principalmente sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI). Prova disso é que muitas das medidas adotadas pelo fundo são determinadas pelo gover no estadunidense, sobretudo quando se referem à ajuda financeira aos países subdesenvolvidos. Para receber empréstimos, os países precisam se ajustar às exigências do FMI.
Além disso, os Estados Unidos praticam uma política econômica externa bastante protecionista. O país interfere no comércio internacional, não permitindo, por exemplo, a entrada de determinados produtos em seu mercado interno e estabelecendo barreiras alfandegárias no comércio com certos países, a fim de impedir que setores de sua economia enfrentem a concorrência externa.
O governo também aplica sanções econômicas e embargos comerciais, que vão da suspensão temporária da importação de determinados produtos ao bloqueio comercial de países que contrariam seus interesses políticos.

A política externa estadunidense


Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses econômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.
Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os interesses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses. 
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recu sou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no iní cio de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

Exportação cultural estadunidense


A difusão da cultura estadunidense em todo o mundo é intensa, realizada principalmente por meio dos veículos de comunicação de massa. As emisso ras de rádio espalhadas por todo o planeta, por exemplo, divulgam os vários gêneros musicais criados nos Estados Unidos. Da mesma forma, os estúdios de cinema e as redes de televisão produzem filmes e disseminam informações que enaltecem o modelo estadunidense de sociedade, o chamado american way of life, caracterizado pela modernidade e pelo comportamento consumista.
Além da influência exercida pelos veículos de comunicação de massa, a “invasão” cultural dos Estados Unidos consolidou-se com a implantação de multinacionais estadunidenses em todos os continentes. Ao se expandirem pelo mundo, essas empresas passaram a produzir praticamente os mesmos tipos de mercadoria e a prestar os mesmos serviços oferecidos nos Estados Unidos, influenciando os hábitos alimentares, as roupas, a língua e outros elementos culturais dos países onde foram instaladas, faturando centenas de bilhões de dólares todos os anos.


América Anglo-Saxônica

A América Anglo-Saxônica se destaca pelo desenvolvimento socioeconômico de seus países, que concentram negócios em diversos setores da economia. Esse conjunto regional é formado por duas nações altamente industrializadas: os Estados Unidos e o Canadá.

O território da América Anglo-Saxônica

Um dos países mais extensos do mundo, os Estados Unidos é composto de terras contínuas, com 48 dos 50 estados da Federação, e ainda porções descontínuas, como o Alasca (que se situa próximo à região norte do Canadá) e o Havaí, um arquipélago localizado no Oceano Pacífico.

O Canadá, mesmo tendo vasta extensão territorial, apresenta baixa densidade demográfica. Essa característica pode ser explicada pelo fato de que boa parte de sua área se localiza nas proximidades e até mesmo dentro do Círculo Polar Ártico, o que resulta em condições climáticas extremamente rigorosas.

População e sociedade

Estados Unidos e Canadá

Os Estados Unidos da América (EUA) têm a maior população abso luta do continente americano, com aproximadamente 331 milhões de habitantes (dado de 2020). É for mado por 50 estados.

Já o Canadá, em 2020, tinha uma população absoluta de cerca de 37,7 milhões de habitantes. O país é o segundo maior do mundo em extensão, com uma área de 9 897 170 km2.

Composição e distribuição da população dos Estados Unidos

A população dos Estados Unidos se formou a partir da variedade étnica de grupos indígenas que já ocupavam as terras americanas, africanos escraviza dos para o trabalho nas colônias do sul do país, colonizadores ingleses e outros europeus, principalmente italianos e irlandeses, além de asiáticos. Atualmente, a maioria da população é branca – em torno de 76,3% do total (esse percentual inclui pessoas de origem hispânica ou latina). A população negra, ou afro-americana, compõe 13,4% dos habitantes, e os asiáticos, 5,9% (dados do censo do governo dos Estados Unidos de 2020). Os grupos indígenas do país encontram-se muito reduzidos – cerca de 0,9% do total da população –, devido à dominação e ao extermínio a que foram submetidos no processo colonial. Uma parcela da população dos Estados Unidos é composta de pessoas de origem hispânica ou latina, que somam cerca de 18,5% da população (2020). A maioria dessa população é mexicana, mas há um grande número de porto-riquenhos, cubanos e panamenhos. Ao longo do tempo, os EUA se transformaram em uma nação multiétnica, recebendo pessoas de diver sos países que imigraram em busca, principalmente, de emprego e oportunidades. Desde a segunda metade do século XX, é intenso o fluxo de imigrantes latinos, boa parte deles vivendo em situação de ilegalidade. Em abril de 2018, o governo federal do país estabeleceu uma política de “tolerância zero”, que desencorajou a imigração ilegal nos Estados Unidos. Em virtude da grande extensão territorial – 9 371 219 km2, a quarta maior do mundo –, os EUA têm baixa densidade demográfica, em torno de 35,6 hab./km².

A grande concentração urbana nos Estados Unidos possibilitou a formação de três megalópoles, áreas de intensa rede de cidades, com a conurbação de metrópoles.

- Chi-Pitts: situada na região dos Grandes Lagos, abriga as áreas me tropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Milwaukee e Chicago. Trata-se de uma área que se caracteriza por ser polo indus trial, comercial e de serviços.

- Bos-Wash: localizada na região Nordeste, é a maior megalópole do país, abrangendo cidades como Boston, Filadélfia, Washington, Nova York (metrópole central) e Baltimore. É caracterizada por seu notável parque industrial, além de ter ampla gama de serviços e diversos órgãos da admi nistração federal.

- San-San: situada na Costa Oeste, abriga as áreas metropolitanas de São Francisco, Los Angeles, Seattle e San Diego. Esse corredor abrange polos tecnológicos, como o Vale do Silício, onde estão gigantes mundiais da informática.

Composição e distribuição da população do Canadá

Como foi colonizado por ingle ses e franceses, o Canadá é um país com duas línguas oficiais: o inglês e o francês. Devido ao histórico colonial, é formado majoritariamente pelas etnias inglesa e francesa; além dessas, vivem nele pessoas das etnias escocesa, irlan desa, alemã, italiana, chinesa, nativos da América do Norte, entre outras. Essa diversidade é resultado da política de imigração do país, que faz com que quase 22% da população seja de ori gem estrangeira (2019).

Quebec é a província francesa do Canadá, e a maioria da população do país é urbana. As grandes cidades estão localizadas no centro-sul e no sudeste do país, regiões próximas aos Grandes Lagos e ao Vale do Rio São Lourenço.

O Canadá tem uma das mais baixas densidades demográficas do mundo, apenas 4,2 hab./km² (2020), configu rando-se como um país pouco populoso e pouco povoado.

Indicadores sociais e econômicos

Os Estados Unidos, que integram os países do Norte na regionalização Nor te-Sul do mundo, têm bons indicadores sociais e econômicos. Estão entre as dez primeiras nações do planeta, com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida; no entanto, encontram-se no segundo grupo de países com maior desi gualdade. Observe o mapa da página seguinte com os índices globais de IDH.

O Canadá tem o padrão socioeconômico mais elevado do continente americano e, assim como os Estados Unidos, integra os países do Norte na regionalização Norte-Sul do mundo. Apresenta um dos dez mais elevados IDHs, 0,929, que você pode observar no mapa acima (dados de 2017). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida e o país apresenta menos desigualdade que seu vizinho do sul. O perfil etário estadunidense mostra que a maioria da população está na faixa de 25 a 54 anos, totalizando 38,92%. O crescimento populacional anual é de apenas 0,7% (2021). No Canadá, o perfil etário indica que a maioria da população também está na faixa de 25 a 54 anos (39,81%), e o crescimento populacional anual também é de 0,7% (2021). Veja, na tabela a seguir, alguns indicadores socioeconômicos dos dois países que compõem a América Anglo-Saxônica.

Principais características naturais da América Anglo-Saxônica

Os Estados Unidos e o Canadá têm grande diversidade de paisagens, resultan tes da interação entre suas formas de relevo, seus tipos climáticos e suas forma ções vegetais. Conheça mais sobre essa diversidade a seguir.

O relevo e a hidrografia

Os territórios do Canadá e dos Estados Unidos apresentam, em sua maior parte, baixas altitudes e contrastes evidentes entre suas porções leste e oeste. Analise o mapa a seguir e conheça algumas das principais regiões naturais do continente.

Montanhas e planaltos antigos do leste 

Essa área da América Anglo-Saxônica abrange o Planalto Laurenciano e os Montes Apalaches, um conjunto de montanhas e planaltos muito antigos e desgastados. Por isso, as altitudes são moderadas.
Montanhas jovens do oeste Estão situadas em uma extensa área de contato entre as placas tectônicas do Pacífico e Norte-Americana. Nessa re gião, no período terciário da Era Ceno zoica (entre 65 e 2 milhões de anos atrás), formaram-se as Montanhas Ro chosas, uma ampla cadeia que se esten de no sentido norte-sul.

Cânions 

Também na porção oeste dos Estados Unidos, encontramos o Grand Canyon, formado em áreas de rochas sedimenta res que, no decorrer de milhões de anos, vêm sendo desgastadas pelas águas do Rio Colorado, que percorre a região. Os processos erosivos desenham longos e profundos vales em forma de cânions.

Planícies centrais 

No centro da América Anglo-Saxônica estão localizadas extensas áreas de planí cie. Nelas, destaca-se o Rio Mississippi, que forma uma densa rede hidrográfica, com seus afluentes vindos dos Montes Apala ches a leste e das Montanhas Rochosas a oeste. Esse rio exerce um papel relevante para a navegação e a economia da região.

O clima e as formações vegetais 

A variedade climática da América Anglo-Saxônica, aliada a outros fatores, como o relevo, proporciona a existência de formações vegetais diversificadas, ainda que, atualmente, boa parte delas se encontre intensamente transforma da pela ação humana.
As montanhas localizadas na porção oeste da América Anglo-Saxônica representam uma barreira para as massas de ar que vêm do Oceano Pacífico em dire ção ao interior do território. Essa barreira bloqueia a umidade das chuvas e contribui para a formação de áreas com predomínio dos climas desértico e semiárido. A corrente marítima fria da Califórnia, que atua na porção oeste da região, reduz a evaporação e também favorece a existência de climas mais frios e secos nessa porção.

Nos territórios localizados na porção norte da América Anglo-Saxônica, registra-se a presença de climas mais frios (frio e polar), visto que há menor incidência direta de radiação solar nas áreas de elevada latitude. 
As condições do relevo e a corrente marítima quente do Golfo, por sua vez, propiciam a entrada de ventos úmidos e a formação de climas mais chuvosos e amenos na porção leste dos Estados Unidos, onde predominam os tipos climáticos temperado e subtropical.
As diferentes formações vegetais da América Anglo-Saxônica estão associadas à atuação dos tipos climáticos na região.

Tundra 

No extremo norte do continente, predomina a vegetação de Tundra, composta de musgos e liquens e que se adapta às áreas de ocorrência de clima polar. Nessas regiões, a superfície do solo permanece coberta de gelo durante a maior parte do ano. Nos curtos períodos de verão, quando o gelo derrete, a vegetação floresce e se reproduz. Logo depois, quando reinicia o longo inverno, a Tundra volta a desaparecer sob o gelo.

Floresta Boreal (Taiga) 

Desenvolve-se em regiões de clima frio, com apenas duas estações: um inverno longo e um verão curto. Nessas áreas, destacam-se as coníferas, que, de maneira geral, permanecem com suas copas esverdeadas mesmo durante os períodos mais frios.

Floresta Temperada 

Vegetação típica das áreas onde pre domina o clima temperado, marcado por quatro estações do ano bem definidas. Ocorre no litoral chuvoso da porção noroeste da América Anglo-Saxônica, as sim como na porção centro-leste. A vegetação dessa floresta é composta, principalmente, de espécies caducifólias, isto é, que perdem suas folhas nas esta ções frias (outono e inverno) e as retomam nas estações quentes (primavera e verão). Atualmente, essa vegetação está intensamente alterada pela ação humana.

Vegetação de Estepes e Pradarias 

Desenvolve-se na região central dos Estados Unidos, onde se verifica o predomínio de condições climáticas mais áridas. É caracterizada pela vegetação rasteira, predominantemente composta por gramíneas e herbáceas.

Deserto 

Ocorre nas regiões em que atua o clima desértico, muito seco ao longo de to do o ano. Nessas áreas, há poucas espé cies de animais e plantas. Destacam-se, nesse sentido, as plantas adaptadas à escassez de água.

Vegetação Mediterrânea 

Desenvolve-se no litoral sudoeste dos Estados Unidos, onde o clima proporciona verões quentes e secos e chuvas con centradas no inverno. É caracterizada por plantas de pequeno e médio portes, adaptadas a períodos secos. 

Vegetação de alta montanha 

Ocorre em áreas de altitude elevada, nas montanhas da região oeste dos Esta dos Unidos e do Canadá. Varia conforme a altitude, com predomínio de gramíneas e arbustos nas porções mais baixas e musgos e liquens nas partes mais altas.

Economia

Estados Unidos 

Considerada uma das mais influentes do mundo, a economia dos Estados Unidos alcançou em 2019 o Produto Interno Bruto (PIB) de 21,4 trilhões de dólares, sendo responsável por mais de um quarto do PIB mundial. 
Os Estados Unidos integram o G7, grupo dos sete países mais ricos e industrializados do planeta. Além de serem sede de diversas empresas trans nacionais, são líderes de investimentos em Bolsas de Valores, e sua moeda, o dólar, é adotada como padrão em transações financeiras internacionais.
As exportações estadunidenses somaram cerca de 1,6 trilhão de dólares em 2019. O país é o maior exportador de produtos agrícolas do mundo, sendo responsável por, aproximadamente, 10% da economia global. Canadá, México, China e Japão são os principais compradores, e os principais produtos expor tados são: gêneros agrícolas (soja, frutas e milho), bens de capital (aeronaves, autopeças, computadores e equipamentos de telecomunicações) e bens de con sumo (automóveis e medicamentos).
No entanto, suas importações atingiram mais de 2,5 trilhões de dólares em 2019. Os parceiros que mais exportam para os Estados Unidos são China, México, Canadá, Japão e Alemanha, especialmente no que se refere a produtos agrícolas, bens de capital (computadores e autopeças) e bens de consumo (automóveis, roupas, medicamentos e brinquedos). 
Com base nesses dados, percebe-se a relevância da China para as relações comerciais com os Estados Unidos, bem como seu poder de concorrência na economia global. Nos últimos anos houve um acirramento da disputa comercial entre os dois países, especialmente no período de 2017 a 2020, o que vem resultando em uma série de negociações.

Indústria e agricultura 

Um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos é sua grande riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, carvão, gás natural, minério de ferro, cobre e bauxita. 
São o quinto maior produtor mundial de petróleo cru (quase 11,3 milhões de barris por dia), o terceiro de refinados (mais de 20 milhões de barris por dia) e o 11° em reservas de petróleo (cerca de 36 bilhões de barris), além de ocuparem o segundo lugar no maior consumo desses produtos (cerca de 18,1 milhões de barris por dia).
O país também tem a maior reserva de carvão do mundo – 23% do total –, produz cerca de 4 trilhões de kW/h por ano e é o segundo maior con sumidor mundial de energia elétrica.

A indústria estadunidense é altamente diversificada e desenvolvida. Destacam-se no setor os ramos petroquí mico, siderúrgico, automobilístico, aeroespacial, químico, madeireiro, de telecomunicações, de eletrônicos, de bens de consumo, de alimentos processados e de mineração. 
As indústrias tradicionais estão concentradas no nor deste e na área dos Grandes Lagos, região conhecida como manufacturing belt (cinturão industrial). Nela se agrupam setores como o automobilístico, o eletroeletrônico, o ali mentício, o siderúrgico, o aeronáutico e o naval. 
Nas últimas décadas, as regiões sul e oeste se trans formaram no mais novo foco de industrialização do país, por apresentarem menores custos de produção e maiores incentivos fiscais do governo. 
Essa área é conhecida como sun belt (cinturão do sol), porque tem clima predominan temente quente e ensolarado, e nela se destacam as indús trias aeroespacial e petroquímica. Na Costa Oeste há o Vale do Silício, na Califórnia, onde se concentram empresas de tecnologia de ponta, ligadas a microeletrônica, informática e robótica, além de intensa atividade de pesquisa.

Belts agropecuários 

Os Estados Unidos aprimoraram o sistema de cultivo em cinturões agrícolas, conhecidos como belts. São áreas, principalmente na Planície Central, especializadas em mono culturas, que formam o “celeiro agrícola” estadunidense. 
Os principais belts são o cinturão do algodão (cotton belt), o do leite (dairy belt), o do trigo (wheat belt), o do milho (corn belt), o da pecuária (ranching belt) e o da fruticultura (fruit belt).

Canadá: economia 

Considerado um dos países mais desenvolvi dos do mundo, com PIB de 1,6 trilhão de dólares, o Canadá também integra o G7. Cerca de 70% do valor da produção industrial canadense é proveniente das províncias de Quebec e Ontário. Os principais setores são o madeireiro (papel e celulose), o siderúrgico e o eletrônico, o de equipamentos de transporte e aviação, o de telecomunicações e informática. 
As indústrias do país – com destaque para a siderurgia, a metalurgia e a indústria de papel e celulose – estão localizadas principalmente na região dos Grandes Lagos e nos arredores de Vancouver, na Costa Oeste. 
A atividade industrial é favorecida pelos valiosos recursos minerais do subsolo canadense, como cobre, zinco e ferro, além de contar com uma grande dispo nibilidade de recursos energéticos, como petróleo, gás natural e hidreletricidade.
O Canadá é o quarto maior produtor mundial de petróleo cru (mais de 5,1 milhões de barris por dia) e o terceiro em reservas de petróleo (cerca de 168,1 bilhões de barris). 
O país é um grande exportador de riquezas mine rais, configurando-se como o terceiro maior exportador de minérios do mundo, com destaque para o alumínio, o zinco, o ferro e o chumbo. 
A intensa exploração de madeira da Floresta Boreal oferece matéria-prima à indústria de papel e celulose, muito desenvolvida no país, além de abas tecer cerca de metade da demanda de papel-jornal de todo o mundo.
Outra atividade econômica importante do Canadá é a agricultura mecanizada, realizada sobretudo nas áreas úmidas e férteis da Planície Central, também conhecida como prairies (pradarias). Com relevo plano e solo fértil, a planície concentra 75% das áreas de cultivo do país. 
A região dos Grandes Lagos e o Vale do Rio São Lourenço também têm agricultura desenvolvida, principalmente na produção de hortifrutigranjeiros, para abastecer seu grande mercado consumidor. 
O Canadá é considerado um dos principais produtores de alimentos do mundo, com destaque para cereais como trigo, aveia, centeio, cevada, canola e linhaça, exportados especialmente para os Estados Unidos. As exportações canadenses somam cerca de 103 bilhões de dólares (2019). Os parceiros para os quais o Canadá mais exportou, em 2019, foram Estados Unidos e China. 
O país importa mais de 120 bilhões de dólares em mercadorias (2019), sobretudo dos Estados Unidos, da China e do Japão. Canadenses e estaduni denses são importantes parceiros econômicos, mas essa relação passa por um período de crise, iniciado pelo comércio do aço.

Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)

Estados Unidos e Canadá participam de diversas organizações internacionais, entre elas, até o ano de 2018, o acordo de livre-comércio Nafta (sigla para North America Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte). 
Esse acordo se originou em 1988, com Estados Unidos e Canadá. Em 1991, os dois países assinaram o Acordo de Libera lização Econômica, formalizando sua relação comercial. O México aderiu a ele em 1992, e o Nafta entrou em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a eliminação de todas as barreiras alfandegárias entre seus signatários. 
Em mais de duas décadas, o Nafta aprofundou as relações comerciais entre seus membros, mas trouxe insatisfações de trabalhadores, empresas, políticos e especialistas. Por isso, no início de 2018, os governos dos Estados participantes do Nafta iniciaram discussões para reformar o acordo. Com o fim do Nafta, entrou em vigor o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), em 2020.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na América Latina

A América, desde o século XVI, tornou-se um continente de destino de imigrantes de várias partes do mundo. O “Novo Mundo”, como foi chamado, atraiu milhões de imigrantes que povoaram suas terras e que, juntamente com a população nativa e mais as migrações forçadas de africanos, formaram suas populações, construíram seus espaços geográficos e suas economias.
Entretanto, por volta de 1970 e prolongando-se até os dias atuais, en quanto Estados Unidos e Canadá continuaram sendo países de destino de imigrantes, os países da América Latina se tornaram grande área geo gráfica de saída de emigrantes, principalmente para os Estados Unidos, países europeus e, sobretudo, países da própria região latino-americana.
Para se ter ideia, em 2020, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM), da ONU, dos 14,7 milhões de migrantes latino-americanos, cerca de 76% deles migraram para países da própria Amé rica Latina e os cerca de 24% restantes se dirigiram a outros países do mundo. Em relação à América do Sul, quase 74% de todos os movimentos migratórios foram realizados entre os países desse subcontinente, tendência que vem aumentando nos últimos anos.

Causas da inversão da migração latino-americana


A situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas na América Latina é a principal causa das migrações. Muitos latino-americanos deixam seus países de origem em busca de melhores condições de vida. Quando migram para outros países da América Latina, dizemos que se trata de migrações intrarregionais.
Devemos também considerar as migrações extrarregionais, ou seja, as que se dirigem aos Estados Unidos, ao Canadá ou a países de outros continentes. Quanto ao fato de o maior fluxo de migrantes latino-americanos se dirigir a países da própria região, podemos considerar como causas: o maior desenvolvimento regional; o sentimento anti-imigração ou a xenofobia existentes nos Estados Unidos e nos países europeus; e, principalmente, as leis de migração restritivas adotadas por esses países.

Os deslocamentos internos na América Latina


Além das migrações internas espontâneas que ocorrem dentro de um mesmo país – êxodo rural, migração de uma cidade ou região para outra etc. – e das migrações internacionais, existem os deslocamentos internos ou as migrações internas forçadas.
Na América Latina, o crescimento do narcotráfico e a consequente formação de organizações criminosas têm espalhado a violência tanto no campo como nas cidades. Os casos mais graves são encontrados no México, em países da América Central, na Colômbia e no Brasil, entre ou tros. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, gangues do narcotráfico se enfrentam pelo domínio de territórios para a venda de drogas ilícitas e, nesse confronto, policiais e civis inocentes morrem.
Na Colômbia, a ação de grupos guerrilheiros também espalhou a violência e provocou migrações forçadas ou deslocamentos internos.
Assim como ocorreu no Brasil e em outros países, os megaprojetos agroindustriais na Colômbia causaram grandes deslocamentos internos. Esses projetos, além de alterar profundamente a paisagem, desestrutura ram a produção tradicional de alimentos das comunidades, provocaram im pactos ambientais e aumentaram a concentração da terra. Segundo a OIM, cerca de 8,3 milhões de colombianos realizaram deslocamentos internos nos últimos 35 anos – número superior aos deslocamentos internos ocorridos na Síria (6,8 milhões) entre 2011 e 2021, causados por uma guerra civil.
Além dessas causas das migrações forçadas, há que se considerar: os desastres naturais – inundações, secas, deslizamentos de terras, terre motos etc. –; a construção de barragens para hidrelétricas e para abrigar rejeitos de mineração; e a implantação de megaprojetos minerais. No Brasil, por exemplo, entre os anos de 2000 e 2017, cerca de 7,7 mi lhões de pessoas foram forçadas a se deslocar internamente por essas causas, além da violência decorrente da disputa pela posse de terra.
Outro exemplo de migração forçada se refere à construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, próxima à cidade de Altamira, no estado do Pará, que deslocou cerca de 40 mil pessoas, principalmente a população ribeirinha, na qual se incluem os indígenas.
Outro caso desastroso no Brasil, relacionado à implantação de projeto mineral, foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração (minério de ferro) no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, estado de Minas Gerais, em 2015. Com esse rompimento, a lama com rejeitos atingiu o vale do Rio Doce e de outros rios dessa bacia hidro gráfica, causando o maior desastre ambiental do Brasil e um dos maiores do mundo. Esse subdistrito foi destruído e, além das mortes, 1361 pessoas foram forçadas a se deslocar ou a realizar migração forçada.

As migrações na América Latina


O México é usado por migrantes da América Central, da América do Sul, da África e da Ásia para entrarem de forma ilegal nos Estados Unidos. O fluxo de pessoas que atra vessam o território mexicano tem aumentado nos últimos anos, mostrando, assim, o descontentamento delas em relação aos seus países de origem ou as dificuldades pe las quais passam neles, como falta de emprego, precárias condições de existência etc.
Mas o desejo desses migrantes de viver nos Estados Unidos é dificultado por barrei ras existentes em sua fronteira com o México, que impedem ou dificultam a entrada de migrantes ilegais. Desde o início dos anos de 1990, nos 3142 km de fronteira entre esses dois países, os Estados Unidos construíram um muro de 1130 km de extensão (embora descontínuo) em locais onde o fluxo de migrantes ilegais é mais intenso. Ao longo dele, existe monitoramento militar estadunidense. E nos locais onde o muro não foi construído, há patrulhas de fronteira, câmeras de segurança e alarmes.
Com exceção dessas migrações que se dirigem ao México com a intenção de entrar nos Estados Unidos, os principais países de destino das migrações, no contexto regional, são: Chile, Brasil e Argentina. A maior parte desses migrantes tem como país de origem a Bolívia, o Peru, o Pa raguai, a Venezuela, a Colômbia e o Haiti. Mas, em contrapartida, cabe destacar que o Paraguai recebeu cerca de 240 mil brasileiros que migra ram para esse país, atraídos pelas facilidades de aquisição de terras – número somente inferior ao de brasileiros nos Estados Unidos, calculado em mais de 1,7 milhão, em 2020. 
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o total de brasileiros que vivia no exterior, em 2020, era superior a 4,2 milhões. Para efeito de comparação, isso corresponde a uma população semelhante numericamente à do Panamá, que possuía cerca de 4,3 milhões de habitantes, em 2020.

América Central: rotas migratórias


 A América Central é uma região de passagem obrigatória para os migrantes que se dirigem dos países latino-americanos para os Estados Unidos. Cada um dos sete países que formam a região (Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá) possui suas dinâmicas e problemas socioeconômicos, alguns sendo países de passagem de migrantes e outros sendo emissores ou receptores deles. 
A origem e o destino de alguns fluxos migratórios na América Central, com as rotas usadas por latino-americanos (como também por migrantes asiáticos e africanos) para chegar aos Estados Unidos. Nesses deslocamentos há zonas de perigo, como entre a Colômbia e o Panamá, risco de afogamento na travessia pelo Rio Amazonas ou pelo Golfo de Urabá, pica das de insetos e de cobras, fome e desidratação na selva de Darién; e, nos países da América Central e no México, assaltos e sequestros por grupos do crime organizado. 
A extensa rota de migrações na América Central se inicia na Região de Darién, um imenso obstáculo natural inóspito e perigoso entre a Colômbia e o Panamá, formado por uma floresta densa e que interrompe a Rodovia Panamericana, que liga a maioria dos países da América. 
Mesmo que muitos migrantes cheguem de avião a grandes cidades da América Central, outros tentam atravessar a Região de Darién pelos pequenos portos marítimos, como o de Necoclí, na costa caribenha da Colômbia. Uma vez supera da a passagem pela floresta densa dessa região, os migrantes iniciam uma extensa rota migratória rumo ao México, para depois prosseguirem aos Estados Unidos.
Os migrantes atravessam o principal polo emigratório da América Central, conhecido como Triângulo Norte, formado por Guatemala, Honduras e El Salvador, os três países mais pobres e instáveis politi camente nessa região. 
O Triângulo Norte abrange terras de altitudes elevadas e áridas, muito desmatadas e com as maiores densidades demográficas, es tando sujeitas a tempestades tropicais e catástrofes naturais perió dicas (inundações, deslizamentos de terras, secas prolongadas etc.), que contribuem para a ocorrência de migrações causadas por even tos naturais com capacidade de causar danos graves.
Além disso, pessoas emigram dessa região em razão dos “cin turões de pobreza” em suas grandes cidades, principalmente Gua temala, San Salvador, Tegucigalpa e San Pedro Sula. São nessas cidades que prosperam os chamados maras e pandillas, gangues de rua geralmente formadas por jovens e que contribuem para a esca lada de corrupção e violência que levam muitas pessoas a emigrarem dessa região. 
No entanto, nem todos os emigrantes da América Central se dirigem para fora dessa região. Alguns emigram para o Belize, a Costa Rica e o Panamá, cujos territórios são considerados áreas de estabilidade regionais, pois nos últimos anos vêm apresentando grande desenvolvimento.

Políticas migratórias na América Latina 


Vamos entender aqui por política migratória um conjunto de normas ou regras esta belecidas em leis, relativas aos imigrantes e emigrantes, pelos governos dos países. De modo geral, as políticas migratórias dos governos dos países latino-americanos tinham por base, até recentemente, suas Doutrinas de Segurança Nacional.
Entre os anos de 1950 e 1970, foram implantados regimes ditato riais repressivos às livres manifestações de suas sociedades: censuras aos meios de comunicação (jornais, revistas, TVs, rádios etc.); proibição de greves de trabalhadores e estudantes; controle de partidos políticos, pessoas, escolas, universidades, professores; restrição à imigração; além de outras medidas, com a justificativa de que eram necessárias para a segurança na cional. No Paraguai e na Guatemala, os governos militares se instalaram em 1954; no Brasil, em 1964; no Peru, em 1968; na Bolívia, em 1972; no Uruguai e no Chile, em 1973; e na Argentina, em 1976 (foto A). 
Após a redemocratização desses países – no Brasil, isso ocorreu a partir de 1985 –, várias leis desse período, pouco a pouco, foram substituídas, entre elas as que se referiam aos imigrantes e emigrantes como questão de segurança nacional.
A Lei de Imigração do Brasil – o Estatuto do Estrangeiro –, vigente até 2017, considerava o imigrante um estranho e uma provável ameaça à segurança nacional e, além disso, pessoa de menor importância em relação aos brasileiros. 
Há anos, o Brasil pretendia fazer a reforma de sua legislação sobre migração. E isso foi conseguido em 2017, com a Nova Lei de Migração, que considerou o deslocamento populacional sob a óptica dos direitos humanos, ou seja, um direito humano, abandonando a ultrapassada concepção de migração como uma questão de segurança nacional. Foi, assim, um grande avanço. Em outros países latino-america nos essa concepção também está sendo ultrapassada.


A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA E AS DISPUTAS TERRITORIAIS

A formação histórica e territorial


A superação do período histórico da Idade Média na Europa, marcada pelo sistema socioeconômico feudal, e o advento da Idade Moderna, caracterizada pelo surgimento dos Estados Nacionais e Territoriais e do capitalismo comercial, foram acompanhados da expansão europeia pelo mundo. Essa expansão foi motivada, principalmente, pela busca de especiarias, pelo interesse na difusão do cristianismo e pelo desejo de estabelecimento de rotas comerciais ainda não controladas pelos árabes. 
O empreendimento das expedições marítimas como projeto político-econômico foi se fortalecendo à medida que os Estados europeus foram se formando. Portugal foi pioneiro nesse processo, o que possibilitou aos portugueses serem os primeiros a contornar a África para alcançar as Índias, conquistando uma nova rota de comércio no mar Mediterrâneo. Na sequência, a Espanha se lançou à aventura marítima, financiando, em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo (1451-1506), que entrou para a história como o primeiro europeu a chegar às terras hoje conhecidas como América.
Nos séculos seguintes, distintos povos europeus se dedicaram às navegações e impuseram seus domínios pelo mundo. A América foi paulatina mente ocupada por portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses, que disputavam entre si a hegemonia do que consideravam “Novo Mundo”.
Em comum, o domínio europeu da América significou o genocídio de povos ameríndios que habitavam es sas terras, acompanhado do desloca mento forçado e da escravização de pessoas capturadas na África. Entre tanto, as diferentes formas de conquista e ocupação do continente americano tiveram desdobramentos históricos que chegam a nossos dias e fundamentam a regionalização do continente em América Latina e América Anglo-Saxônica.

A expansão comercial


No século XV, a Europa viveu um período de transição entre o feudalismo e o capitalismo comercial. Portugal e Espanha tornaram-se as primeiras nações europeias a navegar pelo oceano Atlântico. Elas se lançaram ao mar em busca de novas rotas marítimas que as levassem ao Oriente e a outros lugares, a fim de explorar riquezas e expandir o comércio de seus produtos. Tal processo ficou conhecido como Grandes Navegações. 
Destacamos alguns dos principais objetivos das Grandes Navegações:

- a procura por novas rotas para o comércio das especiarias do Oriente, como pimenta-do-reino, noz-moscada, cravo, canela e gengibre, visto que as rotas terrestres estavam bloqueadas pela ocupação muçulmana da cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia);

- a busca por metais preciosos, como ouro e prata, com os quais os monarcas pretendiam cunhar moedas.

Com a expansão comercial, foram descobertas novas terras e novos povos, dando início, então, a um processo de colonização e dominação do mundo pelas nações europeias. As consequências disso foram inúmeros conflitos territoriais entre os colonizadores e os povos que habitavam a região. Os continentes afri cano e americano vivenciaram intensa atividade colonizadora e exploradora nesse período. Portugueses e espanhóis – assim como britânicos e franceses nos séculos XVIII e XIX –, ao encontrarem novos territórios, os quais ofere ciam os recursos que buscavam, deparavam-se com civilizações que já dominavam essas regiões e lutavam para mantê-las e continuar vivendo ali.

A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA 


No capitalismo comercial, o papel das novas colônias era fornecer mercadorias a serem comer cializadas por suas respectivas nações europeias em suas metrópoles, como Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França. Para fazer a distribuição delas, foram criados entrepostos comerciais em todo o mundo, em um sistema que inaugurou uma organização econômica mundial. Esses entrepostos foram denominados de feitorias. 
O avanço das conquistas europeias no continente americano, tanto na América do Norte quanto na América do Sul, teve como fatores principais um movimento político estimulado e financiado pelas coroas europeias e a propagação da fé cristã. Os primeiros a conseguir foram os espanhóis, representados por Cristóvão Colombo (1451-1506), que chegou ao Caribe em 1492.
Já os portugueses tinham experiências bem-sucedidas nas costas leste e oeste da África (Moçambique e Angola). O sistema colonial já estava consolidado com base no domínio desses territórios e dos portos costeiros, que estabeleciam relações entre as colônias africanas. 
Um traço muito característico da colonização da América foi o trabalho escravizado. Em um primeiro momento, os indígenas foram submetidos a trabalhos forçados; depois, os africanos, que tiveram seus conhecimentos técnicos e sua força de trabalho explorados em grandes plantações e na extração de minérios.

Os interesses econômicos na colonização da América 


O interesse dos europeus no continente americano era, a princípio, a exploração dos recursos naturais, principalmente ouro e prata. No entanto, acabaram descobrindo novas áreas de cultivo para culturas, como a de cana-de-açúcar, e novos produtos, como o tabaco, além de áreas para a pecuária.
O processo de conquista na América se deu em um violento embate entre potências econômicas e bélicas da Europa e os povos que aqui viviam, os quais lutavam para manter os seus territórios. As disputas territoriais eram constantes; os embates entre as comunidades indígenas e os colonizadores, além das epidemias trazidas pelos portugueses, resultaram na morte de milhares de indígenas que ocupavam aquela região.

A colonização da América inglesa 


Muitos ingleses imigraram para a América do Norte, criando colônias ao longo da costa leste entre o final do século XVI e o início do século XVII. 
No século XVII, os ingleses se estabeleceram ao norte do trópico de Câncer e dividiram a área próxima à faixa litorânea em treze colônias. 
O projeto de ocupação dos ingleses iniciou-se com a atividade de caçadores e mercenários pertencentes à Companhia Virgínia de Londres (1606) – que fundou Chesapeake e as colônias do Sul – e à Companhia de Plymouth (1609) – origem da Nova Inglaterra.
À medida que os britânicos prosperavam e expandiam seus territórios nas planícies costeiras, fundando portos e negociando peles e carnes, mais ingleses chegavam ao novo continente com suas famílias, incentivados pela chance de prosperidade na nova terra. 
As colonizações do Norte (Nova Inglaterra) e do Sul não ocorreram da mesma forma. Na primeira, usavam mão de obra livre, e a propriedade das terras pertencia aos colonos. Na segunda, a economia era baseada no plantio de tabaco e no trabalho escravizado, mais semelhante à lógica colonizadora da América Latina. 
Nas colônias do norte, foi adotado o modelo de colonização de povoamento. As terras foram dis tribuídas a famílias imigrantes vin das da Inglaterra, que recebiam um lote de terra para cultivar, gerou certa autonomia e desenvolvimento econômico da região. Nas colônias do sul, predominou o mo delo de exploração, com o objetivo de fornecer riquezas para a metrópole. Nessas colônias, a agricultura era praticada no sistema de plantation (grandes propriedades agrícolas monocultoras com uso de mão de obra africana escravizada).  Desse modo, as colônias do sul tiveram mais dificuldade em se desenvolver, ficando economicamen te atrasadas em relação às colônias do norte.
Como resultado, na América Anglo-Saxônica, estabeleceu-se o comércio triangular, que envolvia a colônia americana, a metrópole europeia e a costa africana. A colônia era responsável pelo envio de matéria-prima, como açúcar, arroz, tabaco etc. A metrópole britânica enviava produtos manufaturados e trocava produtos por mão de obra escravizada vinda da costa africana. 
Entre os séculos XVII e XVIII, a população da Nova Inglaterra era constituída de camponeses expulsos da Europa, de protestantes condenados que fugiam e de renegados pela justiça. 
Os produtos obtidos com as atividades pesqueira e manufatureira, assim como os produtos de cultivo (por exemplo, alfafa, trigo e centeio), não despertavam o interesse da metrópole, pois também eram produzidos na Inglaterra. Assim, a falta de produtos tropicais lucrativos para os comerciantes ingleses propiciou uma relativa autonomia econômica dessas colônias e a gênese de uma estrutura social estadunidense.
Para além das Treze Colônias, outras áreas foram dominadas por franceses, holandeses e espanhóis. Os franceses chegaram aos Grandes Lagos pelo rio São Lourenço e depois seguiram em direção ao sul até o golfo do México. No norte, criaram a província de Quebec, que atualmente integra o Canadá. Após alguns conflitos com os ingleses, um tratado assinado em 1763 entre França e Inglaterra estabeleceu que essas terras francesas passariam ao domínio inglês.
Os holandeses criaram a cidade que hoje conhecemos como Nova York (Es tados Unidos), mas que, na época da colonização, se chamava Nova Amsterdã. Seu nome foi alterado quando os holandeses perderam suas terras para os ingleses.
Os espanhóis dominavam um vasto território que se estendia por toda a faixa oeste americana, desde o atual sul dos Estados Unidos até o extremo sul continental. As terras americanas sob o domínio espanhol mais ao norte foram perdidas em disputas com os franceses, que as passaram aos ingleses, posteriormente. Parte das terras pertencentes aos espanhóis foi vendida para os Estados Unidos e outra parte foi perdida. 
Aos poucos, a Inglaterra aumentou seus domínios territoriais na parte norte da América, apesar da resistência de franceses e de povos indígenas, que lutaram contra a presença “branca” no oeste americano.

O COLONIALISMO ESPANHOL NA AMÉRICA 


Os territórios que foram alvo da colonização espanhola iam do oeste dos Estados Unidos até os países da América Central e até a costa oeste do continente sul-americano. Inicialmente, os espanhóis organizaram um sistema de saque; depois, passaram a explorar as jazidas minerais na América Andina e no México. Para isso, desestruturaram politicamente socie dades pré-colombianas, como os impérios Inca e Asteca, e escravizaram a população, usando-a como mão de obra na mineração, formando uma rede de circulação de mercadorias para a Coroa espanhola. 
Todas as riquezas exploradas pela Coroa espanhola eram levadas diretamente à Espanha, diferente mente da América Anglo-Saxônica – cuja produção ia para os portos africanos para compra de escravizados. Essa rota é conhecida como porto único. Para escoar a produção dos territórios localizados mais no interior do continente, os colonizadores utilizavam os rios e demais cursos-d’água. 
Usando o trabalho escravizado dos indígenas, eles formaram uma rede de circulação de mercadorias monopolizada pela Coroa, o que garantia à Espanha direitos exclusivos sobre a América espanhola. Essa rede de circulação contava com o curso natural de rios e com os sistemas de portos únicos – a Espanha era o único destino das riquezas embarcadas.
O monopólio da Coroa inibia o desenvolvimento de outras ativi dades na colônia, impossibilitando a formação e o crescimento de uma economia própria que reunisse todos os vice-reinos espanhóis da América. 
Assim como no processo de colonização por parte da Coroa portuguesa, os povos tradicionais que habitavam o México, as ilhas centrais e os Andes foram dizimados por causa dos intensos conflitos com os colonizadores e pelas doenças trazidas nos navios, as quais resultavam em epi demias. Os territórios asteca e inca foram tomados pelos colonizadores e a população originária já não existe mais.

O COLONIALISMO PORTUGUÊS NA AMÉRICA 


Uma das estratégias de Portugal para ocupar as terras sob seu domínio foi a transferência de grandes pro priedades, chamadas de capitanias hereditárias, a pessoas que se comprometiam a ocupar, explorar e administrar o território. Assim, os portugueses garantiam a ocupação das terras, ao mesmo tempo que as protegiam das invasões de outros povos europeus e de piratas. Os custos dos empreendimentos coloniais foram, desse modo, transferidos para particulares.
A divisão das terras em capita nias hereditárias configurou uma forma de organização territorial do período colonial. Para estimular a ocupação do território, a Coroa portuguesa autorizou os donatários a doar grandes extensões de terras (chamadas de sesmarias) para quem quisesse cultivá-las.
Inicialmente, a ocupação das terras se concentrou no litoral, onde exploravam ouro, pau-brasil e tabaco. Com as ameaças de invasão do território pelo domínio espanhol, a Coroa portuguesa iniciou o processo de interiorização. Nesse período, missio nários jesuítas e bandeirantes eram enviados para as expedições rumo ao interior do território. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

América: clima e vegetação

Vários fatores podem influenciar as características do clima de uma região. No continente americano, tanto a latitude e a altitude quanto o relevo e as correntes marítimas são os fatores que mais exercem influência nos diversos tipos climáticos e, consequentemente, nas variadas formações vegetais.

O clima e as formações vegetais

Por causa de sua grande extensão no sentido norte-sul, o continente americano abrange diferentes latitudes, posição geográfica que favorece a existência de variados tipos climáticos. Nas baixas latitudes, próximas à linha do Equador, ocorre maior inci dência da radiação solar e, por isso, há predomínio de climas mais quentes e úmidos, como os climas equatorial e tropical. Nessas áreas também é comum a ocorrência de furacões.

Clima equatorial

Nas áreas de clima equatorial, as temperaturas permanecem elevadas durante o ano todo, ficando, em ge ral, acima de 25 °C. As precipitações, também abundantes ao longo do ano, atingem totais pluviométricos de apro ximadamente 3 mil milímetros (mm). Nessas áreas de clima equatorial des taca-se, sobretudo na América do Sul, a floresta Equatorial. Por ser muito densa e ampla, essa formação vegetal influencia o elevado regime de pluvio sidade da região.

Clima tropical

As regiões de clima tropical, localizadas principalmente na América do Sul, apresen tam temperaturas médias elevadas durante o ano todo, normalmente acima de 22 °C; no entanto, apresentam variados níveis de precipitações ao longo do ano, com uma estação chuvosa e outra seca. De modo geral, as precipitações anuais costumam atingir aproximadamente 1400 mm.
Nessas áreas ocorrem diversas formações vegetais, entre elas a savana, que no Brasil é denomi nada Cerrado, vegetação forma da, principalmente, por pequenas árvores e arbustos com tronco e galhos retorcidos e casca grossa, além de vários tipos de plantas rasteiras que recobrem o solo.
Na América Central e na costa do Brasil, também encontramos florestas tropicais, que estão sob forte influência das massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Atlântico. As serras existentes nessas regiões barram a passagem dos ventos úmidos, que, ao se elevarem, resfriam-se e precipitam-se, dando origem às chamadas chuvas orográficas ou chuvas de relevo.

Climas temperado e subtropical

Nas médias latitudes, ou seja, nas regiões situadas entre os trópicos e os círculos polares, há predomínio dos climas temperado e subtropical. De modo geral, as áreas de clima temperado apresentam as quatro estações do ano bem definidas, com tem peraturas amenas no outono e na primavera, verões quentes e invernos frios, com frequente ocorrência de neve.
Na América do Norte, as áreas de clima temperado abrigam as pradarias, compostas basicamente de plantas herbáceas, arbustos e gramíneas, assim como florestas tempera das, que se destacam pela presença de plan tas que perdem as folhas durante o outono e o inverno, chamadas de caducifólias.
Nas áreas onde predomina o clima sub tropical, as temperaturas ao longo do ano normalmente são mais amenas se compa radas às do clima temperado, com chuvas durante a maior parte do ano.
Na América do Sul, nessas áreas onde predomina o clima subtropical, há presen ça de araucárias (pinheiros) nos estados da Região Sul do Brasil, e de pradarias na Argentina, no Uruguai e no estado do Rio Grande do Sul (área regionalmente denomi nada Pampas).

Climas frio e polar

Nas elevadas latitudes, onde há menor incidência de radiação solar, predominam climas com baixas temperaturas, como os climas polar e frio.
Nas áreas de clima polar, localizadas nos extremo norte do continente, os inver nos costumam apresentar temperaturas muito baixas, muitas vezes abaixo de -19 °C, e os verões são mais amenos, com temperaturas em torno de 10 °C. Nessas áreas nota-se a predominância da tundra, vegetação formada por musgos e liquens, que se desenvolvem nos curtos períodos de verão, após o derretimento da neve.
Também nas elevadas lati tudes estão localizadas as áreas de clima frio, em que as temperaturas médias no in verno são de aproximadamen te -3 °C, e no verão ficam em torno de 10 °C. Nas áreas lo calizadas em uma ampla faixa no Canadá e parte dos Esta dos Unidos, desenvolve-se a floresta de coníferas, também conhecida como floresta bo real ou taiga, que apresenta aspecto homogêneo com pre domínio de pinheiros.

Clima frio de montanha

Nas áreas montanhosas do oeste do continente, como nos Andes e nas Montanhas Rochosas, predomina o clima frio de mon tanha. De modo geral, a tempe ratura da atmosfera diminui, em média, 0,6 °C a cada 100 metros de altitude. Assim, nos terrenos com maiores altitudes, o cume das montanhas mais altas chega a ficar permanentemente cober to de neve e gelo.
De acordo com a altitude do relevo, a variação na temperatura do ar provoca mudanças significativas na vegetação. Em geral, nas áreas mais baixas desenvolvem--se florestas, e nas áreas mais altas ocorre uma vegetação mais rasteira, denominada vegetação de altitude.

Clima desértico e semiárido

O relevo pode influenciar o clima de determinada área ao dificultar ou facilitar a circulação das grandes massas de ar.
As elevadas cadeias montanhosas do oeste do continente americano determinam a existência de áreas de clima desértico e semiárido nessa região. As massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Pacífico são barradas pelas cadeias de monta nhas norte-americanas. Perdendo a umidade na forma de chuvas próximas ao litoral, as massas de ar chegam ao interior do continente com baixa umidade.
Isso explica a presença de áreas com formações vegetais desérticas e semiáridas, nas quais as plantas são adaptadas aos baixos níveis de pluviosidade ao longo do ano.
As áreas sob domínio de clima desértico apresentam grande amplitude térmica, diária e anual. As médias de temperatura podem variar bastante, entre 30 °C e 8 °C ao longo do ano. Já as médias térmicas diárias variam de 38 °C, durante o dia, passando para cerca de -4 °C, à noite, queda que ocorre rapidamente. As precipita ções não ultrapassam 250 mm ao ano.
As áreas de clima semiárido têm temperaturas com médias de 26 °C praticamente o ano todo, com totais de precipitação maiores do que nas regiões de clima desér tico (de 500 mm a 1000 mm de chuvas por ano).
Na Região Nordeste do Brasil, as características do relevo também influenciam bastante os baixos índices de precipitação. As altitudes mais elevadas ao longo da faixa litorânea funcionam como uma barreira aos ventos úmidos do litoral, o que determina a presença do clima semiárido.

Clima, recursos hídricos e gestão da água

A presença humana em grandes desertos do planeta quase sempre foi limitada pela falta de água desses locais. De fato, o recurso hídrico é extremamente escasso em regiões secas e áridas.
Contudo, o problema da baixa disponibilidade de água em algumas dessas regiões tem sido superado por meio da utilização de técnicas de irrigação, que abastece a po pulação e garante o desenvolvimento das mais diversas atividades.
Um exemplo emblemático do uso de técnicas de irrigação pode ser observado no deserto de Sonora, no estado da Califórnia, localizado na porção sudoeste dos Estados Unidos. Esse deserto é uma das regiões mais áridas do território estaduni dense, com pluviosidade anual de aproximadamente 250 mm (milímetros).
Sua paisagem começou a ser transformada na década de 1930, com a implantação de um projeto de irrigação que desviou parte das águas do rio Colorado até o deserto. Com isso, grandes áreas desérticas foram ocupadas por uma agricultura altamente moderna e muito produtiva, modificando completamente a paisagem.
Apesar de o aproveitamento das águas do rio Colorado abastecer milhões de pessoas e contribuir com o desenvolvimento de uma agricultura próspera, sua ex ploração tem gerado conflitos relacionados ao controle e à gestão dessas águas. Tais conflitos se agravaram nos últimos anos em decorrência de secas históricas que atin giram a região. Em algumas cidades, os habitantes já tiveram de reduzir o consumo de água ou passaram a adotar o racionamento.
Preocupados com a diminuição do nível das águas, ambientalistas e pescadores estão se opondo à abertura de novos poços e conseguindo proibir a irrigação nas áreas em que a situação é mais crítica. Para piorar a situação, estudos indicam que, ao longo das próximas décadas, o rio Colorado poderá perder boa parte de suas águas em razão das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

A influência das correntes marítimas no deserto do Atacama

As correntes marítimas exercem forte influência nos climas de diversas regiões do planeta. Isso porque elas podem alterar a umidade e a temperatura das mas sas de ar que circulam pela atmosfera.
Um dos fatores que explicam a presença de áreas de deserto na costa oeste da América do Sul, como a do Atacama, que abrange o norte do Chile e o sul do Peru, é a influência da corrente marítima fria do Peru (ou de Humboldt), que torna frias e secas as massas de ar que seguem em direção ao Atacama. A Re gião da Patagônia, localizada tanto no sul do Chile quanto da Argentina, também recebe forte influência das correntes marítimas frias que circulam pelas regiões mais próximas.

Os recursos hídricos na América Latina


A América Latina concentra aproximadamente um terço das reservas de água doce disponíveis no planeta e abriga três das maiores bacias hidrográficas do mundo: a bacia do Amazonas, a bacia Platina e a bacia do Orinoco. 
Com a existência de rios extensos e volumosos, a América Latina apresenta grande potencial em recursos hídricos. A distribuição geográfica desses recursos, no entanto, ocorre de maneira desigual na região, o que se explica, principalmente, pelas diferenças climáticas.
As grandes bacias hidrográficas localizadas na América do Sul, como a do rio Amazonas e a do rio Orinoco (na Venezuela), assim como a do rio da Prata, por exemplo, apresentam grande potencial econômico e são aproveitadas para a navegação fluvial, a geração de energia, a irrigação de lavouras e o abastecimento da população.
Por outro lado, algumas áreas de clima árido e semiárido da região, como o de serto do Atacama, localizado entre o norte do Chile e o Peru, assim como o Sertão nordestino brasileiro são marcados pela escassez de água e insuficiência de recursos hídricos.

Bacia Platina


Localizada na porção sul da América do Sul, inclui áreas dos ter ritórios da Argentina, do Paraguai, do Uruguai, do Brasil e da Bolívia. É a segunda maior bacia hidrográfica da América Latina e a quarta maior do mundo. 
Os rios principais são o Paraná, o Paraguai e o Uruguai, que, ao se unirem, formam o Rio da Prata. Suas águas são aproveitadas para diversas finalidades, como abaste cimento da população, produção de energia hidrelétrica, irrigação, navegação e pesca.
O Rio Paraná é o mais extenso e importante da bacia Platina. Apresenta grande potencial hidrelétrico no trecho brasileiro e boa navegabilidade no trecho argentino. 
O Rio Paraguai destaca-se, principalmente, pela navegabilidade. Um projeto envolvendo os governos da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai prevê melhorar e aumentar a navegação, realizando um conjunto de obras na hidrovia Paraná-Paraguai. 
Já o Rio Uruguai caracteriza-se pelo bom potencial hidráulico, além de contar com trechos navegáveis em seu curso.

Bacia do Amazonas 


Localizada na América do Sul, a bacia do Amazonas cobre cerca de 45% do território brasileiro e inclui áreas do Peru, da Bolívia, da Colômbia, do Equador, da Venezuela e da Guiana. O rio principal é o Amazonas, propício à navegação de embarcações de grande porte. Além disso, os rios dessa bacia possuem grande volume de água, somando 70% do potencial hidrelétrico a ser aproveitado nos próximos anos. 
No entanto, a instalação de hidrelétricas provoca impactos socioambientais. A perspectiva de construção de novas usinas tem aumentado os movimentos de resistência de ambienta listas, indígenas, comunidades ribeirinhas e organizações não governamentais (ONGs). 

Os aquíferos


Além dos extensos e volumosos cursos d’água que compõem as grandes bacias hidrográficas, várias áreas da região são privilegiadas pela existência de gigantescos mananciais subterrâneos, os chamados aquíferos.
Um dos maiores aquíferos, o Guarani, ocupa uma área de aproximadamente 1,2 milhão de quilômetros quadrados, com a maior parte localizada no território brasileiro, abrangendo também porção considerável na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Suas águas são de excelente qualidade e podem ser exploradas pela perfuração de poços profundos. O Brasil responde por mais de 90% de toda a água explorada desse aquífero, que tem como principal destino o abastecimento de cidades.

O uso e a degradação dos mananciais


Os países da América Latina enfrentam sérios desafios relacionados ao uso e à conservação dos recursos hídricos. Vários fatores podem ser apontados como causas de problemas que comprometem a disponibilidade de água em várias partes da região. A contaminação das fontes hídricas, causada pela descarga de poluentes urbanos, como esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos, resíduos de atividades minera doras, entre outras, tem afetado a qualidade das águas a ponto de impossibilitar seu aproveitamento. Por outro lado, as mudanças climáticas estão reduzindo o volume de água disponível, decorrência da irregularidade e redução do volume de chuvas.

A gestão da água


Na rede hidrográfica da América Latina, é comum a presença de extensos rios e aquíferos que atravessam as fronteiras de vários países. Por isso, a exploração racional e adequada dos recursos hídricos na região tem exigido a adoção de ações e políticas conjuntas de diferentes governos. Veja alguns exemplos de como isso vem ocorrendo:

• um comitê formado por representantes de cinco países (Brasil, Argentina, Uru guai, Paraguai e Bolívia) promove ações voltadas para o estudo dos recursos naturais da bacia do rio da Prata;
• com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), países drenados pela bacia Amazônica, entre eles o Brasil, promovem projetos para a exploração comparti lhada e sustentável das águas;
• projetos apoiados e financiados por organismos internacionais vêm sendo im plantados no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, com o objetivo de promover a exploração sustentável das águas do aquífero Guarani.

As bacias hidrográficas da América

Vários rios que formam as grandes bacias hidrográficas do continente americano nascem nas regiões de relevo mais elevado do oeste e, ao atravessar áreas de planícies e de planaltos, modelam e transformam distintas paisagens, até desembocar no oceano Atlântico. 
São duas as principais bacias hidrográficas da América do Norte. A Bacia do Rio São Lourenço, adjacente à área mais povoada do Canadá, possui grande importância para a economia local. A Bacia do Rio Mississipi, nos Estados Unidos, é fundamental para a economia do país, pois seus rios se distribuem pelas Grandes Planícies. A ocupação dessa região pelos colonos, no século XIX, que se deu de maneira violenta, possibilitou maior produção agrícola, circulação de produtos e desenvolvimento da economia do país.
Conheça as principais bacias hidrográficas da América do Norte. 
• A bacia do São Lourenço está localizada na parte nordeste da América do Norte. Após a construção de várias represas e eclusas ao longo do seu curso, tornou-se uma importante hidrovia que liga o oceano Atlântico à Região dos Grandes Lagos. 
• A bacia do Mississippi banha vastas áreas de planícies na parte central dos Estados Unidos. Por ter como um de seus afluentes o rio Missouri, com aproximadamente 3767 km de extensão, essa é uma das maiores bacias hidrográficas do planeta. 

Principais bacias hidrográficas da América do Sul.
• A bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do planeta. Muitos rios dessa bacia servem como importantes vias de navegação para a população da região. 
• A bacia do Orinoco, localizada na parte norte da América do Sul, drena terrenos da Venezuela e da Colômbia até desembocar no mar do Caribe. 
• A bacia Platina, situada na parte sul da América do Sul, tem como principais rios os afluentes do rio da Prata, ou seja, os rios Paraguai, Uruguai e Paraná. Em razão da reduzida área territorial da América Central, seus rios são pouco extensos; no entanto, suas águas são muito utilizadas na irrigação de lavouras.
Na América do Sul, as bacias do Rio Amazonas, do Rio da Prata e do Rio Orinoco são importantes:

- pela capacidade de navegabilidade, para circulação de pessoas e mercadorias;

- como marcos espaciais e caminhos estratégicos na ocu pação dos territórios;

- pela disponibilidade hídrica e pela capacidade de produção energética.

Haiti

O Haiti ocupa uma área territorial de aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados, o que corresponde à área do estado brasileiro de Alagoas...