quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

América Central: História e população

A América Central foi marcada pelo domínio europeu durante o período de colonização: a maioria dos países dessa região foi colonizada pela Espanha, como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, República Dominicana e Porto Rico. Além disso, o Reino Unido colonizou Belize, Jamaica e Trinidad e Tobago; e a França, o Haiti. As várias ilhas das Pequenas Antilhas foram colonizadas por França, Reino Unido e Países Baixos.
No entanto, após o processo de descolonização, que ocorreu no século XIX, os países da região passaram a sofrer influência do imperialismo estadu nidense. Esse processo, diferentemente da colonização europeia, não se pau tava pelo domínio territorial direto, mas por intervenções pontuais para garan tir que no poder dos países da América Central ístmica e nas principais ilhas do Caribe sempre estivessem no poder governantes alinhados com os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos.
Cuba, por exemplo, rompeu influência do domínio espanhol em 1898. No entanto, já em 1901 os Estados Unidos intervieram pela primeira vez na ilha caribenha, prática que se estendeu até 1934, quando se consolidou no poder o sargento Fulgêncio Batista, um ditador aliado aos Estados Unidos.
Batista só foi deposto por ocasião da Revolução Cubana, em 1959, o que contrariou os interesses dos Estados Unidos. Desse modo, no contexto do mundo bipolar da Guerra Fria, Cuba alinhou-se com a União Soviética, implan tando uma ditadura de partido único – o Partido Comunista de Cuba – e uma economia planificada como vimos no capítulo 12. Como retaliação, em 1962 os Estados Unidos expulsaram o país da OEA e lhe impuseram um embargo econômico que se estende até os dias de hoje.

Composição étnica da população


Nos países da porção continental da América Central, a população é majoritariamente descendente de europeus e de indígenas. Há uma predominân cia de mestiços fruto da miscigenação de europeus, notadamente espanhóis, com etnias nativas, como os maias.
Já no Caribe, onde foi instalada a plantation com uso de mão de obra es cravizada durante o período colonial, há maior presença de afrodescendentes, sendo maioria em alguns países, seguidos de mestiços de brancos com negros.

Distribuição da população


A maior concentração populacional está no norte da porção continental, com destaque para a Guatemala e Honduras, e nas maiores ilhas do Caribe, como na ilha de Cuba e na ilha de São Domingos, dividida entre o Haiti e a República Dominicana.
As regiões mais povoadas da América Central se localizam na faixa oeste da porção continental, pois, entre outros motivos, nessa área os solos vulcânicos são mais férteis, o que favorece a prática da agricultura.
A taxa de urbanização da América Central é relativamente alta. Em média 71,3% dos habitantes dos países da porção caribenha vivem em cidades; nos países da porção continental a taxa é ainda mais alta: 74,7%.
Apesar de os países da América Central terem altas taxas de urbanização. As populações são pequenas e não há nenhuma megacidade no subcontinente.

Indicadores sociais da América Central


Assim como os demais países latino-americanos, os países da América Cen tral apresentam elevada desigualdade social. Em cada país há um pequeno grupo social que concentra a maior parte da renda nacional e uma classe média reduzida, enquanto a maior parte da população recebe baixos salários ou está desempregada. A população marginalizada enfrenta diversos problemas, como moradias precárias, subnutrição, ineficiência dos serviços públicos de saúde e educação, entre outras dificuldades. 
Além disso, sobretudo nos países do chamado Triângulo Norte da América Central (Honduras, Guatemala e El Salvador), a violência provocada pela ação de gangues urbanas e de grupos de traficantes de drogas é uma das mais altas do mundo. Tudo isso explica o grande número de pessoas que emigram para o México e principalmente para os Estados Unidos.
Os indicadores que compõem o Índice de De senvolvimento Humano (IDH) de alguns países da América Central. Neste sub continente não há nenhum país no grupo de IDH muito elevado; a maioria deles apresenta IDH elevado e apenas um, o Haiti, IDH baixo.

Desigualdade social e pobreza 


A partir da década de 1990, assim como ocorreu no restante da América Latina, os indicadores sociais da América Central melhoraram e a maioria deles já tem IDH elevado. Porém, a renda nacional permanece muito concentrada e a taxa de pobreza ainda é elevada, principalmente entre a população indígena e a afrodescendente. 
A acentuada desigualdade social é um dos fatores que mais contribuem para a América Latina ser a região mais violenta do mundo. A violência atinge toda a sociedade, mas principalmente a população mais pobre, sobretudo os homens mais jovens e as mulheres. 
Porém, há grande disparidade entre os países. A Costa Rica é o país que apresenta o menor índice de pobreza entre a população e o Haiti é o país com o maior índice. 

O caso do Haiti 


Em 2004, após a queda do presidente Jean Bertrand Aristide, o Haiti vivia uma situação que beirava a guerra civil e apresentava altos índices de violência, sobretudo na capital, Porto Príncipe, que estava dominada por gangues. Nesse ano, para tentar controlar a caótica situação política do país, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a formação da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, sigla em inglês). 
Essa força de paz da ONU foi comandada desde o início por um general do Exército brasileiro e contava com muitos soldados brasileiros (ao longo de 13 anos 37,5 mil soldados de nosso país passaram pelo Haiti) e também de outras nacionalidades. Os soldados estiveram empenhados em conter a vio lência, em ajudar na reconstrução do país e dar assistência básica à população: alimentação para crianças, vacinas, etc. 
Em 2017, depois de cumprir sua missão, a Minustah foi encerrada. Nesse mesmo ano o Conselho de Segurança auto rizou a criação da Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth, sigla em inglês). Diferente da anterior, a Minujusth é composta de um pequeno grupo de civis e oficiais de polícia que tem o objetivo de ajudar o governo do Haiti a implantar a Polícia Nacional e fortalecer as instituições legais do país, visando tornar mais seguro o cotidiano da população e garantir o respeito aos direitos humanos.
Único país com baixo IDH em todo o continente americano, seu povo tem condições de vida muito precárias. Segundo o Relatório de 2018 do Banco Mundial, 48% da população vivia na pobreza, e 23,5% na extrema pobreza (com menos de 1,90 dólar por dia). Todas essas dificuldades explicam o grande fluxo de haitianos que emigram em busca de melhores condições de vida, muitos dos quais vieram para o Brasil.
Todos esses fatores agravados pelas catástrofes naturais que atingem o Haiti, como terremotos e furacões, fazem do país o mais pobre de todo o continente americano.

O caso de Cuba 


Antes da Revolução Cubana (1953-1959), a economia desse país baseava-se na monocultura de cana-de-açúcar e frutas tropicais, além do turismo de en tretenimento. Após a revolução e a aproximação com a União Soviética, os meios de produção foram estatizados e terras foram distribuídas para usufruto dos camponeses. O acesso à saúde e à educação foi garantido e, com isso, a partir da década de 1960 houve grande melhoria nas condições de vida da população. 
Nessa época, o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não impactava tanto Cuba, porque a União Soviética fornecia ajuda econômica e petróleo barato ao país. Porém, com o fim da superpotência socialista, em 1991, a economia cubana entrou em colapso, devido ao baixo dinamismo da econo mia planificada e à dependência da atividade açucareira.
O IDH de Cuba se mantém elevado porque o país tem boas condições de saúde e educação: de acordo com o Banco Mundial, em 2015, 100% dos adul tos eram alfabetizados e, como vimos, segundo o relatório do Pnud, a expec tativa de vida era de quase 80 anos. Porém, há carência de bens de consumo, como alimentos e material de limpeza, e a renda da população é muito baixa, o que torna a capacidade de compra limitada. 
A estagnação da renda per capita foi a responsável pela redução do IDH de Cuba a partir de 2010 e pela perda de posições no ranking do Pnud (entre 2010 e 2015, o país perdeu 12 posições). No início daquela década o país centro-a mericano chegou a apresentar o IDH mais alto da região e a fazer parte do grupo de paí ses com IDH muito elevado. Compare no gráfico abaixo a evolução do IDH de Cuba com Barbados, o país que em 2015 apresentava o mais eleva do IDH da América Central, e com Trinidad e Tobago. Embora a escolaridade média e a expectativa de vida dos cubanos sejam mais elevadas, a renda per capita é metade da de Barbados e cerca de um quarto da de Trinidad e Tobago. 
Portanto, apenas o crescimento  econômico não é suficiente para a melhoria das condições de vida de uma população, a riqueza precisa ser distribuída. Porém, sem o crescimento econômico não é possível elevar o padrão de vida de uma população, pois a riqueza precisa ser produzida. Apesar do fim da Guerra Fria e da reaproximação diplomática entre Es tados Unidos e Cuba no final do governo Barack Obama (2009-2017), o embargo econômico não foi suspenso e as condições econômicas de Cuba continuam difíceis.


América Central: Aspectos físicos e socioambientais

A colonização europeia iniciou-se pela América Central, no século XVI, e foi caracterizada pela exploração de produtos agrícolas e minerais, e emprego de mão de obra escrava indígena e africana. Esse processo de colonização, como veremos, deixou marcas que perduram até hoje. Além disso, veremos que a América Central se destaca por suas condições naturais, que propiciam o desenvolvimento de algumas atividades econômicas.
A América Central é formada por uma parte continental e uma parte insular, composta de um grupo de ilhas localizadas no mar do Caribe e no oceano Atlântico. Observe no mapa político da América Central os vinte países inde pendentes que a compõem. Destes, sete são continentais e treze são insulares. Há ainda treze territórios no mar do Caribe que pertencem a outros países, como Reino Unido, França, Países Baixos e Estados Unidos. Porto Rico, por exemplo, é um protetorado estadunidense com o status de Estado Livre Associado.
A localização do subcontinente e o predomínio do clima tropical tiveram papel importante na especialização econômica dos países da América Central. Desde o início da colonização europeia, a economia de grande parte da região baseia-se no cultivo de produtos tropicais.
Outra atividade econômica importante para a região é o turismo. O clima tropical e a enorme variedade de praias estimularam o desenvolvimento do turismo de sol e praia, sobretudo na região do Caribe. As paisagens naturais de florestas tropicais, montanhas e vulcões também impulsionaram o turismo ecológico e de aventura. Há ainda as ruínas de civilizações pré-colombianas que atraem turistas de diversos países.

Relevo e hidrografia


A América Central localiza-se em uma região de encontro de diversas placas tectônicas e isso explica a origem das cordilheiras que existem ali, principalmente no encontro da placa de Cocos com a placa do Caribe. Além das cadeias monta nhosas, a movimentação tectônica no subcontinente dá origem a vulcões ativos e inativos e à ocorrência de terremotos, como mostra o mapa de placas tectônicas.
A oeste da porção continental, o relevo é mais movimentado e íngreme. Note, no mapa físico abaixo, como as cores variam de verde a marrom em uma distância muito curta nessa porção do subcontinente. Já a leste, estendem-se as terras mais baixas das planícies litorâneas, onde é possível perceber faixas mais largas na coloração de verde a amarelo no mapa. Na parte insular, há várias ilhas de origem vulcânica.
Os maiores rios da América Central, como o rio Grande (Nicarágua) ou o rio Patuca (Honduras), nascem nas montanhas, atravessam as planícies e deságuam no mar do Caribe. Já os rios que correm das montanhas em direção ao oceano Pacífico são menos extensos, porque, como você já viu, a planície costeira a oeste é estreita. Destaca-se na América Central a presença de lagos, como o lago Nicarágua e o lago de Manágua (Nicarágua) e o Izabal (Guatemala).
No Panamá, na parte mais estreita do istmo, foi construído um canal ligan do o oceano Atlântico e o mar do Caribe ao oceano Pacífico (canal do Panamá). Desse modo, o percurso nas rotas de navegação oceânica foi bastante redu zido. A elevada pluviosidade da região e a enorme disponibilidade de água doce garantem o bom funcionamento do canal.

O canal do Panamá


A localização e a exten são do canal do Panamá, construído pelos Estados Unidos. O canal levou onze anos até ser concluído, de 1903 a 1914, o que indica a complexidade da obra, que envolveu a construção de uma barragem na desem bocadura do caudaloso rio Chagres e originou uma represa de 26 metros acima do nível do mar. Apenas em 2000 a administração do canal foi transferida pelos Estados Unidos ao Panamá.
Em 2016, foram concluídas as obras de ampliação do canal, com um novo conjunto de eclusas mais largas e mais profundas, ao lado do antigo, com o objetivo de comportar navios maiores.
A obra, feita por um consórcio liderado por uma construtora espanhola, custou 5,3 bilhões de dólares e demorou nove anos para ser concluída. O antigo canal comportava a passagem de navios com capacidade de transpor tar, no máximo, 6 mil contêineres; já o novo canal pode receber navios que transportam até 14 mil contêineres. Com isso, além de o Panamá triplicar as receitas com pedágio pela passagem dos gigantescos navios de hoje em dia, que não conseguiam passar no antigo canal, também foi possível reduzir o preço do frete nas viagens entre os oceanos Atlântico e Pacífico, beneficiando principalmente o comércio entre a Ásia e os Estados Unidos (costa leste). O antigo canal do Panamá era responsável pelo trânsito de aproximadamente 5% do comércio mundial; com o novo canal, essa participação deve subir para cerca de 8% das trocas internacionais.

Clima e vegetação.


Quase toda a América Central está situada na Zona intertropical do planeta. Como as únicas correntes marítimas que lá atuam são quentes, as tempe raturas são elevadas em grande parte do subcontinente, assim como as pre cipitações. Predominam os climas equatorial e tropical, este último com uma estação chuvosa abundante e outra com menores índices de chuva. Nas regiões montanhosas as temperaturas são mais ba ixas em razão do efeito da altitude, que também provoca variação na vegetação.
Em função dos climas quentes, neste subcontinente predominam as Florestas Tropicais, que, como as flo restas da América do Sul, sofrem com o desmatamento.

Furacões


No mar do Caribe e no golfo do México é frequente a ocorrência de tor mentas tropicais, ali chamadas de furacões (do espanhol huracan, que vem de hurakan, “deus do vento e da tempestade” para os maias). No oceano Índico e nas proximidades da Austrália essas tormentas são chamadas de ciclones tropicais e, no oceano Pacífico, de tufões. Esse fenômeno meteorológico começa como uma depressão tropical (ventos de até 50 km/h); à medida que ganha intensidade, transforma-se numa tempes tade tropical e, quando os ventos ultrapassam os 119 km/h, passa a ser chamada de furacão, que pode chegar até a categoria 5 na escala Saffir-Simpson.
Fenômenos naturais como os furacões não podem ser controlados pelos seres humanos e, geralmente, causam muita destruição. Porém, já faz algum tempo que se pode prevê-los com certa antecedência, por meio de imagens de satélite. Ainda assim, é muito difícil deslocar grandes grupos de pessoas, especialmente em países pequenos e pobres, como muitos do Caribe.
O ano de 2017 ficou marcado por uma das mais intensas temporadas de furacão no mar do Caribe. Foram 17 tempestades tropicais, das quais dez evoluíram para a categoria de furacão, provocando muita destruição nos países da região. Estima-se que os prejuízos superaram os 280 bilhões de dólares. Apesar de ser uma área do planeta onde as tempestades tropicais ocorrem com certa frequência, a maioria das construções não foi projetada para resistir a furacões.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

América do Sul: economia

Os países sul-americanos têm uma economia muito variada, apesar da herança colonial, da história comum de desigualdades sociais e da influência política, econômica e cultural dos Estados Unidos desde o início do século XX.
Há, por exemplo, países emergentes com um parque industrial relativamente diversificado, como o Brasil, a Argentina, o Chile e a Colômbia, enquanto em outros, menos desenvolvidos, predominam as atividades minerais e agrárias, como a Bolívia, o Equador, o Paraguai e a Guiana.
No setor agrícola dos países sul-americanos há agroindústrias que utilizam tecnologia avançada na produção de alimentos, biocombustíveis e matérias-primas para indústrias de papel, móveis, químico-farmacêuticas, etc. Ao mesmo tempo, há regiões em que prevalece a agricultura tradicional apenas para o consumo da própria família.
Nos países emergentes, o parque industrial é integrado à economia mundial em diversos setores, como o de bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários (aço, celulose, derivados de petróleo etc.) e bens de consumo (automóveis, eletrônicos, vestuário, alimentos, etc.). Além disso, contam com investimento de capital privado nacional e estrangeiro, além de capital estatal.

O Produto Interno Bruto


O Brasil é o país que possui o maior PIB do subcontinente, mais de três vezes maior que o segundo colocado, a Argentina. Em todos os países, o setor de serviços (que inclui o comércio) é o que mais contribui na composição do PIB e também o que ocupa mais mão de obra. Novamente, é o Brasil a economia em que esse setor tem mais peso, seguido pela Argentina.
Já nos países em que a agricultura ainda tem grande participação no PIB, como é o caso do Paraguai e da Guiana, a participação dos serviços se reduz um pouco, mas ainda é predominante.
Durante a alta do preço das commodities nos anos 2000, as economias dos países sul-americanos cresceram com taxas elevadas, o que contribuiu para a redução do desemprego e a melhoria das condições gerais de vida da população. 
No entanto, após a passagem desse ciclo de alta (e também como resultado de políticas econômicas malsucedidas), desde 2010 as economias dos países sul-americanos vêm reduzindo o ritmo de crescimento, com alguns países passando por recessão econômica. Em 2018, a pior situação é a da Venezuela, cujo PIB vem encolhendo fortemente desde 2014.

Agropecuária


Os dois países que dispõem das maiores extensões de terras agrícolas são o Brasil e a Argentina. No Brasil, pratica-se agricultura mecanizada em grandes propriedades no estado de São Paulo, com destaque para a cana-de-açúcar (produção de açúcar e etanol) e nos estados da região Centro-Oeste, com destaque para o cultivo de soja e milho.
Esses dois cultivos também são desenvolvidos no Paraná e no Rio Grande do Sul e a soja tem sido muito cultivada no oeste da Bahia. Vale destacar ainda o cultivo de café em grandes e médias propriedades no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo (nesses estados o grau de mecanização é menor devido ao relevo montanhoso).
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricul tura (FAO), em 2016 o Brasil era o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de café, o segundo produtor de soja e o terceiro de milho. Essa produção em grande parte é voltada para a exportação. No Brasil central também se concentra a maior parte dos 218 milhões de cabeças que compõem o rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, outro produto importante na pauta de exportação brasileira.
A modernização das atividades agrícolas reduziu sensivelmente a utilização de mão de obra empregada no setor primário da economia. Sem contar que dos poucos que permanecem empregados se exige maior qualificação: hoje em dia, a agricultura moderna emprega engenheiros agrônomos, técnicos em agricultura, tratoristas, mecânicos de máquinas, etc.
Na Argentina, a agricultura mais importante encontra-se na região da planície dos Pampas, com destaque para a soja (terceiro produtor mundial), o milho (quarto produtor) e o trigo, cultivados em grandes propriedades com alto grau de mecanização. Esses produtos aparecem, respectivamente, na pauta de exportação de ambos os países, sendo que o Brasil importa trigo argentino. A Argentina também se destaca como grande produtor e exportador de carne bovina.
Outro país que tem uma agricultu ra relevante é o Chile, com destaque para a fruticultura – uva, pêssegos, peras, cerejas, entre outras. As frutas têm um grande peso na pauta de exportação chilena, só ficando atrás do cobre. A agricultura chilena se concentra na região central, pois o sul é muito frio e o norte é muito árido e ocupado pelo deserto de Atacama.

Recursos minerais e indústria


Em conjunto, os países do subcontinente produzem quase todos os produtos minerais e energéticos de que necessitam. A produção de petróleo é relevante no Brasil, na Venezuela e na Colômbia. Este país e o Brasil, apesar de não serem membros da Opep, também são exportadores de petróleo.
Vale destacar a produção de minério de cobre, no Chile e no Peru; de estanho e gás natural, na Bolívia; e de ferro, manganês e bauxita, no Brasil. Esses recursos minerais têm grande importância na pauta de exportações dos respectivos países. A Venezuela, cuja economia passa por profunda crise desde 2014. Segundo estimativas do Banco Mundial, suas exportações caíram de 65,7 bilhões de dólares em 2010 para 23,9 bilhões de dólares em 2017. Isso se deve à desagregação socioeconômica que o país vive. Cerca de 95% da pauta de exportação da Venezuela é composta de petróleo.
As maiores regiões industriais se localizam no Brasil e na Argentina, as duas maiores e mais industrializadas economias sul-americanas. No Brasil a indústria contribui com 18% do PIB, e emprega 28,2% dos trabalhadores e 10,1% das traba lhadoras; na Argentina esse setor é responsável por gerar 22% do PIB e em pregar 34,1% dos trabalhadores e 8% das trabalhadoras no país.
No Brasil, a produção industrial é muito diversificada e, embora tenha se espalhado pelo território, ainda está bastante concentrada nas regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, farmacêuticas, etc.
Na Argentina, a maior concentração industrial encontra-se no eixo formado pela região metropolitana de Buenos Aires e a cidade de Rosário, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, etc. 
No entanto, o eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba – a segunda cidade mais populosa, após a capital –, forma a mais importante região de diversificação industrial do país. Além dessas duas regiões industriais principais, há outras concentrações menores na América do Sul.
No Brasil, a maior concentração espacial da atividade industrial se formou, historicamente, na Região Sudeste do país ou mais propria mente no polígono formado pelos estados de São Paulo, do Rio de Ja neiro e de Minas Gerais, que já foi chamado de “coração econômico do Brasil”.
Sobretudo no Brasil, há polos industriais de alta tecnologia, com destaque para a região de Campinas (SP). Nessa cidade do interior paulista existe um importante tecnopolo em torno da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outros centros de pesquisa, que formam mão de obra qualificada para trabalhar nas indústrias da região (eletrônicas, telecomunicações, mecânicas, biotecnologia, entre outras), assim como produzem avanços científico-tecnológicos, fruto de suas pesquisas.

Turismo


No setor de serviços, uma das atividades que mais tem crescido e gerado renda na América do Sul é o turismo. Em todos os países sul-americanos, os setores de comércio e serviços são os que empregam maior percentual da população economicamente ativa.
O subcontinente tem diversas cidades históricas tanto do período pré-colombiano como do período colonial, que atraem muitos turistas interessados principalmente na arquitetura das construções, que imprimem na paisagem as marcas de outros tempos.
Além disso, pelo extenso litoral (principalmente do Brasil) em zona intertropical, é muito favorecido para o desenvolvimento do turismo de sol e praia, mas também o de montanha (lembre-se de que é nesse subcontinente que está uma das maiores cadeias de montanha do planeta, a cordilheira dos An des), de inverno (nas áreas situadas ao sul do trópico de Capricórnio) e ecológico (em função dos diversos parques nacionais e outras áreas protegidas).
Dos turistas internacionais que entram nos países da América do Sul, boa parte é oriunda do próprio subcontinente. Muitos dos turistas internacionais que entram na Argentina, por exemplo, são brasileiros (e vice-versa), assim como grande parte dos visitantes estrangeiros no Chile é composta de brasileiros. Há também um significativo fluxo interno de turistas, especialmente no Brasil.

Blocos econômicos regionais


A busca de integração no continente Americano é antiga. Ela vem desde 1948, ano de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a assinatura da Carta da OEA, em Bogotá (Colômbia). A OEA constitui um orga nismo regional dentro do sistema da ONU, de caráter político. Em seu artigo primeiro, apregoa que o objetivo da organização é alcançar nos Estados-mem bros “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, inten sificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”.
No entanto, desde sua origem, a OEA, é controlada pelos Estados Unidos, que procurou organizá-la de acordo com seus interesses. Como exemplo, podemos citar a expulsão de Cuba, em 1962, a fim de isolar o regime de Fidel Castro (1926-2016), que em 1959 havia liderado a derrubada do governo do ditador Fulgencio Batista (1901-1973), aliado dos Estados Unidos, e implantado, em 1952, um regime de partido único (Partido Comunista de Cuba), estatizan do a economia e se aproximando da União Soviética. Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, em 1991, cresceu a pressão de países do continen te para o fim da suspensão de Cuba, o que acabou ocorrendo em 2009. No entanto, Raúl Castro, que assumiu o poder após a saída de seu irmão Fidel, não manifestou interesse por voltar à organização, pois, segundo ele, desde sua concepção, a OEA foi e continua sendo um instrumento de dominação imperialista dos Estados Unidos.
O fim da União Soviética e, portanto, da ajuda que concedia a Cuba, por exemplo, vendendo petróleo a preços abaixo do mercado internacional, agra vou os problemas de desabastecimento do país. Com a chegada de Hugo Chávez (1954-2013) ao poder na Venezuela, em 1999, houve uma aproximação entre os regimes chavista e castrista e esse país sul-americano passou a forne cer petróleo em condições vantajosas a Cuba.
Tentando romper o isolamento desses dois países, especialmente o cuba no, em 2004 Chávez e Fidel criaram a Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, com a participação de Venezuela, Colômbia e Peru. Mais tarde se uniram a ela a Bolívia, o Equador e a Nicarágua. Esses países tinham em comum governos interessados em criar uma alternativa à inte gração a um acordo comercial liderado pelos Estados Unidos. No entanto, acabou não vingando.
A Alba se enfraqueceu depois da morte de Hugo Chávez em 2013 e prin cipalmente após a grave crise econômica que atingiu a Venezuela no governo de seu substituto, Nicolás Maduro.
No entanto, já há bastante tempo os países latino-americanos buscam criar outras organizações de integração regional, especialmente no campo comercial. Um exemplo foi a criação da Aladi – Associação Latino-Americana de Integração, em 1980, com sede em Montevidéu (Uruguai). Ela permitiu a assinatura de acor dos entre apenas dois ou mais países-membros. Isso fez com que aumentasse o número de acordos assinados no âm bito da Aladi. Mas como essa organiza ção é muito ampla, conta com 13 países latino-americanos, de difícil conciliação de interesses, acabou ofuscada pelo crescimento de blocos regionais menores e mais focados em redução de barreiras para o fluxo de mercadorias.
Os blocos econômicos são agrupa mentos de países que fazem acordos regionais para facilitar o trânsito de ca pitais, serviços e, sobretudo, de merca dorias entre eles – isto é, ampliar os mer cados para as empresas. Há quatro tipos de blocos econômicos regionais: zona de livre co mércio, união aduaneira, mercado co mum e união econômica e monetária.

Comunidade Andina (CAN)


Em 1969, com a assinatura do Acordo de Cartagena, foi criado o Pacto An dino, com sede em Lima (Peru). O objetivo do bloco era incentivar a integração política e econômica entre os países-membros: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, que formaram uma zona de livre-comércio.
Em 1973, a Venezuela aderiu ao grupo. Em 1976, o Chile renunciou. Em 1997, os países integrantes iniciaram um processo para transformar-se em união aduaneira e mudaram o nome para Comunidade Andina.
Em 2006, com o início das negociações para sua entrada no Mercosul, a Venezuela também se retirou do bloco. Atualmente restam apenas quatro países. Com processo em curso de adesão da Bolívia ao Mercosul e com a entrada de Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, que veremos a seguir, a tendência é haver um esvaziamento da Comunidade Andina.

União das Nações Sul-Americanas (Unasul)


Os doze países independentes da América do Sul integram a Unasul (a Guiana Francesa não faz parte). Criado em 2008, esse grupo tem poderes para negociar com outros países e blocos econômicos e representa os países-mem bros na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros órgãos multila terais. Sua sede fica em Quito (Equador).
O objetivo da organização é estabelecer um espaço de integração política, cultural, social e econômica, criando um envolvimento dos países-membros em áreas como a infraestrutura de transportes, energia e comunicações, além do incentivo à cooperação nos setores de educação, saúde, defesa e outros. Se gundo a própria Unasul: “Nosso desafio é eliminar a desigualdade socioeconô mica, alcançar a inclusão social, aumentar a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as disparidades existentes”. Ou seja, vai muito além de um acordo comercial como os outros blocos.

Aliança do Pacífico


A Aliança do Pacífico é o mais recente bloco econômico criado na América Latina. Essa zona de livre-comércio é formada por três países andinos da Amé rica do Sul – Chile, Colômbia, Peru – mais o México, país da América do Norte.
Este é o único bloco econômico realmente latino-americano, os outros são sul-americanos ou centro-americanos. Criada em 2011, entre seus objetivos destacam-se: impulsionar o crescimento econômico e a competitividade das economias de seus integrantes, buscando a liberalização do comércio de bens e serviços; promover a livre circulação de pessoas entre os países-membros, transcendendo o âmbito comercial; promover uma arti culação política e de projeção ao mundo, com ênfase na região da Ásia-Pacífico. A integração tem sido bem sucedida: mais de 90% dos produtos comercia lizados entre eles já circulam com tarifa zero.

Mercado Comum do Sul (Mercosul)


O Mercosul é um acordo econômico assinado em 1991 por Argentina, Bra sil, Paraguai e Uruguai. Sua sede fica em Montevidéu (Uruguai). Em 2006, a Venezuela foi admitida como país-membro, mas em 2017 foi suspensa porque o governo de Nicolás Maduro desrespeitou o compromisso democrático esta belecido pelo Protocolo de Ushuaia (acordo assinado em 1998 nessa cidade argentina), que prevê em seu artigo 1° que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes”. Nessa condição, o país perdeu o direito de participar nos diferentes órgãos do bloco e tem seus direitos e obrigações também suspensos, como prevê o artigo 5° desse protocolo. Em 2018, a Bolívia estava em processo de adesão.
O Mercosul criou facilidades para a circulação de mercadorias entre os países-membros, visando, primeiramente, à implantação de uma zona de livre-comércio. Em janeiro de 1995, passou a vigorar também uma tarifa externa comum, que ainda não é válida para todos os produtos, por isso o bloco é considerado uma união aduaneira imperfeita.
Essa proposta de integração econômica não é livre de conflitos de interes ses. A Argentina, por exemplo, de forma recorrente estabelece cotas de importação de produtos brasileiros e eleva as tarifas aduaneiras de forma unilateral.
Desde a criação do Mercosul, o objetivo maior é tornar a economia dos países sul-americanos mais forte e competitiva e com maior poder de negocia ção com os Estados Unidos, a União Europeia (com quem negociava, em 2018, um acordo de livre-comércio), a China e outros parceiros comerciais.
O Mercosul, além dos Estados-membros, também chamados de Estados-partes, tem seis países que são considerados Estados associados – Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Com esses países, o Mercosul tem acordos de livre-comércio e eles estão autorizados a participar das cúpulas do bloco.

Investimentos brasileiro e chinês


O Brasil é o país que produziu o maior PIB dentre os países da América do Sul, e por isso podemos considerá-lo a maior economia do subcontinente. Embora tenha apresentado a menor taxa de crescimento no período 2000-2017, a economia brasileira é bem maior que a de seus vizinhos, o que faz com que naturalmente tenha mais influência na região. Por exemplo, há muitas empresas multinacionais brasileiras atuando na América do Sul e mesmo na América do Norte.
No entanto, nos últimos anos, assim como vem acontecendo na África, também na América do Sul tem havido um aumento dos investimentos chineses em diversas atividades.
A China tem investido em infraestrutura, mineração e agricultura para lhe assegurar o fornecimento de alimentos, de matérias-primas minerais e agrícolas, além de vender seus produtos industrializados. Como a economia brasileira é bem maior e mais complexa do que as dos países vizinhos, aqui o capital produtivo chinês, além de investir em infraestrutura, mineração e agricultura, como ocorre em toda a América do Sul, também tem comprado indústrias nacionais e montado fábricas novas.
No entanto, os chineses estão inte ressados apenas em abastecer o mercado interno brasileiro, e não em usar o território nacional como plataforma de exportações de produtos industrializados. Eles preferem abastecer os vizinhos sul-americanos a partir da produção das fábricas instaladas em seu próprio território, concorren do diretamente com produtos brasileiros no mercado regional. Em 2007, de todas as importações dos países da América do Sul, 14,8% provinham do Brasil e 10% da China. Em 2013, a participação brasileira no abastecimento dos países vizinhos caiu para 11,2%, enquanto a chinesa subiu para 17,4%. Em outras palavras, a indústria brasileira tem perdido mercado para a produção chinesa.

América do Sul: população e diversidade cultural

Origem dos povos americanos

Há controvérsias sobre a data da chegada dos primeiros grupos humanos na América e sobre as rotas que percorreram. Com base em pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara, no estado do Piauí, área onde há grande concentração de sítios arqueológicos, a antropóloga brasileira Niède Guidon afirma que há cerca de 50 mil anos já havia humanos na região. No entanto, seu estudo é pouco aceito pela comunidade científica porque a datação não foi feita com ossos, e sim com carvão de supostas fogueiras humanas.
Pesquisa mais precisa publicada na revista científica Nature em 2012 por uma equipe internacional de cientistas liderada pelo colombiano Andrés Ruiz-Linares (professor de genética humana da University College de Londres) aponta uma data mais recente. Ela foi feita com base nos estudos genéticos de comunidades indígenas do Canadá à Terra do Fogo (sul da Argentina) e indicou que a ocupa ção da América se deu com grupos humanos vindos da Ásia em pelo menos três ondas migratórios através do estreito de Bering há pouco mais de 15 mil anos, quando as águas do mar estavam congeladas e serviram de ponte para a pas sagem dos migrantes.
É a mesma datação apontada pelo antropólogo brasileiro Walter Neves com base no esqueleto de Luzia, fóssil de cerca de 12 mil anos encontrado no sítio arqueológico de Lagoa Santa (MG). Ele também defende que os índios americanos são descendentes de grupos humanos vindos da Ásia ha cerca de 15 mil anos. Atualmente essa é a tese mais aceita.

Povos pré-colombianos

Foram os descendentes desses mi grantes pioneiros que muito tempo depois desenvolveram as hoje chama das civilizações pré-colombianas (em referência a Cristóvão Colombo), po vos que os europeus encontraram ao aportarem na América no final do sé culo XV.
Os incas (nos Andes), os maias, os astecas e os toltecas (nas áreas onde atualmente se localizam a América Cen tral e o México) estavam entre as civili zações mais organizadas que se desen volveram na América. Esses povos em pregavam técnicas agrícolas sofisticadas para a época, desenvolviam atividades urbanas diversificadas e tinham o poder político já bastante centralizado.
Os incas construíram uma impo nente civilização, cujos vestígios sobre viveram aos séculos, como mostram as ruínas de Machu Picchu (Peru), cidade fundada em 1450. Observe a fotografia. Localizadas na cordilheira dos Andes, a cerca de 80 quilômetros da cidade de Cuzco, essas ruínas foram descobertas em 1911 por um arqueólogo americano chamado Hiram Bingham e hoje fazem parte do Patrimônio da Humanidade.
No México há diversas marcas das civilizações pré-colombianas, como as deixadas pelos povos astecas e toltecas. No século XIV houve uma divisão entre os astecas e parte do grupo mi grou de sua região de origem e fun dou a cidade de Tenochtitlán em 1325, num local onde atualmente fica a Cidade do México. Em seu novo assen tamento, passaram a ser chamados de mexicas, daí o nome do país. A toma da de Tenochtitlán pelos espanhóis em 1521 simboliza o domínio espanhol que se estendeu por todo o período colonial.
Havia no Brasil uma enorme diversidade de povos com diferentes línguas e culturas. Estima-se que eram faladas mais de mil línguas. Em outras regiões da América do Sul também havia outros povos, como os Guarani (cujos descendentes vivem no Paraguai e ainda mantêm sua língua) e os Patagon, no sul da Argentina, daí o nome dessa região: Patagônia.

A colonização europeia e a escravidão

Embora a história da América não tenha se iniciado com a chegada dos europeus, foi a colonização europeia que inseriu esse continente na história do capitalismo comercial, que havia começado na Europa no final do século XV, e deixou marcas profundas nos países atuais.
Entre os séculos XV e XVII, espanhóis, portugueses, franceses, holandeses e ingleses ocuparam o continente americano e iniciaram o domínio dos povos nativos e a colonização dos territórios.
Nos territórios invadidos e dominados pelos portugueses, que mais tarde pertenceriam ao Brasil, os conflitos entre os colonizadores e os povos nativos provocaram genocídio e etnocídio de muitos povos. Com relação aos povos que não foram exterminados, houve empenho por parte dos portugueses em convertê-los à fé cristã (o que não deixa de ser um processo de etnocídio).
Os espanhóis destacaram-se na conquista territorial principalmente nos Andes, na América Central e no México, ocupando áreas ricas em metais preciosos, como ouro e prata. Essa conquista e ocupação também não acontece ram sem a resistência das populações nativas. Os que sobreviveram perderam sua identidade cultural e foram escravizados para a exploração das minas – o que desorganizou as comunidades e contribuiu para o desaparecimento das civilizações pré-colombianas.
Durante o período colonial, a agricultura voltada para a exportação foi a principal atividade realizada em dife rentes áreas do continente americano, como nos territórios dos atuais Brasil, Colômbia, Venezuela, Cuba e no sul dos Estados Unidos. Era a monocultura (produção de um só produto para a exportação), praticada em latifúndios (grandes propriedades) e com base na exploração do trabalho de africanos escravizados. Esse sistema de produ ção agrícola ficou conhecido como plantation(plantação). O tripé latifúndio, monocultura exportadora e escravismo caracterizou as colônias de exploração na América, inclusive no sul dos Estados Unidos.
A adoção da plantation promoveu uma transferência maciça de africanos para o continente americano. Estima-se que, somente no Brasil, ingressaram mais de 5 milhões de africanos escravi zados até 1850, quando essa prática foi proibida. A partir desse ano, teve início o tráfico ilegal, que continuou até a abolição da escravatura, em 1888.
Na segunda metade do século XIX, a escravidão foi abolida em toda a América do Sul, sendo o Brasil o último país a extingui-la. Nessa época, o subcontinente passou a receber milhões de imigrantes europeus que buscavam terra e oportunidades de trabalho. Com isso, houve a substituição da mão de obra escrava nas lavouras pela de trabalhadores em sistema de parceria e gradativamen te de assalariamento e, assim, foi dada continuidade à ocupação do território. Como os africanos inicialmente foram escravizados e posteriormente não foram incorporados ao mercado de trabalho (como meeiros, assalariados, nem como proprietários de terras), ficaram marginalizados socioeconomicamente.
Uma lei de 1950, chamada Lei de Terras, estabeleceu a compra como a única forma de acesso à terra, condição que claramente os impedia de se transfor marem em proprietários. Além disso, sofreram preconceito por serem ex-escravos e foram substituídos por trabalhadores imigrantes da Europa e da Ásia. Essa situação se refletiu na sua condição de vida e de seus descendentes. Atualmente, todos os indicadores sociais – especialmente os de renda e de escolaridade – dos afrodescendentes brasileiros são inferiores aos dos brancos, embora essa desigualdade venha se reduzindo lentamente nas últimas décadas graças a políticas de ação afirmativa, como as cotas nas universidades.

Diversidade étnica e cultural

Como herança desse contexto histórico e das migrações que ocorreram ao longo do século XX, a América do Sul apresenta atualmente uma grande diversidade étnica, com diferenças acentuadas entre os países e também entre as regiões de um mesmo país.
Os descendentes dos vários povos americanos nativos, assim como os afrodescendentes, deram importantes contribuições para a formação cultural dos países latino-americanos. Muitos povos indígenas mantiveram suas línguas, religiões e costumes, sobretudo nas regiões andina e amazônica, na América Central e no México.
Muitos povos africanos conseguiram manter suas religiões, apesar das perse guições, e deram importantes contribuições linguísticas, culinárias, musicais, etc. nos diversos países do subcontinente. Isso é muito visível no Brasil, por exemplo.
Por isso, hoje em dia uma das questões mais importantes que se colocam nesse mosaico de povos e culturas que é o Brasil, a América do Sul e toda a América é o respeito e a valorização dessa diversidade, o que nem sempre acontece.

Distribuição da população

Cerca de 90% da população do subcontinente mora nas proximidades do litoral, numa faixa de cerca de 250 quilômetros em direção ao interior, a partir tanto do oceano Atlântico como do Pacífico, onde se encontram as maiores aglo merações urbanas. Portanto, nessa faixa a densidade demográfica é bem maior.
A concentração da população no litoral teve origem no modelo colonial de ocupação, voltado para a exploração de recursos agrícolas e minerais (cana-de-açúcar, algodão, cacau, café, ouro, prata e outros) para a exportação. A saída para o mar era essencial para a circulação das mercadorias.
Somente a partir da segunda metade do século XX houve a ocupação sistemática do interior da América do Sul, principalmente do Brasil, da Argentina, da Colômbia, da Venezuela e do Peru. Isso ocorreu com o avan ço da industrialização em alguns países, a abertura de rodovias e ferrovias, a expansão da área cultivada e a maior exploração de recursos energéticos e minerais.

Problemas urbanos

A elevada taxa de urbanização dos países da América do Sul foi acompa nhada pelo crescimento desordenado das cidades. Atualmente, todas as gran des cidades sul-americanas em maior ou menor grau enfrentam problemas de ordem social e ambiental.
A elevada demanda por moradia, por exemplo, não é acompanhada pela oferta. Muitas pessoas vivem em moradias precárias, muitas vezes sem acesso a saneamento básico e a serviços regulares de fornecimento de energia elétrica e internet.
Geralmente situadas na periferia das cidades, distante das áreas mais centrais e mais estruturadas ou em áreas não próprias para ocupação, chamadas zonas de risco, como encostas de morros, ou áreas próximas aos cursos de água, sujeitas a alagamentos (áreas geralmente menos valorizadas e por isso mais baratas), essas comunidades também não são atendidas de maneira satisfatória por outros serviços públicos essenciais para uma vida digna, como saúde, educação e lazer. Dessa maneira, é possível perceber a segregação socioespacial existente nas cidades.
Porém, mesmo em bairros localizados nas áreas mais centrais de grandes cidades sul-americanas, como São Paulo (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Caracas (Venezuela), devido ao alto custo da moradia e ao mesmo tempo do abandono de muitos prédios, têm crescido os movimentos de ocupação organizados por diversos movimentos sociais de sem-teto.
Há movimentos de sem-teto em diversos países sul-americanos e latino-americanos porque todos compartilham do mesmo problema: muitas pessoas de baixa renda vivendo nas cidades e altos custos de moradia, especialmente nas maiores.
A maioria deles é local ou nacional, mas há movimentos que têm uma organização mais abrangente, como o Techo (ou Teto em português). Esse movimento de luta por moradia digna nasceu no Chile em 1997 e a partir de 2001 começou a se expandir por outros países da América Latina. Em 2018 estava organizado em dez países sul-americanos, oito centro-americanos e no México, além de possuir dois escritórios nos Estados Unidos para buscar alian ças e financiamentos.
Além dos problemas de habitação e da segregação socioespacial, as grandes cidades apresentam um problema que atinge toda a população: a poluição do ar e das águas. A poluição do ar pode comprometer a saúde das pessoas, sobretu do nas grandes cidades, onde é muito elevada por causa da concentração de indústrias e veículos que soltam no ar grande quantidade de gases resultantes da queima do combustível. Muitos rios recebem resíduos domésticos e industriais sem tratamento, o que prejudica a qualidade da água e do abastecimento. Na maioria das cidades o sistema de transporte também é insuficiente para atender à demanda da população que depende do serviço público.
No Brasil, assim como em outros países da América do Sul, há a preo cupação dos governos e das socieda des em geral em reduzir os problemas urbanos. Muitos governos têm procu rado aumentar o investimento em transporte coletivo, moradias populares, saúde preventiva e segurança. Em muitos casos, têm contado com o apoio de organismos internacionais, como as agências da ONU, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No entanto, muitas vezes isso tem se mostrado insuficiente. Nas favelas, a população geralmente não conta com serviços públicos essenciais a uma vida digna.

Indicadores sociais

Os países sul-americanos são marcados por desigualdades sociais e, como vimos nas páginas anteriores, essa desigualdade se materializa nas paisagens, sobretudo nas das grandes cidades, onde vive a maioria das pessoas. São, portanto, desigualdades socioespaciais. Podemos identificar as desigualdades sociais também em indicadores, como o índice de desenvolvimento humano (IDH).
De forma geral, a partir da década de 1990, vários setores da economia dos países da América do Sul se modernizaram e os indicadores sociais melhoraram. Contudo, a concentração de renda ainda permanece elevada e o percentual de pessoas que vivem na pobreza ainda é alto em alguns deles.
A contínua melhora dos indicadores sociais depende de crescimento eco nômico, de uma distribuição de renda mais equilibrada e de investimentos sociais adequados. No século XXI, de forma geral os países sul-americanos têm apresentado crescimento econômico. Além disso, gradativamente os governos têm aumentado os investimentos em setores importantes como educação, saúde e proteção social. Isso tem contribuído para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida de parte da população.
Porém, é fundamental que o crescimento econômico seja ecologicamente sustentável, ou seja, que o meio ambiente seja protegido, garantindo boas condições de vida para a população. Como se observa no gráfico, os países latino-americanos ainda investem pouco em proteção do meio ambiente.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

América do Sul: aspectos físicos e ambientais

A América do Sul é um subcontinente da América, por isso vamos estudá-la como uma unidade. Esse subcontinente tem 17,8 milhões de quilômetros quadrados de extensão. O Brasil ocupa quase metade dessa área, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
Em 2017 vivia na América do Sul 5,6% da população mundial, distribuída em doze países independentes, além da Guiana Francesa, território que pertence à França, e das ilhas Malvinas (também denominadas Falkland), que pertencem ao Reino Unido.
Os países sul-americanos, mais os países da América Central e o México, pertencem à América Latina, onde predominam as línguas derivadas do latim, por influência dos principais colonizadores da região (portugueses e espanhóis). 
Nela, grande parte das pessoas fala espanhol. O português ficou circunscrito ao Brasil e o francês é falado na Guiana Francesa e em países do Caribe, como o Haiti. Em alguns países (um deles é o Brasil), são faladas línguas nativas de diversas etnias indígenas. 
Além das línguas nativas e derivadas do latim, no Suriname e em algumas ilhas do Caribe, apesar de pertencerem à América Latina, parte da população fala holandês e inglês (por influência de seus colonizadores). Grande parte da população dos países da América do Sul é católica, mas há outras religiões, como as tribais, praticadas por povos nativos, por exemplo.
Além da origem linguística e da influência religiosa europeia, os países sul-americanos compartilham uma história marcada pela dominação colonial. Neles houve intensa exploração de produtos agrícolas e minerais, e para sustentar essas ativida des muitos indígenas e pessoas trazidas à força da África foram escravizados.
Por causa desse passado de exploração, somado ao descaso das elites que assumiram o poder desde a independência, grande parte da sociedade, sobretudo entre os indígenas e africanos (e seus descendentes), ficou marginalizada, sem acesso a educação, saúde e moradia dignas.
Essas circunstâncias, somadas a um histórico de dependência política e econômica em relação aos países europeus, desde o colonialismo, e aos Estados Unidos, desde o imperialismo, ajudam a compreender a acentuada desigualdade social e econômica e as más condições de vida de amplos setores da sociedade dos países da América do Sul.
Atualmente, este subcontinente é composto apenas de países em desenvolvimento, com destaque para alguns emergentes importantes, como o Brasil, a Argentina e o Chile.

Relevo


A América do Sul apresenta variadas formas de relevo. As áreas com maior altitude da América do Sul ficam na porção oeste do subcontinente (cordilheira dos Andes), originadas pelo soerguimento do terreno, ocasionado pela pressão resultante do encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-mericana.
Na borda oeste da América do Sul localiza-se a cordilheira dos Andes. Essa cadeia montanhosa se formou pelo dobramento da crosta terrestre, resultado da pressão exercida pelo encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana. há várias montanhas com altitudes superiores a 4 000 metros. Ali fica também o pico mais alto do continente americano, o Aconcágua, com 6 962 metros de altitude.
Na região central dos Andes também há áreas planas, mas em altitudes elevadas, os chamados altiplanos. É lá, por exemplo, que se encontra o lago Titicaca, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, o lago mais alto do mundo, a cerca de 3 800 m de altitude.
A grande planície Platina (formada por Pantanal, Chaco e Pampas), a planície Amazônica e a do Orinoco formam um corredor de terrenos baixos de norte a sul do subcontinente. Elas são constituídas por rochas sedimentares de formação recente.
Do ponto de vista geológico, pode-se dizer que grande parte do relevo da América do Sul desenvolveu essa configuração recentemente, considerando a escala do tempo geológico, tendo em vista que o planeta Terra começou a se formar há cerca de 4,6 bilhões de anos. Estima-se que o início do soerguimento da cordilheira dos Andes e o preenchimento das bacias sedimentares (com destaque para a Amazônica) tenham ocorrido há cerca de 85 milhões de anos, no final da era chamada Mesozoica.
Os planaltos Brasileiro, das Guianas e da Patagônia são formações mais antigas, pré-cambrianas, nas quais há serras rebaixadas, desgastadas por processos erosivos e cercadas por planícies. No Planalto das Guianas estão as maiores altitudes do relevo brasileiro, como o pico da Neblina.
Nas regiões planálticas, formadas por rochas antigas do período Pré-Cambriano, há grande variedade de serras, como as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, e também de chapadas, como a Diamantina e a dos Parecis, todas em território brasileiro.

Hidrografia


A América do Sul apresenta uma extensa rede hidrográfica, embora tenha algumas regiões desérticas e semiáridas com poucos rios, como na área do interior do Nordeste do Brasil.
A cordilheira dos Andes é o grande divisor de águas do subcontinente. Em sua vertente leste nascem os rios que formam as bacias Amazônica, Platina, do Orinoco, entre outras bacias menores. Na vertente oeste, em direção ao oceano Pacífico, os rios têm pequena extensão e muitas quedas-d’água.
O planalto das Guianas é o divisor de águas das bacias Amazônica (onde nascem os afluentes da margem esquerda do Amazonas) e do Orinoco; o planalto Brasileiro é o divisor de águas das bacias Amazônica (dos afluentes da margem direita), Platina e do São Francisco.
A América do Sul também tem muitos lagos, com destaque para o lago de Maracaibo (Venezuela) e o Titicaca (na fronteira do Peru com a Bolívia), e lagoas costeiras, como a lagoa dos Patos (no Rio Grande do Sul).
A presença de rios extensos e caudalosos correndo em relevo planáltico faz com que a América do Sul tenha um enorme potencial hidráulico, que vem sendo aproveitado para a geração de energia hidrelétrica, o que tem contribuído para o desenvolvimento do país onde fica a usina e mesmo de países vizinhos.
Além das águas superficiais, a América do Sul tem grandes reservas subterrâneas nos chamados aquíferos, com destaque para o Sistema Aquífero Grande Amazônia e o Sistema Aquífero Guarani, a primeira e a segunda reservas mundiais de água subterrânea, respectivamente.
A conservação dos recursos hídricos é fundamental, já que deles dependem diversas formações vegetais com importante biodiversidade. Além disso, suas águas são usadas no consumo e na irrigação agrícola, no abastecimento das cidades, na produção de energia, pesca e lazer. A poluição dos recursos hídricos afeta o equilíbrio ambiental e o abastecimento de água para a população. 
Nas cidades, devido à insuficiência de saneamento básico, os principais poluentes são o esgoto doméstico e os resíduos industriais; no campo, os produtos químicos utilizados na agricultura e os dejetos das agroindústrias. Os rios que atravessam as grandes aglomerações urbanas dos países da América do Sul são os mais afetados pela poluição.
O rio Paraguai, por exemplo, que atravessa os territórios de Brasil, Paraguai e Argentina, tem sofrido com a poluição tanto por causa da agricultura no planalto Central, contaminando suas nascentes e afluentes, como por lançamento de esgotos domésticos e industriais das cidades que atravessa. Apenas a cidade de Assunção, capital do Paraguai, principal aglomeração urbana que o rio corta, lança cerca de 3,2 milhões de litros de esgotos residencial e industrial no leito do rio, comprometendo a qualidade de suas águas. Outros rios da América do Sul têm sido afetados pela poluição.
Algumas ações têm procurado combater o problema da poluição. No Brasil, por exemplo, foi criada em 1997 a lei no 9 433, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu uma Política Nacional dos Recursos Hídricos para orientar a gestão das águas no país. Houve muitos avanços desde então, mas muito ainda é preciso ser feito para a adequada gestão dos recursos hídricos no território brasileiro.

Clima


Por causa de sua localização no globo terrestre, a América do Sul está situada em duas zonas climáticas do planeta, a intertropical e a temperada. Nas áreas situadas na zona intertropical, mais próximas do equador, os climas apresentam temperaturas mais elevadas do que nas áreas situadas na zona temperada.
No subcontinente, há oito tipos climáticos, mas grande parte dele é dominado pelos climas equatorial (que apresenta temperaturas elevadas e chuvas frequentes o ano inteiro) e tropical (com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos). 
Em contraste, no extremo sul encontramos áreas de clima temperado, que apresentam temperaturas baixas em grande parte do ano. Também na zona temperada, há extensa área com predomínio do clima subtropical, com temperaturas mais amenas (se comparadas às do clima temperado) e chuvas bem distribuídas ao longo do ano.
Além da grande extensão em latitude, as acentuadas variações de altitude, a circulação das massas de ar e das correntes marítimas e a proximidade do oceano também são fatores que determinam a diversidade climática da América do Sul.

As correntes marítimas


Várias correntes marítimas atuam na América do Sul. Algumas merecem destaque por exercer forte influência climática.
A corrente marítima de Humboldt origina-se próximo da Antártica e por isso é muito fria. Ela se desloca pelo oceano Pacífico, passando pela costa oeste da América do Sul. Por ser fria, provoca condensação da umidade da atmosfera. Assim, quando as massas de ar atingem o continente, estão secas, de forma semelhante ao que vimos com a corrente de Benguela, que dá origem ao deserto da Namíbia e Kalahari, no sudoeste da África. Esse fenômeno explica o predomínio do clima desértico em parte da costa oeste da América do Sul e a origem do deserto do Atacama (Chile), o mais seco do planeta.
Além da influência climática, a corrente de Humboldt também se destaca por sua importância para a economias de alguns países banhados pelo oceano Pacífico, entre eles o Chile e o Peru. Isso porque ela provoca uma grande concentração de plânctons próximo à superfície do oceano, atraindo grande quantidade de peixes, que se alimentam desses microrganismos, o que contribui para o desenvolvimento da indústria pesqueira nesses países.
A costa da Argentina é banhada pela corrente das Falkland (também chamada de Malvinas), que, por ser fria como a corrente de Humboldt, também provoca a condensação da umidade atmosférica sobre o oceano, antes que ela chegue ao continente. Essa corrente é um dos fatores que determinam a origem do deserto da Patagônia (Argentina).
Na costa brasileira, as correntes das Guianas e do Brasil, ambas quentes e carregadas de umidade adquirida no oceano, provocam aumento das chuvas no litoral, sobre tudo no verão.

A altitude


Ao longo da cordilheira dos Andes predomina o clima típico de montanha. Por causa das altitudes elevadas, a média de temperatura do ar é baixa durante o ano e nas localidades de maior latitude neva durante o inverno. Observe as médias de temperatura e precipitação em La Paz, na Bolívia, que se encontra a 3 600 metros de altitude, embora esteja na zona intertropical do planeta.

A proximidade do oceano


O oceano atua como um regulador da temperatura do ar. Isso acontece porque, mesmo no inverno, a evaporação é mais relevante próximo aos grandes corpos de água. A temperatura média do ar nos lugares em que há abundância de água na atmosfera é mais elevada do que nos luga res secos, porque o vapor de água retém parte do calor irradiado pelo planeta.
O clima de Santiago (Chile), por exemplo, é um clima mediterrâneo influenciado pela proximidade do mar e por isso não é tão frio e seco como o mediterrâneo da Espanha, que tem características mais continentais. 
As chuvas estão concentradas no inverno, que não é tão frio. É por isso que o inverno da porção meridional do continente sul-americano é menos rigoroso do que o da América do Norte, por exemplo, apesar de ambos estarem na zona temperada. Note como a América do Sul tem formato “triangular”. Quanto mais próximo do polo Sul, mais estreita é a porção continental e, com isso, o oceano exerce maior influência climática, amenizando os rigores do inverno.

Vegetação


A grande variedade de climas na América do Sul originou diversos tipos de formações vegetais, adaptados às condições de temperatura e umidade, ao relevo e aos tipos de solo do subcontinente. Há biomas florestais – florestas tropicais, subtropicais e temperadas –, bioma tipo savana – cerrado, chaco, caatinga –, vegetação de desertos e de montanha.

Ação humana sobre a vegetação


A distribuição original das formações vegetais, isto é, antes de a ação humana transformá-las. Em maior ou menor grau, todos os tipos de vegetação do planeta vêm sofrendo a ação humana, por causa tanto da extração de madeira para comercialização e da atividade mineradora como da criação de áreas para plantações, pastagens e do desenvolvimento de cidades. Essa agressão aos biomas é um dos problemas ambientais que enfrentamos e que, entre outras consequências, ameaça a biodiversidade do planeta.
A América do Sul abriga a maior floresta tropical do planeta, a Amazônica. Ela ocupa cerca de sete milhões de quilômetros quadrados e se estende por vários países, mas a maior extensão está em território brasileiro. 
O bioma Amazônia ainda tem grande parte de sua área preservada, mas o desmatamento tem avançado muito, sobretudo em território brasileiro. A abertura de rodovias, a expansão da atividade de mineração, as queimadas para desenvolvimento da agropecuária, além do corte ilegal de árvores para venda de madeira são os principais motivos de desmatamento de parte dessa floresta.
Em 2017, apenas no Brasil, o desmatamento da Floresta Amazônica foi de 6,9 mil quilômetros quadrados, segundo estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a pecuária extensiva e a exploração madeireira ilegal são as atividades que mais contribuem para o desmatamento na Floresta Amazônica.
A pecuária ocupa cerca de 80% das áreas desmatadas na região. Se não forem tomadas medidas eficazes, como aumento da fiscalização do Estado e punição aos agressores, para combater as queimadas e a derrubada de árvores, a tendência é que o desmatamento cresça novamente.
O desmatamento provoca impactos que têm consequências locais, como a erosão dos solos e o assoreamento dos rios. Afeta o ambiente também em escala global, já que as queimadas ampliam a emissão de gases estufa na atmosfera e diminuem a biodiversidade.
A proteção dos ambientes naturais é responsabilidade dos governos – por meio de criação de leis, planejamento e fiscalização – e da sociedade – por meio de ações individuais e coletivas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Os Estados Unidos e o canal do Panamá no comércio mundial

O canal do Panamá foi criado para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, com o objetivo de facilitar o comércio marítimo internacional, evitando que os navios tivessem de contornar a América para passar de um oceano a outro. Até hoje esse canal tem papel fundamental nas exportações e importações mundiais.
A construção do canal foi iniciada pelos franceses em 1881, na época em que o Panamá pertencia à Grã-Colômbia. Com a independência do Panamá, os Estados Unidos assumiram a obra, que demorou dez anos para ser finalizada, mas um tratado garantiu aos Estados Unidos o domínio perpétuo sobre a faixa de terras onde seria cons truído o canal. Quando ficou pronto, em 1914, à custa de mais de cinco mil mortes e ao custo de 360 milhões de dólares, o canal permitiu às embarcações navegar entre os dois oceanos com mais segurança, levando metade do tempo para realizar o trajeto.
Durante todo o século XX, houve protestos por parte da população panamenha, que não queria a presença estadunidense na área mais importante do país. Devido à tensão crescente, em 1977, os Estados Unidos concordaram em assinar um tratado para a devolução gradual do canal, que se completaria em 1999. Até essa data, os panamenhos só tinham oportunidade de avistar o canal de longe, do alto do morro Ancón, o mais alto da Cidade do Panamá.
O canal do Panamá conta com bloqueios nas extremidades e funciona por meio de um sistema de três eclusas: Gatún, Pedro Miguel e Miraflores. Essas eclusas são abertas e fechadas durante as travessias para que as embarcações sejam elevadas ou rebaixadas, vencendo os des níveis do terreno.
Atualmente, o canal do Panamá arrecada entre 2 mi lhões e 4 milhões de dólares por dia, que somam 2 bilhões de dólares ao ano. O canal possui 77,1 quilômetros de comprimento e a travessia leva de 8 a 10 horas. Antes de existir, as embarcações eram obrigadas a percorrer um trajeto de 20 mil quilômetros para contornar a extremidade sul da América do Sul.

Economia do Canadá

A economia canadense destaca-se por sua atividade industrial moderna, por seu setor agropecuário altamente produtivo e pelo setor terciário bastante desenvolvido.
Além do elevado nível tecnológico empregado na atividade industrial e na agropecuária, esse país conta ainda com uma intensa exploração de recursos naturais existentes em seu subsolo. Em razão dos grandes investimentos realizados pelos Estados Unidos durante o processo de industrialização do Canadá, grande parte das ações de empresas canadenses encontra-se sob o comando do capital estadunidense. Nesse sentido, pode-se dizer que o Canadá possui uma economia dependente dos Estados Unidos.
O comércio exterior ocupa um espaço cada vez maior na economia nacional, sendo os principais produtos exportados: veículos e peças automotivas; máquinas industriais; produtos de alta tecnologia, como aeronaves, eletroeletrônicos, equipamentos médicos, ópticos e de telecomunicações; carvão; óleo; petróleo; gás natural; madeira e celulose; metais; e produtos agrícolas. 
A pauta de exportação canadense está intensamente atrelada às relações co merciais com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial, tanto nas impor tações, respondendo com 49%, como nas exportações, com 73%. 
Por esse motivo, o Canadá, nos últimos anos, tem procurado estreitar seus laços comerciais com países da América Latina, como Brasil, Argentina, Chile e, so bretudo, México (por este também pertencer ao USMCA).

Atividade industrial e extrativismo


A indústria do Canadá tem grande variedade de itens produzidos em diversos setores, dos mais tradicionais, como siderúrgico, petroquímico, de papel e celulose, de alimentos e têxtil, aos de tecnologia mais sofisticada, como a indústria aeroespacial, de telecomunicações, de biotecnologia e de microeletrônica. As indústrias estão localizadas, em sua maioria, ao redor das cidades de Toronto, Vancouver, Montreal e Ottawa.
No Canadá, é explorada uma grande variedade de recursos minerais, entre eles, minério de ferro, chumbo, níquel, além de recursos energéticos fósseis, como gás natural e petróleo. A imensa riqueza mineral de seu subsolo possibilitou o crescimento da atividade industrial do país. A oferta abundante de matérias-primas abasteceu diversos ramos industriais, principalmente o siderúrgico e o metalúrgico.
O setor industrial da economia canadense produz cerca de um terço do PIB do país. Entre as atividades industriais, destacam-se as indústrias siderúrgica, têxtil, au tomobilística, de papel e celulose, química e alimentícia. Os altos investimentos nas áreas de tecnologia industrial, sobretudo no ramo da informática e da robótica, garantem ao país bastante competitividade no comércio internacional de produtos de elevada tecnologia.
A região sudeste do Canadá apresenta as maiores concentrações industriais. Essa distribuição espacial da indústria se deve, principalmente, à proximidade com as megalópoles estadunidenses localizadas na região nordeste dos Estados Unidos, fato que facilita o intercâmbio comercial entre os dois países. Além de Montreal e Toronto, localizados no sudeste canadense, outros centros industriais importantes do Canadá são Winnipeg e Edmonton, na região central, e ainda Vancouver, no sudoeste do país.
Para promover sua intensa atividade industrial e abastecer as cidades, a maior parte da energia elétrica do Canadá, cerca de 60% do total, provém de usinas hidrelétricas, que se aproveitam da abundância de recursos hídricos existentes no território. O país está entre os maiores produtores de hidroeletricidade do mundo.
O Canadá é o segundo maior produtor mundial de papel e celulose. Essa indústria é beneficiada pela abundância de madeiras provindas da prática da silvicultura desenvol vida, sobretudo, em áreas de reflo restamento localizadas no norte do país, onde predomina o clima frio.
Em razão das rígidas leis ambientais canadenses, as áreas de florestas exploradas devem ser re florestadas, para que não haja com prometimento das reservas flores tais do país.

Agropecuária


Apesar da imensa extensão territorial, apenas 7% das terras canadenses têm condições climáticas e solos férteis para atividades agrícolas. No entanto, o setor agropecuário do país é marcado pela alta produtividade, resultado de elevados investimentos em tecnologias de produção, maquinários eficientes, pesquisas e programas que buscam beneficiar esse setor da economia.
A porção centro-sul canadense, onde predominam as planícies com pradarias, é certamente a mais significativa no que se refere à produção agrícola: mais de 70% das áreas de cultivo canadenses estão nessa região. 
O Canadá apresenta grande desenvolvimento no setor agropecuário, sendo um importante exportador de produtos alimentícios, principalmente de trigo. O emprego expressivo da mecanização no espaço agrário canadense permite ao país alcançar excelentes níveis de produção agropecuária; no entanto, reduz a mão de obra em pregada no campo para menos de 1,5% de sua população economicamente ativa.
O predomínio do clima temperado e o relevo de planície propício para o trabalho com maquinários, associados ao tipo dos solos, conferem à região central uma eleva da produtividade agrícola.
Embora o trigo seja o principal produto cultivado e o mais exportado do país, há extensas plantações de milho, aveia, ce vada, centeio, canola e linhaça, além da criação de gado leiteiro e de corte.
A pecuária, voltada para a criação de gado bovino, é praticada principalmente na região sul do território. Atualmente, o Canadá se tornou referência na técnica de melhoramento da qualidade genética de rebanhos.
O predomínio do clima frio em grande parte do seu território sempre impôs dificuldades aos agricultores que buscaram expandir suas lavouras ou criações em direção ao norte do Canadá. As baixas temperaturas dessas áreas de climas frio e polar dificultam a existência de lavouras e a criação de animais. Além das condições climáticas rigorosas, a presença da floresta boreal também impede o avanço da agro pecuária em direção ao norte.

Recursos naturais no Canadá 


Com seu extenso território, o Canadá é rico em recursos naturais. O setor ener gético do país é impulsionado pelas reservas de gás natural, petróleo, carvão, além de abundantes fontes de urânio, zinco, cobre, ferro e madeira. 
Tal riqueza natural proporciona ao país um amplo quadro de exportações, o que fortalece sua balança comercial. O petróleo bruto e o gás natural são os principais produtos de exportação do Canadá no setor energético, sendo os Estados Unidos seu único comprador. 
A produção de carvão também tem crescido e atingido altos níveis, sendo mais da metade de sua produção destinada à exportação, especialmente ao Japão, e também para Brasil, México e China.


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