domingo, 1 de março de 2026

América Central: países latino-americanos do istmo e do Caribe

Além da produção agrícola voltada para o mercado externo, a economia dos países da América Central baseia-se no setor de serviços, principalmente no turismo, atividade favorecida pelo clima tropical e pelo litoral banhado pelas águas quentes do oceano Atlântico, que formam as famosas praias do Caribe.
A América Central é formada majoritariamente por países que foram colonizados pela Espanha. Ao longo da história, porém, essa região foi alvo da cobiça de piratas e de disputas por parte de outras potências europeias, entre elas o Reino Unido, que se estabeleceu e dominou algumas áreas, dando origem a países que hoje adotam o inglês como idioma oficial. Esses países constituem exceções na regionalização baseada em aspectos histórico-culturais, que divide o continente americano em América Latina e América Anglo-Saxônica.
A América Central se divide em duas partes: ístmica (continental) e insular (ilhas). O istmo é uma estreita faixa de terra que liga as Américas do Norte e do Sul. As ilhas do Caribe se dividem em dois grupos: as Grandes Antilhas e as Pequenas Antilhas.
O termo “ístmica” deriva de “istmo”, uma estreita faixa de terra que liga duas porções terrestres maiores. A palavra “insular”, por sua vez, se refere a ilha. Assim, a América Central Ístmica compreende a faixa estreita de terra que liga a América do Norte à América do Sul, abrangendo sete países. A América Central Insular é formada por ilhas, banhadas principalmente pelo mar do Caribe.
A porção insular da América Central pode ser dividida, ainda, segundo o tamanho das ilhas. As maiores ilhas, chamadas Grandes Antilhas, são: Cuba, Haiti, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico. Este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos.
As ilhas menores, chamadas Pequenas Antilhas, possuem distintos estatutos políticos. Algumas delas constituem países autônomos, enquanto outras são possessões francesas, britânicas ou holandesas.
A América Central apresenta bastante diversidade étnica. Em alguns países, predominam brancos de origem europeia, como na Costa Rica; em outros, a população indígena, a exemplo da Guatemala; já na Jamaica, a população é predominantemente negra. Também encontramos uma grande diversidade linguística na região, com países cujos idiomas principais são espanhol, inglês, francês e holandês.
Algumas características, entretanto, são comuns aos países da América Central: economia frágil e dependente, população predominantemente rural e baixos indicadores socioeconômicos. 
Alguns países, como o Haiti, estão entre os que apresentam os piores IDHs do mundo, com altas taxas de analfabetismo e de mortalidade infantil. Os problemas socioeconômicos são agravados pelas intempéries naturais da região, como terremotos e furacões.
A economia regional depende de atividades do setor primário e do turismo. Destaca-se a agricultura de cana-de-açúcar, banana, cacau e outros cultivos tropicais, realizada em sistema de plantation. Na mineração, os destaques são a produção de bauxita, na Jamaica, e de petróleo, em Trinidad e Tobago.

Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador


No passado, a área onde hoje se situa a Guatemala era ocupada pelo povo maia, uma das principais civilizações pré-colombianas. No século XIX, em 1822, essa área foi integrada ao México, mas no ano seguinte se tornou independente e passou a fazer parte das Provincias Unidas del Centro de América. Em 1838, o país deixou as Provincias e declarou novamente sua independência.
A agricultura guatemalteca se baseia no cultivo de produtos tropicais, com destaque para o café, a banana e a cana-de-açúcar. Nos últimos anos, o país re cebeu novos investimentos no setor de produção de açúcar e álcool, o que pode aumentar sua presença no mercado internacional desses produtos.
As terras do Belize também eram ocupadas pelos maias, mas foram colonizadas pelos ingleses depois de uma negociação com os espanhóis, que, segundo historia dores, não chegaram a pisar as terras que hoje formam o país. O Belize só conquis tou sua independência em 1981, mas faz parte da Commonwealth. A principal ati vidade econômica desenvolvida no país é o cultivo de frutas para exportação.
Honduras, segundo país em extensão territorial da América Central, apresenta baixos níveis de desenvolvimento social e econômico. O país está entre os mais pobres do mundo, apesar de ser um tradicional aliado dos Estados Unidos. Desde o início do século XX, a base econômica hondurenha é a produção de frutas para exportação. Além disso, foi uma das bases estadunidenses para o combate ao movimento revolucionário socialista que se instalou em El Salvador e na Nicarágua, nas décadas de 1970 e 1980.
El Salvador passou por uma intensa guerra civil entre 1980 e 1992, período em que a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional tentava implantar o socialismo no país. Como ocorreu na Nicarágua, os Estados Unidos financiaram o go verno salvadorenho para combater os rebeldes, num esforço de evitar que se repetisse o que aconteceu em Cuba, como veremos adiante. Anos de luta trans formaram o país em um dos mais pobres do mundo. Parte importante do PIB nacional provém do dinheiro enviado por imigrantes salvadorenhos aos parentes residentes no país.

Nicarágua


Como ocorreu em diversos países da América Central, a Nicarágua também foi dominada pela Espanha. A independência veio em 1821. Dois anos depois, o país integrava as Provincias Unidas del Centro de América.
A Nicarágua passou por um período de guerra civil, quando os sandinistas, grupo de esquerda radical, conquistaram o poder. O turismo cresceu após o final dos conflitos, em 1979. A atividade produtiva nicaraguense está predominante mente voltada ao setor primário. O país se destaca no cultivo de produtos tro picais, especialmente frutas, e abriga um dos maiores rebanhos da América Central.
Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior por te. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejeitado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central.

Costa Rica


Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior por te. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejei tado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central. Entre as atividades econômicas costarriquenhas destacam-se o cultivo de café e banana, principais produtos de exportação do país. O turismo também tem papel de destaque, dada a beleza natural da Costa Rica, que apresenta paisagens diversificadas, com montanhas, resultado da presença de vulcões, e praias exuberantes, na costa do Pacífico e do Atlântico.
Dois fatos curiosos projetam a Costa Rica no mundo. O primeiro é o de terem sido abolidas as forças armadas no país, em 1949. Por esse motivo, a Costa Rica é sede da Universidade para a Paz, instituição de educação superior da ONU que assume a missão de promover a tolerância e a coexistência pacífica, contribuindo para a cooperação entre os povos, para a redução das ameaças à paz no mundo e para o progresso. O segundo é o de o país ser sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão judicial responsável pela 194 aplicação da Convenção Americana de Direitos Humanos e outros documentos que enfocam a mesma temática.
Outro aspecto responsável pela projeção da Costa Rica no mundo é seu mo delo de conservação ambiental. O país inovou ao trocar parte de sua dívida exter na pela concessão de exploração da biodiversidade de suas florestas nos primeiros anos do século XXI. Essa iniciativa, porém, foi alvo de críticas, segundo as quais esse modelo privilegiaria apenas as empresas concessionárias e que o povo não seria beneficiado pelos produtos gerados.
A Costa Rica também converteu cerca de 40% de seu território em áreas protegidas, ampliando sua oferta de atrativos turísticos e seu papel de fornece dora de informação genética, obtida a partir da biodiversidade, para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, materiais e alimentos.

Panamá


O Panamá tem sua formação territorial ligada ao Vice-Reino de Nova Granada, sob dominação espanhola, no período colonial. Posteriormente, fez parte da Colômbia, tornando-se independente em 1903.
Trata-se de um país de pequena extensão territorial, que apresenta as menores distâncias terrestres em relação aos oceanos Pacífico e Atlântico. Esse fator estratégico possibilitou a construção do canal que faz com que o Panamá tenha no fluxo de mercadorias e pessoas sua maior fonte de riqueza.
O Canal do Panamá possui 81 km de extensão e corta o istmo do Panamá, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. O canal começou a ser construído em 1880 e foi concluído em 1914, e é uma importante rota para o comércio internacional, pois possibilita a diminuição do percurso feito pelos navios. Os Estados Unidos e a China são seus principais usuários.
Além do canal, o Panamá possui um importante aeroporto, o Aeroporto Internacional de Tocumen, que recebe voos de diversas localidades e, através da companhia aérea local, funciona como ponto de conexão entre vários países das sub-regiões americanas.
No mesmo período, o Panamá registrou um elevado crescimento econômico, de aproximadamente 5% ao ano, enquanto a maioria dos países do mundo cresceu, no máximo, 2% ao ano.
Com a devolução da área do canal e políticas governamentais de atração de investimentos, como benefícios fiscais e trabalhistas, muitas grandes empresas multinacionais se mudaram para a Cidade do Panamá, capital do país. Em 2014, foi inaugurado na cidade o primeiro metrô da América Central.
Nos últimos anos, o governo também tem procurado incentivar o turismo por meio do estímulo à construção de hotéis de luxo, sobretudo na Cidade do Panamá.

América Central Insular: as ilhas do mar do Caribe


A América Central Insular tem no Caribe sua principal referência. Trata-se de uma região formada por inúmeras ilhas, também chamada de Antilhas ou Índias Ocidentais, pelo fato de os europeus, inicialmente, acreditarem estar na Índia. O nome Caribe, dado pelos colonizadores espanhóis no século XVI, se originou dos indígenas caribes, também conhecidos como caraíbas, que habitavam as ilhas da região.

Grandes Antilhas


A região contém quatro ilhas no norte do Caribe: Cuba, Hispaniola (que abriga dois países, Haiti e República Dominicana), Jamaica e Porto Rico. Vale reforçar que este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos, não tendo, portanto, autonomia de Estado soberano.

Cuba


Cuba se diferencia dos demais países latinos por sua história. Após a independência da metrópole espanhola, a ilha passou a sofrer grande influência dos Estados Unidos. No século XX, ocorreu um golpe militar no país, comandado pelo ditador Fulgêncio Batista (1901-1973). Insatisfeitos, os cubanos, sob a liderança de Fidel Castro (1926-2016), promoveram uma revolução que culminou na derrubada da ditadura: a Revolução Cubana, em 1959, que marca a adoção de um regime socialista no país.
Cuba, único país socialista de toda a América, é a maior ilha das Grandes Antilhas, com uma extensão de 110 860 km2. Sua capital é a cidade de Havana. 
A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara em 1959, depôs o governo do ditador Fulgencio Batista, aliado estadunidense, e instalou um governo socialista que se aliou à ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), inimiga dos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria. A localização de Cuba, no golfo do México, representava uma ameaça aos Estados Unidos.
O governo socialista promoveu uma série de reformas, motivo por que Cuba apresenta bons indicadores sociais, como baixas taxas de analfabetismo e de mor talidade infantil, por exemplo. O regime socialista, no entanto, afastou Cuba dos Estados Unidos, aproximando-a de seu rival no período da Guerra Fria, a União Soviética. Isso levou os estadunidenses a promover um bloqueio econômico a Cuba, ou seja, a romper as relações comerciais com esse país
Em sinal de oposição ao governo socialista cubano, os Estados Unidos, em conjunto com países europeus capitalistas, impuseram ao país um embargo comercial, ou seja, romperam relações comerciais e diplomáticas com Cuba. Durante a Guerra Fria, a ex-União Soviética forneceu ao país uma série de produtos. A dissolução da superpotência, em 1991, representou o fim do apoio político e material ao governo e ao povo cubanos, o que levou Cuba a uma terrível crise econômica.
Nos últimos anos, Cuba ampliou sua política de cooperação internacional, oferecendo apoio, inclusive ao Brasil, principalmente nas áreas de saúde e educação. 
Em 2014, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-), declarou-se favorável ao fim do embargo e retomou relações diplomáticas com o país, o que poderia ter sido um passo decisivo para o fim das barreiras comerciais impostas a Cuba. Entretanto, seu sucessor, Donald Trump, eleito em 2016, voltou atrás nas decisões de Obama e afirmou não ter interesse em reatar relações com a nação caribenha.
Desde a revolução, Cuba foi governada pelos irmãos Fidel e Raúl Castro. Fidel governou até 2006, quando, devido a problemas de saúde, transferiu o cargo a seu irmão mais novo. Raúl Castro foi presidente de Cuba até 2018, quando a Assembleia Nacional elegeu Miguel Díaz-Canel para o cargo, mantendo Raúl como primeiro-secretário do Partido Comunista.
Com a morte de Fidel Castro em 2016 e a saída de Raúl da presidência, uma nova era política teve início em Cuba, com a implantação de algumas modificações. Díaz-Canel terá um mandato de cinco anos, renovável por outros cinco, e não mais do que isso. Entre os desafios do novo presidente estão o encaminhamento das reformas iniciadas por Raúl Castro, o impulso à economia cubana e a retomada das negociações com o governo estadunidense para a retirada do embargo.
Diferentemente dos demais países da América Central, os indicadores de educação e saúde de Cuba apresentam níveis semelhantes aos de países mais ricos. O governo investe fortemente no setor de saúde, com destaque para a produção de vacinas e medicamentos.
No que diz respeito à economia, tradicionalmente, Cuba produz cana-de-açúcar. Mais de 80% da produção de açúcar é exportada, mas o setor sofre as oscilações de preço das commodities no mercado internacional.
Atualmente, Cuba enfrenta uma recessão econômica. Grande parte de suas riquezas vem do turismo.

Haiti


Primeiro país a se tornar independente a partir de um movimento liderado por africanos escravizados, o Haiti (figura 16) teve suas terras ocupadas inicialmente por espanhóis. Em 1697, as terras passaram ao domínio francês, com a divisão da Ilha Hispaniola entre Espanha e França. Foram anos de luta até que, em 1804, foi conquistada a independência, reconhecida bem mais tarde pela França e pelos Estados Unidos.
No século XX, sucederam-se governos autoritários no comando do Haiti e ocorreram golpes de Estado contra governantes eleitos, o que revelou uma democracia muito frágil. A economia do país é baseada na agricultura de frutas para exportação.
Como resultado desse processo, o Haiti está entre os países mais pobres do mundo. De acordo com a ONU, em 2013, 80% da população haitiana vivia com menos de dois dólares por dia. Desemprego, instituições fracas e dissolução de sua polícia e das forças armadas fazem parte da difícil situação do país, que é classificado por muitos analistas como um Estado falido, ou seja, um Estado que A não consegue garantir condições de vida dignas à sua população. Além disso, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), de 2016, o Haiti é o país que está no topo da lista de mortes provocadas por catástrofes naturais, como terremotos e furacões.
Várias intervenções externas foram realizadas no Haiti por intermédio da ONU, que, entre ou tras atribuições, presta ajuda humanitária a países que atravessam dificuldades. Inicialmente, essas ações eram comandadas pelos Estados Unidos, interessados em estabilizar os conflitos sociais no Haiti pelo fato de o país estar próximo a Cuba, que poderia querer ampliar o modelo socialista no Caribe a partir da instabilidade política do país vizinho. Problemas como tráfico de drogas e imi gração também levaram os Estados Unidos a se envolver com o Haiti. Em 2004, uma nova missão de paz foi estabelecida no Haiti, sob a liderança do Brasil.

Pequenas Antilhas


As pequenas ilhas localizadas no Caribe, conhecidas como Pequenas Antilhas, constituem Estados independentes ou departamentos e territórios insulares. Historicamente, essa região foi ponto de distribuição de pessoas trazidas força damente da África para servirem de mão de obra escrava no continente americano.
Atualmente, a maior parte dos países e territórios das Pequenas Antilhas tem nas atividades do turismo e da agricultura do tipo plantation sua base econômica. Entretanto, alguns deles fazem parte dos chamados paraísos fiscais. Politicamente, a área interessa aos Estados Unidos.



sábado, 28 de fevereiro de 2026

EXPLORANDO A AMÉRICA LATINA

A América Latina foi colonizada principalmente por portugueses e espanhóis. Apesar dos aspectos his tóricos e das semelhanças históricas, políticas, culturais e socioeconômicas entre os países que a constituem, essa região do continente americano é bastante diversa.

Território e população


A América Latina é formada por um conjunto de 33 Estados-nações e vários outros territórios que são possessões de países europeus ou dos Estados Unidos, que ocupam uma área territorial de aproximadamente 20 milhões de km2.
A população latino-americana encontra-se distribuída de maneira irregular pelo território. As áreas de grande concentração populacional na América Latina estão situadas, principalmente, nas proximidades das zonas cos teiras leste e oeste do continente, em áreas onde se iniciou o processo de colonização europeia.
De modo geral, as áreas de menor densidade populacional estão localizadas nas áreas de florestas da Amazônia, no centro-norte da América do Sul, e em terrenos inóspitos para a ocupação humana, como as altas montanhas andinas, as regiões desérti cas do Atacama, no norte do Chile, e da Patagônia, no extremo sul da Argentina e do Chile.

Crescimento demográfico da América Latina


A população total dos países latino-americanos não alcançava 168 milhões de habitantes em 1950, e, após trinta anos, já contava com mais de 360 milhões de pessoas. O rápido crescimento populacional dos países latino-americanos pode ser explica do pela redução das taxas de mortalidade e, especialmente, pelas elevadas taxas de natalidade registradas na região durante o século XX.
A diminuição da mortalidade e o aumento da expectativa de vida foram decorren tes de medidas médico-sanitárias que os países, de uma maneira geral, adotaram a partir de 1950, proporcionando assim melhor qualidade de vida à população, como o tratamento de água e esgoto e também a ampliação dos serviços de saúde (cam panhas de vacinação em massa da população, construção de hospitais, combate a epidemias etc.). Enquanto a mortalidade diminuía, a taxa de natalidade permanecia elevada e, com isso, o crescimento da população se acelerava.
Embora, a partir da década de 1970, vários países latino-americanos tenham apre sentado uma queda no índice de crescimento natural da população, ainda hoje muitos deles registram um crescimento populacional elevado quando comparado às taxas de países desenvolvidos.

Qualidade de vida na América Latina


De modo geral, uma significativa parcela da população latino-americana tem baixa qualidade de vida, ou seja, não possui acesso a uma moradia digna, sistema de saúde, educação de qualidade etc. Nessa região, é grande o número de pessoas que vive em situação de pobreza, sem condições de suprir necessidades básicas, como alimentação, vestuário e medicamentos.
Da segunda metade do século XX em diante, a população de alguns países latino-americanos foi beneficiada pela ampliação de serviços médico-sanitários, mas, mesmo assim, ainda hoje, milhões de pessoas convivem diariamente com um sistema público de saúde ineficiente.
Além desses problemas, a elevada concentração de renda nas mãos de uma pequena parcela da população é um fator que contribui para a baixa qualidade de vida.
Essa situação, agravada ain da mais pelos baixos salários da maioria dos latino-americanos, dificulta o acesso a alimentação, moradia e serviços básicos adequados, levando-os a viver em condições precárias.
A inexistência de serviços de infraestrutura e saneamento básico também contribui para o aumento da mortalidade entre os latino-americanos.
A baixa qualidade de vida de grande parte da população latino-americana pode ser verificada por meio dos indicadores sociais, como expectativa de vida, analfabetismo, mortalidade infantil e a renda per capita. Os indicadores socioeconômicos dos países latino-americanos são mais baixos quando comparados com os indicadores dos países desenvolvidos. Além disso, ela também nos mostra que existe um grande contraste socioeconômico entre os próprios países.

A urbanização dos países latino-americanos


A urbanização é uma tendência mundial e mais da metade da população do mun do vive em cidades. A América Latina é uma das regiões mais urbanizadas do mundo, tendo 90% da sua população total morando em áreas urbanas.
O processo de urbanização da América Latina ganhou força a partir da metade do século XX. Naquele período, a intensificação da concentração fundiária tornou cada vez mais difícil a vida dos pequenos agricultores, que se viram obrigados a migrar para as cidades em busca de melhores condições de vida. Em alguns países, como Brasil e Argentina, a mecanização do campo e o processo de industrialização intensificaram a migração. Nesses países, a inserção de ferramen tas e maquinários modernos no campo substituiu grande parte da mão de obra rural; com isso, muitos trabalhadores rurais desempregados passaram a buscar emprego nas fábricas das cidades.

Aspectos socioeconômicos e políticos


A América Latina engloba os países menos desenvolvidos do continente americano, em oposição à parte desenvolvida, a América Anglo-Saxônica. As diferenças socioeconômicas entre as duas regiões estão relacionadas, principalmente, a questões históricas e políticas.
Desde a independência, os Estados latino-americanos apresentam problemas semelhantes: má distribuição de renda e de terras, dependência de capitais e de tecnologia de países desenvolvidos, além de condições de vida precárias para grande parcela da população.
Apesar de algumas melhoras, estudos recentes da Cepal mostram que o percentual de pessoas vivendo em situação de pobreza na América Latina ainda é elevado. A pandemia de covid-19, iniciada em 2020, teve grande impacto sobre esses indicadores. Segundo dados de 2020:

- cerca de 21% (mais de 138 milhões de pessoas) moram em comunidades;

- 33% da população da América Latina (204 milhões de pessoas) é considerada pobre;

- 13,1% vivem em situação de pobreza extrema (81 milhões de pessoas), com deficiências críticas de acesso a educaçao, saneamento básico, água tratada, alimentaçao adequada, moradia digna, atendimento médico-hospitalar, entre outros serviços básicos.
Alguns problemas sociais, como moradias precárias e carência de infraestrutura, podem ser percebidos nas paisagens das grandes cidades da América Latina.
Politicamente, a América Latina foi marcada pela dependência em relação aos países europeus e, depois, aos Estados Unidos, que consideravam a região estratégica à sua política externa.
Os Estados Unidos criaram políticas como a Doutrina Monroe e o Big Stick para manter a América Latina subordinada aos seus interesses. Esse modelo foi bem-sucedido pois o governo estadunidense favorecia e era apoiado pelas elites locais, que muitas vezes estiveram à frente de golpes de Estado que implantaram ditaduras militares em vários países.
A partir da década de 1980, vários países latino-americanos iniciaram processos de redemocratização. No entanto, muitos deles ainda enfren tam instabilidades políticas, relacionadas principalmente à corrupção e à credibilidade dos governos e instituições.

ESPAÇO URBANO E RURAL


Na América Latina, os espaços rural e urbano articulam-se por meio de dinâmicas semelhan tes em vários países. A principal delas é a relação entre a concentração de terras e a migração do campo para as grandes e médias cidades, fatores responsáveis pela pobreza e pela desigualdade social em ambos os espaços.

Urbanização desordenada e desigual


O processo de urbanização da América Latina, assim como em outras regiões, adquiriu um ritmo muito acelerado e desordenado, que não foi acompanhado pelo desenvolvimento de serviços básicos urbanos, como ampliação de sistemas de trans portes, de abastecimento de água e de coleta de resíduos sólidos (lixo) e esgoto.
Com o passar do tempo, em várias cidades latino-americanas, começaram a se agravar os problemas urbanos, como o aumento de moradias precárias em áreas sem infraestrutura – rede de esgoto, eletricidade e água encanada, por exemplo; a falta de segurança; a intensificação do trânsito de veículos e de pessoas; e a insuficiên cia de rede de transportes coletivos públicos.
Em 70 anos, a população urbana na América Latina praticamente dobrou. Entre as décadas de 1950 e 1980, o rápido crescimento das cidades aprofundou as desigualdades sociais já existentes. Um número cada vez maior de pessoas passou a viver em moradias precárias, houve aumento do trabalho informal, do desemprego e da criminalidade. Nesse contexto, os Estados se mostram incapazes de oferecer infraestrutura adequada de serviços básicos, agravando problemas socioambientais.
De acordo com dados da Cepal, em 2020, 50,9% da população urbana da América Latina trabalhava no setor informal. Com a pandemia de covid-19, esse quadro foi agravado. Em 2021, 70% dos novos empregos criados estavam nesse setor. Essa desigualdade na estrutura social deu origem a cidades fragmentadas, que têm a segregação espacial como principal forma de organização do território, com áreas centrais valorizadas, por serem mais bem dotadas de infraestrutura e serviços, e áreas periféricas, geral mente situadas em áreas de risco e ocupadas pelas populações mais pobres, penalizadas com carência de serviços e infraestrutura.
As moradias precárias instaladas em encostas de morros e às margens de rios e córregos representam um risco em períodos de chuvas intensas. Além disso, com a falta de saneamento básico, as pessoas ficam mais expostas a doenças. 
A oferta reduzida de serviços de educação, saúde, empregos formais e lazer faz com que a população da periferia precise se deslocar para as áreas centrais usando o transporte público, cuja infraestrutura é muitas vezes deficitária. 
Estudos da Cepal mostram que, na América Latina, uma pessoa pode passar, em média, entre três e quatro horas de seu dia realizando o trajeto de casa para o trabalho. Assim, quanto mais distante do centro é sua moradia, mais tempo ela gasta.
O acelerado processo de urbanização da América Latina acarreta ainda diversos problemas de ordem ambiental. Entre esses problemas, que também afetam outras grandes cidades do mundo, podemos citar:

• a poluição da atmosfera, que compromete a qualidade do ar e contribui para intensificar o efeito estufa;

• a impermeabilização dos solos, que pode provocar enchentes – isso ocorre por que, em decorrência da grande quantidade de construções (casas, edifícios, ruas etc.), a água das chuvas não consegue se infiltrar naturalmente no solo e acaba provocando alagamentos;

• a ocupação de áreas de risco, como encostas de morros, que podem provocar deslizamentos de terra;

• a geração crescente de lixo e o descarte inadequado de resíduos domésticos e industriais, que podem causar doenças.

Favelas na América Latina


Bairro marginal, assentamento, barriada, alagado, invasão, comunidade, favela. Cerca de 20% da população urbana da América Latina vive nesses assentamentos informais que, apesar de serem diversos e receberem nomes diferentes, apresentam características comuns. De acordo com o Observatório de Favelas, os assentamentos informais são territórios que fazem parte das cidades, caracterizados pela:

- insuficiência de investimentos dos Estados e do mercado imobiliário, financeiro e de serviços;

- estigmatização socioespacial, principalmente por moradores de outras áreas da cidade;

- elevada taxa de subemprego e trabalho informal;

- predominância de autoconstruções e ocupação de áreas de risco;

- elevada densidade demográfica, acima da média do conjunto da cidade;

- presença de indicadores socioeconômicos, educacionais e ambientais abaixo da média do con junto da cidade;

- exposição elevada da população à violência, acima da média do conjunto da cidade.

Diante dos problemas enfrentados pelas populações das favelas latino-americanas, surgem ações de diversos setores da sociedade visando à melhoria das condições de vida. Um desses exemplos ocorreu em Medellín, cidade colombiana que, por muitos anos, teve sua imagem asso ciada ao tráfico de drogas.

Áreas rurais: pobreza e concentração de terras


Na maioria dos países da região, quase metade da população rural vive em situação de pobreza multidimensional, ou seja, com renda inferior à média nacional, em situação de carência alimentar e cobertura deficiente de serviços básicos, como saúde e educação.
Além da pobreza, que leva as populações rurais a migrar para os grandes centros urbanos, as áreas rurais latino-americanas são marcadas por uma estrutura caracterizada pela concentração fundiária por grandes proprietários de terras e empresas multinacionais.
O predomínio do latifúndio é herança do processo de colonização europeia, em que os povos originários foram expropriados de suas terras e escravizados, trabalhando na produção de artigos de exportação (cana-de-açúcar, algodão, cacau, café etc.).
Apesar das discussões sobre a necessidade de uma reforma agrária na América Latina, iniciadas no século XX com a Revolução Mexicana (1910-1917), pouco mudou. As reformas iniciadas na região por movimentos revolucionários ou organizados pela sociedade civil acabam sendo dificultadas pelas ações dos governos, que muitas vezes são pressionados pelos latifundiários e grandes grupos empresariais.

Tecnologia e trabalho no campo


A tecnologia tem ocupado cada vez mais espaço no setor agrope cuário, com a presença de máquinas com inteligência artificial, conexão com internet 5G, softwares para tomada de decisões, sensores, drones e até robôs autônomos. A chamada agricultura 4.0 também é marcada pelo surgimento de startups de tecnologia, conhecidas como Agtechs.
Na América Latina, essas empresas estão a serviço do agronegócio e são instaladas nos países onde as monoculturas voltadas para a exportação e a pecuária intensiva se destacam, o que explica a predominância de Agtechs no Brasil (51% do total), seguido de Argentina (23%), Chile, Colômbia, Uruguai, Peru e México.
O crescimento do uso de tecnologias, que promete maior produtividade e sustentabilidade, ainda não está disponível para os pequenos produtores, por causa do custo elevado e da preca riedade da conectividade em certas áreas no campo. Em 2020, 63% dos moradores das áreas rurais latino-americanas não tinham acesso à internet.
As desigualdades também podem ser observadas quando analisamos as mudanças no mundo do trabalho. A mecanização dos processos de plantio e colheita tem substituído o trabalhador e reforçado relações precárias de trabalho, pautadas pela informalidade. Para permanecer no campo, muitos trabalhadores se sujeitam a trabalhos temporários e mal remunerados, cuja oferta também está diminuindo.

MOVIMENTOS SOCIAIS NA CIDADE E NO CAMPO


Diante das desigualdades existentes na América Latina, movimentos sociais – urbanos e rurais – começaram a se organizar no final do século XX contra políticas que mantêm as populações mais vulneráveis à margem da socie dade. Muitas vezes, as reinvindicações desses movimentos convergem, pois tratam do direito à moradia adequada, à propriedade da terra, ao emprego, à defesa dos direitos humanos, entre outros.
Nas cidades latino-americanas os principais movimen tos sociais reivindicam o direito à cidade, que inclui acesso à moradia adequada, à mobilidade, ao saneamento básico, à liberdade de usufruir de espaços públicos e uma cidade que promova qualidade de vida para todos.
No Brasil, destaca-se o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que reivindica o direito à moradia por meio da organização dos trabalhadores urbanos que se encontram sem moradia própria e/ou não conseguem pagar o aluguel. O movimento também reivindica uma reforma urbana, visando à redução do déficit habitacional.
As principais ações utilizadas pelo MTST são a ocupação de imóveis e terrenos, mobiliza çao dos trabalhadores e famílias para a construçao de casas em mutirões, além de marchas e manifestações com o objetivo de chamar a atenção do poder público para a importância da desapropriação de imóveis para moradia.
No campo, entre as reinvindicações dos movimentos sociais destacam-se a reforma agrária, o cumprimento de leis trabalhistas, a defesa da saúde do trabalhador rural e da agroecologia, o combate aos conflitos e à violência.
No Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é uma referência para outros movimentos sociais latino-americanos. Criado em 1984, o MST ocupa terras improdutivas onde instala acampamentos para que as famílias aguardem o processo de desapropriação e regularização para, finalmente, poderem ser assentadas.
Além das organizações de trabalhadores rurais, os movimentos indígenas (que também atuam nas áreas urbanas) reivindicam a regularização, a demarcação e a proteção de suas terras.
No México, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) se destaca. Criado em 1984, o movimento é formado principalmente por povos indígenas do estado de Chiapas, um dos mais pobres do país. As principais reivindicações do EZLN são democracia, autonomia, justiça, direito à terra, à moradia, à educação, à saúde e ao emprego.
O MST e o EZLN têm uma estratégia de comunicação sólida, utilizando a internet e as mídias sociais para divulgar suas ações e atrair apoiadores nos países onde atuam e no mundo.

Endividamento externo


De modo geral, a economia dos países latino-americanos caracteriza-se pelo grande endividamento externo, ou seja, pelas dívidas contraídas com instituições internacionais ou com outros países. 
Quando se tornaram independentes, os países da América Latina contraíram dívidas internacionais para custear os onerosos gastos que tiveram durante o processo de descolonização, ou até mesmo depois de se desligarem das metrópoles. 
Mais adiante, em especial a partir da segunda metade do século XX, muitos desses países, principalmente aqueles que se voltaram à industrialização, fizeram mais empréstimos no exterior, sobretudo em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Tais empréstimos visaram promover o desenvolvimento interno, com investimentos em grandes obras de infraestrutura (usinas elétricas, portos, rodovias, ferrovias etc.) e nas indústrias de base (grandes metalúrgicas, siderúrgicas, petroquímicas e mineradoras). 
A partir da década de 1970 houve sensível acréscimo dos juros no mercado internacional, fazendo com que as dívidas contraídas aumentassem enormemente. Dessa forma, o pagamento das parcelas da dívida externa tornou-se um grande entrave ao desenvolvimento econômico dos países latino-americanos, situação que perdura ainda na atualidade.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

América do Norte: economia

A América do Norte é composta de dois países desenvolvidos – os Estados Unidos e o Canadá – e um país emergente – o México. Os três são países industrializados. Porém, enquanto os Estados Unidos iniciaram seu processo de industrialização na primeira metade do século XIX, e o Canadá, no final do mesmo século, o desenvolvimento industrial do México começou por volta da década de 1930 e teve um grande impulso com a criação do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), em 1994.

Industrialização dos Estados Unidos


A colonização britânica no território hoje ocupado pelos Estados Unidos ocorreu primeiro em uma faixa ao longo do litoral banhado pelo oceano Atlântico, área que ficou conhecida como a das treze colônias. 
Na parte sul houve intensa exploração de mão de obra escravizada em grandes fazendas que plantavam principalmente algodão para exportação, numa colonização de exploração idêntica à ocorrida no Brasil e no Caribe, enquanto no norte dominou a colonização de povoamento. Com a independência dessas colônias, em 1776, e o gradativo processo de expansão territorial e de industrialização subsequentes, foram ficando cada vez mais evidentes as diferenças econômicas, sociais e culturais entre as sociedades das duas regiões.
Os fazendeiros sulistas, em decadência política e econômica, tentaram manter o poder e o regime escravocrata por meio da criação dos Estados Confederados da América, levando o governo central a declarar guerra, dando início a um conflito que ficou conhecido como Guerra de Secessão. A vitória das forças nortistas manteve a unidade territorial do país, que já se estendia do Atlântico ao Pacífico.
Para aumentar o mercado consumidor dos bens produzidos em escala cada vez maior pelas indústrias nascentes, o governo controlado pela elite empresarial do norte proibiu o uso de mão de obra escravizada e passou a incentivar a imigração de europeus. Entre o final do século XIX e o início do XX, houve expansão da industrialização e grandes contingentes de imigrantes chegaram ao país.
A maioria dos imigrantes ficou nas cidades localizadas no nordeste do território, que cresceram rapidamente. No entanto, muitos foram para o oeste e se apropriaram de terras indígenas e de parte do território que pertencia ao México. Essa foi a primeira expansão territorial dos Estados Unidos, conhecida como “imperialismo interno”. Nesse processo houve um grande genocídio das comunidades nativas e o México, independente da Espanha desde 1821, perdeu metade de seu território nas guerras expansionistas empreendidas pelos Esta dos Unidos.
O processo de industrialização se intensificou durante o século XX, transformando os Estados Unidos na maior potência industrial e na maior economia do mundo.
A região nordeste dos Estados Unidos foi a primeira a se industrializar e atualmente concentra diversos setores industriais. As siderúrgicas, por exemplo, se desenvolveram na região por causa da grande disponibilidade de carvão mineral, de minério de ferro, de meios de transporte e da proximidade dos centros consumidores. Nesse contexto, destaca-se Pittsburgh, conhecida como a “capital do aço”.
Nessa região, mais precisamente em Detroit, também se desenvolveu um grande parque de indústrias automotivas. A localização das fábricas em uma posição central facilitou a recepção de matérias-primas e de componentes, além do posterior envio dos produtos acabados aos mercados consumidores. Lá surgiram as três grandes automobilísticas do país – a General Motors (GM), a Ford e a Chrysler –, além de diversas indústrias de autopeças, o que a tornou conhecida como a “capital do automóvel”. No entanto, a concorrência com as montadoras estrangeiras e a crise econômica que se iniciou em 2008 fizeram com que muitas fábricas fechassem ou se mudassem para outros lugares.
Nova York é o maior centro financeiro dos Estados Unidos, onde localizam-se as sedes das principais empresas industriais, comerciais e financeiras, além da maior bolsa de valores do mundo, a NYSE (sigla em inglês para Bolsa de Valores de Nova York), e da bolsa eletrônica Nasdaq (sigla em inglês para As sociação Nacional de Corretores de Títulos de Cotação Automáticas).
Em Massachusetts, principalmente na região metropolitana de Boston, estão concentradas as indústrias de alta tecnologia, como as dos setores de informática e biotecnologia.

Desconcentração industrial


Assim como em diversas outras regiões e países, ocorre nos Estados Unidos, já há algumas décadas, um processo de desconcentração industrial. O nordes te do país, que chegou a reunir no início do século XX mais de 75% da produção industrial nacional, teve sua participação reduzida a menos de 50%, atualmente. Essa dispersão aconteceu em virtude da necessidade de as empresas baixarem seus custos de produção e, com isso, surgiram novos centros industriais no sul e no oeste do país.
Após a Segunda Guerra Mundial o processo de dispersão das indústrias pelo território se intensificou com o incentivo do governo, que estimulou a expansão industrial no sul.
Huntsville (Alabama) tornou-se um centro de fabricação de aviões militares e de mísseis, por exemplo. Hoje abriga também o Centro de Voos Espaciais Marshall, da Nasa (sigla em inglês para Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço). No sul também se instalaram outros importantes centros de pesqui sas espaciais e de lançamento de foguetes, como o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e o Centro Espacial Johnson, no Texas, ambos da Nasa. No Texas também se concentram indústrias ligadas ao petróleo, como a Exxon Mobil, uma das maiores empresas dos Estados Unidos.
Há outras indústrias no sul dos Estados Unidos associadas à abundante disponibilidade de matérias-primas agrícolas, como as indústrias têxteis (Geórgia, Tennessee, Carolina do Norte e Carolina do Sul). Lembre-se de que se planta algodão nos estados do sul desde a época da colonização. Outra atividade que merece destaque no sul é o turismo, propiciado pelo clima favorável, pelas praias e ilhas nas proximidades de Miami (Flórida), que atraem muitos turistas. Há ainda a indústria do entretenimento, com diversos parques temáticos.
A última região dos Estados Unidos a se industrializar foi a oeste. A Califórnia é um dos estados industriais mais importantes do país. No eixo São Francisco-Los Angeles-San Diego há um parque industrial bastante diversificado. Concentram-se desde indústrias tradicionais, como petroquímicas, metalúrgicas e automotivas, até as mais importantes empresas de alta tecnologia do país.
Diversas cidades ao sul de São Francisco formam o maior tecnopolo do mundo, o Vale do Silício. Esse parque tecnológico ficou conhecido por esse nome porque a industrialização da região se desenvolveu a partir de empresas produtoras de semicondutores (o silício é um dos componentes usados na produção de microchips eletrônicos), de computadores e de programas e sis temas computacionais (softwares). Mais recentemente aí também surgiram as principais empresas de internet. Em Seattle (estado de Washington) destaca-se a indústria aeronáutica.
Apesar do dinamismo de sua economia e da liderança em alta tecnologia, os Estados Unidos perderam a posição de maior potência industrial em consequência do avanço chinês (embora continuem sendo a maior economia do mundo).
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Industrial 2018, em 2015 a China era responsável por 23,5% do valor da produção indus trial mundial; os Estados Unidos vinham na segunda posição, com 16,3%. Em função disso também, o número de empresas estadunidenses entre as 500 maiores do mundo vem caindo.

Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta)


Os Estados Unidos, o Canadá e o México integram o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, da sigla em inglês North American Free Trade Agreement). O México também integra a Aliança do Pacífico, com Chile, Colômbia e Peru.
O Nafta entrou em vigor em 1° de janeiro de 1994, com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os três países-membros e criar regras claras para o comércio, além de facilitar o fluxo de investimentos mútuos. Sua criação era parte da estratégia do governo dos Estados Unidos para fortalecer as empresas estadunidenses e ampliar seus mercados diante de competidores europeus e sobretudo asiáticos.
O tratado gerou uma enorme dependência do México e do Canadá em relação ao grande vizinho: cerca de 80% do comércio exterior desses países é feito com os Estados Unidos. Essa dependência é um dos fatores que explicam por que a crise econômica de 2008, que, teve sua origem no sistema imobiliário dos Estados Unidos, atingiu mais gravemente esses países, principalmente o México.

Distribuição das atividades econômicas


Embora já não sejam a maior potência industrial do mundo, os Estados Unidos mantêm sua posição de liderança na economia mundial em diversas atividades, especialmente nos setores de alta tecnologia. O Canadá, embora com um PIB bem menor, também tem uma economia bastante desenvolvida, com setores modernos, como o aeronáutico. Os dois países são muito ricos em recursos naturais, como os minerais metáli cos e os combustíveis fósseis.
Nos Estados Unidos e no Canadá a produção agrícola se concentra em grandes propriedades que aplicam as mais modernas tecnologias. Esses países também dispõem de tecnologia de ponta no setor industrial e possuem ativida des terciárias – comércio e serviços – bem desenvolvidas. Essas são as atividades que mais contribuem para o PIB desses países e as que mais empregam mão de obra.

A econômico do Canadá  


O território canadense é uma enorme fonte de riqueza. Com recursos energéticos (carvão e petróleo), minerais metálicos, madeira, água (mais de 60% da energia consumida no país é obtida de usinas hidrelétricas) e extensas áreas cultiváveis em relação ao total de sua população, o Canadá conta com um cenário econômico bastante diversificado.
No entanto, além da grande dependência do comércio exterior canadense em relação aos Estados Unidos, o capital estadunidense é dominante em diversos ramos de negócios no Canadá, com predomínio na indústria automobilística, de borracha, química e de aparelhos elétricos e eletrônicos, entre outros. Os capitais canadenses, contudo, são majoritários nos setores mais tradicionais, como nas indústrias extrativa, têxtil, alimentícia, entre outras, que se apoiam, muitas vezes, nas riquezas naturais do país.

Concentrações industriais canadenses


A principal concentração industrial do Canadá localiza-se na região sudeste, junto aos Grandes Lagos e no Vale do Rio São Lourenço. A região conta com um eficiente sistema de transportes, composto de ferrovias, rodovias e vias marítimo-fluviais e lacustres. 
No oeste do país, a região de Vancouver também apresenta concentração industrial, principalmente indústrias siderúrgicas, metalúrgicas e de papel e celulose. 
Na porção mais central do território, há concentrações industriais secundárias nas cidades de Winnipeg, Regina, Calgary e Edmonton, principalmente voltadas para a transformação de recursos naturais e produtos agropecuários.

Produtos florestais canadenses


O setor florestal do Canadá, que inclui a silvicultura e a extração de madeira, a produção de papel e celulose, além da fabricação de produtos de madeira, tem uma importante contribuição no PIB canadense. O ramo industrial de papel e embalagens do Canadá é um dos mais importantes do mundo. 
A extração madeireira da Floresta Boreal ou de Coníferas conta com um complexo industrial especializado, principalmente na província da Colúmbia Britânica, localizada no extremo oeste do território. Em 2020, o setor florestal do Canadá empregava mais de 205 mil pessoas, e o país era o segundo maior exportador mundial de celulose (o primeiro era o Brasil). Em sua totalidade, os produtos florestais exportados pelo país geraram cerca de 33 bilhões de dólares. 
Diante da necessidade de garantir a continuidade do aproveitamento econômico da Floresta Boreal para as futuras gerações, há anos o governo canadense adotou leis e fiscalização mais rigorosas para a exploração florestal, entre elas a exigência de reflorestamento contínuo das terras desmatadas.

As atividades agropecuárias 


A agricultura canadense apresenta elevada mecanização e empre go de tecnologia avançada, o que permite obter grande produtividade. Além disso, funciona de forma bastante integrada aos setores da indústria alimentícia, de laticínios e de cereais, que contam com filiais de empresas dos Estados Unidos no país. Reconhecem-se, no Canadá, três regiões agrícolas: a região dos Grandes Lagos e do Vale do Rio São Lourenço, a região das planícies centrais e a região da Colúmbia Britânica.
Na região dos Grandes Lagos e do Vale do Rio São Lourenço, a policultura (cereais, frutas, hortaliças e beterraba açucareira) e a pecuária intensiva (produção leiteira) abastecem o mercado interno. Essas atividades são realizadas principalmente nas províncias de Ontário e Quebec, com predomínio da agricultura de tipo familiar. 
Os terrenos relativamente planos e os solos ricos das planícies cen trais são responsáveis pela produção de cerca de 10% dos cereais negociados no mercado internacional, o que torna o Canadá um dos maiores exportadores mundiais de grãos, com destaque para o trigo, a aveia e a cevada. Mais a oeste, onde o clima é mais seco, desenvolveu-se a pecuária de corte.
Na província da Colúmbia Britânica, situada a oeste do Canadá, nas proximidades de Vancouver, a atividade agrícola existe, mas não tem a mesma importância que em outras regiões canadenses. Os principais produtos cultivados são frutas (maçã, pera, pêssego, abricó etc.) e alguns cereais para o abastecimento do mercado interno. 

México


Com a criação do Nafta, em 1992, a economia mexicana apresentou maior crescimento graças aos investimentos estrangeiros e ao aumento das exportações para os Estados Unidos e o Canadá.
O México também tem grande disponibilidade de recursos minerais e fósseis, com destaque para o petróleo. Ao longo do processo de industrialização mexicano, a exploração desse combustível fóssil permitiu o desenvolvimento de petroquímicas, além dos setores industriais tradicionais, como siderurgia, automobilística e têxtil.
Desde a criação do Nafta, o México recebe investimentos dos Estados Unidos tanto nos setores industriais mais tradicionais quanto em novos ramos, como eletrônica e telecomunicações. Muitas filiais de indústrias estadunidenses, assim como japonesas, coreanas e europeias, se instalaram no país, especialmente em cidades próximas à fronteira, como Juárez, Mexicali e Tijuana.
O objetivo é baixar os custos de produção, uma vez que nessas cidades a mão de obra, a energia e os impostos são mais baratos. A maior parte das mercadorias produzidas nessas empresas, chamadas maquiladoras, é exportada, principalmente para os Estados Unidos. Estima-se que haja cerca de 3 mil maquiladoras funcionando no México na zona de fronteira, empregando por volta de 2 milhões de trabalhadores.
O baixo custo da mão de obra no México atrai indústrias estadunidenses e de outros países desenvolvidos interessadas em reduzir o custo da produção na linha de montagem. É o caso das indústrias têxteis, de calçados, de montagem de produtos eletrônicos, entre outras. Essa situação se reflete no percentual de mão de obra mexicana utilizada na indústria.
No México há regiões agrícolas modernas, que seguem o mesmo modelo dos países desenvolvidos, mas há também regiões em que predomina a agricultura tradicional, principalmente no sul do país.
Após o ingresso no Nafta, os itens agrícolas importados dos Estados Unidos e do Canadá ficaram mais baratos do que os produzidos no México, o que reduziu o mercado para os produtores locais. Nos Estados Unidos e no Canadá, os grandes agricultores recebem apoio do governo, e isso contribui para diminuir o custo da produção. Assim, a competição desigual prejudicou o cultivo de diversos produtos, como o milho, base da alimentação mexicana, que era produzido em pequenas e médias propriedades e perdeu o mercado consumidor nacional para grandes empresas agrícolas dos Estados Unidos.
Uma das características de países desenvolvidos é ter uma agropecuária que emprega pouca mão de obra, porque é muito mecanizada. Entretanto, apesar de moderno e produtivo, esse setor da economia contribui relativamente pouco para a composição do PIB, diante do enorme peso da indústria e sobretudo das atividades de comércio e serviços.

México: agropecuária


O território mexicano é pouco favorável à agropecuária. A presença de montanhas e de climas áridos e semiáridos reduz a disponibilidade de áreas cultiváveis. Ainda assim, esse setor emprega mais de 12% da População Economicamente Ativa (PEA) do país. Cerca de 39% do território mexicano é ocupado pela pecuária, voltada principalmente para a criação de gado bovino e praticada no centro-norte do país.
Os produtos com maior área de cultivo e voltados para o abastecimento do mercado externo são: algodão, sisal, café e cana-de-açúcar. Para o mercado interno são cultivados: milho, batata, trigo, arroz, feijão etc. Após a entrada em vigor do Nafta, a produção de milho perdeu espaço diante da concorrência estadunidense. Mas, mesmo assim, por se tratar de alimento tradicional desde o tempo dos astecas e maias, o México continua sendo um grande produtor mundial de milho.

As transnacionais de alimentos no México 


Grandes empresas transnacionais de alimentos têm se estabelecido no México. Compram as melhores terras e orientam a produção para atender ao mercado externo, principalmente os Estados Unidos. Controlam 90% da produção mexicana de algodão, aspargos, morangos, ce bolas, hortaliças e outros vegetais. 
Embora as grandes empresas também cultivem esses produtos nos Estados Unidos, preferem o México, onde podem obter lucros maiores, uma vez que a terra e a mão de obra são mais baratas, além da proximi dade do mercado consumidor estadunidense.
Entre as consequências desse estabelecimento de empresas transnacionais de alimentos no México, destacam-se: diminuição da área de cultivo de milho e de feijão – produtos básicos e tradicionais na alimentação do mexicano – e sua consequente alta de preços; aumento da carência alimentar; alteração dos hábitos alimentares da população em decorrência da influência da propaganda das transnacionais; valorização da terra rural, dificultando seu acesso aos camponeses e aos sem-terra etc.

México: matérias-primas minerais e energia 


O México se destaca entre os maiores produtores mundiais de prata, ouro, cobre, chumbo, zinco, além de possuir grandes jazidas de minério de ferro, manganês, níquel, petróleo, gás natural, como também outros minérios essenciais à atividade industrial.
Em 2014, o México realizou reformas em sua política de monopólio estatal nos setores de petróleo e eletricidade, abrindo esses setores para a participação de empresas privadas. Além disso, na busca de alterar a sua matriz energética baseada no petróleo e no gás natural (mais de 85% da matriz, em 2020), o governo tem incentivado a implantação de fontes re nováveis de energia solar, eólica e outras – o Brasil, em 2021, tornou-se o 6º país do mundo em potência instalada de energia eólica; o petróleo e o gás natural representavam 44,9% da matriz energética brasileira.
Na porção oriental do território mexicano, voltada para o Golfo do México, localizam-se as grandes jazidas petrolíferas e de gás natural e as indústrias petroquímicas, nas cidades de Tampico e Veracruz.
O México rompeu com o monopólio estatal em 2014 e passou a dar concessões de exploração de petróleo às empresas privadas, sem, contudo, perder soberania sobre os depósitos petrolíferos. Até então, a empresa estatal Pemex (Petróleo Mexicano) era a única que extraía pe tróleo desde 1938.

Concentrações industriais no México 


Diferentemente do Brasil, cuja concentração industrial não ocorre em sua capital ou em seu entorno, no México há grande concentração e diversidade de ramos industriais na Cidade do México, em decorrência de diferenças relacionadas a eventos e processos históricos entre esses dois países. Existem também outros centros industriais mexicanos importantes: Guadalajara, Monterrey, Lázaro Cárdenas, Monclova etc. Os ramos têxtil, alimentício, automobilístico (controlado pelas transnacionais), petroquímico, siderúrgico e metalúrgico se destacam.
A partir dos anos 1960, com a expansão econômica dos Estados Unidos no mundo e após um acordo com o governo do México, indústrias estadunidenses passaram a ser implanta das no território mexicano. Muitas delas se instalaram na fronteira entre Estados Unidos e México, visando diminuir os custos de produção. 
As maquiladoras passaram a realizar parte de sua produção no México, atraídas, principalmente, pelos baixos impostos, pela mão de obra barata e pela proximidade com os Estados Unidos, o que reduz tanto os custos de produção como os de transporte. 

América do Norte: população e diversidade cultural

A distribuição da população da América do Norte é bastante desigual no território. As cadeias montanhosas que dominam a porção oeste da América do Norte e os climas frio e polar encontrados no Alasca, em grande parte do Canadá e na Groenlândia fazem com que a ocupação dessas regiões seja esparsa, com baixíssima densidade demográfica.
Já no vale do rio São Lourenço, na região dos Grandes Lagos, no nordeste e no litoral sudoeste dos Estados Unidos, bem como no planalto Mexicano, há elevada densidade demográfica, com a presença de grandes aglomerações urbanas.
O Canadá é o segundo maior país do mundo em extensão territorial, mas, como sua população é relativamente pequena, sua densidade demográfica é baixa. O mesmo não se aplica aos Estados Unidos: o país ocupa a quarta posição mundial em extensão territorial (quando se consideram as terras descontínuas, como o território do Alasca e o do Havaí), mas também é a terceira maior população do planeta.
A população dos Estados Unidos se concentra sobretudo na região nordeste do país, banhada pelo oceano Atlântico, por onde começou a colonização do território e principalmente o processo de industrialização.

Grandes cidades da América do Norte 


A taxa de urbanização é muito elevada nos países da América do Norte. O México, o menos urbanizado dos três, concentrava 80,2% de sua população em cidades. No Canadá a taxa de urbanização era de 81,4% e nos Estados Unidos, o mais urbanizado dos três, era de 82,3%. O número de grandes cidades é elevado no subcontinente.
As primeiras megalópoles do mundo se formaram nos Estados Unidos. Há conurbação de várias aglomerações urbanas, com destaque para Boston/Nova York/Washington, D. C. (BosWash), Chicago/ Detroit/Pittsburgh (ChiPitts), São Francisco/Los Angeles/San Diego (SanSan), nos Estados Unidos; Cidade do México/Guadalajara, no México; e Toronto/ Montreal, no Canadá.
As grandes aglomerações urbanas da América do Norte apresentam muitos problemas, especialmente as grandes cidades mexicanas, com destaque para a Cidade do México.
Um dos problemas urbanos mais graves do México é a carência de habitações adequadas: 11% da população do país vive em assentamentos precários, como favelas.
Nos Estados Unidos não há favelas, mas há pessoas morando em cortiços em áreas degradadas das grandes cidades e mesmo nas ruas. A maior parte dessas pessoas não mora propriamente nas ruas: à noite vai para abrigos públicos. Embora em menor quantidade, as grandes aglomerações urbanas canadenses também têm moradores de rua.
Outro problema que muitas grandes cidades dos Estados Unidos enfrentam é a decadência econômica, com todas as consequências sociais decorrentes, como desemprego, degradação das habitações e aumento da violência urbana. O maior exemplo disso aconteceu em Detroit (estado de Michigan), que na década de 1950 foi o maior centro mundial da indústria automotiva. A partir do final dos anos 1970 a cidade sofreu um processo de degradação urbana porque muitas fábricas de veículos e autopeças fecharam e se transferiram para outras regiões dos Estados Unidos e até mesmo para outros países. Isso gerou muito desemprego, migração e forte queda no preço dos imóveis.

Indicadores sociais da população norte-americana


Apesar de terem o mesmo IDH, os Estados Unidos são mais ricos que o Canadá, considerando a renda per capita, o que indica uma economia mais dinâmica e produtiva. No entanto, a distribuição da renda canadense é mais equilibrada, como aponta o índice de Gini.
O México apresenta IDH elevado, situando-se no ranking do Pnud próximo a outros países emergentes, como o Brasil. Um dos maiores problemas do México, além de a produtividade econômica ser relativamente mais baixa, o que se reflete numa renda per capita bem inferior à dos vizinhos desenvolvidos, é a grande concentração da riqueza e um índice de pobreza ainda muito elevado.
A desigualdade de rendimento e as menores oportunidades de emprego no país ainda impulsionam a migração de mexicanos para os Estados Unidos. Quando o México passou a integrar o Nafta, houve uma grande expectativa com relação à dinamização de sua economia, o que poderia diminuir o fluxo de migrantes em busca de melhores condições de vida e de trabalho nos Estados Unidos, mas isso acabou não ocorrendo. 
O Canadá apresenta baixa taxa de natalidade e elevada expectativa de vida. A tendência é que a proporção de idosos na população total aumente nos próximos anos.
É por isso que o Canadá promove políticas de incentivo ao ingresso de imigrantes. O objetivo é suprir a necessidade de mão de obra. Entretanto, a entrada de imigrantes é controlada pelo governo, que seleciona os países de origem, a profissão e a idade dos migrantes. Quando falta mão de obra em algum setor, o governo divulga uma lista de profissões e as pessoas com formação compatível podem se inscrever como candidatas à imigração.
Nos Estados Unidos os indicadores de desenvolvimento também são mui to elevados, mas, como vimos, diferentemente do Canadá, há grande desigualdade social e um alto índice de pobreza para um país desenvolvido, inclusive em regiões industriais degradadas pelo fechamento de fábricas. Tal característica contribuiu para a eleição de Donald Trump, com um programa de governo nacionalista e xenófobo.
No México, além da concentração de renda, o maior problema é o elevado contingente de pobreza da população. Como vimos, mais de 11% da população mexicana vive abaixo da linha internacional de pobreza. Enquanto nos Estados Unidos a pobreza atinge mais a população afrodescendente, no México ela atinge mais a população indígena, sobretudo nos estados do sul do país, como Chiapas e Oaxaca.
Assim como acontece em vários outros países latino-americanos, os indica dores sociais do México têm melhorado nas últimas décadas, mas ainda estão em nível bem inferior aos dos países desenvolvidos vizinhos. Como veremos no texto a seguir, isso estimula a emigração de mexicanos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, faz crescer a xenofobia.

Composição étnica da população


A composição étnica da população do Canadá, do México e dos Estados Unidos é bem diversificada, como veremos a seguir. Em proporções diferentes, em todas elas há a contribuição dos indígenas nativos, dos europeus, dos africanos e dos asiáticos.

A população do Canadá


A população canadense é formada por diferentes grupos etnoculturais. Dois deles são majoritários: os anglo-canadenses, que representam cerca de 44% dos habitantes, e os franco-canadenses, que somam cerca de 29% da população total. Há também imigrantes e descendentes de outros grupos europeus e asiáticos, além de indígenas e inuítes (os dois últimos chamados de Primeiras Nações, por serem descendentes dos primeiros habitantes do atual território canadense).
A maioria dos cidadãos canadenses descende de colonizadores britânicos e franceses. Essa ascendência predominantemente anglo-francesa explica a existência desses dois idiomas oficiais no país.  Em 1969, após muitos anos de reivindicação e pressão por parte dos cidadãos de origem francesa e do governo provincial, o francês passou a ser a língua oficial na província de Quebec, onde mais de 80% da população tem ascendência francesa.
A população canadense é muito diversa do ponto de vista étnico. E tem ficado mais diversificada ainda com a chegada de novos imigrantes.
Os canadenses de origem francesa se concentram na província de Quebec, e os de origem britânica, na província de Ontário. Juntas, Quebec e Ontário reúnem mais da metade da população canadense.
Em função das rivalidades históricas e de diferenças culturais e econômicas entre anglo-canadenses e franco-canadenses, em parte da população da província de Quebec existe um forte movimento separatista que quer transformá-la num país independente. Entretanto, no último plebiscito sobre a questão, ocorrido em 1995, aqueles contrários à se cessão venceram por uma pequena diferença.
Dentre as 250 etnias canadenses, uma, embora muito minoritária, se destaca por ser conhecida e influente. No norte do Canadá vivem os inuítes (esquimós), nação indígena adaptada aos rigores climáticos da região. Em 1999, o governo canadense lhes concedeu o Território de Nunavut, que abrange 20% da área do país, onde eles têm autonomia administrativa. Desse modo, podem preservar sua cultura e seu modo de vida.
A população e as principais cidades canadenses concentram-se no Vale do Rio São Lourenço e no sul do território, em uma estreita faixa de 160 quilômetros junto à fronteira com os Estados Unidos ou em áreas não distantes dela, nas quais o clima é mais favorável à ocupação humana.
Apesar da distribuição irregular da população e das grandes distâncias entre as aglomerações humanas no território canadense, seu eficiente sistema de transporte facilita o intercâmbio entre as províncias.

A população do México


No México, a maioria da população é composta de des cendentes da miscigenação de espanhóis e indígenas, como mostra o gráfico ao lado, e está concentrada na região do planalto Mexicano, onde ficam as maiores aglomerações urbanas do país. As maiores cidades mexicanas são: Cidade do México, Guadalajara, Monterrey, Puebla e Tijuana.
Na população do país há um grande percentual de in dígenas, que se concentram nos estados ao sul, principal mente em Oaxaca, Chiapas e Yucatán. É por isso que 7% da população, além do idioma oficial (espanhol), fala algu ma das 72 línguas indígenas existentes no país, com des taque para náhuatl, maya e tseital.
No sul do México, região mais pobre do país, predominam atividades agro pecuárias de subsistência. Nela existe um movimento camponês de defesa dos direitos dos povos indígenas inspirado nos ideais de Emiliano Zapata, que foi um camponês mestiço, como a maior parte da população mexicana, e liderou a luta por terra e liberdade para a população pobre. Acabou se tornando o principal líder da Revolução Mexicana de 1910, cujo objetivo era combater a ditadura de Porfírio Diaz (1884-1911) e lutar pela reforma agrária no país.

A população dos Estados Unidos


Os Estados Unidos receberam muitos imigrantes de di versos países desde o início de sua colonização. De 1850 a 2015 cerca de 80 milhões de estrangeiros se fixaram no país. Portanto, a população estadunidense é diversificada do ponto de vista étnico.
Ao longo do período em que o atual país foi uma colônia inglesa (século XVII e parte do XVIII), houve a imigração de europeus, com grande destaque para os britânicos, e a imigração forçada de africanos escravizados. Esses povos promoveram a ocupação do território e contribuíram para a formação da população do país. É importante destacar que esse povoamento provocou o genocídio dos povos indígenas.
O sul do território dos atuais Estados Unidos foi colonizado pelos espanhóis. Posteriormente, os britânicos, que fugiam da perseguição religiosa em seu país, conquistaram as terras localizadas a nordeste. Ao longo do século XIX e da primeira metade do século XX, também chegaram imi grantes da Irlanda, da Alemanha, da Itália, dos Países Baixos e de vários outros países da Europa.
A imigração forçada de africanos teve início no século XVII e terminou em 1863, quando a escravidão foi abolida. Hoje a maior concentração de população afrodescendente está nas regiões em que foi utilizada mão de obra escravizada durante a colonização.
Nos Estados Unidos, até 1964 os afro-americanos não gozavam dos mesmos direitos assegurados aos brancos. Em muitos estados, além de sofrerem com a segregação nos espaços públicos, semelhante ao que acontecia na África do Sul (reveja o assunto na página 117), eles nem sequer tinham direito de votar e ser votados, não sendo, portanto, considerados cidadãos plenos.
Desde os movimentos pelos direitos civis nos anos 1960, sob a liderança de Martin Luther King (1954-1968), prêmio Nobel da Paz em 1964, muita coisa mudou. Em 1964 foi aprovada a Lei dos Direitos Civis, a segregação nos espaços públicos foi abolida e a partir de então os afro-americanos são cidadãos com todos os direitos assegurados.
No entanto, atualmente continuam sofrendo com a discriminação e a violência policial – principalmente os homens jovens de bairros pobres. Após a morte de vários jovens afro-americanos, em 2013 ativistas organizaram o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a recuperação econômica e o aumento do desenvolvimento humano na Europa, houve uma mudança na corrente de imigração para os Estados Unidos. A partir da segunda metade do século XX passou a predominar a entrada de latino-americanos oriundos de diversos países, seguidos de imigrantes provenientes da China, da Índia, do Vietnã e de outros países asiáticos, além de países da África (tradicionalmente os africanos emigram mais para a Europa, onde estão as ex-metrópoles). Todos esses migrantes têm algo em comum: buscam novas oportunidades e melhores condições de vida nos Estados Unidos.
De acordo com o Yearbook of Immigration Statistics 2015, somente no período de 1990 a 2015 cerca de 26 milhões de imigrantes se fixaram nos Estados Unidos – considerando apenas os que entraram legalmente e obtiveram visto de permanência. Dessa onda mais recente de imigração a maioria é de origem latina: pessoas oriundas do México e de países da América Central e do Sul. Segundo o U. S. Census Bureau (órgão que faz o recenseamento nos Estados Unidos), quase 18% da população do país já é de origem hispânica. Muitos dos migrantes latinos entram de forma clandestina, inclusive brasileiros, correndo risco de perder a vida ao tentar pular o muro que separa o México dos Estados Unidos em parte da fronteira seca ou tentando atravessar a nado o rio Grande.


Brasil amplia influência na América Latina

O Brasil tem se destacado como liderança regional desde a década de 1980, fato que fica evidente em sua progressiva influência sobre os outr...