sábado, 21 de fevereiro de 2026

SUL DA ÁFRICA: COLONIALISMO E A EXPLORAÇÃO

Assim como aconteceu em toda a África, a ocupação europeia do território sul-africano não se deu sem que houvesse uma nova divisão territorial. Antes da existência dos territórios da República Sul-Africana (atual África do Sul), Zâmbia e Zimbábue, a região sul-africana era formada pelo Reino Butua, onde se situava o Império Monomotapa (séc. XIV-XVII). Sob influência dos portugueses, em 1629, o rei Mavura converteu-se ao cristianismo, o que contribuiu para que, aos poucos, o império fosse dissolvido por meio da mudança cultural. Como consequência, as raízes culturais enfraqueceram, e a região tornou-se mais vulnerável aos objetivos comerciais de portugueses e holandeses.
O importante subsolo sul-africano (assim como o do Zimbábue), rico em reservas de diamante, níquel, fosfato, manga nês, cobre, ouro, carvão mineral, cromo e urânio, gerou interesse nos colonialistas holandeses e, principalmente, ingleses ao longo dos séculos XVIII a XX, em decorrência da crescente industrialização europeia.
A necessidade de recursos minerais levou à ocupação holandesa do território dos povos bôeres. Os colonizadores instalaram-se em territórios sul-africanos para explorar as reservas de ouro e de minérios preciosos. No século XIX, os colonos de ascendência não inglesa migraram em direção ao interior, fundando o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal, consolidando, assim, seus projetos coloniais.
O conflito entre britânicos e bôeres levou à Guerra dos Bôeres, no fim do século XIX e no início do século XX, e resultou da necessidade que os europeus – principalmente os empre endedores britânicos – tinham de consolidar redes de desenvolvimento econômico e indus trial na África para a exploração de minérios e, assim, enriquecer grupos de investidores e de empresários.
Entre eles está Cecil Rhodes (1853-1902), um dos principais responsáveis pelo projeto da ferrovia Cabo-Cairo, que atravessaria todo o continente africano no sentido sul-norte, em um trajeto de mais de 10 000 km. O porto egípcio era um dos principais polos de saída do que se produzia na África para o Império Britânico. Com a descoberta de enormes reservas de ouro e de diamantes na África do Sul em 1880, foi necessário pensar em uma rota ferroviária que incorporasse o montante produzido e levasse a riqueza mineral africana para territórios europeus. Esse processo levou a África do Sul a manter-se sob domínio britânico desde 1911, tornando-se independente em 1961.

As potências econômicas da África

África do Sul, Egito e Nigéria são as maiores economias do continente e podem ser considerados as principais potências regionais da África. Em con traste com outros países, principalmente da África subsaariana, esses países têm parques industriais e pautas de exportação diversificados, apesar de terem suas particularidades.
No entanto, problemas socioeconômicos sobre os quais você já estudou nos capítulos anteriores, alguns deles agravados pela pandemia de covid-19, configuram obstáculos ao desenvolvimento desses países. Além de ampliar a oferta de trabalho para uma população com grande percentual de jovens, África do Sul, Egito e Nigéria precisam superar desafios, como oferecer saúde, educação, moradia e saneamento básico adequado à maior parte da população.

África do Sul


A África do Sul está localizada em uma área estratégica que, no século XVII, fazia parte da rota marítima que ligava a Europa à África Oriental, à Índia e ao Extremo Oriente. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento. Nessa região, formou-se uma colônia de povoamento, inicialmente marcada pelo predomínio de holandeses e pela dominação dos povos nativos. Essa área passaria posteriormente ao controle do Reino Unido, potência imperialista que, entre o século XIX e início do século XX, expandiu seus do mínios na região, extremamente rica em recursos minerais. O território que hoje corresponde à África do Sul se tornou independente em 1910. Apesar de uma divisão étnica profunda, o país herdou uma infraestrutura desenvolvida e expressivas riquezas, que hoje lhe garantem a posição de principal potência da África subsaariana.

Aspectos econômicos


Embora dependa em larga medida da explora ção de suas riquezas minerais, a África do Sul integra cadeias produtivas globais de corporações transnacionais, como as montadoras de veículos, destacando-se como o país mais industrializado da África e o único do continente a compor o Brics, grupo de países emergentes que também inclui o Brasil, a Rússia, a Índia e a China. Apenas 11% do território sul-africano é conside rado apropriado para a agricultura, e o país apre senta uma produção agropecuária diversificada e fornece diversos produtos do setor para o merca do externo. 

Extrativismo e indústria


Com uma área de 1 221 037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. Aproximadamente 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de manganês estão localizadas no território do país, que também possui reservas de ouro (responde por cerca de 35% da produção mundial), carvão mineral, cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata.
O extrativismo mineral gera volumosas receitas para a África do Sul, por meio das exportações de commodities estratégicas para a China e os países desenvolvidos. Além do extrativismo, a atividade industrial tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%) do país. 
A indústria sul-africana é bastante diversificada para os padrões do continente, tendo sido estruturada ao lon go do período de dominação europeia, com base em redes de transporte, energia e de comunicação desenvolvidas. A produção industrial inclui bens de consumo duráveis, como veículos prontos, terceiro item mais exportado pelo país, perdendo apenas para o ouro e para a platina. Nes se contexto, o país se destaca pelas exportações de pro dutos industrializados para os países africanos próximos, como Moçambique, Zâmbia e Zimbábue.

Egito


Terceiro país mais populoso do continente, com 102,3 milhões de habitantes (2020), o Egito, economicamente, é o principal país da África do norte. Mais de 90% da população do país está concentrada no delta e no vale do rio Nilo, e as maiores cidades são: Cairo, a capital, com mais de 10 milhões de habitantes; Alexandria, com mais de 5 milhões; Gizé, com mais de 4 milhões; e Xubra Quei ma, com mais de 1 milhão. No território egípcio, formou-se uma das maiores civilizações da Antiguidade, cujas marcas são significativas nas suas paisagens, como as pirâmides e outras obras arquitetônicas que formam um sin gular patrimônio histórico-cultural que atrai milhões de turistas todos os anos (13,6 milhões em 2019). Essa atividade é responsável por cerca de 5,5% do PIB do país e por 9,5% dos empregos, de acordo com dados do relatório Perspectivas Econômicas na África, 2021, do Banco Africano de Desenvolvimento.
Desenvolvida dentro de um programa de substituição de importações, a in dústria egípcia também é diversificada, com destaque para os setores têxtil, alimentício, químico, farmacêutico, petrolífero e siderúrgico. A atividade agrí cola, praticada há mais de 7 mil anos, está concentrada no delta e às margens do rio Nilo, uma vez que o restante do território do país é dominado por áreas desérticas. As principais mercadorias produzidas são cana-de-açúcar e trigo, além do algodão de altíssima qualidade, com fibras longas, bastante valorizado no mercado internacional.

Nigéria


A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 219 milhões de habitantes. Destaca-se também pela enorme diversidade étnica, representa da por centenas de etnias diferentes, sendo três delas predominantes: hauçá (30%), iorubá (15%) e ibo (15%). Esse fato dificultou o estabelecimento de uma unidade nacional após a independência do país, em 1960. Em 1966, membros da etnia ibo derrubaram o governo nigeriano, instalan do-se no poder. Repelidos por um golpe militar no ano seguinte, os ibos decla raram a independência do território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão da disputa pelas reservas de petróleo do delta, a guerra civil ni geriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra. O conflito foi um dos principais do período pós-independência na África e evi denciou como os interesses das grandes potências mundiais, cujas empresas apoiaram diferentes lados, desempenham um fator importante nos rumos dos países africanos.

Economia


A economia nigeriana representa praticamente 20% do PIB do continente africano. No entanto, seus maiores parceiros comerciais são a China, a Índia e os países da União Europeia, e somente cerca de 13% do seu comércio exterior é realizado com outros países da África. Além de apresentar um setor de serviços diversificado, a Nigéria é o principal produtor de petróleo da África, e esse setor estimula a produção industrial do país, que se destaca, por exemplo, na produção de tintas, borrachas sintéticas e fertilizantes químicos. Mas também se destacam as indústrias têxteis, alimentícias, de calçados, de aço e de cimento.

A indústria cinematográfica


Hollywood e Bollywood são, respectivamente, as indústrias cinematográfi cas dos Estados Unidos e da Índia. A Nigéria também tem uma produção de filmes, séries, documentários e novelas bastante expressiva, sendo responsável por cerca de 5% do PIB nigeriano. Trata-se de Nollywood, termo cunhado em 2002 para se referir à indústria audiovisual do país, que tem como foco o de senvolvimento de narrativas baseadas na cultura, nos problemas sociais e nos desafios próprios da sociedade nigeriana. Nollywood produz cerca de 1 200 filmes por ano, perdendo apenas para Bollywood em volume de produção cinematográfica. Nos enredos, o inglês, a língua oficial do país, está sempre presente, mas é mesclado com os idiomas das centenas de etnias existentes na Nigéria.

O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram


Em função da manutenção das fronteiras coloniais, a Nigéria é um país cujo território apresenta profunda divisão cultural entre o sul (população predomi nantemente cristã ou adepta de crenças animistas) e o norte (população pre dominantemente muçulmana). Desde 2002, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecaminosa”), criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico no norte do país. 
Em nome dessa luta e espalhando o terror na Nigéria e em países vizinhos, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em busca de desesta bilizar os governos da região. 
Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ociden tais e, em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio. Responsável por mais de 27 mil mortes, o grupo já provocou o deslocamento forçado de aproximadamente 1,86 milhão de pessoas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Relações China-Brasil

As relações entre as maiores economias mundiais afetam diretamente o Brasil, pois Estados Unidos e China são os maiores parceiros comerciais do país. 
A China, desde 2009, tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2021, do valor total das exportações brasileiras para outros países, 22,4% foi realizado para a China; e a importação de produtos chineses pelo Brasil representou 23,5% do valor total das importações brasileiras.
Entretanto, em 2021, as exportações brasileiras para a China eram compostas, principalmente, de produtos primários: o minério de ferro constituiu cerca de 33% do valor total das exportações; a soja, 31%; e o petróleo bruto, 16% – produtos que não têm valor agregado.
Já as importações de produtos chineses pelo Brasil são predominantemente de bens industrializados, portanto de maior valor agregado, fato que beneficia amplamente a economia chinesa. 
O Brasil mantém uma balança comercial favorável com a China. Entretanto, a maior parte das exportações brasileiras destinadas ao grande mercado chinês são commodities, entre os quais estão carne, açúcar, ferro e, principalmente, soja. Em contrapartida, o Brasil importa desse parceiro comercial, sobretudo, produtos industrializados, que possuem maior valor agregado. Com a China, portanto, o Brasil reproduz sua tradicional e desvantajosa participação na Divisão Internacional do Trabalho, cujas origens remontam ao período colonial.
A influência cultural chinesa no Brasil está relacionada ao crescimento da chegada de imigrantes chineses ao país a partir de meados do século XX. Destacam-se: a arte marcial tai chi chuan; a gastronomia chinesa; a celebração do ano-novo chinês no bairro da Liberdade, em São Paulo; e a adoção de práticas da medicina tradicional chinesa, como é o caso da acupuntura.

Relações entre Estados Unidos e Brasil

A história das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos tem início em 1824, quando os estadunidenses foram os primeiros a reconhecer a independência de nosso país, ocorrida em 1822. No entanto, foi apenas a partir da Segunda Guerra Mundial que o Brasil estreitou relações com os EUA.
A adesão brasileira aos Aliados veio por meio de negociação promovida pelo então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, com os Estados Unidos. Como resultado, nosso país recebeu bases navais e aéreas dos Estados Unidos e forneceu a eles matérias-primas, como a borracha. Em contrapartida, o Brasil recebeu recursos financeiros que foram investidos na atividade industrial.
Desse momento em diante, os dois países permaneceram alinhados, embora em alguns momentos o Brasil tenha tentado traçar um caminho mais independente, com foco nas relações Sul-Sul, ou seja, com países da América Latina e da África, por exemplo. Hoje, Brasil e Estados Unidos mantêm acordos e diálogos sobre comércio, investimentos, energia, meio ambiente, educação, tecnologia, direitos humanos e segurança, entre outros.

Relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos 


Ainda que o Brasil não apareça como um dos principais exportadores e importadores comerciais dos Estados Unidos, nosso país é um de seus principais parceiros: cerca de 10,3% das exportações brasileiras vão para os EUA e mais de 17,6% das importações vêm de lá (2020). 
O Brasil sempre esteve historicamente ligado aos Estados Unidos: nas relações diplomáticas e econômicas, nos investimentos que este faz no Brasil, na sua influência cultural na sociedade brasileira – na música, no cinema, no turismo, no vestuário etc.
Em 2019, os principais produtos importados pelos Estados Unidos das indústrias brasileiras foram aviões e peças de aeronave. Alguns produtos essenciais para ambos os países são o algodão, o carvão mineral, o alumínio e o aço. O Brasil é um grande comprador do carvão mineral estadunidense, e os Estados Unidos são um dos mais importantes clientes do aço e do alumínio brasileiros.

Ao passo que perde mercado na América Latina para a China, os Estados Unidos disputam o mercado internacional de exportações com o Brasil, principalmente de gêneros agropecuários, como soja, milho, carne e etanol. Em meio a disputas econômicas, o Brasil já denunciou os Estados Unidos pela prática de dumping que é severamente combatida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).


Multinacionais estadunidenses no Brasil 

O Brasil é a maior economia da América Latina e, historicamente, tem boas relações com os Estados Unidos. Os Estados Unidos, por sua vez, exercem influência econômica e política sobre o território brasileiro – assim como no restante da América Latina – apoiando, direta e/ou indiretamente, determinadas políticas governamentais em razão de interesses estratégicos na região.

Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entanto, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro. 

Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica. 
Suas transnacionais estão presentes no Brasil desde o início do século XX – são exemplos a General Electric, General Motors, Kodak, IBM, Avon e Johnson & Johnson, além de muitas outras. 
Até o ano de 2008, os Estados Unidos foram nosso principal parceiro comercial, sendo que, a partir de 2009, a China ultrapassou-os no comércio exterior com o Brasil.

Estados Unidos: potência militar

A hegemonia estadunidense no mundo não se limita aos campos econômico e cultural, estendendo-se também à área militar. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos investiram maciçamente no aparelhamento das forças armadas, assim como em treinamento e manutenção do exército e em pesquisas nesse setor, a fim de competir com o poderoso exército soviético e conter a expansão do socialismo e a influência da União Soviética no mundo.
O poderio militar tem um peso muito grande nas negociações internacionais. Países poderosos, como os Estados Unidos, conseguem impor seus interesses de modo que os demais acatem suas decisões, o que também ocorre nas negocia ções comerciais. O poder militar possibilita a consolidação do poder político.
Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos deixaram de ter oponentes que pudessem ameaçá-los diretamente. Assim, desde então, são a maior potência militar do planeta, com forte indústria bélica.
A Guerra Fria, como ficou conhecido o período de rivalidades entre essas duas superpotências, levou a uma corrida armamentista sem precedentes na história. Mesmo que não tenham se enfrentado diretamente em um conflito, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética realizaram dezenas de intervenções militares nas mais diversas regiões do planeta, tendo em vista a ampliação das áreas de influência de seus respectivos regimes político-ideológicos.
Sem realizar embates diretos, essas duas potências militares buscaram intimidar uma à outra por meio de ações que demonstrassem o poder de seus armamentos, principalmente com mísseis e armas nucleares. Com o fim da União Soviética, em 1991, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência militar do planeta, sem nenhuma nação que se equiparasse a sua indústria bélica.
Os Estados Unidos tornaram-se o centro de uma gigantesca aliança militar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949 com a união de algumas das forças armadas mais poderosas do mundo, como a inglesa, a francesa e a italiana. A superioridade militar estadunidense tornou-se incontestável após o fim da União Soviética, em 1991. Desde essa época, as operações militares dos Estados Unidos passaram a ser mais incisivas.
O desenvolvimento da indústria de armamentos nos Estados Unidos, que recebeu fortes investimentos do governo especialmente após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o crescimento da tecnologia utilizada na produção de novos bens de consumo. 
Nesse sentido, também houve enorme contribuição da indústria aeroespacial (satélites artificiais, foguetes, naves, ônibus espaciais) por meio da Nasa (sigla em inglês para Agência Espacial Norte-Americana), um organismo civil federal. Mais de 3 mil novos produtos de consumo lançados pelos Estados Unidos na segunda metade do século XX foram criados a partir da tecnologia de senvolvida, inicialmente, para produtos ligados à indústria bélica ou aeroespacial. 
O poderio militar dos Estados Unidos possibilitou, por exemplo, a derrubada de governos contrários às orientações estadunidenses. Essa situação foi comum durante a Guerra Fria (1947-1989), período no qual o regime socialista vigorava em diversos países e a União Soviética era a superpotência militar que se opunha aos Estados Unidos.
Atualmente, os Estados Unidos possuem bases militares em diversas regiões do mundo, e, na maioria das vezes, por meio dessas bases, o governo estadunidense intervém em diferentes conflitos pelo mundo. O país também apresenta o maior gasto com questões militares.
No Brasil, a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, juntamente com a elite nacional, apoiou a deposição de João Goulart (Jango), que procurava se manter independente da disputa entre as superpotências no contexto da Guerra Fria e cujo plano de governo era voltado às causas dos trabalhadores e dos movimentos sociais brasileiros. Após o golpe, instalou-se no país a ditadura (1964-1985). Os militares tomaram o poder e se alinharam aos Estados Unidos. O governo militar foi caracterizado pela repressão e pela censura.
A partir da segunda metade do século XX, o Oriente Médio também rec beu notável atenção dos Estados Unidos. Essa porção territorial da Ásia é rica em petróleo, e os EUA, na posição de maior consumidor do mundo dessa fonte energética, passaram a atuar direta e indiretamente nesse território.
Contudo, nessa região existem países que oferecem resistência ao expansionismo estadunidense. O apoio histórico dos Estados Unidos ao Estado de Israel, desde sua criação, em 1948, aumentou a oposição das nações árabes à política estadunidense.
Em 2017, os gastos militares dos Estados Unidos foram superiores a 600 bilhões de dólares, cerca de 35% dos gastos mundiais no setor. Vários países abrigam tropas estadunidenses, com milhares de soldados, e bases militares que realizam diversas operações, incluindo testes nucleares. O planeta encontra-se, literalmente, dividido em setores: são os comandos militares estadunidenses que dispõem de diversos armamentos de guerra. A força militar dos Estados Unidos está presente em todos os continentes.
Embora naquele mesmo ano a China tenha gasto três vezes menos que os Estados Unidos em despesas militares, entre 2008 e 2017 o crescimento de investimentos do país no setor foi de 110%, enquanto, no mesmo período, os Estados Unidos reduziram seus gastos em 14%. 
Esses dados mostram como a China, atual segunda maior potência econômica global, tem procurado se fortalecer também do ponto de vista militar, trilhando um caminho parecido ao dos Estados Unidos logo após a Segunda Guerra Mundial.
Ainda em 2017, a China inaugurou sua primeira base militar no exterior, em Djibuti, na África, continente que, vem recebendo expressivos investimentos chineses. A base foi instalada em um local estratégico, próximo ao mar Vermelho e ao golfo de Áden, onde é intenso o fluxo de embarcações marítimas comerciais. Nessa área também atuam piratas que sequestram navios e pedem resgate para a libertação das tripulações.
O fortalecimento da estrutura militar chinesa é acompanhado com preocupação pelos Estados Unidos. De acordo com um relatório do governo esta dunidense de 2017, “os Estados Unidos continuarão monitorando a modernização militar da China e continuarão adaptando suas forças, abordagens, investimentos e conceitos operacionais para garantir sua capacidade de proteger a pátria, aliados e parceiros, conter a agressão e garantir a paz na região, a prosperidade e a liberdade”.
Os Estados Unidos utilizam em torno de 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área militar, o que corresponde a cerca de 36% do volume gasto em defesa no mundo. O país também conta com um contingente de 1,3 milhão de militares, que representa cerca de 0,7% da população estadunidense economicamente ativa.

Liderança militar no mundo 


Os Estado Unidos são o país que mais investe no setor militar. Em 2017, se gundo dados do Banco Mundial, seus gastos militares chegaram a 610 bilhões de dólares. O segundo país que mais investe nesse setor é a China, cujos gastos, de aproximadamente 228 bilhões no mesmo ano, equivaleram a menos de 40% do montante estadunidense.
Desses investimentos resulta que os Estados Unidos detêm mais aviões e navios de combate do que qualquer outro país e um exército muito bem equipa do e treinado para realizar tarefas em diferentes lugares, como desertos e flores tas, e em diferentes situações, como invasão ou defesa de territórios. Por isso, o país é considerado uma superpotência militar.
Vale lembrar que na última década aumentou o número de conflitos armados, o que levou à deterioração da segurança mundial. Ao aumento do número de conflitos corresponde o maior número de armas comercializadas no mundo. Os Estados Unidos, nesse contexto, são o principal exportador de armas, responsáveis por 34% do total de armas comercializadas internacionalmente.
As centrais de Comandos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos têm como missão garantir a defesa nacional deste país e sustentar a sua influência militar no mundo 
Oferecer proteção é uma maneira de influenciar militarmente um país. Essa proteção pode ocorrer por meio de acordos de venda de tecnologia e de armamentos, treinamento de tropas ou instalação de bases militares em territórios aliados. Nem sempre isso ocorre em benefício da população do país, mas de acordo com os interesses estadunidenses e de determinados grupos que se privilegiam desses acordos. 
Uma forma de influenciar usando o instrumento econômico é emprestar ou doar dinheiro a um país, que, em troca, recebe, por exemplo, uma base militar estadunidense em seu território.
Entre as ações militares estadunidenses que mais se destacaram nas últimas duas décadas estão aquelas feitas em países do Oriente Médio, como na Guerra no Afeganistão (2001), quando as forças estadunidenses invadiram o país para derrubar o governo talibã, acusado de ter ligações com grupos terroristas; na Guerra no Iraque (2003), quando os Estados Unidos e a Inglaterra voltaram a invadir o Iraque e destituíram, definitivamente, o governo de Saddam Hussein; na Guerra da Síria (2012), quando os Estados Unidos, em aliança com outras potências militares, enviaram cerca de dois mil soldados para combater milícias terroristas, entre elas o chamado Estado Islâmico. 
Destaca-se também as ações militares relacionadas à Guerra da Ucrânia (2022), quando, em conjunto com países europeus, o governo estadunidense enviou recursos financeiros e armamentos para que o exército ucraniano resistisse à invasão russa.

Influência militar na América Latina 


Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a influência militar dos Estados Unidos se tornou mais evidente. Os Estados Unidos foram um dos vencedores da Grande Guerra, junto com a ex-União Soviética, a França e o Reino Unido. Os países vencedores europeus, porém, foram destruídos pela guerra e precisavam reconstruir seus territórios. Os Estados Unidos e a ex-União Soviética, por sua vez, saíram da guerra fortalecidos e iniciaram uma disputa pela posição de liderança mundial. 
Essa disputa caracterizou o período conhecido como Guerra Fria, que durou de 1945 a 1991. Especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, os Estados Unidos, com o objetivo garantir sua hegemonia no continente americano, passaram a apoiar golpes mi litares nos países da América Latina. 
A primeira intervenção apoiada pelos Estados Unidos, em 1954, foi responsável pela queda do presidente da Guatemala. 
Paraguai, Argentina, Brasil, Peru, Uruguai, Chile, República Dominicana, Nicarágua e Bolívia foram outros países latino-americanos que tiveram ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos.

Guerra ao Terror 


Desde a Guerra Fria, os EUA têm adotado uma política de intervenção e ocupação militar em países que possam lhe oferecer perigo. 
Essa política se acentuou após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, no qual as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o prédio do Pentágono, em Washington, foram atingidos por aviões comerciais comandados por terroristas islâmicos, matando 3 278 pessoas. Esses prédios representavam, respectiva mente, os poderes econômico e militar do país.
Os Estados Unidos começaram uma caça aos grupos terroristas que, de alguma forma, ameaçavam os interesses estadunidenses. Assim, o Afeganis tão foi ocupado em 2001, quando o então presidente estadunidense, George W. Bush, autorizou a operação para capturar o saudita Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, acusado de planejar o atentado de 11 de setembro. O Iraque foi ocupado em 2003, quando os Estados Unidos acusaram o governo de Saddam Hussein de produzir armas químicas de destruição em massa. 
Nenhuma das intervenções obteve êxito. Osama bin Laden foi capturado e morto somente em 2011, dez anos após o atentado de 2001. Também ficou comprovado que o Iraque não tinha as armas químicas anunciadas pelo governo estadunidense. O resultado dessas operações foi a destruição desses países e a morte de milhares de civis.
Para os Estados Unidos, o saldo positivo da ocupação do Afeganistão foi a retirada do Talibã do poder, grupo extremista islâmico que governou o país de 1996 a 2002. No Iraque, o ditador Saddam Hussein foi deposto em 2003, após 24 anos no controle do país. Nem os talibãs nem Hussein representavam os interesses dos EUA na região. 
No entanto, a desaprovação popular interna e externa e o alto custo dessas intervenções militares levaram o governo estadunidense a decidir pela retirada de seus militares desses países a partir de 2010. Apesar disso, em 2015, mais de 10 mil militares estadunidenses ainda permaneciam no Afeganistão, e o Talibã não perdera o poder no país. 
Em 2021, sob a presidência de Joe Biden, os Estados Unidos concluíram a retirada de suas tropas do Afeganistão, após 20 anos de ocupação, a mais longa de toda a história dos Estados Unidos. Tal ação ocorreu no momento em que o grupo Talibã retomava o poder no país.
Os Estados Unidos têm rivalizado com o Irã e a Coreia do Norte, nações suspeitas de desenvolver programas nucleares para fins bélicos. Esses países são vistos pelo governo estadunidense e pelas Nações Unidas como uma ameaça, com a justificativa de que podem fabricar bombas atômicas. Em uma iniciativa para aliviar as tensões com os iranianos, os Estados Unidos e mais cinco potências (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) firmaram um acordo, em julho de 2015, que previa a diminuição das atividades nucleares do Irã – dessa forma, o país asiático não teria potencial para produzir armas nucleares. 
Em troca, essas potências retirariam as sanções econômicas impostas aos iranianos. No entanto, em 2018, o então presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e retomou as sanções econômicas aos iranianos, alegando que as medidas do acordo e a fiscalização sobre o Irã eram insuficientes para impedir o país asiático de produzir armas nucleares.
Desde 2014, os Estados Unidos enfrentam ainda outro inimigo: o Estado Islâmico, grupo radical formado por ex-combatentes do antigo Exército derrotado de Saddam Hussein, que propaga o terror por meio da dizimação de minorias religiosas e étnicas, como os xiitas e os curdos do norte do Iraque, além de assassinar reféns e jornalistas estrangeiros.

Relações tensas entre Estados Unidos e Rússia 


As tensões entre Estados Unidos e Rússia vêm de longa data, desde o fim da Segunda Guerra Mun dial, quando ainda existia a União Soviética (URSS). A corrida armamentista que as duas superpotências realizaram levou a uma situação de constante desconfiança. 
Com o fim da URSS, na década de 1980, a Rússia surgiu como principal potência remanescente da dissolução do país socialista, mantendo interesses geopolíticos em diversos espaços geográficos das repúblicas vizinhas que um dia, juntas, fizeram parte do mesmo país. 
Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Estados Unidos e Rússia mantiveram relações amistosas. Porém, os desentendimentos envolvendo a Ucrânia reativaram certa tensão entre as potências.







Estados Unidos: superpotência mundial

Para compreender como os Estados Unidos chegaram, em termos econômicos e geopolíticos, à atual posição de superpotência mundial, precisamos analisar sua formação histórica e identificar os fatores que contribuíram para seu desenvolvimento.
As colônias que, no século XVII, foram estabelecidas na costa do Atlântico Norte, e que depois deram origem aos Estados Unidos, despertaram pouco interesse nos ingleses. Nessas terras, localizadas em áreas de clima temperado, não se desenvolviam bem os gêneros agrícolas tropicais, muito valorizados na Europa àquela época. Além disso, não havia no local jazidas de minerais preciosos, como ouro e prata. Assim, a ocupação dessas áreas atendia somente às necessidades das próprias colônias. Por isso, a forma de ocupação foi baseada no estabelecimento de pequenas propriedades camponesas, com predomínio do trabalho agrícola familiar, assim como no desenvolvimento do artesanato e da manufatura, com a produção de artigos diversos.
O aumento da produção agrícola e da atividade artesanal propiciou o cres cimento do mercado interno, acelerando a expansão das manufaturas, do comércio e das casas bancárias. A ampliação dessas atividades permitiu significativa acumulação de capital, que, a partir do século XIX, passou a ser investido nas primeiras fábricas, as quais, mais tarde, impulsionaram o desenvolvimento industrial e econômico do país.

Revolução industrial estadunidense


A partir do final do século XVIII, os Estados Unidos passaram por uma fase de grande prosperidade econômica, motivada especialmente pela expansão do mercado consumidor interno, fato que assegurou o crescimento da produção industrial na região nordeste do país.
Na segunda metade do século XIX, muitos recursos passaram a ser aplica dos na mineração, tendo em vista a demanda de matérias-primas destinadas ao abastecimento da crescente indústria. Iniciou-se a exploração de imensas jazidas de carvão nos Montes Apalaches, enquanto o ferro era extraído em abun dância nas proximidades dos Grandes Lagos na região nordeste do país. A exploração desses recursos alavancou o desenvolvimento da atividade industrial.
Mais tarde, no final do século XIX, a descoberta e a extração do petróleo, primeiro próximo aos Grandes Lagos e depois no Texas e no Golfo do México, proporcionaram grande desenvolvimento da indústria, em especial do setor petroquímico. O petróleo passou a ser empregado como combustível para o funcionamento de máquinas industriais e de veículos de transporte, principal mente automóveis.

Colonização e formação da América Anglo-Saxônica


A colonização do Canadá iniciou-se no século XVII, com o estabelecimento de ingleses na baía de Hudson e de franceses no litoral leste. A ocupação europeia seguiu gradativamente para oeste, alcançando o litoral ocidental do país no final do século XIX, com a chegada da ferrovia a Vancouver. 
O Canadá conquistou sua independência da Inglaterra somente em 1867. A colonização efetiva do território que atualmente compõe os Estados Unidos ocorreu em 1776 com a independência das chamadas Treze Colônias, que até então estavam sob o domínio inglês. Em segui da, iniciou-se o processo de ocupação do interior, chamado Conquista do Oeste ou Marcha para o Oeste. Dessa forma, novas áreas foram incorporadas (sobretudo para uso agrícola), algumas anexa das por meio de guerras, outras compradas ou cedidas aos estadunidenses. Assim como ocorreu no Canadá, a construção de ferrovias nos Estados Unidos foi fundamental para o relativamente rápido pro cesso de ocupação do território. 
Por outro lado, durante esse processo, dezenas de povos indígenas que viviam nos territórios compra dos acabaram perdendo suas terras, o que obrigou milhares de pessoas a viver em áreas restritas do ter ritório estadunidense (e também canadense) designadas pelo governo, as chamadas reservas indígenas.

Ascensão como potência econômica


A intensa acumulação de capital ocorrida na segunda metade do século XIX possibilitou a emergência dos Estados Unidos como uma das maiores potências econômicas mundiais.
No início do século XX, o país já abrigava grandes empresas que detinham o monopólio de alguns setores estratégicos da economia, como o de petróleo (pertencente à família Rockefeller), o de aço (da família Morgan), o de automóveis (da família Ford) e o setor de ferrovias (pertencente à família Vanderbilt).
O crescimento da economia estadunidense também foi favorecido por dois importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como eles ocorreram principalmente no território da Europa, os países desse continente, que já eram industrializados e despontavam como potências econômicas, foram praticamente arrasados. Be neficiados por estarem geograficamente distantes da Europa, os Estados Unidos não sofreram os mesmos desgastes e perdas resultantes desses conflitos.
Ao final da Segunda Guerra, países como Inglaterra, França, Itália e Alemanha estavam muito enfraquecidos e com as produções agrícola e industrial arruinadas. A escassez de produtos no mercado interno os fez recorrer às importações dos Estados Unidos, acelerando o crescimento da economia estadunidense.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a destinar grande ajuda financeira para a reconstrução dos países europeus. A realização desses empréstimos contribuiu para o endividamento desses países, ampliando ainda mais a depen dência deles em relação à economia estadunidense.

A geopolítica vista pelos Estados Unidos 


Embora no mundo despontem várias áreas de influência geopolítica, por mais amplas e diversificadas que sejam, um dos polos mais fortes e mais influentes está na América do Norte: os Estados Unidos.
Isso porque é um país de incomparável potência militar, não existindo concorrentes à sua altura no campo bélico, mesmo levando em consideração as potências militares mais notáveis do mundo, como França, Inglaterra, Rússia e China. Em 2021, do total de aproximadamente 2,1 trilhões de dólares gastos no mun do inteiro com despesas militares, cerca de 39% são dos Estados Unidos.
A disparidade militar entre os Estados Unidos e os demais países ficou mais evidente após o fim da Guerra Fria e, sobretudo, depois dos ataques terroristas às Torres Gêmeas do World Trade Center e ao Pentágono, em setembro de 2001. Esse evento marcou o início da política de combate às ameaças contra os Estados Unidos, conhecida como Guerra ao Terror.
Na prática, a Guerra ao Terror significa legitimar qualquer ação militar, política e econômica adotada pelo governo estadunidense contra qualquer país conside rado uma ameaça à sua segurança, mesmo que as ações envolvam o uso de seu poderio bélico e militar. Dessa forma, a partir da Guerra ao Terror, os gastos militares cresceram, e as bases militares e os porta-aviões estadunidenses se espalharam pelo mundo de tal modo que, atualmente, há dezenas deles em diversos países.  

Liderança econômica no mundo 


Os Estados Unidos representam o maior mercado consumidor do mundo. Por ser um mercado muito procurado por empresas de outros países para comercialização de seus produtos, muitas vezes o governo estadunidense impõe uma série de exigências que incluem detalhes técnicos ou sanitários que dificultam a entra da de produtos estrangeiros no país. Aliviar essas exigências é uma das formas usadas pelos Estados Unidos para conseguir aliados para o estabelecimento de parcerias comerciais. 

O dólar na economia mundial


Ao término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, na condição de grandes credores internacionais, afirmaram sua hegemonia econômica. Essa posição, entretanto, já havia se evidenciado na Conferência de Bretton Woods, realizada no país em 1944.
O objetivo dessa reunião foi planejar a estabilização da economia mundial, profundamente abalada pela guerra. Naquela ocasião, o dólar estadunidense estava tão valorizado que se tornou a moeda de referência no mercado in ternacional, ou seja, o valor das mercadorias comercializadas entre os países passou a ser definido conforme a cotação dessa moeda no mercado mundial.

Multinacionais e comércio estadunidense


A partir da segunda metade do século XX, a economia dos Estados Unidos iniciou uma nova fase, caracterizada pela expansão de grandes empresas que, em busca de novos mercados, passaram a atuar em outros países. Ao ampliar sua participação no mercado mundial, as multinacionais estadunidenses do minaram o processo de acumulação capitalista, aumentando o poderio dos Estados Unidos em relação às demais nações.
Os investimentos realizados por essas multinacionais foram direciona dos principalmente para os países desenvolvidos da Europa, como França e Inglaterra. Muitas dessas empresas também investiram nos mercados consumi dores em expansão dos países subdesenvolvidos, entre eles Brasil, Argentina, México e África do Sul.

Multinacionais estadunidenses no Brasil


Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entan to, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro.
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica.

Influência econômica dos Estados Unidos


As reportagens acima mostram a influência econômica dos Estados Unidos sobre o comércio e o mercado financeiro mundial. Essa influência se manifesta por meio do grande poder político sobre os organismos financeiros internacio nais, principalmente sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI). Prova disso é que muitas das medidas adotadas pelo fundo são determinadas pelo gover no estadunidense, sobretudo quando se referem à ajuda financeira aos países subdesenvolvidos. Para receber empréstimos, os países precisam se ajustar às exigências do FMI.
Além disso, os Estados Unidos praticam uma política econômica externa bastante protecionista. O país interfere no comércio internacional, não permitindo, por exemplo, a entrada de determinados produtos em seu mercado interno e estabelecendo barreiras alfandegárias no comércio com certos países, a fim de impedir que setores de sua economia enfrentem a concorrência externa.
O governo também aplica sanções econômicas e embargos comerciais, que vão da suspensão temporária da importação de determinados produtos ao bloqueio comercial de países que contrariam seus interesses políticos.

A política externa estadunidense


Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses econômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.
Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os interesses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses. 
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recu sou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no iní cio de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

Exportação cultural estadunidense


A difusão da cultura estadunidense em todo o mundo é intensa, realizada principalmente por meio dos veículos de comunicação de massa. As emisso ras de rádio espalhadas por todo o planeta, por exemplo, divulgam os vários gêneros musicais criados nos Estados Unidos. Da mesma forma, os estúdios de cinema e as redes de televisão produzem filmes e disseminam informações que enaltecem o modelo estadunidense de sociedade, o chamado american way of life, caracterizado pela modernidade e pelo comportamento consumista.
Além da influência exercida pelos veículos de comunicação de massa, a “invasão” cultural dos Estados Unidos consolidou-se com a implantação de multinacionais estadunidenses em todos os continentes. Ao se expandirem pelo mundo, essas empresas passaram a produzir praticamente os mesmos tipos de mercadoria e a prestar os mesmos serviços oferecidos nos Estados Unidos, influenciando os hábitos alimentares, as roupas, a língua e outros elementos culturais dos países onde foram instaladas, faturando centenas de bilhões de dólares todos os anos.


América Anglo-Saxônica

A América Anglo-Saxônica se destaca pelo desenvolvimento socioeconômico de seus países, que concentram negócios em diversos setores da economia. Esse conjunto regional é formado por duas nações altamente industrializadas: os Estados Unidos e o Canadá.

O território da América Anglo-Saxônica

Um dos países mais extensos do mundo, os Estados Unidos é composto de terras contínuas, com 48 dos 50 estados da Federação, e ainda porções descontínuas, como o Alasca (que se situa próximo à região norte do Canadá) e o Havaí, um arquipélago localizado no Oceano Pacífico.

O Canadá, mesmo tendo vasta extensão territorial, apresenta baixa densidade demográfica. Essa característica pode ser explicada pelo fato de que boa parte de sua área se localiza nas proximidades e até mesmo dentro do Círculo Polar Ártico, o que resulta em condições climáticas extremamente rigorosas.

População e sociedade

Estados Unidos e Canadá

Os Estados Unidos da América (EUA) têm a maior população abso luta do continente americano, com aproximadamente 331 milhões de habitantes (dado de 2020). É for mado por 50 estados.

Já o Canadá, em 2020, tinha uma população absoluta de cerca de 37,7 milhões de habitantes. O país é o segundo maior do mundo em extensão, com uma área de 9 897 170 km2.

Composição e distribuição da população dos Estados Unidos

A população dos Estados Unidos se formou a partir da variedade étnica de grupos indígenas que já ocupavam as terras americanas, africanos escraviza dos para o trabalho nas colônias do sul do país, colonizadores ingleses e outros europeus, principalmente italianos e irlandeses, além de asiáticos. Atualmente, a maioria da população é branca – em torno de 76,3% do total (esse percentual inclui pessoas de origem hispânica ou latina). A população negra, ou afro-americana, compõe 13,4% dos habitantes, e os asiáticos, 5,9% (dados do censo do governo dos Estados Unidos de 2020). Os grupos indígenas do país encontram-se muito reduzidos – cerca de 0,9% do total da população –, devido à dominação e ao extermínio a que foram submetidos no processo colonial. Uma parcela da população dos Estados Unidos é composta de pessoas de origem hispânica ou latina, que somam cerca de 18,5% da população (2020). A maioria dessa população é mexicana, mas há um grande número de porto-riquenhos, cubanos e panamenhos. Ao longo do tempo, os EUA se transformaram em uma nação multiétnica, recebendo pessoas de diver sos países que imigraram em busca, principalmente, de emprego e oportunidades. Desde a segunda metade do século XX, é intenso o fluxo de imigrantes latinos, boa parte deles vivendo em situação de ilegalidade. Em abril de 2018, o governo federal do país estabeleceu uma política de “tolerância zero”, que desencorajou a imigração ilegal nos Estados Unidos. Em virtude da grande extensão territorial – 9 371 219 km2, a quarta maior do mundo –, os EUA têm baixa densidade demográfica, em torno de 35,6 hab./km².

A grande concentração urbana nos Estados Unidos possibilitou a formação de três megalópoles, áreas de intensa rede de cidades, com a conurbação de metrópoles.

- Chi-Pitts: situada na região dos Grandes Lagos, abriga as áreas me tropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Milwaukee e Chicago. Trata-se de uma área que se caracteriza por ser polo indus trial, comercial e de serviços.

- Bos-Wash: localizada na região Nordeste, é a maior megalópole do país, abrangendo cidades como Boston, Filadélfia, Washington, Nova York (metrópole central) e Baltimore. É caracterizada por seu notável parque industrial, além de ter ampla gama de serviços e diversos órgãos da admi nistração federal.

- San-San: situada na Costa Oeste, abriga as áreas metropolitanas de São Francisco, Los Angeles, Seattle e San Diego. Esse corredor abrange polos tecnológicos, como o Vale do Silício, onde estão gigantes mundiais da informática.

Composição e distribuição da população do Canadá

Como foi colonizado por ingle ses e franceses, o Canadá é um país com duas línguas oficiais: o inglês e o francês. Devido ao histórico colonial, é formado majoritariamente pelas etnias inglesa e francesa; além dessas, vivem nele pessoas das etnias escocesa, irlan desa, alemã, italiana, chinesa, nativos da América do Norte, entre outras. Essa diversidade é resultado da política de imigração do país, que faz com que quase 22% da população seja de ori gem estrangeira (2019).

Quebec é a província francesa do Canadá, e a maioria da população do país é urbana. As grandes cidades estão localizadas no centro-sul e no sudeste do país, regiões próximas aos Grandes Lagos e ao Vale do Rio São Lourenço.

O Canadá tem uma das mais baixas densidades demográficas do mundo, apenas 4,2 hab./km² (2020), configu rando-se como um país pouco populoso e pouco povoado.

Indicadores sociais e econômicos

Os Estados Unidos, que integram os países do Norte na regionalização Nor te-Sul do mundo, têm bons indicadores sociais e econômicos. Estão entre as dez primeiras nações do planeta, com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida; no entanto, encontram-se no segundo grupo de países com maior desi gualdade. Observe o mapa da página seguinte com os índices globais de IDH.

O Canadá tem o padrão socioeconômico mais elevado do continente americano e, assim como os Estados Unidos, integra os países do Norte na regionalização Norte-Sul do mundo. Apresenta um dos dez mais elevados IDHs, 0,929, que você pode observar no mapa acima (dados de 2017). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida e o país apresenta menos desigualdade que seu vizinho do sul. O perfil etário estadunidense mostra que a maioria da população está na faixa de 25 a 54 anos, totalizando 38,92%. O crescimento populacional anual é de apenas 0,7% (2021). No Canadá, o perfil etário indica que a maioria da população também está na faixa de 25 a 54 anos (39,81%), e o crescimento populacional anual também é de 0,7% (2021). Veja, na tabela a seguir, alguns indicadores socioeconômicos dos dois países que compõem a América Anglo-Saxônica.

Principais características naturais da América Anglo-Saxônica

Os Estados Unidos e o Canadá têm grande diversidade de paisagens, resultan tes da interação entre suas formas de relevo, seus tipos climáticos e suas forma ções vegetais. Conheça mais sobre essa diversidade a seguir.

O relevo e a hidrografia

Os territórios do Canadá e dos Estados Unidos apresentam, em sua maior parte, baixas altitudes e contrastes evidentes entre suas porções leste e oeste. Analise o mapa a seguir e conheça algumas das principais regiões naturais do continente.

Montanhas e planaltos antigos do leste 

Essa área da América Anglo-Saxônica abrange o Planalto Laurenciano e os Montes Apalaches, um conjunto de montanhas e planaltos muito antigos e desgastados. Por isso, as altitudes são moderadas.
Montanhas jovens do oeste Estão situadas em uma extensa área de contato entre as placas tectônicas do Pacífico e Norte-Americana. Nessa re gião, no período terciário da Era Ceno zoica (entre 65 e 2 milhões de anos atrás), formaram-se as Montanhas Ro chosas, uma ampla cadeia que se esten de no sentido norte-sul.

Cânions 

Também na porção oeste dos Estados Unidos, encontramos o Grand Canyon, formado em áreas de rochas sedimenta res que, no decorrer de milhões de anos, vêm sendo desgastadas pelas águas do Rio Colorado, que percorre a região. Os processos erosivos desenham longos e profundos vales em forma de cânions.

Planícies centrais 

No centro da América Anglo-Saxônica estão localizadas extensas áreas de planí cie. Nelas, destaca-se o Rio Mississippi, que forma uma densa rede hidrográfica, com seus afluentes vindos dos Montes Apala ches a leste e das Montanhas Rochosas a oeste. Esse rio exerce um papel relevante para a navegação e a economia da região.

O clima e as formações vegetais 

A variedade climática da América Anglo-Saxônica, aliada a outros fatores, como o relevo, proporciona a existência de formações vegetais diversificadas, ainda que, atualmente, boa parte delas se encontre intensamente transforma da pela ação humana.
As montanhas localizadas na porção oeste da América Anglo-Saxônica representam uma barreira para as massas de ar que vêm do Oceano Pacífico em dire ção ao interior do território. Essa barreira bloqueia a umidade das chuvas e contribui para a formação de áreas com predomínio dos climas desértico e semiárido. A corrente marítima fria da Califórnia, que atua na porção oeste da região, reduz a evaporação e também favorece a existência de climas mais frios e secos nessa porção.

Nos territórios localizados na porção norte da América Anglo-Saxônica, registra-se a presença de climas mais frios (frio e polar), visto que há menor incidência direta de radiação solar nas áreas de elevada latitude. 
As condições do relevo e a corrente marítima quente do Golfo, por sua vez, propiciam a entrada de ventos úmidos e a formação de climas mais chuvosos e amenos na porção leste dos Estados Unidos, onde predominam os tipos climáticos temperado e subtropical.
As diferentes formações vegetais da América Anglo-Saxônica estão associadas à atuação dos tipos climáticos na região.

Tundra 

No extremo norte do continente, predomina a vegetação de Tundra, composta de musgos e liquens e que se adapta às áreas de ocorrência de clima polar. Nessas regiões, a superfície do solo permanece coberta de gelo durante a maior parte do ano. Nos curtos períodos de verão, quando o gelo derrete, a vegetação floresce e se reproduz. Logo depois, quando reinicia o longo inverno, a Tundra volta a desaparecer sob o gelo.

Floresta Boreal (Taiga) 

Desenvolve-se em regiões de clima frio, com apenas duas estações: um inverno longo e um verão curto. Nessas áreas, destacam-se as coníferas, que, de maneira geral, permanecem com suas copas esverdeadas mesmo durante os períodos mais frios.

Floresta Temperada 

Vegetação típica das áreas onde pre domina o clima temperado, marcado por quatro estações do ano bem definidas. Ocorre no litoral chuvoso da porção noroeste da América Anglo-Saxônica, as sim como na porção centro-leste. A vegetação dessa floresta é composta, principalmente, de espécies caducifólias, isto é, que perdem suas folhas nas esta ções frias (outono e inverno) e as retomam nas estações quentes (primavera e verão). Atualmente, essa vegetação está intensamente alterada pela ação humana.

Vegetação de Estepes e Pradarias 

Desenvolve-se na região central dos Estados Unidos, onde se verifica o predomínio de condições climáticas mais áridas. É caracterizada pela vegetação rasteira, predominantemente composta por gramíneas e herbáceas.

Deserto 

Ocorre nas regiões em que atua o clima desértico, muito seco ao longo de to do o ano. Nessas áreas, há poucas espé cies de animais e plantas. Destacam-se, nesse sentido, as plantas adaptadas à escassez de água.

Vegetação Mediterrânea 

Desenvolve-se no litoral sudoeste dos Estados Unidos, onde o clima proporciona verões quentes e secos e chuvas con centradas no inverno. É caracterizada por plantas de pequeno e médio portes, adaptadas a períodos secos. 

Vegetação de alta montanha 

Ocorre em áreas de altitude elevada, nas montanhas da região oeste dos Esta dos Unidos e do Canadá. Varia conforme a altitude, com predomínio de gramíneas e arbustos nas porções mais baixas e musgos e liquens nas partes mais altas.

Economia

Estados Unidos 

Considerada uma das mais influentes do mundo, a economia dos Estados Unidos alcançou em 2019 o Produto Interno Bruto (PIB) de 21,4 trilhões de dólares, sendo responsável por mais de um quarto do PIB mundial. 
Os Estados Unidos integram o G7, grupo dos sete países mais ricos e industrializados do planeta. Além de serem sede de diversas empresas trans nacionais, são líderes de investimentos em Bolsas de Valores, e sua moeda, o dólar, é adotada como padrão em transações financeiras internacionais.
As exportações estadunidenses somaram cerca de 1,6 trilhão de dólares em 2019. O país é o maior exportador de produtos agrícolas do mundo, sendo responsável por, aproximadamente, 10% da economia global. Canadá, México, China e Japão são os principais compradores, e os principais produtos expor tados são: gêneros agrícolas (soja, frutas e milho), bens de capital (aeronaves, autopeças, computadores e equipamentos de telecomunicações) e bens de con sumo (automóveis e medicamentos).
No entanto, suas importações atingiram mais de 2,5 trilhões de dólares em 2019. Os parceiros que mais exportam para os Estados Unidos são China, México, Canadá, Japão e Alemanha, especialmente no que se refere a produtos agrícolas, bens de capital (computadores e autopeças) e bens de consumo (automóveis, roupas, medicamentos e brinquedos). 
Com base nesses dados, percebe-se a relevância da China para as relações comerciais com os Estados Unidos, bem como seu poder de concorrência na economia global. Nos últimos anos houve um acirramento da disputa comercial entre os dois países, especialmente no período de 2017 a 2020, o que vem resultando em uma série de negociações.

Indústria e agricultura 

Um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos é sua grande riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, carvão, gás natural, minério de ferro, cobre e bauxita. 
São o quinto maior produtor mundial de petróleo cru (quase 11,3 milhões de barris por dia), o terceiro de refinados (mais de 20 milhões de barris por dia) e o 11° em reservas de petróleo (cerca de 36 bilhões de barris), além de ocuparem o segundo lugar no maior consumo desses produtos (cerca de 18,1 milhões de barris por dia).
O país também tem a maior reserva de carvão do mundo – 23% do total –, produz cerca de 4 trilhões de kW/h por ano e é o segundo maior con sumidor mundial de energia elétrica.

A indústria estadunidense é altamente diversificada e desenvolvida. Destacam-se no setor os ramos petroquí mico, siderúrgico, automobilístico, aeroespacial, químico, madeireiro, de telecomunicações, de eletrônicos, de bens de consumo, de alimentos processados e de mineração. 
As indústrias tradicionais estão concentradas no nor deste e na área dos Grandes Lagos, região conhecida como manufacturing belt (cinturão industrial). Nela se agrupam setores como o automobilístico, o eletroeletrônico, o ali mentício, o siderúrgico, o aeronáutico e o naval. 
Nas últimas décadas, as regiões sul e oeste se trans formaram no mais novo foco de industrialização do país, por apresentarem menores custos de produção e maiores incentivos fiscais do governo. 
Essa área é conhecida como sun belt (cinturão do sol), porque tem clima predominan temente quente e ensolarado, e nela se destacam as indús trias aeroespacial e petroquímica. Na Costa Oeste há o Vale do Silício, na Califórnia, onde se concentram empresas de tecnologia de ponta, ligadas a microeletrônica, informática e robótica, além de intensa atividade de pesquisa.

Belts agropecuários 

Os Estados Unidos aprimoraram o sistema de cultivo em cinturões agrícolas, conhecidos como belts. São áreas, principalmente na Planície Central, especializadas em mono culturas, que formam o “celeiro agrícola” estadunidense. 
Os principais belts são o cinturão do algodão (cotton belt), o do leite (dairy belt), o do trigo (wheat belt), o do milho (corn belt), o da pecuária (ranching belt) e o da fruticultura (fruit belt).

Canadá: economia 

Considerado um dos países mais desenvolvi dos do mundo, com PIB de 1,6 trilhão de dólares, o Canadá também integra o G7. Cerca de 70% do valor da produção industrial canadense é proveniente das províncias de Quebec e Ontário. Os principais setores são o madeireiro (papel e celulose), o siderúrgico e o eletrônico, o de equipamentos de transporte e aviação, o de telecomunicações e informática. 
As indústrias do país – com destaque para a siderurgia, a metalurgia e a indústria de papel e celulose – estão localizadas principalmente na região dos Grandes Lagos e nos arredores de Vancouver, na Costa Oeste. 
A atividade industrial é favorecida pelos valiosos recursos minerais do subsolo canadense, como cobre, zinco e ferro, além de contar com uma grande dispo nibilidade de recursos energéticos, como petróleo, gás natural e hidreletricidade.
O Canadá é o quarto maior produtor mundial de petróleo cru (mais de 5,1 milhões de barris por dia) e o terceiro em reservas de petróleo (cerca de 168,1 bilhões de barris). 
O país é um grande exportador de riquezas mine rais, configurando-se como o terceiro maior exportador de minérios do mundo, com destaque para o alumínio, o zinco, o ferro e o chumbo. 
A intensa exploração de madeira da Floresta Boreal oferece matéria-prima à indústria de papel e celulose, muito desenvolvida no país, além de abas tecer cerca de metade da demanda de papel-jornal de todo o mundo.
Outra atividade econômica importante do Canadá é a agricultura mecanizada, realizada sobretudo nas áreas úmidas e férteis da Planície Central, também conhecida como prairies (pradarias). Com relevo plano e solo fértil, a planície concentra 75% das áreas de cultivo do país. 
A região dos Grandes Lagos e o Vale do Rio São Lourenço também têm agricultura desenvolvida, principalmente na produção de hortifrutigranjeiros, para abastecer seu grande mercado consumidor. 
O Canadá é considerado um dos principais produtores de alimentos do mundo, com destaque para cereais como trigo, aveia, centeio, cevada, canola e linhaça, exportados especialmente para os Estados Unidos. As exportações canadenses somam cerca de 103 bilhões de dólares (2019). Os parceiros para os quais o Canadá mais exportou, em 2019, foram Estados Unidos e China. 
O país importa mais de 120 bilhões de dólares em mercadorias (2019), sobretudo dos Estados Unidos, da China e do Japão. Canadenses e estaduni denses são importantes parceiros econômicos, mas essa relação passa por um período de crise, iniciado pelo comércio do aço.

Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)

Estados Unidos e Canadá participam de diversas organizações internacionais, entre elas, até o ano de 2018, o acordo de livre-comércio Nafta (sigla para North America Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte). 
Esse acordo se originou em 1988, com Estados Unidos e Canadá. Em 1991, os dois países assinaram o Acordo de Libera lização Econômica, formalizando sua relação comercial. O México aderiu a ele em 1992, e o Nafta entrou em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a eliminação de todas as barreiras alfandegárias entre seus signatários. 
Em mais de duas décadas, o Nafta aprofundou as relações comerciais entre seus membros, mas trouxe insatisfações de trabalhadores, empresas, políticos e especialistas. Por isso, no início de 2018, os governos dos Estados participantes do Nafta iniciaram discussões para reformar o acordo. Com o fim do Nafta, entrou em vigor o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), em 2020.



Brasil: o processo de industrialização

A indústria reúne matéria-prima, máquinas e trabalho humano; ela transforma a matéria-prima em produtos elaborados, que serão consumidos pe...