domingo, 8 de fevereiro de 2026

África: economia e conflitos


Economia africana

A maioria dos países africanos possui a economia apoiada basicamente nas ati vidades primárias: produção de gêneros agropecuários e de recursos minerais, in cluindo a extração de recursos energéticos fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
Esse modelo econômico foi introduzido a partir do século XIX, quando os colo nizadores europeus se apossaram do continente apenas para explorá-lo economica mente. Durante o período colonial, a economia baseava-se nas plantations, ou seja, grandes lavouras monocultoras de produtos tropicais voltados para exportação, e também na extração de recursos minerais e vegetais existentes em abundância no território africano. Essas matérias-primas serviam basicamente para abastecer a in dústria e o mercado consumidor europeu.
Assim, desde aquela época, a economia do continente africano voltou-se para a produção de matérias-primas destinadas ao abastecimento do mercado externo. Dessa forma, vários países da África foram inseridos na Divisão Internacional do Tra balho (DIT) como exportadores tanto de gêneros agrícolas, como café, cacau, borra cha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim, quanto de recursos minerais e energéticos.

Agropecuária

A agropecuária, que constitui uma das mais importantes fontes de renda nos países da África, ocupa atualmente parte expressiva da população economicamente ativa de muitos países do continente. Essa atividade é desenvolvida de duas formas principais: as lavouras tradicionais e as plantations.
• As lavouras tradicionais, voltadas para a produção de alimentos para o consu mo da população local, são desenvolvidas em diversas áreas do território africano. De modo geral, nessas áreas, prevalecem pequenas propriedades e técnicas rudimentares de cultivo, sendo os produtos mais cul tivados arroz, sorgo, feijão, batata, inhame e banana.
Os longos períodos de secas, a reduzida qualidade dos solos e, sobretudo, os escassos investimentos em tecnologias fazem com que a agropecuária de subsistência apresente baixa produtividade, tornando necessária a importação de alimentos para o consumo da população.
• As plantations, desenvolvidas principalmente na África Subsaariana, são extensas lavouras monocultoras cultivadas com utilização de fertilizantes, agrotóxicos e, geralmente, com grande quantidade de mão de obra. Nelas, faz-se o cultivo de produtos tropicais voltados para a exportação, como café, cacau, chá, cana-de-açúcar e amendoim. Portanto, não se destinam a servir de alimento para o consumo interno.

A atividade agropecuária no continente africano

As atividades agrárias que predominam em grande par te do continente africano são as praticadas de maneira tradicional, como a agropecuária de subsistência, a pecuária extensiva e o pastoreio nômade. 
As atividades agropecuárias comerciais, praticadas com re cursos tecnológicos mais avançados, estão restritas a certas regiões de apenas alguns países africanos, como na África do Sul, Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Serra Leoa.

Recursos minerais 

Uma das características marcantes da África é sua grande riqueza mineral. Atu almente, muitos dos seus países têm economia quase totalmente dependente da exploração de minerais e de recursos energéticos fósseis, como o carvão mineral e o petróleo. 
As principais reservas minerais (ouro, diamante, ferro, carvão mineral, bauxita) se encontram em depósitos geológicos localizados na porção centro-sul do continente, sobretudo em países como África do Sul, Zimbábue e República Democrática do Congo, e também em países localizados na costa atlântica, como Gana e Libéria. 
Entre as principais regiões produtoras de petróleo e gás natural, destacam-se as bacias sedimentares da costa oeste do continente, principalmente em Angola, Gabão, Camarões e Nigéria, e também os campos petrolíferos encontrados, por exemplo, nos desertos da Argélia, Líbia e Egito, ao norte do continente.

Atividade industrial 

De maneira geral, a atividade industrial no continente africano é pouco expressiva, tendo participação bastante restrita na exportação mundial de produtos industrializa dos. Atualmente, o continente africano responde por menos de 1% das exportações de produtos manufaturados comercializados em todo o mundo. Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial res trito no continente, podemos citar: 
• a falta de infraestrutura (vias de transporte, energia elétrica etc.), que dificulta a implantação de parques industriais mais complexos; 
• a escassez de mão de obra qualificada, que inibe a expansão das empresas; 
• a existência de um mercado consumidor de baixo poder aquisitivo, que limita o consumo da população aos bens industrializados.
Devido a esses fatores, a atividade industrial no continente africano restringe-se prin cipalmente aos setores mais tradicionais, com uso de tecnologia menos desenvolvida (alimentos, bebidas, têxteis, calçados etc.). Em geral, essas indústrias concentram-se principalmente nas maiores e mais importantes cidades do continente, entre elas Johanesburgo (África do Sul), Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria).
A África do Sul e o Egito são os dois países mais industrializados do continente africano. Assim, como os demais países subdesenvolvidos, como Brasil, México e Argentina, a industrialização desses países africanos também foi tardia, pois ocorreram somente a partir de meados do século XX.

Crescimento econômico da África

Nos últimos anos, o mundo vem presenciando o crescimento econômico de mui tos países africanos. De acordo com o Banco Mundial, em 2021, alguns países da África apresentaram um crescimento econômico maior que a média mundial, de 5,8%. Foi o caso de Ruanda e Costa do Marfim, que nesse mesmo ano cresceram 10,9% e 7% respectivamente.
Ainda de acordo com o Banco Mundial, o crescimento econômico de países africanos, sobretudo dos pertencentes à África Subsaariana, deve-se principalmente à abundância de recursos naturais e aos elevados preços mundiais de matérias-primas, como os recursos minerais.
A descoberta de novas áreas de extração de recursos como gás natural, petróleo e outros recursos minerais, em países como Moçambique, Níger e Zâmbia, vem contribuindo para o crescimento econômico do continente. Atualmente, são pou cos os países do continente que não estão envolvidos na exploração de algum tipo de minério.
Em função desse crescimento, o continente tem atraído grande número de inves tidores estrangeiros. Além da abundância de recursos naturais, o crescimento demo gráfico e a urbanização acelerada de alguns países vêm aumentando o consumo de modo geral e incentivando a entrada de empresas estrangeiras. 
Porém, para que esse crescimento econômico se reflita em desenvolvimento das condições de vida da população em geral, é necessário que os ganhos sejam rever tidos na melhoria da saúde, da educação, da infraestrutura básica, no aumento da produtividade agrícola e na geração de empregos. Dessa forma, a pobreza poderá ser reduzida significativamente.

Riquezas minerais e o interesse do capital internacional

Os países africanos, em geral, não dispõem de recursos técnicos nem financeiros ou mesmo de mão de obra mais especializada para promover a exploração dos recursos minerais e energéticos existentes em seus territórios. Em razão disso, o desenvolvimento da mineração tem sido realizado e controlado por grandes empresas estrangeiras, sobretudo europeias, estadunidenses, japonesas e chinesas, cujos lucros são enviados aos países mais ricos, onde essas empresas estão sediadas.




A urbanização no continente africano

De modo geral, os índices de urbanização na África são relativamente baixos (cerca de 40%, em média) e a maior parte da população do continente ainda vive no campo. Os países da África do norte são, em geral, os mais urbanizados (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia).
Alguns países da África subsaariana também apresentam populações majoritariamente urbanas. Sobretudo na África subsaariana, o acelerado crescimento populacional (maior do que o aumento da produção rural), o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos, entre ou tros fatores, vêm estimulando o êxodo rural, processo que tem se intensificado nas últimas décadas. Dentro desse contexto, a taxa de urbanização no continente vem crescendo em um ritmo superior ao de outros continentes – cerca de 1,3% ao ano entre 2015 e 2020.

As principais cidades e os problemas urbanos

Os fluxos migratórios campo-cidade na África têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que vêm crescendo rapidamente e intensificando os graves problemas sociais e urbanos já existentes. 
O crescimento da população urbana em um ambiente de desigualdade estimula a favelização (processo de formação de favelas). Estima-se que, em 2018, cerca de 53% da população urbana da África subsaariana vivia em favelas, muitas delas em áreas de risco.
Outros problemas urbanos envolvem a oferta limitada de serviços de saneamento básico, transporte, saúde e educação de qualidade. Na tentativa de promover a interiorização do desenvolvimento e melhorar a organização territorial, alguns países, como Costa do Marfim e Nigéria, decidiram promover melhorias em uma cidade e construir outra, para abrigar suas novas capitais – Yamoussoukro e Abuja (1980), respectivamente.
Situadas no interior de seus territórios, essas cidades destoam das grandes metrópoles desses países (Abidjã e Lagos, respectivamente) por serem servidas por redes de saneamento, transporte e comunicação eficientes.
Embora cerca de 60% da população africana ainda se concentre no espaço rural, nas últimas décadas, foi grande o número de pessoas que migrou do campo para as cidades, sobretudo para os maiores centros urbanos. Essas migrações têm sido impulsionadas por razões diversas, entre as quais se destacam: 
• o aumento da concentração de terras provocado pelo avanço das grandes la vouras monocultoras, que se apropriam de terras originalmente ocupadas por comunidades agrícolas e pastoris; 
• o desgaste e o empobrecimento dos solos (erosão, desertificação etc.), decorrentes da utilização de técnicas agrícolas rudimentares inadequadas, que diminuem a fertilidade e a produtividade das terras; 
• a ocorrência de guerras e conflitos étnicos e políticos em vários países do continente.
O processo de urbanização ocorrido recentemente no continente foi motivado sobretudo por problemas que afetam diretamente o campo e sua população. Assim, ao contrário do que ocorre em outros países e regiões do planeta, a urbanização no continente africano não está diretamente ligada ao processo de industrialização, que tende a atrair um grande contingente de pessoas do campo para as cidades.
A intensificação do êxodo rural no continente africano vem provocando o crescimento acelerado das grandes cidades, como Lagos, Cairo, Kinshasa e Luanda. Com isso, essas aglomerações passaram a crescer de maneira desordenada, desprovidas de infraestrutura e de serviços essenciais (moradias, redes de transportes, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico etc.).

Os contrastes socioeconômicos na África

Com relação ao desenvolvimento socioeconômico, os países africanos têm mui tos contrastes entre si. O principal deles pode ser observado entre os países da África do Norte e os da África Subsaariana. A região Subsaariana abrange alguns dos países mais pobres do mundo e mais de 430 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados da ONU.
São vários os fatores que explicam o quadro de baixo desenvolvimento verifica do na África Subsaariana. Entre eles, elevadas dívidas externas contraídas pelos Estados africanos, que foram agravadas por políticas públicas ineficientes e pela sucessão de governos, muitas vezes, autoritários e associados à corrupção. Além disso, há o baixo nível de industrialização, a relação de dependência econômica e tecnológica com outros países (desenvolvidos e em desenvolvimento industriali zados), as desigualdades sociais e a falta de investimentos em áreas públicas para melhorar a qualidade de vida da população.
A falta de investimentos destinados à ampliação da rede de saneamento básico, à construção de moradias e a melhorias no sistema de saúde e de educação agra va as precárias condições de vida de parte da população da África Subsaariana. Outro fator relevante é o elevado ritmo de crescimento natural da população nos países dessa região. Entre 2020 e 2025, a taxa de crescimento anual médio nos países africanos foi de aproximadamente 2,5%, a mais alta entre todos os continentes do mundo. Esse cenário contribui, por exemplo, para as elevadas taxas de desemprego em muitos países, nos quais o mercado de trabalho não consegue absorver o grande contingente de jovens em busca de oportunidades.

A sociedade e as condições de vida da população 

Em 2021, a população absoluta do continente africano era cerca de 1,3 bilhão de habitantes, o que correspondia a aproximadamente 15% da população mundial. De modo geral, os países africanos apresentam populações jovens e taxas de crescimento demográfico superiores a 2,2% (enquanto a média mundial é de aproximadamente 1,2%). 
Os indicadores sociais dos países africanos revelam as condições de vida ruins de parte de suas populações, principalmente na África subsaariana. Em 2019, o valor do IDH médio da região era de 0,547 – o menor entre todas as regiões do mundo, refletindo problemas como a baixa renda, a elevada morta lidade infantil e a falta de acesso à educação. 
A escassez de recursos para investimentos em saúde e saneamento básico, aliada à falta de políticas que priorizem a produção de alimentos para consumo interno, tende a manter baixa a expectativa de vida em muitos países da África subsaariana, contribuindo para a prevalência de doenças infecciosas como a aids (provocada pelo HIV) e a malária, assim como para a situação de insegurança alimentar à qual está sujeita uma parcela de sua população. 
Os países africanos apresentam ainda um dos piores níveis de desigualdade do mundo, com coeficiente de Gini médio de 0,43. Para comparação, os países em desenvolvimento têm, em média, coeficiente de Gini de 0,39 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre as pessoas).

A fome na África

Entre os mais graves problemas sociais que atingem a população africana, a falta de alimentos em quantidade e variedade suficientes para suprir as necessi dades nutricionais das pessoas se destaca entre os mais preocupantes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação adequada significa consumir diariamente uma quantidade mínima de calorias ne cessárias, que corresponde a 2 500 quilocalorias por dia, além de nutrientes que compõem uma alimentação balanceada para manter uma vida saudável. Milhões de pessoas no mundo vivem em condição de carência alimentar, ou seja, não ingerem a quantidade mínima de calorias recomendada pela OMS, qua dro que pode levar a problemas como a fome crônica e a desnutrição.
A maior parte das pessoas que sofre com a fome e a desnutrição vive na África e na Ásia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Ali mentação (FAO), a carência alimentar afeta cerca de 282 milhões de pessoas no continente africano, principalmente nos países da África Subsaariana.
Em muitos casos, a principal causa da fome não é a falta de alimentos propor cionada pelo crescimento da população. A produção mundial de grãos, por exem plo, seria mais do que suficiente para alimentar toda a população mundial. Nesse sentido, as principais causas da carência alimentar são a falta de recursos financei ros para adquirir alimentos e a má distribuição da produção agrícola nos campos.
A agricultura comercial, destinada à produção de gêneros para exportação, ocupa a maior parte das terras férteis da África, enquanto a agricultura tradicio nal, responsável pela produção da maior parte dos alimentos consumidos pela população, é prejudicada pela falta de apoio dos governos, que não proporcio nam créditos nem acesso a insumos e tecnologia.
Outros agravantes da fome na África são os conflitos existentes em alguns países e as mudanças climáticas, que intensificam a erosão e a desertificação dos solos. A ONU e outras organizações internacionais realizam programas com o objetivo de proporcionar ajuda humanitária à África, inclusive por meio da distribuição de ali mentos em regiões afetadas pela fome.
Embora essa ajuda seja importante para pessoas que estão em situação vulnerável, essas ações ainda são ineficientes, pois não atuam nas causas do problema da fome e prejudicam ainda mais os pequenos agricultores.

Aspectos populacionais da África

Atualmente, a África possui aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, sendo o segundo continente mais populoso do mundo (o primeiro é a Ásia, com 4,7 bilhões de habitantes). Embora numerosa, essa população encontra-se distribuída de maneira bastante desigual pelo continente.
As condições naturais exercem forte influência nessa distribuição populacional. As vastas áreas dominadas pelos desertos (do Saara ao norte e do Kalahari ao sul) e as regiões dominadas pelas densas florestas (no centro) apresentam densidade demográfica muito baixa (menos de 1 hab./km²).
As maiores concentrações populacionais localizam-se principalmente nas áreas litorâneas ou próximas a grandes rios. Entre as aglomerações urbanas mais populosas do continente, estão as cidades de Cairo (22 milhões), Lagos (15 milhões de habitan tes), Kinshasa (16 milhões), Abdjan (6 milhões) e Nairóbi (5 milhões).
Várias áreas que se estendem pelo interior do continente também apresentam po voamento relativamente elevado, com densidade demográfica de até 25 hab./km². São áreas povoadas por populações que vivem no campo e se dedicam principalmente às atividades agropecuárias.
A população africana é formada por uma grande variedade de etnias. Calcula-se que no continente existam cerca de 800 grupos étnicos diferentes e mais de 2 000 línguas nativas, além das línguas dos colonizadores europeus, como francês, inglês e português.
Com relação aos aspectos religiosos do continente, a situação não é diferente: há inúmeras crenças, como Islamismo, Catolicismo, Hinduísmo e Animismo.
Atualmente, cerca de 60% da população africana vivem no campo. No entanto, a maioria dos países do continente vem se urbanizando rapidamente, em razão de fatores como a má distribuição de terras, as mudanças climáticas e a busca por oportunidades de geração de renda nas economias urbanas. Consequentemente, os principais centros urbanos do continente, com desta que para Lagos (Nigéria), Cairo (Egito), Kinshasa (República Democrática do Congo), Luanda (Angola) e Dares Salaam (Tanzânia), têm crescido em ritmo acelerado e, nas próximas décadas, devem estar entre as maiores aglomerações urbanas do mundo.
Esse crescimento acaba por intensificar problemas urbanos já vivenciados pela maioria dessas cidades, como trânsito, poluição, violência e falta de acesso a serviços básicos de saneamento, educação e saúde. Nas periferias dessas cidades, por exemplo, o que existe é o crescimento descontrolado de bairros com precária infraestrutura.

O crescimento demográfico acelerado 

Uma característica de muitos países africanos é a alta taxa de crescimento demo gráfico, o que se explica pela combinação dos seguintes fatores: 
• a manutenção da taxa de fecundidade em nível elevado; 
• a queda gradativa da taxa de mortalidade infantil (menores de 1 ano).
Por conta disso, a população africana vem aumentando em ritmo bastante acelerado, o que explica a alta proporção de crianças e jovens na população. Por outro lado, a proporção de adultos e idosos na população, principalmente na África Subsaariana, é relativamente pequena, o que se deve à baixa expectativa de vida (em torno de 63 anos), decorrente das precárias condições socioeconômicas e também dos conflitos e guerras que afetam várias regiões do continente.

A independência e os novos conflitos na África

A independência dos países africanos evidenciou a fragilidade desses novos Estados diante da economia e da geopolítica mundial. Tais nações passaram a participar da Divisão Internacional do Trabalho (DIT) como fornecedoras de matérias-primas, dependentes de tecnologias, recursos financeiros e gêneros industrializados oriundos dos países desenvolvidos.
Diversos outros desafios passaram a afetar, em maior ou menor intensidade, os países africanos a partir de sua independência. Entre eles, podemos citar a pequena diversificação econômica, o baixo nível de industrialização, o endivida mento excessivo, a carência de mão de obra qualificada, a corrupção governa mental e a falta de abertura democrática, com diversos países tendo vivenciado longos períodos de ditadura.
A manutenção de governos ditatoriais, muitos dos quais perduram até hoje, tem gerado conflitos internos que não garantem melhorias na qualidade de vida da população. Muitos desses governos têm se mantido há décadas por meio de autoritarismo e até mesmo fraudando eleições, como ocorre em Uganda e Chade.

Os conflitos na África

O continente africano tem sido palco de intensos conflitos causados por disputas étnicas e territoriais, que envolvem questões históricas e políticas ligadas ao processo de formação dos Estados nacionais africanos. Durante aproximadamente três séculos, a partir do século XVI, muitos africa nos foram escravizados e levados de modo forçado para trabalhar nas colônias europeias. Depois, nas últimas décadas do século XIX, a África passou a ser efetivamente ocupada e explorada pelas potências marítimas e industriais europeias. Essas metrópoles tinham interesses estritamente econômicos e visavam explorar, em grande escala, os recursos naturais da África, como o ouro e o diamante, e utilizar suas terras para o cultivo de la vouras tropicais, como chá, café e cacau. Assim, em 1885, a Conferência de Berlim estabeleceu a partilha do território africano en tre as potências europeias.
Como forma de assegurar o domínio sobre seus territórios, as potências europeias se apressaram em traçar as fronteiras nos domínios coloniais que começavam a ocupar. 
As fronteiras estabelecidas pelos europeus, no entanto, foram traçadas arbitra riamente sobre os territórios, sem levar em consideração as áreas ocupadas pelas populações dos diferentes grupos étnicos e culturais que viviam no continente. Desse modo, as fronteiras estabelecidas passaram a abrigar povos com culturas muito distintas, e até mesmo povos inimigos; por outro lado, separaram povos culturalmente semelhantes. 
A divisão da África entre as metrópoles europeias gerou consequências profundas na organização social, política e econômica dos povos africanos. Os colonizadores impuseram sua língua e seus costumes, julgando inferior a cultura dos povos nativos. Ao tentar resistir à invasão dos europeus, os grupos foram violentamente reprimidos e massacrados pela superioridade bélica e militar dos colonizadores, que provocaram o extermínio de muitos grupos.

A descolonização e a eclosão dos conflitos 

Quando as colônias africanas iniciaram os processos de independência, ao longo do século XX, muitos dos limites territoriais dessas colônias foram mantidos, en quanto o poder político e militar foi transferido das metrópoles para as elites locais. Em muitos casos, essas elites se mantiveram no poder por meio de governos autoritários e corruptos.
A desorganização étnico-cultural herdada do traçado dessas fronteiras é uma das principais causas dos inúmeros conflitos e guerras civis que, historicamente, assolam muitos países africanos. Entre esses conflitos, podemos destacar os ocorridos em Ruanda, Angola, Nigéria e República Democrática do Congo.
Durante a partilha da África, no século XIX, as nações europeias estabeleceram, de acordo com os próprios interesses, fronteiras políticas coloniais que não respeitavam os territórios culturais preexistentes. Após a descolonização do continente, a manutenção dessas fronteiras levou à formação de Estados com populações multiétnicas, que não representavam nações do ponto de vista cultural.
Além das disputas e rivalidades étnicas e religiosas resultantes da manutenção das fronteiras coloniais, outros diversos fatores contribuem para a ocorrência de conflitos armados no continente africano. Entre eles, podemos citar as disputas pela apropriação das riquezas naturais do continente, a atuação de milícias rebeldes e de grupos de guerrilha clandestinos e os interesses de países estrangeiros que, para atender aos seus próprios objetivos, apoiaram, em muitos casos, governos corruptos e até mesmo golpes de Estado na África. 
Entre a segunda metade do século XX e os dias atuais, diversos conflitos no continente africano ocorreram devido às razões citadas anteriormente. Alguns deles seguem em curso, resultando em milhões de refugiados. É o caso de Darfur, região no oeste do Sudão que, desde 2003, vivencia conflitos que já geraram mais de 300 mil mortes e 2,5 milhões de refugiados. 
Em Darfur, a população é etnicamente distinta do resto do país, demonstrando tendências separatistas. O governo do Sudão, controlado pela maioria árabe, opõe-se de forma veemente ao separatismo e é apoiado pela China, que é o principal impor tador de petróleo sudanês. Além disso, milícias apoiadas pelo governo são acusadas de atos de violência contra a população civil em Darfur, e observadores internacio nais relatam a ocorrência de um genocídio étnico da população não árabe.
Diversas organizações regionais e internacionais atuam na mediação e na reso lução de conflitos na África, assim como na prestação de assistência a refugiados e populações vulneráveis em razão desses conflitos. 
A União Africana (UA), organização criada em 2002 e da qual fazem parte todos os países africanos, tem um órgão destinado apenas à manutenção da paz no continente: o Conselho de Paz e Segurança da União Africana, que, em diversos casos, já autorizou o envio de forças de paz, integradas por soldados de países membros, para regiões de conflito. 
A Organização das Nações Unidas (ONU), também atua no continente africano por meio de missões de paz que são desenvolvidas para promover a segurança e prestar assistência às populações afetadas pelos conflitos. 
Populações e regiões assoladas por conflitos na África também recebem ajuda humanitária internacional na forma de doações de recursos materiais e financei ros, assim como por meio de programas desenvolvidos por agências humanitá rias da ONU e por organizações não governamentais (ONGs) como a Médicos Sem Fronteiras e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 
De modo geral, essas organizações internacionais ajudam pessoas afetadas por situações que violam os direitos humanos, como a insegurança alimentar, problema que acaba se intensificando devido à ocorrência de guerras, perseguições étnicas e deslocamentos em massa. 


A descolonização e o neocolonialismo na África

O neocolonialismo e a descolonização 

O fim do século XIX e o início do século XX foram marcados pela disputa imperialista entre os países industrializados por novas fontes de matérias-primas e pela ampliação do mercado mundial. As necessidades criadas nessa etapa de desenvolvimento capitalista levaram à partilha dos territórios africanos e de parte do continente asiático entre as grandes potências europeias, em um processo conhecido como neocolonialismo. 
Nesse processo de expansão do capitalismo, a partilha da África acarretou, em boa parte, a desestruturação do modo de vida e da organização política e administrativa dos Estados-nação africanos. 
No final da Segunda Guerra Mundial, apenas Egito, África do Sul, Etiópia e Libéria eram independentes. Essa independência, porém, se dava apenas na esfera política, pois esses países se mantinham sob o domínio econômico e militar do Reino Unido (Etiópia, Egito e África do Sul) e dos Estados Unidos (Libéria). 
Após o término da Segunda Guerra Mundial, ocorrido em 1945, e com o enfraquecimento dos países europeus, as reivindicações dos próprios africanos interessados na independência mudaram radicalmente a situação. 
A Guerra Fria contribuiu para esse processo, pois, em busca de ampliar suas áreas de influência no mundo, tanto os Estados Unidos como a União Soviética apoiaram movimentos nacionalistas por toda a África.
A descolonização teve início na Líbia, ainda em 1951, ganhando força somente a partir de 1958, com a independência de Gold Coast (atual Gana). 
A partir de 1950, no pós-Segunda Guerra Mundial, teve início o grande movimento de descolonização da África. Em 1951, a Líbia se tornou independente; em 1957, a antiga Costa do Ouro (atual Gana); em 1958, o Senegal; em 1960, a Nigéria, o Níger e a Costa do Marfim; em 1963, a Tanzânia. Nos anos 1970, libertaram-se Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Em 1977, o Território dos Afar e Issa (antiga Somália Francesa) tornou-se independente da França, adotando o nome de República do Djibuti.
Ao longo das décadas seguintes, diversos países africanos conquistaram a independência, a maioria na década de 1960. Alguns alcançaram esse objetivo de forma pacífica; já outros, como Angola e Argélia, somente após duros conflitos travados com Portugal e França, respectivamente.
De modo geral, os países africanos se tornaram independentes sem a existência de uma identidade nacional. Isso ocorreu porque as fronteiras do colonialismo foram mantidas, resultando em países com populações etnicamente diversas, que não compartilhavam de uma identidade nacional, sobretudo do ponto de vista cultural, resultando, em alguns casos, em conflitos internos.

As dificuldades pós-independência 

Apesar de terem obtido sua independência, os países africanos ainda hoje enfrentam sérias dificuldades para manter sua autonomia política e promover a independência econômica e social em relação às ex-metrópoles ou às grandes potências mundiais. 
Na partilha colonial da África, não foram consideradas nem respeitadas as particularidades das diversas nações africanas. Em alguns casos, essas nações foram totalmente separadas; em outros, foram agrupadas sob a mesma administração de um Estado-nação europeu.
Como reflexo do baixo nível de desenvolvimento socioeconômico e da enor me dependência externa, combinados com a desestruturação do sistema políti co-administrativo das nações ou Estados autóctones, desencadeou-se uma série de conflitos entre as diferentes nações africanas após sua independência. 
Esses conflitos envolvem, de modo geral, nações rivais que competem pelo poder central de um território ou nações separadas por limites determinados pelas potências europeias que lutam contra o poder central dos territórios que habitam. 
A busca pelo controle de áreas territoriais nas quais há abun dância de recursos minerais, como ouro e diamantes, terras cultiváveis ou, ainda, que apresentam condições favoráveis para a criação de animais também é um elemento que con tribui para a intensificação e a continuidade dos conflitos. Nesse contexto, são recorrentes os casos de corrupção e desvio de recursos do Estado por parte das elites que contro lam – frequentemente, de modo autoritário – o poder político em muitos Estados-nação do continente africano.
No contexto dos conflitos internos que atingem os países africanos, é preciso ressaltar o fornecimento de armas por parte de países desenvolvidos. Um exemplo é o conflito entre hutus e tutsis em Ruanda, antiga colônia da Bélgica. Na época da colonização, os belgas fomentaram rivalidades entre as duas etnias, e os tutsis desfrutavam certos privilégios. Após a independência, em 1962, sob liderança hutu, os tutsis foram fortemente perseguidos. Muitos exilados dessa nação formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) e retornaram em 1990, dando origem a uma guerra civil.
A guerra civil se intensificou em 1994, após a morte de um presidente hutu em um acidente aéreo quando retornava da Tanzânia, onde havia realizado uma negociação de paz com os rebeldes tutsis da FPR. O novo governo ruandês hutu promoveu um genocídio da população tutsi. Centenas de milhares de tutsis foram mortos e cerca de 3 milhões buscaram refúgio nos territórios de países vizinhos.
Diante desse quadro, em julho de 2002, governantes africanos formaram a União Africana (UA) –, em substituição à Organização da Unida de Africana (OUA). A iniciativa propôs a criação de um Parlamento continental, um tribunal pan-africano, um Banco Central e um Conselho de Paz e Segurança com uma força de manutenção da paz, que atua em conflitos no continente. Tam bém fazem parte dos termos da proposta a integração econômica e uma possível união monetária.
A instabilidade política, a enorme incidência de casos de Aids, a situação de pobreza e as fortes desigualdades sociais, além do baixo nível educacional e de desenvolvimento tecnológico da maior parte dos países africanos, são grandes desafios à concretização das propostas estabelecidas pela União Africana. Outro aspecto que requer atenção por parte dos governantes africanos é a melhoria da infraestrutura das redes de transportes e telecomunicações.
Para atingir gradativamente seus objetivos, a organização encaminha acordos estabelecidos pelos Estados-nação africanos com organismos internacionais (como o FMI) e países desenvolvidos para obtenção de empréstimos, investimentos e ajuda internacional. 
Entretanto, a aplicação de recursos financeiros está sempre vinculada a mudanças na estrutura política e socioeconômica dos países africanos, como a abertura de suas economias para o capital estrangeiro, o que significa facilitar a entrada de empresas transnacionais para extração de recursos minerais e energéticos, investimentos em infraestrutura e compra de terras cultiváveis, por exemplo. Os países mais procurados por empresas estrangeiras para compra ou locação de terras são Etiópia, República Democrática do Congo, Tanzânia e Moçambique.
A ocupação da África no século XIX, durante a expansão imperialista, já havia ocasionado impactos negativos na produção das culturas de subsistência em regiões com solos mais férteis, em razão da implementação das monoculturas de exportação, ainda presentes nos territórios de muitos países africanos. Nos últimos anos, China, sobretudo, mas também Índia, Brasil, Japão e países europeus estreitaram relações com Estados-nação africanos por meio de investimentos em diversos setores, inclusive no setor agropecuário.
Além da desestruturação da agricultura familiar, a expansão agrícola empre endida por empresas estrangeiras tem trazido consequências como a degrada ção ambiental, o êxodo rural e alteração das relações de trabalho no campo, com o aumento do trabalho assalariado e, principalmente, do trabalho eventual, em que o trabalhador é contratado por um período determinado do ano ou etapa da produção. Em decorrência da modernização no campo, houve, na primeira déca da do século XXI, uma redução de 10%, em média, da força de trabalho dedicada à agropecuária no continente africano. Nesse contexto, diversos Estados-nação africanos passaram a integrar outras redes de produção, distribuição e comercia lização de produtos agrícolas das corporações transnacionais.
Ao obter recursos do FMI, os países têm de reduzir gastos do Estado a fim de gerar superávits nas contas governamentais, necessários para o pagamento dos juros dos empréstimos. Essa situação leva muitos governos a reduzir investimen tos em setores prioritários, como o da saúde. Segundo um levantamento feito por pesquisadores das Universidades de Cambridge e de Oxford, nas duas primeiras décadas deste século, as despesas com saúde não se ampliaram e houve estag nação nos indicadores de mortalidade em países da África Ocidental, como Gana, Guiné, Libéria, Serra Leoa, Guiné-Bissau e Gâmbia.

Os interesses das grandes potências 

Frequentemente, os conflitos étnicos e as guerras civis que se desenrolam na África encobrem interesses de grandes potências, sobretudo em relação aos recursos naturais existentes nos países africanos. 
Exemplo disso é o caso da região de Darfur, localizada no oeste do Sudão, cujas reservas petrolíferas, entre outros recursos minerais, geraram o interesse de países como Estados Unidos e China. 
Até o começo de 2018, o conflito, iniciado em 2003, já havia provocado a morte de mais de 300 mil pessoas, deixado cerca de 3 milhões de refugiados, tanto interna quanto externamente, e 1,3 milhão de pessoas afetadas pela insegurança alimentar, de acordo com a ONU. Acordos de paz foram estruturados, mas fracassaram, assim como a missão de paz da ONU, enviada no início de 2008, corria o risco de também fracassar.
Muitos dos desabrigados do Sudão fugiram para outros países da África. No final de 2017, havia cerca de 320 mil instalados no Chade. A região de Darfur enfrenta secas prolongadas e convive com disputas entre grupos re beldes locais e milícias, como a Janjaweed, pelas escassas áreas de terras férteis cultiváveis e com o fracasso das políticas agrícolas implementadas pelo governo central. 
Nesse contexto, grupos rebeldes de Darfur organizaram um movimento se paratista, acusando o governo do país, formado pela elite islâmica, de negligen ciar a região. A reação do governo veio com o apoio à milícia Janjaweed, que em preendeu uma verdadeira “limpeza étnica”, destruindo aldeias e promovendo a matança de milhares de agricultores e estupros em massa. 
A solução definitiva para o conflito esbarra em uma série de problemas: a quantidade de milícias existentes, o grande número de refugiados, o crescimento dos grupos rebeldes, a proliferação de armas na região e o desinteresse do go verno central, cujo presidente é um general que está no poder desde 1989. Esse governo tem estreita relação com a China, que compra cerca de 60% do petróleo sudanês e vende armamentos para o Sudão.
Situações semelhantes à de Darfur são comuns nos países africanos que se tornaram independentes, como ocorreu em 1966, na Nigéria — um dos países mais populosos da África. Quando os ingleses estabeleceram as fronteiras da recém-independente Nigéria, em 1960, aproximadamente 250 etnias conviviam dentro de seu território, o que dificultava muito a unidade nacional. 
Em 1966, um dos três maiores grupos étnicos, o dos igbos, derrubou o governo nigeriano, instalando-se no poder. Repelidos por um golpe militar em 1967, os igbos, que viviam no território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, decidiram proclamar-se independentes, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão do envolvimento de interesses europeus nesse conflito, a guerra civil nigeriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra.
A separação de Biafra foi estimulada por uma petrolífera francesa, interes sada na exploração de petróleo na região. Enquanto essa empresa estimulou a separação, ficando ao lado dos igbos, outras empresas apoiaram o poder central nigeriano, a fim de evitar que a concorrente francesa obtivesse a concessão da exploração do produto. 
Atualmente, no norte da Nigéria, ocorre um conflito de caráter religioso. O grupo islâmico Boko Haram, criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf em 2002, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico. 
Em nome dessa luta, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em massa. Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ocidentais. Em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio.

A conquista da África pelos europeus

O desenvolvimento do capitalismo comercial no século XVI desencadeou a expansão ultramarina europeia. Por meio das Grandes Navegações, os europeus passaram a dominar territórios em outros con tinentes e neles praticar a pilhagem de recursos.
Até o início do século XIX, no entanto, em razão da resistência das populações nativas e das dificuldades impostas pelo meio natural, sobretudo devido à ocorrência de malária, a exploração da África não ultrapassou as áreas litorâneas, onde eram obtidos metais preciosos e também africanos escravizados, que poste riormente eram transportados às colônias americanas. A região próxima à costa ocidental da África foi a principal fornecedora de africanos para o tráfico de escravizados. Estima-se que cerca de 15 milhões de africanos foram capturados e enviados a colônias americanas.

O século XIX e a partilha da África

A Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, primeiro na Inglaterra e depois em países como França, Bélgica e Alemanha, acarretou significativas mudanças no espaço geográfico mundial. Além de intensificar as relações comerciais de pro dutos industrializados, ampliou a necessidade de novas fontes de matérias- -primas e mercados consumidores.
Buscando suprir essas necessidades e com o objetivo de ampliar a dominação política e cultural sobre outros povos do mundo, várias nações europeias, como França, Portugal e Inglaterra, passaram a desenvolver, a partir do século XIX, uma nova fase do expansionismo voltada para a colonização da África, da Ásia e da Oceania, conhecida como imperialismo.
Para legitimar o imperialismo do século XIX, os europeus chamaram esse período de missão civilizadora. De acordo com as potências europeias, cabia aos colonizadores europeus repassar seus conhecimentos científicos, religiosos e cul turais para que fossem incorporados ao modo de vida dos povos dominados, pois do ponto de vista europeu tais povos eram considerados selvagens ou “atrasados”, e por isso era preciso civilizá-los.
Entre 1884 e 1885, uma série de encontros diplomáticos ocorreram no contexto da Conferência de Berlim, resultando no início do processo de divisão territorial da África entre as principais potências europeias.
Até 1914, ano que daria início à Primeira Guerra Mundial, praticamente todos os territórios africanos foram colonizados pelas potências europeias, dando ori gem à divisão do continente evidenciada no mapa desta página (após a guerra, as colônias alemãs foram passadas para o Reino Unido e a Bélgica).
O imperialismo na África resultou na formação de colônias cujos limites não coincidiam com as fronteiras cul turais dos povos e reinos já estabele cidos no continente. Dessa forma, di ferentes etnias foram agrupadas em um mesmo território colonial ou tiveram seus territórios culturais separa dos entre duas ou mais colônias.
Durante o imperialismo, parte do valor excedente proveniente da atividade industrial na Europa foi direcio nada à África sob a forma de financia mentos para a construção de obras públicas, como escolas, hospitais, ferrovias, rodovias e portos. Essas obras de infraestrutura tinham como objeti vo a ampliação do grau de exploração das atividades minerais, energéticas e agrícolas do continente.
No entanto, a estrutura econômica das colônias beneficiava somente os europeus. Os africanos eram tratados como reserva de mão de obra nas colônias, trabalhando em plantations ou em áreas mineradoras exploradas por empresas coloniais europeias.

A África no contexto da economia globalizada

Os governos que se estruturaram após os processos de independência foram, de modo geral, marcados pelo autoritarismo e pela corrupção. Além ...