quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

América do Sul: economia

Os países sul-americanos têm uma economia muito variada, apesar da herança colonial, da história comum de desigualdades sociais e da influência política, econômica e cultural dos Estados Unidos desde o início do século XX.
Há, por exemplo, países emergentes com um parque industrial relativamente diversificado, como o Brasil, a Argentina, o Chile e a Colômbia, enquanto em outros, menos desenvolvidos, predominam as atividades minerais e agrárias, como a Bolívia, o Equador, o Paraguai e a Guiana.
No setor agrícola dos países sul-americanos há agroindústrias que utilizam tecnologia avançada na produção de alimentos, biocombustíveis e matérias-primas para indústrias de papel, móveis, químico-farmacêuticas, etc. Ao mesmo tempo, há regiões em que prevalece a agricultura tradicional apenas para o consumo da própria família.
Nos países emergentes, o parque industrial é integrado à economia mundial em diversos setores, como o de bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários (aço, celulose, derivados de petróleo etc.) e bens de consumo (automóveis, eletrônicos, vestuário, alimentos, etc.). Além disso, contam com investimento de capital privado nacional e estrangeiro, além de capital estatal.

O Produto Interno Bruto

O Brasil é o país que possui o maior PIB do subcontinente, mais de três vezes maior que o segundo colocado, a Argentina. Em todos os países, o setor de serviços (que inclui o comércio) é o que mais contribui na composição do PIB e também o que ocupa mais mão de obra. Novamente, é o Brasil a economia em que esse setor tem mais peso, seguido pela Argentina.
Já nos países em que a agricultura ainda tem grande participação no PIB, como é o caso do Paraguai e da Guiana, a participação dos serviços se reduz um pouco, mas ainda é predominante.
Durante a alta do preço das commodities nos anos 2000, as economias dos países sul-americanos cresceram com taxas elevadas, o que contribuiu para a redução do desemprego e a melhoria das condições gerais de vida da população. 
No entanto, após a passagem desse ciclo de alta (e também como resultado de políticas econômicas malsucedidas), desde 2010 as economias dos países sul-americanos vêm reduzindo o ritmo de crescimento, com alguns países passando por recessão econômica. Em 2018, a pior situação é a da Venezuela, cujo PIB vem encolhendo fortemente desde 2014.

Agropecuária

Os dois países que dispõem das maiores extensões de terras agrícolas são o Brasil e a Argentina. No Brasil, pratica-se agricultura mecanizada em grandes propriedades no estado de São Paulo, com destaque para a cana-de-açúcar (produção de açúcar e etanol) e nos estados da região Centro-Oeste, com destaque para o cultivo de soja e milho.
Esses dois cultivos também são desenvolvidos no Paraná e no Rio Grande do Sul e a soja tem sido muito cultivada no oeste da Bahia. Vale destacar ainda o cultivo de café em grandes e médias propriedades no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo (nesses estados o grau de mecanização é menor devido ao relevo montanhoso).
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricul tura (FAO), em 2016 o Brasil era o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de café, o segundo produtor de soja e o terceiro de milho. Essa produção em grande parte é voltada para a exportação. No Brasil central também se concentra a maior parte dos 218 milhões de cabeças que compõem o rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, outro produto importante na pauta de exportação brasileira.
A modernização das atividades agrícolas reduziu sensivelmente a utilização de mão de obra empregada no setor primário da economia. Sem contar que dos poucos que permanecem empregados se exige maior qualificação: hoje em dia, a agricultura moderna emprega engenheiros agrônomos, técnicos em agricultura, tratoristas, mecânicos de máquinas, etc.
Na Argentina, a agricultura mais importante encontra-se na região da planície dos Pampas, com destaque para a soja (terceiro produtor mundial), o milho (quarto produtor) e o trigo, cultivados em grandes propriedades com alto grau de mecanização. Esses produtos aparecem, respectivamente, na pauta de exportação de ambos os países, sendo que o Brasil importa trigo argentino. A Argentina também se destaca como grande produtor e exportador de carne bovina.
Outro país que tem uma agricultu ra relevante é o Chile, com destaque para a fruticultura – uva, pêssegos, peras, cerejas, entre outras. As frutas têm um grande peso na pauta de exportação chilena, só ficando atrás do cobre. A agricultura chilena se concentra na região central, pois o sul é muito frio e o norte é muito árido e ocupado pelo deserto de Atacama.

Recursos minerais e indústria

Em conjunto, os países do subcontinente produzem quase todos os produtos minerais e energéticos de que necessitam. A produção de petróleo é relevante no Brasil, na Venezuela e na Colômbia. Este país e o Brasil, apesar de não serem membros da Opep, também são exportadores de petróleo.
Vale destacar a produção de minério de cobre, no Chile e no Peru; de estanho e gás natural, na Bolívia; e de ferro, manganês e bauxita, no Brasil. Esses recursos minerais têm grande importância na pauta de exportações dos respectivos países. A Venezuela, cuja economia passa por profunda crise desde 2014. Segundo estimativas do Banco Mundial, suas exportações caíram de 65,7 bilhões de dólares em 2010 para 23,9 bilhões de dólares em 2017. Isso se deve à desagregação socioeconômica que o país vive. Cerca de 95% da pauta de exportação da Venezuela é composta de petróleo.
As maiores regiões industriais se localizam no Brasil e na Argentina, as duas maiores e mais industrializadas economias sul-americanas. No Brasil a indústria contribui com 18% do PIB, e emprega 28,2% dos trabalhadores e 10,1% das traba lhadoras; na Argentina esse setor é responsável por gerar 22% do PIB e em pregar 34,1% dos trabalhadores e 8% das trabalhadoras no país.
No Brasil, a produção industrial é muito diversificada e, embora tenha se espalhado pelo território, ainda está bastante concentrada nas regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, farmacêuticas, etc.
Na Argentina, a maior concentração industrial encontra-se no eixo formado pela região metropolitana de Buenos Aires e a cidade de Rosário, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, etc. 
No entanto, o eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba – a segunda cidade mais populosa, após a capital –, forma a mais importante região de diversificação industrial do país. Além dessas duas regiões industriais principais, há outras concentrações menores na América do Sul.
Sobretudo no Brasil, há polos industriais de alta tecnologia, com destaque para a região de Campinas (SP). Nessa cidade do interior paulista existe um importante tecnopolo em torno da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outros centros de pesquisa, que formam mão de obra qualificada para trabalhar nas indústrias da região (eletrônicas, telecomunicações, mecânicas, biotecnologia, entre outras), assim como produzem avanços científico-tecnológicos, fruto de suas pesquisas.

Turismo

No setor de serviços, uma das atividades que mais tem crescido e gerado renda na América do Sul é o turismo. Em todos os países sul-americanos, os setores de comércio e serviços são os que empregam maior percentual da população economicamente ativa.
O subcontinente tem diversas cidades históricas tanto do período pré-colombiano como do período colonial, que atraem muitos turistas interessados principalmente na arquitetura das construções, que imprimem na paisagem as marcas de outros tempos.
Além disso, pelo extenso litoral (principalmente do Brasil) em zona intertropical, é muito favorecido para o desenvolvimento do turismo de sol e praia, mas também o de montanha (lembre-se de que é nesse subcontinente que está uma das maiores cadeias de montanha do planeta, a cordilheira dos An des), de inverno (nas áreas situadas ao sul do trópico de Capricórnio) e ecológico (em função dos diversos parques nacionais e outras áreas protegidas).
Dos turistas internacionais que entram nos países da América do Sul, boa parte é oriunda do próprio subcontinente. Muitos dos turistas internacionais que entram na Argentina, por exemplo, são brasileiros (e vice-versa), assim como grande parte dos visitantes estrangeiros no Chile é composta de brasileiros. Há também um significativo fluxo interno de turistas, especialmente no Brasil.


Blocos econômicos regionais

A busca de integração no continente Americano é antiga. Ela vem desde 1948, ano de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a assinatura da Carta da OEA, em Bogotá (Colômbia). A OEA constitui um orga nismo regional dentro do sistema da ONU, de caráter político. Em seu artigo primeiro, apregoa que o objetivo da organização é alcançar nos Estados-mem bros “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, inten sificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”.
No entanto, desde sua origem, a OEA, é controlada pelos Estados Unidos, que procurou organizá-la de acordo com seus interesses. Como exemplo, podemos citar a expulsão de Cuba, em 1962, a fim de isolar o regime de Fidel Castro (1926-2016), que em 1959 havia liderado a derrubada do governo do ditador Fulgencio Batista (1901-1973), aliado dos Estados Unidos, e implantado, em 1952, um regime de partido único (Partido Comunista de Cuba), estatizan do a economia e se aproximando da União Soviética. Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, em 1991, cresceu a pressão de países do continen te para o fim da suspensão de Cuba, o que acabou ocorrendo em 2009. No entanto, Raúl Castro, que assumiu o poder após a saída de seu irmão Fidel, não manifestou interesse por voltar à organização, pois, segundo ele, desde sua concepção, a OEA foi e continua sendo um instrumento de dominação imperialista dos Estados Unidos.
O fim da União Soviética e, portanto, da ajuda que concedia a Cuba, por exemplo, vendendo petróleo a preços abaixo do mercado internacional, agra vou os problemas de desabastecimento do país. Com a chegada de Hugo Chávez (1954-2013) ao poder na Venezuela, em 1999, houve uma aproximação entre os regimes chavista e castrista e esse país sul-americano passou a forne cer petróleo em condições vantajosas a Cuba.
Tentando romper o isolamento desses dois países, especialmente o cuba no, em 2004 Chávez e Fidel criaram a Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, com a participação de Venezuela, Colômbia e Peru. Mais tarde se uniram a ela a Bolívia, o Equador e a Nicarágua. Esses países tinham em comum governos interessados em criar uma alternativa à inte gração a um acordo comercial liderado pelos Estados Unidos. No entanto, acabou não vingando.
A Alba se enfraqueceu depois da morte de Hugo Chávez em 2013 e prin cipalmente após a grave crise econômica que atingiu a Venezuela no governo de seu substituto, Nicolás Maduro.
No entanto, já há bastante tempo os países latino-americanos buscam criar outras organizações de integração regional, especialmente no campo comercial. Um exemplo foi a criação da Aladi – Associação Latino-Americana de Integração, em 1980, com sede em Montevidéu (Uruguai). Ela permitiu a assinatura de acor dos entre apenas dois ou mais países-membros. Isso fez com que aumentasse o número de acordos assinados no âm bito da Aladi. Mas como essa organiza ção é muito ampla, conta com 13 países latino-americanos, de difícil conciliação de interesses, acabou ofuscada pelo crescimento de blocos regionais menores e mais focados em redução de barreiras para o fluxo de mercadorias.
Os blocos econômicos são agrupa mentos de países que fazem acordos regionais para facilitar o trânsito de ca pitais, serviços e, sobretudo, de merca dorias entre eles – isto é, ampliar os mer cados para as empresas. Há quatro tipos de blocos econômicos regionais: zona de livre co mércio, união aduaneira, mercado co mum e união econômica e monetária.

Comunidade Andina (CAN)

Em 1969, com a assinatura do Acordo de Cartagena, foi criado o Pacto An dino, com sede em Lima (Peru). O objetivo do bloco era incentivar a integração política e econômica entre os países-membros: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, que formaram uma zona de livre-comércio.
Em 1973, a Venezuela aderiu ao grupo. Em 1976, o Chile renunciou. Em 1997, os países integrantes iniciaram um processo para transformar-se em união aduaneira e mudaram o nome para Comunidade Andina.
Em 2006, com o início das negociações para sua entrada no Mercosul, a Venezuela também se retirou do bloco. Atualmente restam apenas quatro países. Com processo em curso de adesão da Bolívia ao Mercosul e com a entrada de Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, que veremos a seguir, a tendência é haver um esvaziamento da Comunidade Andina.

União das Nações Sul-Americanas (Unasul)

Os doze países independentes da América do Sul integram a Unasul (a Guiana Francesa não faz parte). Criado em 2008, esse grupo tem poderes para negociar com outros países e blocos econômicos e representa os países-mem bros na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros órgãos multila terais. Sua sede fica em Quito (Equador).
O objetivo da organização é estabelecer um espaço de integração política, cultural, social e econômica, criando um envolvimento dos países-membros em áreas como a infraestrutura de transportes, energia e comunicações, além do incentivo à cooperação nos setores de educação, saúde, defesa e outros. Se gundo a própria Unasul: “Nosso desafio é eliminar a desigualdade socioeconô mica, alcançar a inclusão social, aumentar a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as disparidades existentes”. Ou seja, vai muito além de um acordo comercial como os outros blocos.

Aliança do Pacífico

A Aliança do Pacífico é o mais recente bloco econômico criado na América Latina. Essa zona de livre-comércio é formada por três países andinos da Amé rica do Sul – Chile, Colômbia, Peru – mais o México, país da América do Norte.
Este é o único bloco econômico realmente latino-americano, os outros são sul-americanos ou centro-americanos. Criada em 2011, entre seus objetivos destacam-se: impulsionar o crescimento econômico e a competitividade das economias de seus integrantes, buscando a liberalização do comércio de bens e serviços; promover a livre circulação de pessoas entre os países-membros, transcendendo o âmbito comercial; promover uma arti culação política e de projeção ao mundo, com ênfase na região da Ásia-Pacífico. A integração tem sido bem sucedida: mais de 90% dos produtos comercia lizados entre eles já circulam com tarifa zero.

Mercado Comum do Sul (Mercosul)

O Mercosul é um acordo econômico assinado em 1991 por Argentina, Bra sil, Paraguai e Uruguai. Sua sede fica em Montevidéu (Uruguai). Em 2006, a Venezuela foi admitida como país-membro, mas em 2017 foi suspensa porque o governo de Nicolás Maduro desrespeitou o compromisso democrático esta belecido pelo Protocolo de Ushuaia (acordo assinado em 1998 nessa cidade argentina), que prevê em seu artigo 1o que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes”. Nessa condição, o país perdeu o direito de participar nos diferentes órgãos do bloco e tem seus direitos e obrigações também suspensos, como prevê o artigo 5o desse protocolo. Em 2018, a Bolívia estava em processo de adesão.
O Mercosul criou facilidades para a circulação de mercadorias entre os paí ses-membros, visando, primeiramente, à implantação de uma zona de livre-co mércio. Em janeiro de 1995, passou a vigorar também uma tarifa externa comum, que ainda não é válida para todos os produtos, por isso o bloco é considerado uma união aduaneira imperfeita.
Essa proposta de integração econômica não é livre de conflitos de interes ses. A Argentina, por exemplo, de forma recorrente estabelece cotas de impor tação de produtos brasileiros e eleva as tarifas aduaneiras de forma unilateral.
Desde a criação do Mercosul, o objetivo maior é tornar a economia dos países sul-americanos mais forte e competitiva e com maior poder de negocia ção com os Estados Unidos, a União Europeia (com quem negociava, em 2018, um acordo de livre-comércio), a China e outros parceiros comerciais.
O Mercosul, além dos Estados-membros, também chamados de Estados-partes, tem seis países que são considerados Estados associados – Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Com esses países, o Mercosul tem acordos de livre-comércio e eles estão autorizados a participar das cúpulas do bloco.

Investimentos brasileiro e chinês

O Brasil é o país que produziu o maior PIB dentre os países da América do Sul, e por isso podemos considerá-lo a maior economia do subcontinente. Embora tenha apresentado a menor taxa de crescimento no perío do 2000-2017, a economia brasileira é bem maior que a de seus vizinhos, o que faz com que naturalmente tenha mais influência na região. Por exemplo, há mui tas empresas multinacionais brasileiras atuando na América do Sul e mesmo na América do Norte.
No entanto, nos últimos anos, assim como vem acontecendo na África, também na América do Sul tem havido um aumento dos investimentos chineses em diversas atividades.
A China tem investido em infraestrutura, mineração e agricultura para lhe assegurar o forneci mento de alimentos, de matérias-primas minerais e agrícolas, além de vender seus produtos industrializados. Como a economia brasileira é bem maior e mais complexa do que as dos países vizinhos, aqui o capital produtivo chinês, além de investir em infraestrutura, mineração e agricultura, como ocorre em toda a América do Sul, também tem comprado indústrias nacionais e montado fábricas novas.
No entanto, os chineses estão inte ressados apenas em abastecer o mercado interno brasileiro, e não em usar o território nacional como plataforma de exportações de produtos industrializados. Eles preferem abastecer os vizinhos sul-americanos a partir da produção das fábricas instaladas em seu próprio território, concorren do diretamente com produtos brasileiros no mercado regional. Em 2007, de todas as importações dos países da América do Sul, 14,8% provinham do Brasil e 10% da China. Em 2013, a participação brasileira no abastecimento dos países vizinhos caiu para 11,2%, enquanto a chinesa subiu para 17,4%. Em outras palavras, a indústria brasileira tem perdido mercado para a produção chinesa.

América do Sul: população e diversidade cultural

Origem dos povos americanos

Há controvérsias sobre a data da chegada dos primeiros grupos humanos na América e sobre as rotas que percorreram. Com base em pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara, no estado do Piauí, área onde há grande concentração de sítios arqueológicos, a antropóloga brasileira Niède Guidon afirma que há cerca de 50 mil anos já havia humanos na região. No entanto, seu estudo é pouco aceito pela comunidade científica porque a datação não foi feita com ossos, e sim com carvão de supostas fogueiras humanas.
Pesquisa mais precisa publicada na revista científica Nature em 2012 por uma equipe internacional de cientistas liderada pelo colombiano Andrés Ruiz-Linares (professor de genética humana da University College de Londres) aponta uma data mais recente. Ela foi feita com base nos estudos genéticos de comunidades indígenas do Canadá à Terra do Fogo (sul da Argentina) e indicou que a ocupa ção da América se deu com grupos humanos vindos da Ásia em pelo menos três ondas migratórios através do estreito de Bering há pouco mais de 15 mil anos, quando as águas do mar estavam congeladas e serviram de ponte para a pas sagem dos migrantes.
É a mesma datação apontada pelo antropólogo brasileiro Walter Neves com base no esqueleto de Luzia, fóssil de cerca de 12 mil anos encontrado no sítio arqueológico de Lagoa Santa (MG). Ele também defende que os índios americanos são descendentes de grupos humanos vindos da Ásia ha cerca de 15 mil anos. Atualmente essa é a tese mais aceita.

Povos pré-colombianos

Foram os descendentes desses mi grantes pioneiros que muito tempo depois desenvolveram as hoje chama das civilizações pré-colombianas (em referência a Cristóvão Colombo), po vos que os europeus encontraram ao aportarem na América no final do sé culo XV.
Os incas (nos Andes), os maias, os astecas e os toltecas (nas áreas onde atualmente se localizam a América Cen tral e o México) estavam entre as civili zações mais organizadas que se desen volveram na América. Esses povos em pregavam técnicas agrícolas sofisticadas para a época, desenvolviam atividades urbanas diversificadas e tinham o poder político já bastante centralizado.
Os incas construíram uma impo nente civilização, cujos vestígios sobre viveram aos séculos, como mostram as ruínas de Machu Picchu (Peru), cidade fundada em 1450. Observe a fotografia. Localizadas na cordilheira dos Andes, a cerca de 80 quilômetros da cidade de Cuzco, essas ruínas foram descobertas em 1911 por um arqueólogo americano chamado Hiram Bingham e hoje fazem parte do Patrimônio da Humanidade.
No México há diversas marcas das civilizações pré-colombianas, como as deixadas pelos povos astecas e toltecas. No século XIV houve uma divisão entre os astecas e parte do grupo mi grou de sua região de origem e fun dou a cidade de Tenochtitlán em 1325, num local onde atualmente fica a Cidade do México. Em seu novo assen tamento, passaram a ser chamados de mexicas, daí o nome do país. A toma da de Tenochtitlán pelos espanhóis em 1521 simboliza o domínio espanhol que se estendeu por todo o período colonial.
Havia no Brasil uma enorme diversidade de povos com diferentes línguas e culturas. Estima-se que eram faladas mais de mil línguas. Em outras regiões da América do Sul também havia outros povos, como os Guarani (cujos descendentes vivem no Paraguai e ainda mantêm sua língua) e os Patagon, no sul da Argentina, daí o nome dessa região: Patagônia.

A colonização europeia e a escravidão

Embora a história da América não tenha se iniciado com a chegada dos europeus, foi a colonização europeia que inseriu esse continente na história do capitalismo comercial, que havia começado na Europa no final do século XV, e deixou marcas profundas nos países atuais.
Entre os séculos XV e XVII, espanhóis, portugueses, franceses, holandeses e ingleses ocuparam o continente americano e iniciaram o domínio dos povos nativos e a colonização dos territórios.
Nos territórios invadidos e dominados pelos portugueses, que mais tarde pertenceriam ao Brasil, os conflitos entre os colonizadores e os povos nativos provocaram genocídio e etnocídio de muitos povos. Com relação aos povos que não foram exterminados, houve empenho por parte dos portugueses em convertê-los à fé cristã (o que não deixa de ser um processo de etnocídio).
Os espanhóis destacaram-se na conquista territorial principalmente nos Andes, na América Central e no México, ocupando áreas ricas em metais preciosos, como ouro e prata. Essa conquista e ocupação também não acontece ram sem a resistência das populações nativas. Os que sobreviveram perderam sua identidade cultural e foram escravizados para a exploração das minas – o que desorganizou as comunidades e contribuiu para o desaparecimento das civilizações pré-colombianas.
Durante o período colonial, a agricultura voltada para a exportação foi a principal atividade realizada em dife rentes áreas do continente americano, como nos territórios dos atuais Brasil, Colômbia, Venezuela, Cuba e no sul dos Estados Unidos. Era a monocultura (produção de um só produto para a exportação), praticada em latifúndios (grandes propriedades) e com base na exploração do trabalho de africanos escravizados. Esse sistema de produ ção agrícola ficou conhecido como plantation(plantação). O tripé latifúndio, monocultura exportadora e escravismo caracterizou as colônias de exploração na América, inclusive no sul dos Estados Unidos.
A adoção da plantation promoveu uma transferência maciça de africanos para o continente americano. Estima-se que, somente no Brasil, ingressaram mais de 5 milhões de africanos escravi zados até 1850, quando essa prática foi proibida. A partir desse ano, teve início o tráfico ilegal, que continuou até a abolição da escravatura, em 1888.
Na segunda metade do século XIX, a escravidão foi abolida em toda a América do Sul, sendo o Brasil o último país a extingui-la. Nessa época, o subcontinente passou a receber milhões de imigrantes europeus que buscavam terra e oportunidades de trabalho. Com isso, houve a substituição da mão de obra escrava nas lavouras pela de trabalhadores em sistema de parceria e gradativamen te de assalariamento e, assim, foi dada continuidade à ocupação do território. Como os africanos inicialmente foram escravizados e posteriormente não foram incorporados ao mercado de trabalho (como meeiros, assalariados, nem como proprietários de terras), ficaram marginalizados socioeconomicamente.
Uma lei de 1950, chamada Lei de Terras, estabeleceu a compra como a única forma de acesso à terra, condição que claramente os impedia de se transfor marem em proprietários. Além disso, sofreram preconceito por serem ex-escravos e foram substituídos por trabalhadores imigrantes da Europa e da Ásia. Essa situação se refletiu na sua condição de vida e de seus descendentes. Atualmente, todos os indicadores sociais – especialmente os de renda e de escolaridade – dos afrodescendentes brasileiros são inferiores aos dos brancos, embora essa desigualdade venha se reduzindo lentamente nas últimas décadas graças a políticas de ação afirmativa, como as cotas nas universidades.

Diversidade étnica e cultural

Como herança desse contexto histórico e das migrações que ocorreram ao longo do século XX, a América do Sul apresenta atualmente uma grande diversidade étnica, com diferenças acentuadas entre os países e também entre as regiões de um mesmo país.
Os descendentes dos vários povos americanos nativos, assim como os afrodescendentes, deram importantes contribuições para a formação cultural dos países latino-americanos. Muitos povos indígenas mantiveram suas línguas, religiões e costumes, sobretudo nas regiões andina e amazônica, na América Central e no México.
Muitos povos africanos conseguiram manter suas religiões, apesar das perse guições, e deram importantes contribuições linguísticas, culinárias, musicais, etc. nos diversos países do subcontinente. Isso é muito visível no Brasil, por exemplo.
Por isso, hoje em dia uma das questões mais importantes que se colocam nesse mosaico de povos e culturas que é o Brasil, a América do Sul e toda a América é o respeito e a valorização dessa diversidade, o que nem sempre acontece.

Distribuição da população

Cerca de 90% da população do subcontinente mora nas proximidades do litoral, numa faixa de cerca de 250 quilômetros em direção ao interior, a partir tanto do oceano Atlântico como do Pacífico, onde se encontram as maiores aglo merações urbanas. Portanto, nessa faixa a densidade demográfica é bem maior.
A concentração da população no litoral teve origem no modelo colonial de ocupação, voltado para a exploração de recursos agrícolas e minerais (cana-de-açúcar, algodão, cacau, café, ouro, prata e outros) para a exportação. A saída para o mar era essencial para a circulação das mercadorias.
Somente a partir da segunda metade do século XX houve a ocupação sistemática do interior da América do Sul, principalmente do Brasil, da Argentina, da Colômbia, da Venezuela e do Peru. Isso ocorreu com o avan ço da industrialização em alguns países, a abertura de rodovias e ferrovias, a expansão da área cultivada e a maior exploração de recursos energéticos e minerais.

Problemas urbanos

A elevada taxa de urbanização dos países da América do Sul foi acompa nhada pelo crescimento desordenado das cidades. Atualmente, todas as gran des cidades sul-americanas em maior ou menor grau enfrentam problemas de ordem social e ambiental.
A elevada demanda por moradia, por exemplo, não é acompanhada pela oferta. Muitas pessoas vivem em moradias precárias, muitas vezes sem acesso a saneamento básico e a serviços regulares de fornecimento de energia elétrica e internet.
Geralmente situadas na periferia das cidades, distante das áreas mais centrais e mais estruturadas ou em áreas não próprias para ocupação, chamadas zonas de risco, como encostas de morros, ou áreas próximas aos cursos de água, sujeitas a alagamentos (áreas geralmente menos valorizadas e por isso mais baratas), essas comunidades também não são atendidas de maneira satisfatória por outros serviços públicos essenciais para uma vida digna, como saúde, educação e lazer. Dessa maneira, é possível perceber a segregação socioespacial existente nas cidades.
Porém, mesmo em bairros localizados nas áreas mais centrais de grandes cidades sul-americanas, como São Paulo (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Caracas (Venezuela), devido ao alto custo da moradia e ao mesmo tempo do abandono de muitos prédios, têm crescido os movimentos de ocupação organizados por diversos movimentos sociais de sem-teto.
Há movimentos de sem-teto em diversos países sul-americanos e latino-americanos porque todos compartilham do mesmo problema: muitas pessoas de baixa renda vivendo nas cidades e altos custos de moradia, especialmente nas maiores.
A maioria deles é local ou nacional, mas há movimentos que têm uma organização mais abrangente, como o Techo (ou Teto em português). Esse movimento de luta por moradia digna nasceu no Chile em 1997 e a partir de 2001 começou a se expandir por outros países da América Latina. Em 2018 estava organizado em dez países sul-americanos, oito centro-americanos e no México, além de possuir dois escritórios nos Estados Unidos para buscar alian ças e financiamentos.
Além dos problemas de habitação e da segregação socioespacial, as grandes cidades apresentam um problema que atinge toda a população: a poluição do ar e das águas. A poluição do ar pode comprometer a saúde das pessoas, sobretu do nas grandes cidades, onde é muito elevada por causa da concentração de indústrias e veículos que soltam no ar grande quantidade de gases resultantes da queima do combustível. Muitos rios recebem resíduos domésticos e industriais sem tratamento, o que prejudica a qualidade da água e do abastecimento. Na maioria das cidades o sistema de transporte também é insuficiente para atender à demanda da população que depende do serviço público.
No Brasil, assim como em outros países da América do Sul, há a preo cupação dos governos e das socieda des em geral em reduzir os problemas urbanos. Muitos governos têm procu rado aumentar o investimento em transporte coletivo, moradias populares, saúde preventiva e segurança. Em muitos casos, têm contado com o apoio de organismos internacionais, como as agências da ONU, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No entanto, muitas vezes isso tem se mostrado insuficiente. Nas favelas, a população geralmente não conta com serviços públicos essenciais a uma vida digna.

Indicadores sociais

Os países sul-americanos são marcados por desigualdades sociais e, como vimos nas páginas anteriores, essa desigualdade se materializa nas paisagens, sobretudo nas das grandes cidades, onde vive a maioria das pessoas. São, portanto, desigualdades socioespaciais. Podemos identificar as desigualdades sociais também em indicadores, como o índice de desenvolvimento humano (IDH).
De forma geral, a partir da década de 1990, vários setores da economia dos países da América do Sul se modernizaram e os indicadores sociais melhoraram. Contudo, a concentração de renda ainda permanece elevada e o percentual de pessoas que vivem na pobreza ainda é alto em alguns deles.
A contínua melhora dos indicadores sociais depende de crescimento eco nômico, de uma distribuição de renda mais equilibrada e de investimentos sociais adequados. No século XXI, de forma geral os países sul-americanos têm apresentado crescimento econômico. Além disso, gradativamente os governos têm aumentado os investimentos em setores importantes como educação, saúde e proteção social. Isso tem contribuído para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida de parte da população.
Porém, é fundamental que o crescimento econômico seja ecologicamente sustentável, ou seja, que o meio ambiente seja protegido, garantindo boas condições de vida para a população. Como se observa no gráfico, os países latino-americanos ainda investem pouco em proteção do meio ambiente.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

América do Sul: aspectos físicos e ambientais

A América do Sul é um subcontinente da América, por isso vamos estudá-la como uma unidade. Esse subcontinente tem 17,8 milhões de quilômetros quadrados de extensão. O Brasil ocupa quase metade dessa área, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
Em 2017 vivia na América do Sul 5,6% da população mundial, distribuída em doze países independentes, além da Guiana Francesa, território que pertence à França, e das ilhas Malvinas (também denominadas Falkland), que pertencem ao Reino Unido.
Os países sul-americanos, mais os países da América Central e o México, pertencem à América Latina, onde predominam as línguas derivadas do latim, por influência dos principais colonizadores da região (portugueses e espanhóis). 
Nela, grande parte das pessoas fala espanhol. O português ficou circunscrito ao Brasil e o francês é falado na Guiana Francesa e em países do Caribe, como o Haiti. Em alguns países (um deles é o Brasil), são faladas línguas nativas de diversas etnias indígenas. 
Além das línguas nativas e derivadas do latim, no Suriname e em algumas ilhas do Caribe, apesar de pertencerem à América Latina, parte da população fala holandês e inglês (por influência de seus colonizadores). Grande parte da população dos países da América do Sul é católica, mas há outras religiões, como as tribais, praticadas por povos nativos, por exemplo.
Além da origem linguística e da influência religiosa europeia, os países sul-americanos compartilham uma história marcada pela dominação colonial. Neles houve intensa exploração de produtos agrícolas e minerais, e para sustentar essas ativida des muitos indígenas e pessoas trazidas à força da África foram escravizados.
Por causa desse passado de exploração, somado ao descaso das elites que assumiram o poder desde a independência, grande parte da sociedade, sobretudo entre os indígenas e africanos (e seus descendentes), ficou marginalizada, sem acesso a educação, saúde e moradia dignas.
Essas circunstâncias, somadas a um histórico de dependência política e econômica em relação aos países europeus, desde o colonialismo, e aos Estados Unidos, desde o imperialismo, ajudam a compreender a acentuada desigualdade social e econômica e as más condições de vida de amplos setores da sociedade dos países da América do Sul.
Atualmente, este subcontinente é composto apenas de países em desenvolvimento, com destaque para alguns emergentes importantes, como o Brasil, a Argentina e o Chile.

Relevo


A América do Sul apresenta variadas formas de relevo. As áreas com maior altitude da América do Sul ficam na porção oeste do subcontinente (cordilheira dos Andes), originadas pelo soerguimento do terreno, ocasionado pela pressão resultante do encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-mericana.
Na borda oeste da América do Sul localiza-se a cordilheira dos Andes. Essa cadeia montanhosa se formou pelo dobramento da crosta terrestre, resultado da pressão exercida pelo encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana. há várias montanhas com altitudes superiores a 4 000 metros. Ali fica também o pico mais alto do continente americano, o Aconcágua, com 6 962 metros de altitude.
Na região central dos Andes também há áreas planas, mas em altitudes elevadas, os chamados altiplanos. É lá, por exemplo, que se encontra o lago Titicaca, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, o lago mais alto do mundo, a cerca de 3 800 m de altitude.
A grande planície Platina (formada por Pantanal, Chaco e Pampas), a planície Amazônica e a do Orinoco formam um corredor de terrenos baixos de norte a sul do subcontinente. Elas são constituídas por rochas sedimentares de formação recente.
Do ponto de vista geológico, pode-se dizer que grande parte do relevo da América do Sul desenvolveu essa configuração recentemente, considerando a escala do tempo geológico, tendo em vista que o planeta Terra começou a se formar há cerca de 4,6 bilhões de anos. Estima-se que o início do soerguimento da cordilheira dos Andes e o preenchimento das bacias sedimentares (com destaque para a Amazônica) tenham ocorrido há cerca de 85 milhões de anos, no final da era chamada Mesozoica.
Os planaltos Brasileiro, das Guianas e da Patagônia são formações mais antigas, pré-cambrianas, nas quais há serras rebaixadas, desgastadas por processos erosivos e cercadas por planícies. No Planalto das Guianas estão as maiores altitudes do relevo brasileiro, como o pico da Neblina.
Nas regiões planálticas, formadas por rochas antigas do período Pré-Cambriano, há grande variedade de serras, como as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, e também de chapadas, como a Diamantina e a dos Parecis, todas em território brasileiro.

Hidrografia


A América do Sul apresenta uma extensa rede hidrográfica, embora tenha algumas regiões desérticas e semiáridas com poucos rios, como na área do interior do Nordeste do Brasil.
A cordilheira dos Andes é o grande divisor de águas do subcontinente. Em sua vertente leste nascem os rios que formam as bacias Amazônica, Platina, do Orinoco, entre outras bacias menores. Na vertente oeste, em direção ao oceano Pacífico, os rios têm pequena extensão e muitas quedas-d’água.
O planalto das Guianas é o divisor de águas das bacias Amazônica (onde nascem os afluentes da margem esquerda do Amazonas) e do Orinoco; o planalto Brasileiro é o divisor de águas das bacias Amazônica (dos afluentes da margem direita), Platina e do São Francisco.
A América do Sul também tem muitos lagos, com destaque para o lago de Maracaibo (Venezuela) e o Titicaca (na fronteira do Peru com a Bolívia), e lagoas costeiras, como a lagoa dos Patos (no Rio Grande do Sul).
A presença de rios extensos e caudalosos correndo em relevo planáltico faz com que a América do Sul tenha um enorme potencial hidráulico, que vem sendo aproveitado para a geração de energia hidrelétrica, o que tem contribuído para o desenvolvimento do país onde fica a usina e mesmo de países vizinhos.
Além das águas superficiais, a América do Sul tem grandes reservas subterrâneas nos chamados aquíferos, com destaque para o Sistema Aquífero Grande Amazônia e o Sistema Aquífero Guarani, a primeira e a segunda reservas mundiais de água subterrânea, respectivamente.
A conservação dos recursos hídricos é fundamental, já que deles dependem diversas formações vegetais com importante biodiversidade. Além disso, suas águas são usadas no consumo e na irrigação agrícola, no abastecimento das cidades, na produção de energia, pesca e lazer. A poluição dos recursos hídricos afeta o equilíbrio ambiental e o abastecimento de água para a população. 
Nas cidades, devido à insuficiência de saneamento básico, os principais poluentes são o esgoto doméstico e os resíduos industriais; no campo, os produtos químicos utilizados na agricultura e os dejetos das agroindústrias. Os rios que atravessam as grandes aglomerações urbanas dos países da América do Sul são os mais afetados pela poluição.
O rio Paraguai, por exemplo, que atravessa os territórios de Brasil, Paraguai e Argentina, tem sofrido com a poluição tanto por causa da agricultura no planalto Central, contaminando suas nascentes e afluentes, como por lançamento de esgotos domésticos e industriais das cidades que atravessa. Apenas a cidade de Assunção, capital do Paraguai, principal aglomeração urbana que o rio corta, lança cerca de 3,2 milhões de litros de esgotos residencial e industrial no leito do rio, comprometendo a qualidade de suas águas. Outros rios da América do Sul têm sido afetados pela poluição.
Algumas ações têm procurado combater o problema da poluição. No Brasil, por exemplo, foi criada em 1997 a lei no 9 433, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu uma Política Nacional dos Recursos Hídricos para orientar a gestão das águas no país. Houve muitos avanços desde então, mas muito ainda é preciso ser feito para a adequada gestão dos recursos hídricos no território brasileiro.

Clima


Por causa de sua localização no globo terrestre, a América do Sul está situada em duas zonas climáticas do planeta, a intertropical e a temperada. Nas áreas situadas na zona intertropical, mais próximas do equador, os climas apresentam temperaturas mais elevadas do que nas áreas situadas na zona temperada.
No subcontinente, há oito tipos climáticos, mas grande parte dele é dominado pelos climas equatorial (que apresenta temperaturas elevadas e chuvas frequentes o ano inteiro) e tropical (com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos). 
Em contraste, no extremo sul encontramos áreas de clima temperado, que apresentam temperaturas baixas em grande parte do ano. Também na zona temperada, há extensa área com predomínio do clima subtropical, com temperaturas mais amenas (se comparadas às do clima temperado) e chuvas bem distribuídas ao longo do ano.
Além da grande extensão em latitude, as acentuadas variações de altitude, a circulação das massas de ar e das correntes marítimas e a proximidade do oceano também são fatores que determinam a diversidade climática da América do Sul.

As correntes marítimas


Várias correntes marítimas atuam na América do Sul. Algumas merecem destaque por exercer forte influência climática.
A corrente marítima de Humboldt origina-se próximo da Antártica e por isso é muito fria. Ela se desloca pelo oceano Pacífico, passando pela costa oeste da América do Sul. Por ser fria, provoca condensação da umidade da atmosfera. Assim, quando as massas de ar atingem o continente, estão secas, de forma semelhante ao que vimos com a corrente de Benguela, que dá origem ao deserto da Namíbia e Kalahari, no sudoeste da África. Esse fenômeno explica o predomínio do clima desértico em parte da costa oeste da América do Sul e a origem do deserto do Atacama (Chile), o mais seco do planeta.
Além da influência climática, a corrente de Humboldt também se destaca por sua importância para a economias de alguns países banhados pelo oceano Pacífico, entre eles o Chile e o Peru. Isso porque ela provoca uma grande concentração de plânctons próximo à superfície do oceano, atraindo grande quantidade de peixes, que se alimentam desses microrganismos, o que contribui para o desenvolvimento da indústria pesqueira nesses países.
A costa da Argentina é banhada pela corrente das Falkland (também chamada de Malvinas), que, por ser fria como a corrente de Humboldt, também provoca a condensação da umidade atmosférica sobre o oceano, antes que ela chegue ao continente. Essa corrente é um dos fatores que determinam a origem do deserto da Patagônia (Argentina).
Na costa brasileira, as correntes das Guianas e do Brasil, ambas quentes e carregadas de umidade adquirida no oceano, provocam aumento das chuvas no litoral, sobre tudo no verão.

A altitude


Ao longo da cordilheira dos Andes predomina o clima típico de montanha. Por causa das altitudes elevadas, a média de temperatura do ar é baixa durante o ano e nas localidades de maior latitude neva durante o inverno. Observe as médias de temperatura e precipitação em La Paz, na Bolívia, que se encontra a 3 600 metros de altitude, embora esteja na zona intertropical do planeta.

A proximidade do oceano


O oceano atua como um regulador da temperatura do ar. Isso acontece porque, mesmo no inverno, a evaporação é mais relevante próximo aos grandes corpos de água. A temperatura média do ar nos lugares em que há abundância de água na atmosfera é mais elevada do que nos luga res secos, porque o vapor de água retém parte do calor irradiado pelo planeta.
O clima de Santiago (Chile), por exemplo, é um clima mediterrâneo influenciado pela proximidade do mar e por isso não é tão frio e seco como o mediterrâneo da Espanha, que tem características mais continentais. 
As chuvas estão concentradas no inverno, que não é tão frio. É por isso que o inverno da porção meridional do continente sul-americano é menos rigoroso do que o da América do Norte, por exemplo, apesar de ambos estarem na zona temperada. Note como a América do Sul tem formato “triangular”. Quanto mais próximo do polo Sul, mais estreita é a porção continental e, com isso, o oceano exerce maior influência climática, amenizando os rigores do inverno.

Vegetação


A grande variedade de climas na América do Sul originou diversos tipos de formações vegetais, adaptados às condições de temperatura e umidade, ao relevo e aos tipos de solo do subcontinente. Há biomas florestais – florestas tropicais, subtropicais e temperadas –, bioma tipo savana – cerrado, chaco, caatinga –, vegetação de desertos e de montanha.

Ação humana sobre a vegetação


A distribuição original das formações vegetais, isto é, antes de a ação humana transformá-las. Em maior ou menor grau, todos os tipos de vegetação do planeta vêm sofrendo a ação humana, por causa tanto da extração de madeira para comercialização e da atividade mineradora como da criação de áreas para plantações, pastagens e do desenvolvimento de cidades. Essa agressão aos biomas é um dos problemas ambientais que enfrentamos e que, entre outras consequências, ameaça a biodiversidade do planeta.
A América do Sul abriga a maior floresta tropical do planeta, a Amazônica. Ela ocupa cerca de sete milhões de quilômetros quadrados e se estende por vários países, mas a maior extensão está em território brasileiro. 
O bioma Amazônia ainda tem grande parte de sua área preservada, mas o desmatamento tem avançado muito, sobretudo em território brasileiro. A abertura de rodovias, a expansão da atividade de mineração, as queimadas para desenvolvimento da agropecuária, além do corte ilegal de árvores para venda de madeira são os principais motivos de desmatamento de parte dessa floresta.
Em 2017, apenas no Brasil, o desmatamento da Floresta Amazônica foi de 6,9 mil quilômetros quadrados, segundo estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a pecuária extensiva e a exploração madeireira ilegal são as atividades que mais contribuem para o desmatamento na Floresta Amazônica.
A pecuária ocupa cerca de 80% das áreas desmatadas na região. Se não forem tomadas medidas eficazes, como aumento da fiscalização do Estado e punição aos agressores, para combater as queimadas e a derrubada de árvores, a tendência é que o desmatamento cresça novamente.
O desmatamento provoca impactos que têm consequências locais, como a erosão dos solos e o assoreamento dos rios. Afeta o ambiente também em escala global, já que as queimadas ampliam a emissão de gases estufa na atmosfera e diminuem a biodiversidade.
A proteção dos ambientes naturais é responsabilidade dos governos – por meio de criação de leis, planejamento e fiscalização – e da sociedade – por meio de ações individuais e coletivas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Os Estados Unidos e o canal do Panamá no comércio mundial

O canal do Panamá foi criado para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, com o objetivo de facilitar o comércio marítimo internacional, evitando que os navios tivessem de contornar a América para passar de um oceano a outro. Até hoje esse canal tem papel fundamental nas exportações e importações mundiais.
A construção do canal foi iniciada pelos franceses em 1881, na época em que o Panamá pertencia à Grã-Colômbia. Com a independência do Panamá, os Estados Unidos assumiram a obra, que demorou dez anos para ser finalizada, mas um tratado garantiu aos Estados Unidos o domínio perpétuo sobre a faixa de terras onde seria cons truído o canal. Quando ficou pronto, em 1914, à custa de mais de cinco mil mortes e ao custo de 360 milhões de dólares, o canal permitiu às embarcações navegar entre os dois oceanos com mais segurança, levando metade do tempo para realizar o trajeto.
Durante todo o século XX, houve protestos por parte da população panamenha, que não queria a presença estadunidense na área mais importante do país. Devido à tensão crescente, em 1977, os Estados Unidos concordaram em assinar um tratado para a devolução gradual do canal, que se completaria em 1999. Até essa data, os panamenhos só tinham oportunidade de avistar o canal de longe, do alto do morro Ancón, o mais alto da Cidade do Panamá.
O canal do Panamá conta com bloqueios nas extremidades e funciona por meio de um sistema de três eclusas: Gatún, Pedro Miguel e Miraflores. Essas eclusas são abertas e fechadas durante as travessias para que as embarcações sejam elevadas ou rebaixadas, vencendo os des níveis do terreno.
Atualmente, o canal do Panamá arrecada entre 2 mi lhões e 4 milhões de dólares por dia, que somam 2 bilhões de dólares ao ano. O canal possui 77,1 quilômetros de comprimento e a travessia leva de 8 a 10 horas. Antes de existir, as embarcações eram obrigadas a percorrer um trajeto de 20 mil quilômetros para contornar a extremidade sul da América do Sul.

Economia do Canadá

A economia canadense destaca-se por sua atividade industrial moderna, por seu setor agropecuário altamente produtivo e pelo setor terciário bastante desenvolvido.
Além do elevado nível tecnológico empregado na atividade industrial e na agropecuária, esse país conta ainda com uma intensa exploração de recursos naturais existentes em seu subsolo. Em razão dos grandes investimentos realizados pelos Estados Unidos durante o processo de industrialização do Canadá, grande parte das ações de empresas canadenses encontra-se sob o comando do capital estadunidense. Nesse sentido, pode-se dizer que o Canadá possui uma economia dependente dos Estados Unidos.
O comércio exterior ocupa um espaço cada vez maior na economia nacional, sendo os principais produtos exportados: veículos e peças automotivas; máquinas industriais; produtos de alta tecnologia, como aeronaves, eletroeletrônicos, equipamentos médicos, ópticos e de telecomunicações; carvão; óleo; petróleo; gás natural; madeira e celulose; metais; e produtos agrícolas. 
A pauta de exportação canadense está intensamente atrelada às relações co merciais com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial, tanto nas impor tações, respondendo com 49%, como nas exportações, com 73%. 
Por esse motivo, o Canadá, nos últimos anos, tem procurado estreitar seus laços comerciais com países da América Latina, como Brasil, Argentina, Chile e, so bretudo, México (por este também pertencer ao USMCA).

Atividade industrial e extrativismo


A indústria do Canadá tem grande variedade de itens produzidos em diversos setores, dos mais tradicionais, como siderúrgico, petroquímico, de papel e celulose, de alimentos e têxtil, aos de tecnologia mais sofisticada, como a indústria aeroespacial, de telecomunicações, de biotecnologia e de microeletrônica. As indústrias estão localizadas, em sua maioria, ao redor das cidades de Toronto, Vancouver, Montreal e Ottawa.
No Canadá, é explorada uma grande variedade de recursos minerais, entre eles, minério de ferro, chumbo, níquel, além de recursos energéticos fósseis, como gás natural e petróleo. A imensa riqueza mineral de seu subsolo possibilitou o crescimento da atividade industrial do país. A oferta abundante de matérias-primas abasteceu diversos ramos industriais, principalmente o siderúrgico e o metalúrgico.
O setor industrial da economia canadense produz cerca de um terço do PIB do país. Entre as atividades industriais, destacam-se as indústrias siderúrgica, têxtil, au tomobilística, de papel e celulose, química e alimentícia. Os altos investimentos nas áreas de tecnologia industrial, sobretudo no ramo da informática e da robótica, garantem ao país bastante competitividade no comércio internacional de produtos de elevada tecnologia.
A região sudeste do Canadá apresenta as maiores concentrações industriais. Essa distribuição espacial da indústria se deve, principalmente, à proximidade com as megalópoles estadunidenses localizadas na região nordeste dos Estados Unidos, fato que facilita o intercâmbio comercial entre os dois países. Além de Montreal e Toronto, localizados no sudeste canadense, outros centros industriais importantes do Canadá são Winnipeg e Edmonton, na região central, e ainda Vancouver, no sudoeste do país.
Para promover sua intensa atividade industrial e abastecer as cidades, a maior parte da energia elétrica do Canadá, cerca de 60% do total, provém de usinas hidrelétricas, que se aproveitam da abundância de recursos hídricos existentes no território. O país está entre os maiores produtores de hidroeletricidade do mundo.
O Canadá é o segundo maior produtor mundial de papel e celulose. Essa indústria é beneficiada pela abundância de madeiras provindas da prática da silvicultura desenvol vida, sobretudo, em áreas de reflo restamento localizadas no norte do país, onde predomina o clima frio.
Em razão das rígidas leis ambientais canadenses, as áreas de florestas exploradas devem ser re florestadas, para que não haja com prometimento das reservas flores tais do país.

Agropecuária


Apesar da imensa extensão territorial, apenas 7% das terras canadenses têm condições climáticas e solos férteis para atividades agrícolas. No entanto, o setor agropecuário do país é marcado pela alta produtividade, resultado de elevados investimentos em tecnologias de produção, maquinários eficientes, pesquisas e programas que buscam beneficiar esse setor da economia.
A porção centro-sul canadense, onde predominam as planícies com pradarias, é certamente a mais significativa no que se refere à produção agrícola: mais de 70% das áreas de cultivo canadenses estão nessa região. 
O Canadá apresenta grande desenvolvimento no setor agropecuário, sendo um importante exportador de produtos alimentícios, principalmente de trigo. O emprego expressivo da mecanização no espaço agrário canadense permite ao país alcançar excelentes níveis de produção agropecuária; no entanto, reduz a mão de obra em pregada no campo para menos de 1,5% de sua população economicamente ativa.
O predomínio do clima temperado e o relevo de planície propício para o trabalho com maquinários, associados ao tipo dos solos, conferem à região central uma eleva da produtividade agrícola.
Embora o trigo seja o principal produto cultivado e o mais exportado do país, há extensas plantações de milho, aveia, ce vada, centeio, canola e linhaça, além da criação de gado leiteiro e de corte.
A pecuária, voltada para a criação de gado bovino, é praticada principalmente na região sul do território. Atualmente, o Canadá se tornou referência na técnica de melhoramento da qualidade genética de rebanhos.
O predomínio do clima frio em grande parte do seu território sempre impôs dificuldades aos agricultores que buscaram expandir suas lavouras ou criações em direção ao norte do Canadá. As baixas temperaturas dessas áreas de climas frio e polar dificultam a existência de lavouras e a criação de animais. Além das condições climáticas rigorosas, a presença da floresta boreal também impede o avanço da agro pecuária em direção ao norte.

Recursos naturais no Canadá 


Com seu extenso território, o Canadá é rico em recursos naturais. O setor ener gético do país é impulsionado pelas reservas de gás natural, petróleo, carvão, além de abundantes fontes de urânio, zinco, cobre, ferro e madeira. 
Tal riqueza natural proporciona ao país um amplo quadro de exportações, o que fortalece sua balança comercial. O petróleo bruto e o gás natural são os principais produtos de exportação do Canadá no setor energético, sendo os Estados Unidos seu único comprador. 
A produção de carvão também tem crescido e atingido altos níveis, sendo mais da metade de sua produção destinada à exportação, especialmente ao Japão, e também para Brasil, México e China.


ESTADOS UNIDOS

Organização territorial e política


Os Estados Unidos são o segundo país mais extenso da América, o mais populoso (com cerca de 330 milhões de habitantes) e o de maior Produto Interno Bruto (PIB).
Com uma área territorial de 9 833 517 km², os Estados Unidos da América (EUA) são o segundo maior país do continente americano e o terceiro mais extenso do mundo, sendo apenas superado por Rússia e Canadá.
O território estadunidense é constituído por 50 Unidades Federativas (estados) e um Distrito Federal, onde está situada a capital do país, Washington.
Dois estados não se localizam em terras contínuas: o Alasca, território localizado no noroeste do continente americano, vendido pela Rússia aos Estados Unidos no ano de 1867, e o arquipélago do Havaí, anexado em 1898 por meio de um golpe que derrubou a monarquia que governava o então Estado havaiano.
Os Estados Unidos constituem uma federação, ou seja, os estados possuem autonomia política expressa em Constituições próprias.
Diferentemente de outros países que também são federações, como o Brasil, as Unidades Federativas dos Estados Unidos têm bastante autonomia, com leis que diferem de uma para outra: há estados onde, por exemplo, a idade mínima para dirigir é 16 anos, ao passo que, em outros, não se pode dirigir antes dos 18 anos; entre outras diferenças.

Distribuição da população


Segundo a ONU, no ano de 2021 os Estados Unidos abrigavam a terceira maior população do planeta: cerca de 337 milhões de habitan tes distribuídos irregularmente pelo território. As maiores concentrações populacionais do país estão:
- no Nordeste, área de ocupação mais antiga, iniciada pelo processo de colonização europeia e de forte concentração urbana e industrial, com destaque para uma das maiores megalópoles do mundo: a BosWash, região compreendida entre a cidade de Boston e a capital do país, Washington;
- na região dos Grandes Lagos, com destaque para a megalópole ChiPitts, entre as cidades de Chicago e Pittsburgh;
- na Costa Oeste, entre o oceano Pacífico e as Montanhas Rochosas. Nessa região, está localizada a megalópole conhecida como SanSan, entre as cidades de San Francisco e San Diego.

Formação do território


O território dos Estados Unidos começou a ser delineado no século XVI com as Treze Colônias fundadas por ingleses. Essas colônias se desenvolveram de formas diferentes por um conjunto de fatores políticos, econômicos e físico-naturais.
Nas colônias do Norte, prevaleceram as chamadas colônias de povoamento, onde se destacava o cultivo de batata, trigo e cevada, entre outros produtos agrícolas.
Nas colônias do Sul, prevaleceram as colônias de exploração, destacando-se o cultivo de algodão e tabaco.
As Treze Colônias se relacionavam de formas diferentes com a metrópole. Enquanto as colônias do Norte eram mais independen tes e autônomas do ponto de vista político e econômico, as do Sul eram mais dependentes, principalmente do mercado inglês.
Os colonos do Norte iniciaram os movi mentos de resistência contra a Inglaterra, que resultariam na Proclamação da Independência em 1776. Como a Inglaterra impunha leis e medidas que os colonos consideravam injus tas e abusivas, eles passaram a organizar manifestações contra a metrópole, como o protesto conhecido como Festa do Chá de Boston. Revoltados com a lei que permitia aos comerciantes ingleses vender chá às colônias sem o pagamento de impostos, os colonos, com vestimentas indígenas, invadiram navios no porto de Boston e jogaram todo o carre gamento de chá inglês no mar. O evento está na origem da guerra pela independência dos Estados Unidos.

Expansão para o Oeste


Após a independência em 1776, o governo dos Estados Unidos iniciou o processo de expan são territorial para o Oeste, justificado pela doutrina do Destino Manifesto, segundo a qual os estadunidenses eram os escolhidos por Deus para se apropriar das terras entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico, onde deveriam construir uma grande nação.
Essa ideologia, aliada à ideia da superioridade racial anglo-saxã, foi usada por um longo tempo para justificar não só o expansionismo, mas também o extermínio de povos indígenas.
A expansão territorial envolveu a compra de territórios da França e da Espanha; tratados de cessão com a Inglaterra; conflitos com o México; expulsão, matança e confinamento de indígenas em reservas. O processo completou-se em cerca de 60 anos, quando foi atingida a costa do oceano Pacífico.

Composição étnica da população


Um dos aspectos pesquisados pelo Censo dos Estados Unidos é a origem étnica da população. As pessoas se autodefinem como brancas, negras, hispânicas, asiáticas, indígenas, entre outros grupos.
Assim como a população brasileira, a população estadunidense é formada pelos povos originários, pelos povos africanos escravizados e por imigrantes de várias partes do mundo, que começaram a migrar para os Estados Unidos após a Proclamação da Independência.
No século XIX, os Estados Unidos receberam fluxos significativos de imigrantes, principal mente irlandeses, alemães, ingleses e italianos, em busca de melhores condições de vida.
A imigração europeia foi fundamental para ocupar os territórios conquistados no Oeste. A fim de incentivar a presença dos colonos e garantir-lhes a propriedade das terras, o governo criou uma lei conhecida como Homestead Act (Lei de Propriedade Rural), que vendia terras aos interessados a preços simbólicos. Muitos imigrantes europeus, especialmente ingleses e alemães, se beneficiaram dessa lei. Sobre a participação dos povos escravizados na formação da população estadunidense, é importante destacar que os primeiros africanos foram trazidos da África em 1619 para trabalhar em fazendas no atual estado da Virgínia.
Embora a escravidão tenha sido abolida em 1863 durante a Guerra de Secessão (1861-1865), as con dições de vida da população negra pouco mudaram. Os estados do Sul resistiram à emancipação dos escra vizados, criando restrições legais, os “códigos negros”, que negavam liberdades básicas e introduziram a segregação racial em escolas, biblio tecas, banheiros públicos etc. Nos ônibus, por exemplo, os brancos se sentavam à frente e os negros, atrás. Caso houvesse um branco em pé, um negro deveria ceder seu lugar.
A segregação racial perdurou até meados dos anos 1950, quando movimentos de luta pelos direitos civis dos negros começaram a se organizar, realizando manifestações, marchas e greves que resultaram em algumas mudanças nas leis. O direito ao voto, por exemplo, só foi conquistado em 1965.
Nas décadas seguintes, novas ondas de protesto continuaram a acontecer. Mesmo assim, Os afro-americanos ainda têm menos acesso à educação e à saúde, salários inferiores à média nacional e menor representação política, além de sofrerem mais com a violência policial.
A migração de hispânicos para os Estados Unidos teve início nos anos 1940, com os mexi canos que vinham fazer trabalhos temporários nos estados do Texas, da Califórnia e do Arizona, entre outros. Depois, entre os anos 1960 e 1970, cubanos e porto-riquenhos começaram a se instalar no país, seguidos por imigrantes dos países da América Central nos anos 1980.

Lei anti-imigração


No início do século XXI, as leis e políticas imigratórias nos Estados Unidos tornaram-se mais restritivas, sobretudo em relação a imigrantes de origem muçulmana e latino-americana.
O governo de Donald Trump (2017-2021) autorizou a ampliação do muro ao longo de toda a fronteira com o México. Além disso, assinou o polêmico decreto anti-imigração, que mais tarde se tornou lei anti-imigração, a qual, entre outras medidas, suspendeu a admissão de refugiados por quatro meses e proibiu a entrada de cidadãos do Irã, do Sudão, da Síria, da Líbia, da Somália, do Iêmen e do Iraque.
Joe Biden, o presidente estadunidense que assumiu em 2021, pediu a revo gação dessa lei nesse mesmo ano, mas o pedido foi negado peja Justiça. A lei anti-imigração marcou a política de “tolerância zero” em relação à imigração ilegal. Em 2018, todas as pessoas detidas quando tentavam atravessar a fronteira com o México passaram a ser processadas criminalmente e presas em centros de detenção. Entre 2020 e 2021, mais de 1,5 milhão de pessoas foram detidas na fronteira, e começaram a ser reenviadas para seus países de origem, principalmente da América Central.
Entre esses imigrantes, há muitas crianças e adolescentes que migram com suas famílias ou sozinhas. Como a lei estadunidense proíbe que menores de idade permaneçam acompanhados de pessoas que estão sendo processadas, essas crianças eram levadas para abrigos e separadas de suas famílias. Em 2018, havia mais de 2 mil crianças nessa situação, o que gerou indignação mundial e inúmeros protestos. Atualmente, esses menores são encaminhados para famílias que os acolhem nos Estados Unidos.

Movimentos negros nas mídias sociais


O movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”) surgiu nos Estados Unidos em 2013 para denun ciar a violência policial, o racismo e a discriminação no país.
O slogan e a hashtag #BlackLivesMatter começaram a ser amplamente usados nas redes sociais e nas manifestações que protestavam contra a morte de afro-americanos por poli ciais. Em maio de 2020, a morte de George Floyd (1973-2020), asfixiado por um policial branco, gerou uma onda de protes tos e manifestações nos Estados Unidos e em diversos países.
No Brasil, a violência policial também é um grave pro blema enfrentado pela população negra. Isso fez com que o movimento Black Lives Matter ou Vidas Negras Importam tivesse grande repercussão entre os movimentos ativistas negros brasileiros.

Potência mundial


Assim como os países europeus, os Estados Unidos também se lançaram na corrida imperialista no final do século XIX após terem completado a expansão para o Oeste.
Os principais fatores que contribuíram para o domínio de territórios pelos estadunidenses ao redor do mundo foram:
- o imenso território, rico em recursos naturais que ajudaram a impulsionar a industrialização e o desenvolvimento econômico;
- a saída para os oceanos Atlântico e Pacífico, que favorece o comércio internacional com Europa e Ásia e o posicionamento estratégico de navios militares. A Marinha estadunidense tem a maior e mais bem equipada frota do planeta, com bases para operar em várias regiões do mundo.
Desde o início do século XIX, os Estados Unidos consideram a América Latina uma área de importância vital aos seus interesses políticos, econômicos, militares e estratégicos. Em 1823, estabeleceram uma política denominada Doutrina Monroe (cujo lema era “América para os americanos”), que defendia a independência dos países americanos, considerando possíveis inter venções europeias uma ameaça à segurança regional. Em 1904, a política do Big Stick (Grande Porrete) atribuía às Forças Armadas estadunidenses o direito de invadir os países da América Latina para garantir seus interesses.
Após as duas Grandes Guerras Mundiais, os Estados Unidos tornaram-se o principal financiador da reconstrução dos países europeus arrasados pelos conflitos, determinando seu domínio no mundo capitalista.
Um exemplo da força econômica e financeira estadunidense foi a realiza ção da Conferência de Bretton Woods no ano de 1944, em Washington. Nessa conferência, os países capitalistas definiram um novo sistema para regular a economia e o comércio mundial. Estabeleceu-se como moeda principal o dólar estadunidense e foram criadas duas importantes instituições mundiais: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A partir da década de 1960, temendo a expansão do socialismo para os países da América Latina, os Estados Unidos incentivaram a implantação das ditaduras militares na região e ofereceram suporte a elas para assegurar seus interesses políticos e econômicos.
Com o fim da União Soviética no início dos anos 1990, os Estados Unidos assumiram o papel de potência hegemônica planetária. Desde então, o país vem tomando decisões unilaterais em muitas situações, pensando exclusivamente em seus interesses e sem respeitar instituições como a ONU.
Desde o início do século XXI, o governo estadunidense vem se apoiando em uma política de combate ao terrorismo para justificar um grande esquema de inteligência e espionagem internacional, como também ataques militares em países como Iraque, Afeganistão e Síria.

Influência global


Embora tenham passado por crises econômicas e enfrentado a competição de outros países, como a China, os Estados Unidos ainda exercem grande influência econômica, política, militar e cultural no espaço mundial. Apresentam, por exemplo, o maior produto interno bruto (PIB) do mundo, estimado pelo FMI em 23 trilhões de dólares em 2021, pelo menos 14 vezes maior que o PIB do Brasil no mesmo ano (1,6 trilhão de dólares).
A influência política ocorre, muitas vezes, sobre organismos como o FMI, a ONU, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC). As ações desses organismos têm sido alvo de muitas críticas de outros países, que consideram altos os juros cobrados e apontam a imposição de condições de mercado que beneficiam as empresas estadunidenses.
A expansão dessas empresas pelo mundo aumentou ainda mais o poder econômico do país. Elas foram gradativamente instalando filiais em vários países, passando, em muitos deles, a controlar importantes setores da economia, tornando-os dependentes das políticas econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Respaldados pelo enorme poderio militar, os Estados Unidos comandam intervenções armadas em conflitos locais e globais. Foi assim na Guerra do Golfo (1991), na Guerra do Kosovo (1999), na Guerra do Afeganistão (2002) e na Guerra do Iraque (2003). Ocorreu também em diversas intervenções militares antiterroristas e em guerras civis de países como a Somália (2007), a Líbia (2011), o Iraque e a Síria (2014). Em 2022, o país se posicionou contra a invasão da Ucrânia, impondo sanções à Rússia, como o bloqueio de contas bancárias e bens russos em território estadunidense e a suspensão das importações de petróleo russo, entre outras medidas.
Os Estados Unidos investem anualmente bilhões de dólares em armamentos, defesa antiterrorismo, administração de pessoal, informações e desenvolvimento de tecnologias que tornam as Forças Armadas estadunidenses as mais poderosas e mais bem equipadas do planeta, com um efetivo de 1,3 milhão de soldados. Também têm muitas bases militares espalhadas pelo mundo, de onde controlam ou iniciam diversas operações, além dos sistemas de monitoramento por satélite.

Relações internacionais


Liberdade de expressão, direito de ir e vir, direito de escolher os governantes, liberdade de imprensa, entre outros, são princípios democráticos declarados pelos Estados Unidos. A grande potência utilizou, em muitas ocasiões, a defesa da democracia como justificativa para realizar intervenções militares e aplicar sanções políticas e econômicas a diversos países, criando “inimigos” e tornando-se alvo de atentados terroristas.
Durante a Guerra Fria, os maiores opositores à política externa estadunidense eram a União Soviética e seus aliados. No início dos anos 1990, com a dissolução do bloco socialista, as relações com a maioria desses países foram retomadas.
O Oriente Médio também é uma região com a qual os Estados Unidos mantêm relações instáveis. Na década de 1980, o Irã se tornou um grande opositor estadunidense com a fundação da República Islâmica do Irã. Desde então, os dois países passaram por momentos de aproximação e distanciamento. Nos anos 1990, o Iraque do presidente Saddam Hussein (1937-2006) envolveu-se em duas guerras contra os Estados Unidos (Guerra do Golfo, em 1991, e Guerra do Iraque, em 2003). Deposto do poder, Hussein permaneceu escondido por alguns meses, mas foi capturado, julgado e condenado à morte em 2006 por crimes de guerra. O país ficou sob ocupação militar estadunidense até 2011.
O início do século XXI foi marcado pelos atentados de 11 de setembro de 2001, quando terroristas sequestraram aviões de passageiros e os lançaram contra alvos estratégicos – o World Trade Center, em Nova York (símbolo do poder econômico estadunidense), e o Pentágono, em Washington (símbolo do poder militar). Um quarto avião caiu numa área des povoada na Pensilvânia. Ao todo, mais de 3 mil pessoas morreram.
O ataque foi idealizado e organizado pelo grupo Al Qaeda, liderado por Osama bin Laden (1957-2011). Em resposta, o governo de George Bush (2001 2009) iniciou a “Guerra contra o Terror”. Nessa campanha de “caça aos terroristas”, os territó rios do Afeganistão e do Iraque foram ocupados em 2001 e 2003, respectivamente. As tentativas de implementação de governos favoráveis à política estadunidense trouxeram desordem política e social, miséria e ódio das popula ções locais pelos invasores.
Osama bin Laden foi morto em maio de 2011, durante o governo de Barack Obama (2009 2017). Nesse mesmo ano, as tropas estadunidenses se retiraram do Iraque e participaram de uma intervenção militar na Líbia, contra o regime de Muammar al-Gaddafi (1942-2011). Tinha início o conflito na Síria.
A política intervencionista estadunidense favoreceu o surgimento de grupos de resistência armada como o Estado Islâmico, que passou a controlar áreas estratégicas na Síria e no Iraque. Diante desse quadro, Barack Obama reenviou tropas ao Iraque em 2014, ordenou o bombardeio aos territórios ocupados pelo Estado Islâmico e manteve a ocupação do Afeganistão.
Apesar da política intervencionista, o governo Obama conseguiu realizar avanços no diálogo com países considerados adversários dos Estados Unidos, reatando, por exemplo, relações diplomáticas com Cuba e Irã.

De Trump a Biden


Em janeiro de 2017, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Começou seu governo desfazendo acordos e políticas adotados por Barack Obama, demonstrando tendência ao isolamento do ponto de vista das relações internacionais.
Na esfera econômica, Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP). Esse acordo tinha o objetivo de expandir a área de influência estadunidense na região do Pacífico e da Ásia, fazendo frente à China.
Trump também elevou as taxas de importação de produtos chineses, complicando as relações com o maior rival econômico. Além disso, questionou os termos do antigo Nafta por considerá-los desvantajosos para a economia estadunidense.
Na política internacional, a retirada do acordo nuclear com o Irã reacendeu as tensões entre os dois países. Também tentou acordos para a redução do programa de armas nucleares da Coreia do Norte, mas havia desconfiança entre as partes.
O reconhecimento de Jerusalém (cidade considerada sagrada por judeus, católicos e muçul manos) como capital de Israel aumentou o desgaste das relações entre os Estados Unidos e os povos muçulmanos.
As políticas migratórias restritivas também foram duramente critica das pela comunidade internacional, assim como a gestão da pandemia de covid-19. Além das políticas que favoreceram o desmantelamento da infraestrutura da saúde pública, o presidente adotou uma postura negacionista, minimizando a gravidade do vírus, propagando informações falsas e desencorajando a população a usar máscaras.
Em novembro de 2020, Joe Biden (1942-) foi eleito presidente dos Estados Unidos. Em janeiro de 2021, apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio, sede do Congresso Nacional, alegando fraude nas eleições, fato que foi desmentido pelas autoridades estadunidenses.
Biden conquistou mais de 80 milhões de votos e começou o mandato com 56% de aprovação. O presidente foi eleito tendo como principais promessas de campanha controlar a pandemia de covid-19 e reverter algumas políticas adotadas no governo Trump.
No plano internacional, Biden apostou no multilateralismo e na causa climática, além de retomar as negociações com o Irã. Contudo, o governo enfrentou problemas internos, como desemprego, protestos contra a violência policial e uma grave crise migratória na fronteira com o México.
Apesar de ter aprovado um pacote de ajuda para combater a pandemia e incentivar a vacinação, os índices de popularidade do presidente começaram a cair após a retirada das tropas estadunidenses do Afeganistão. Também foi bastante criticado por medidas adotadas para conter a imigração.
Em 2022, o grande desafio internacional do governo Biden foi a Guerra da Ucrânia. Os Estados Unidos condenaram a invasão da Rússia ao país do Leste Europeu e fizeram boicotes contra instituições e pessoas ligadas ao governo russo.

Recursos minerais e energéticos dos Estados Unidos 


O crescimento industrial dos Estados Unidos foi beneficiado pela riqueza de recursos naturais existentes em seu território, sobretudo cobre, carvão, minério de ferro e petróleo. Atualmente, a abundância de recursos naturais ainda é muito importante para a economia do país, pois gera parte da matéria-prima e da energia utilizadas para o abastecimento de seu parque industrial.
Embora os Estados Unidos possuam uma vasta riqueza mineral, ainda recorrem à importação de vários recursos, pois sua demanda é muito maior que a produção nacional. Mesmo sendo o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, sua pro dução é insuficiente para abastecer seu parque industrial. Por isso, os Estados Unidos dependem cada vez mais de importações de petróleo de países como Canadá, Arábia Saudita, México e Venezuela. 

Agropecuária estadunidense 


A característica mais marcante da atividade agropecuária dos Estados Unidos é sua elevada produtividade, decorrente, principalmente, do emprego de mão de obra qualificada, maquinários com elevada tecnologia e técnicas modernas de produção, como irrigação e melhoramento genético. 
Além da agropecuária altamente mecanizada, o país apresenta também um grande aproveitamento de seu espaço rural, diferentemente do que ocorre em muitos países subdesenvolvidos, inclusive o Brasil, nos quais vastas áreas voltadas para a agropecuária, geralmente localizadas em latifúndios, permanecem subaproveitadas, ou seja, não são ocupadas por lavouras ou criações.
Por causa do uso cada vez mais intenso de máquinas nas atividades rurais, a Popu lação Economicamente Ativa (PEA) ligada ao setor agropecuário dos Estados Unidos é bastante reduzida. Apenas 1,4% de seus trabalhadores estavam, em 2019, efetivamen te ocupados no campo, o que não impediu que o país registrasse uma produtividade cada vez mais elevada. 
Além de abastecer agroindústrias e parte de sua população, os Estados Unidos são os maiores exportadores de produtos agropecuários em todo o mundo, principalmente de grãos.

Cinturões agrícolas


Assim como as áreas industriais, a denominação belt também é usada para a or ganização do espaço agrário dos Estados Unidos. Os belts, ou cinturões, são regiões especializadas na produção de um tipo específico de cultivo ou criação. 
A distribuição dos belts varia conforme as características naturais de clima e solo de cada região. Por exemplo, no oeste do território, onde predomina o clima semiári do, estão localizadas as regiões voltadas para a pecuária leiteira e o cultivo de frutas tropicais. Já na região central do território, dominada pelo clima temperado e pelas extensas planícies que possibilitam o uso de maquinários, observa-se a existência das monoculturas de trigo. Os principais belts do país são do algodão (cotton belt), do milho (corn belt) e do trigo (wheat belt). 

O transporte 


Os Estados Unidos têm uma rede de transportes moderna e altamente de senvolvida, que facilita o deslocamento de pessoas e o escoamento da produção econômica agropecuária, extrativista e industrial. 
O transporte rodoviário é bastante utilizado no país, que apresenta uma rede de rodovias com mais de 6 milhões de quilômetros de extensão. 
O transporte ferroviário, muito utilizado para o transporte de cargas, conta com uma rede ferroviária de cerca de 500 mil quilômetros de extensão e que abrange aproximadamente um terço das vias férreas do mundo. 
 Em território estadunidense, destacam-se alguns dos maiores portos do mundo, como os de Nova York, Baltimore e Boston, permitindo ao país acesso a dois oceanos (Atlântico e Pacífico). Esses portos estão conectados a um sistema de hidrovias que permite a navegação de cabotagem (costeira) e o transporte fluvial em rios, como o Hudson e o Mississípi (e seus afluentes). 
Na região dos Grandes Lagos, por meio de vários canais em conexão com o rio São Lourenço, está instalado o complexo hidroviário fluvial lacustre mais movimentado do mundo, com saída pelos Estados Unidos (porto de Nova York) e pelo Canadá (rio São Lourenço).
Em virtude da grande produção petroquímica, outras importantes formas de transporte são os gasodutos e oleodutos, cuja importância cresceu com a intensificação da exploração do gás e do petróleo de xisto.






América do Norte: economia

A América do Norte é composta de dois países desenvolvidos – os Estados Unidos e o Canadá – e um país emergente – o México. Os três são país...