A reprodução assexuada ocorre tanto em organismos procariontes quanto em organismos eucariontes, sendo observada desde organismos mais simples, como as bactérias, até organismos mais complexos, como muitas plantas e certos animais.
Reprodução assexuada em bactérias e protozoários
A maioria dos organismos unicelulares se reproduz por um processo chamado divisão binária, ou cissiparidade. Nesse processo, a única célula que forma o indivíduo divide-se em duas depois de crescer e duplicar seu material genético, originando dois indivíduos geneticamente idênticos. Bactérias e protozoários se reproduzem por divisão binária.
Bactérias são organismos
unicelulares procariontes, que
apresentam o material genético
disperso no citoplasma. Antes
de a célula bacteriana se dividir,
o material genético é duplicado
e cada célula resultante dessa
divisão contém uma cópia do
material genético duplicado.
Os protozoários são organismos unicelulares
eucariontes, ou seja, têm o material genético
organizado dentro de um núcleo. Antes de a
célula se dividir, o material genético se duplica e o
núcleo se divide. Então, quando a célula terminar
o processo de divisão binária, cada célula-filha
formada terá um núcleo e composição genética
idênticos aos da célula original.
Bactéria intestinal da família
Enterobacteriaceae se reproduzindo por
divisão binária. Microscopia eletrônica; colorida
artificialmente. Imagem ampliada 44 mil vezes.
Reprodução assexuada em fungos
Há uma variedade grande de fungos e podemos dividi-los, basicamente, em unicelulares e pluricelulares. Os
fungos unicelulares, conhecidos como leveduras, podem se
reproduzir por brotamento. Nesse processo, a célula forma
pequenos brotos que podem se soltar e dar origem a novos
indivíduos geneticamente idênticos à célula genitora.
Os fungos pluricelulares, por outro lado, podem se
reproduzir assexuadamente por esporulação. Nesse pro
cesso, o organismo produz esporos, estruturas lançadas no
ambiente e que geralmente são levadas pelo vento, o que auxilia na
dispersão do fungo. Os esporos são estruturas capazes de sobreviver
no ambiente até que as condições para reprodução sejam adequadas.
Quando isso ocorre, eles se multiplicam e dão origem a novos indivíduos.
Fungos unicelulares
(Saccharomyces
cerevisiae) com
indicação de um
broto. Microscopia
eletrônica; colorida
artificialmente.
Imagem ampliada
4,5 mil vezes.
Fungos podem
se reproduzir
assexuadamente
por brotamento
(leveduras) ou por
esporulação (fungos
pluricelulares).
As plantas compõem um grupo muito diverso, com diferentes estratégias de reprodução.
Os musgos, por exemplo, podem se reproduzir de forma assexuada
por meio da fragmentação. Nesse processo, um fragmento do corpo
do musgo se destaca e, ao cair em ambiente favorável, pode dar origem
a um novo indivíduo completo.
Outra forma de reprodução assexuada nessas plantas mais simples
é a formação de propágulos, estruturas formadas por células
indiferenciadas capazes de produzir uma nova planta. Os propágulos
geralmente ficam abrigados no interior de estruturas em forma de taça
chamadas conceptáculos.
Hepáticas, plantas
do mesmo grupo dos
musgos, apresentam
conceptáculos e
propágulos, estruturas
que participam da
reprodução assexuada
desse vegetal.
Nos outros grupos de plantas pode ocorrer a propagação vegetativa. Esse processo envolve caules e folhas.
Essas estruturas têm gemas ou botões vegetativos,
formados por tecidos indiferenciados, que podem originar
outras partes da planta. Das gemas surgem novos brotos,
que formam ramos e folhas e podem dar origem a uma
nova planta quando se separam da planta-mãe.
A reprodução assexuada também ocorre em caules
subterrâneos e rasteiros, por exemplo. Esses caules vão
se ramificando e formando raízes e podem dar origem a
novas plantas.
O conhecimento sobre a reprodução assexuada em
vegetais permitiu que as pessoas pudessem multiplicar
plantas com características de interesse. Por exemplo, ao
perceber que determinada planta produz frutos que são
apreciados pelas pessoas, um agricultor pode promover
a reprodução assexuada dela para obter clones, ou seja,
novas plantas com características muito parecidas com as
da planta-mãe.
Reprodução assexuada em animais
Na reprodução assexuada, um ou mais novos indivíduos são
gerados por uma série de divisões celulares a partir de um único “ancestral”. Nesse tipo de reprodução não ocorre a união de gametas, e
os descendentes são geneticamente idênticos ao ser que os originou.
Várias espécies, principalmente de animais menos complexos,
conseguem também reproduzir-se assexuadamente.
Alguns animais aquáticos, como a maioria dos poríferos (também
conhecidos como esponjas) e alguns cnidários (como a hidra), podem
se reproduzir de forma assexuada por meio de brotamento. O broto se
forma externamente ao corpo do animal e pode se desprender, dando
origem a um novo indivíduo.
O brotamento, que ocorre,
por exemplo, na hidra. O broto surge por meio de sucessivas divisões
celulares que produzem novas células cuja bagagem genética é idêntica à da hidra original. O broto cresce à medida que seu número de
células aumenta, por divisões celulares. Atingido um certo tamanho,
o broto pode se destacar e passar a ter vida independente.
Nas anêmonas-do-mar também pode ocorrer brotamento. As colônias de anêmonas-do-mar formam-se quando os novos indivíduos
produzidos assexuadamente permanecem unidos aos “ancestrais”
Em condições adversas, algumas esponjas também podem formar
gêmulas, estruturas resistentes compostas de um agrupamento de
células que ficam dentro do corpo do genitor, que as expele apenas
quando as condições ambientais são favoráveis para o seu desenvolvimento. As gêmulas podem, então, originar novos indivíduos. Esse tipo
de reprodução assexuada é chamado gemulação.
A fragmentação – também chamada regeneração – é outro tipo
de reprodução assexuada e ocorre em alguns animais invertebrados,
como as planárias (platelmintos) e as estrelas-do-mar (equinodermos).
Os fragmentos que se destacam do corpo do genitor formam as partes
que faltam e dão origem a novos indivíduos completos.
Nesse processo, um ou mais pedaços do corpo do animal destacam-se dele por ação de uma força externa e, a seguir, sofrem regeneração, ou seja, reconstroem as partes que faltam. Isso acontece,
por exemplo, em certas espécies de esponjas, anêmonas-do-mar,
vermes e estrelas-do-mar.
Dependendo da espécie e dos fragmentos, pode haver regeneração
de todos os pedaços ou de apenas alguns deles. Se uma estrela-do-mar perder um de seus braços, por exemplo, haverá regeneração e
um novo braço será formado. Se o braço perdido tiver uma
porção do disco central do animal, também terá a capacidade de
regeneração e originará um novo indivíduo.
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