quarta-feira, 23 de setembro de 2026

As civilizações do Extremo Oriente: China e Japão

Estudaremos algumas das civilizações que surgiram no Extremo Oriente. Suas tradições, assim como muitas de suas criações, fazem parte de nosso dia-a-dia e regem a vida de muitas pessoas que habitam os lugares nos quais surgiram essas culturas milenares.
Os chineses utilizam até hoje a medicina desenvolvida na Antiguidade, a acupuntura e a cura com o uso de plantas medicinais. Muitas das suas criações - como a imprensa, o papel e a tinta, a pólvora, a bússola, a seda e a porcelana - fazem parte do nosso cotidiano.
A Índia nos legou os números que utilizamos e o jogo de xadrez. Foi o berço das ciências e da filosofia, preservando, até os dias de hoje, muitos costumes ligados a crenças espirituais e religiosas.
Além disso, as famosas especiarias indianas, tais como a pimenta, a canela e o cravo, foram responsáveis, até certo ponto, pela revolução geográfica impulsionada pela expansão marítima europeia no final do século XV.

A China

Há mais ou menos 600 anos, um menino italiano da cidade de Veneza partiu com o pai para uma longa viagem por terra em direção ao Oriente, para lugares nos quais, provavelmente, nenhum outro menino europeu estivera.
Essa viagem maravilhosa durou mais de 25 anos. Quando o menino voltou, já era um homem e tinha visto lugares e coisas que estavam muito além do mundo europeu. O menino chamava-se Marco Polo, e o país maravilhoso que ele descreveu no diário de sua viagem era a China.

Localização

A China se localiza no extremo sul do continente asiático, muito longe do mundo onde Marco Polo fora criado. O país é cortado por grandes rios: o rio Amarelo e o rio Azul, que, com outros rios, como o rio Branco e o Vermelho, formam vales longos que fertilizam os campos do coração da China.
Essa terra muito fértil fez com que muita gente se fixasse nas margens dos rios, que até hoje abrigam a maior concentração de pessoas do planeta. Para se ter uma idéia do tamanho dessa população, lembre-se de que no Brasil vivem cerca de 140 milhões de pessoas. Mas na China, cujo território é menor que o nosso, vivem oito ou nove vezes mais pessoas que aqui.
As grandes cidades chinesas cresceram nas desembocaduras dos rios: é o caso de Pequim (no rio Branco), Nanquim (rio Azul), Cantão (rio Vermelho).
O clima é muito variado. Nas terras do norte, faz muito frio no inverno e muito calor no verão. Esse clima é ideal para o cultivo de cereais - como o trigo e o centeio.
Já nas terras do sul, a temperatura se mantém agradável durante todo o ano. Essa região é mais fértil: tem muitos rios e vales nos quais são cultivados arroz e chá, produtos muito importantes para os chineses. Também foi nessa parte da China que surgiu a famosa indústria da seda.

O Império do Centro

Foi na desembocadura do rio Amarelo que a civilização chinesa começou a se estabelecer e a se organizar politicamente. Isso se deu mais claramente quando os chineses sentiram a necessidade de nomear um chefe para ajudar a organizar a sociedade à medida que ela crescia.
O chefe, no princípio das civilizações, era escolhido entre os mais fortes do grupo. Com o passar do tempo, começou-se a aceitar como chefe o filho ou algum parente próximo daquele que já havia sido chefe. Daí surgiram os reis, que eram vistos como “filhos do céu”, isto é, como pessoas sagradas.
A civilização chinesa ia se expandindo e muitos reinos foram sendo formados. Os reis eram, então, os chefes de territórios relativamente pequenos. Não existia um poder central, um governo ao qual os reis também estivessem ligados. Por volta do ano 2000 a.C., os chineses formaram seu primeiro império, ou seja, nomearam um imperador, autoridade máxima à qual até mesmo os reis deviam obediência. O primeiro imperador da China foi Yu, que criou a primeira família, ou dinastia, de imperadores.

Guerras civis

Tudo ia bem até que surgiram imperadores “folgados”, que só pensavam em se divertir e não em governar. Além disso, à medida que o império ia crescendo, o imperador não conseguia governar tudo sozinho. Por isso o poder dos imperadores foi diminuindo, ao mesmo tempo em que o poder dos governantes locais foi aumentando.
A China foi dividida em províncias - mais ou menos como os Estados brasileiros de hoje em dia - que eram administradas por um governador nomeado pelo imperador. Com o fortalecimento desses governadores, que se tornaram nobres, o império se dividiu em mais de 1.500 principados.
Esse momento da história da China é conhecido como a época das guerras civis. Uma guerra civil é uma guerra entre pessoas do mesmo país, ou do mesmo império. Os principados lutaram uns contra os outros durante muitos anos, até que, em 220 a.C., um príncipe conseguiu vencer e tornar-se imperador. Ele se chamava Chin-Huang-ti e inaugurou a dinastia Chin. É daí que vem o nome da China.
Depois de derrotar os príncipes, o imperador acabou com os principados e dividiu seu império em 55 províncias. Esse foi o início de uma era de grande desenvolvimento para o império, a chamada Idade do Ouro, que durou cerca de 400 anos. Nessa época foi construída a famosa muralha da China, ou Grande Muralha, uma poderosa barreira com mais de 2.500 quilômetros de extensão e quatro metros de largura. Ela servia paradificultar a invasão dos inimigos, especialmente dos temidos tártaros, habitantes do norte do país.

Decadência

Mas nem essa grande muralha foi capaz de deter o avanço dos hunos, povo que acabou conseguindo invadir o norte do império e estabeleceu sua capital na cidade de Nanquim. Ali começou a decadência do império chinês, que viveu séculos de guerras entre o norte e o sul.
O império só se unificou novamente por volta de 1200, quando os mongóis - outro povo que veio do centro da Ásia, liderado pelo príncipe Gêngis Khan - conseguiram dominar a China.

Sociedade e cultura

Mas, entre tantas lutas e conquistas, como viviam os chineses dessa época?
A família chinesa era organizada da seguinte forma: o pai mandava dentro de casa e a mulher e os filhos tinham de obedecê-lo - caso contrário, ele podia até vendê-los como escravos.
Assim como os pais de família, o imperador era considerado o “pai” de todos os chineses.
Você pode perceber que não era muito fácil ser mulher ou filho na China imperial!
O imperador governava com a ajuda de um grupo de ajudantes chamados mandarins. Eles podiam governar como se fossem o próprio imperador e eram considerados nobres, pois pertenciam a famílias muito antigas.
Havia também o grupo dos chamado letrados, pessoas que dominavam a leitura e a escrita - coisa que muito pouca gente sabia fazer naquela época.
A maioria das pessoas morava no campo e quem cultivava a terra eram os lavradores. Os artesãos faziam móveis, cerâmicas e muitas outras coisas. Moravam nas cidades e, juntamente com os comerciantes, que compravam e vendiam mercadorias, formavam a plebe.
Todas essas ocupações eram hereditárias, ou seja, passavam de pai para filho. Assim, se o pai fosse agricultor, o filho também seria agricultor. Esse era o chamado regime (ou sociedade) de castas. Nele, a condição de nascimento determinava o que o indivíduo seria pelo resto de sua vida. É por isso que podemos dizer que a sociedade chinesa era uma sociedade estática, que quase não sofria mudanças.

A religião

Os chineses eram muito religiosos, mas não tinham “uma” religião: eles acreditavam num conjunto de regras, ou seja, num código de comportamento, que todos respeitavam. Uma dessas regras, o respeito aos antepassados, foi formulada por Confúcio, que viveu entre 551 e 479 a.C. Ele acreditava que o homem podia ser perfeito se fosse correto com as demais pessoas.
Os chineses também acreditavam na filosofia de Lao-tsé, o taoísmo, que cultuava o respeito à natureza e a tranqüilidade do espírito.

As ciências e as artes

As ciências que os chineses criaram foram as mais avançadas da Antiguidade. Muitas práticas são empregadas até hoje: a acupuntura e a utilização de ervas medicinais, por exemplo. Eles inventaram a imprensa para publicar livros, o papel e a tinta; descobriram a pólvora (usada em fogos de artifício) e inventaram a bússola. Aliás, a astronomia chinesa era muito desenvolvida para a época: eles sabiam o que provocava os eclipses do Sol e da Lua; além disso, dividiram o ano em doze meses iguais, e o dia em doze horas.
Nas artes, os chineses ergueram grandes palácios para os imperadores. Sua engenharia e sua arquitetura construíram, além da Grande Muralha, o Canal Imperial, com mais de 1.500 quilômetros de comprimento, que liga os rios Azul, Amarelo e Branco, cortando desertos e montanhas.
Além disso, os chineses se especializaram na fabricação de tecidos de seda e da porcelana, produtos tão perfeitos que nenhum outro país os podia igualar.

O Japão

Ainda no Oriente, uma outra civilização se constituiu na Antiguidade e se tornou fundamental para o desenvolvimento do mundo: o Japão. Geograficamente, o que conhecemos como Japão é na verdade um arquipélago composto de 4 mil ilhas, das quais 600 são habitadas. Apenas cinco dessas ilhas são grandes. Isso condicionou os japoneses à vida da pesca e da marinhagem.
Os povos que formaram o Japão vieram da Coréia e da região sul da Ásia, chegando ao arquipélago japonês e expulsando os nativos. O fundador mítico do império japonês é Amaterasu, “neto da deusa do Sol”, que recebeu o título de Tennos (rei celeste). Por volta de 660 a.C., Jimmu Tenno foi sagrado primeiro imperador.

Culturalmente, a China dominava o arquipélago japonês.

Durante os séculos VII e XII, o Japão assimilou essas importações e criou as suas tradições, consolidadas nos séculos XII e XIII. Em 1543, comerciantes portugueses atingiram o Japão. Os jesuítas tentaram estabelecer lá a cultura religiosa ocidental, sendo expulsos apenas em 1640. Os japoneses só voltaram a manter contatos com o Ocidente na segunda metade do século XIX, na era Meiji.

A vida política

Por volta do século V, havia no Japão vários clãs de origem nobre. Yamato, o chefe de um deles, se sobrepôs aos outros chefes. Formou um império de inspiração divina, e nos dois séculos seguintes a essas tradições político-religiosas juntou-se outra: as idéias chinesas de Confúcio, que foram introduzidas no século VI. A hierarquização da sociedades se deu como na China, e fixou-se uma capital para os dirigentes, até então nômades, em Nara.
O poder era dividido entre o teno, ou “imperador que é a encarnação da divindade”, e o regente, uma espécie de primeiro-ministro, porta-voz de uma aristocracia do tipo da chinesa.
Uma série de guerras civis eclodiu do século XIII ao século XVI. O teno permanecia fora do jogo político, mas o regente tornou-se o chefe da guerra, o shogun. Os aristocratas criam uma estrutura feudal, sob a suserania do shogun, com os daimio - os samurais, ou guerreiros, vassalos a serviço do senhor.
No século XVII (1603), uma nova dinastia de shoguns, os Tokugawa, se instalou e governou o país até 1668, criando uma barreira militar fechada ao mundo externo. Durante esse período, o Japão não manteve contato com o restante do mundo.

A vida religiosa

Os japoneses eram animistas, isto é, acreditavam na presença dos espíritos em toda parte. Esse corpo de crenças recebe o nome de xintó, o “caminho dos espíritos”. Ao lado do xintoísmo, o budismo - originário da Índia, mas introduzido no Japão por influência da China - tornou-se também uma religião japonesa, pois se modificou e assumiu novas características no arquipélago.

A cultura japonesa

Como aconteceu com a religião, a cultura japonesa foi bastante influenciada pela chinesa. Mas essa cultura possui aspectos muito particulares. Na literatura e no teatro criou-se o Nô, um tipo de drama de inspiração religiosa. Outro tipo de espetáculo é o Kabuqui, menos formal e mais movimentado que o Nô.
Ressaltem-se também a extraordinária originalidade da arquitetura e o trabalho inovador com a madeira; as delicadas pinturas sobre seda, chamadas Kakemono; ou, ainda, os jardins admiráveis.


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