É a primeira religião monoteísta da humanidade. Funda-se sobre a revelação dos dez mandamentos de Deus a Moisés no monte Sinai, Egito. Segundo a tradição, Moisés descende de Isaac, filho de Abraão, patriarca da Mesopotâmia, o primeiro a receber uma revelação de Deus. Na metade do século XIX a.C., Abraão abandona o politeísmo e conduz seu povo para Canaã, atual Palestina. Existem atualmente cerca de 13 milhões de judeus em todo o mundo; 4,5 milhões vivem no Estado de Israel.
Torah – No século XV a.C., quando os israelitas encontram-se escravizados no Egito, Moisés, um judeu, mata um egípcio em defesa de um israelita e foge para o deserto do Sinai. Lá, o deus de Abraão ordena-lhe que conduza os israelitas para o deserto. A Revelação (Torah) no monte Horeb constitui o evento fundador da religião de Israel.
Reinos de Israel e de Judá – Os israelitas conquistam a Palestina no século XIII a.C., sob o comando de Josué. As tribos são governadas por juízes e depois por reis, como Saul, Davi e Salomão. Este último dirige a construção do primeiro templo de Jerusalém, entre 970 e 931 a.C. Depois de Salomão, as tribos dividem-se em dois reinos, o de Israel, na Samaria, e o de Judá, com a capital em Jerusalém. O reino de Israel é destruído em 721 a.C. Em 586 a.C., Nabucodonosor, rei da Babilônia, invade o reino de Judá, destrói o templo e deporta a maioria do povo de Judá. É a partir do exílio na Babilônia que se pode falar propriamente de judaísmo.
Messias – Com a divisão das tribos judaicas em dois reinos, surge a esperança e a fé em um messias (ungido): o enviado de Deus para restaurar a unidade do povo e a soberania divina sobre todo o mundo.
Volta à Palestina – Os judeus começam a voltar à Palestina em 538 a.C. Reconstroem o templo e vivem breves períodos de independência, interrompidos por constantes invasões de potências estrangeiras. Entre os séculos II e IV a.C, migrações voluntárias difundem a religião e a cultura judaica por todo o Oriente Médio. Em 63 a.C. Jerusalém é conquistada pelos romanos e, no ano 6 d.C., a Judéia torna-se uma província de Roma. Em 70 d.C. os romanos destroem o templo e, em 135, Jerusalém é arrasada.
Diáspora – Com a destruição do segundo templo de Jerusalém e da própria cidade, começa o período da grande dispersão do povo judeu, a Diáspora. Espalhados por todos os continentes, os judeus mantêm sua unidade cultural e religiosa. A Diáspora termina em 1948 com a criação do Estado de Israel.
Livros sagrados – Os cinco livros da Revelação (Torah) e os textos de Os profetas (Nebiim) são escritos antes do exílio na Babilônia. Os livros dos profetas menores, os livros poéticos e outros textos de Os escritos (Ketubim) são redigidos depois de 538 a.C. A Bíblia hebraica é fixada no final do século I d.C. No início da era cristã, as tradições orais do povo judeu são registradas nos livros Mishnah, Targumin e Midrashim. Entre os século III e V as comunidades da Palestina e da Babilônia acrescentam os Comentários (Gemara) à Mishnah e reúnem o conjuntos de textos conhecidos por Talmud (ensinamento). Na Idade Média, as comunidades judaicas produzem textos de grande importância, como Sefer Ha-Mitswot (Livro dos mandamentos), do filósofo e médico Maimônides (1135-1204), ou Sefer Ha-Zohar (Livro do esplendor), atribuído a Shimon ben Yohai, um rabino do século II. O Zohar, assumido pelo movimento místico-esotérico Qabbalah (Tradição), também é chamado de "Bíblia cabalística".
Pentateuco – É o conjunto dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento (a Bíblia hebraica): o Gênesis, sobre a origem do mundo e do homem; o Êxodo, que narra a fuga dos judeus escravizados no Egito; o Levítico, que trata das práticas sacerdotais; Números, que traz o recenseamento do povo judeu; e Deuteronômio, com discursos de Moisés e código de leis familiares, civis e militares. A autoria do Pentateuco é atribuída ao próprio Moisés.
Manuscritos do Mar Morto – Entre 1947 e 1956 são descobertos nas cavernas Qumran, no Mar Morto, 800 pergaminhos escritos entre 250 a.C. e 100 d.C. com os mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica. Eles descrevem atividades, regras, cultos e crenças de uma tribo judaica, os essênios, e revelam certos aspectos até então considerados como exclusivos do cristianismo. Apresentam grandes semelhanças com os Evangelhos do Novo Testamento e referem-se a práticas que lembram a Santa Ceia, o Sermão da Montanha e a cerimônia do batismo. Os Manuscritos são considerados um dos mais importantes achados arqueológico já realizados.
Festas judaicas – As mais importantes são as chamadas festas de peregrinação. Páscoa (Pessach) comemora a libertação do Egito, é celebrada no início da primavera, por uma semana, antecedida de quatro sábados de intensa preparação espiritual. Pentecostes (Shavuot), realizada 50 dias após a Páscoa, celebra a revelação da Torah no Sinai. Festa dos Tabernáculos (Sucot) rememora a peregrinação pelo deserto, antes da entrada na Palestina. Ano novo (Rosh Hashana) e a festa do Perdão (Yom Kippur), em setembro, são separadas por dez dias de penitência e formam uma unidade: o Rosh Hashana recorda o sacrifício de Isaac e evoca o julgamento de Deus, que se realiza no Dia do Perdão.
Calendário judaico – O ano judaico é contado de setembro a setembro, o ano atual (até setembro 1995) é o 5.755o da criação do mundo. (Fonte: Almanaque Abril )
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