domingo, 22 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: potência econômica

Os Estados Unidos são a maior potência econômica do mundo, com uma base de produção diversificada e tecnologicamente avançada. Sua transformação como potência econômica mundial está relacionada aos acontecimentos ocorridos após os conflitos mundiais que abalaram o planeta durante o século XX: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A Europa foi um dos continentes mais afetados pelas guerras mundiais. O fato de grande parte dos conflitos ter ocorrido em território europeu acabou arrasando a economia e a infraestrutura de países que, naquele período, já se encontravam in dustrializados, como Inglaterra, França e Alemanha. Assim, após a Segunda Guerra, os Estados Unidos já eram os maiores exportadores de gêneros industrializados do mundo. Isso porque a Europa, até então maior exportadora mundial de mercadorias, não conseguia abastecer o mercado internacional com seus produtos industrializados.
A condição de principal fornecedor de gêneros industrializados no mercado inter nacional permitiu aos Estados Unidos acumular uma grande riqueza e financiar a re construção de vários países do mundo. Esse programa de ajuda financeira destinada à Europa ficou conhecido como Plano Marshall.
Tal situação fez com que muitos países endividados pela guerra, como Inglaterra, França e Itália, tornassem-se dependentes da economia estadunidense. Além disso, o pagamento dessas dívidas ampliou o enriquecimento dos Estados Unidos a médio e longo prazos.

A expansão das multinacionais pelo mundo

Desde o século XIX, empresas estadunidenses destacam-se no cenário internacional. No entanto, a partir da segunda metade do século XX, a difusão dessas empresas pelo mundo se intensificou.
Com o crescimento de sua economia a partir da segunda metade do século XX, os Estados Unidos passaram a promover uma expansão de suas empresas no mundo. Muitas delas abriram filiais no exterior como forma de dominar novos mercados e ampliar os lucros.
Isso ocorre porque, com o intuito de conquistar novos mercados consumidores e reduzir seus gastos de produção, grandes empresas desse país passaram a abrir filiais pelo mundo, tirando proveito de leis ambientais e trabalhistas menos rígidas e difundindo seus produtos por preços ainda mais competitivos.
De maneira geral, a expansão dessas empresas iniciou-se, principalmente, em países desenvolvidos da Europa. No entanto, várias multinacionais procuraram atuar nos países subdesenvolvidos que se industrializavam, como Brasil, Argentina, México e África do Sul, pois ofereciam mão de obra barata, abundância de matéria-prima, concessões fiscais (isenção de impostos, por exemplo), um mercado consumidor em expansão, além de legislações ambientais e trabalhistas pouco rígidas no controle de suas atividades.
A partir da década de 1970, o Brasil passou a ser um importante mercado para essas empresas, que gradualmente se inseriram no país em diversos setores produtivos. Assim como ocorreu em outros países em desenvolvimento, algumas empresas estadunidenses passaram a exercer hegemonia em determinados setores da indústria, ocupando parte significativa desses mercados e gerando forte competição para as indústrias nacionais.
A expansão das multinacionais estadunidenses possibilitou aos Estados Unidos estabelecer relações comerciais com grande parte dos países do mundo, intensificando assim o fluxo de mercadorias importadas e exportadas pelo país e, sobretudo, garantindo o seu acelerado ritmo de crescimento econômico.
Assim, a expansão das transnacionais com sede em diversos países contribuiu para fortalecer a hegemonia econômica dos Estados Unidos no mundo, já que favoreceu o aumento da quantidade de mercadorias no comércio internacional. A partir da década de 1970, as transnacionais estadunidenses também passaram a enfrentar mais concorrência, sobretudo de empresas europeias e asiáticas. No en tanto, os Estados Unidos ainda são o país com maior número de transnacionais e, atualmente, respondem por cerca de 7% das exportações de produtos industrializa dos no mundo.
De certa maneira, podemos dizer que a expansão das multinacionais, ao abastecer o mercado mundial com produtos estadunidenses, acabou fortalecendo a supremacia econômica dos Estados Unidos.

O setor industrial dos Estados Unidos

O processo de industrialização nos Estados Unidos teve início nas primeiras décadas do século XIX, impulsionado, principalmente, pela organização produtiva verificada na região nordeste do país.
Como vimos anteriormente, as colônias estabelecidas no nordeste dos Estados Unidos passaram a realizar seu trabalho para atender às necessidades e ao de senvolvimento econômico próprios. Em geral, as propriedades foram divididas em pequenos lotes e nelas os camponeses passaram a desempenhar uma ativi dade agrícola familiar, predominando a policultura. Ao mesmo tempo que cultiva vam a terra, os colonos, por serem em grande parte profissionais artesãos na Europa, começaram a fabricar diversos produtos manufaturados e artesanais.
Esse cenário contribuiu de maneira significativa para a expansão do mercado interno consumidor. Com isso, as manufaturas aumentaram gradativamente, as trocas comerciais cresceram e surgiram vários estabelecimentos bancários. A in tensa acumulação de capital permitiu à nascente burguesia industrial e comercial investir nas primeiras indústrias, que serviram de base, mais tarde, para impulsio nar o crescimento econômico e industrial das demais regiões estadunidenses.
A consolidação da industrialização no país ocorreu definitivamente na segunda metade do século XIX. Nesse período, tanto a produção industrial quanto a eco nomia cresciam em ritmos surpreendentes. A partir do século XX, o parque indus trial dos Estados Unidos passou a abranger indústrias de vários setores, entre eles o automobilístico.
Destaca-se, nesse sentido, a influência das indústrias estadunidenses sobre a atividade industrial no mundo, que a partir desse momento passou a assimilar tendências desenvolvidas nos Estados Unidos, como a organização produtiva baseada em linhas de montagem, que proporcionava o aumento da produção e o estímulo ao consumo em massa.
Os Estados Unidos também foram os precursores da Terceira Revolução Industrial, a partir da década de 1970. Isso, como veremos adiante, permitiu a formação de diversos polos de alta tecnologia que hoje caracterizam o espaço industrial estadunidense. Atualmente, a indústria responde por 18% do PIB do país e 17% da produção industrial do mundo.
Um aspecto marcante do espaço econômico dos Estados Unidos é que tanto as indústrias como as atividades agrícolas estão distribuídas ao longo de áreas especializadas, com grandes faixas ou cinturões organizados e ocupados de acordo com o tipo de mercadoria produzida. Em inglês, esses cinturões são denominados belts.

Elevado nível tecnológico

Uma característica marcante da atividade industrial dos Estados Unidos é o ele vado nível tecnológico presente no processo produtivo. O investimento em mo dernas tecnologias favoreceu a expansão de indústrias, como as de informática, microeletrônica, robótica e biotecnologia. Entre as razões que promoveram o crescimento dessas indústrias, está a presença de grandes centros de pesquisa e desenvolvimento, conhecidos por tecnopolos.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT), localizado no estado de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos, é um dos mais importantes tecnopolos do mundo. Nele, são desenvolvidas pesquisas tecno lógicas voltadas para as áreas de saúde, economia e meio ambiente.
Também se destaca como um importante tecnopolo o estado da Califórnia, em especial a re gião denominada Vale do Silício, que reúne sedes de grandes em presas do setor de tecnologia reconhecidas em todo o mundo.
O silício é um elemento químico usado para a fabricação de componentes da indústria eletrônica e de informática, como chips. Ele dá nome à região porque nela são desenvolvidos produtos como smartphones, computadores, processadores, softwares e programas de computador, além de serviços on-line, a exemplo das re des sociais e dos streamings.

A descentralização industrial dos Estados Unidos

A região nordeste dos Estados Unidos, que abrange a porção dos Grandes Lagos, representou o berço da produção industrial no país e ganhou a denominação de Manufacturing Belt, ou seja, Cinturão das Manufaturas. Considerada uma das regiões mais industrializadas do mundo, seus polos industriais reúnem diferentes tipos de indústrias, que vão desde as tradicionais siderúrgicas, metalúrgicas e indústrias automobilísticas — as chamadas indústrias pesadas — até as de microe letrônica, biotecnologia e robótica — consideradas indústrias de alta tecnologia.
A indústria na região nordeste dos Estados Unidos se desenvolveu, principalmen te, devido à riqueza do subsolo em termos de ferro e carvão mineral, alcançando grande desenvolvimento no início do século XX, justamente quando as indústrias automobilísticas e siderúrgicas ganhavam importância. No entanto, o Cinturão da Manufatura entrou em decadência entre 1960 e 1970, por conta dos altos custos de produção. Além disso, as fábricas locais, principalmente as automobilísticas, passa ram a enfrentar dura concorrência de empresas produtoras de veículos japonesas.
Detroit, por exemplo, é uma cidade que, ao longo dos anos, tornou-se um dos polos mais importantes da indústria automobilística. No entanto, a cidade está passando por um momento de crise em sua estrutura econômica e social, já que vem perdendo grande contingente de trabalhadores e indústrias para outras re giões dos Estados Unidos.
Esse processo, caracterizado pela dispersão de indústrias originalmente con centradas em uma porção do território, interferindo diretamente na organização do espaço geográfico de um país, é denominado descentralização industrial. No caso dos Estados Unidos, tradicionais ramos industriais, como o siderúrgico e o automobilístico, já deslocaram suas unidades produtivas da porção nordeste para outras partes do país, como o sul e o oeste. Entre os fatores que ocasionaram essa descentralização, estão os altos impos tos, as elevadas despesas com mão de obra e as leis antipoluição. Diversas regiões foram beneficiadas por essa desconcentra ção, com destaque para o Sun Belt, ou seja, Cinturão do Sol, no oeste do país.
Associado diretamente à descentralização do nordeste, o crescimento do Sun Belt contou com o desenvolvimento de novos parques industriais, como no esta do da Califórnia. No entanto, esse cinturão também presenciou a ascensão de diversos tecnopolos, que, como vimos anteriormente, são marcados pela presen ça de indústrias de alta tecnologia, centros de pesquisa e universidades. O Vale do Silício, por exemplo, está localizado no Sun Belt.

A economia agrária dos Estados Unidos

A produção agropecuária nos Estados Unidos é responsável pelo abastecimen to do mercado interno e de parte do mercado mundial de alimentos, figurando entre as maiores do mundo.
Os produtos agropecuários representaram cerca de 10% das exportações feitas pelo país em 2020, e o setor se destaca pela elevada produtividade em função do emprego de modernas técnicas de produção, como inseminação artificial, uso inten sivo de fertilizantes, agrotóxicos e sementes selecionadas.
A agropecuária estadunidense ocupa quase metade do território do país e tam bém se organiza em cinturões, ou belts, que nesse caso correspondem a áreas especializadas em determinado tipo de cultivo ou criação. A localização dos belts agropecuários nos Estados Unidos leva em consideração diversos fatores, com destaque para as condições climáticas, o tipo de relevo e o mercado consumidor das regiões em que estão instalados.
Na região central do país, conhecida como celeiro agrí cola, predominam cultivos de milho e trigo. Nessa região, também se destaca a pecuária extensiva. Já a região nor deste é voltada, sobretudo, para a pecuária leiteira e o cultivo de hortaliças. Já na porção sul, influenciada pelo clima quente, cultivam-se produtos tropicais, como cana-de-açúcar, arroz e frutas. Embora a produtividade dos belts seja elevada, em várias regiões eles estão associados à ocorrência de problemas de desgaste do solo, em razão, sobretudo, do desenvolvimento das monoculturas.

Subsídios agrícolas

As práticas protecionistas executadas por países desenvolvidos, como os Esta dos Unidos, tornaram-se um assunto muito discutido na atualidade. Tais práti cas obrigam diversos países, sobretudo os países em desenvolvimento e os emergentes, a participar do comércio mundial em situação de desvantagem. Uma das práticas de protecionis mo se refere aos subsídios agrícolas que vários países desenvolvidos concedem a seus agricultores (con fira no gráfico). Esses subsídios con sistem no pagamento, feito pelo go verno, de uma parte do preço final dos produtos agropecuários aos produtores. Esses produtos passam, então, a ser negociados no mercado internacional a um preço menor do que o custo de sua produção e, des sa maneira, concorrem com grande vantagem sobre os produtos de pa íses em desenvolvimento.

Os Estados Unidos e seus recursos minerais

O subsolo dos Estados Unidos é rico em recursos minerais, com importantes reser vas de carvão, urânio, cobre, zinco, ferro e prata. Contudo, o consumo desses mine rais é bastante elevado, por isso o país precisa importar vários desses recursos. 
Os Estados Unidos também contam com uma grande concentração de petróleo e gás natural na região do Golfo do México, na Califórnia e no Alasca. Atualmente, é o terceiro maior produtor mundial desses recursos, atrás de Arábia Saudita e Rússia. Entretanto, para suprir a demanda nacional, o governo estadunidense importa gran des quantidades de petróleo e outros recursos energéticos, criando grandes reser vas que podem ser usadas em momentos estratégicos ou de necessidade. Em 2021, por exemplo, o país importou cerca de 8 milhões de barris de petróleo por dia.

América Anglo-Saxônica: características populacionais

Os dois países da América Anglo-Saxônica possuem grandes extensões territoriais, figurando entre os cinco maiores do mundo. Vamos agora conhecer um pouco mais dos aspectos populacionais dos países dessa região.
Quando tratamos da demografia da América Anglo-Saxônica, uma característica marcante é a grande diferença entre a população absoluta de seus países. Enquanto os Estados Unidos possuem uma população de 337 milhões de habitantes, a população do Canadá é de aproximadamente 38 milhões de habitantes. Essa diferença se re flete também na densidade demográfica: 34 hab./km² e 4 hab./km², respectivamente.

1- A densidade e a distribuição populacional


O território canadense é o segundo maior, perdendo apenas para a Rússia. Os Estados Unidos, por sua vez, ocupam a quarta posição nesse ranking, superado também pela China.
Apesar de sua grandeza territorial – quase 10 milhões de quilômetros qua drados –, em 2018, a população do Canadá era de aproximadamente 37 milhões de pessoas, ou seja, o país apresenta uma baixa densidade populacional, inferior a 5 habitantes/km2. Mais de 60% dessa população ocupa apenas 4% do território canadense, localizado na fronteira com os Estados Unidos, sobretudo na porção leste. 
Fatores físico-naturais, históricos e econômicos contribuem para essa distribuição populacional desigual, como a presença das montanhas Rocho sas a oeste, as temperaturas gélidas ao norte, a colonização iniciada pela costa leste e o desenvolvimento de atividades econômicas em torno dos Grandes Lagos, por exemplo.
Os Estados Unidos, por sua vez, são um país muito populoso. De acordo com dados do U.S. Census Bureau, órgão do governo que realiza o recenseamento no país, em 2018, a população estadunidense era de aproximadamente 327 milhões de pessoas, ou seja, uma densidade demográfica de aproximadamente 33 habi tantes/km2.
As principais cidades Mais de 80% da população da América Anglo-Saxônica vive em cidades. Nos Estados Unidos, verifica-se uma distribuição populacional bastante concentrada em algumas metrópoles, como Nova York e Los Angeles, ambas com mais de 10 milhões de habitantes. Existem grandes concentrações populacionais também em Chicago, a terceira maior metrópole do país, seguida de Houston, Phoenix, Philadephia, San Antonio, San Diego, Dallas e San Jose.
No Canadá, por sua vez, a população se concentra nos estados de Ontário (38%), onde predomina a língua inglesa; e Quebec (23%), onde predomina a língua france sa. As duas principais cidades são Toronto e Montreal, seguidas por Vancouver. Ottawa é a capital do país, com cerca de 1,3 milhão de habitantes. Como todas as grandes cidades do mun do, essas metrópoles concentram riqueza e pobreza. A desigualdade social é notável inclusive em cidades conhecidas pela qualidade de vida de sua população.
De modo geral, nas áreas menos povoadas (que apresentam menos de 10 hab./km²), predominam condições naturais adversas, como os climas frio e polar do norte do Canadá e do Alasca; as áreas de deserto do sudoeste dos Estados Unidos; e também as áreas de relevo íngreme das Montanhas Rochosas no oeste do mesmo território.
A costa leste, por sua vez, apresenta maior concentração populacional em relação às outras áreas. Isso se deve a fatores históricos relacionados à colonização europeia, que se iniciou no litoral atlântico, motivo que também levou essa região a apresentar maior desenvolvimento econômico. 

Crescimento e envelhecimento populacional 


Nos países da América Anglo-Saxônica, a população apresenta crescimento lento e acentuado envelhecimento. No quinquênio de 1950-1955 o Canadá apre sentou uma taxa bruta de natalidade de 27,4 nascimentos por mil pessoas. No mesmo período, a taxa de natalidade dos Estados Unidos foi de 24,1 nasci mentos por mil. Atualmente, porém, os Estados Unidos apresentam uma taxa bruta de natalidade (12,7 nascidos por mil) mais elevada que a do Canadá (10,5 nascidos por mil). Projeta-se continuidade da queda da natalidade em am bos os países. O número de nascidos nos Estados Unidos tende a permanecer maior do que no Canadá, conforme indicam as projeções do crescimento da população da ONU para 2100.
Além disso, os países da América Anglo-Saxônica apresentam as maiores proje ções de todo o continente americano no indicador de expectativa de vida ao nascer. Nos anos 1950, a esperança de vida no Canadá era de 69,5 anos; atualmente, é de 82,6 anos. Em 2100, espera-se que uma pessoa nascida no Canadá viva cerca de 92,3 anos. Nos Estados Unidos, por sua vez, a expectativa de vida é um pouco mais baixa. Ainda assim, já nos anos 1950, a expectativa de vida ao nascer era de 68,7 anos; atualmente, é de 79,6 anos e prevê-se que, em 2100, atinja os 89,6 anos.
O crescimento populacional lento associado à elevada expectativa de vida re sulta no envelhecimento demográfico acelerado, o que coloca grandes desafios aos países americanos anglo-saxônicos. Com taxa de natalidade baixa, o crescimento populacional recente do Canadá decorre principalmente da imigração, incentivada pelo governo como estratégia para aumentar a população economicamente ativa (PEC). De acordo com o instituto estatal de pesquisa do Canadá, em 2016, 16,9% da população contava 65 anos ou mais e a população entre 55 a 64 anos era maior que a população de 15 a 24 anos. Observe as pirâmides etárias.

2- Diversidade étnico-cultural na América Anglo-Saxônica


A presença de povos ameríndios autóctones, a herança da colonização e as atuais dinâmicas migratórias do mundo globalizado conferem à América Anglo-Saxônica grande diversidade étnico-cultural.
A população da América Anglo-Saxônica é composta, em sua maioria, de descendentes de colonizadores europeus e de uma pequena parte de descendentes de africanos, asiáticos, hispânicos e povos nativos.
Durante a colonização da América Anglo-Saxônica, muitos povos nativos foram dizimados, como os Apache, os Sioux e os Cherokee, nos Estados Unidos, e os Algonquinos, no Canadá. Atualmente, o número de descendentes das populações tradicionais é extremamente pequeno.

Diversidade étnico-cultural no Canadá

No Canadá, a origem étnica de grande parte de sua população é de colonizadores europeus, sobretudo ingleses e franceses. A presença predominante desses colonizadores explica o fato de as línguas francesa e inglesa serem consideradas idiomas oficiais do país.
A população de origem francesa da província de Quebec sempre manteve suas tradições, idioma e cultura, e o sentimento separatista sempre esteve presente. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Canadá passou a apresentar um grande desenvolvimento econômico. De modo geral, as atividades eram complementares às dos Estados Unidos da América, o que não diminuiu o desejo de emancipação do Quebec. Essa postura levou o então presidente francês, a afirmar, em 1967, que os quebequenses eram tão franceses quanto os que viviam junto ao rio Sena, em Paris.
O acirramento das tensões entre o Canadá “francês” e o Canadá “inglês” levou à realização de dois plebiscitos sobre a separação do Quebec. Em ambas as oca siões, a maior parte da população votou contra a separação (60% em 1980 e 50,6% em 1995). Atualmente, Quebec, cuja maior cidade é Montreal, é a mais extensa e segunda mais populosa província do país, reunindo cerca de um quarto da população canadense.
O Canadá é um país multicultural, formado por distintos povos, onde são reconhecidas quatro línguas oficiais: inuktitut, inuinnaqtun (ambas de populações tradicionais), inglês e francês (as duas últimas com ensino obrigatório em todo o território nacional). 
Parte da população que vive no Canadá é indígena. Nas últimas décadas, eles alcançaram conquistas importantes. Em 1999, os inuítes conseguiram obter uma resolução que levou à criação do Território de Nunavut, sobre o qual têm autonomia.

Diversidade étnico-cultural nos Estados Unidos


Nos Estados Unidos, a população foi formada em grande parte por imigrantes europeus em virtude de sua colonização ter ocorrido com o desenvolvimento de colônias de povoamento, as quais contavam com maior número de imigrantes europeus. Apenas a menor porção ao sul do território dos Estados Unidos apresentou colônias de exploração, que empregaram principalmente o trabalho de negros africanos escravizados no cultivo de produtos tropicais, como o algodão e o tabaco.
País formado por imigrantes europeus e descendentes de nações indígenas nativas, os Estados Unidos apresentam também importantes comunidades negra, asiática e latina. Segundo estimativas de 2014 do U. S. Census Bureau, os afro-americanos totalizavam 13,2% da população estadunidense; os asiáticos, 5,6%; hispânicos e latino-americanos, 17,1%. Dessa composição resultou uma variedade muito grande no campo da cultura e nos costumes.

A elevada qualidade de vida da população Anglo-Saxônica 


De maneira geral, a população dos países da América Anglo-Saxônica apresenta elevada qualidade de vida, resultado de diversos fatores, entre eles os grandes investimentos dos governos em setores sociais.
A política do estado de bem-estar social, ou welfare state, adotada pelos países desenvolvidos, inclusive Canadá e Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XX, priorizou o bem-estar da sociedade com medidas que favoreceram o desenvolvimento de diversas áreas, como educação, saúde, previdência e assistência social.
A renda média mais elevada de parte da população também contribui para que as pessoas tenham acesso à moradia adequada, a uma alimentação equilibrada, usufruam de atividades culturais e de lazer, o que consequentemente melhora a qualidade de vida, impactando significativamente no desenvolvimento social e econômico.
Assim como em grande parte dos países desenvolvidos, a elevada qualidade de vida promove o aumento da expectativa de vida dos estadunidenses e canadenses. Essa situação, aliada à diminuição das taxas de natalidade, vem provocando o en velhecimento da população, ou seja, o aumento do número de adultos e idosos no total da população.

Cotas para negros


Na década de 1950, teve início uma mobilização muito importante da população afrodescendente nos Estados Unidos, que sofria forte discriminação da população branca: o Movimento pelos Direitos Civis. Por meio desse movimento, a população negra se organizou na busca de ações que reduzissem o preconceito e as diferenças sociais entre negros e brancos.
O movimento obteve uma série de vitórias, como direitos ao voto e ao com partilhamento de espaços públicos. Além disso, foi adotado o sistema de cotas, que visava reduzir a diferença social entre as populações branca e negra. Na década de 1960, esse sistema deu origem a uma reserva de postos de trabalho e vagas em universidades concedidas pelo governo a afro-americanos como com pensação ao período escravocrata.
Alguns anos depois se desenvolveu nos Estados Unidos uma classe média afro-americana, que começou a conquistar novos postos de liderança na socieda de estadunidense. Um exemplo dessa nova classe média é o líder Barack Obama, primeiro presidente negro do país, eleito em 2008 e reeleito em 2012, exercendo o cargo até o fim do segundo mandato, no início de 2017.

Canadá: colonização e formação territorial

O processo de colonização e formação territorial do Canadá transcorreu de forma bastante diferente. Para garantir a permanência das terras sob seu controle, a Grã-Bretanha aumentou a autonomia dos colonos. Desse modo, apesar de ser considerado independente desde 1867, quando foi criada a Constituição do Canadá, durante anos o país esteve vinculado à Coroa britânica, deixando de ser controlado pelo Reino Unido apenas em 1931.
De modo geral, as terras que vieram a formar o Canadá estavam divididas entre franceses, mais a leste, e ingleses, embora haja registros anteriores da pre sença de vikings, portugueses e italianos. Os franceses ocuparam uma grande extensão das terras americanas, mas venderam parte delas aos Estados Unidos. Fixaram-se em torno de Quebec, dando origem à parte francesa do Canadá. Os ingleses foram aos poucos tomando conta das terras mais a oeste até dominá-las.
A área onde se fixava a população de origem francesa ofereceu grande resis tência ao domínio inglês, desafiando a fidelidade canadense à Coroa Britânica. No contexto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que os canadenses compu nham as forças armadas da Inglaterra, houve resistência da população de origem francesa, que se recusava a participar.
Apenas em 1982, com a nova Constituição canadense, foi reconhecida e oficializada a autonomia da província de Quebec, que atualmente tem uma administração própria, mas continua a fazer parte do Canadá.

Estados Unidos: independência e expansão territorial

As Treze Colônias declararam independência do Império Britânico em 1776. Sua independência estimulou, es pecialmente no século XIX, outros pro cessos de luta pela descolonização em todo o continente americano. Esses processos contaram com o apoio político dos Estados Unidos, que logo compreendeu que o continente consti tuía uma área de interesses políticos e econômicos que merecia sua atenção e, se necessário, a fim de fazer valer seus interesses, sua intervenção.
A partir da independência das Treze Colônias, o primeiro Estado indepen dente da América foi expandindo seu território em direção ao oeste e ao sul, adquirindo terras de outros povos europeus e autóctones, por meio de compras, negociações e guerras.
Os ideais de liberdade e igualdade daquele tempo se fazem presentes em um documento muito importante para a história dos Estados Unidos: a Declaração da Independência, de 1776. Seu autor, Thomas Jefferson (1743-1826), que mais tarde se tornaria o terceiro presidente estadunidense, conseguiu aprovar o texto no Congresso Continental, em 4 de julho daquele ano. Essa data ainda hoje é comemorada como o Dia da Independência dos Estados Unidos.
A Coroa britânica não aceitou esse documento de Declaração da Independência dos Estados Unidos, o que aumentou ainda mais a crise entre os países, que estavam em guerra desde o ano anterior. O motivo era o aumento de impostos pagos pela colônia estabelecido pela Inglaterra por meio da lei conhecida como Tea Act (Lei do Chá). Esse conflito acabou em 1783, com o reconhecimento da independência dos Estados Unidos pelos ingleses.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A FORMAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Entre os séculos XVII e XVIII, os ingleses estabeleceram Treze Colônias próximas à costa atlântica do território que atualmente compõe os Estados Unidos. As colônias do Norte estadu nidense mantinham uma economia industrial direcionada para o mercado interno, manufatureiro e assalariado. 
Já as colônias do Sul tinham uma economia agroexportadora, caracterizada por grandes plantações de algodão semelhante às plantations (grandes propriedades monocultoras cuja produção se destina ao mercado externo), estrutura implantada no Brasil Colônia e na América Latina.
Naquele período, apesar de a América do Norte ser uma economia agrícola, ela estava rapidamente alcançando o Reino Unido no que dizia respeito às manufaturas. Quando a Comissão de Comércio escreveu aos gover nadores coloniais solicitando dados sobre bens produzidos localmente, as autoridades, atentas à opinião local, subestimaram a produção.

A expansão territorial dos Estados Unidos


Entre 1776 e 1781, os Estados Unidos passaram por uma guerra de independência. Nessa época, seu território estava restrito à mesma área das Treze Colônias inglesas. Em 1783, os Estados Unidos foram reconhecidos como um país, e a Inglaterra cedeu novas terras, que se estendiam dos Montes Apalaches até o Rio Mississippi – o principal da América do Norte.
Controlá-lo era de grande importância estratégica, pois ele possibilitava o acesso às grandes planícies, com solos ricos em nutrientes e com grande potencial produtivo, garantindo que se pudesse chegar a outros rios e outras áreas no continente. Além disso, garantia rotas de comércio com franceses, que já ocupavam a região. No entanto, a ocupação dessas terras levou a muitos conflitos com os povos indígenas que ali habitavam, os quais foram alienados de suas terras e de seus modos de vida.
Desde então, os Estados Unidos iniciaram sua expansão territorial ao longo do século XIX. Tal expansão ficou conhecida como Marcha para o Oeste e ocorreu por meio de acordos, compras, guerras e tratados.
Em 1803, os Estados Unidos compraram dos franceses o território da Louisiana por 15 milhões de dólares. Em 1819, compraram a Flórida da Espanha por 5 milhões de dólares. Em 1867, os russos venderam o Alasca aos Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares.
Além das aquisições mediante compra, os Estados Unidos ampliaram seu território por meio da Guerra Mexicano-Americana (1846-1848). O conflito se iniciou com a disputa pelo Texas, que, originalmente, pertencia ao México, mas que, a partir de 1821, começou a ser povoado por colonos estadunidenses (com autorização do governo mexicano). Esses colonos se revoltaram contra as leis mexicanas e passaram a exigir a cessão do Texas para os Estados Unidos.
Na década de 1840, os Estados Unidos manifestaram interesse pela Califórnia, território originalmente mexicano, cujo governo, por esse motivo, declarou guerra aos Estados Unidos. Com outra derrota, o México foi obrigado a ceder, além da Califórnia, o território do Novo México.
Essas aquisições de territórios foram acompanhadas de um processo de migração de colonos, que neles se estabeleciam. As novas terras eram vistas como “vazias” e o governo passou a incentivar a sua ocupação por meio do Homestead Act, ou Lei do Povoamento, instituída em 1862 por Abraham Lincoln (1809-1865), primeiro presidente dos Estados Unidos. Tal lei cedia lotes a preços muito baixos, exigindo, em contrapartida, que os terrenos fossem ocupados e cultivados por, no mínimo, cinco anos. Com essa política, muitos produtores agrícolas se mudaram para a região, contribuindo para a ocupação do território estadunidense.
A ocupação do Oeste foi incentivada por uma crença da época conhecida como Destino Manifesto, segundo a qual os estadunidenses fariam parte de uma nação escolhida por Deus para ser grande e próspera. Ela era utilizada como justificativa para isentar os estadunidenses da culpa de toda a violência cometida ao longo do processo de expansão, principalmente contra os indígenas.

O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA ESTADUNIDENSE


Desde antes do fim do período colonial, já havia um esforço organizado em diversas colônias inglesas da América do Norte, principalmente em Massachusetts e em Nova York, para implantar indústrias nos moldes da Europa.
O governo dos Estados Unidos direcionou os investimentos públicos e a organização da economia do Norte do país para a criação de uma base industrial e de uma estrutura de transporte que viabilizassem o desenvolvimento capitalista e a expansão do território em direção a oeste e ao oceano Pacífico.
No entanto, os estados do Norte e do Sul do país se organizavam com base em diferentes estruturas econômicas e isso gerava interesses conflitantes, principalmente em relação ao trabalho escravizado. Para a economia capitalista do Norte, que apresentava crescente industrialização, o trabalho livre, assalariado, era essencial, pois garantia mercado consumidor de seus produtos. Também era fundamental o controle das importações, a fim de que os produtos fabricados nos Estados Unidos não enfrentassem a concorrência de produtos de melhor qualidade e menor preço produzidos na Europa.
Já para os estados do Sul, a manutenção do trabalho escravizado era essencial, em razão da garantia de preços competitivos de seus produtos agrícolas e da abertura às importações, já que isso lhes permitia a compra do que não produziam a preços menores.
Essas divergências levaram o país a uma guerra entre os estados, a Guerra de Secessão (1861-1865), vencida pelo Norte. Com isso, a dinâmica da economia estadunidense passou a ser pautada pelo capitalismo do século XIX e o desenvolvimento agrário se voltou, prioritariamente, para o consumo interno.

A ascensão dos Estados Unidos como potência no pós-guerra


A crise de comércio e de produção gerada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) permitiu aos Estados Unidos suprirem as necessidades da Europa. Por isso, os Estados Unidos se tornaram líderes na indústria automobilística e o epicentro da Segunda Revolução Industrial, com o surgimento do modo de pro dução fordista e da produção de lâmpadas incandescentes e de rádios, por exemplo, atividades que utilizavam tecno logias mais avançadas.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o investimento do governo estadunidense foi direcionado à indústria armamentista. Isso levou à transformação da base industrial do país, o que lhe garantiu a hegemonia capitalista industrial e, depois, financeira. Além disso, o declínio do poderio econômico europeu e a grande reserva de ouro garantiu aos Estados Unidos os pro tagonismos geopolítico e econômico, o que levou à instauração do dólar como a moeda mundial no acordo de Bretton Woods, em 1944.

OS POVOS ORIGINÁRIOS AFRICANOS

A África reúne, em suas diversas paisagens, fatores que explicam as características e a con figuração dos países e das regiões atuais do continente africano. Muitos grupos étnicos, vindos de diferentes regiões do mundo, ajudaram a constituir a diversidade cultural africana em contextos específicos, de acordo com a região do continente onde se estabeleciam, e criaram modos de viver muito particulares.

Os camitas


Os camitas ocuparam as terras que acompanham todo o curso do Rio Nilo – tanto o baixo Nilo (egípcios) como o alto Nilo, chamados Nilo Azul e Nilo Branco, respectivamente – nas regiões Central-Leste e do Chifre Africano (núbios e somalis), difundindo-se em áreas desérticas, semiáridas e com relevos eólicos e montanhosos, como o planalto etíope. Acredita-se que esse povo tenha dado origem aos povos núbio, somali, etíope e egípcio.
Esses povos fundaram pode rosos impérios, anteriores ao domínio romano. Durante séculos, disputaram o controle da região oriental da África, território de comercialização do ferro, recurso fundamental para a produção de artefatos na época.
Esses impérios foram responsá veis por produzir grande parte dos conhecimentos científico e tecnoló gico incorporados, posteriormente, pelo Ocidente. Há grande variedade de técnicas medicinais, arquitetô nicas e de engenharia (presentes nas estruturas geométricas de suas construções, como as pirâmides egípcias), as quais se basearam em avançados conhecimentos matemáticos, químicos, físicos e biológicos.

Os semitas


A origem dos povos semitas remete ao grupo étnico que migrou da Península Arábica (atuais Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen), da Planície Mesopotâmica (Irã, Iraque, Kuwait e Síria) e Planície Jordânica (Israel e Jordânia) para toda a África setentrional. O grande grupo semita é formado por árabes, cananeus e etíopes, que migraram pelo Estreito de Bab Al-Mandab (Iêmen-Djibuti) em busca de áreas menos conflituosas e propícias ao desenvolvimento agrícola e à instalação de vilas e de cidades.
A ocupação semita na África teve início no século VIII a.C. e intensificou-se após as campa nhas árabes (do século VII d.C. ao X d.C.) para difundir o islã na África, aumentando a influência muçulmana na região, fato ocorrido no contexto da expansão do cristianismo no Mediterrâneo e no centro da Europa.
Tais movimentos foram fun damentais para garantir o controle de áreas estratégicas de mercado, confrontando civilizações situadas no entorno da costa mediterrânea e no portão eurasiático, principal eixo para o fluxo de mercadorias cujo destino era o mundo medieval europeu. A complexidade étnica dos povos semitas compõe a base cultural dos países da chamada África “branca”, com predomí nio do islã, e reúne os países Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito.

Os bantos


O povo banto é o maior grupo étnico do continente africano – abrigava cerca de 400 grupos étnicos e se desenvolveu na Bacia do Níger por volta de 2000 a.C. Em sua rota migratória, influenciaram os povos da África desde o sul do Saara até o território da atual África do Sul. Conforme eles se deslocavam pelo continente, influenciavam outros povos.
A expansão do povo banto pode ser dividida em três fases. A primeira aconteceu da Bacia do Rio Níger para a região da Floresta Equatorial na África Central. Na segunda fase, os bantos ocuparam a região leste da África. Na terceira, e última, ocuparam o sul do continente.
As principais atividades desenvolvidas pelo povo banto eram a agricultura, a pecuária e a metalurgia; esses conhecimentos permitiam-lhes dominar outros povos. Com base nessas atividades, estabeleceram assentamentos e comunidades por todo o sul da África.
Países africanos como Nigéria, Camarões, Congo, Angola, Zâmbia, Moçambique, Namíbia, Zimbábue, Tanzânia e África do Sul têm influências culturais e linguísticas dos bantos. No Brasil, tais influências chegam com o processo de colonização.

O COLONIALISMO EUROPEU NA ÁFRICA

África foi ocupada por europeus com base em seus interesses no comércio agrícola, na extração mineral e na exploração da mão de obra escravizada. O ouro africano trouxe muita riqueza para Portugal no início do século XVI, a qual se esgotou rapidamente.
No século XVII, Holanda, Inglaterra e França passaram a navegar pelo Atlântico e a questionar o monopólio dos portugueses sobre os territórios encontrados. Nos séculos XVI e XVII, as classes sociais dominantes desses países se interessaram pelas riquezas do território africano e organizaram companhias de comércio: fundaram feitorias, exploraram os recursos naturais e escravizaram a população nativa.
Esse processo resultou em uma nova divisão territorial africana que não respeitava a divisão dos povos nativos. A dominação e o estabelecimento de colônias criaram uma situação com alto potencial de conflitos internos entre as sociedades existentes que se intensificou no século XVIII, no contexto da Revolução Industrial e da corrida europeia por novos recursos minerais.
A partilha do continente africano entre as nações europeias começou na segunda metade do século XIX, culminando com a Conferência de Berlim, em 1884, que teve a participação de 15 países europeus, dos Estados Unidos e da Turquia. Esses países decidiram sobre o futuro do continente africano – a quantidade de pontes, portos e cidades que seriam construídos e quais atividades agrícolas e de exploração de minérios seriam implementadas – sem considerar fronteiras e populações locais (com diversas marcas culturais e identidades étnicas). 

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