segunda-feira, 2 de março de 2026

O Triângulo do Lítio

Bolívia, Argentina e Chile detêm 56% das reservas mundiais de lítio, sendo o Chile o segundo maior produtor do mundo. Os depósitos situam-se em salares na fronteira entre os três países.
O lítio é um metal muito leve, ótimo condutor de energia térmica e com grande capacidade de armazenar energia elétrica. Por todas essas características, vem sendo cada vez mais utilizado na produção de baterias para carros elétricos, computadores, telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos, pilhas, ligas metálicas para aviões, vidros e cerâmicas de alta resistência ao calor e alguns medica mentos. Em 2001, apenas 5% de todo o lítio produzido era usado na fabricação de baterias. Em 2021, esse percentual atingiu 74%.
No contexto de transição energética, a indústria vem estimulando a fabricação e o uso de carros elétricos, o que aumenta a demanda por lítio, que está adquirindo importante papel na economia mundial. Diversos países têm buscado garantir seus suprimentos do metal, gerando uma corrida pela descoberta de novas áreas de exploração e de técnicas de extração e transformação do produto.
O lítio é extraído de uma substância aquosa rica em minerais (salmoura) que é bombeada para a superfície e armazenada em piscinas de evaporação durante meses, para que o lítio se concentre. O processo de extração do lítio utiliza grandes volumes de água em uma das regiões mais áridas do mundo, causando impactos ambientais nos ecossistemas dos salares.

GUIANAS

As Guianas apresentam composição étnico-cultural complexa. Escravizados africanos e imigrantes chineses, indonésios e indianos juntaram-se a povos indígenas, ingleses, holandeses e fran ceses, contribuindo para a formação de sociedades com ampla variedade étnica, linguística e religiosa.
A Guiana Francesa é um depar tamento ultramar da França, com cerca de 90% de seu território coberto por florestas. A economia baseia-se na extra ção de madeira, especialmente pau-rosa, usado na produção de perfumes, e na atividade pesqueira. As principais relações comerciais ocorrem quase exclusivamente com a França.
O Suriname, antiga Guiana holandesa, conquistou sua independência em 1955. Atualmente, o ouro é o principal metal extraído no país, e a agricultura apoia-se no cultivo de arroz, café e cana-de-açúcar.
A Guiana, antiga colônia inglesa que se tornou independente em 1966, é o país da região que mais se destaca na exploração e produção de recursos minerais, com destaque para a bauxita. Em 2020, a mineração representava aproximadamente 30% do PIB do país. Os principais produtos agrícolas são cana-de-açúcar, algodão e arroz.
Em 2015, importantes jazidas de petróleo foram descobertas em alto-mar no espaço terri torial da Guiana. A exploração dessas jazidas, cujas reservas são estimadas em quase 11 bilhões de barris, teve início em 2020. Nesse mesmo ano, as receitas obtidas com o petróleo somaram mais de 185 milhões de dólares.
A tendência é que a exploração petrolífera aumente nos próximos anos, permitindo a produ ção de 1 milhão de barris ao dia até 2025. Para atingir essa meta, a Guiana estabeleceu parcerias com grandes empresas estadunidenses e chinesas, pois não possui a tecnologia necessária para a extração do petróleo em plataformas.
O interesse pelo petróleo na Guiana, que tem potencial para se tornar uma das maiores produtoras da América do Sul, tem gerado algumas preocupações:

- garantia da soberania do país com a exploração do recurso, por causa da influência crescente de investidores estrangeiros no setor;
- melhoria efetiva nas condições de vida da população com a renda gerada pelo petróleo – já que boa parte dela vai para as empresas parceiras;
- riscos ambientais decorrentes do aumento da emissão dos gases de efeito estufa e da perfuração de poços profundos, que afetam os ecossistemas marinhos;
- o retorno das tensões com a Venezuela que, retomou as reivindicações pela região do Essequibo, que corresponde a dois terços da Guiana e de suas águas territoriais.




O canal do Panamá

O Panamá localiza-se onde o istmo da América Central se junta à América do Sul. Seu território é cortado pelo Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico e por onde passam mais de 13 mil embarcações anualmente.
Durante o século XVI, os exploradores europeus já tinham interesse em encurtar os caminhos entre o Atlântico e o Pacífico. Em 1523, o rei Charles V (1500-1558) solicitou estudos para a construção de um canal no istmo do Panamá, mas nenhum projeto foi realizado.
Séculos depois, em 1879, a Colômbia – que manteve a posse do território panamenho até 1903 – autorizou a França a iniciar as obras de abertura de um canal, mas o empreendimento foi à falência dez anos depois.
Uma rebelião incentivada pelos Estados Unidos em 1903 levou o Panamá a se separar da Colômbia, proclamando sua independência. No mesmo ano, os Estados Unidos obtiveram do governo panamenho o direito de retomar as obras de construção do canal, que foi inaugurado em 1914.
Em troca do controle perpétuo da zona do canal, o governo estadunidense pagava uma quantia anual ao Panamá. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), cresceu a tensão interna contra a presença estadunidense no país.
Somente em 1977 foi assinado um acordo entre Panamá e Estados Unidos, garantindo que o canal e suas instalações passariam ao controle panamenho no ano 2000, o que efetivamente aconteceu. Mas o acordo reserva aos Estados Unidos o direito de intervir na zona do canal, caso a livre navegação seja ameaçada.
Para que a obra de construção do canal fosse bem-su cedida, foi necessário construir o Lago Gatún, situado 25 metros acima do nível do mar, e várias eclusas que represam água dentro de grandes tanques e permitem que os navios vindos do Atlântico alcancem o Pacífico.
Atualmente, o Canal do Panamá ocupa posição de destaque no cenário internacional, movimentando 3,5% do comércio marítimo mundial e conectando mais de 140 rotas que ligam 1 700 portos em 160 países.
A ampliação entregue em 2016 permite que porta-con têineres maiores circulem na região. A capacidade máxima dos navios passou de 5 mil para 14 mil contêineres, reduzindo o custo final dos produtos transportados e confirmando a importância estratégica dessa obra, em uma travessia que pode ser feita entre oito e dez horas.

América Latina: conflitos e tensões

O processo de independência na América Latina teve início no século XIX. Na América Espanhola, a descolonização gradual dos vice-reinos existentes resultou na fragmentação do território em vários países. A unidade territorial das possessões portuguesas, contudo, foi mantida após a independência do Brasil. 
Desde então, a região já vivenciou alguns conflitos entre suas nações, proporcionados por disputas territoriais. No entanto, a maioria das disputas existentes atualmente entre as nações latino-americanas podem ser caracterizadas como embates essencialmente diplomáticos, alguns dos quais estão em processo de análise ou julgamento pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, na Holanda.  
Os principais conflitos na América Latina estão relacionados a dis putas territoriais que remontam ao passado colonial e aos processos de independência dos países, à presença de guerrilhas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ao narcotráfico e a conflitos pela exploração de recursos naturais.
Os conflitos entre os países são mediados por organismos internacionais vinculados à ONU, entre os quais destacam-se a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
A CIJ foi instituída em 1945 e, entre as missões que lhe são confiadas, está a resolução de disputas territoriais entre os Estados, tomando-se por base a aplicação de tratados interna cionais. Para que a decisão da CIJ seja acatada, é preciso que os Estados envolvidos estejam de acordo, o que nem sempre acontece já que, em muitos casos, há interesses econômicos envolvidos. O interesse principal de uma resolução rápida e pacífica deveria ser o de proteger as populações locais, que são bastante prejudicadas por essas disputas, pois geralmente perdem acesso aos meios de sobrevivência.
Nessas situações, outros organismos interferem na mediação, como a OEA, cuja missão é “garantir a paz e a justiça, defendendo a soberania, a integridade territorial e a independência dos Estados americanos” (artigo 1° da Carta OEA).

América Latina: principais disputas territoriais


Nicarágua e Costa Rica

As nações disputam a soberania da foz do Rio San Juan e a Ilha Calero, entre o norte da Costa Rica e o sul da Nicarágua, inclusive apelando à CIJ, em Haia. Em 2021, os países ratificaram oficialmente a decisão da Corte sobre os limites marítimos entre eles.

Colômbia e Venezuela

Os dois países, que integravam uma mesma unidade administrativa durante o período colonial e têm histórico de conflitos, disputam um território marítimo no Golfo da Venezuela. 

Chile e Bolívia

Disputa que remonta ao término da Guerra do Pacífico (1879-1883), após a qual seriam negociados termos de paz que cederam parte do território boliviano ao Chile. Nesse termo foi cortado o acesso da Bolívia ao Oceano Pacífico, que o país reivindica atualmente. 
Em 2015, a CIJ aceitou ouvir o argumento da Bolívia de que suas fronteiras com o Chile deveriam ser renegociadas. O Chile, porém, recusa-se a negociar o acesso ao mar com o país vizinho. 
No final de 2018, o tribunal de Haia definiu que o Chile não tem obrigação de devolver parte do território para a Bolívia. No entanto, os bolivianos continuam a reivindicar e buscam dialogar para que essa questão seja resolvida. 

Guiana e Venezuela

A disputa entre as duas nações, ainda em julgamento na CIJ, ocorre em função de áreas do território da Guiana, na região de Essequibo, reivindicadas pela Venezuela e que abrigam amplas jazidas de petróleo.

Argentina e Reino Unido

Mesmo derrotada pelo Reino Unido na guerra de 1982, que envolvia a disputa pelo arquipélago formado pelas Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul –, a Argentina continua reivindicando esse território. Com a vitória britânica, as Malvinas foram renomeadas Ilhas Falkland.

 


MIGRAÇÕES NA AMÉRICA LATINA

Na América Latina, os fluxos migratórios contemporâneos ocorrem com menos intensidade quando comparados aos de outras regiões do globo, como na Europa, América do Norte, Ásia e África.
Atualmente, os grandes fluxos migratórios na América Latina estão relacionados a países da América Central, México e Venezuela.
Durante as últimas décadas do século XX, em decorrência de crises econômicas, o aumento do desemprego e da pobreza, as migrações de latino-americanos se diri giam principalmente em direção aos países desenvolvidos, sobretudo para os Estados Unidos e o continente europeu.
No início do século atual, entretanto, os fluxos migratórios de latino-americanos também se intensificaram no interior da própria região, ou seja, eles passaram a se deslocar também para os países vizinhos. Entre 2009 e 2015, por exemplo, o fluxo migratório entre os países da região aumentou em 50%.

Entre as razões que vêm contribuindo para o aumento das migrações na região destacam-se:
• a adoção de regras mais rígidas para a entrada dos imigrantes la tinos nos países desenvolvidos;
• as características históricas e cul turais comuns entre os países da região;
• as oportunidades no mercado de trabalho, sobretudo nos países de maior economia da região, como o Brasil, a Argentina e o Chile.

Em geral, os latinos encontram certa facilidade para deixar seu país de origem e entrar em outros países da região. A maioria dos governos da região adota políticas migratórias pouco restritivas, permitindo a entrada dos imigrantes. Por outro lado, pela falta de fiscalização e de controle nas zonas de fronteiras, muitos imigrantes conseguem chegar clandestinamente aos países de destino.
De maneira geral, a busca por trabalho e melhores condições de vida são os prin cipais fatores que levam os latino-americanos a deixar seus países de origem. Nos últimos anos, por exemplo, milhares de venezuelanos têm migrado para os países vizinhos, inclusive para o Brasil, em decorrência da grave crise econômica que afeta a economia daquele país. Mas, além dos problemas socioeconômicos, as migrações na região também têm outras causas. Em 2010, o forte terremoto que atingiu o Haiti, um dos países latino-americanos mais pobres, localizado no mar do Caribe, causou milhares de mortes e deixou milhões de desabrigados, muitos dos quais migraram para outros países, inclusive para o Brasil.
O Brasil também participa das migrações que ocorrem na América Latina, tanto recebendo imigrantes latino-americanos quanto tendo a saída de brasileiros para ou tros países da região. De acordo com dados de 2020, entre os imigrantes latinos em maior número no Brasil estão os venezuelanos (172 mil), os haitianos (149 mil), os bolivianos (56 mil) e os argentinos (25 mil). Os emigrantes brasileiros, por sua vez, também são numericamente expressivos em vários países do continente. Cerca de 240 mil brasileiros vivem no Paraguai, 89 mil na Argentina, 72 mil na Guiana Francesa e 43 mil no Uruguai.
A pandemia de covid-19 teve impactos na dinâmica migratória latino-americana. Apesar da imposição de restrições para entrada e saída de pessoas dos países, mais rigorosa no ano de 2020, os fluxos migratórios não pararam, já que as migrações, nesse contexto, são forçadas. Além disso, com o aumento da pobreza e das desigualdades pós-pandemia, tudo indica que haverá uma intensificação desses fluxos nos próximos anos.

Em linhas gerais, a América Latina apresenta três tendências migratórias importantes:
- dos países da América Latina para a América Anglo-Saxônica (aproximadamente 26 milhões de migrantes);
- dos países da América Latina para outras regiões do mundo (aproximadamente 6 milhões de migrantes);
- entre os países da América Latina (aproximadamente 11 milhões de migrantes).

Os Estados Unidos são o principal destino de migrantes do mundo. Em 2020, 51 milhões de migrantes internacionais viviam no país. Desse total, 67% eram latino-americanos.
Além dos cubanos, dominicanos e mexicanos, que têm grandes populações migrantes nos Estados Unidos, o país tem recebido muitos hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos. A população desses países centro-americanos está em situação de grande vulnerabilidade.
Os problemas econômicos, a violência causada pelo tráfico de drogas e eventos climáticos, como enchentes, secas e furacões, forçam milhões de pessoas ao êxodo. Esses migrantes se organizam em caravanas para realizar a viagem.
O percurso, saindo da América Central, passando pelo México e chegando à fronteira dos Estados Unidos, é um dos mais perigosos do mundo, sendo muito frequentes casos de desaparecimento, agressões e mortes.
Apesar das promessas de revisão das leis de imigração, os Estados Unidos continuam a fazer um rígido controle diante da quantidade de pessoas que chegam à fronteira do país. A fiscalização foi reforçada e medidas polêmicas vêm sendo adotadas, como a detenção e deportação de migrantes e o uso da violência por policiais.

Fluxos intrarregionais


Em 2020, mais de 11 milhões de pessoas migraram no interior da América Latina. As migra ções intrarregionais têm como principal destino Argentina, Colômbia e Chile, atraindo pessoas dos países andinos e do Paraguai.
A situação da Venezuela tem alterado os fluxos na região. Aproximadamente 85% dos mais de 5 milhões de venezuelanos que já deixaram o país permaneceram na América Latina, tendo a Colômbia como principal destino. Pela proximidade geográfica, também são áreas de atração de venezuelanos, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Guiana.
O México é um país de trânsito e de imigração. Milhares de migrantes latino-americanos atravessam o país e se juntam aos mexicanos que tentam, diariamente, entrar nos Estados Unidos, ampliando a crise migratória. Com as detenções e deportações na fronteira, a tendência é que os migrantes permaneçam no México, agravando a situação socioeconômica do país.
Muitos desses migrantes vivem no Sul e na Costa Oeste dos Estados Unidos, onde são conhe cidos por braceros (trabalhadores) e atuam na colheita de produtos agrícolas. Outros trabalham em indústrias, na construção civil, no setor de serviços, entre outras ocupações.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina. A renda gerada pela atividade é controlada pelo governo e distribuída de forma desigual, o que contribui para o grande número de pessoas vivendo na pobreza e em condições precárias no país.
No ano de 2014, o preço do barril do petróleo começou a cair rapidamente no mundo todo. A consequência imediata foi a diminuição das receitas e o agravamento das dificuldades econômicas e sociais já existentes.
Foram feitos cortes nos programas sociais, e uma grave crise de abastecimento de produtos básicos teve início, pois a Venezuela importa mais de 70% dos produtos que consome. Esse contexto, somado à insatisfação popular com o governo e à altíssima inflação, mergulhou o país em uma grave crise econômica e humanitária, forçando os venezuelanos a deixar o país.


domingo, 1 de março de 2026

A região platina na América

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem a bacia Platina.
A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino do Rio da Prata.
Algumas características físicas da região, como o predomínio do relevo plano, a extensa rede hidrográfica e a presença de solos férteis, possibilitam aos países platinos uma expressiva produção agrícola e a prática de pecuária. A região apresenta três áreas que podem ser diferenciadas com base em suas características físicas:

• Chaco: abrange o norte da Argentina e parte do Paraguai; caracteriza-se pelos terrenos planos, pelo clima subtropical e pela presença de florestas; destacam-se as culturas de algodão, erva-mate e a prática da pecuária. 
• Patagônia: abrange o sul da Argentina; caracteriza--se pelos terrenos planálticos, clima seco e vegeta ção rasteira; destacam-se a prática da pecuária e a exploração de petróleo e carvão mineral. 
• Pampa: abrange o sul do estado do Rio Grande do Sul, parte da Argentina e o Uruguai; o relevo plano e a qualidade do solo possibilitam a prática agrícola; destaca-se, também, pela pecuária. Fruto da colonização espanhola, a população da região é predominantemente branca, com exceção do Paraguai, marcado pela presença indígena.
Economicamente, os países que compõem a América Platina apresentam uma diversidade maior que os países andinos. Os três países mantêm uma relação comercial muito próxima com o Brasil, graças ao Mercosul.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica. O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des taque na pauta de exportações, especialmente em relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá. 
No setor de serviços, a atividade turística se destaca nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu).

A Argentina


Na Argentina, cuja capital é Buenos Aires, vivem aproximadamente 45 milhões de pessoas. Cerca de um terço da população argentina vive na região metropolitana de sua capital e o restante em áreas do centro e do norte do país, como nas cidades de Córdoba e Rosário. 
Os principais recursos naturais do país são: chumbo, zinco, estanho, cobre, minério de ferro, manganês, petróleo e gás natural. O país apresenta solos férteis nas planícies dos pampas, onde se desenvolve a agricul tura. A Argentina produz energia elétrica a partir de combustíveis fósseis, fontes hidráulicas e outras fontes renováveis, além da energia nuclear – é o país da América Latina com a maior capacidade instalada desse tipo de energia.
Apesar das sucessivas crises que vem enfrentando, a Argentina apresenta os melhores indicadores econômicos e sociais dos países platinos. O país pode ser dividido em três regiões geoeconômicas: o Pampa, que concentra as principais cidades e a atividade industrial do país, além de possuir elevada produção de grãos, em razão do clima temperado e do solo fértil; o Chaco e a Mesopotâmia argentina, áreas mais pobres, com produções de milho, soja, algodão e erva-mate, além da pecuária bovina; os Andes e a Patagônia, regiões menos populosas em razão do clima frio.
A Argentina é reconhecida internacionalmente por seu setor agropecuário. Boa parte da criação de bovinos abastece o mercado interno, e cerca de 5% é exportada. Os principais destinos da carne produzida são China, Israel, Estados Unidos, América Latina e Europa.
A atividade agropecuária está concentrada nos pampas, região de planícies cobertas de vegetação de Pradarias ou campos. Além das características naturais favoráveis, os pampas concentram grande parte do mercado consumidor argentino e infraestruturas importantes para o escoamento da produção, como os portos de Rosário, no Rio Paraná, e Buenos Aires, no Rio da Prata. 
O modelo agropecuário argentino apresenta muitas semelhanças com o modelo brasileiro. Ambos são pautados na produção para o mercado externo, com elevado grau de mecanização, uso de sementes geneticamente trans formadas e agrotóxicos e cultivos em grandes propriedades monocultoras.
Na Argentina, o avanço da soja e do milho sobre as áreas de pastagens tem feito com que os pecuaristas adotem sistemas intensivos de criação de animais, chamados feedlots (lotes de alimentação). Nesse modelo, que já abrange mais de 80% do rebanho argentino, milhares de animais são confinados em áreas reduzidas para que possam engordar rapidamente, alimentados com soja transgênica. Além disso, recebem medicamentos para evitar doenças causadas pelo confinamento.
As características climáticas e o relevo predominantemente plano favorecem o desenvolvimen to da agricultura, com destaque para o cultivo de milho, algodão, soja e cana-de-açúcar. A porção oeste apresenta elevadas altitudes e climas rigorosos da cordilheira dos Andes. Há baixa densidade demográfica, e as principais ati vidades econômicas são a fruticultura irrigada e a extração de petróleo.
No sul, na região chamada de Patagônia, há o predomínio do clima frio com invernos rigorosos. As características naturais fazem a região também ser pouco povoada. Além da pecuária bovina, desenvolve-se a criação de ovinos. Também há importantes jazidas de petróleo e gás natural. 
Sobre a população argentina, ressaltar que grande parte tem origem espanhola por conta da colonização, mas que há grande número de descendentes de outros imigrantes, sobretudo italianos. Vale destacar que há parcela significativa da população de origem ameríndia, decorrente da miscigenação dos povos europeus com os nativos que habitavam o atual território argentino. 
Grande parte da população está concentrada nos arredores de Buenos Aires, sendo a densidade populacional no interior mais baixa, sobretudo na região sul e extremo sul do território, por conta das baixas temperaturas e solos impróprios para a atividade agropecuária.
A exemplo do México e do Brasil, a Argentina é um dos países mais industrializados da América Latina. Destacam-se as indústrias alimentícias, têxteis, mecâ nicas, eletroeletrônicas, metalúrgicas e automobilísticas.
Em 2001, a Argentina decretou a moratória (suspensão do pagamento da dívida externa) e passou a ser vista com desconfiança pelos investidores internacionais. Esse foi o período da mais grave crise econômica, social e política da conturbada história do país. 
Durante as últimas duas décadas, o único período de maior estabilidade econômica do país foi entre 2002 e 2007, quando o PIB cresceu em média 8,5% ao ano, resultado de políticas econômicas e do aproveitamento da capacidade industrial e de trabalho, que estavam ociosas na crise. No entanto, após essa breve estabilidade, o país voltou a passar por períodos de recessão. Em 2020, o PIB argentino foi de 389 bilhões de dólares.
Em 2014, o país decretou nova moratória, o que diminuiu as perspectivas de avanços econômicos e sociais para os anos subsequentes. A partir de 2016, com o governo do então presidente Maurício Macri, houve um crescimento econômico inicial (PIB de 2,9% em 2017), fruto da tentativa de controlar as contas públicas e a inflação. 
Porém, com a alta do dólar e dos juros nos Estados Unidos, a queda da safra agrícola em torno de 30% e a falha na tentativa de conter a inflação e os gastos públicos, o governo mergulhou em nova crise econô mica e de confiança e se viu obrigado a recorrer, em agosto de 2018, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), algo que não acontecia desde 2003. Em 2021, o governo argentino iniciou a negociação de um novo acordo com o FMI, com o objetivo de refinanciar a dívida de 44 bilhões de dólares.

O Uruguai


O Uruguai possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, dos quais grande parte se concentra no sul do país, sobretudo na capital, Montevidéu, que abriga 50% de toda a população do país. O relevo aplanado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.
Os principais recursos naturais do país são: solos aráveis, recursos hídricos e pesca. Aproximadamente, 75% do território uruguaio é formado por terrenos baixos e planos, o que favorece a criação de gado para a produção de carne. 
O país obtém energia elétrica por meio da queima de combustíveis fósseis, da atividade hidrelétrica e, principalmente, de fontes renováveis, como a eólica e a solar. O país não produz petróleo nem gás natural, sendo obrigado a importá-los. A economia é baseada no setor agropecuário. 
O país é um grande produtor de cereais, como trigo, arroz e soja. Contudo, a maior força da economia uruguaia está relacionada à criação de gado bovino e ovino e à exportação de seus subprodutos, como carne, couro e lã. 
O país tem uma arrecadação significativa com o turismo, com destaque para o balneário de Punta del Este. China, Brasil, Estados Unidos e Argentina são os principais destinos da exportação uruguaia.
No começo da década de 1990, o país iniciou uma política de privatização de empresas estatais, o que permitiu o aumento da arrecadação do governo e a diminuição dos gastos públicos. Essa medida também atraiu empresas e instituições financeiras internacionais, fazendo com que o país ganhasse fama de “paraíso fiscal”. 
Entre 2004 e 2008, o Uruguai passou por um momento de forte cresci mento econômico, com médias anuais de 8%. Em 2009, a crise econômica internacional fez com que o crescimento econômico do país fosse de apenas 2,9%. No entanto, os uruguaios conseguiram evitar a recessão e a economia continuou crescendo por meio de investimentos privados e gastos públicos. 
No período entre 2012 e 2016, devido à desaceleração da economia global e de seus parceiros do Mercosul (sobretudo Brasil e Argentina), a economia uruguaia diminuiu sua velocidade de crescimento. Uma das marcas do país nos últimos quinze anos é a combinação de abertura para o livre-comércio e fortes investimentos sociais. 
O PIB do país em 2020 foi de aproximadamente 54 bilhões de dólares. Em relação aos seus indicadores sociais, o Uruguai apresenta alta expectativa de vida e índices satisfatórios de alfabetização, sendo classificado como um ótimo país para se viver.

O Paraguai


Com cerca de 7 milhões de habitantes, o Paraguai, cuja capital é Assunção, tem a maioria de sua população vivendo na parte leste do país. Na porção oeste (área do Chaco), embora corresponda a 60% do território paraguaio, vivem apenas 2% dos habitantes do país. Os principais recursos naturais do país são: madeira, minério de ferro, manganês, calcário e recursos hídricos. O país não possui reservas conhecidas de petróleo nem de gás natural.
Como não apresenta saída para o mar, o Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.
A economia paraguaia é pouco diversificada e sua produção industrial é modesta. O fraco desempenho da economia pode ser explicado, em primeiro lugar, pela ausência de saída para o mar, o que dificulta a ampliação das relações comerciais do país. 
A principal via de acesso para o Oceano Atlântico é o Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e às rodovias brasileiras. O Porto de Paranaguá, no Paraná, é o local de entrada e saída da maioria dos produtos. 
Além disso, a infraestrutura do país é pouco eficiente, o que resulta em baixo volume de exportações e pouca arrecadação para o Estado, que possui uma enorme dívida externa. 
É um dos poucos países do mundo em que a agricultura arrecada mais que a indústria. Os principais produtos de exportação são: soja, trigo, mandioca e cana-de-açúcar.
O país é um grande exportador de energia elétrica, excedente da Usina Binacional Itaipu, e o Brasil é seu maior comprador. Na fronteira com o Brasil, mais preci samente com Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, existe uma grande área comercial localizada na Ciudad del Este. 
Essa espécie de zona franca atrai diariamente muitos brasileiros que cruzam a Ponte da Amizade, que separa os dois países, em busca de produtos importados. O Paraguai apresenta os piores índices sociais entre os países platinos, porém, nos últimos anos, vem apresentando crescimento da sua economia, ainda que em 2020 apresente uma balança comercial deficitária. O PIB paraguaio foi de 35 bilhões de dólares.



A região andina na América

A América Andina é formada pelos países que têm em seu território partes da cordilheira dos Andes (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Chile).
Os Andes têm um papel importante na hidrografia da América do Sul, funcionando como um importante divisor de águas. Os rios que nascem a oeste da cordilheira são pouco extensos, correm sobre terrenos íngremes e deságuam no oceano Pacífico. Os rios que nascem a leste apresentam grande extensão, correm em terrenos mais planos e deságuam no oceano Atlântico, como é o caso do Rio Amazonas, cuja nascente está localizada no Peru.
As montanhas também influenciam o clima regional, as atividades econômicas e a cultura, com vestuários, alimentos e habitações adequados à vida em grandes altitudes. 
Os países da América Andina têm em comum aspectos históricos e culturais, como a colonização e a língua oficial espanhola. Com população formada principalmente por etnias indígenas e miscigenada, seus países também mantêm muitos costumes e tradições das sociedades pré-colombianas.
Economicamente, os países andinos são dependentes da exportação de produtos primários (as chamadas commodities), como cobre, petróleo, gás natural, café, frutas e pescados, e da importação de grande parte dos produtos industrializados de maior valor agregado, procedentes de países desenvolvidos. Esse cenário de dependência faz com que alguns desses países, que apresentam déficit na balança comercial internacional agravado por elevado endividamento externo, não consigam solucionar seus problemas sociais crônicos.
A América Andina tem a economia pautada na exploração e no beneficiamento de recursos minerais e energéticos, além de uma agricultura diversificada, com destaque para produtos como café, banana, cacau, cana-de-açúcar, trigo e aveia, cultivados em grandes propriedades.
Os países andinos são bastante dependentes das variações nos preços internacionais das matérias-primas que exportam. Com a pandemia de covid-19, a demanda por petróleo e outras commodities diminuiu drasticamente no mundo todo, gerando uma queda significativa nos preços, o que vulnerabilizou ainda mais a economia regional. 
Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os preços do petróleo, gás natural e carvão mineral subissem (a Rússia era o terceiro maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural), beneficiando os países exportadores da América Andina, com destaque para a Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.
Não se pode, no entanto, compreender esse grupo de países de forma homogênea do ponto de vista econômico. O Chile possui o maior IDH da América do Sul, com um parque industrial mais desenvolvido do que seus vizinhos andinos; Peru e Colômbia vêm experimentando crescimento do PIB nos últimos anos. Já Equador e Bolívia apresentam uma performance econômica mais modesta.
Politicamente, a maioria dos países andinos apresenta um cenário de estabilização, com a consolidação da democracia, eleições diretas, voto secreto, fortalecimento das instituições e liberdade de expressão garantida por lei. A exceção é a Venezuela que desde meados dos anos 2010 passa por uma grave crise política e econômica.

A Venezuela


O relevo venezuelano divide-se em uma estreita faixa da cordilheira dos Andes a oeste; planaltos mais baixos a leste; planície do Rio Orinoco no centro; e planície costeira ao norte, onde se encontra a maior parte da população.
Os principais recursos naturais do país são: petróleo (extraído no delta do Rio Orenoco e próximo ao Lago de Maracaibo), gás natural, minério de ferro, ouro, bauxita, diamante e potencial hidráulico para produção de energia.
Em algumas áreas pratica-se a agricultura semicomercial mecanizada de café, cacau, cana-de-açúcar, entre outros cultivos. 
Esse país apresenta importantes jazidas de petróleo, seu principal produto de exportação. As divisas geradas por ele contribuem para que a renda per capita do país seja elevada. Entretanto, a desigualdade social é acentuada, pois nem todos se beneficiam dessa riqueza.
A Venezuela possui um território rico em recursos energéticos, com destaque para o petróleo e o gás natural. Em 2020, o país detinha a maior reserva mundial de petróleo (17,5% do total) e a segunda maior reserva de gás natural da América.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina, totalizando 95% das exportações do país. O governo optou por destinar esses recursos à importação de bens de consumo e equipamentos, em vez de investir em infraestruturas e no desenvolvimento dos setores agropecuário e industrial. 
Essa opção tornou a economia venezuelana extremamente dependente da venda e, consequentemente, da variação dos preços do petróleo. 
O país é extremamente dependente da exportação do produto, que é responsável por quase a metade da receita do governo. Porém, a maior contradição interna da economia venezuelana é o fato de o país arrecadar muito dinheiro com a exportação de petróleo e ter grande desigualdade social. Uma pequena parcela da população tem boas condições de vida, enquanto a maioria não se beneficia dos lucros e da arrecadação dessa atividade comercial. 
Soma-se a essas desigualdades uma grave crise econômica, que resulta tanto da queda do preço internacional do petróleo quanto de um conflito político que se arrasta há anos.
A Venezuela entrou em grave crise econômica e humanitária quando o preço do barril de petróleo caiu em 2014. A produção petrolífera já vinha caindo desde o início dos anos 2010, passando de 2,7 milhões de barris por dia em 2011 para 640 mil barris em 2020. Essa queda na produção pode ser explicada principalmente pela já citada falta de investimentos em infraestruturas, também, na indústria do petróleo. Com diminuição da produção, também houve reduções nos postos de trabalho no setor. 
A crise econômica levou a Venezuela a uma crise política. O presidente Nicolás Maduro foi reeleito em maio de 2018 após uma eleição boicotada pela oposição, que não o reconhecia como presidente legítimo e representante da democracia. Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outros países pró-oposição aplicaram sanções à Venezuela, incluindo um embargo ao petróleo, o que agravou ainda mais a crise econômica. 
O petróleo venezuelano, que até então era refinado nos Estados Unidos, foi substituído pelo petróleo russo. Desde então, a China passou a adquirir as exportações da Venezuela a um preço reduzido.
Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do petróleo – que já havia variado bastante durante a pandemia de covid-19 – aumentou por causa das sanções contra os russos. Nesse contexto, a Venezuela surge como uma alternativa importante para substituir parte das exportações russas de petróleo, o que explica as tentativas de reaproximação do governo estadunidense com o governo venezuelano a partir de 2022.

A Colômbia


A Colômbia tem cerca de 50 milhões de habitantes e a sua capital é Bogotá. 
A Colômbia é o país mais populoso da América Andina. A maioria da população colombiana vive no norte e no oeste do país, áreas de maior desenvolvimento agrícola e onde estão os principais recursos minerais.
Sua economia é pautada na agricultura, especialmente de café. A folha de coca é mascada pelos andinos para facilitar a respiração em altitudes elevadas. Além disso, é matéria-prima para a fabricação de drogas ilícitas, como a cocaína. Com isso, o narcotráfico tornou-se uma atividade comum no país, realizada principalmente por grupos guerrilheiros que lutam contra o governo, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Possui importantes reservas de carvão mineral e de petróleo. As atividades agrícolas que se destacam são: café, produção de flores, cana-de-açúcar, banana, milho, cacau e fumo. As planícies litorâneas favorecem a criação de gado, como bovinos, caprinos e equinos. A indústria colombiana restringe-se à fabricação de bens de consumo, como alimentos, bebidas e roupas.
A Colômbia é um dos países da região com maior potencial econômico. Novos investimentos na economia têm gerado elevado crescimento, graças à diversificação da atividade industrial e dos serviços, bem como ao aumento do comércio exterior. As redes no território da Colômbia são bem desenvolvidas e têm boas conexões com os países vizinhos, principalmente no que diz respeito aos meios de transporte.
Entre altos e baixos, na última década, a Colômbia recuperou a capacidade de fazer a economia crescer, apresentando elevação considerável no PIB, que atingiu 271 bilhões de dólares em 2020. Governo e sociedade, aliados em programas de cidadania, segurança e infraestrutura urbana, estimularam o consumo e aqueceram a economia. 
No entanto, há muito ainda a se fazer na Colômbia. O narcotráfico e os conflitos internos que envolvem grupos guerrilheiros, paramilitares e o exército nacional são graves problemas para o país.


O Equador


No Equador, vivem cerca de 17 milhões de pessoas e sua capital é Quito.
O Equador é o menor país andino. Sua população é originada da miscigenação de indígenas com europeus. A economia é pautada na agricultura (banana, café e cana-de-açúcar) e na mineração (petróleo). O país apresenta uma grande variedade de espécies endêmicas, especialmente nas Ilhas Galápagos, o que faz do Equador o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área.
Assim como a economia da maioria dos países da América Latina, a do Equador está voltada para a exportação de produtos primários: banana, café, cacau, pescados e petróleo. O petróleo é a principal fonte de riqueza, responsável por 40% das exportações do país, seguido de madeira, pescado e agricultura, em que se destaca o cultivo de banana, café e cacau. 
A economia equatoriana tem sua história recente marcada por crises e breves momen tos de recuperação. No ano 2000, devido a uma grave crise em seu sistema bancário, o país adotou o dólar americano como moeda nacional. Na década seguinte, o país apresentou crescimento – no ano de 2008, por exemplo, cresceu 6,4% – e renegociou sua dívida externa em 2009. A partir de 2013, a economia equatoriana sofreu novos abalos, decorrentes da queda dos preços do petróleo e da redução do investimento estrangeiro. 
Em 2016, um terremoto agravou os problemas, trazendo prejuízos a vários setores produtivos, como indústria, agricultura e turismo. Desde então, o país tentou sair da recessão adotando algumas medidas, como o aumento das tarifas sobre os produtos importados e a criação de impostos sobre as heranças. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 98 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial).

A Bolívia


Com quase 11 milhões de habitantes (dados da ONU de 2020), a Bolívia, cuja capital administrativa é La Paz, é o país com a maior fronteira terrestre com o Brasil, totalizando 750 quilômetros de extensão. Uma característica marcante do território boliviano é a ausência de saída para o mar. A população boliviana se concentra nos altiplanos andinos e é marcada por forte presença indígena.
A Bolívia também é um país com fragilidades no setor econômico, ainda que tenha grandes fontes de recursos naturais energéticos, como petróleo e gás natural.
As atividades econômicas predominantes são a mineração, a agricultura e a pecuária. Destaca-se, ainda, a produção de gás natural, exportado para o Brasil por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, que se estende por 1 400 km.
Os principais recursos naturais do país são o petróleo, o gás natural, a madeira, o pescado e o potencial hidráulico para geração de eletricidade. A principal atividade econômica do país é a extração de gás natural. A indústria boliviana é pouco desenvolvida, estando principalmente relacionada à produção mineral, de alimentos e de vestuário. 
A maior parte do gás natural extraído pela Bolívia é exportado. Em 2017, cerca de 74% da sua produção foi comercializada com o exterior. De acordo com dados do Ministério de Hidrocarbonetos e Energias da Bolívia, em 2021, o país arrecadou cerca de 2,241 bilhões de dólares com a exportação desse recurso. O Brasil é um dos principais compradores do gás natural boliviano, transportado por dutos – o Gasoduto Bolívia-Brasil.
O país vem tentando reduzir suas desigualdades sociais, mas ainda é marcado por tensões sociais e raciais. A Bolívia possui uma grande população de origem indígena, que nos últimos anos tem se destacado no cenário político.

O Peru


Com cerca de 32 milhões de habitantes, o Peru está dividido em três grandes áreas naturais: a costa (11% do total do território), que concentra cerca de um terço de sua população, especialmente na região metropolitana da capital, Lima; os Andes (27% do território); e a Floresta Amazônica (62% do território).
O Peru é composto, em grande parte, de populações indígenas. Muitos habitantes falam a língua quíchua, dos incas. Diversas cidades peruanas apresentam material arquitetônico e arqueológico inca preservado, como Cuzco e Aguas Calientes, onde se localiza Machu Picchu. Por esse motivo, o turismo é uma atividade de relevância para o país. Destacam-se, além disso, a mineração (prata, estanho e cobre) e a agricultura de produtos tropicais.
A economia do país é um reflexo dessa diversidade de ambientes naturais. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 202 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial). A maioria de seus recursos minerais são encontrados na área montanhosa da cordilheira dos Andes e na área costeira.
A atividade de maior destaque na economia peruana é a pesqueira, graças à corrente marítima de Humboldt. Na agricultura, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, algodão, café e trigo. Os principais recursos minerais exportados são ouro, zinco, chumbo, prata e cobre. 
O país tem concentrado esforços para fechar acordos de livre-comércio com outros países, como Canadá, Singapura, Japão, Costa Rica e União Europeia, com destaque para a recente Parceria Transpacífico.

O Chile


Localizado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o território do Chile é o mais estreito do mundo. Sua largura máxima é de 175 km, enquanto sua extensão norte-sul é de 4,3 mil km. A população do Chile é de aproximadamente 19 milhões de habitantes, concentrados principalmente na região central, sobretudo na sua capital: Santiago. 
O Chile é, social e economicamente, o país mais desenvolvido da região andina. A população e as principais cidades chilenas se concentram no centro do país, já que o norte abriga um grande deserto – o Atacama – e o sul apresenta baixas temperaturas. 
A economia é uma das mais sólidas da América do Sul. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 252 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial). O Chile tem a tendência de abrir sua economia para as principais economias do mundo, como os países europeus, Estados Unidos, China e Japão, reduzindo e até eliminando barreiras comerciais. Por meio desses acordos, o Chile busca vantagens para exportar seus produtos, além de atrair investimentos externos. Recentes acordos comerciais inseriram o país no bloco econômico denominado Parceria Transpacífico, que consiste em uma área de livre-comércio com outras 11 nações banha das pelo Oceano Pacífico.
A maior parte dos cerca de 19 milhões de habitantes (2021) vive na região central do país, principalmente na área metropolitana de Santiago, capital do país que concentra a atividade industrial, com destaque para a produção de celulose, de produtos químicos e têxteis, de equipamentos de transporte e de alimentos.
A economia chilena passou por um processo de aceleração a partir da década de 1990, com a abertura para investimentos estrangeiros e a instalação de empresas transnacionais, a privatização de empresas estatais e a redução de impostos. Além da indústria, o país também conta com as atividades de mineração, pesca, agricultura e pecuária.
Na agricultura, destacam-se o cultivo e a exportação, principalmente para a Europa, de frutas e cereais típicos de climas mais frios. O Chile também é um importante produtor de vinhos, concentrando as viniculturas no sul do território.
No norte do país, na região do deserto do Atacama, o extrativismo mineral é a atividade que mais se destaca, sendo uma das mais importantes para a economia chilena. 
Os principais recursos naturais do país são: cobre, madeira, minério de ferro, metais preciosos e o potencial hidráulico para a produção de energia elétrica. Outros setores importantes nas exportações chilenas são: industrial, agroindustrial (celulose, salmão e vinho) e agrícola (com destaque para o cultivo de frutas). Uma das atividades econômicas com preponderância no país é a pesqueira, influenciada pela corrente marítima fria de Humboldt, que concentra alimentos para os cardumes na costa do país. Outro destaque é para o turismo, principalmente no balneário Viña del Mar, no deserto do Atacama e na região sul dos Lagos Andinos, montanhas associadas ao vulcanismo.
O Chile é o maior produtor mundial de cobre, sendo esse recurso mineral o principal produto de exportação do país. Apresenta também importantes jazidas de prata, ouro, ferro e carvão. 
Tanto a mineração quanto a agricultura utilizam muita água. No Chile essas atividades são desenvolvidas em uma das zonas mais áridas do planeta, onde a pressão sobre os recursos hídricos é naturalmente elevada. 
Os períodos de seca, característicos do clima chileno, vêm se agravando pelas mudanças climáticas. Desde 2010, o país atravessa uma grande crise hídrica, com redução de aproximadamente 30% das precipitações. 
Além de racionamentos de água nos centros urbanos, pecuaristas são forçados a deslocar rebanhos inteiros para o sul do país em busca de pastagens, evitando, assim, a morte dos animais.
Além dos aspectos climáticos e econômicos, a questão da água no Chile envolve uma opção política. O país é o único no mundo onde a água é privatizada, ou seja, empresas podem deter o acesso ao recurso por meio de títulos que, como uma mercadoria qualquer, podem ser alugados ou vendidos. 
Essa situação favorece os grandes proprietários de terras em detrimento dos pequenos agricultores. Cerca de 90% dos direitos sobre a água estão nas mãos de empresas de mineração e do agronegócio, que a utilizam e poluem indiscriminadamente, deixando as populações sem acesso à água potável e impossibilitadas de realizar tarefas básicas do cotidiano. 
A sociedade chilena, organizada em diversos movimentos populares, vem exigindo mudanças na Constituição, sendo a desprivatização das águas uma delas.
Com a adoção de reformas profundas para modernizar a economia, o Chile é o país latino-americano que mais se desenvolveu economicamente nas últimas décadas. Fatores, como privatizações, abertura econômica, controle de gastos públicos e inflacionário e grande impulso no setor de exportação foram responsáveis por esse crescimento. Embora ainda apresente elevada concentração de renda, nos últimos anos, políticas implementadas pelo governo reduziram significativamente os níveis de pobreza e indigência no país.



Brasil: o processo de industrialização

A indústria reúne matéria-prima, máquinas e trabalho humano; ela transforma a matéria-prima em produtos elaborados, que serão consumidos pe...