A América Andina é formada pelos países que têm em seu território partes da cordilheira dos Andes (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Chile).
Os Andes têm um papel importante na hidrografia da América do Sul, funcionando como um
importante divisor de águas. Os rios que nascem a oeste da cordilheira são pouco extensos, correm
sobre terrenos íngremes e deságuam no oceano Pacífico. Os rios que nascem a leste apresentam
grande extensão, correm em terrenos mais planos e deságuam no oceano Atlântico, como é o caso
do Rio Amazonas, cuja nascente está localizada no Peru.
As montanhas também influenciam o clima regional, as atividades econômicas e a cultura,
com vestuários, alimentos e habitações adequados à vida em grandes altitudes.
Os países da América Andina têm em comum aspectos históricos e culturais, como a colonização
e a língua oficial espanhola. Com população formada principalmente por etnias indígenas e miscigenada, seus países também mantêm muitos costumes e tradições das sociedades pré-colombianas.
Economicamente, os países andinos são dependentes da exportação de produtos primários (as chamadas
commodities), como cobre, petróleo, gás natural, café, frutas
e pescados, e da importação de grande parte dos produtos industrializados de maior valor agregado, procedentes
de países desenvolvidos. Esse cenário de dependência faz
com que alguns desses países, que apresentam déficit na
balança comercial internacional agravado por elevado endividamento externo, não consigam solucionar seus problemas sociais crônicos.
A América Andina tem a economia pautada na exploração e no beneficiamento de recursos
minerais e energéticos, além de uma agricultura diversificada, com destaque para produtos como café,
banana, cacau, cana-de-açúcar, trigo e aveia, cultivados em grandes propriedades.
Os países andinos são bastante dependentes das variações nos preços internacionais das
matérias-primas que exportam.
Com a pandemia de covid-19, a demanda por petróleo e outras commodities diminuiu
drasticamente no mundo todo, gerando uma queda significativa nos preços, o que vulnerabilizou
ainda mais a economia regional.
Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez
com que os preços do petróleo, gás natural e carvão mineral subissem (a Rússia era o terceiro
maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural), beneficiando os países
exportadores da América Andina, com destaque para a Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.
Não se pode, no entanto, compreender esse grupo de
países de forma homogênea do ponto de vista econômico.
O Chile possui o maior IDH da América do Sul, com um
parque industrial mais desenvolvido do que seus vizinhos
andinos; Peru e Colômbia vêm experimentando crescimento
do PIB nos últimos anos. Já Equador e Bolívia apresentam
uma performance econômica mais modesta.
Politicamente, a maioria dos países andinos apresenta um cenário de estabilização, com a consolidação da democracia, eleições diretas, voto secreto,
fortalecimento das instituições e liberdade de expressão garantida por lei.
A exceção é a Venezuela que desde meados dos anos 2010 passa por uma grave
crise política e econômica.
A Venezuela
O relevo venezuelano divide-se em uma estreita faixa da cordilheira dos Andes a oeste; planaltos mais baixos a leste; planície do Rio Orinoco no centro; e planície costeira ao norte, onde se encontra a maior parte da população.
Os
principais recursos naturais do país são: petróleo (extraído no delta do Rio Orenoco e próximo ao Lago de Maracaibo), gás natural, minério de ferro, ouro, bauxita, diamante e potencial hidráulico para produção de energia.
Em algumas áreas pratica-se a agricultura semicomercial mecanizada de
café, cacau, cana-de-açúcar, entre outros cultivos.
Esse país apresenta importantes jazidas de petróleo, seu principal produto de exportação. As divisas geradas por ele contribuem para que a renda per capita do país seja elevada. Entretanto, a desigualdade social é acentuada, pois nem todos se beneficiam dessa riqueza.
A Venezuela possui um território rico em recursos energéticos, com destaque para o petróleo
e o gás natural. Em 2020, o país detinha a maior reserva mundial de petróleo (17,5% do total) e
a segunda maior reserva de gás natural da América.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo
da América Latina, totalizando 95% das exportações do país. O governo optou por destinar esses
recursos à importação de bens de consumo e equipamentos, em vez de investir em infraestruturas e
no desenvolvimento dos setores agropecuário e industrial.
Essa opção tornou a economia venezuelana
extremamente dependente da venda e, consequentemente, da variação dos preços do petróleo.
O país é extremamente dependente da exportação do produto,
que é responsável por quase a
metade da receita do governo.
Porém, a maior contradição interna
da economia venezuelana é o fato
de o país arrecadar muito dinheiro
com a exportação de petróleo e ter
grande desigualdade social. Uma
pequena parcela da população tem
boas condições de vida, enquanto a
maioria não se beneficia dos lucros
e da arrecadação dessa atividade
comercial.
Soma-se a essas desigualdades uma grave crise econômica, que resulta tanto da queda do
preço internacional do petróleo quanto de um conflito político que se arrasta há
anos.
A Venezuela entrou em grave crise econômica e humanitária quando o preço do barril de
petróleo caiu em 2014. A produção petrolífera já vinha caindo desde o início dos anos 2010,
passando de 2,7 milhões de barris por dia em 2011 para 640 mil barris em 2020.
Essa queda na produção pode ser explicada principalmente pela já citada falta de investimentos em infraestruturas, também, na indústria do petróleo. Com diminuição da produção,
também houve reduções nos postos de trabalho no setor.
A crise econômica levou a Venezuela a uma crise política. O presidente Nicolás Maduro foi
reeleito em maio de 2018 após uma eleição boicotada pela oposição, que não o reconhecia como
presidente legítimo e representante da democracia. Estados Unidos, Canadá, União Europeia e
outros países pró-oposição aplicaram sanções à Venezuela, incluindo um embargo ao petróleo,
o que agravou ainda mais a crise econômica.
O petróleo venezuelano, que até então era refinado nos Estados Unidos, foi substituído pelo
petróleo russo. Desde então, a China passou a adquirir as exportações da Venezuela a um preço
reduzido.
Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do petróleo – que já havia variado bastante durante a pandemia de covid-19 –
aumentou por causa das sanções contra os russos. Nesse contexto,
a Venezuela surge como uma alternativa importante para substituir
parte das exportações russas de petróleo, o que explica as tentativas de reaproximação do governo estadunidense com o governo
venezuelano a partir de 2022.
A Colômbia
A Colômbia tem cerca de 50 milhões de
habitantes e a sua
capital é Bogotá.
A Colômbia é o país mais populoso da América Andina. A maioria da população colombiana vive no norte e no oeste do país, áreas de maior desenvolvimento agrícola e onde estão os principais recursos minerais.
Sua economia é pautada na agricultura, especialmente de café. A folha de coca é mascada pelos andinos para facilitar a respiração em altitudes elevadas. Além disso, é matéria-prima para a fabricação de drogas ilícitas, como a cocaína. Com isso, o narcotráfico tornou-se uma atividade comum no país, realizada principalmente por grupos guerrilheiros que lutam contra o governo, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Possui importantes reservas de carvão
mineral e de petróleo. As atividades agrícolas
que se destacam são: café, produção de flores,
cana-de-açúcar, banana, milho, cacau e fumo.
As planícies litorâneas favorecem a criação
de gado, como bovinos, caprinos e equinos. A
indústria colombiana restringe-se à fabricação
de bens de consumo, como alimentos, bebidas
e roupas.
A
Colômbia é um dos países da região com maior potencial econômico. Novos investimentos na economia têm gerado elevado crescimento, graças à diversificação da atividade industrial e dos serviços, bem como ao aumento do comércio exterior. As redes no território da
Colômbia são bem desenvolvidas e têm boas conexões com os países vizinhos,
principalmente no que diz respeito aos meios de transporte.
Entre altos e baixos, na última década, a
Colômbia recuperou a capacidade de fazer a
economia crescer, apresentando elevação considerável no PIB, que atingiu 271 bilhões de
dólares em 2020. Governo e sociedade, aliados em programas de cidadania, segurança e
infraestrutura urbana, estimularam o consumo
e aqueceram a economia.
No entanto, há muito ainda a se fazer na
Colômbia. O narcotráfico e os conflitos internos
que envolvem grupos guerrilheiros, paramilitares e o exército nacional são graves problemas
para o país.
O Equador
No Equador, vivem cerca de 17 milhões de pessoas e sua capital é Quito.
O Equador é o menor país andino. Sua população é originada da miscigenação de indígenas com europeus. A economia é pautada na agricultura (banana, café e cana-de-açúcar) e na mineração (petróleo). O país apresenta uma grande variedade de espécies endêmicas, especialmente nas Ilhas Galápagos, o que faz do Equador o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área.
Assim como a economia da maioria dos países da
América Latina, a do Equador está voltada para a exportação de produtos primários: banana, café, cacau, pescados e petróleo. O petróleo é a principal fonte
de riqueza, responsável por 40% das exportações do país, seguido de madeira,
pescado e agricultura, em que se destaca o cultivo de banana, café e cacau.
A economia equatoriana tem sua história
recente marcada por crises e breves momen
tos de recuperação. No ano 2000, devido a uma
grave crise em seu sistema bancário, o país adotou o dólar americano como moeda nacional. Na
década seguinte, o país apresentou crescimento – no ano de 2008, por exemplo, cresceu 6,4% – e
renegociou sua dívida externa em 2009. A partir
de 2013, a economia equatoriana sofreu novos abalos, decorrentes da queda
dos preços do petróleo e da redução do investimento estrangeiro.
Em 2016, um terremoto agravou os problemas, trazendo prejuízos a vários
setores produtivos, como indústria, agricultura e turismo. Desde então, o país tentou sair da recessão adotando algumas medidas, como o aumento das tarifas sobre
os produtos importados e a criação de impostos sobre as heranças. Em 2020, o PIB
foi de aproximadamente 98 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial).
A Bolívia
Com quase 11 milhões de habitantes (dados da ONU de 2020), a Bolívia,
cuja capital administrativa é La Paz, é o país com a maior fronteira terrestre com
o Brasil, totalizando 750 quilômetros de extensão. Uma característica marcante
do território boliviano é a ausência de saída para o mar. A população boliviana se concentra nos altiplanos andinos e é marcada por forte presença indígena.
A
Bolívia também é um país com fragilidades no setor econômico, ainda que tenha
grandes fontes de recursos naturais energéticos, como petróleo e gás natural.
As atividades econômicas predominantes são a mineração, a agricultura e a pecuária. Destaca-se, ainda, a produção de gás natural, exportado para o Brasil por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, que se estende por 1 400 km.
Os principais recursos naturais do país são o petróleo, o gás natural, a
madeira, o pescado e o potencial hidráulico para geração de eletricidade. A
principal atividade econômica do país é a extração de gás natural. A indústria
boliviana é pouco desenvolvida, estando principalmente relacionada à produção
mineral, de alimentos e de vestuário.
A maior parte do gás natural extraído pela Bolívia é exportado.
Em 2017, cerca de 74% da sua produção foi comercializada com
o exterior. De acordo com dados do Ministério de Hidrocarbonetos
e Energias da Bolívia, em 2021, o país arrecadou cerca de 2,241
bilhões de dólares com a exportação desse recurso. O Brasil é um
dos principais compradores do gás natural boliviano, transportado
por dutos – o Gasoduto Bolívia-Brasil.
O país vem tentando
reduzir suas desigualdades sociais, mas ainda é marcado por tensões
sociais e raciais. A Bolívia possui uma grande população de origem
indígena, que nos últimos anos tem se destacado no cenário político.
O Peru
Com cerca de 32 milhões de habitantes, o Peru está dividido
em três grandes áreas naturais: a costa (11%
do total do território), que concentra cerca de
um terço de sua população, especialmente
na região metropolitana da capital, Lima; os
Andes (27% do território); e a Floresta Amazônica (62% do território).
O Peru é composto, em grande parte, de populações indígenas. Muitos habitantes falam a língua quíchua, dos incas. Diversas cidades peruanas apresentam material arquitetônico e arqueológico inca preservado, como Cuzco e Aguas Calientes, onde se localiza Machu Picchu. Por esse motivo, o turismo é uma atividade de relevância para o país. Destacam-se, além disso, a mineração (prata, estanho e cobre) e a agricultura de produtos tropicais.
A economia do país é um reflexo dessa
diversidade de ambientes naturais. Em 2020,
o PIB foi de aproximadamente 202 bilhões de
dólares (dado do Banco Mundial). A maioria
de seus recursos minerais são encontrados na
área montanhosa da cordilheira dos Andes e
na área costeira.
A atividade de maior destaque na economia peruana é a pesqueira, graças à corrente marítima de Humboldt. Na agricultura,
destaca-se a produção de cana-de-açúcar,
algodão, café e trigo. Os principais recursos
minerais exportados são ouro, zinco, chumbo,
prata e cobre.
O país
tem concentrado esforços para fechar acordos de livre-comércio com outros países,
como Canadá, Singapura, Japão, Costa Rica e
União Europeia, com destaque para a recente
Parceria Transpacífico.
O Chile
Localizado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o território do Chile é o mais estreito
do mundo. Sua largura máxima é de 175 km, enquanto sua extensão norte-sul é de 4,3 mil km. A população do Chile é de aproximadamente
19 milhões de habitantes, concentrados principalmente na região
central, sobretudo na sua capital: Santiago.
O Chile é, social e economicamente, o país mais desenvolvido da região andina. A população e as principais cidades chilenas se concentram no centro do país, já que o norte abriga um grande deserto – o Atacama – e o sul apresenta baixas temperaturas.
A
economia é uma das mais sólidas da América
do Sul. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente
252 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial).
O Chile tem a tendência de abrir sua economia
para as principais economias do mundo, como os
países europeus, Estados Unidos, China e Japão,
reduzindo e até eliminando barreiras comerciais.
Por meio desses acordos, o Chile busca vantagens
para exportar seus produtos, além de atrair investimentos externos. Recentes acordos comerciais
inseriram o país no bloco econômico denominado
Parceria Transpacífico, que consiste em uma área
de livre-comércio com outras 11 nações banha
das pelo Oceano Pacífico.
A maior parte dos cerca de 19 milhões de habitantes (2021) vive na região central do país,
principalmente na área metropolitana de Santiago, capital do país que concentra a atividade
industrial, com destaque para a produção de celulose, de produtos químicos e têxteis, de equipamentos de transporte e de alimentos.
A economia chilena passou por um processo de aceleração a partir da década de 1990, com a abertura para investimentos estrangeiros e a instalação de empresas transnacionais, a privatização de empresas estatais e a redução de impostos. Além da indústria, o país também conta com as atividades de mineração, pesca, agricultura e pecuária.
Na agricultura, destacam-se o cultivo e a exportação, principalmente para a Europa, de
frutas e cereais típicos de climas mais frios. O Chile também é um importante produtor de vinhos,
concentrando as viniculturas no sul do território.
No norte do país, na região do deserto do Atacama, o extrativismo mineral é a atividade
que mais se destaca, sendo uma das mais importantes para a economia
chilena.
Os principais recursos naturais do país são: cobre, madeira, minério de ferro,
metais preciosos e o potencial hidráulico para a produção de energia elétrica. Outros setores importantes nas exportações chilenas são:
industrial, agroindustrial (celulose, salmão e vinho) e agrícola (com destaque
para o cultivo de frutas). Uma das atividades econômicas com preponderância
no país é a pesqueira, influenciada pela corrente marítima fria de Humboldt, que
concentra alimentos para os cardumes na costa do país. Outro destaque é para
o turismo, principalmente no balneário Viña del Mar, no deserto do Atacama e
na região sul dos Lagos Andinos, montanhas associadas ao vulcanismo.
O Chile é o maior produtor mundial de cobre,
sendo esse recurso mineral o principal produto de exportação do país. Apresenta também importantes jazidas de
prata, ouro, ferro e carvão.
Tanto a mineração quanto a agricultura utilizam muita água.
No Chile essas atividades são desenvolvidas em uma das zonas
mais áridas do planeta, onde a pressão sobre os recursos hídricos
é naturalmente elevada.
Os períodos de seca, característicos do clima chileno, vêm se
agravando pelas mudanças climáticas. Desde 2010, o país atravessa
uma grande crise hídrica, com redução de aproximadamente 30%
das precipitações.
Além de racionamentos de água nos centros
urbanos, pecuaristas são forçados a deslocar rebanhos inteiros
para o sul do país em busca de pastagens, evitando, assim, a
morte dos animais.
Além dos aspectos climáticos e econômicos, a questão da água no
Chile envolve uma opção política. O país é o único no mundo onde a
água é privatizada, ou seja, empresas podem deter o acesso ao recurso
por meio de títulos que, como uma mercadoria qualquer, podem ser
alugados ou vendidos.
Essa situação favorece os grandes proprietários de terras em detrimento dos pequenos
agricultores. Cerca de 90% dos direitos sobre a água estão nas mãos de empresas de mineração
e do agronegócio, que a utilizam e poluem indiscriminadamente, deixando as populações sem
acesso à água potável e impossibilitadas de realizar tarefas básicas do cotidiano.
A sociedade
chilena, organizada em diversos movimentos populares, vem exigindo mudanças na Constituição,
sendo a desprivatização das águas uma delas.
Com a adoção de reformas profundas para modernizar a economia, o Chile
é o país latino-americano que mais se desenvolveu economicamente nas últimas
décadas. Fatores, como privatizações, abertura econômica, controle de gastos
públicos e inflacionário e grande impulso no setor de exportação foram responsáveis por esse crescimento. Embora ainda apresente elevada concentração de renda, nos últimos anos, políticas
implementadas pelo governo reduziram significativamente os níveis de pobreza e indigência no país.