sexta-feira, 15 de maio de 2026

O reino dos animais

O reino dos animais é composto de grande número de seres vivos que podem ser muito diferentes entre si, como uma água-viva, um grilo e uma onça-pintada. Apesar da grande diversidade, todos os animais são organismos eucariontes, pluricelulares e heterótrofos. 
Tradicionalmente, os animais são divididos em invertebrados e vertebrados, de acordo com a ausência ou a presença de coluna vertebral e de crânio, entre outras características. 
Os invertebrados representam a maioria dos animais. Os principais filos de invertebrados são: Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes, Nematoda, Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. 
Os vertebrados pertencem ao filo Chordata e podem ser classificados em peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Apresentam esqueleto interno constituído de cartilagem, ou de ossos e cartilagens, e coluna vertebral. Essas estruturas estão relacionadas com a sustentação do corpo, os movimentos corpóreos e a proteção de órgãos internos.

Simetria 


No estudo e na classificação dos animais, a simetria do corpo é uma característica importante a ser considerada. 
A simetria é a semelhança encontrada entre partes equivalentes de objetos ou seres vivos quando divididos por um plano imaginário, que passa pelo eixo central do corpo. Os animais apresentam dois tipos principais de simetria: a bilateral e a radial. 
Na simetria bilateral, apenas um plano imaginário divide o corpo do animal em duas metades equivalentes: a esquerda e a direita. Esse tipo de simetria é encontrado na maioria dos grupos de animais, inclusive no ser humano.
Na simetria radial, mais de um plano imaginário divide o corpo do animal em partes iguais. Esse tipo de simetria ocorre nas águas-vivas e nas estrelas-do-mar.

Fisiologia dos animais 


A fisiologia está relacionada às funções e ao funcionamento de um organismo. Veja algumas características da fisiologia animal. 
Digestão: esse processo age sobre os alimentos, transformando-os em materiais menores que podem ser absorvidos pelas células e são utilizados para a produção de energia e manutenção do corpo. 
Troca gasosa: captação de gás oxigênio do ambiente e devolução de gás carbônico. Isso pode ser feito por estruturas especializadas, como pulmões e brânquias, ou pela superfície corpórea. 
Excreção: o metabolismo dos animais produz excretas, materiais que são tóxicos se ficarem acumulados no organismo. As excretas podem ser eliminadas pela superfície do corpo ou através de um sistema excretório.
Circulação e transporte: em alguns grupos de animais, os materiais produzidos e utilizados por eles são transportados de célula para célula. Em outros, são transportados por meio do sistema circulatório. 
Reprodução: a reprodução dos animais pode ser sexuada ou assexuada. Na reprodução sexuada, os animais podem ser machos, fêmeas ou hermafroditas. As células reprodutivas, denominadas gametas, unem-se para formar um novo indivíduo; esse processo é denominado fecundação.


Flor, fruto e semente

A flor e suas partes A A flor é responsável pela reprodução sexuada das angiospermas. As principais partes de uma flor são o cálice, a corola, o androceu e o gineceu. 
O cálice é formado por folhas modificadas, geralmente verdes, chamadas sépalas. Ele protege as partes internas da flor. 
A corola é formada por folhas modificadas, geralmente coloridas, chamadas pétalas. Ela pode atrair animais polinizadores para a flor.
O androceu é o órgão reprodutor masculino, composto de um ou mais estames. Cada estame é formado pela antera, estrutura que produz os grãos de pólen, e pelo filete, haste que sustenta a antera. 
O gineceu é o órgão reprodutor feminino, composto de um ou vários carpelos. Cada carpelo é formado por estigma, estilete e ovário. O estigma é a extremidade superior do carpelo e produz um líquido que contribui para a fixação dos grãos de pólen. O estilete é um tubo que liga o estigma ao ovário. O ovário é uma dilatação na base do carpelo, que contém os óvulos, onde são produzidos os gametas femininos (oosferas). 
A haste que prende a flor ao ramo é o pedúnculo e a extremidade na qual cálice, corola, androceu e gineceu se prendem é o receptáculo floral.

O fruto e suas partes 


O fruto é um órgão exclusivo das angiospermas, formado principalmente do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação. Ele protege as sementes e pode auxiliar em sua dispersão. 
Geralmente, os frutos são compostos de pericarpo e sementes. O pericarpo pode ser dividido em três camadas: o epicarpo, ou casca, o mesocarpo, a camada intermediária, e o endocarpo, que envolve e protege a semente. Em alguns frutos, o endocarpo é rígido e forma um caroço, como na manga e no pêssego. 
A semente forma-se pelo desenvolvimento do óvulo fecundado e abriga o embrião.

Frutos acessórios 


Os frutos acessórios são formados pelo desenvolvimento de outras partes da flor que não o ovário. São exemplos o caju, a maçã, a pera e o morango. 
A parte carnosa do caju é resultado do desenvolvimento do pedúnculo floral. O fruto verdadeiro é a castanha, que fica situada do lado externo da parte carnosa. 
A parte suculenta e comestível da maçã, da pera e do morango é resultado do desenvolvimento do receptáculo floral. O fruto verdadeiro da maçã e da pera é a região que reveste suas sementes. No caso do morango, os frutos verdadeiros se formam na superfície da parte suculenta.

A semente e suas partes


A semente é composta de três estruturas: casca (ou tegumento), endosperma (ou albume) e embrião. 
A casca é um envoltório rígido que protege o embrião. O endosperma contém amido, óleos e proteínas que vão nutrir o embrião. 
O embrião dará origem a uma nova planta. Nele, encontramos uma raiz embrionária (radícula) e um ou dois cotilédones, que são as folhas embrionárias. A função dos cotilédones é fornecer nutrientes à planta jovem no início do seu desenvolvimento. Algumas plantas, como o arroz, o trigo e o milho, têm apenas um cotilédone na semente. Outras, como o feijão, o café e o amendoim, têm dois cotilédones.

Dispersão das sementes 


Dispersão é o transporte da semente para longe da planta que a originou. As sementes que germinam longe da planta-mãe não competem com ela por luz, água e nutrientes e se propagam por novas áreas. 
Os agentes de dispersão são diversos, como vento, água e animais.

A semente do ipê (Tabebuia sp.) é bastante leve e as estruturas membranosas ao redor dela funcionam como “asas”, facilitando sua dispersão pelo vento após o rompimento do fruto. São chamadas de sementes aladas.

Germinação das sementes 


Depois de formadas, algumas sementes atravessam um período de dormência, durante o qual não se desenvolvem. Quando a semente encontra condições adequadas de luminosidade, umidade e temperatura, entre outros aspectos, a dormência termina e ocorre a germinação. 
Esse processo acontece em etapas. Primeiro, a semente absorve água do ambiente e incha até a casca se romper. Então, o embrião desenvolve a radícula, que logo se diferencia em raiz, estrutura responsável pela fixação da planta e absorção de água e sais minerais. 
As reservas nutritivas, presentes nos cotilédones, são usadas para o crescimento inicial da planta até que as folhas surjam e passem a realizar fotossíntese.

Representação esquemática da germinação de uma semente de feijão e desenvolvimento da planta jovem.

Flores, frutos e sementes


Algumas flores, como a alcachofra e a couve-flor, são cultivadas por serem comestíveis; outras, como os lírios, as orquídeas e as rosas, são utilizadas para decoração. 
Diversos frutos são utilizados na alimentação. São consumidos ao natural ou na forma de sucos, sopas, conservas, geleias e doces, entre outros usos.
Atualmente, 65% dos alimentos produzidos no mundo provêm diretamente do endosperma de sementes de cereais, como o milho, o trigo e o arroz. As sementes das leguminosas, como o feijão, a ervilha, o amendoim e a soja, são muito utilizadas como alimento ou para a produção de óleos. 
Outros alimentos também são produzidos com sementes. O café que bebemos é obtido de sementes do cafeeiro e o chocolate é feito com se mentes de cacau. 
As sementes comercializadas para plantio geralmente sofrem tratamento para garantir a germinação. Elas são impróprias para o consumo humano e de outros animais.

Dente-de-leão da espécie Taraxacum officinale.

Os frutos do dente-de-leão ficam agrupados em uma estrutura em forma de pluma e são dispersados pelo vento.

Ciclos reprodutivos das plantas

Reprodução das briófitas


No ciclo reprodutivo das briófitas, ocorrem duas fases distintas: a fase sexuada, na qual são produzidos os gametas, e a fase assexuada, caracterizada pela produção de esporos.
De forma geral, as espécies de briófitas apresentam plantas de sexos separados. As plantas masculinas produzem gametas chamados anterozoides, enquanto as femininas produzem as oosferas.
As briófitas são dependentes da água para a reprodução. É por meio dela que os anterozoides se deslocam e alcançam a oosfera.
A união dos gametas origina o embrião, dando início à fase assexuada do ciclo de vida. O embrião se desenvolve e origina sobre a planta feminina uma estrutura formadora de esporos, que amadurecem e são liberados no ambiente. Ao cair no solo e encontrar condições favoráveis, o esporo pode originar uma nova planta.

Reprodução das pteridófitas 


As pteridófitas, assim como as briófitas, apresentam ciclo reprodutivo com duas fases distintas: a fase sexuada, na qual se formam os gametas, e a fase assexuada, na qual são produzidos os esporos. Nas pteridófitas, a fase mais duradoura e mais visível é a assexuada. 
Tendo as samambaias como exemplo, em fase de reprodução, soros são produzidos na parte inferior dos folíolos dessas pteridófitas. No interior de cada soro, existem inúmeros esporos. Ao amadurecer, esses esporos podem cair em solo úmido e germinar, formando o prótalo. Inicia-se, assim, a fase sexuada do ciclo reprodutivo.
O prótalo produz gametas masculinos, os anterozoides, e femininos, as oosferas. Para que os gametas se encontrem, o gameta masculino deve deslocar-se na água até o gameta feminino. Portanto, a reprodução das pteridófitas também é dependente da água. 
Após a união do gameta feminino com o gameta masculino, ocorre a formação do embrião, que se desenvolve e origina uma nova samambaia.

Reprodução das gimnospermas


Nas diferentes espécies de gimnospermas, os indivíduos podem ter sexos separados ou ser hermafroditas, ou seja, apresentar estruturas produtoras de gametas masculinos e femininos na mesma planta. No caso do pinheiro-do-paraná, as plantas apresentam sexos separados. 
As gimnospermas possuem estruturas reprodutivas chamadas estróbilos. Os estróbilos masculinos produzem os grãos de pólen, que contêm os gametas masculinos. Os estróbilos femininos produzem os gametas femininos.
Os grãos de pólen são transportados dos estróbilos masculinos até o estróbilo feminino, geralmente pelo vento. O conjunto de processos que transportam grãos de pólen é chamado polinização. Ao entrar em contato com o estróbilo feminino, o grão de pólen origina o gameta masculino, que encontra o gameta feminino. Nesse encontro, ocorre a fecundação, que é independente da água.
A semente formada é constituída externamente por uma casca protetora e internamente por uma camada de tecido nutritivo ao redor do embrião, resultante da fecundação.

Estróbilo feminino do pinheiro-do-paraná, conhecido popularmente como pinha. 

 Estróbilo masculino do pinheiro-do-paraná.

Pinha aberta mostrando as sementes, chamadas de pinhões.

Reprodução das angiospermas 


O processo de reprodução das angiospermas pode ser dividido nas seguintes etapas principais: polinização, fecundação, desenvolvimento dos frutos, dispersão das sementes e germinação
As angiospermas podem ser hermafroditas ou ter sexos separados. As flores das angiospermas abrigam as estruturas reprodutivas. A parte masculina da flor produz os grãos de pólen que darão origem aos gametas masculinos. Já o gameta feminino fica abrigado dentro da parte feminina da flor. A reprodução dessas plantas também é independente da água.



A folha e suas partes

A folha é um órgão envolvido na realização de três processos vitais para as plantas, que estudaremos adiante: a fotossíntese, a respiração e a transpiração. A maioria das folhas apresenta cor verde, em razão da presença do pigmento clorofila, e pode apresentar limbo, bainha e pecíolo.
O limbo é a parte achatada da folha, em que estão localizados os estômatos. Essas estruturas são responsáveis por parte da transpiração e pelas trocas gasosas entre a planta e o meio externo. No limbo também há nervuras, que conduzem água, sais minerais e alimento produzido na fotossíntese.
Em relação ao aspecto do limbo, as folhas podem ser classificadas em folha simples, quando o limbo é único, ou folha composta, quando o limbo é dividido em diversas partes, conhecidas como folíolos.
A bainha é a base expandida da folha, que envolve o caule de algumas plantas como o milho e o arroz. 
O pecíolo é a haste que une o limbo à bainha ou diretamente ao caule. Folhas que não apresentam pecíolo são denominadas folhas sésseis.

Partes das folhas
Representação esquemática de folha com limbo e pecíolo, mas sem bainha.



Representação esquemática de folhas com limbo e bainha, mas sem pecíolo. 

Representações de tipos de folha de acordo com a disposição das nervuras. 

 Folhas paralelinérveas da cana-de-açúcar (Saccharum sp.).


 Folha peninérvea da goiabeira (Psidium guajava). 

Classificação do limbo das folhas:

Representação esquemática de folha de hibisco (Hibiscus sp.), uma folha simples.  

Representação esquemática de folha de pau-brasil (Caesalpinia echinata), uma folha composta.

Folhas modificadas

As modificações na estrutura da folha permitem que ela desempenhe funções específicas. São exemplos de folhas modificadas as brácteas, os espinhos e as folhas das plantas carnívoras. 
As brácteas são folhas coloridas e vistosas que atraem polinizadores. Muitas espécies de plantas, como os cactos, possuem folhas modificadas em espinhos, que reduzem a perda de água da planta e atuam na defesa da planta contra herbívoros. Os espinhos não são capazes de realizar as funções de uma folha comum.
Algumas plantas, como a dioneia e a drósera, que vivem em solos pobres em sais minerais, são denominadas carnívoras. Suas folhas são adaptadas para a captura de pequenos animais, como insetos, que são digeridos e usados como fonte de nutrientes para a planta.

Os espinhos do cacto xiquexique (Pilosocereus gounellei) são folhas modificadas. O caule tem clorofila e realiza fotossíntese.

Planta carnívora da espécie Drosera capensis. As folhas e os caules dessa planta liberam gotículas de uma substância pegajosa em que a presa fica aderida.




quinta-feira, 14 de maio de 2026

Plantas: Raiz e caule

A raiz e suas partes


A raiz é o órgão que fixa a planta ao solo ou a outro substrato e dele absorve água, sais minerais e o gás oxigênio necessário à respiração celular. Em uma raiz podemos identificar regiões: coifa, zona de multiplicação celular, zona de alongamento, zona pilífera e zona de ramificação. 
A coifa é um envoltório formado por células mortas. Ela protege a ponta da raiz do atrito com as partículas do solo. 
A zona de multiplicação celular é a região da ponta da raiz protegida pela coifa. É composta de células que se multiplicam com frequência, ocasionando o crescimento da raiz. A região acima da coifa é a zona de alongamento. Nela, as células se alongam, fazendo com que a raiz aumente em comprimento. 
A zona pilífera, também chamada de região de absorção, é composta de pelos absorventes que retiram água e sais minerais do solo ou do substrato. Essas substâncias compõem a seiva mineral.
Da chamada zona de ramificação, partem raízes secundárias que auxiliam no suporte da planta e na absorção de água e de sais minerais.

Tipos de raízes 


É possível classificar as raízes em pivotantes e fasciculadas. As raízes pivotantes, também chamadas de axiais, são constituídas por uma raiz principal desenvolvida, visivelmente diferenciada, da qual partem raízes laterais menores, chamadas raízes secundárias. 
As raízes fasciculadas, também chamadas de adventícias, são forma das por várias raízes finas que apresentam aproximadamente o mesmo tamanho. Nesse tipo de sistema radicular, não existe uma raiz principal claramente diferenciada.

Representações esquemáticas de tipos de raízes:

                                                                  B
(A) raiz pivotante; (B) raiz fasciculada. (Imagens sem escala; cores-fantasia.)


A maioria das raízes é subterrânea, mas existem também raízes aéreas (que ficam acima da superfície do solo) e aquáticas. Há raízes modificadas que desempenham funções específicas. Entre elas incluem-se raízes sugadoras (extraem materiais de outras plantas), raízes tuberosas (armazenam substâncias), raízes respiratórias (captam gás oxigênio do ar) e raízes tabulares (auxiliam na fixação da planta).

As raízes desta orquídea (Cattleya sp.) são aéreas, ou seja, crescem expostas ao ar.

Cipó (Salicornia virginica) crescendo sobre uma planta hospedeira. O cipó não faz fotossíntese. Com suas raízes sugadoras, ele extrai os nutrientes de outras plantas.

Raízes respiratórias de plantas da espécie Avicennia germinans, conhecidas como mangue-preto ou siriúba, em um manguezal.

O caule e suas partes


O caule das angiospermas dá sustentação à planta. Ele também trans porta a água, os sais minerais e o alimento produzido na fotossíntese. Alguns caules também fazem fotossíntese.
De maneira geral, o caule é composto de gema apical, gemas laterais, nós e entrenós. 
A gema apical, também conhecida como meristema apical, é um conjunto de células indiferenciadas localizado no ápice das plantas. A multiplicação dessas células promove o crescimento em comprimento do caule. 
A gema lateral é um conjunto de células indiferenciadas localizado na junção entre as folhas e o caule. A multiplicação dessas células permite o crescimento de ramos laterais. 
é a região do caule da qual surgem as folhas. A região entre dois nós consecutivos é denominada entrenó.

Transporte de seiva 


A condução das seivas mineral e orgânica pode ocorrer por difusão de célula para célula, como nas briófitas, ou pelos tecidos de condução (xilema e floema), como nas plantas vasculares.
O xilema é constituído por células que formam tubos muito finos e que conduzem a seiva mineral desde as raízes até as folhas. A capilaridade é a propriedade que os líquidos têm de subir por tubos muito finos. Quanto mais estreito o diâmetro do tubo, mais alto é o nível atingido pelo líquido que sobe por ele. Por isso, a capilaridade é um dos fatores que possibilitam a chegada da água absorvida pelas raízes até as folhas do topo das árvores. 
O floema conduz a seiva orgânica, geralmente das folhas para as diversas partes da planta. De maneira geral, as células do floema mais próximas das folhas apresentam maior concentração de açúcares produzidos pela fotossíntese. Isso faz com que essas células recebam água, arrastando os açúcares em direção às outras partes da planta.

Tipos de caules 


Os caules podem ser subterrâneos, aquáticos ou aéreos. Os caules subterrâneos são aqueles que se desenvolvem sob o solo e podem ser classificados em rizoma, tubérculo e bulbo. Rizoma é o caule que cresce na direção horizontal, sob a superfície do substrato. Os caules da bananeira, da espada-de-são-jorge e do gengibre são exemplos de rizomas. O caule que acumula material nutritivo de reserva para a planta é denominado tubérculo. Alguns, como a batata-inglesa, são usados na alimentação humana. O bulbo é formado por um caule reduzido e recoberto por folhas modificadas, que protegem a gema apical. Dele partem raízes, que fixam a planta ao solo. Alguns bulbos, como a cebola e o alho, são comestíveis.
Os caules aquáticos podem ser flutuantes ou servir para fixar a planta ao substrato. Geralmente são cloro filados e pouco desenvolvidos. 
A maioria dos caules é aérea, ou seja, cresce acima do solo. Os caules aéreos podem ser classificados como eretos, trepadores ou rastejantes. Os caules eretos crescem perpendicularmente ao solo, como o tronco de árvores, os bambus e as palmeiras. Os caules trepadores são típicos de plantas que crescem sobre ou se enroscam em um suporte. Plantas como chuchu, uva e maracujá têm caules trepadores. Os caules rastejantes crescem rente ao solo, fixando-se nele em diversos pontos pelas raízes. A grama, o morango, a melancia e a abóbora têm caules rastejantes.

Representação esquemática de uma cebola (Allium cepa), que é um bulbo. O caule é reduzido, fica na base da planta e tem formato de disco. A parte comestível é composta de folhas modificadas.

 
Caule rastejante da melancia (Citrullus lanatus).





Classificação das plantas

No planeta Terra, há grande diversidade de plantas, com as mais variadas formas e ocupando os mais diversos ambientes. Para facilitar a compreensão desse grupo de seres vivos, os botânicos estabeleceram alguns critérios que possibilitam a classificação científica das plantas. Entre os critérios utilizados estão a presença ou a ausência de tecidos condutores de seiva, de sementes e de frutos
De acordo com esses critérios, as plantas podem ser agrupadas de diferentes formas. Adotamos uma classificação que divide as plantas em quatro grandes grupos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas.

A evolução das plantas


As pesquisas científicas indicam que as plantas evoluíram de um ancestral semelhante às algas verdes atuais. As plantas atuais apresentam diversas adaptações que possibilitaram a colonização do ambiente terrestre. 
As plantas terrestres possuem estruturas para diminuir ou impedir a perda de água, como a cutícula, uma camada de revestimento que reduz a evaporação, principalmente nas folhas.
No ambiente terrestre, as plantas retiram água principalmente do solo. As briófitas são avasculares (sem tecidos condutores), e a condução de água e de sais minerais das suas raízes para as demais estruturas do corpo é realizada de uma célula para outra, por um processo chamado difusão. O transporte de seiva por difusão é lento e só é viável em plantas de pequeno porte. No processo evolutivo dos grupos de plantas, o surgimento dos tecidos condutores permitiu um transporte de água e nutrientes mais eficiente, o que possibilitou às plantas vasculares (com tecidos condutores) atingir tamanhos maiores.
As briófitas e as pteridófitas necessitam de água para a reprodução, o que as torna dependentes de ambientes úmidos, mesmo sendo terrestres. Já as gimnospermas e as angiospermas apresentam estruturas reprodutivas que as tornam independentes da água para a reprodução. 
As gimnospermas e as angiospermas têm sementes que envolvem o embrião, protegendo-o e evitando a perda de água. Nas angiospermas, a flor está relacionada a aspectos reprodutivos, e o fruto protege a semente, facilitando também sua dispersão.

Briófitas 


As briófitas são plantas de tamanho pequeno, atingindo poucos centímetros de altura. Vivem preferencialmente em locais úmidos e som breados. Desenvolvem-se diretamente no solo ou ocupam a superfície de troncos de árvores e rochas. Os representantes mais comuns das briófitas são os musgos, as hepáticas e os antóceros
As briófitas são avasculares. Não possuem sementes, flores ou frutos. Essas plantas são formadas por estruturas simples e não apresentam raiz, caule ou folhas verdadeiros.

O musgo Polytrichum piliferum é um representante do grupo das briófitas.

Pteridófitas


As pteridófitas são vasculares e possuem raiz, caule e folhas verdadeiros. A maioria das espécies de pteridófitas é terrestre e vive preferencialmente em ambientes úmidos e sombreados. Não apresentam flores, frutos ou sementes. Os exemplos mais comuns de pteridófitas são as samambaias, as avencas, os licopódios e as cavalinhas
O caule das pteridófitas é geralmente subterrâneo e horizontal, chamado rizoma.
As folhas desse grupo vegetal dividem-se em folíolos. Na época da reprodução, pequenos pontos escuros, chamados soros, surgem na superfície inferior dos folíolos. Nos soros são produzidos os esporos, estruturas reprodutivas assexuais.

Exemplos de pteridófitas:

 Licopódio da espécie Lycopodium annotinum. 

Cavalinha da espécie Equisetum hyemale.


Gimnospermas


As gimnospermas vivem preferencialmente em regiões de clima frio ou temperado. No Brasil, ocorrem naturalmente em locais geralmente com altitudes elevadas nas regiões Sul e Sudeste. Há apenas duas espécies de gimnospermas nativas brasileiras: a araucária, também conhecida como pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), que produz os pinhões, utilizados na culinária brasileira, e o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii). A sequoia, gimnosperma nativa da América do Norte, chega a atingir mais de 100 metros de altura. 
As gimnospermas, assim como as pteridófitas, são plantas vasculares com raiz, caule e folhas verdadeiros. Algumas espécies apresentam folhas em forma de agulha, o que diminui a perda de água por evaporação e, em locais com inverno rigoroso, reduz o acúmulo de neve sobre a superfície foliar, evitando o congelamento. 
As plantas desse grupo apresentam sementes nuas, pois não há produção de frutos. A denominação gimnosperma vem do grego gymnos, “nu”, e sperma, “semente”. As sementes abrigam, protegem e nutrem o embrião, garantindo, assim, o seu desenvolvimento até o surgimento das primeiras folhas.

Exemplos de gimnospermas: 

Pinheiro da espécie Pinus canariensis. (Ilha de Tenerife, Espanha, 2016.)

Araucária (Araucaria angustifolia). (Delfim Moreira, MG, 2014.)


Angiospermas 


As angiospermas são as plantas mais comuns e abundantes que existem, podendo ser encontradas em vários tipos de hábitat, como ambientes aquáticos ou regiões de clima desértico. Quanto ao porte, podem ser herbáceas (ervas e gramas), arbustivas (arbustos) ou arbóreas (árvores e palmeiras). São exemplos de angiospermas o manjericão, a azaleia e os ipês.
Assim como as pteridófitas e as gimnospermas, as angiospermas são plantas vasculares. Essas plantas têm raiz, caule, folhas e sementes. No entanto, diferentemente das gimnospermas, cujas sementes são nuas, as angiospermas possuem sementes protegidas pelo fruto. O desenvolvimento de estruturas da flor das angiospermas dá origem ao fruto.

Exemplos de angiospermas:

Aguapé (Eichhornia sp.), uma angiosperma aquática. (Ibiúna, SP, 2017.) 

Ipê-roxo (Tabebuia heptaphylla), uma angiosperma arbórea. (Poconé, MT, 2017.)




O reino das plantas

Características das plantas


Atualmente, são conhecidas cerca de 250 mil espécies de plantas. Esses organismos possuem grande diversidade de formas e cores, porém compartilham algumas características: são seres pluricelulares e eucarióticos, ou seja, são constituídos de mais de uma célula, e essas células têm núcleo delimitado por membranas. São também autotróficos, pois são capazes de produzir seu próprio alimento por meio do processo de fotossíntese. 
As plantas apresentam ciclo de vida com alternância entre uma forma que produz gametas e outra que produz esporos. Os embriões das plantas desenvolvem-se à custa da planta-mãe, que é a planta que originou o embrião e a semente.

Alguns representantes das plantas:

 Musgo da espécie Tortula muralis. 

Licopódio da espécie Lycopodium clavatum.

Araucária (Araucaria angustifolia).

Tomateiro (Solanum lycopersicum).


As células das plantas 


As células eucarióticas são constituídas de membrana plasmática, núcleo com material genético e citoplasma, no qual se encontram diversos organoides (ou organelas) celulares. Além dessas estruturas básicas, as células vegetais apresentam algumas características particulares, como presença de parede celular, vacúolos bem desenvolvidos e plastídios (ou plastos).
A parede celular é uma estrutura localizada externamente à membra na plasmática. É constituída por celulose, que confere rigidez e suporte à célula e, consequentemente, à planta. 
Os vacúolos são organoides em forma de bolsa que armazenam substâncias, como água e sais minerais. 
Os plastídios ou plastos são organoides que recebem nomes específicos dependendo do pigmento ou da substância que armazenam, como os cloroplastos, os cromoplastos e os leucoplastos.
Os cloroplastos, por exemplo, são plastos que têm clorofila, pigmento verde. São encontrados nas folhas e nos caules verdes. 
Os cromoplastos geralmente contêm pigmento amarelado ou avermelhado e são encontrados nas flores, em folhas velhas, em algumas raízes ou nas cascas e polpas de certos frutos. Já os leucoplastos não são pigmentados e armazenam substâncias nutritivas, principalmente amido. Costumam ser encontrados em partes da planta que estocam materiais, como certos tipos de raízes e caules.

Células das raízes da planta aquática Spirodela oligorrhiza. Em azul, observamos o núcleo; em verde, os cloroplastos; e, em preto, a parede celular.

Os tecidos das plantas


Nos seres vivos pluricelulares, como as plantas, as células desempenham funções definidas e atuam de modo integrado, formando os tecidos. Na maioria das plantas, há diferentes tipos de tecido: de revestimento, sustentação, condução e crescimento
As células que compõem o tecido de revestimento são achatadas e geralmente formam uma única camada. Esse tecido protege toda a superfície da planta, evitando a perda excessiva de água.
As células do tecido de sustentação possuem paredes grossas e sua função é dar firmeza, suporte e proteção aos órgãos das plantas, principal mente as de pequeno porte. A parede celular das plantas de grande porte, como as árvores, geralmente contém uma substância, a lignina, que confere maior sustentação ao organismo. 
Os tecidos condutores são responsáveis pela condução de substâncias para várias partes da planta. Existem dois tecidos condutores: o xilema e o floema. Muitas de suas células são semelhantes a tubos finos. O xilema conduz a seiva mineral (rica em água e sais minerais) das raízes para todas as regiões da planta. Já o floema conduz a seiva orgânica (rica em açúcares) geralmente das folhas até as outras regiões da planta.
As células que formam o tecido de crescimento se dividem continua mente. Também chamado de tecido meristemático, é responsável pelo crescimento da planta e está presente nas pontas dos caules e das raízes.



Equinodermos

O filo Echinodermata é composto de animais exclusivamente marinhos, como o ouriço-do-mar, a estrela-do-mar e o pepino-do-mar. Todos os equin...