Caso ocorra a fecundação, os níveis de estrógeno e progesterona são mantidos, o que evita a eliminação do endométrio. Assim, a parede uterina permanece espessa e cheia de vasos sanguíneos, sendo um ambiente apropriado para a fixação e o desenvolvimento do embrião. Podemos dizer, então, que a ausência de menstruação pode ser um dos primeiros sinais de uma gravidez.
Fecundação
A ocorrência da gestação depende do
encontro dos gametas masculino e feminino
na fecundação. Durante o ato sexual, ao ejacular, um homem pode introduzir milhões de
espermatozoides no interior da vagina de
uma mulher, os quais se locomovem até as
tubas uterinas. Se a mulher estiver em
seu período fértil, os espermatozoides
podem encontrar um ovócito.
Geralmente, apenas um espermatozoide é capaz de penetrar o
ovócito. Da união dos gametas,
forma-se um zigoto.
No útero, o embrião se desenvolve.
A gestação humana dura cerca de 38 a 40 semanas, ou aproximadamente nove meses. Durante esse tempo, ocorrem muitas mudanças no corpo da mulher e no embrião, que se desenvolve até formar um bebê.
O embrião se desenvolve dentro do âmnio, uma bolsa cheia de líquido amniótico, que tem por função protegê-lo de impactos mecânicos. Logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se, em volta do âmnio, a placenta, estrutura composta de tecidos maternos e fetais, pela qual ocorre a comunicação nutricional entre mãe e filho. O alimento e o gás oxigênio passam do sangue da mãe para o do filho, e excreções e gás carbônico passam do filho para a mãe. O embrião está ligado à placenta pelo cordão umbilical, estrutura tubular em que há duas artérias que levam o sangue do embrião até a placenta e uma veia que traz o sangue que circulou na placenta de volta para o embrião.
No fim da oitava semana depois da fecundação, os principais órgãos do embrião já estão formados e sua aparência já é reconhecidamente humana. Ele passa a ser chamado feto e ainda é bem pequeno, com cerca de 2,5 centímetros de comprimento. No decorrer das semanas, o feto cresce e se desenvolve bastante até estar pronto para nascer.
Gestação
O zigoto sofre inúmeras divisões por mitose e, em condições
normais, segue em direção ao útero. Essas divisões celulares se iniciam de
24 a 30 horas após a fecundação; cerca de 3 a 4 dias depois, o conjunto
de células formado passa a ser chamado mórula.
Modificações nas células e na estrutura da mórula podem ser
observadas a partir do 5o dia após a fecundação. Esse estágio do desenvolvimento é chamado blastocisto. Cerca de 6 dias após a fecundação,
o blastocisto implanta-se no útero, dando início à gestação.
A gestação é o nome dado à condição em que um (ou mais de um)
embrião, abrigado no útero, desenvolve-se até a formação de um novo
indivíduo. A gestação humana dura, em média, 38 semanas. A partir da
9a semana de gestação, o embrião passa a ser chamado feto.
Depois da implantação no endométrio, as células do embrião começam a formar
grupos, que darão origem a tecidos e órgãos. Também são formadas estruturas localizadas
externamente ao embrião e que serão importantes para a sua proteção e nutrição, como:
• Saco vitelínico: estrutura que fornece nutrientes ao
embrião até o desenvolvimento do cordão umbilical.
• Córion: envolve o embrião, possibilitando
trocas gasosas com o corpo da mãe.
• Âmnio: membrana que envolve o embrião
e contém o líquido amniótico, uma mistura
de água, sais minerais, gorduras e proteínas.
Mergulhado nele, o embrião cresce protegido
de choques mecânicos.
A partir da 3a semana do
desenvolvimento, inicia-se a for
mação do sistema nervoso e
da notocorda, que será, posteriormente, substituída pela coluna
vertebral. Ao fim da 4a semana, o
coração já bate e bombeia sangue
por vasos sanguíneos simples.
A placenta, órgão que
permite as trocas gasosas e
de nutrientes entre o bebê e
a mãe, começa a funcionar e
vai lentamente substituindo o
saco vitelínico e o córion, que
deixam de ter função.
A placenta conecta o bebê e a mãe
por meio do cordão umbilical,
uma estrutura constituída de
vasos sanguíneos que fazem o
transporte de nutrientes, gases
e outras substâncias. Com oito
semanas, já estão presentes o
encéfalo, os intestinos, o fígado,
o pâncreas, o nariz, os olhos e
os membros.
A partir da 12a semana, inicia-se
a ossificação, principalmente dos ossos
do crânio, do fêmur e do úmero. Na 14a
semana, é possível observar o movimento
dos olhos. Os órgãos genitais começam
a se formar, tornando possível a identificação do sexo do bebê por imagens de
ultrassom.
Entre a 15a e a 17a semana,
o feto começa a fazer movimentos que
podem ser sentidos pela mãe.
Entre a 20a e a 24a semana, o feto
ganha massa e acumula uma camada de
gordura, que vai fornecer a ele energia e
calor após o nascimento. Ao final da 24a
semana, unhas e cabelos estão presentes.
Até a 29a semana, os
pulmões do feto são capazes
de realizar trocas gasosas. Entre
a 35a e a 38a semana, o feto
cresce em velocidade reduzida.
Com 38 semanas, o bebê tem,
em média, 50 cm de comprimento e massa de 3,4 kg e está
pronto para o nascimento.
A gestação de gêmeos
Em geral, em cada gestação, apenas um embrião se desenvolve no
útero materno. Entretanto, há casos de gravidez múltipla, quando se
formam dois ou mais embriões.
Os gêmeos monozigóticos, ou gêmeos idênticos, são formados
de um único zigoto que, após as primeiras divisões celulares, dá origem a
dois grupos de células independentes. Cada uma delas gera um embrião
que origina um dos gêmeos. Nesse caso, ambos compartilham a mesma
placenta. Eles têm o mesmo sexo, são fisicamente muito semelhantes e
geneticamente idênticos.
Os gêmeos dizigóticos, ou gêmeos fraternos, são formados a
partir de duas fecundações distintas. Dois ovócitos são fecundados, cada
um por um espermatozoide diferente, originando dois zigotos, que se
desenvolvem em duas placentas. Os gêmeos dizigóticos podem ser de
sexos iguais ou diferentes e ser tão semelhantes quanto dois irmãos de
gestações diferentes seriam, pois são geneticamente diferentes.
Amamentação
A amamentação, também chamada de aleitamento materno,
deve ser iniciada logo após o nascimento. No entanto, durante as primeiras mamadas, o bebê não suga propriamente o leite, mas uma substância
chamada colostro, que é rica em anticorpos e, portanto, protege o
bebê contra várias doenças. Assim como o leite materno, o colostro
é produzido pelas glândulas mamárias.
Após alguns dias, o colostro é
substituído pelo leite materno, um alimento completo para o bebê,
pois, além de anticorpos, contém toda a água e todos os nutrientes de
que o recém-nascido precisa para crescer e se desenvolver.
A produção de leite materno é estimulada pelo hormônio prolactina e promovida
pela sucção que o bebê realiza ao mamar.
A ejeção do leite, por sua vez, é estimulada
pelo hormônio ocitocina. Quanto mais o bebê
mamar, maior será a produção de leite.
A Organização Mundial de Saúde (OMS)
recomenda que o leite materno seja o único
alimento do bebê nos primeiros 6 meses de
vida, pois contém os nutrientes ideais para
que ele se mantenha saudável, além de evitar
infecções gastrointestinais graves. Após esse
período, outros alimentos podem ser introduzidos, mas é indicado que a amamentação
continue até os 2 anos de idade.
A amamentação também fortalece o
vínculo entre a mãe e o bebê, facilitado pelo
contato pele a pele e olhos nos olhos. Além
disso, amamentar contribui para a retração do
útero, reduzindo o risco de hemorragias após
o parto. Assim, a amamentação é importante
não apenas para o bebê, mas também traz
benefícios para a mãe.
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