Os sistemas genitais participam do processo de reprodução, que, como vimos, na espécie humana envolve mais do que a produção de descendentes e está relacionado com a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. Ele é constituído de órgãos que atuam na produção, na maturação e no transporte de gametas, bem como na produção de hormônios sexuais. É importante conhecer seu funcionamento para aprender a cuidar da saúde e agir com respeito consigo mesmo e com as outras pessoas.
Os seres humanos têm reprodução sexuada e realizam fecundação interna, isto é, os gametas masculinos são introduzidos no corpo
da fêmea. Além disso, o embrião desenvolve-se no corpo feminino,
característica dos animais vivíparos.
Sistema genital masculino
O sistema genital masculino apresenta dois testículos, que estão
envoltos pelo escroto, dois epidídimos, dois ductos deferentes, ducto
ejaculatório, pênis e glândulas acessórias, que são: duas glândulas
seminais, uma próstata e duas glândulas bulbouretrais.
O sistema genital masculino é encarregado da produção de espermatozoides, que são os gametas masculinos, também chamados células reprodutivas masculinas. O sistema genital também é responsável pela produção de hormônios, como a testosterona.
Os dois testículos, que estão abrigados fora da cavidade abdominal,
no interior de uma bolsa de pele chamada escroto, são os órgãos responsáveis pela produção dos espermatozoides, os gametas sexuais
masculinos. Para que os espermatozoides sejam produzidos,
os testículos precisam estar em uma temperatura cerca de
3 °C menor do que a temperatura corporal. Assim, esses
órgãos ficam alojados fora da cavidade abdominal.
A produção de espermatozoides se inicia com a puberdade – quando os níveis de testosterona começam a aumentar – e continua ao longo de toda a vida do homem. Por dia, são produzidos milhões de espermatozoides.
Os espermatozoides apresentam três partes principais:
• cabeça, onde estão o núcleo, o material genético da célula
masculina e as enzimas que auxiliam a penetração do espermatozoide no gameta feminino;
• corpo, onde há uma grande quantidade de mitocôndrias,
as quais liberam a energia necessária ao deslocamento do
espermatozoide e às funções metabólicas da célula;
• cauda, estrutura que realiza movimentos ondulatórios,
responsáveis pela locomoção do espermatozoide.
Espermatozoides vistos ao microscópio. Imagem ampliada 3 300 vezes (quando aplicada com 21 cm de largura); colorida artificialmente.
Depois que são produzidos, os espermatozoides passam por um processo de
maturação, até que se tornam gametas viáveis. Essa maturação ocorre parcialmente
nos testículos e parcialmente nos epidídimos, órgãos localizados na lateral e acima dos
testículos.
Os espermatozoides maduros, armazenados nos epidídimos, permanecem
viáveis por meses e podem ser reabsorvidos pelo organismo, caso não sejam ejaculados.
Durante o ato sexual, o pênis introduz os gametas masculinos no corpo feminino.
No pênis, há tecido erétil, uretra e glande, a qual fica protegida por um tecido
externo denominado prepúcio. Durante a excitação sexual, o tecido erétil se enche
de sangue e o pênis fica ereto, condição necessária para que o órgão penetre na
vagina e ocorra a ejaculação.
Na ejaculação, os espermatozoides armazenados nos epidídimos passam pelos
ductos deferentes e pelo ducto ejaculatório, onde recebem as secreções produzidas pelas glândulas seminais. Por fim, chegam à uretra, onde recebem as secreções
produzidas pela próstata e pelas glândulas bulbouretrais, e saem do corpo. Essa
mistura se chama sêmen.
O sêmen é composto pelos espermatozoides e pelas secreções das glândulas
acessórias, que são importantes para a nutrição e a locomoção dos gametas. As
secreções das glândulas seminais, por exemplo, são ricas em nutrientes importantes
para os espermatozoides. As secreções prostáticas auxiliam na diminuição da acidez
da uretra (causada pela passagem anterior de urina), e as secreções das glândulas
bulbouretrais são lubrificantes, o que facilita a locomoção dos espermatozoides.
Nos homens, a uretra é um canal comum aos sistemas genital e excretor. Ou
seja, por ela, além do sêmen, sai também a urina, que fica armazenada na bexiga
urinária. No entanto, as duas funções, ejacular e urinar, nunca acontecem ao mesmo
tempo, pois a parte do canal da uretra que sai da bexiga e atravessa a próstata se
fecha durante a ejaculação.
Sistema genital feminino
O sistema genital feminino é responsável pela produção de ovócitos, que são os gametas femininos, também chamados células reprodutivas femininas. Além disso, o sistema genital feminino produz os hormônios estrógeno e progesterona, e também é responsável por abrigar o bebê em desenvolvimento.
O sistema genital feminino apresenta dois ovários, duas tubas
uterinas, útero e vagina. De cada lado do útero, saem as tubas uterinas, que estabelecem a comunicação entre esse órgão e os ovários. Nos
ovários são produzidos os gametas femininos, como veremos a seguir.
O útero é um órgão muscular com grande elasticidade. Sua camada
mais interna, chamada endométrio, é onde deve ocorrer a fixação do
embrião durante a gravidez.
A região mais inferior, o colo do útero, se abre na
vagina, um canal curto, de fortes paredes musculares,
que recebe o pênis durante o ato sexual. É também
pela vagina que sai a menstruação e por onde
passa o bebê no parto normal.
Os órgãos do sistema genital feminino que se localizam externamente
ao corpo são denominados pudendo. São os lábios maiores e os lábios
menores, que protegem a entrada da vagina e da uretra, e o clitóris.
Os ovários são os órgãos responsáveis pela produção dos ovócitos, as células precursoras dos gametas femininos. A produção dos gametas femininos inicia-se quando a menina ainda está no interior do corpo da mãe, na fase fetal, e interrompe-se pouco antes do nascimento da criança. Isso significa que as mulheres nascem com uma quantidade determinada de ovócitos.
Os ovócitos completam seu desenvolvimento na puberdade, quando
os hormônios sexuais femininos passam a ser produzidos em concentrações mais elevadas.
Sob a influência dos hormônios FSH e LH, alguns ovócitos continuam seu desenvolvimento a cada ciclo reprodutivo feminino, cuja
duração é de cerca de um mês.
De modo geral, a cada ciclo, apenas um
ovócito estará maduro para ser fecundado e será liberado pelo ovário,
no fenômeno denominado ovulação.
Depois de liberado, o ovócito segue para as tubas uterinas e para
o útero.
Fotomicrografia mostrando a tentativa de fecundação de um ovócito humano pelo espermatozoide. Imagem ampliada 640 vezes.
Se houver encontro do ovócito com o espermatozoide nas tubas
uterinas, fenômeno conhecido como fecundação, o zigoto formado será
direcionado ao útero, enquanto sofre as primeiras divisões mitóticas e
aumenta de tamanho. No útero, esse agrupamento de células se instala
no endométrio. O endométrio protege o embrião e contribui para sua
nutrição durante o período gestacional.
Caso não ocorra a fecundação, o ovócito é eliminado do corpo
com a menstruação.
Nas mamas estão localizadas as glândulas mamárias,
que produzem o leite materno, muito importante para
o recém-nascido humano.
O
leite materno é uma mistura
de água, substâncias nutritivas
e anticorpos. Ele é a alimentação ideal para uma criança até
os seis meses de vida.
A secreção e a ejeção do
leite são estimuladas por hormônios.
O leite é produzido
nas glândulas secretoras, que
se reúnem em aglomerações
denominadas lóbulos, e conduzido ao exterior do corpo
por meio de ductos.
O formato característico das mamas nas mulheres deve-se ao depósito de gordura ao redor das glândulas mamárias.
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