Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e fêmea.
Contudo, na linguagem cotidiana, a expressão “fazer sexo” geralmente se refere à interação entre indivíduos que envolve contato com os órgãos genitais, com ou sem o intuito reprodutivo. Nesse último caso, o termo científico é cópula ou relação sexual.
A reprodução é uma característica dos seres vivos. É pela reprodução que as espécies se mantêm na Terra. Na espécie humana, na maioria das vezes, a reprodução envolve relações sexuais, que abrangem diversos outros fatores, além da capacidade de gerar descendentes.
Entre esses fatores, podemos citar a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos, as emoções, entre muitos outros. Sendo assim, reprodução não é o mesmo que sexo, embora esses dois conceitos estejam relacionados com sexualidade.
A sexualidade vai além do que estuda a Biologia, pois diz respeito ao comportamento
humano e ao de outros animais. Ela é uma característica inerente à vida e à saúde física, social
e emocional e se expressa desde cedo, estando presente em todas as
fases da vida. No ser humano, a sexualidade engloba o corpo e questões
genéticas, afetivas e sociais e é construída ao longo da vida do indivíduo.
Ela é influenciada por sua história, cultura, sentimentos e afetos, sendo
própria de cada pessoa.
A sexualidade independe da potencialidade reprodutiva. Se sexo é
a expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, levando basicamente a dois caminhos – machos ou
fêmeas –, a sexualidade é algo muito mais amplo.
Cada sociedade tem
conjuntos de regras que constituem parâmetros
fundamentais que influenciam o comporta
mento sexual e a expressão da sexualidade
dos indivíduos.
Nas últimas décadas, tem-se falado muito sobre sexualidade. Percebe-se
que há, frequentemente, uma idealização da vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver plenamente a sexualidade, um
padrão sexual, um modelo rígido ao qual todas as pessoas devem se adaptar.
Em nossa cultura, por vezes, há uma tendência de reduzir a sexualidade à sua
função reprodutiva e concentrá-la no aspecto genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e das emoções dos envolvidos.
Isso pode causar preconceito de alguns em relação a quem está fora dos estereótipos sexuais. Cada
um pode viver bem, e plenamente, de seu jeito e conforme sua orientação sexual.
O importante é fazê-lo com responsabilidade e ter direito à informação e
espaço para expressar suas opiniões.
A descoberta da sexualidade vem acompanhada de sensações e emoções
diferentes. Os hormônios sexuais têm papel fundamental nas mudanças que
tornam o corpo apto à reprodução.
Biologicamente, a sexualidade é regulada por processos hormonais relacionados ao sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos também desempenham
papel importante na estimulação sexual. As expressões corporais, isto é, os
olhares, gestos e movimentos, são meios de enviar mensagens.
Para a espécie humana, a sexualidade e o ato sexual estão ligados também
à emoção e ao prazer. Por isso, é importante considerarmos que, na atração
entre parceiros, há – além da produção hormonal – um conjunto de estímulos
que afeta a ambos.
A procura do parceiro ou da parceira na natureza, sua escolha e aceitação
são um complexo processo de reconhecimento de qualidades, em geral físicas
ou comportamentais. Esse reconhecimento é a fase inicial do relacionamento
sexual.
Viver a sexualidade é um direito de cada indivíduo. Há diferentes modos
de sentir, expressar e se identificar em relação à sexualidade. A discriminação e
o preconceito em nada contribuem para o crescimento pessoal e a convivência
na sociedade.
ADOLESCÊNCIA: PERÍODO DE MUDANÇAS
Externamente, o corpo biologicamente masculino apresenta o pênis, e o feminino, a vulva.
As características sexuais que os indivíduos apresentam desde o nascimento são chamadas
características sexuais primárias.
Durante a adolescência – período de transição entre a infância e a vida adulta –, ambos os
sexos passam por grandes mudanças físicas, que são desencadeadas por hormônios.
A produção desses hormônios, que estava inibida na infância, ocorre devido a estímulos
do hipotálamo (região do cérebro com função reguladora de processos metabólicos) na hipófise
(glândula do sistema nervoso).
Esses hormônios atuam sobre as gônadas. Nos indivíduos do sexo
masculino, as gônadas são os testículos e, nos indivíduos do sexo feminino, são os ovários.
Nos testículos, algumas células são estimuladas para produzirem espermatozoides (gametas
masculinos), ao mesmo tempo em que é estimulada a produção de testosterona, hormônio
sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas
(mudança da voz e aparecimento de pelos nas axilas, na região pubiana e no rosto).
Nos ovários, é estimulado o amadurecimento de certas células que contêm os ovócitos
(gametas femininos) e que vão produzir estrógeno, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas (alargamento dos quadris,
desenvolvimento das mamas e aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana). Ao mesmo
tempo, outro hormônio hipofisário vai induzir a liberação dos gametas femininos amadurecidos, o
que ocasiona a produção de mais estrógeno e de outro hormônio sexual, chamado progesterona,
relacionado com o ciclo menstrual, que será estudado adiante.
O início da adolescência é conhecido por puberdade e não tem idade certa para acontecer.
Ela costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade e, nesse período, ocorre o amadurecimento
dos órgãos sexuais e o corpo se torna fisiologicamente apto para a reprodução.
Além das mudanças físicas, ocasionadas principalmente pelos hormônios, os adolescentes
também passam por grandes mudanças comportamentais, que englobam alterações psicológicas
e emocionais. As mudanças comportamentais têm influência cultural e social. É comum que
nessa fase os adolescentes tenham a necessidade de independência e comecem a explorar seus
sentimentos e seu corpo, iniciando o interesse sexual.
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