Os domínios da antiga civilização chinesa variaram ao longo do tempo, mas sempre ocuparam uma extensão menor que o território da China atual. O núcleo central dessa civilização, onde surgiram as primeiras aldeias, era o Vale do Rio Huang-Ho (Huang-He), mais conhecido como rio Amarelo. É uma área de terras férteis e ricas em reservas minerais. Nessas terras, agricultores já cultivavam o arroz e o painço (espécie de cereal) desde 6000 a.C.
As comunidades que se fixaram ao longo do rio Amarelo planejavam sua vida de acordo com o calendário de inunda ções. Nas zonas que ficavam submersas por vários meses do ano, os camponeses cultivavam o arroz aquático, espécie que se difundiu por grande parte do sudeste da Ásia. Na parte mais elevada do vale, pouco irrigada, os chineses construíram terraços em forma de escadas, que se estendiam por longas curvas de nível. Com essa tecnologia, a água captada do rio e distribuída pelo terreno de cultivo se infiltrava no solo, retendo os nutrientes.
Assim, por volta de 2000 a.C., o Vale do Rio Amarelo abrigava culturas importantes, como a Yangshao e a Longshan. Em suas aldeias, praticavam-se a agricultura e a criação de cães, porcos, bois, ovelhas e galinhas. Acredita-se que as primeiras cidades da região surgiram a partir de aldeias Longshan, cercadas por muros de terra batida.
As dinastias
Tradicionalmente, a história da China Antiga é periodizada pela sucessão das famílias
pelas quais foi governada, as chamadas dinastias.
Por volta de 1750 a.C., iniciou-se a dinastia Shang, primeira da qual se obtiveram registros escritos. No final do século XII a.C., os Zhou, povo originário do oeste, derrotaram os
Shang e inauguraram uma nova dinastia. A partir do século VIII a.C., iniciou-se um processo
de fragmentação política. Gradualmente, os governantes Zhou perderam poder, enquanto
os donos de terras se tornaram cada vez mais fortes e passaram a exercer grande influência em seus domínios, formando centenas de pequenos reinos. Por volta de 220 a.C., esse
período chegou ao fim, com a vitória de Chin Che Huang, do reino de Chin (ou Qin). Ele
anexou os territórios dos outros reinos e proclamou-se imperador dos chineses. O nome
China derivou-se de Chin.
Após a morte de Chin Che Huang, uma nova dinastia se estabeleceu, em 206 a.C., e expandiu o território do império (observe o mapa a seguir). Para controlar esses vastos domínios e reforçar a autoridade estatal, os imperadores da nova dinastia, conhecida como Han,
expandiram o exército e impuseram um sistema unificado de pesos e medidas. Foi durante
esse período que se estabeleceu a Rota da Seda, a principal via comercial entre a China e o
Ocidente. A ampliação dos contatos comerciais contribuiu para o desenvolvimento cultural
da China e para o surgimento de uma nobreza urbana mercantil.
A sociedade chinesa
O imperador ocupava o lugar de maior importância na sociedade chinesa. Abaixo dele estavam os ministros da corte, que
agiam em seu nome. Em seguida, vinha a nobreza tradicional,
formada por proprietários de terras que viviam da exploração
do trabalho camponês.
Nas famílias nobres, o homem tinha autoridade plena: ele
decidia se uma criança recém-nascida ficaria na casa ou seria
rejeitada, julgava e punia os crimes cometidos pela comunidade e podia ter várias esposas. Até o início da dinastia Han,
os principais funcionários do Estado eram oriundos dessas
famílias aristocráticas.
A ampliação das comunicações dentro e fora do império durante a dinastia Han possibilitou a formação de um novo grupo
de homens ricos, em geral grandes comerciantes e dirigentes
do exército, que viviam luxuosamente na capital, a cidade de
Chang’an, rodeados por escravos, funcionários administrativos,
mulheres e criados.
No outro extremo da sociedade estavam os camponeses.
Eles trabalhavam nas terras dos nobres, a quem forneciam
grande parte das colheitas. A vida dos camponeses era bastante influenciada pelo ciclo das estações do ano. No verão,
época das plantações, eles trabalhavam no campo, habitando
choupanas. No inverno, retiravam-se para as aldeias, onde se
dedicavam ao artesanato e preparavam as festividades coletivas até a chegada da primavera.
Com o tempo, cresceram os setores intermediários da sociedade, representados principalmente por mercadores, funcionários do Estado, artesãos e escribas.
Os camponeses
Os camponeses constituíam a imensa maioria da população chinesa. A partir da fundação do Império Chinês, passaram a ser a base de sustentação econômica e militar do governo imperial.
Eram os camponeses, com seu trabalho, que produziam os alimentos para quase toda a sociedade e, além disso, construíam as grandes obras públicas, como canais de irrigação, palácios e muralhas.
Eram eles também os soldados que os imperadores utilizavam nas guerras, feitas para aumentar o poder, o prestígio e a riqueza do Império. No governo do imperador Huang, milhares de camponeses e prisioneiros de guerra foram forçados a trabalhar na construção da Grande Muralha, mis conhecida como Muralha da China.
General da dinastia Han.
c. 1800. Ilustração em livro
chinês. Biblioteca Britânica,
Londres, Inglaterra.
Atividades econômicas
A agricultura era uma das atividades econômicas mais importantes da China Antiga. Cultivavam-se cevada, arroz (no sul
e no nordeste), trigo, melão, abóbora, pepino, cebola, alho e
painço. Outras culturas importantes eram a da amoreira, cujas
folhas serviam de alimento para as criações de bicho-da-seda,
e do cânhamo, utilizado na produção de tecidos.
Vaso cerimonial da dinastia Shang.
Século XII a.C. Bronze fundido,
28,9 × 19,1 × 16,5 cm.
Museu de Arte de Cincinnati, Ohio,
Estados Unidos.
Bois e cavalos eram criados para o trabalho nos campos e
para o transporte. No período Zhou, há indícios do uso de bovinos para arar a terra e da prática da rotação de culturas, que
possibilitaram o aumento da produção agrícola. Além disso,
os chineses desenvolveram um eficiente sistema de irrigação
com águas fluviais, oriundas principalmente do rio Amarelo.
Os chineses também se destacaram na produção de tecidos
de seda e na fabricação de objetos de madeira, bronze e ferro.
Muitas das peças produzidas pelos artesãos dos períodos Zhou
e Han baseavam-se nas técnicas desenvolvidas na época da
dinastia Shang.
A escrita ideográfica chinesa
No final do século XIX foram encontrados ossos com os registros mais antigos da escrita chinesa. Os estudiosos concluíram que esses registros provavelmente datavam dos séculos XV a.C. e XIV a.C. Os primeiros caracteres da escrita chinesa eram desenhos que representavam objetos relacionados ao cotidiano dos chineses.
Lentamente, a escrita deixou de representar objetos (escrita pictográfica) e se transformou em uma escrita ideográfica, em que cada símbolo ou combinação de símbolos representa uma ideia.
A escrita que usamos, a alfabética, é formada por fonogramas, isto é, cada sinal representa um som. Já a escrita chinesa é constituída de ideogramas, ou seja, cada sinal representa uma ideia ou ação.
Esta forma de escrita ajudou a manter a unidade cultural da China durante todos esses séculos. Isso por que um mesmo ideograma podia ser lido por pessoas de diferentes localidades. O que mudava de região para região, era apenas a pronúncia da palavra.
A escrita chinesa foi introduzida em alguns países vizinhos e estes acabaram criando, a partir dela, sua própria escrita. Os japoneses, por exemplo, além de utilizar os Kanji, ideogramas de origem chinesa, criaram dois outros tipos de escrita: hiragana e katakana.
Os avanços tecnológicos
As descobertas chinesas aconteceram em diversas áreas, muitos séculos à frente de outros povos.
- Invenção da bússola e aperfeiçoamento dos barcos. Permitiram a expansão do comércio marítimo com outros povos, nos mares ao sul da China. Os navios chineses eram muito maiores do que as europeias do mesmo período. Eles eram movidos por remos e velas e tinham capacidade para transportar centenas de homens.
- Descoberta da pólvora. Inicialmente usada em fogos de artifício, depois foi incorporada pelos exércitos como arma, utilizada em canhões.
- Melhora da qualidade do papel. Material muito popular, os de melhor qualidade eram utilizados para fazer registros jurídico e na confecção de livros.
Os contatos comerciais permitiram que outros povos tomassem conhecimento dessas descobertas.
Mulheres, mandarins e Filhos do Céu
As mulheres chinesas ocupavam na família e na sociedade uma posição inferior e subalterna. Deviam obediência aos homens, fossem eles o pai, o irmão ou o marido. As mulheres da alta sociedade eram submetidas, desde os cinco anos de idade, ao doloroso ritual de enfaixar fortemente os pés para que eles não crescessem. Os pequenos pés, chamados de lírios dourados, eram um sinal de beleza muito apreciado pelos pretendentes. Os pés de lótus, como também eram conhecidos, faziam do andar uma tortura, mais distinguiam as mulheres bem-nascidas das camponesas, que tinham os pés grandes.
O Celeste Império, isto é, a China, era uma monarquia teocrática, onde se misturavam as atividades políticas e religiosas. O imperador era Filho do Céu, o grande sacerdote mediador das relações entre os deuses e os homens.
A administração governamental era exercida pela alta classe de funcionários públicos, conhecidos como mandarins. Eles eram intelectuais que dominavam os segredos da complexa escrita chinesa. Essa escrita tinha quarenta mil sinais – os ideogramas – dos quais os mais cultos chegavam a conhecer no máximo cinco mil. Os letrados, ou seja, os mandarins, utilizavam pincéis especiais para desenhar os ideogramas em folhas de papel. Além disso, manifestavam seu desprezo pelo trabalho manual deixando crescer as unhas das mãos, que só podiam ser usadas em atividades intelectuais como a escrita e a pintura.
Confucionismo, ginseng e acupuntura
A região chinesa adorava as forças naturais e deuses celestiais. A doutrina oficial dos chineses, porém, era o confucionismo, que se baseava no culto aos antepassados, na adoração aos familiares mortos e no respeito às antigas tradições, como vimos anteriormente. Originários da índia, o budismo foi introduzido na China no século I d.C., mas não conseguiu grande aceitação popular.
Os chineses tinham uma capacidade notável para técnicas e invenções. Entre outras inovações, eles criaram a bússola, o sismógrafo (medidor de tremores de terra), o papel, o papel-moeda, a imprensa com tipos móveis e a pólvora, usada na fabricação de fogos de artifício.
A medicina chinesa realizava o tratamento de doenças com base na utilização de plantas, ervas e raízes. Entre estas encontrava-se o ginseng, uma raiz aromática muito procurada por suas propriedades medicinais e ainda usada nos dias de hoje. Os chineses foram também os criadores da acupuntura – técnica de anestesiar e curar baseada na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo humano. Mais tarde, os árabes se apropriaram do legado cultural chinês e o transmitiram aos europeus.
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