terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Império Egípcio e a hierarquia social

Por volta de 3000 a.C., o Alto e o Baixo Egito, dois reinos vizinhos localizados em torno do rio Nilo, foram unificados por um chefe político chamado Narmer (ou Menés). Ele se tornou o primeiro rei do Egito, do ou faraó, como os egípcios chamavam seus monarcas.
O faraó não era visto apenas como um líder político, mas como uma divindade ou a encarnação divina na Terra. Para os egípcios, não havia separação entre política e religião; por isso, eles criaram um Estado teocrático.
A partir de 2700 a.C., a concentração do poder do faraó se intensificou, e os chefes locais, chamados nomarcas, perderam sua autonomia. Com o Estado fortalecido, os faraós expandiram sua influência em torno do rio Nilo graças a um exército poderoso, administradores preparados e uma classe de sacerdotes. Em seguida, ocorreram as grandes conquistas territoriais: o Império Egípcio avançou sobre vastas regiões na África, expandiu-se para o Oriente Médio e se tornou conhecido em todo o Mediterrâneo.
A sociedade egípcia baseava-se na exploração do trabalho agrícola de camponeses, servos e escravizados, que compunham a imensa maioria da população e eram obrigados a entregar parte de sua produção na forma de tributos para os administradores do faraó, os escribas.
Havia uma hierarquia social rígida, com o faraó e os sacerdotes no topo, seguidos dos nobres (ligados ao faraó), dos militares e dos funcionários do Estado. Na base da hierarquia, estavam os artesãos, os camponeses, os servos e os escravizados.
A propriedade passava pela linhagem feminina, de mães para filhas, e as mulheres não dependiam legalmente dos homens para fazer negócios ou tomar qualquer decisão. Mas, na visão de mundo egípcia, cabia às mulheres gerar, curar e manter o equilíbrio da família; enquanto aos homens cabia julgar, guerrear e liderar.

A vida dos camponeses e dos servos


No Egito antigo, a população pobre e camponesa vivia em casas construídas de madeira, junco e barro, nos locais mais elevados e distantes das áreas de inundação do rio Nilo e seus afluentes.
Em geral, as casas não tinham móveis ou divisões internas, apenas esteiras e utensílios de cozinha.
A base da alimentação era o pão, combinado com diversas verduras e legumes (vagens, cebolas e lentilhas), leite e peixes. Os homens vestiam-se com um tecido ajustado à cintura, as mulheres usavam túnicas, e as crianças, geralmente, ficavam nuas.
O trabalho nas lavouras de trigo, linho e cevada obedecia aos períodos anuais de cheias do Nilo.
Nas entressafras, camponeses e escravizados eram convocados para trabalhar na construção de grandes obras, como represas, templos e pirâmides. Os artesãos também formavam a base da sociedade egípcia, mas, em geral, tinham melhores condições de vida: suas casas, por exemplo, eram feitas de tijolos de barro sobre fundações de pedra.
O casamento entre os pobres não era realizado em cerimônias oficiais, mas o casal que decidia morar junto dava uma festa para a comunidade. As separações entre casais também não envolviam juízes ou sacerdotes. Tanto mulheres quanto homens podiam se casar novamente e construir novas famílias, que se integravam à anterior.
Na morte, o destino dos camponeses não era muito favorável. Ser sepultado sem oferendas e alimentos podia transformar a alma em uma entidade maligna no mundo dos espíritos. Por isso, havia especialistas em sepultamento que ofereciam alternativas mais baratas para realizar a mumificação e fabricar um sarcófago. Na melhor das hipóteses, para um camponês, a vida depois da morte significava continuar seu trabalho no outro mundo.

Escravos


Originários da escravidão por dívidas e da dominação de outros povos através das conquistas militares. Faziam os serviços domésticos e também trabalhavam nas pedreiras e nas minas. Eram, em geral, bem tratados. Naquela época, os egípcios ofereciam certa segurança a seus escravos, o que não era comum entre os povos primitivos. Foram duramente forçados ao trabalho nas grandes construções, como as pirâmides, por exemplo.
Na sociedade egípcia desenvolveu-se o chamado modo de produção asiático, em que todas as terras pertenciam ao Estado e os camponeses das aldeias tinham o direito de cultivar o solo desde que pagassem um imposto coletivo. Esse imposto era pago com cereais, que eram estocados nos armazéns reais. Nessa sociedade, a base da economia era a agricultura. Cultivavam-se principalmente trigo, cevada, frutas, legumes, linho e algodão. Dentre outras atividades destacamos o comércio a indústria artesanal de tecidos e de vidro, a construção de navios, a cerâmica e a criação de bois, carneiros, cabras, asnos etc. O Estado intervinha na economia controlando a produção, recrutando mão-de-obra e cobrando impostos.

Fotografia de 1979 que mostra vestígios da vila de Deir Almedina, no Egito, onde moravam os artesãos responsáveis pela construção das tumbas do Vale dos Reis, entre 1550 a.C. e 1069 a.C.

A religiosidade egípcia


A religiosidade marcava o cotidiano dos egípcios, que eram politeístas. Eles acreditavam que a terra do Egito tinha sido criada por Nun, o deus que representava o líquido que deu origem ao universo. Esse líquido era associado às águas do Rio Nilo. Para eles, o deus Khnum e suas esposas Satis e Anuket eram responsáveis pela fertilidade do solo das margens do Rio Nilo. Os antigos egípcios adoravam ainda várias outras divindades, como Anúbis, Ísis e Tot. O nome e as características de cada deus podiam variar de uma região para outra. Muitos tinham características de ani mais e em cada cidade era adorado um ou mais deuses. Os egípcios pensavam que, se alguém contrariasse as divindades, uma severa punição poderia se abater sobre esse indivíduo, sua família e até sobre todo o Egito. Eles também acreditavam na vida após a morte. Essa crença era expressa em práticas como a da mumificação.

Sistemas de escrita no Egito antigo


No Egito havia três sistemas de escrita. O mais antigo, formado por volta de 4000 a.C., combinava símbolos que representavam ideias (ideogramas) e outros que representavam sons (fone mas). Esse sistema era usado em inscrições em monumentos, templos, túmulos e documentos oficiais. Era chamado de hieroglífico, que vem da palavra grega hyeroglúphos e significa “escrita sagrada”. Além do hieroglífico, os egípcios criaram dois sistemas de escrita mais simples: o hierático (usado em documentos religiosos ou sacerdotais) e o demótico (empregado nos contratos de venda e em textos jurídicos e administrativos cotidianos).

Detalhe de escrita hieroglífica produzida entre 1323 a.C. e 1295 a.C., encontrada na tumba de Horemheb, nas ruínas da antiga cidade de Tebas, Egito.

A unificação do Egito


Na história do Egito anterior à escrita, ao longo do Rio Nilo formaram-se aldeias. Tais aldeias, que realizavam trocas comerciais e alianças entre si, juntaram-se, formando agrupamentos maiores denominados nomos. É provável que isso tenha ocorrido por causa da necessidade de construir obras para controlar as águas do Rio Nilo. Com o tempo, alguns nomos da região do Baixo Nilo se uniram, formando o chamado Reino do Baixo Egito, enquanto outros nomos constituíram o Reino do Alto Egito, ao sul. Por volta de 3200 a.C., Menés (ou Narmer) tornou-se o primeiro faraó, ou seja, o líder do Alto e do Baixo Egito, dando início à história do Egito antigo propriamente dita. De acordo com a tradição egípcia, ele era descendente dos chefes das últimas aldeias neolíticas ao norte do Nilo.

O Antigo Império 


Entre os anos 2700 a.C. e 2220 a.C., iniciou-se o período da história do Egito chamado Antigo Império. O faraó, governante desse império, detinha o poder político e, ao mesmo tempo, era reconhecido como um deus encarnado entre os seres humanos. Na visão dos antigos egípcios, a prosperidade e a estabilidade do reino dependiam do faraó, que tinha como missão garantir as cheias do Nilo. Sob sua responsabilidade também estavam o comando do exército, os tribunais de justiça e as atividades econômicas essenciais, como a exploração das minas e o controle dos armazéns. Para auxiliar o faraó, havia uma grande rede de funcionários reais que sabiam ler, escrever e fazer contas. Esses funcionários eram chamados escribas.

Organização administrativa no Antigo Império


Durante o Antigo Império, os egípcios construíram grandes cidades e centros administrativos e religiosos. Muitos egípcios habitavam esses locais, mas a maior parte da população vivia nas aldeias. As aldeias e as cidades constituíam os nomos, que eram administrados pelos nomarcas. Eles tinham autonomia para governar em nome do faraó. Junto aos nomarcas, o vizir (que, de origem árabe, significa “ministro”) era o responsável pelos tribunais de justiça e pela supervisão dos departamentos do governo. Funcionários do governo, sacerdotes e nomarcas constituíam a elite da sociedade egípcia. Os cargos que eles exerciam eram hereditários. Os camponeses, que eram chamados de felás, formavam a maioria da população. Em geral, os felás pagavam impostos pelo uso da terra a eles destinada pelo faraó com parte da produção de cereais que cultivavam. Os felás eram obrigados a trabalhar em obras públicas, como canais de irrigação, palácios, templos e túmulos, caso fossem convocados pelas autoridades.

A organização social 


Apesar de realizarem trabalho forçado, os campone ses do Egito antigo não eram escravizados. Nessa socie dade, os escravizados normalmente eram prisioneiros de guerra e compunham a minoria da população. Entre os felás e a elite, havia artesãos bastante valorizados, comerciantes, soldados e escribas.

O papel das mulheres 


Na sociedade egípcia, as mulheres possuíam alguns direitos, como o de ter bens, escolher uma profissão e casar-se com quem quisessem. O divórcio era previsto nas leis egípcias e, caso ocorresse, os bens tendiam a ficar com as mulheres. Essas práticas diferem das de outras sociedades que você estudará no decorrer deste ano.

O Médio Império


A partir de 2300 a.C., os nomarcas do Alto e do Baixo Egito passaram a questionar a autoridade do faraó, reduzindo progressivamente seu poder. Quando as disputas entre eles diminuíram, por volta de 2050 a.C., teve início o Médio Império. Esse período foi marcado pela elevada produção de alimentos e pela intensificação do comércio. 
O Médio Império se encerrou em 1710 a.C. com a invasão dos hicsos. Proveniente da Ásia, esse povo fundou no Egito uma dinastia de governantes, que se manteve por cerca de mil anos. Durante esse período, ocorreram no Egito inovações, como a invenção de carros de guerra e a melhora nas técnicas de forjar o bronze. Os hicsos foram expulsos do território pelos egípcios por volta de 1570 a.C. Teve início, então, uma nova dinastia, que inaugurou, em 1560 a.C., o que os historiadores chamam de Novo Império.

O Novo Império 


Durante o Novo Império, que se prolongou até 1069 a.C., os egípcios estenderam seus domínios até a Palestina, a Síria e a Fenícia e, ao sul, reconquistaram a Núbia. Nesse período, desenvolveu-se uma experiência religiosa singular na história do Egito antigo. Entre os anos de 1348 a.C. e 1346 a.C., o faraó Amenófis IV determinou que, em seus domínios, apenas Aton (o deus solar) poderia ser cultuado. Essa decisão pode ter sido uma das for mas encontradas pelo faraó para enfraquecer os sacerdotes de Tebas, que estavam cada vez mais poderosos. Amenófis passou, então, a se autodenominar Aquenáton (“aquele que louva Aton”).
Apesar da decisão do faraó de cultuar apenas Aton, muitos egípcios continuaram cultuando outros deuses em segredo. Além disso, o faraó nunca chegou a negar a existência de outros deuses. Dessa maneira, os egípcios não se tornaram monoteístas naquele período. Após a morte de Aquenáton, seu filho Tutancâmon foi levado ao poder quando tinha 9 anos. Ele restabeleceu o culto aos demais deuses e os privilégios dos sacerdotes.

Busto desgurado de Aquenáton, produzido entre 1353 a.C. e 1337 a.C., encontrado em Amarna, Egito

O fim do Egito antigo Após um longo período, entre o século XI a.C. e por volta de 660 a.C., o poder centralizado pelos faraós foi enfraquecido. Na prática, os egípcios voltaram a ser governados por líderes locais, até ser dominados por seus vizinhos cuxitas, que você estudará a seguir. A partir de 660 a.C., os egípcios foram dominados por diversos povos, como os assírios, os persas, os gregos e os romanos. O Egito antigo chegou, então, ao fim, após trinta dinas tias de faraós, o que equivaleu a uma história de 150 gerações seguidas.



Babilônia: de cidade a império

Com o fim do Império Acadiano, em 2083 a.C., chefes políticos das maiores cidades, como Ur e Uruk, e povos estrangeiros, como os assírios, passaram a disputar poder na Mesopotâmia. Apenas em 1792 a.C. a região foi novamente unificada a partir de Babilônia, uma cidade às margens do rio Eufrates. O mais famoso dos reis foi Hamurabi (reinado 1728 a.C.-1686 a.C.), chefe militar que ampliou as conquistas territoriais e formou as bases do novo império.
Ele organizou um conjunto de leis que regulamentava o trabalho, o comércio e as atividades agrícolas, além de reger as relações entre as pessoas e definir crimes e penalidades. Conhecido como Código de Hamurabi, continha 282 leis talhadas, em escrita cuneiforme, em uma rocha. Com esse código, considerado o primeiro sistema de leis apresentado na forma escrita, Hamurabi pretendia unificar seus domínios, superando as divergências entre os diferentes povos que ali viviam.
Atualmente parte do acervo do Museu do Louvre, em Paris, o artefato em que o Código de Hamurabi foi inscrito é uma rocha de diorito preto com cerca de 2,25 m de altura. A escolha do diorito para gravar o código sugere que o imperador apostava na durabilidade do Código, pois, se fosse inscrito em tabuletas de barro (ou adobe), corria o risco de desaparecer com o tempo.

Pedra de diorito inscrita com o Código de Hamurabi, c. 1750 a.C.

Hamurabi e Shamash 

No alto da pedra inscrita com o Código de Hamurabi foi esculpida uma imagem, como mostra este detalhe. Nela, há dois personagens. Em pé, está Hamurabi, com sua longa barba e um turbante na cabeça, símbolo de poder. Ele está em posição de oração e respeito, segundo a cultura babilônica, diante da figura que está sentada no trono, representação de Shamash, deus da justiça.
Além do trono, outros elementos simbolizam essa divindade, como a coroa chifrada, suas roupas, o cajado e os raios sobre seus ombros.


O Império Acadiano

Suméria e Acádia

Os sumérios migraram para o sul da Mesopotâmia, provavelmente em busca de terras férteis, por volta de 8000 a.C. Lá, estabeleceram algumas cidades e desenvolveram uma cultura comum: criaram a escrita cuneiforme, falavam a mesma língua, tinham um sistema religioso semelhante e estavam ligados por intensas trocas comerciais.
Os agricultores sumérios desenvolveram sofisticadas técnicas de irrigação e de construção de represas para controlar as enchentes provocadas pela estação das chuvas. Dessa forma, conseguiram ampliar as terras férteis em torno dos rios Eufrates e Tigre.
Os sumérios dominaram a técnica de fundição do cobre, e, a partir dele, passaram a produzir o bronze. Esse material rígido e resistente permitiu a fabricação de ferramentas mais adequadas ao trabalho agrícola e de armas mais eficazes.

O Império Acadiano

Depois de tentativas frustradas de unificação das cidades sumérias em torno de um único rei, elas foram dominadas por Sargão, rei dos acadianos, por volta de 2350 a.C. Em seguida, ele expandiu sua autoridade sobre uma vasta região da Mesopotâmia, fundando um império. Era a primeira vez em que um Estado organizado exercia o domínio sobre outros povos e territórios.
O Império Acadiano durou cerca de 150 anos, ruindo quando cidades se rebelaram e o poder de Acádia se enfraqueceu. O legado de Sargão foi contado em poemas épicos, escritos muitos séculos depois, quando foi retratado como herói e profeta.

Ilustração que reconstitui a figura de um touro com cabeça humana e a figura de um humano, ambos com asas. Acreditava-se que essas figuras serviam de proteção e por isso sua imagem ficava ao lado da porta do palácio do rei Sargão. A obra original é do século VIII a.C.




As mulheres e a organização da família na Mesopotâmia

Inúmeros historiadores têm pesquisado o papel das mulheres na organização das famílias nas cidades mesopotâmicas. Por meio dessas pesquisas, descobriu-se que, por volta do século XX a.C., em geral, a condição feminina na Mesopotâmia era marcada pelo domínio patriarcal, mas as mulheres tinham certa independência para realizar atividades comerciais e gerenciar seu patrimônio. Essa independência, no entanto, variava conforme o povo, a cidade, o grupo social ao qual a mulher pertencia e o trabalho que ela exercia.
O casamento dependia de um acordo, normalmente oral, entre as famílias dos noivos. E havia uma transferência de bens: a família da jovem oferecia um dote, na forma de objetos valiosos, animais, porções de terra ou dinheiro. Esse dote não era entregue ao marido, mas destinado, posteriormente, aos filhos do casal. Já o homem oferecia à família da noiva um “contradote” de valor inferior.
As mulheres assírias e babilônicas eram responsáveis por negócios e estabeleciam acordos com mercadores. Elas tinham certa independência financeira em virtude das rendas adquiridas com seu trabalho ou por meio da venda de presentes caros, dados pelo marido. Além disso, pesquisas identificaram mulheres em diferentes profissões, como parteiras, taberneiras, cantoras, dançarinas, camareiras, cozinheiras e escribas.

Divindade feminina

Divindades femininas ocupavam um papel importante nas crenças politeístas mesopotâmicas. Nessa representação, Inanna, deusa do amor e da guerra, utiliza uma coroa chifrada e tem armas às costas e um leão domado aos seus pés. Ela era uma das deusas mais cultuadas entre sumérios e babilônicos, cujas narrativas mitológicas incluem uma descida de Inanna ao inferno para contestar o poder de sua irmã, a deusa dos mortos, Ereshkigal.

Deusa Inanna (ou Ishtar) em um selo acadiano produzido entre 2350 a.C. e 2150 a.C.

A antiga civilização indiana

Segundo os arqueólogos, o Vale do Rio Indo, onde hoje se localiza o Paquistão, começou a ser ocupado por volta de 7000 a.C. Como ocorreu na Mesopotâmia e na China, a agricultura irrigada pela água dos rios foi fundamental para o desenvolvimento da civilização indiana antiga. Por volta de 2600 a.C., grandes cidades, como Harapa e Mohenjo-daro, já existiam nas margens do rio Indo e de seus afluentes. 
Estudos arqueológicos indicam que Harapa era a cidade mais antiga do Vale do Rio Indo e pode ter sido o centro dessa civilização. Isso porque os artefatos encontrados nos diversos sítios arqueológicos da região são semelhantes aos que foram descobertos em Harapa.
A principal característica das cidades do Vale do Rio Indo era o planejamento urbano. Harapa era circundada por grandes muralhas e possuía espaçosas avenidas separando os bairros. Além disso, a cidade dispunha de um sistema de fornecimento de água, de áreas de banho e de uma rede subterrânea de esgotos. 
A agricultura constituía a base econômica da civilização harapense. Os habitantes do Vale do Rio Indo foram os primeiros cultivadores do algodão, cujas fibras eram usadas para produzir tecidos.
Os harapenses também desenvolveram um artesanato bastante variado. Eles produziam ferramentas de pedra e metal, utensílios domésticos, armas e joias tanto para o uso cotidiano como para a troca. 
As cidades harapenses entraram em declínio por volta de 1900 a.C. Por razões ainda desconhecidas, essas cidades foram progressivamente abandonadas.

A Índia do período védico 

A desorganização das cidades harapenses coincidiu com a chegada de povos nômades e guerreiros de origem ariana, vindos da Europa Oriental. Eles entraram na Índia e se estabeleceram no Vale do Rio Ganges, onde construíram uma nova civilização. 
A principal fonte para o estudo da história da Índia do período ariano são os livros chamados Vedas (palavra do sânscrito que significa “livros do conhecimento”). Trata-se de um conjunto de hinos religiosos, preces, fórmulas mágicas e comentários sobre a natureza humana e o Universo transmitidos oralmente ao longo das gerações. Os Vedas trazem muitas informações sobre a sociedade, os costumes e as cerimônias religiosas na Índia ariana.

A sociedade de castas 

Os arianos sentiam-se superiores aos nativos. Esse preconceito foi um dos fatores que deram origem à sociedade de castas, uma divisão social em que cada pessoa tinha um lugar hierarquicamente definido. 
Uma vez nascida em uma casta, a pessoa, assim como todos seus descendentes, jamais mudaria de posição social. Veja a seguir as castas que formavam a sociedade indiana na Antiguidade. 
• Brâmanes: eram os sacerdotes, que compunham a casta dominante. Controlavam os rituais e interpretavam os Vedas para estabelecer as leis, além de ocupar altos cargos no Estado.  
• Xátrias: formada pelos nobres guerreiros. Com os brâmanes, constituíam as castas dominantes. Mohenjo--Daro g Harapa 
• Vaixás: eram os comerciantes, artesãos e agricultores. Embora pudessem até ser muito ricos, eram obrigados a contribuir com impostos e a servir na guerra. 
• Sudras: casta constituída pelos servos, trabalhado res dependentes de um senhor. Em geral, descendiam dos antigos habitantes da Índia.

Além desses grupos, existiam os chamados intocáveis, pessoas que não faziam parte de nenhuma casta e que, por isso, eram consideradas impuras. Hoje, esse grande grupo se autodenomina dalit, e luta contra a discriminação.

A religião hindu 

A antiga religião ariana estava fortemente relacionada às forças da natureza, como os ventos, o fogo e as tempestades. Acreditava-se que os deuses eram como os humanos, que se alegram e se entristecem. 
Por volta do século VII a.C., introduziu-se na religião védica a ideia de um deus maior (Brahma), que abrangeria todo o Universo. Também foi criada uma teoria para justificar o sistema de castas: cada casta teria origem em uma parte do corpo de Brahma e, por isso, cada uma tinha uma função na sociedade.
As crenças em um ser eterno e absoluto, o Brahma, e na existência de um estágio final de purificação da alma constituem a base do bramanismo, religião que predomina na Índia até hoje. Atualmente, o bramanismo é mais conhecido como hinduísmo.
Os hinduístas acreditam que a alma humana passa por várias vidas (reencarnações) até libertar--se do sofrimento e atingir o moksha, o estágio da libertação final. A crença na reencarnação está as sociada à ideia do carma, ou seja, de que o Universo é regido por uma lei imutável, que determina a sucessão de nascimentos e mortes pelos quais o ser humano teria de passar.
Assim, o tipo de vida que cada pessoa tem seria determinado pelas ações que praticou em vidas anteriores. Para se libertar do ciclo de reencarnações, chamado samsara, o indivíduo deveria seguir os caminhos da iluminação: o do conhecimento; o da ação, que implica aceitar o sofrimento e renunciar aos desejos materiais; e o da santidade individual, percorrido por meio da meditação, das orações e da prática da ioga.

Templo hinduísta de Meenakshi, em Madurai, na Índia. O templo foi construído no século XVII, mas a cidadela de Madurai data de mais de 2.500 anos atrás.



As cidades-Estado e as colônias fenícias

Os fenícios ficaram conhecidos ao longo do tempo como grandes comerciantes e navegadores. Eles fundaram diversas cidades-Estado, entre elas Tiro, Sídon e Biblos. Essas cidades-Estado estavam localizadas na costa do Mar Mediterrâneo, o que favoreceu a navegação e o comércio de diversas mercadorias, como alimentos, tecidos, joias, metais e madeira. 
As condições geográficas do território fenício, marcadas pela presença de montanhas, contribuíram para a formação de núcleos urbanos isolados uns dos outros. Apesar de com partilharem a mesma origem, língua e cultura, as cidades fenícias eram política e economicamente autônomas; por isso, são chamadas de cidades-Estado. 
Cada cidade-Estado fenícia tinha o próprio rei, que acumulava funções políticas e religiosas. Existem evidências históricas de que, em algumas cidades, o rei era auxiliado por um conselho de anciãos. Como os comerciantes eram muito ricos, acredita-se que eles também exerciam alguma influência no governo das cidades. As principais cidades-Estado fenícias eram Arado, Biblos, Beritus (Beirute), Sídon e Tiro. 

AS CIDADES-ESTADO 

Os fenícios não centralizaram o poder político em um go vernante. Para muitos pesquisadores, as montanhas que se paravam os vales onde esse povo se estabeleceu e os rios que cortavam os territórios fenícios favoreceram a organização em cidades-Estado independentes umas das outras. Dessa forma, cada cidade tinha o próprio governante, que poderia ser um rei, uma elite de comerciantes ou uma família influente, de acordo com o costume de cada núcleo fenício. O mesmo ocorria na religião: cada cidade cultuava uma divindade ou um conjunto delas.
Havia, porém, elementos comuns às cidades fenícias, como a língua, o costume de fazer registros escritos, as tecnologias náuticas, o controle de determinadas rotas comerciais e o politeísmo. 
O período de 1200 a.C. a 800 a.C. é considerado o auge da cultura fenícia. O desenvolvimento das cidades-Estado era referência para outros povos da época, como gregos e persas

BIBLOS: A CIDADE DOS PAPIROS 

Correspondente à atual cidade de Jubeil, no Líbano, Biblos é considerada a mais antiga cidade não só da Fenícia, mas também do mundo. 
De acordo com pesquisadores, há vestígios da ocupação de Biblos que datam do ano 5000 a.C. A elite comerciante dessa cidade exportava principalmente o cedro, usado na construção de embarcações. Em troca, importava bens de variadas culturas e os comercializava com povos do Mediterrâneo. Dessa forma, o comércio fenício foi essencial para as trocas culturais entre os povos dessa região.
Por exemplo: o comércio do papiro. Os fenícios compravam esse produto dos egípcios e o revendiam aos gregos. Com o tempo, passaram a ser os principais comerciantes de papiro na Grécia. Por isso, a cidade era chamada pelos gregos de Biblos, cujo significado está ligado ao papiro e à escrita. Esse nome deu origem a termos usados ainda hoje, como biblioteca. 
Na verdade, Biblos era conhecida como Gubal pelos fenícios, e a divindade adorada era Baalat Gubal, a Senhora de Biblos, considerada a deusa da fertilidade e da maternidade.

TIRO 

Tiro ocupava a atual cidade de mesmo nome, no Líbano, e dividia-se em duas regiões: uma mais antiga e pouco habitada, no continente, e outra em uma ilha posicionada em local estratégico, na qual funcionava a vida urbana. Entre 1200 a.C. e 1000 d.C., a cidade tornou-se o maior centro comercial do Mediterrâneo, atraindo o interesse de diversas potências do mundo antigo. Como veremos, Tiro chegou a formar colônias ao longo do Mediterrâneo e, ao longo do tempo, foi dominada por assírios, babilônicos, persas, macedônios e romanos.
Durante o domínio romano, ficou conhecida pela produção e exportação de uma tinta vermelha denominada púrpura de Tiro. O pigmento, extraído de uma glândula do molusco múrex, era usado para tingir tecidos, resultando em tonalidades entre as cores rosa e vermelho-escuro. Usar vestes com essas tonalidades se tornou símbolo de poder no mundo antigo. Assim, a cor púrpura passou a fazer parte da identidade dos fenícios. A palavra fenícia deriva do grego phoeínikes, que significa vermelho. 
A divindade cultuada em Tiro era Baal Melcarte, considerado o deus da morte e da ressurreição, fundador de Tiro e o criador da púrpura de Tiro e da navegação para o oeste.

SÍDON 

Na atual cidade de Sídon, no Líbano, há vestígios da Sídon antiga, de origem fenícia. O núcleo urbano tornou-se comercial mente próspero em 2000 a.C. Assim como Tiro, Sídon foi dominada por vários povos, inclusive macedônios e romanos. 
Durante o domínio romano, iniciou--se nessa cidade a produção de outro tipo de púrpura e de vidro. Não há consenso entre os historiadores se a tecnologia do vidro foi desenvolvida por fenícios ou por egípcios. Sabe-se, porém, que os fenícios de Sídon foram importantes produtores e exportadores de objetos feitos desse material.
O território administrado por cada cidade incluía o núcleo urbano principal, algumas vilas menores, as áreas de cultivo e de criação de animais, além das florestas, de onde os fenícios extraíam madeira para a construção de embarcações e a confecção de móveis. 
As oficinas fenícias ficavam próximas aos portos de embarque de mercadorias, que eram transportadas para as mais diversas regiões. No final do segundo milênio a.C., com o aumento do comércio de artefatos de metais, a atividade comercial marítima dos fenícios aumentou consideravelmente. Por volta de 1000 a.C., os fenícios ampliaram suas rotas por todo o mar Mediterrâneo, chegando ao oceano Atlântico. 
Ao longo dessas rotas, eles fundaram várias colônias no norte da África, na Sicília, na Sardenha e na costa da Espanha. Nesses locais, eles adquiriam matérias-primas como metais, além de cereais e escravos.

As colônias

Os fenícios estabeleceram diversas colônias ao longo de suas rotas comerciais. Elas foram fundadas por meio de acordos entre os comerciantes fenícios e os governantes locais. Com isso, os fenícios conseguiram aumentar o comércio e melhorar a economia de suas cidades. 
A maior e mais famosa colônia fenícia foi Cartago, fundada em 814 a.C., no norte do continente africano. Por causa das riquezas e da prosperidade proporcionadas pela atividade comercial, ela passou a sofrer constantes ataques. 
A partir do século VIII a.C., Cartago envolveu-se em conflitos com outros povos, entre eles os persas e os gregos. Romanos e cartagineses também se enfrentaram três vezes a partir de 264 a.C., nas chamadas Guerras Púnicas. Em 146 a.C., Cartago foi destruída pelos romanos.

O alfabeto fenício

A necessidade dos fenícios de desenvolver um código de comunicação escrita que facilitasse suas atividades, principalmente o comércio, levou-os a adaptar conhecimentos de outros povos e criar o alfabeto, um conjunto de sinais que representam os sons de uma língua.
O alfabeto fenício tinha 22 sinais que representavam as consoantes. Ao serem usados para escrever, os sinais eram alinhados da direita para a esquerda. Por volta do ano 1000 a.C., o alfabeto fenício se difundiu pelas regiões ocidental e oriental do mar Mediterrâneo. 
Ao chegar à Grécia, foi ampliado com a adição das vogais. Mais tarde, a combinação do alfabeto fenício com o grego e o etrusco foi adaptada pelos romanos para desenvolver o alfabeto latino. Embora tenha se modificado ao longo de vários séculos, é esse o alfabeto utilizado hoje para escrever a língua portuguesa e a maior parte das línguas ocidentais.

Inscrição em alfabeto fenício (detalhe) no sarcófago de Eshmunazar, rei de Sídon. Século V a.C. Museu do Louvre, Paris, França. Poucos escritos fenícios foram encontrados, provavelmente porque muitos eram feitos em papiro, material de origem orgânica que se deteriora rapidamente. Essa inscrição foi encontrada na antiga cidade de Sídon, no atual Líbano.




A religião fenícia

Os fenícios eram politeístas, ou seja, cultuavam vários deuses. Na língua fenícia, deus era el e deusa era elat. Mas el também era usado para indicar um deus específico, o pai dos deuses.
Os fenícios ofereciam sacrifícios de animais aos deuses. Há registros de sacrifícios de crianças também. Geralmente, os rituais religiosos eram realizados ao ar livre em regiões elevadas das cidades.
Cada cidade fenícia tinha um deus principal ou um casal de deuses que protegia seus moradores. Por exemplo, em Tiro, a divindade principal era Melkart e, em Sídon, cultuava-se o deus Eshmun.
Entre as principais fontes para o estudo da religião fenícia estão as inscrições encontradas na cidade de Ras Shamra, no norte da Síria, território da antiga cidade fenícia de Ugarit.

Fenícios: navegadores do Mediterrâneo

Os fenícios ocupavam a costa oriental do mar Mediterrâneo desde o milênio III a.C. As condições geográficas dessa região, que corresponde hoje ao Líbano, não contribuíam para as atividades agrícolas, pois não havia rios que pudessem fertilizar as terras – ao contrário do Egito e da Mesopotâmia. 
No entanto, a estreita faixa que os fenícios habitavam era abundante em cedro, árvore que fornecia madeira, com a qual eles construíam eficientes embarcações. 
Entre os séculos XII a.C. e VIII a.C., os fenícios se tornaram os principais comerciantes e navegadores do mar Mediterrâneo. Comercializavam produtos como azeite, cereais, vinhos, perfumes, joias, pedras preciosas, tapetes, tecidos de lã tingidos na cor púrpura, essências aromáticas, incensos, armas decoradas e prisioneiros de guerra, vendidos como escravos.
Os fenícios se tornaram senhores do mar Mediterrâneo, viajando para lugares distantes, dominando rotas até então desconhecidas. Fundaram várias colônias, que também viviam do comércio marítimo. A mais poderosa delas foi Cartago, no norte da África, fundada em 814 a.C., muito próximo de Túnis, atual capital da Tunísia.

Sarcófago fenício, datado de aproximadamente 500 a.C., encontrado na região da Palestina.

Os fenícios eram também artesãos muito habilidosos: trabalhavam o ouro, o vidro transparente, a madeira, a cerâmica e o metal. Aprenderam várias técnicas com outros povos e ainda difundiram o que sabiam. O sistema de escrita dos fenícios foi fundamental para registrar as intensas trocas comerciais que realizavam com outros povos. A escrita fenícia era prática e mais simples do que a escrita egípcia e a dos povos da Mesopotâmia. Era uma escrita fonética, em que as letras registravam sons.


Moeda fenícia.

Formação do Império Persa

Um dos impérios mais poderosos da Idade Antiga foi o Império Persa, que se localizou onde hoje se encontra o Irã, um dos países mais antigos do Oriente Médio. Até 1935, o Irã guardava essa herança no nome do país, pois era cha mado de Pérsia. Sua história tem início por volta de 2000 a.C., quando duas tribos nômades, os medos e os persas, ocuparam um planalto a leste da Mesopotâmia e lá se seden tarizaram, organizando dois reinos rivais.
Posteriormente, os persas derrotaram os medos e, entre os séculos VI a.C. e IV a.C., realizaram diversas conquistas territoriais, expandindo suas fronteiras e formando um vasto e poderoso império. Observe nos mapas a seguir o território persa na Antiguidade e o do atual Irã.

Formação do Império Persa 

Em 559 a.C., sob o comando do rei Ciro, o Grande, os persas derrotaram os medos e iniciaram um período de conquistas territoriais, impondo sua dominação sobre regiões vizinhas: Mesopotâmia, Fenícia e Palestina. Assim, a Pérsia se transformou em um império, ou seja, um reino que domina outros povos e submete-os às leis e às decisões do governo imperial. 
A expansão territorial persa prosseguiu com o imperador Cambises, que li derou o exército persa na conquista do Egito. Mas foi durante o longo governo de seu sucessor, Dario, que a Pérsia se tornou um dos impérios mais organiza dos e poderosos de seu tempo.

O governo de Dario 

Dario detinha controle absoluto sobre o império, mantendo numerosos funcionários públicos com a função de percorrer e fiscalizar constantemente os territórios dominados e de passar todas as informações importantes para o imperador. Esses funcionários eram conhecidos como “os olhos e os ouvidos do rei”. Para melhor governar, Dario dividiu o império em vinte províncias chamadas satrápias. 
Cada uma delas era governada por um sátrapa, que obedecia fiel mente às ordens do imperador. Diferentemente dos outros impérios da época, a Pérsia tinha cinco capitais: Persépolis, Susa, Sardes, Ecbátana e Babilônia. 
O imperador mandou construir estradas ligando as principais cidades e organizou um sistema de correios, cujas mensagens eram levadas por pessoas a cavalo. Tanto as estradas como os correios foram essenciais para integrar e manter uma boa comunicação entre as diversas regiões do grande império. 
Nesse período, as atividades comerciais foram muito intensificadas, momento em que foi criada uma moeda única para todo o império: o dárico.

As relações com os povos conquistados 

Dario exigia que os povos dominados pagassem altos impostos e fornecessem homens para o exército e para a construção de estradas e ou tras obras públicas. Em troca, permitia que eles mantivessem os costumes, as leis, a língua e a religião. Por meio desse acordo de tolerância à cultura dos povos conquistados, durante muito tempo o imperador conseguiu evitar que eles se revoltassem contra a dominação persa.

O enfraquecimento do Império 

Os persas foram o primeiro povo da Antiguidade a pagar salários aos sol dados, geralmente recrutados entre os povos conquistados. Acreditava-se que esses soldados estrangeiros – chamados de mercenários – estariam sempre motivados a lutar, incentivados pelo dinheiro que ganhavam. Esse costume tornou possível a organização de um exército com milhares de soldados de origens diversas. No entanto, o exército de mercenários mostrou-se insuficiente nas guerras travadas contra um temido inimigo da Pérsia: a Grécia.
Entre 500 a.C. e 479 a.C., nas Guerras Médicas (assim denominadas porque os gregos chamavam os persas de medos), a Pérsia foi enfim derrotada. Por ser estrangeiros, os mercenários do exército persa falavam línguas diferentes e muitos não compreendiam as ordens dos comandantes; outros desistiam, pois não estavam lutando por seu próprio povo. Embora fossem numericamente inferiores, os gregos resistiram e lutaram de forma unificada para defender suas terras, tradições e, principalmente, sua liberdade. Essa teria sido uma das principais razões do início do processo de enfraquecimento do Império Persa. Após essa derrota, os imperadores enfrentaram muitas dificuldades para fazer valer sua dominação, defender seu território e submeter os povos conquistados.
As constantes revoltas dos povos do minados e as lutas pelo poder dentro do governo também contribuíram para a queda do Império. A destruição final do Império ocorreu em 330 a.C., quando os macedônicos, liderados por Alexandre, o Grande, conquistaram a Pérsia.

Sociedade e economia na Pérsia

O planalto persa tinha poucos vales férteis, cujas terras eram aproveitadas para o cultivo de hortaliças, centeio, trigo e cevada, além da criação de bois, ovelhas e cabras. Os saques de guerra e os tributos pagos pelos povos conquistados eram importantes fontes de riqueza para o império. Dispondo de uma boa rede de estradas, os persas praticavam comércio com povos estrangeiros, e as várias províncias do império comercializavam entre si. 
Na sociedade persa, a família real, os sacerdotes, os proprietários de terra e os comandantes do exército tinham muito poder e prestígio. Artesãos e comerciantes formavam uma camada social intermediária; alguns deles enrique ceram com o desenvolvimento comercial do império. Os camponeses trabalhavam gratuitamente nas obras públicas e pagavam altos impostos ao governo; para os proprietários de terra, tinham de entregar parte do que produziam na agricultura e na pecuária. Na sociedade persa, os escravizados eram um grupo social pouco numeroso.

Práticas da sociedade persa no cotidiano 

Na sociedade persa, as funções militares eram valorizadas, pois delas de pendia a manutenção do império. Por isso, naquele contexto, meninos persas eram mais valorizados do que as meninas, pois eles se tornariam futuros solda dos ou chefes militares do exército.
A atuação das mulheres, por sua vez, não se limitava aos afaze res domésticos. Muitas vezes elas podiam administrar os negó cios da família. A mãe cuidava das crianças até os 5 anos; entre 5 e 7 anos, elas ficavam sob os cuidados do pai. Aos 7 anos iam à escola, onde faziam exercícios físicos como natação, montaria e caminhada e aprendiam a caçar e a plantar. 
Na escola, alimentavam-se basica mente de pão, água e agrião e havia severas puni ções. Tal rigidez tinha o objetivo de prepará-las para possíveis dificuldades na vida adulta. A partir dos 14 anos, as crianças das famílias nobres aprendiam ainda religião, direito e medicina. Homens e mulheres da nobreza usavam joias, per fumes e maquiagem nos olhos e vestiam longas túnicas de linho bordadas e enfeitadas.

Cultura persa

Devido ao intenso contato que mantinham com as sociedades da época, os persas incorporaram muitos elementos da cultura dos egípcios, dos hebreus, dos povos mesopotâmicos e de outros povos conquistados por eles. Na Arquitetura, observa-se a influência dos mesopotâmicos e dos egípcios, sobretudo na construção de palácios e túmulos, nos quais se destacava a presença de ladrilhos esmaltados, tijolos coloridos, amplos terraços e colunas de pedra com bois e cavalos esculpidos.
A arte persa, particularmente a escultura, era muito utilizada na Arquitetura e tinha características monumentais, pois servia para demonstrar e exaltar o poder dos imperadores. Na Engenharia, merece destaque a construção de um canal entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo, ligando a Pérsia ao Egito, no governo do imperador Dario. Ele concluiu o Canal dos Faraós, que havia sido construído pelos egípcios como via de ligação entre o Rio Nilo e o Mar Vermelho. 
No século XIX, o canal foi novamente reconstruído e renomeado Canal de Suez, que atualmente é uma das mais importantes vias de navegação do mundo, com intenso tráfego de navios de diferentes países que transportam variadas mercadorias, como petróleo, grãos, minérios, peças de automóveis, entre outras.
Diferentemente de outros povos, os persas não construíam templos religiosos. No entanto, os artistas confeccionavam estatuetas de cerâmica e grandes está tuas de mármore representando figuras antropozoomórficas e cenas de guerra. Produziam também sofisticados tecidos de lã, rendas e sedas; os tapetes, muito coloridos, eram decorados com motivos florais e animais e exigiam um trabalho minucioso dos artesãos, cujas técnicas eram transmitidas às gerações mais jovens para que a tradição de produzi-los não se perdesse. Na arte decorativa destacavam-se joias, vasos, taças e vasilhas, trabalhados em ouro, prata e pedras preciosas, indicando um artesanato com técnicas sofisticadas.

Religião persa

Até aproximadamente o século VII a.C., os persas eram politeístas e, em seus cultos, praticavam sacrifícios de animais e consumiam bebidas consideradas sagradas.
Entre os séculos VII a.C. e VI a.C., um sacerdote chamado Zoroastro come çou a fazer pregações nas quais criticava o politeísmo tradicional e propunha uma religião dualista baseada na existência de duas divindades opostas que estavam em constante luta: Aura-Mazda (deus do bem), associado a princípios como vida, verdade e justiça, e Arimã (deus do mal), associado à morte, à desonra, à injustiça.
Os sacerdotes politeístas combateram Zoroastro, mas, com o passar do tempo, grande parte do povo persa adotou a nova religião, acreditando que o com portamento das pessoas podia garantir a vitória de um deus sobre o outro: se elas agissem com base nos bons princípios, o bem derrotaria o mal; caso contrário, Arimã venceria Aura-Mazda. Também aguardavam a vinda de um “Salvador” que prepararia seu povo para o fim do mundo. Nesse dia aconteceria o Juízo Final, quando os mortos ressuscita riam e seriam julgados: os bons iriam para o paraíso e os maus, para o inferno. Tais crenças influenciaram o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. 
Os ensinamentos da religião persa estão reunidos no livro sagrado Zend-Avesta e foram inicialmente organizados por Zoroastro; por esse motivo a religião é também conhecida por zoroastrismo. Seus seguidores não representam os deuses em esculturas nem constroem templos religiosos, como em outras religiões. Atualmente, há seguidores do zoroastrismo sobretudo no Irã e na Índia, onde são chamados de parsis.

Os persas


A Pérsia situava-se no Planalto do Irã, região montanhosa e com poucas planícies. Ali, a partir do segundo milênio, estabeleceram-se diversos povos, entre os quais os medos e os persas. Durante muito tempo, os persas foram dominados pelos medos. Mas, por volta de 550 a.C., um príncipe persa, de nome Ciro, liderou uma rebelião vitoriosa e, depois de dominar os povos da região, fundou o Império Persa.
Visando à conquista de riquezas e povos, o rei Ciro organizou um  poderoso exército com o qual expandiu as fronteiras do Império em várias direções. Seus sucessores, Cambises e Dario, comandaram novas conquistas, e assim, o Império Persa passou a abranger uma área gigantesca que ia do vale do Rio Nilo, no Egito, até o vale do Rio Indo, na Índia.

Fotografia atual de relevo da escadaria do Palácio de Apadana (c. 515 a.C.) em Persépolis (Irã).

Administração do império

Para melhorar a organização d do império, Dario I o manteve
dividido em províncias chamadas satrápias; e, para administrá-las, nomeou funcionários de sua confiança, os sátrapas. Esses funcionários, por sua vez, eram vigiados de perto por inspetores, conhecidos como "olhos e ouvidos do rei".
Os persas permitiam que os povos dominados mantivessem seus costumes e sua religião, mas exigiam que eles servissem no exército persa e pagassem pesados impostos.
A fim de facilitar a comunicação, o comércio e o deslocamento do exército persa no interior do império, Dario I mandou construir um eficiente sistema de correios e uma rede de estradas. A principal delas era a Estrada Real, que ligava Susa a Sardes, e tinha cerca de 2 600 km de extensão. Para percorrê-la, os corredores reais levavam oito dias a cavalo, sendo cada um deles responsável por um trecho da estrada.
O imperador Dario I mandou também cunhar uma moeda única, o que facilitou enormemente o comércio entre todos os povos sob seu domínio. Entre as muitas mercadorias comercializadas no império havia magníficas peças de artesanato em ouro, prata e pedras preciosas feitas pelos artesãos persas.

Dario I representado como um arqueiro real em moeda de ouro de 550 a.C.-330 a.C.


A religião persa

Os Os persas tinham uma religião antiga que foi reformada por Zoroastro (628-551 a.C.), também chamado de Zaratustra. Para o zoroastrismo, o Universo é palco de uma luta permanente entre bem e mal, verdade e mentira. Por isso se diz que o zoroastrismo é dualista. Sua doutrina está contida no livro sagrado Avesta.
Nessa religião, há um deus supremo, Ahura Mazda, que representa o bem, a luz e é o criador de todas as coisas boas; seu maior adversário é Arimã, que representa o mal, a destruição, as trevas.
O zoroastrismo acredita no julgamento dos mortos e na vida eterna para os justos.


Persas 

Os persas ocupavam o planalto do Irã desde 1500 a.C. Durante séculos, o modo de vida dos persas baseou-se na agricultura e na pecuária.

Expansão imperial 

Em torno de 539 a.C., Ciro II (c. 600 a.C.-530 a.C.), rei da dinastia aquemênida, comandou a expansão persa no Oriente Próximo, iniciando a formação de um grande império. O exército comandado por Ciro venceu o Império Babilônico e pôs fim ao cativeiro dos judeus. Depois, anexou regiões do Crescente Fértil, como a Síria, e estendeu o domínio persa até as fronteiras da Índia. O Império Persa continuou crescendo com o sucessor de Ciro II, o rei Cambises, que derrotou o Egito em 525 a.C.
Foi no reinado de Dario I, porém, que o Império Persa atingiu sua extensão territorial máxima. O exército de Dario (550 a.C.-486 a.C.) invadiu a Ásia Menor e anexou territórios no mar Egeu, ameaçando os interesses comerciais das cidades gregas. O exército dos persas era forte, bem equipado e numeroso. Eles foram os primeiros na história a pagar soldos, ou seja, a remunerar os sol dados, incluindo os voluntários das províncias dominadas.

Administração persa 

O Império Persa se tornou tão grande que foi dividido em satrapias, que eram grandes regiões administrativas. Cada uma delas devia pagar impostos, em prata ou em produtos. Para garantir que suas decisões fossem executadas e para fiscalizar as ações de líderes locais, Dario I nomeava funcionários reais conhecidos como “olhos e ouvidos do rei”. Várias estradas foram construídas como forma de melhorar a comunicação e o transporte de mercadorias entre as diversas regiões do Império Persa. Destaca-se a Estrada Real, que ligava as cidades de Susa e Sardes. A arquitetura era grandiosa, com os palácios reais de Persépolis e Susa exibindo todo o poder dos aquemênidas.

A queda do Império Persa 

Os persas não impuseram seus costumes aos povos conquistados, permitindo que cada um continuasse a praticar sua religião. Entretanto, cobraram altos impostos, o que levou à revolta de muitas províncias no século VI a.C. O maior desafio, porém, ocorreu no estrangeiro. Os persas haviam atacado colônias gregas na parte oriental do mar Mediterrâneo e, em 490 a.C., os gregos reagiram. Com o apoio de Atenas, principal cidade grega, a cidade de Mileto se rebelou contra o domí nio persa. Os gregos ganharam algumas batalhas, os persas outras, mas a vitória final foi dos gregos, em torno de 480 a.C. A derrota enfraqueceu o Império Persa, que, em 330 a.C., foi inva dido pelos macedônios.

Os persas entre o bem e o mal 

O zoroastrismo tornou-se a religião oficial do Império Persa entre os séculos VI a.C. e IV a.C. A palavra zoroastrismo se originou do nome de seu fundador, Zoroastro (ou Zaratustra), homem nascido em meados do século VII a.C. Segundo Zaratustra, havia um deus associado ao bem e à verdade, chamado Ormuz, e um deus associado ao mal e à morte, conhecido como Arimã. Os dois deuses poderiam influenciar a vida das pessoas de acordo com o comportamento de cada uma delas. Alguns estudiosos sugeriram que a religião persa era monoteísta: Ormuz era o deus; Arimã era o diabo. Mas isso não é exato. 
Os persas cultuavam dois deuses principais: um do bem, outro do mal. Seus seguidores acreditavam no fim do mundo e num julgamento final, quando viria um salvador da humanidade. Eles não representavam seus deuses em imagens nem os cultuavam em templos. Por tudo o que estudamos, prevalece a ideia de que os únicos monoteístas do Oriente Próximo eram os hebreus. Moisés renovou a aliança de Abraão com Deus ao libertar os hebreus do cativeiro. Mas Moisés era mesmo hebreu? Há quem duvide, sugerindo que ele era filho do faraó, ou seja, um príncipe do Egito.



Migrações dos hebreus

Nos últimos anos, os conflitos entre israelenses e palestinos na região do Oriente Médio, sobretudo na área denominada Faixa de Gaza, são assunto frequente nos noticiários. Há mais de 60 anos esses povos disputam territórios que ambos consideram seus por direito, pelo fato de terem sido ocupados por seus antepassados. 
De acordo com suas tradições religiosas, os israelenses consideram-se descendentes dos hebreus, povo que na Antiguidade viveu em diversas regiões do Oriente. Foi na Palestina que esse povo se sedentarizou e desenvolveu grande parte de sua cultura. A história e a cultura do povo hebraico estão, portanto, ligadas à sua religião, que deu origem ao atual judaísmo.
Na Antiguidade, os hebreus migraram pelo Oriente em busca de melhores condições de vida. Após serem expulsos da Suméria, iniciaram uma jornada rumo à Palestina, que, de acordo com sua tradição, era a terra que Deus lhes havia prometido. Por quase três séculos eles ocuparam essa região, localizada entre as montanhas da Síria, o Deserto da Arábia, o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. Como o solo palestino era pouco fértil, os hebreus, após enfrentarem um longo período de seca – aproximadamente em 1700 a.C., migraram para áreas próximas ao delta do Rio Nilo, no Egito.

Os hebreus no Egito 

De acordo com a narrativa religiosa tanto da Torá quanto da Bíblia, os he breus migraram para o Egito porque José, filho do patriarca Jacó, foi vendido como escravo pelos irmãos e levado ao Egito. Lá, acusado injustamente de um crime, foi preso e ficou conhecido por interpretar sonhos dos prisioneiros. Enquanto isso, o faraó Apopi I, intrigado em decifrar um sonho que se repe tia todas as noites, soube da fama de José e ordenou que ele interpretasse seu sonho, em que sete vacas magras devoravam sete vacas gordas e permaneciam magras. Segundo José, o sonho era uma previsão de que o Egito viveria sete anos de abundância seguido por igual período de escassez. O faraó ficou tão satisfeito com a interpretação que mandou construir celei ros onde seriam armazenados alimentos suficientes para que seu povo enfrentasse o período de dificuldades. Além disso, libertou José e o transformou em um de seus homens de confiança. A boa condição em que José passou a viver no Egito teria atraído crescente número de hebreus para lá. No entanto, nem sempre a história dos hebreus narrada nos textos bíblicos tem evidência em fontes arqueológicas e em documentos não religiosos. Estudos internacionais recentes, feitos com base nessas fontes, apontam para uma realidade histórica diversa da apresentada em passagens das escrituras religiosas. 
Inicialmente a convivência entre hebreus e egípcios foi pacífica, mas a si tuação modificou-se a partir de 1580 a.C., quando os hebreus passaram a ser perseguidos e escravizados no Egito. 
A escravização dos hebreus pelos egípcios pode ter se iniciado por dois motivos: 
- pelo fato de os hebreus se aliarem aos hicsos, povo que invadira e dominara o Egito entre 1800 a.C. e 1700 a.C.; 
- para conter o aumento da população hebraica, cujo crescimento preocupava o governo egípcio.
Por volta de 1250 a.C., os hebreus se livraram da opressão, fugindo do Egito. Segundo a narrativa religiosa, eles retornaram à Palestina liderados por Moisés. A peregrinação pelo deserto teria dura do 40 anos, durante os quais o povo hebraico se dividiu em várias tribos. Essa passagem da história hebraica é conhecida como Êxodo.

Juízes e reis dos hebreus

Por volta de 1200 a.C., os hebreus chegaram à Palestina, então ocupada pelos filisteus, o que deu início a aproximadamente dois séculos de lutas pela disputa desse território. 
Cada tribo hebraica era governada por um juiz, que desempenhava as funções de chefe militar e religioso. As tribos produziam o necessário à sobrevivência e praticavam principalmente a agricultura e a criação de animais. 
Em 1030 a.C., temendo a derrota para os filisteus, as tribos hebraicas se uniram sob um governo monárquico, cujo primeiro rei foi Saul. As poucas terras férteis que ocupa vam passaram a pertencer a apenas algumas famílias mais poderosas – assim, a maior par te da população hebraica passou a trabalhar em terras que não eram suas.
Na mesma época, comerciantes e funcionários públicos também compunham a sociedade hebraica, formando suas camadas intermediárias. Sob o governo de Davi, sucessor de Saul, os hebreus derrotaram definitivamente os filisteus, e a cidade de Jerusalém tornou-se a capital do reino. No reinado de Salomão, que sucedeu Davi, o reino hebraico alcançou grande desenvolvimento. 
Nesse período, o comércio teve grande impulso, tornando-se fonte de riqueza para o reino; organizou-se a construção de templos, palácios e fortalezas militares (obras públicas financiadas com o aumento dos impostos); e permitiu-se a escravidão por dívidas, o que dificultou a situação das camadas mais pobres da população.

Cisma hebraico

Ainda de acordo com as fontes religiosas, após a morte do rei Salomão, seu filho e sucessor, Roboão, aumentou a já elevada carga de impostos cobrados do povo. O descontentamento popular com essa si tuação provocou revoltas que, em 926 a.C., levaram à divisão do povo hebreu em dois reinos – o de Israel e o de Judá. Essa passagem da história é chamada de Cisma hebraico. 
Em 722 a.C., cerca de dois séculos após sua for mação, o Reino de Israel foi dominado pelos assírios. Com o tempo, os hebreus do Reino de Israel assimilaram a cultura dos povos com que conviveram, abandonando em parte as tradições e os costumes hebraicos.
Os hebreus do Reino de Judá conseguiram evitar o domínio assírio, mantendo sua independência por meio do pagamento de muitos impostos. A partir de então, os hebreus passaram a ser conhecidos como judeus. Judá, em 586 a.C., foi dominada pelos caldeus, povo que formara o II Império Babilônico, e os ju deus foram levados à cidade da Babilônia, onde fica ram prisioneiros por quase 50 anos. 
Em 539 a.C., os persas derrotaram os caldeus e libertaram os judeus da escravidão na Babilônia, permitindo que retornas sem a suas terras, na época sob domínio do Império Persa. Nem todos quiseram sair da Babilônia, por que já estavam estabelecidos como comerciantes. Depois do domínio persa, o território palestino sofreu ainda invasões dos macedônicos e, poste riormente, dos romanos. Estes últimos tomaram Jerusalém em 63 a.C., incorporando a cidade a seu império. 
Os judeus reagiram ao domínio romano com rebeliões; esforçaram-se para manter suas práticas culturais e, dessa forma, impedir que a dominação se estendesse sobre as tradições e os costumes do povo. Em resposta à resistência dos judeus, no ano 70 d.C. o exército roma no destruiu o principal centro religioso judaico, o Templo de Jerusalém, fato que deu início ao processo de diáspora. A partir de então, os judeus migraram para várias partes do mundo; no entanto, não perderam sua identidade cultural.

A cultura hebraica

O legado cultural dos hebreus é especialmente sociocultural religioso. Dispersas em diversas regiões em diferentes momentos da história, as comunidades judaicas uniram-se em torno de suas tradições religiosas, que influenciaram os modos de vida, costumes e valores de seu povo. Alguns de seus rituais e cerimônias religiosas, inclusive, celebram diferentes passagens da história do povo hebraico.
Os hebreus adotaram o monoteísmo, a crença em um único deus, e anunciaram a vinda de um salvador para o povo. A consolidação do monoteísmo entre eles foi um processo longo e recebeu influência das crenças dos povos com os quais mantinham contatos e trocas culturais; é provável que inicialmente cultuassem várias divindades, das quais destacaram uma. Mais tarde, o judaísmo influenciou outras religiões monoteístas, como o cristianismo e o islamismo, fundadas, respectivamente, nos séculos I e VII d.C.

Fontes para o estudo dos hebreus

São três as principais fontes para o estudo dos hebreus.
Uma das fontes é a Torá, livro sagrado do judaísmo. A Torá é composta dos seguintes livros: Bereshit (Gênesis), Shemot (Êxodo), Vaicrá (Levítico), Bamidbar (Números) e Devarim (Deuteronômio). Esses livros também integram a Bíblia, com o nome de Pentateuco.
Para judeus e cristãos, suas bíblias são sagradas, pois foram escritas sob inspiração divina. Já para os historiadores são fontes históricas, a serem usadas para conhecer povos, paisagens e culturas da Antiguidade.
Outra fonte importante para o conhecimento dos hebreus são os vestígios arqueológicos. Alguns episódios narrados na Bíblia não foram comprovados pela Arqueologia e continuam sendo objeto de interesse e debate.
Outra fonte histórica ainda são os relatos antigos, como os do historiador judeu Flávio Josefo (37-100 d.C.). Esse historiador nascido em Jerusalém teve uma vida atribulada; foi soldado e lutou contra a opressão romana. Escreveu e publicou uma obra vasta, entre as quais Antiguidades Judaicas. Seus livros nos ajudam a conhecer o modo de vida de judeus, romanos e primeiros cristãos.

O CÓDICE MENDOZA

Um dos mais conhecidos conjuntos de desenhos e escritos feitos pelos astecas é o Códice  Mendoza, que descreve passagens importantes da história desse povo, como cenas do cotidiano e a organização do Estado.
Originalmente, as narrativas eram contadas apenas com desenhos. Após a conquista, os espanhóis adicionaram textos às ilustrações.

As imagens dessa página do Códice retratam um pai ensinando o filho a realizar algumas atividades do cotidiano asteca antigo.

Identidades em Jerusalém

Jerusalém é a maior cidade de Israel, um território sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos. Suas antigas edificações guardam a memória de diferentes impérios que disputaram a região ao longo de séculos. Hoje, Jerusalém conta com uma população de aproximadamente 944.000 pessoas (dados de 2020). 
Do total de habitantes da cidade, 64% são judeus, 34% são árabes muçulmanos e 2% são formados principalmente de cristãos, muitos deles árabes. Jerusalém está dividida em dois agrupamentos urbanos: a cidade nova, moderna, que cresceu em todas as direções; e a cidade velha, cercada por uma grande muralha. 
No interior dessa muralha estão localizados os monumentos sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos: o Muro das Lamentações (sagrado para judeus), a Igreja do Santo Sepulcro (sagrada para cristãos) e o Domo da Rocha (sagrado para muçulmanos).

Pessoas em feira de rua na Cidade Velha de Jerusalém. Fotografia de 2020.


É possível entender a diversidade em Jerusalém observando o cotidiano de seus habitantes. Os membros de algumas seitas judaicas ultraortodoxas, por exemplo, usam chapéus que identificam aqueles que nasceram e vivem em Jerusalém. Na tradição judaica, cobrir a cabeça é um sinal de devoção a Deus. Mas, em geral, os judeus religiosos ou ortodoxos usam o kipá, nome hebraico do pequeno solidéu tradicional. 
As diferentes denominações cristãs em Jerusalém também se distinguem pelo tipo de chapéu. O chapéu cônico preto, utilizado pelos sacerdotes armênios, que são cristãos ortodoxos, remete ao formato do Monte Ararat, na Armênia, que é sua terra natal. 
Por sua vez, as mulheres muçulmanas cobrem a cabeça com os tradicionais hijabs. Em Jerusalém, os lenços tendem a ser coloridos e alegres, com lantejoulas ou bordados. 
Jerusalém é hoje a capital oficial do Estado de Israel. Mas essa condição não é reconhecida pela maior parte da comunidade internacional. Judeus e palestinos reivindicam o direito histórico sobre a cidade e ainda não há uma solução definitiva para o conflito entre eles.


GUERRA DE TRÓIA

Conflito em que a Grécia antiga teria derrotado a cidade de Tróia, localizada na Ásia Menor, no séc. XIII a.C., valendo-se de um estratagema...