quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

América do Norte: população e diversidade cultural

A distribuição da população da América do Norte é bastante desigual no território. As cadeias montanhosas que dominam a porção oeste da América do Norte e os climas frio e polar encontrados no Alasca, em grande parte do Canadá e na Groenlândia fazem com que a ocupação dessas regiões seja esparsa, com baixíssima densidade demográfica.
Já no vale do rio São Lourenço, na região dos Grandes Lagos, no nordeste e no litoral sudoeste dos Estados Unidos, bem como no planalto Mexicano, há elevada densidade demográfica, com a presença de grandes aglomerações urbanas.
O Canadá é o segundo maior país do mundo em extensão territorial, mas, como sua população é relativamente pequena, sua densidade demográfica é baixa. O mesmo não se aplica aos Estados Unidos: o país ocupa a quarta posição mundial em extensão territorial (quando se consideram as terras descontínuas, como o território do Alasca e o do Havaí), mas também é a terceira maior população do planeta.
A população dos Estados Unidos se concentra sobretudo na região nordeste do país, banhada pelo oceano Atlântico, por onde começou a colonização do território e principalmente o processo de industrialização.

Grandes cidades da América do Norte 


A taxa de urbanização é muito elevada nos países da América do Norte. O México, o menos urbanizado dos três, concentrava 80,2% de sua população em cidades. No Canadá a taxa de urbanização era de 81,4% e nos Estados Unidos, o mais urbanizado dos três, era de 82,3%. O número de grandes cidades é elevado no subcontinente.
As primeiras megalópoles do mundo se formaram nos Estados Unidos. Há conurbação de várias aglomerações urbanas, com destaque para Boston/Nova York/Washington, D. C. (BosWash), Chicago/ Detroit/Pittsburgh (ChiPitts), São Francisco/Los Angeles/San Diego (SanSan), nos Estados Unidos; Cidade do México/Guadalajara, no México; e Toronto/ Montreal, no Canadá.
As grandes aglomerações urbanas da América do Norte apresentam muitos problemas, especialmente as grandes cidades mexicanas, com destaque para a Cidade do México.
Um dos problemas urbanos mais graves do México é a carência de habitações adequadas: 11% da população do país vive em assentamentos precários, como favelas.
Nos Estados Unidos não há favelas, mas há pessoas morando em cortiços em áreas degradadas das grandes cidades e mesmo nas ruas. A maior parte dessas pessoas não mora propriamente nas ruas: à noite vai para abrigos públicos. Embora em menor quantidade, as grandes aglomerações urbanas canadenses também têm moradores de rua.
Outro problema que muitas grandes cidades dos Estados Unidos enfrentam é a decadência econômica, com todas as consequências sociais decorrentes, como desemprego, degradação das habitações e aumento da violência urbana. O maior exemplo disso aconteceu em Detroit (estado de Michigan), que na década de 1950 foi o maior centro mundial da indústria automotiva. A partir do final dos anos 1970 a cidade sofreu um processo de degradação urbana porque muitas fábricas de veículos e autopeças fecharam e se transferiram para outras regiões dos Estados Unidos e até mesmo para outros países. Isso gerou muito desemprego, migração e forte queda no preço dos imóveis.

Indicadores sociais da população norte-americana


Apesar de terem o mesmo IDH, os Estados Unidos são mais ricos que o Canadá, considerando a renda per capita, o que indica uma economia mais dinâmica e produtiva. No entanto, a distribuição da renda canadense é mais equilibrada, como aponta o índice de Gini.
O México apresenta IDH elevado, situando-se no ranking do Pnud próximo a outros países emergentes, como o Brasil. Um dos maiores problemas do México, além de a produtividade econômica ser relativamente mais baixa, o que se reflete numa renda per capita bem inferior à dos vizinhos desenvolvidos, é a grande concentração da riqueza e um índice de pobreza ainda muito elevado.
A desigualdade de rendimento e as menores oportunidades de emprego no país ainda impulsionam a migração de mexicanos para os Estados Unidos. Quando o México passou a integrar o Nafta, houve uma grande expectativa com relação à dinamização de sua economia, o que poderia diminuir o fluxo de migrantes em busca de melhores condições de vida e de trabalho nos Estados Unidos, mas isso acabou não ocorrendo. 
O Canadá apresenta baixa taxa de natalidade e elevada expectativa de vida. A tendência é que a proporção de idosos na população total aumente nos próximos anos.
É por isso que o Canadá promove políticas de incentivo ao ingresso de imigrantes. O objetivo é suprir a necessidade de mão de obra. Entretanto, a entrada de imigrantes é controlada pelo governo, que seleciona os países de origem, a profissão e a idade dos migrantes. Quando falta mão de obra em algum setor, o governo divulga uma lista de profissões e as pessoas com formação compatível podem se inscrever como candidatas à imigração.
Nos Estados Unidos os indicadores de desenvolvimento também são mui to elevados, mas, como vimos, diferentemente do Canadá, há grande desigualdade social e um alto índice de pobreza para um país desenvolvido, inclusive em regiões industriais degradadas pelo fechamento de fábricas. Tal característica contribuiu para a eleição de Donald Trump, com um programa de governo nacionalista e xenófobo.
No México, além da concentração de renda, o maior problema é o elevado contingente de pobreza da população. Como vimos, mais de 11% da população mexicana vive abaixo da linha internacional de pobreza. Enquanto nos Estados Unidos a pobreza atinge mais a população afrodescendente, no México ela atinge mais a população indígena, sobretudo nos estados do sul do país, como Chiapas e Oaxaca.
Assim como acontece em vários outros países latino-americanos, os indica dores sociais do México têm melhorado nas últimas décadas, mas ainda estão em nível bem inferior aos dos países desenvolvidos vizinhos. Como veremos no texto a seguir, isso estimula a emigração de mexicanos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, faz crescer a xenofobia.

Composição étnica da população


A composição étnica da população do Canadá, do México e dos Estados Unidos é bem diversificada, como veremos a seguir. Em proporções diferentes, em todas elas há a contribuição dos indígenas nativos, dos europeus, dos africanos e dos asiáticos.

A população do Canadá


A população canadense é formada por diferentes grupos etnoculturais. Dois deles são majoritários: os anglo-canadenses, que representam cerca de 44% dos habitantes, e os franco-canadenses, que somam cerca de 29% da população total. Há também imigrantes e descendentes de outros grupos europeus e asiáticos, além de indígenas e inuítes (os dois últimos chamados de Primeiras Nações, por serem descendentes dos primeiros habitantes do atual território canadense).
A maioria dos cidadãos canadenses descende de colonizadores britânicos e franceses. Essa ascendência predominantemente anglo-francesa explica a existência desses dois idiomas oficiais no país.  Em 1969, após muitos anos de reivindicação e pressão por parte dos cidadãos de origem francesa e do governo provincial, o francês passou a ser a língua oficial na província de Quebec, onde mais de 80% da população tem ascendência francesa.
A população canadense é muito diversa do ponto de vista étnico. E tem ficado mais diversificada ainda com a chegada de novos imigrantes.
Os canadenses de origem francesa se concentram na província de Quebec, e os de origem britânica, na província de Ontário. Juntas, Quebec e Ontário reúnem mais da metade da população canadense.
Em função das rivalidades históricas e de diferenças culturais e econômicas entre anglo-canadenses e franco-canadenses, em parte da população da província de Quebec existe um forte movimento separatista que quer transformá-la num país independente. Entretanto, no último plebiscito sobre a questão, ocorrido em 1995, aqueles contrários à se cessão venceram por uma pequena diferença.
Dentre as 250 etnias canadenses, uma, embora muito minoritária, se destaca por ser conhecida e influente. No norte do Canadá vivem os inuítes (esquimós), nação indígena adaptada aos rigores climáticos da região. Em 1999, o governo canadense lhes concedeu o Território de Nunavut, que abrange 20% da área do país, onde eles têm autonomia administrativa. Desse modo, podem preservar sua cultura e seu modo de vida.
A população e as principais cidades canadenses concentram-se no Vale do Rio São Lourenço e no sul do território, em uma estreita faixa de 160 quilômetros junto à fronteira com os Estados Unidos ou em áreas não distantes dela, nas quais o clima é mais favorável à ocupação humana.
Apesar da distribuição irregular da população e das grandes distâncias entre as aglomerações humanas no território canadense, seu eficiente sistema de transporte facilita o intercâmbio entre as províncias.

A população do México


No México, a maioria da população é composta de des cendentes da miscigenação de espanhóis e indígenas, como mostra o gráfico ao lado, e está concentrada na região do planalto Mexicano, onde ficam as maiores aglomerações urbanas do país. As maiores cidades mexicanas são: Cidade do México, Guadalajara, Monterrey, Puebla e Tijuana.
Na população do país há um grande percentual de in dígenas, que se concentram nos estados ao sul, principal mente em Oaxaca, Chiapas e Yucatán. É por isso que 7% da população, além do idioma oficial (espanhol), fala algu ma das 72 línguas indígenas existentes no país, com des taque para náhuatl, maya e tseital.
No sul do México, região mais pobre do país, predominam atividades agro pecuárias de subsistência. Nela existe um movimento camponês de defesa dos direitos dos povos indígenas inspirado nos ideais de Emiliano Zapata, que foi um camponês mestiço, como a maior parte da população mexicana, e liderou a luta por terra e liberdade para a população pobre. Acabou se tornando o principal líder da Revolução Mexicana de 1910, cujo objetivo era combater a ditadura de Porfírio Diaz (1884-1911) e lutar pela reforma agrária no país.

A população dos Estados Unidos


Os Estados Unidos receberam muitos imigrantes de di versos países desde o início de sua colonização. De 1850 a 2015 cerca de 80 milhões de estrangeiros se fixaram no país. Portanto, a população estadunidense é diversificada do ponto de vista étnico.
Ao longo do período em que o atual país foi uma colônia inglesa (século XVII e parte do XVIII), houve a imigração de europeus, com grande destaque para os britânicos, e a imigração forçada de africanos escravizados. Esses povos promoveram a ocupação do território e contribuíram para a formação da população do país. É importante destacar que esse povoamento provocou o genocídio dos povos indígenas.
O sul do território dos atuais Estados Unidos foi colonizado pelos espanhóis. Posteriormente, os britânicos, que fugiam da perseguição religiosa em seu país, conquistaram as terras localizadas a nordeste. Ao longo do século XIX e da primeira metade do século XX, também chegaram imi grantes da Irlanda, da Alemanha, da Itália, dos Países Baixos e de vários outros países da Europa.
A imigração forçada de africanos teve início no século XVII e terminou em 1863, quando a escravidão foi abolida. Hoje a maior concentração de população afrodescendente está nas regiões em que foi utilizada mão de obra escravizada durante a colonização.
Nos Estados Unidos, até 1964 os afro-americanos não gozavam dos mesmos direitos assegurados aos brancos. Em muitos estados, além de sofrerem com a segregação nos espaços públicos, semelhante ao que acontecia na África do Sul (reveja o assunto na página 117), eles nem sequer tinham direito de votar e ser votados, não sendo, portanto, considerados cidadãos plenos.
Desde os movimentos pelos direitos civis nos anos 1960, sob a liderança de Martin Luther King (1954-1968), prêmio Nobel da Paz em 1964, muita coisa mudou. Em 1964 foi aprovada a Lei dos Direitos Civis, a segregação nos espaços públicos foi abolida e a partir de então os afro-americanos são cidadãos com todos os direitos assegurados.
No entanto, atualmente continuam sofrendo com a discriminação e a violência policial – principalmente os homens jovens de bairros pobres. Após a morte de vários jovens afro-americanos, em 2013 ativistas organizaram o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a recuperação econômica e o aumento do desenvolvimento humano na Europa, houve uma mudança na corrente de imigração para os Estados Unidos. A partir da segunda metade do século XX passou a predominar a entrada de latino-americanos oriundos de diversos países, seguidos de imigrantes provenientes da China, da Índia, do Vietnã e de outros países asiáticos, além de países da África (tradicionalmente os africanos emigram mais para a Europa, onde estão as ex-metrópoles). Todos esses migrantes têm algo em comum: buscam novas oportunidades e melhores condições de vida nos Estados Unidos.
De acordo com o Yearbook of Immigration Statistics 2015, somente no período de 1990 a 2015 cerca de 26 milhões de imigrantes se fixaram nos Estados Unidos – considerando apenas os que entraram legalmente e obtiveram visto de permanência. Dessa onda mais recente de imigração a maioria é de origem latina: pessoas oriundas do México e de países da América Central e do Sul. Segundo o U. S. Census Bureau (órgão que faz o recenseamento nos Estados Unidos), quase 18% da população do país já é de origem hispânica. Muitos dos migrantes latinos entram de forma clandestina, inclusive brasileiros, correndo risco de perder a vida ao tentar pular o muro que separa o México dos Estados Unidos em parte da fronteira seca ou tentando atravessar a nado o rio Grande.


América do Norte: aspectos físicos e ambientais

A América do Norte tem 24 milhões de km2, o que corresponde a 16% das terras emersas do planeta.
O Canadá e os Estados Unidos são países desenvolvidos e compõem a América Anglo-Saxônica; o México faz parte do grupo de países emergentes e pertence à América Latina. Entretanto, desde 1994 a economia mexicana tem se integrado às outras duas por meio do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, sigla em inglês), especialmente à dos Estados Unidos, que, de longe, é a maior das três. A América do Norte tem ainda três territórios: Groenlândia (Dinamarca), Bermudas (Reino Unido) e Saint-Pierre e Miquelon (França).

Relevo


Na América do Norte existem três grandes compartimentos de relevo: a oeste, grandes cadeias montanhosas, formadas por dobramentos recentes; no centro, planícies, de estrutura geológica sedimentar; e, a leste, os montes e as serras, formados por escudos cristalinos antigos.
Toda a extensão norte-sul do subcontinente norte-americano, banhada pelo oceano Pacífico, caracteriza-se pela presença de grandes cadeias montanhosas, que formam duas cordilheiras paralelas.
Nos Estados Unidos, a cadeia da Costa e as montanhas Rochosas se dividem, com a consequente formação de planaltos e bacias interiores, como a do rio Colorado, onde se encontra o Grand Canyon. No México, a serra Madre se divide em dois grandes eixos: serra Madre Ocidental e serra Madre Oriental. O planalto Mexicano se localiza entre elas e é caracterizado por extensas superfícies planas em altitudes elevadas. Foi no planalto, onde fica a capital mexicana, que se desenvolveu o Império Asteca. Mais ao sul há a serra Madre do Sul.
Essas cadeias montanhosas da porção oeste do continente se formaram pela movimentação de duas placas tectônicas: a Placa do Pacífico e a Placa Norte-Americana. As placas que atuam na América do Norte deslizam lateral mente, formando falhas geológicas. Esses movimentos de placas tectônicas tornam a região muito propensa à ocorrência de terremotos (como já vimos na América Central e do Sul), e deram origem à falha de San Andreas, que atravessa a Califórnia de norte a sul.
Na parte central do subcontinente predominam as planícies com altitudes inferiores a 600 metros, muito utilizadas para a agropecuária. Na porção leste estão o planalto Laurenciano e os montes Apalaches, cujas altitudes são um pouco mais elevadas.

Hidrografia


Embora algumas regiões da América do Norte sejam desérticas e se miáridas, esse subcontinente apresen ta grande disponibilidade hídrica. O rio mais longo do México é o rio Grande, que nasce nas montanhas Rochosas e limita boa parte da fronteira do país com os Estados Unidos. Por essa razão, muitos imigrantes clandestinos tentam atravessá-lo para chegar aos Estados Unidos.
No Canadá, destaca-se o rio Mackenzie e os numerosos lagos de origem glacial, que se formaram pelo recuo das geleiras, ocorrido há milhares de anos. Dentre eles, destaca-se o conjunto de cinco lagos chamado Grandes Lagos, na fronteira com os Estados Unidos.
O rio São Lourenço é um importante rio da região de fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Em seu vale desenvolveu-se uma grande concentração urbana e industrial. Graças à construção de diversas eclusas, os Grandes Lagos e o rio São Lourenço são inteiramente navegáveis e, portanto, importantes para a economia do Canadá e dos Estados Unidos por possibilitarem o escoamento da produção de minério de ferro, carvão, produtos agrícolas e bens industriais.
Na porção oeste da América do Norte, onde estão as cadeias montanhosas, destaca-se o rio Colorado. Ele atravessa uma extensa bacia sedimentar, que ao longo de milhões de anos foi sendo erodida em seu vale e formou o Grand Canyon.
O rio Mississípi atravessa a planície central dos Estados Unidos, e sua bacia hidrográfica banha um terço do território do país. Ele nasce nas proximidades dos Grandes Lagos e corre para o sul, em direção ao golfo do México. É um rio quase inteiramente navegável e seus principais afluentes são o Missouri e o Ohio. Juntos, esses rios formam uma das maiores redes hidroviárias do mundo.
Em diversos rios da América do Norte, em trechos montanhosos e planálticos, o potencial hidráulico é aproveitado para a produção de energia hidrelétrica. A barragem Grand Coulee, no rio Columbia, abastece a maior hidrelétrica dos Estados Unidos e a sexta do planeta.

Clima


Na América do Norte há grande diversidade de climas. Isso se explica principalmente pela grande extensão latitudinal, mas também pela grande variação de altitudes e a ação de correntes marítimas.
A maior parte do continente localiza-se na zona temperada do planeta, mas, ao sul, par te do território mexicano está na zona tropical e, ao norte, parte do território canadense está na zona polar. Isso explica, em parte, a grande variedade de climas, que vão do equatorial e tropical ao temperado frio e polar. Nas altas cordilheiras do oeste predomina o clima frio de montanha, mesmo na zona tropical. Nesse caso o fator mais importante que influencia o clima é a altitude.
Além da latitude e da altitude, outro fator climático importante na América do Norte são as correntes marítimas. A corrente do Golfo, quente, ameniza as temperaturas da costa leste da América do Norte tanto no verão como no inverno. O mesmo ocorre no noroeste e no sudoeste do subcontinente, pois ali chegam as correntes quentes do Pacífico Norte e a Norte Equatorial, respectivamente. Já a corrente fria da Califórnia torna os invernos mais rigorosos na porção oes te da América do Norte, sobretudo nos Estados Unidos. O mesmo ocorre no nordeste do Canadá, por influência da corrente fria de Labrador.
As águas quentes do mar do Caribe, onde circula a corrente quente das Guianas, apresentam condições favoráveis para o sur gimento e o desenvolvimento de tempestades tropicais, algumas das quais evoluem para furacões como o Irma – um grande furacão que atingiu os Estados Unidos e o Caribe em 2017.
São cada vez mais fortes os indícios de que o aque cimento da atmosfera terrestre tem provocado mudanças climáticas capazes de potencializar os furacões em quantidade e intensidade. Outro fenômeno atmos férico comum nos Estados Unidos são os tornados, que se formam em condições especiais, em um ambiente de tempestade muito forte. Eles se originam de ventos rápidos e com temperaturas diferentes que sopram em sentidos opostos.

Mudanças climáticas


Diversas pesquisas, entre as quais se destacam as sintetizadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), têm alertado para a elevação da temperatura média da atmosfera do planeta, e há cada vez mais indícios de que isso está causando mudanças climáticas e desequilíbrio na circulação atmosférica planetária. A temperatura média do planeta vem aumentando gradativamente desde o início da Revolução Industrial (final do século XVIII), como resultado do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
Preocupados com isso, 195 países assinaram em dezembro de 2015, duran te a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, o Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento da atmosfera terrestre. Esse acordo prevê que os países devem se empenhar para que o aquecimento fique abaixo de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, buscando não superar 1,5 ºC até 2100 (em 2018 a temperatura média do planeta já era 1 ºC mais alta em relação ao início da Revolução Industrial). Todos os países da ONU se comprometeram com essas metas; no entanto, Donald Trump, após ser eleito presidente dos Estados Unidos (o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, só atrás da China), retirou o país do acordo em 2017.

Vegetação


Apesar da destruição ao longo da história, as florestas ainda cobrem qua se metade do território canadense, cerca de um terço do território estaduni dense e um quarto do mexicano. A maior em extensão é a Floresta Boreal ou Floresta de Coníferas (também conhecida como Taiga canadense).
Nos Estados Unidos se destaca a Floresta Temperada e, no México, a Floresta Tropical. No entanto, sobretudo essas duas formações foram bastante devastadas para a utilização da madeira e a expansão de atividades agrícolas. Grande parte do que restou é floresta secundária (que renasce após o corte), e também há grandes extensões de plantio (silvicultura) para a produção de matéria-prima para a indústria de papel, móveis e construção civil.
Na América do Norte há outras formações vegetais que também foram bastante destruídas pela ação humana, como as Pradarias, substituídas pela agricultura e pecuária. Outras continuam mais preservadas, como a Tundra e a Taiga. Há muitas formações vegetais próximo à região dos Grandes Lagos que sofrem com a poluição causada pela grande concentração de indústrias na região. Observe no mapa abaixo a distribuição da vegetação original da América do Norte.



Economia da América Central

A América Central pode ser dividida em duas partes: continental e insular. Formada por um istmo que liga a América do Norte à América do Sul, na porção continental estão Belize, Guatemala, Honduras, Costa Rica, Panamá, Nicarágua e El Salvador. A porção insular é composta de um conjunto de países distribuídos pelo Mar do Caribe, entre eles Jamaica, Bahamas e Haiti. 
A parte continental tem uma população de aproximadamente 50 milhões de habitantes, com destaque para Guatemala e Honduras, os países mais populosos. Muitas cidades seguem o padrão dos países em desenvolvimento, com deficiências principalmente nos serviços de saneamento básico, saúde e educação.
Os países da América Central insular são pequenos e pouco populosos, com destaque para Cuba, o mais extenso e o que tem a população mais numerosa da região.
De forma geral, há grande desigualdade social e econômica na maioria desses países. Eles são muito dependentes economicamente dos países do norte, sobretudo dos Estados Unidos, além de haver uma desestruturação política e social originada no passado, com a colonização de exploração.
A economia dos países da América Central é dependente da atividade agrícola, em geral, com baixa mecanização. A agricultura é feita, em boa parte, pelo sistema de plantation. Há muitas empresas estrangeiras que controlam essa atividade. Destaca-se o cultivo de café, cacau, cana-de-açúcar, abacaxi, banana e algodão, produtos típicos de países tropicais.

Distribuição das atividades econômicas


Assim como a política, historicamente a economia da América Central foi influenciada pelos Estados Unidos, característica que se mantém até hoje. A situação econômica dos países centro-americanos varia bastante – tanto na produção de riqueza e sua distribuição como no emprego de mão de obra por setor de atividade econômica.
Embora as atividades econômicas dos países centro-americanos sejam variadas, em alguns deles a agricultura ainda tem um peso muito grande, como na Guatemala, na Nicarágua, em Honduras e no Haiti, onde predominam as produções de bananas e outras frutas tropicais, além de cana-de-açúcar, café, algodão, tabaco, silvicultura e da agricultura de subsistência. Essa tradição vem desde o período colonial, quando essa produção era destinada à exportação para a Europa.
Após a independência dos países da América Central, muitas empresas estadunidenses se instalaram na região, passaram a comprar terras ou recebê-las em troca da construção de ferrovias e portos (para beneficiar seus próprios interesses) e a ampliar a produção de frutas tropicais para exportação. A mais poderosa de todas foi a United Fruit Company, que chegou a ser a maior produtora de bananas do mundo, com plantações em sete países: Colômbia, Costa Rica, Cuba, Jamaica, Nicarágua, Panamá e República Dominica.
Em Cuba, destaca-se a produção de cana-de-açúcar e tabaco – o açúcar e o charuto são produtos cubanos tradicionais de exportação. Embora o açúcar ainda tenha um peso muito grande nas exportações de Cuba, em 2016 o maior produtor de cana-de-açúcar da região foi a Guatemala, com 33,5 milhões de toneladas. Cuba vem a seguir com 18,9 milhões de toneladas (para comparação: o Brasil, maior produtor mundial, colheu 769 milhões de toneladas).
A produção de banana, antes muito concentrada na região, se espalhou por diversos países e hoje o maior produtor da região, a Guatemala, é apenas o 8o do mundo, com 3,8 milhões de toneladas (o maior produtor mundial é a Índia, com 29 milhões de toneladas).
Poucos países do subcontinente exploram recursos minerais, pois são escassos. No entanto, a bauxita é um dos principais produtos da economia jamaicana. Em 2016, o país foi o sexto produtor com uma participação de 3,2% do total mundial. Há também pequena produção de petróleo em Trinidad e Tobago e Cuba. Em 2016, eles extraíram, respectivamente, 71,9 mil barris/dia e 45,6 mil barris/dia.
As poucas indústrias existentes na América Central começaram a ser insta ladas somente na segunda metade do século XX. Predominam indústrias leves, como processadoras de alimentos, fábricas de bebidas, vestuário e açúcar, mas há algumas indústrias pesadas, como de produção de aço e cimento e de refino de petróleo, principalmente em Cuba e em Trinidad e Tobago.

A importância dos serviços


As atividades terciárias (comércio e serviços) são as que mais contribuem para o PIB dos países da América Central, e também as que mais utilizam mão de obra.
De todas as atividades terciárias desenvolvidas na América Central, o turismo internacional merece destaque. Na região continental, o destaque é o turismo histórico, principalmente em Belize, Guatemala e Panamá, devido à existência do Canal. Na região insular, o destaque é o turismo balneário, como na República Dominicana, Martinica e Guadalupe. 
Em vários países centro-americanos essa atividade é uma importante fonte de renda e de geração de empregos. Em 2016, todos os países da região somados receberam 25 milhões de turistas, que gastaram cerca de 30 bilhões de dólares.
Os gastos dos visitantes em alguns países da América Central. A maioria dos turistas provém dos Estados Unidos e, em geral, escolhem Bahamas, Costa Rica e Panamá como destino – eles têm dificuldade para visitar Cuba em virtude das restrições impostas pelo governo Trump. Os países da América Central atraem também muitos canadenses, mexicanos, sul-americanos, europeus e asiáticos.
A organização do turismo envolve ampla infraestrutura nos setores de transportes (aeroportos, rodovias, portos, empresas de navegação e cruzeiros marítimos, deslocamento terrestre em ônibus e vans), hotelaria, restaurantes, cassinos, guias turísticos, venda de artesanato, entre outras atividades.
Grande parte dos investimentos necessários ao desenvolvimento do turismo é realizada por empresas de países desenvolvidos. 
Grupos espanhóis e canadenses atuam em Cuba; empresas estadunidenses, inglesas, francesas e holandesas estão presentes na Jamaica, em Costa Rica, nas Bahamas e nas Pequenas Antilhas. Essas em presas constroem luxuosos resorts, hotéis, cassinos e restaurantes, além de financiar a construção de portos, aeroportos, rodovias, entre outras obras.

Finanças: paraísos fiscais


Outro destaque da América Central são os paraísos fiscais, que englobam diversas atividades de prestação de serviços financeiros. Os principais são: Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Panamá, Costa Rica, Bahamas e Barba dos. As autoridades desses países ou protetorados facilitam a constituição de empresas por estrangeiros, conhecidas como empresas offshore, que se apro veitam da isenção de impostos, do sigilo bancário e societário, das facilidades burocráticas e da livre circulação de capital. Por isso, são muito procurados por empresas ou pessoas que querem deixar seu dinheiro aplicado pagando impostos menores do que os cobrados em seus países de origem.
A operação é permitida por lei. No entanto, os paraísos fiscais também são usados para ocultação e “lavagem” de dinheiro proveniente de atividades ilegais, como tráfico de drogas e de armas, corrupção e desvio de dinheiro público.
Para combater as atividades ilegais, muitos países têm pressionado os governantes de territórios que são considerados paraísos fiscais para que coo perem com as ações contra a sonegação de impostos, a corrupção e a “lava gem” de dinheiro. A imprensa também tem papel importante na investigação e divulgação de casos de uso ilícito de paraísos fiscais, como no que ficou conhecida como Panama Papers.

Blocos econômicos regionais


A integração econômica dos países centro-americanos já é antiga, se com parada à de outros blocos da América. No subcontinente existem dois blocos, ambos criados para facilitar a integração econômica e as trocas comerciais entre os membros e com outros países. Observe no mapa os países que inte gram o Mercado Comum Centro-Americano e a Comunidade do Caribe.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA)


O MCCA é o maior e o mais antigo bloco centro-americano. É formado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Criado em 1961, com a assinatura do Tratado de Integração Centro-Americana, tem como objetivo facilitar o comércio entre seus países-membros. Embora exista a pretensão de avançar para o estágio de mercado comum (como o próprio nome dos blocos indica), na prática, o MCCA ainda funciona como uma zona de livre-comércio.

Comunidade do Caribe 


A Caricom (a sigla vem do inglês Caribbean Community) foi criada em 1973. É um bloco de cooperação econômica e política formado por 15 países da região insular da América Central, conforme mostra o mapa acima. É um bloco muito pequeno com uma população de apenas 16 milhões de habitantes. Se a participação das economias da América Central (continental e insular) no PIB da América Latina já é pequena, a participação do Caricom é menor ainda.




América Central: História e população

A América Central foi marcada pelo domínio europeu durante o período de colonização: a maioria dos países dessa região foi colonizada pela Espanha, como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, República Dominicana e Porto Rico. Além disso, o Reino Unido colonizou Belize, Jamaica e Trinidad e Tobago; e a França, o Haiti. As várias ilhas das Pequenas Antilhas foram colonizadas por França, Reino Unido e Países Baixos.
No entanto, após o processo de descolonização, que ocorreu no século XIX, os países da região passaram a sofrer influência do imperialismo estadu nidense. Esse processo, diferentemente da colonização europeia, não se pau tava pelo domínio territorial direto, mas por intervenções pontuais para garan tir que no poder dos países da América Central ístmica e nas principais ilhas do Caribe sempre estivessem no poder governantes alinhados com os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos.
Cuba, por exemplo, rompeu influência do domínio espanhol em 1898. No entanto, já em 1901 os Estados Unidos intervieram pela primeira vez na ilha caribenha, prática que se estendeu até 1934, quando se consolidou no poder o sargento Fulgêncio Batista, um ditador aliado aos Estados Unidos.
Batista só foi deposto por ocasião da Revolução Cubana, em 1959, o que contrariou os interesses dos Estados Unidos. Desse modo, no contexto do mundo bipolar da Guerra Fria, Cuba alinhou-se com a União Soviética, implan tando uma ditadura de partido único – o Partido Comunista de Cuba – e uma economia planificada como vimos no capítulo 12. Como retaliação, em 1962 os Estados Unidos expulsaram o país da OEA e lhe impuseram um embargo econômico que se estende até os dias de hoje.

Composição étnica da população


Nos países da porção continental da América Central, a população é majoritariamente descendente de europeus e de indígenas. Há uma predominân cia de mestiços fruto da miscigenação de europeus, notadamente espanhóis, com etnias nativas, como os maias.
Já no Caribe, onde foi instalada a plantation com uso de mão de obra es cravizada durante o período colonial, há maior presença de afrodescendentes, sendo maioria em alguns países, seguidos de mestiços de brancos com negros.

Distribuição da população


A maior concentração populacional está no norte da porção continental, com destaque para a Guatemala e Honduras, e nas maiores ilhas do Caribe, como na ilha de Cuba e na ilha de São Domingos, dividida entre o Haiti e a República Dominicana.
As regiões mais povoadas da América Central se localizam na faixa oeste da porção continental, pois, entre outros motivos, nessa área os solos vulcânicos são mais férteis, o que favorece a prática da agricultura.
A taxa de urbanização da América Central é relativamente alta. Em média 71,3% dos habitantes dos países da porção caribenha vivem em cidades; nos países da porção continental a taxa é ainda mais alta: 74,7%.
Apesar de os países da América Central terem altas taxas de urbanização. As populações são pequenas e não há nenhuma megacidade no subcontinente.

Indicadores sociais da América Central


Assim como os demais países latino-americanos, os países da América Cen tral apresentam elevada desigualdade social. Em cada país há um pequeno grupo social que concentra a maior parte da renda nacional e uma classe média reduzida, enquanto a maior parte da população recebe baixos salários ou está desempregada. A população marginalizada enfrenta diversos problemas, como moradias precárias, subnutrição, ineficiência dos serviços públicos de saúde e educação, entre outras dificuldades. 
Além disso, sobretudo nos países do chamado Triângulo Norte da América Central (Honduras, Guatemala e El Salvador), a violência provocada pela ação de gangues urbanas e de grupos de traficantes de drogas é uma das mais altas do mundo. Tudo isso explica o grande número de pessoas que emigram para o México e principalmente para os Estados Unidos.
Os indicadores que compõem o Índice de De senvolvimento Humano (IDH) de alguns países da América Central. Neste sub continente não há nenhum país no grupo de IDH muito elevado; a maioria deles apresenta IDH elevado e apenas um, o Haiti, IDH baixo.

Desigualdade social e pobreza 


A partir da década de 1990, assim como ocorreu no restante da América Latina, os indicadores sociais da América Central melhoraram e a maioria deles já tem IDH elevado. Porém, a renda nacional permanece muito concentrada e a taxa de pobreza ainda é elevada, principalmente entre a população indígena e a afrodescendente. 
A acentuada desigualdade social é um dos fatores que mais contribuem para a América Latina ser a região mais violenta do mundo. A violência atinge toda a sociedade, mas principalmente a população mais pobre, sobretudo os homens mais jovens e as mulheres. 
Porém, há grande disparidade entre os países. A Costa Rica é o país que apresenta o menor índice de pobreza entre a população e o Haiti é o país com o maior índice. 

O caso do Haiti 


Em 2004, após a queda do presidente Jean Bertrand Aristide, o Haiti vivia uma situação que beirava a guerra civil e apresentava altos índices de violência, sobretudo na capital, Porto Príncipe, que estava dominada por gangues. Nesse ano, para tentar controlar a caótica situação política do país, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a formação da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, sigla em inglês). 
Essa força de paz da ONU foi comandada desde o início por um general do Exército brasileiro e contava com muitos soldados brasileiros (ao longo de 13 anos 37,5 mil soldados de nosso país passaram pelo Haiti) e também de outras nacionalidades. Os soldados estiveram empenhados em conter a vio lência, em ajudar na reconstrução do país e dar assistência básica à população: alimentação para crianças, vacinas, etc. 
Em 2017, depois de cumprir sua missão, a Minustah foi encerrada. Nesse mesmo ano o Conselho de Segurança auto rizou a criação da Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth, sigla em inglês). Diferente da anterior, a Minujusth é composta de um pequeno grupo de civis e oficiais de polícia que tem o objetivo de ajudar o governo do Haiti a implantar a Polícia Nacional e fortalecer as instituições legais do país, visando tornar mais seguro o cotidiano da população e garantir o respeito aos direitos humanos.
Único país com baixo IDH em todo o continente americano, seu povo tem condições de vida muito precárias. Segundo o Relatório de 2018 do Banco Mundial, 48% da população vivia na pobreza, e 23,5% na extrema pobreza (com menos de 1,90 dólar por dia). Todas essas dificuldades explicam o grande fluxo de haitianos que emigram em busca de melhores condições de vida, muitos dos quais vieram para o Brasil.
Todos esses fatores agravados pelas catástrofes naturais que atingem o Haiti, como terremotos e furacões, fazem do país o mais pobre de todo o continente americano.

O caso de Cuba 


Antes da Revolução Cubana (1953-1959), a economia desse país baseava-se na monocultura de cana-de-açúcar e frutas tropicais, além do turismo de en tretenimento. Após a revolução e a aproximação com a União Soviética, os meios de produção foram estatizados e terras foram distribuídas para usufruto dos camponeses. O acesso à saúde e à educação foi garantido e, com isso, a partir da década de 1960 houve grande melhoria nas condições de vida da população. 
Nessa época, o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não impactava tanto Cuba, porque a União Soviética fornecia ajuda econômica e petróleo barato ao país. Porém, com o fim da superpotência socialista, em 1991, a economia cubana entrou em colapso, devido ao baixo dinamismo da econo mia planificada e à dependência da atividade açucareira.
O IDH de Cuba se mantém elevado porque o país tem boas condições de saúde e educação: de acordo com o Banco Mundial, em 2015, 100% dos adul tos eram alfabetizados e, como vimos, segundo o relatório do Pnud, a expec tativa de vida era de quase 80 anos. Porém, há carência de bens de consumo, como alimentos e material de limpeza, e a renda da população é muito baixa, o que torna a capacidade de compra limitada. 
A estagnação da renda per capita foi a responsável pela redução do IDH de Cuba a partir de 2010 e pela perda de posições no ranking do Pnud (entre 2010 e 2015, o país perdeu 12 posições). No início daquela década o país centro-a mericano chegou a apresentar o IDH mais alto da região e a fazer parte do grupo de paí ses com IDH muito elevado. Compare no gráfico abaixo a evolução do IDH de Cuba com Barbados, o país que em 2015 apresentava o mais eleva do IDH da América Central, e com Trinidad e Tobago. Embora a escolaridade média e a expectativa de vida dos cubanos sejam mais elevadas, a renda per capita é metade da de Barbados e cerca de um quarto da de Trinidad e Tobago. 
Portanto, apenas o crescimento  econômico não é suficiente para a melhoria das condições de vida de uma população, a riqueza precisa ser distribuída. Porém, sem o crescimento econômico não é possível elevar o padrão de vida de uma população, pois a riqueza precisa ser produzida. Apesar do fim da Guerra Fria e da reaproximação diplomática entre Es tados Unidos e Cuba no final do governo Barack Obama (2009-2017), o embargo econômico não foi suspenso e as condições econômicas de Cuba continuam difíceis.


América Central: Aspectos físicos e socioambientais

A colonização europeia iniciou-se pela América Central, no século XVI, e foi caracterizada pela exploração de produtos agrícolas e minerais, e emprego de mão de obra escrava indígena e africana. Esse processo de colonização, como veremos, deixou marcas que perduram até hoje. Além disso, veremos que a América Central se destaca por suas condições naturais, que propiciam o desenvolvimento de algumas atividades econômicas.
A América Central é formada por uma parte continental e uma parte insular, composta de um grupo de ilhas localizadas no mar do Caribe e no oceano Atlântico. Observe no mapa político da América Central os vinte países inde pendentes que a compõem. Destes, sete são continentais e treze são insulares. Há ainda treze territórios no mar do Caribe que pertencem a outros países, como Reino Unido, França, Países Baixos e Estados Unidos. Porto Rico, por exemplo, é um protetorado estadunidense com o status de Estado Livre Associado.
A localização do subcontinente e o predomínio do clima tropical tiveram papel importante na especialização econômica dos países da América Central. Desde o início da colonização europeia, a economia de grande parte da região baseia-se no cultivo de produtos tropicais.
Outra atividade econômica importante para a região é o turismo. O clima tropical e a enorme variedade de praias estimularam o desenvolvimento do turismo de sol e praia, sobretudo na região do Caribe. As paisagens naturais de florestas tropicais, montanhas e vulcões também impulsionaram o turismo ecológico e de aventura. Há ainda as ruínas de civilizações pré-colombianas que atraem turistas de diversos países.

Relevo e hidrografia


A América Central localiza-se em uma região de encontro de diversas placas tectônicas e isso explica a origem das cordilheiras que existem ali, principalmente no encontro da placa de Cocos com a placa do Caribe. Além das cadeias monta nhosas, a movimentação tectônica no subcontinente dá origem a vulcões ativos e inativos e à ocorrência de terremotos, como mostra o mapa de placas tectônicas.
A oeste da porção continental, o relevo é mais movimentado e íngreme. Note, no mapa físico abaixo, como as cores variam de verde a marrom em uma distância muito curta nessa porção do subcontinente. Já a leste, estendem-se as terras mais baixas das planícies litorâneas, onde é possível perceber faixas mais largas na coloração de verde a amarelo no mapa. Na parte insular, há várias ilhas de origem vulcânica.
Os maiores rios da América Central, como o rio Grande (Nicarágua) ou o rio Patuca (Honduras), nascem nas montanhas, atravessam as planícies e deságuam no mar do Caribe. Já os rios que correm das montanhas em direção ao oceano Pacífico são menos extensos, porque, como você já viu, a planície costeira a oeste é estreita. Destaca-se na América Central a presença de lagos, como o lago Nicarágua e o lago de Manágua (Nicarágua) e o Izabal (Guatemala).
No Panamá, na parte mais estreita do istmo, foi construído um canal ligan do o oceano Atlântico e o mar do Caribe ao oceano Pacífico (canal do Panamá). Desse modo, o percurso nas rotas de navegação oceânica foi bastante redu zido. A elevada pluviosidade da região e a enorme disponibilidade de água doce garantem o bom funcionamento do canal.

O canal do Panamá


A localização e a exten são do canal do Panamá, construído pelos Estados Unidos. O canal levou onze anos até ser concluído, de 1903 a 1914, o que indica a complexidade da obra, que envolveu a construção de uma barragem na desem bocadura do caudaloso rio Chagres e originou uma represa de 26 metros acima do nível do mar. Apenas em 2000 a administração do canal foi transferida pelos Estados Unidos ao Panamá.
Em 2016, foram concluídas as obras de ampliação do canal, com um novo conjunto de eclusas mais largas e mais profundas, ao lado do antigo, com o objetivo de comportar navios maiores.
A obra, feita por um consórcio liderado por uma construtora espanhola, custou 5,3 bilhões de dólares e demorou nove anos para ser concluída. O antigo canal comportava a passagem de navios com capacidade de transpor tar, no máximo, 6 mil contêineres; já o novo canal pode receber navios que transportam até 14 mil contêineres. Com isso, além de o Panamá triplicar as receitas com pedágio pela passagem dos gigantescos navios de hoje em dia, que não conseguiam passar no antigo canal, também foi possível reduzir o preço do frete nas viagens entre os oceanos Atlântico e Pacífico, beneficiando principalmente o comércio entre a Ásia e os Estados Unidos (costa leste). O antigo canal do Panamá era responsável pelo trânsito de aproximadamente 5% do comércio mundial; com o novo canal, essa participação deve subir para cerca de 8% das trocas internacionais.

Clima e vegetação.


Quase toda a América Central está situada na Zona intertropical do planeta. Como as únicas correntes marítimas que lá atuam são quentes, as tempe raturas são elevadas em grande parte do subcontinente, assim como as pre cipitações. Predominam os climas equatorial e tropical, este último com uma estação chuvosa abundante e outra com menores índices de chuva. Nas regiões montanhosas as temperaturas são mais ba ixas em razão do efeito da altitude, que também provoca variação na vegetação.
Em função dos climas quentes, neste subcontinente predominam as Florestas Tropicais, que, como as flo restas da América do Sul, sofrem com o desmatamento.

Furacões


No mar do Caribe e no golfo do México é frequente a ocorrência de tor mentas tropicais, ali chamadas de furacões (do espanhol huracan, que vem de hurakan, “deus do vento e da tempestade” para os maias). No oceano Índico e nas proximidades da Austrália essas tormentas são chamadas de ciclones tropicais e, no oceano Pacífico, de tufões. Esse fenômeno meteorológico começa como uma depressão tropical (ventos de até 50 km/h); à medida que ganha intensidade, transforma-se numa tempes tade tropical e, quando os ventos ultrapassam os 119 km/h, passa a ser chamada de furacão, que pode chegar até a categoria 5 na escala Saffir-Simpson.
Fenômenos naturais como os furacões não podem ser controlados pelos seres humanos e, geralmente, causam muita destruição. Porém, já faz algum tempo que se pode prevê-los com certa antecedência, por meio de imagens de satélite. Ainda assim, é muito difícil deslocar grandes grupos de pessoas, especialmente em países pequenos e pobres, como muitos do Caribe.
O ano de 2017 ficou marcado por uma das mais intensas temporadas de furacão no mar do Caribe. Foram 17 tempestades tropicais, das quais dez evoluíram para a categoria de furacão, provocando muita destruição nos países da região. Estima-se que os prejuízos superaram os 280 bilhões de dólares. Apesar de ser uma área do planeta onde as tempestades tropicais ocorrem com certa frequência, a maioria das construções não foi projetada para resistir a furacões.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

América do Sul: economia

Os países sul-americanos têm uma economia muito variada, apesar da herança colonial, da história comum de desigualdades sociais e da influência política, econômica e cultural dos Estados Unidos desde o início do século XX.
Há, por exemplo, países emergentes com um parque industrial relativamente diversificado, como o Brasil, a Argentina, o Chile e a Colômbia, enquanto em outros, menos desenvolvidos, predominam as atividades minerais e agrárias, como a Bolívia, o Equador, o Paraguai e a Guiana.
No setor agrícola dos países sul-americanos há agroindústrias que utilizam tecnologia avançada na produção de alimentos, biocombustíveis e matérias-primas para indústrias de papel, móveis, químico-farmacêuticas, etc. Ao mesmo tempo, há regiões em que prevalece a agricultura tradicional apenas para o consumo da própria família.
Nos países emergentes, o parque industrial é integrado à economia mundial em diversos setores, como o de bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários (aço, celulose, derivados de petróleo etc.) e bens de consumo (automóveis, eletrônicos, vestuário, alimentos, etc.). Além disso, contam com investimento de capital privado nacional e estrangeiro, além de capital estatal.

O Produto Interno Bruto


O Brasil é o país que possui o maior PIB do subcontinente, mais de três vezes maior que o segundo colocado, a Argentina. Em todos os países, o setor de serviços (que inclui o comércio) é o que mais contribui na composição do PIB e também o que ocupa mais mão de obra. Novamente, é o Brasil a economia em que esse setor tem mais peso, seguido pela Argentina.
Já nos países em que a agricultura ainda tem grande participação no PIB, como é o caso do Paraguai e da Guiana, a participação dos serviços se reduz um pouco, mas ainda é predominante.
Durante a alta do preço das commodities nos anos 2000, as economias dos países sul-americanos cresceram com taxas elevadas, o que contribuiu para a redução do desemprego e a melhoria das condições gerais de vida da população. 
No entanto, após a passagem desse ciclo de alta (e também como resultado de políticas econômicas malsucedidas), desde 2010 as economias dos países sul-americanos vêm reduzindo o ritmo de crescimento, com alguns países passando por recessão econômica. Em 2018, a pior situação é a da Venezuela, cujo PIB vem encolhendo fortemente desde 2014.

Agropecuária


Os dois países que dispõem das maiores extensões de terras agrícolas são o Brasil e a Argentina. No Brasil, pratica-se agricultura mecanizada em grandes propriedades no estado de São Paulo, com destaque para a cana-de-açúcar (produção de açúcar e etanol) e nos estados da região Centro-Oeste, com destaque para o cultivo de soja e milho.
Esses dois cultivos também são desenvolvidos no Paraná e no Rio Grande do Sul e a soja tem sido muito cultivada no oeste da Bahia. Vale destacar ainda o cultivo de café em grandes e médias propriedades no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo (nesses estados o grau de mecanização é menor devido ao relevo montanhoso).
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricul tura (FAO), em 2016 o Brasil era o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de café, o segundo produtor de soja e o terceiro de milho. Essa produção em grande parte é voltada para a exportação. No Brasil central também se concentra a maior parte dos 218 milhões de cabeças que compõem o rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, outro produto importante na pauta de exportação brasileira.
A modernização das atividades agrícolas reduziu sensivelmente a utilização de mão de obra empregada no setor primário da economia. Sem contar que dos poucos que permanecem empregados se exige maior qualificação: hoje em dia, a agricultura moderna emprega engenheiros agrônomos, técnicos em agricultura, tratoristas, mecânicos de máquinas, etc.
Na Argentina, a agricultura mais importante encontra-se na região da planície dos Pampas, com destaque para a soja (terceiro produtor mundial), o milho (quarto produtor) e o trigo, cultivados em grandes propriedades com alto grau de mecanização. Esses produtos aparecem, respectivamente, na pauta de exportação de ambos os países, sendo que o Brasil importa trigo argentino. A Argentina também se destaca como grande produtor e exportador de carne bovina.
Outro país que tem uma agricultu ra relevante é o Chile, com destaque para a fruticultura – uva, pêssegos, peras, cerejas, entre outras. As frutas têm um grande peso na pauta de exportação chilena, só ficando atrás do cobre. A agricultura chilena se concentra na região central, pois o sul é muito frio e o norte é muito árido e ocupado pelo deserto de Atacama.

Recursos minerais e indústria


Em conjunto, os países do subcontinente produzem quase todos os produtos minerais e energéticos de que necessitam. A produção de petróleo é relevante no Brasil, na Venezuela e na Colômbia. Este país e o Brasil, apesar de não serem membros da Opep, também são exportadores de petróleo.
Vale destacar a produção de minério de cobre, no Chile e no Peru; de estanho e gás natural, na Bolívia; e de ferro, manganês e bauxita, no Brasil. Esses recursos minerais têm grande importância na pauta de exportações dos respectivos países. A Venezuela, cuja economia passa por profunda crise desde 2014. Segundo estimativas do Banco Mundial, suas exportações caíram de 65,7 bilhões de dólares em 2010 para 23,9 bilhões de dólares em 2017. Isso se deve à desagregação socioeconômica que o país vive. Cerca de 95% da pauta de exportação da Venezuela é composta de petróleo.
As maiores regiões industriais se localizam no Brasil e na Argentina, as duas maiores e mais industrializadas economias sul-americanas. No Brasil a indústria contribui com 18% do PIB, e emprega 28,2% dos trabalhadores e 10,1% das traba lhadoras; na Argentina esse setor é responsável por gerar 22% do PIB e em pregar 34,1% dos trabalhadores e 8% das trabalhadoras no país.
No Brasil, a produção industrial é muito diversificada e, embora tenha se espalhado pelo território, ainda está bastante concentrada nas regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, farmacêuticas, etc.
Na Argentina, a maior concentração industrial encontra-se no eixo formado pela região metropolitana de Buenos Aires e a cidade de Rosário, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, etc. 
No entanto, o eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba – a segunda cidade mais populosa, após a capital –, forma a mais importante região de diversificação industrial do país. Além dessas duas regiões industriais principais, há outras concentrações menores na América do Sul.
No Brasil, a maior concentração espacial da atividade industrial se formou, historicamente, na Região Sudeste do país ou mais propria mente no polígono formado pelos estados de São Paulo, do Rio de Ja neiro e de Minas Gerais, que já foi chamado de “coração econômico do Brasil”.
Sobretudo no Brasil, há polos industriais de alta tecnologia, com destaque para a região de Campinas (SP). Nessa cidade do interior paulista existe um importante tecnopolo em torno da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outros centros de pesquisa, que formam mão de obra qualificada para trabalhar nas indústrias da região (eletrônicas, telecomunicações, mecânicas, biotecnologia, entre outras), assim como produzem avanços científico-tecnológicos, fruto de suas pesquisas.

Turismo


No setor de serviços, uma das atividades que mais tem crescido e gerado renda na América do Sul é o turismo. Em todos os países sul-americanos, os setores de comércio e serviços são os que empregam maior percentual da população economicamente ativa.
O subcontinente tem diversas cidades históricas tanto do período pré-colombiano como do período colonial, que atraem muitos turistas interessados principalmente na arquitetura das construções, que imprimem na paisagem as marcas de outros tempos.
Além disso, pelo extenso litoral (principalmente do Brasil) em zona intertropical, é muito favorecido para o desenvolvimento do turismo de sol e praia, mas também o de montanha (lembre-se de que é nesse subcontinente que está uma das maiores cadeias de montanha do planeta, a cordilheira dos An des), de inverno (nas áreas situadas ao sul do trópico de Capricórnio) e ecológico (em função dos diversos parques nacionais e outras áreas protegidas).
Dos turistas internacionais que entram nos países da América do Sul, boa parte é oriunda do próprio subcontinente. Muitos dos turistas internacionais que entram na Argentina, por exemplo, são brasileiros (e vice-versa), assim como grande parte dos visitantes estrangeiros no Chile é composta de brasileiros. Há também um significativo fluxo interno de turistas, especialmente no Brasil.

Blocos econômicos regionais


A busca de integração no continente Americano é antiga. Ela vem desde 1948, ano de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a assinatura da Carta da OEA, em Bogotá (Colômbia). A OEA constitui um orga nismo regional dentro do sistema da ONU, de caráter político. Em seu artigo primeiro, apregoa que o objetivo da organização é alcançar nos Estados-mem bros “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, inten sificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”.
No entanto, desde sua origem, a OEA, é controlada pelos Estados Unidos, que procurou organizá-la de acordo com seus interesses. Como exemplo, podemos citar a expulsão de Cuba, em 1962, a fim de isolar o regime de Fidel Castro (1926-2016), que em 1959 havia liderado a derrubada do governo do ditador Fulgencio Batista (1901-1973), aliado dos Estados Unidos, e implantado, em 1952, um regime de partido único (Partido Comunista de Cuba), estatizan do a economia e se aproximando da União Soviética. Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, em 1991, cresceu a pressão de países do continen te para o fim da suspensão de Cuba, o que acabou ocorrendo em 2009. No entanto, Raúl Castro, que assumiu o poder após a saída de seu irmão Fidel, não manifestou interesse por voltar à organização, pois, segundo ele, desde sua concepção, a OEA foi e continua sendo um instrumento de dominação imperialista dos Estados Unidos.
O fim da União Soviética e, portanto, da ajuda que concedia a Cuba, por exemplo, vendendo petróleo a preços abaixo do mercado internacional, agra vou os problemas de desabastecimento do país. Com a chegada de Hugo Chávez (1954-2013) ao poder na Venezuela, em 1999, houve uma aproximação entre os regimes chavista e castrista e esse país sul-americano passou a forne cer petróleo em condições vantajosas a Cuba.
Tentando romper o isolamento desses dois países, especialmente o cuba no, em 2004 Chávez e Fidel criaram a Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, com a participação de Venezuela, Colômbia e Peru. Mais tarde se uniram a ela a Bolívia, o Equador e a Nicarágua. Esses países tinham em comum governos interessados em criar uma alternativa à inte gração a um acordo comercial liderado pelos Estados Unidos. No entanto, acabou não vingando.
A Alba se enfraqueceu depois da morte de Hugo Chávez em 2013 e prin cipalmente após a grave crise econômica que atingiu a Venezuela no governo de seu substituto, Nicolás Maduro.
No entanto, já há bastante tempo os países latino-americanos buscam criar outras organizações de integração regional, especialmente no campo comercial. Um exemplo foi a criação da Aladi – Associação Latino-Americana de Integração, em 1980, com sede em Montevidéu (Uruguai). Ela permitiu a assinatura de acor dos entre apenas dois ou mais países-membros. Isso fez com que aumentasse o número de acordos assinados no âm bito da Aladi. Mas como essa organiza ção é muito ampla, conta com 13 países latino-americanos, de difícil conciliação de interesses, acabou ofuscada pelo crescimento de blocos regionais menores e mais focados em redução de barreiras para o fluxo de mercadorias.
Os blocos econômicos são agrupa mentos de países que fazem acordos regionais para facilitar o trânsito de ca pitais, serviços e, sobretudo, de merca dorias entre eles – isto é, ampliar os mer cados para as empresas. Há quatro tipos de blocos econômicos regionais: zona de livre co mércio, união aduaneira, mercado co mum e união econômica e monetária.

Comunidade Andina (CAN)


Em 1969, com a assinatura do Acordo de Cartagena, foi criado o Pacto An dino, com sede em Lima (Peru). O objetivo do bloco era incentivar a integração política e econômica entre os países-membros: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, que formaram uma zona de livre-comércio.
Em 1973, a Venezuela aderiu ao grupo. Em 1976, o Chile renunciou. Em 1997, os países integrantes iniciaram um processo para transformar-se em união aduaneira e mudaram o nome para Comunidade Andina.
Em 2006, com o início das negociações para sua entrada no Mercosul, a Venezuela também se retirou do bloco. Atualmente restam apenas quatro países. Com processo em curso de adesão da Bolívia ao Mercosul e com a entrada de Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, que veremos a seguir, a tendência é haver um esvaziamento da Comunidade Andina.

União das Nações Sul-Americanas (Unasul)


Os doze países independentes da América do Sul integram a Unasul (a Guiana Francesa não faz parte). Criado em 2008, esse grupo tem poderes para negociar com outros países e blocos econômicos e representa os países-mem bros na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros órgãos multila terais. Sua sede fica em Quito (Equador).
O objetivo da organização é estabelecer um espaço de integração política, cultural, social e econômica, criando um envolvimento dos países-membros em áreas como a infraestrutura de transportes, energia e comunicações, além do incentivo à cooperação nos setores de educação, saúde, defesa e outros. Se gundo a própria Unasul: “Nosso desafio é eliminar a desigualdade socioeconô mica, alcançar a inclusão social, aumentar a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as disparidades existentes”. Ou seja, vai muito além de um acordo comercial como os outros blocos.

Aliança do Pacífico


A Aliança do Pacífico é o mais recente bloco econômico criado na América Latina. Essa zona de livre-comércio é formada por três países andinos da Amé rica do Sul – Chile, Colômbia, Peru – mais o México, país da América do Norte.
Este é o único bloco econômico realmente latino-americano, os outros são sul-americanos ou centro-americanos. Criada em 2011, entre seus objetivos destacam-se: impulsionar o crescimento econômico e a competitividade das economias de seus integrantes, buscando a liberalização do comércio de bens e serviços; promover a livre circulação de pessoas entre os países-membros, transcendendo o âmbito comercial; promover uma arti culação política e de projeção ao mundo, com ênfase na região da Ásia-Pacífico. A integração tem sido bem sucedida: mais de 90% dos produtos comercia lizados entre eles já circulam com tarifa zero.

Mercado Comum do Sul (Mercosul)


O Mercosul é um acordo econômico assinado em 1991 por Argentina, Bra sil, Paraguai e Uruguai. Sua sede fica em Montevidéu (Uruguai). Em 2006, a Venezuela foi admitida como país-membro, mas em 2017 foi suspensa porque o governo de Nicolás Maduro desrespeitou o compromisso democrático esta belecido pelo Protocolo de Ushuaia (acordo assinado em 1998 nessa cidade argentina), que prevê em seu artigo 1° que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes”. Nessa condição, o país perdeu o direito de participar nos diferentes órgãos do bloco e tem seus direitos e obrigações também suspensos, como prevê o artigo 5° desse protocolo. Em 2018, a Bolívia estava em processo de adesão.
O Mercosul criou facilidades para a circulação de mercadorias entre os países-membros, visando, primeiramente, à implantação de uma zona de livre-comércio. Em janeiro de 1995, passou a vigorar também uma tarifa externa comum, que ainda não é válida para todos os produtos, por isso o bloco é considerado uma união aduaneira imperfeita.
Essa proposta de integração econômica não é livre de conflitos de interes ses. A Argentina, por exemplo, de forma recorrente estabelece cotas de importação de produtos brasileiros e eleva as tarifas aduaneiras de forma unilateral.
Desde a criação do Mercosul, o objetivo maior é tornar a economia dos países sul-americanos mais forte e competitiva e com maior poder de negocia ção com os Estados Unidos, a União Europeia (com quem negociava, em 2018, um acordo de livre-comércio), a China e outros parceiros comerciais.
O Mercosul, além dos Estados-membros, também chamados de Estados-partes, tem seis países que são considerados Estados associados – Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Com esses países, o Mercosul tem acordos de livre-comércio e eles estão autorizados a participar das cúpulas do bloco.

Investimentos brasileiro e chinês


O Brasil é o país que produziu o maior PIB dentre os países da América do Sul, e por isso podemos considerá-lo a maior economia do subcontinente. Embora tenha apresentado a menor taxa de crescimento no período 2000-2017, a economia brasileira é bem maior que a de seus vizinhos, o que faz com que naturalmente tenha mais influência na região. Por exemplo, há muitas empresas multinacionais brasileiras atuando na América do Sul e mesmo na América do Norte.
No entanto, nos últimos anos, assim como vem acontecendo na África, também na América do Sul tem havido um aumento dos investimentos chineses em diversas atividades.
A China tem investido em infraestrutura, mineração e agricultura para lhe assegurar o fornecimento de alimentos, de matérias-primas minerais e agrícolas, além de vender seus produtos industrializados. Como a economia brasileira é bem maior e mais complexa do que as dos países vizinhos, aqui o capital produtivo chinês, além de investir em infraestrutura, mineração e agricultura, como ocorre em toda a América do Sul, também tem comprado indústrias nacionais e montado fábricas novas.
No entanto, os chineses estão inte ressados apenas em abastecer o mercado interno brasileiro, e não em usar o território nacional como plataforma de exportações de produtos industrializados. Eles preferem abastecer os vizinhos sul-americanos a partir da produção das fábricas instaladas em seu próprio território, concorren do diretamente com produtos brasileiros no mercado regional. Em 2007, de todas as importações dos países da América do Sul, 14,8% provinham do Brasil e 10% da China. Em 2013, a participação brasileira no abastecimento dos países vizinhos caiu para 11,2%, enquanto a chinesa subiu para 17,4%. Em outras palavras, a indústria brasileira tem perdido mercado para a produção chinesa.

América do Sul: população e diversidade cultural

Origem dos povos americanos

Há controvérsias sobre a data da chegada dos primeiros grupos humanos na América e sobre as rotas que percorreram. Com base em pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara, no estado do Piauí, área onde há grande concentração de sítios arqueológicos, a antropóloga brasileira Niède Guidon afirma que há cerca de 50 mil anos já havia humanos na região. No entanto, seu estudo é pouco aceito pela comunidade científica porque a datação não foi feita com ossos, e sim com carvão de supostas fogueiras humanas.
Pesquisa mais precisa publicada na revista científica Nature em 2012 por uma equipe internacional de cientistas liderada pelo colombiano Andrés Ruiz-Linares (professor de genética humana da University College de Londres) aponta uma data mais recente. Ela foi feita com base nos estudos genéticos de comunidades indígenas do Canadá à Terra do Fogo (sul da Argentina) e indicou que a ocupa ção da América se deu com grupos humanos vindos da Ásia em pelo menos três ondas migratórios através do estreito de Bering há pouco mais de 15 mil anos, quando as águas do mar estavam congeladas e serviram de ponte para a pas sagem dos migrantes.
É a mesma datação apontada pelo antropólogo brasileiro Walter Neves com base no esqueleto de Luzia, fóssil de cerca de 12 mil anos encontrado no sítio arqueológico de Lagoa Santa (MG). Ele também defende que os índios americanos são descendentes de grupos humanos vindos da Ásia ha cerca de 15 mil anos. Atualmente essa é a tese mais aceita.

Povos pré-colombianos

Foram os descendentes desses mi grantes pioneiros que muito tempo depois desenvolveram as hoje chama das civilizações pré-colombianas (em referência a Cristóvão Colombo), po vos que os europeus encontraram ao aportarem na América no final do sé culo XV.
Os incas (nos Andes), os maias, os astecas e os toltecas (nas áreas onde atualmente se localizam a América Cen tral e o México) estavam entre as civili zações mais organizadas que se desen volveram na América. Esses povos em pregavam técnicas agrícolas sofisticadas para a época, desenvolviam atividades urbanas diversificadas e tinham o poder político já bastante centralizado.
Os incas construíram uma impo nente civilização, cujos vestígios sobre viveram aos séculos, como mostram as ruínas de Machu Picchu (Peru), cidade fundada em 1450. Observe a fotografia. Localizadas na cordilheira dos Andes, a cerca de 80 quilômetros da cidade de Cuzco, essas ruínas foram descobertas em 1911 por um arqueólogo americano chamado Hiram Bingham e hoje fazem parte do Patrimônio da Humanidade.
No México há diversas marcas das civilizações pré-colombianas, como as deixadas pelos povos astecas e toltecas. No século XIV houve uma divisão entre os astecas e parte do grupo mi grou de sua região de origem e fun dou a cidade de Tenochtitlán em 1325, num local onde atualmente fica a Cidade do México. Em seu novo assen tamento, passaram a ser chamados de mexicas, daí o nome do país. A toma da de Tenochtitlán pelos espanhóis em 1521 simboliza o domínio espanhol que se estendeu por todo o período colonial.
Havia no Brasil uma enorme diversidade de povos com diferentes línguas e culturas. Estima-se que eram faladas mais de mil línguas. Em outras regiões da América do Sul também havia outros povos, como os Guarani (cujos descendentes vivem no Paraguai e ainda mantêm sua língua) e os Patagon, no sul da Argentina, daí o nome dessa região: Patagônia.

A colonização europeia e a escravidão

Embora a história da América não tenha se iniciado com a chegada dos europeus, foi a colonização europeia que inseriu esse continente na história do capitalismo comercial, que havia começado na Europa no final do século XV, e deixou marcas profundas nos países atuais.
Entre os séculos XV e XVII, espanhóis, portugueses, franceses, holandeses e ingleses ocuparam o continente americano e iniciaram o domínio dos povos nativos e a colonização dos territórios.
Nos territórios invadidos e dominados pelos portugueses, que mais tarde pertenceriam ao Brasil, os conflitos entre os colonizadores e os povos nativos provocaram genocídio e etnocídio de muitos povos. Com relação aos povos que não foram exterminados, houve empenho por parte dos portugueses em convertê-los à fé cristã (o que não deixa de ser um processo de etnocídio).
Os espanhóis destacaram-se na conquista territorial principalmente nos Andes, na América Central e no México, ocupando áreas ricas em metais preciosos, como ouro e prata. Essa conquista e ocupação também não acontece ram sem a resistência das populações nativas. Os que sobreviveram perderam sua identidade cultural e foram escravizados para a exploração das minas – o que desorganizou as comunidades e contribuiu para o desaparecimento das civilizações pré-colombianas.
Durante o período colonial, a agricultura voltada para a exportação foi a principal atividade realizada em dife rentes áreas do continente americano, como nos territórios dos atuais Brasil, Colômbia, Venezuela, Cuba e no sul dos Estados Unidos. Era a monocultura (produção de um só produto para a exportação), praticada em latifúndios (grandes propriedades) e com base na exploração do trabalho de africanos escravizados. Esse sistema de produ ção agrícola ficou conhecido como plantation(plantação). O tripé latifúndio, monocultura exportadora e escravismo caracterizou as colônias de exploração na América, inclusive no sul dos Estados Unidos.
A adoção da plantation promoveu uma transferência maciça de africanos para o continente americano. Estima-se que, somente no Brasil, ingressaram mais de 5 milhões de africanos escravi zados até 1850, quando essa prática foi proibida. A partir desse ano, teve início o tráfico ilegal, que continuou até a abolição da escravatura, em 1888.
Na segunda metade do século XIX, a escravidão foi abolida em toda a América do Sul, sendo o Brasil o último país a extingui-la. Nessa época, o subcontinente passou a receber milhões de imigrantes europeus que buscavam terra e oportunidades de trabalho. Com isso, houve a substituição da mão de obra escrava nas lavouras pela de trabalhadores em sistema de parceria e gradativamen te de assalariamento e, assim, foi dada continuidade à ocupação do território. Como os africanos inicialmente foram escravizados e posteriormente não foram incorporados ao mercado de trabalho (como meeiros, assalariados, nem como proprietários de terras), ficaram marginalizados socioeconomicamente.
Uma lei de 1950, chamada Lei de Terras, estabeleceu a compra como a única forma de acesso à terra, condição que claramente os impedia de se transfor marem em proprietários. Além disso, sofreram preconceito por serem ex-escravos e foram substituídos por trabalhadores imigrantes da Europa e da Ásia. Essa situação se refletiu na sua condição de vida e de seus descendentes. Atualmente, todos os indicadores sociais – especialmente os de renda e de escolaridade – dos afrodescendentes brasileiros são inferiores aos dos brancos, embora essa desigualdade venha se reduzindo lentamente nas últimas décadas graças a políticas de ação afirmativa, como as cotas nas universidades.

Diversidade étnica e cultural

Como herança desse contexto histórico e das migrações que ocorreram ao longo do século XX, a América do Sul apresenta atualmente uma grande diversidade étnica, com diferenças acentuadas entre os países e também entre as regiões de um mesmo país.
Os descendentes dos vários povos americanos nativos, assim como os afrodescendentes, deram importantes contribuições para a formação cultural dos países latino-americanos. Muitos povos indígenas mantiveram suas línguas, religiões e costumes, sobretudo nas regiões andina e amazônica, na América Central e no México.
Muitos povos africanos conseguiram manter suas religiões, apesar das perse guições, e deram importantes contribuições linguísticas, culinárias, musicais, etc. nos diversos países do subcontinente. Isso é muito visível no Brasil, por exemplo.
Por isso, hoje em dia uma das questões mais importantes que se colocam nesse mosaico de povos e culturas que é o Brasil, a América do Sul e toda a América é o respeito e a valorização dessa diversidade, o que nem sempre acontece.

Distribuição da população

Cerca de 90% da população do subcontinente mora nas proximidades do litoral, numa faixa de cerca de 250 quilômetros em direção ao interior, a partir tanto do oceano Atlântico como do Pacífico, onde se encontram as maiores aglo merações urbanas. Portanto, nessa faixa a densidade demográfica é bem maior.
A concentração da população no litoral teve origem no modelo colonial de ocupação, voltado para a exploração de recursos agrícolas e minerais (cana-de-açúcar, algodão, cacau, café, ouro, prata e outros) para a exportação. A saída para o mar era essencial para a circulação das mercadorias.
Somente a partir da segunda metade do século XX houve a ocupação sistemática do interior da América do Sul, principalmente do Brasil, da Argentina, da Colômbia, da Venezuela e do Peru. Isso ocorreu com o avan ço da industrialização em alguns países, a abertura de rodovias e ferrovias, a expansão da área cultivada e a maior exploração de recursos energéticos e minerais.

Problemas urbanos

A elevada taxa de urbanização dos países da América do Sul foi acompa nhada pelo crescimento desordenado das cidades. Atualmente, todas as gran des cidades sul-americanas em maior ou menor grau enfrentam problemas de ordem social e ambiental.
A elevada demanda por moradia, por exemplo, não é acompanhada pela oferta. Muitas pessoas vivem em moradias precárias, muitas vezes sem acesso a saneamento básico e a serviços regulares de fornecimento de energia elétrica e internet.
Geralmente situadas na periferia das cidades, distante das áreas mais centrais e mais estruturadas ou em áreas não próprias para ocupação, chamadas zonas de risco, como encostas de morros, ou áreas próximas aos cursos de água, sujeitas a alagamentos (áreas geralmente menos valorizadas e por isso mais baratas), essas comunidades também não são atendidas de maneira satisfatória por outros serviços públicos essenciais para uma vida digna, como saúde, educação e lazer. Dessa maneira, é possível perceber a segregação socioespacial existente nas cidades.
Porém, mesmo em bairros localizados nas áreas mais centrais de grandes cidades sul-americanas, como São Paulo (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Caracas (Venezuela), devido ao alto custo da moradia e ao mesmo tempo do abandono de muitos prédios, têm crescido os movimentos de ocupação organizados por diversos movimentos sociais de sem-teto.
Há movimentos de sem-teto em diversos países sul-americanos e latino-americanos porque todos compartilham do mesmo problema: muitas pessoas de baixa renda vivendo nas cidades e altos custos de moradia, especialmente nas maiores.
A maioria deles é local ou nacional, mas há movimentos que têm uma organização mais abrangente, como o Techo (ou Teto em português). Esse movimento de luta por moradia digna nasceu no Chile em 1997 e a partir de 2001 começou a se expandir por outros países da América Latina. Em 2018 estava organizado em dez países sul-americanos, oito centro-americanos e no México, além de possuir dois escritórios nos Estados Unidos para buscar alian ças e financiamentos.
Além dos problemas de habitação e da segregação socioespacial, as grandes cidades apresentam um problema que atinge toda a população: a poluição do ar e das águas. A poluição do ar pode comprometer a saúde das pessoas, sobretu do nas grandes cidades, onde é muito elevada por causa da concentração de indústrias e veículos que soltam no ar grande quantidade de gases resultantes da queima do combustível. Muitos rios recebem resíduos domésticos e industriais sem tratamento, o que prejudica a qualidade da água e do abastecimento. Na maioria das cidades o sistema de transporte também é insuficiente para atender à demanda da população que depende do serviço público.
No Brasil, assim como em outros países da América do Sul, há a preo cupação dos governos e das socieda des em geral em reduzir os problemas urbanos. Muitos governos têm procu rado aumentar o investimento em transporte coletivo, moradias populares, saúde preventiva e segurança. Em muitos casos, têm contado com o apoio de organismos internacionais, como as agências da ONU, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No entanto, muitas vezes isso tem se mostrado insuficiente. Nas favelas, a população geralmente não conta com serviços públicos essenciais a uma vida digna.

Indicadores sociais

Os países sul-americanos são marcados por desigualdades sociais e, como vimos nas páginas anteriores, essa desigualdade se materializa nas paisagens, sobretudo nas das grandes cidades, onde vive a maioria das pessoas. São, portanto, desigualdades socioespaciais. Podemos identificar as desigualdades sociais também em indicadores, como o índice de desenvolvimento humano (IDH).
De forma geral, a partir da década de 1990, vários setores da economia dos países da América do Sul se modernizaram e os indicadores sociais melhoraram. Contudo, a concentração de renda ainda permanece elevada e o percentual de pessoas que vivem na pobreza ainda é alto em alguns deles.
A contínua melhora dos indicadores sociais depende de crescimento eco nômico, de uma distribuição de renda mais equilibrada e de investimentos sociais adequados. No século XXI, de forma geral os países sul-americanos têm apresentado crescimento econômico. Além disso, gradativamente os governos têm aumentado os investimentos em setores importantes como educação, saúde e proteção social. Isso tem contribuído para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida de parte da população.
Porém, é fundamental que o crescimento econômico seja ecologicamente sustentável, ou seja, que o meio ambiente seja protegido, garantindo boas condições de vida para a população. Como se observa no gráfico, os países latino-americanos ainda investem pouco em proteção do meio ambiente.


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