domingo, 22 de fevereiro de 2026

O IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A projeção dos Estados Unidos foi crescendo ao longo do século XX conforme o país exercia sua força política, econômica e militar. Seu governo desenvolveu uma poderosa Marinha de guerra, com a instalação de bases estrategicamente posicionadas em todos os oceanos.
Na América Central, por exemplo, os Estados Unidos começaram a aumentar seu domínio por meio de intervenções militares. O expansionismo estadunidense nessa parte do continente americano é resultado de uma política de domínio e controle para evitar a influência econômica e política de outras forças mundiais, principalmente da Europa.
O poder político e econômico dos Estados Unidos concretizou-se após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o país conquistou mercados que antes pertenciam às potências europeias. A própria entrada do país no conflito, em apoio aos Aliados (Reino Unido, França e União Soviética) e contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), tinha um motivo estratégico.
Os Estados Unidos estavam em situação mais favorável do que os Aliados, pois entraram no combate apenas em 1941. Assim, sofreram menos perdas de soldados do que outros países envolvidos no conflito e, principalmente, seu território não foi afetado pelo conflito, já que os combates mais importantes e violentos ocorreram na Europa. Dessa forma, o país conseguiu aumentar sua produtividade industrial e acumulou capital durante esse período.
Com o encerramento da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se colocaram definitivamente como representantes da hegemonia global. A fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949, foi primordial para consolidar a presença das forças militares nas fronteiras europeias, como forma de diminuir a influência da União Soviética (URSS). Naquele momento, qualquer ação soviética era entendida como um risco à estabilidade dos Estados ou ameaça à democracia, e a Otan deveria manter a estabilidade na Europa, discurso fortalecido no contexto da Guerra das Coreias (1950-1953).
Após o fim da Segunda Guerra, os interesses estadunidenses continuaram operando na bipolaridade geopolítica que se consolidou por meio da Guerra Fria (1945-1989), com a URSS, e disputando territórios na América, na Europa, na Ásia e na África.
Na América Latina, os Estados Unidos ampliaram sua influência nesse período, apoiando golpes militares na região, vistos como uma forma de afastar possíveis influências da União Soviética no continente.
A influência dos Estados Unidos no Vietnã teve início em 1954, com a Convenção de Genebra e a divisão do território da Indochina em Vietnã do Norte, governado por Ho Chi Minh, e a República Democrática do Vietnã, sob influência estadunidense. A unificação dos dois territórios aconteceria com eleições nacionais, em 1956; no entanto, com a popularidade do governo aliado à ex-União Soviética, o pleito foi cancelado, contradizendo os ideais democráticos do país e apoiado pelo governo dos Estados Unidos. Em 1957, os conflitos envolvendo os territórios vietnamitas foram iniciados.
Uma parcela da população sul-vietnamita, contra o domínio estadunidense e a favor do governo de Ho Chi Minh, criou a Frente Nacional para a Libertação (FNL), como tentativa de combater o governo local. Com o intuito de parar a expansão do grupo e das tropas comunistas, o governo dos Estados Unidos instalou, em 1964, forças militares e tomou o poder da República Democrática do Vietnã, após alegar um ataque do Vietnã do Norte a um submarino estadunidense. O ataque nunca existiu e os dados foram divulgados após a tomada do território pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.
Em 1969, as tropas estadunidenses e aliados do país invadem o território da Camboja, com o principal objetivo de destruir as forças comunistas do sul do Vietnã. O conflito envolvendo Vietnã e Estados Unidos acaba em 1975, quando exércitos do Vietnã do Norte, aliados à ex-União Soviética e aos grupos da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (FNL), invadem a capital Saigon, tomando o poder. Em 1973, os países assinam, em Paris, o acordo que encerra definitivamente a ação do imperialismo estadunidense na Indochina.
Assim, a estratégia geopolítica norte-americana no pós-guerra foi realizada em duas grandes frentes: a exportação de bens de consumo via controle tecnológico e industrial e a conversão dos ganhos econômicos em poderio militar, que poderiam ser utilizados, por exemplo, na instalação de bases militares terrestres e navais no planeta, inclusive na América e na África.
O imperialismo estadunidense e a tentativa de influência em diferentes territórios contribui para o aumento das tensões entre as fronteiras. A guerra do Vietnã (1955 a 1975) e da Ucrânia (iniciada em 2022) são exemplos das consequências do expansionismo do imperialismo esta dunidense, que resulta na quebra de acordos de paz internacional, além de inúmeros outros prejuízos para os países que estão envolvidos. Embora a URSS tenha caído em 1989, os embates da bipolaridade entre Rússia e EUA são resultados desse imperialismo e da bipolaridade mundial.
O imperialismo estadunidense se estabelece com o final da Guerra Fria e final da União Soviética, em 1989. Antes da queda do Muro de Berlim a tentativa do governo estadunidense era expandir sua influência política em diversos territórios, principalmente na Europa Ocidental. Ainda hoje as tensões geopolíticas causadas pelos diferentes acordos e interferências políticas podem ser observadas, como é o caso dos conflitos com o Afeganistão de 1979 a 2021 e os atuais envolvendo Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022.
Embora a nação estadunidense seja mundialmente conhecida por seu ideal de democracia e liberdade, o país revela que a sua atuação e interferência em outros territórios são arbitrárias e, muitas vezes, antidemocráticas, como aconteceu na Guerra do Vietnã.

A conquista da liderança mundial


Ao final da Segunda Guerra Mundial (1945), a Europa estava arrasada e a Grã-Bretanha via seu império desmoronar pouco a pouco. Foi nesse contexto que os Estados Unidos conquistaram a liderança mundial, unindo poder econômico e poder militar. A partir de então, o mundo passou a ser regido pelos interesses estadunidenses. 
O modelo de desenvolvimento estadunidense, porém, não pode ser considerado um exemplo a ser seguido pelos demais países, tendo em vista os meios pelos quais os Estados Unidos alcançaram o domínio econômico, político e militar internacional e a maneira como direcionam suas ações, como a sua política externa, responsável pela promoção de invasões e guerras, e os elevados níveis de consumo de sua socie dade, que contribuem para gerar uma grande quantidade de lixo e poluentes.
Atualmente, diversos fatores garantem o dinamismo da economia estadunidense: o grande mercado de consumo; a disponibilidade de recursos minerais; o elevado grau de avanço tecnológico (aeroespacial, informática e telecomunicações); a boa infraestrutura de transportes; a grande quantidade de empresas transnacionais; a forte influência cultural exercida sobre a população dos demais países, especialmente os jovens; os investimentos do governo em pesquisa (nos Estados Unidos, o Estado financia 50% das pesquisas nos setores de alta tecnologia); e a grande capacidade de produção agrícola.
É difícil avaliar se a China romperá a hegemonia estadunidense e alcançará um poderio político e militar superior ao dos Estados Unidos. Em projeções de longo prazo, muitos analistas afirmam que, para isso, o governo chinês teria de solucionar questões internas de minorias étnico-religiosas. Outra questão é sa ber qual seria a reação dos vizinhos poderosos — Japão, Coreia do Sul e Índia —, aliados dos Estados Unidos.
De qualquer forma, a China foi aos poucos con quistando mercados consumidores para seus produtos (inclusive de alta tecnologia) em todo o mundo, particularmente na África e na América Latina. Além disso, o país tem papel protagonista no conjunto dos Brics.
No sudeste da Ásia, a China estrutura cadeias globais de produção, com investimentos em unida des fabris em países dessa região, que também se tornam exportadores de mercadorias industriais, além de fornecerem componentes para as indústrias chinesas. Os chineses também se beneficiam dos excedentes de capitais gerados no Japão e na Coreia do Sul e investidos em seu território.

Relações entre Estados Unidos e China

Os Estados Unidos e a China estabeleceram relações diplomáticas e comerciais em 1979, quando a China se afastou da ex-União Soviética, em pleno período da Guerra Fria.
Atualmente, a parceria entre os dois países com os maiores PIBs do mundo é uma das mais importantes e envolve interesses econômicos, científicos, culturais e de segurança. Existe uma dependência mútua: os Estados Unidos dependem da mão de obra barata e do gigantesco mercado consumidor chinês; a China depende dos investimentos e da importação dos produtos chineses pelos Estados Unidos.
Nos últimos anos, porém, os investimentos dos Estados Unidos na China têm superado os lucros e, recentemente, após ter sido negado pelo governo chinês um pedido para que importassem mais produtos estadunidenses, o governo dos Estados Unidos lançou medidas para restringir o comércio com a China. Em 2018, o presidente estadunidense Donald Trump colocou em prática sua política do “America First” (primeiro a América) e impôs tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio vindo da China. Tal medida visava diminuir a importação de produtos chineses para fortalecer a indústria estadunidense.
Disputas comerciais são frequentes no mundo globalizado e quem define as regras do comércio internacional e propõe soluções para os conflitos é a Organização Mundial do Comércio (OMC). Contudo, Trump não recorreu à OMC para se queixar do que considera um comércio injusto com a China. A China, por sua vez, é membro da OMC desde 2001 e recorreu à organização contra as medidas estadunidenses.
A “guerra comercial” é a criação de impostos para barrar a entrada de produtos estrangeiros dentro do país. Atualmente, os Estados Unidos e a China são as grandes potências econômicas, que estabelecem taxações nos produtos um do outro, para garantir internamente o consumo de produtos nacionais. Nas últimas décadas, foram frequentes as tentativas do governo estadunidense de criar políticas de sobretaxação das mercadorias do país asiático. Atualmente, os Estados Unidos importam maquinários e bens elétricos e eletrônicos da China e exportam carros e soja ao país.

Estados Unidos: realidade socioeconômica

Mesmo com programas de revitalização urbana promovidos pelo governo e pela iniciativa privada, as grandes cidades dos Estados Unidos têm apresentado problemas cada vez mais graves, relacionados à condição socioeconômica da população.
Algumas medidas tomadas pelo governo, como a excessiva elevação de impostos e o corte de verbas destinadas à realização de obras sociais (habitação, saúde e educação), causaram o empobrecimento de alguns segmentos da população nas últimas décadas.
Atualmente, o número de pobres corresponde a 12,3% do total da população (cerca de 40 milhões de habitantes). Esses indivíduos sofrem com a falta de moradia e acabam residindo nas áreas mais deterioradas das cidades, bairros onde proliferam a violência, a criminalidade e o tráfico de drogas.
Esses problemas atingem, principalmente, a população afrodescendente e imigrante, bastante discriminada na sociedade estadunidense. Atualmente, a discriminação racial é proibida por lei em todo o país, mas nem por isso tem sido possível erradicá-la. Os afrodescendentes, por exemplo, são marginalizados, e muitos dos crimes cometidos no país estão relacionados à prática de racismo.

Crescimento populacional reduzido


Embora os Estados Unidos tenham a terceira maior população do planeta, desde o final dos anos 1960, a média de crescimento populacional se situa na faixa de 1% ao ano, aproximadamente. O maior crescimento vegetativo nos Esta dos Unidos se verifica entre afrodescendentes, asiáticos e hispânicos, que são os imigrantes latino-americanos de língua espanhola que vivem no país. Entre os brancos, as taxas estão próximas de zero.
Em virtude do elevado padrão de vida de boa parte da população, a expectativa de vida é alta: 78,6 anos, segundo dados de 2017. As taxas de crescimento populacional e a elevada expectativa de vida vêm acarretando uma transformação gradual na estrutura etária da população estadunidense, com aumento na pro porção de idosos. Conforme projeção do governo dos Estados Unidos, em 2030 haverá mais idosos do que crianças no país.

Os problemas sociais: a pobreza e o racismo


Os países da América Anglo-Saxônica enfrentam problemas sociais como desemprego, pobreza e fome, mas em menores proporções que os países subdesenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o aumento dos impostos e a diminuição das verbas destinadas às áreas sociais (habitação, educação e saúde) provocaram o empobrecimento de partes da população, em especial, dos menos favorecidos, como os afrodescendentes e os imigrantes.
Outro problema social presente principalmente nos Estados Unidos é o preconceito étnico e a discriminação contra os imigrantes, sobretudo latino-americanos. Os latino-americanos, maior grupo de imigrantes que entram todos os anos nos Estados Unidos, buscam oportunidades de trabalho e melhor qualidade de vida. Os mexica nos representam a maioria dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos. 
Por causa do preconceito e da condição de ilegalidade de parte dos imigrantes, muitos são inseridos em atividades informais e pouco valorizadas da economia, atividades que, na maioria das vezes, exigem pouca qualificação profissional e geralmente oferecem baixa remuneração.
Para o governo dos Estados Unidos, as imigrações ilegais refletem na elevação dos gastos públicos na área social, como assistência médica e programas de assistência alimentar aos mais carentes. Apesar das políticas de combate à imigração ilegal, como patrulhamento das fronteiras e restrição de vistos de passaporte, o fluxo migratório continua intenso nos Estados Unidos.
O número de pessoas pobres nos Estados Unidos corresponde a 13% da população total. São consideradas pobres as famílias de quatro pessoas com renda anual igual ou inferior a 22,31 mil dólares. A pobreza é maior entre os hispânicos e afrodescendentes, dos quais cerca de 27% vivem abaixo do limite de pobreza. 
Essa situação se reflete na expectativa de vida da população negra, que é de 71 anos, enquanto a da população branca é de aproximadamente 78 anos. No caso das crianças negras, a taxa de pobreza é bem mais elevada — chega a 39%, três vezes maior do que a registrada entre as crianças brancas, que corresponde a cerca de 12%.
Outro grave problema da sociedade estadunidense é o racismo, que atinge os imigrantes hispânicos e asiáticos e, principalmente, os afrodescendentes. Segundo o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em cada dez crimes, três são motivados por racismo contra esses grupos.
O racismo nos Estados Unidos tem raízes históricas. Nos estados do sul, onde a economia colonial se baseava na monocultura do algodão, houve intensa utilização da mão de obra de africanos escravizados. Nesses estados, o racismo emergiu de forma mais ostensiva.
Em três estados do sul — Alabama, Mississípi e Carolina do Sul —, até o início dos anos 1960, havia discriminação racial em locais públicos e até mesmo na área da educação, com escolas separadas para afrodescendentes e para brancos. Embora seja considerada crime nos Estados Unidos desde 1964, a discrimi nação racial persiste.
A eleição de Barack Obama, primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos, representou um marco na sociedade estadunidense, ao mesmo tempo que reflete resultados positivos das lutas empreendidas pela população afrodescendente por melhores condições de vida e uma participação mais ativa na sociedade.

A intolerância com os imigrantes


O preconceito contra os imigrantes, sobretudo latino-americanos, é um dos problemas sociais enfrentados pelos Estados Unidos. A falta de tolerância, ou seja, a restrição em aceitar que outras pessoas tenham maneiras de pensar e de agir diferentes de si mesmo, causa diferentes problemas de convivência. Quando essa intolerância se volta contra imigrantes resulta em xenofobia, um sentimento de aversão ao estrangeiro. 
A intransigência também ocorre na forma de racismo, quando pessoas nutrem preconceito extremado contra indivíduos de outras etnias, culturas e religiões, julgadas inferiores. Muitas vezes, esses sentimentos são manifestados por meio de perseguição, violência física e discriminação contra essas pessoas. Os Estados Unidos constantemente são palco de situações que envolvem a intolerância aos imigrantes.


América Anglo-Saxônica: ambiente e recursos naturais

Ambiente e desenvolvimento econômico


Em qualquer área de nosso planeta, as características ambientais determinam os recursos naturais de uma área, que podem ser explorados ou não, de acordo com as necessidades e condições técnicas de um grupo em certa época. Os Estados Unidos e o Canadá detêm importantes jazidas minerais e recursos hídricos que são intensamente explorados. O aproveitamento des ses recursos, voltado ao desenvolvimento econômico e à satisfação das necessidades da população, acaba gerando pressões ambien tais, que retornam para seus habitantes por meio de crises hídricas e poluição da água, do ar e do solo.
A América Anglo-Saxônica tem recursos minerais em abundância, como ouro, cobre, chumbo, zinco, minerais de terras raras (usados na informática) e minério de ferro, encontrados principalmente nas áreas montanhosas e nos planaltos desgastados da Costa Leste.
Nas áreas da Planície Central estão as maiores jazidas de petróleo e gás natural; já o carvão está mais igualmente distribuído pelo território. Os Estados Unidos são o terceiro maior produtor de carvão mineral do mundo, ao lado da China e da Índia. Questões que envolvem gestão, exploração e industrialização de minerais são fundamentais para esses países, que consomem grandes quantidades des ses recursos e dependem deles para abastecer suas atividades econômicas.
No entanto, a extração excessiva de recursos naturais provoca uma série de impactos ambientais, como danos irreversíveis ao solo e ao relevo pela atividade mineradora. Além disso, o uso de máquinas para extração, transporte e trans formação desses recursos emite gases que provocam o efeito estufa. Nas últimas décadas, a comunidade internacional tem aumentado a pressão para que as maiores economias do mundo, como Estados Unidos e Canadá, diminuam o consumo de combustíveis fósseis. Assim, em 2016, o governo canadense anunciou que até 2030 o país não deve mais utilizar carvão mineral para a produção de eletricidade.
O governo dos Estados Unidos, na primeira gestão de Donald Trump, recusou-se a assumir qualquer compromisso nesse sentido. Contudo, as propostas de seu sucessor, Joe Biden, mostraram intenções importantes para a implantação de uma pauta favorável ao meio ambiente. Com o retorno de Donald Trunp na sua segunda gestão houve um retrocesso, e portanto, suscitando uma nova pespectiva do governo em relação ao meio ambiente.

Modelo de desenvolvimento insustentável


O grande desenvolvimento econômico, científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos deu ao país uma posição bastante privilegiada. Entretanto, será que esse modelo de desenvolvimento pode ser considerado ideal? Essa questão merece algumas reflexões. Em primeiro lugar, como observamos nas imagens acima, o modelo adotado é, muitas vezes, incompatível com a preservação ambiental.
A fim de abastecer seu parque industrial, o país se tornou um dos maiores poluidores e devastadores de recursos naturais do planeta. Para entender melhor o que isso significa, muitos especialistas asseguram que a existência de mais uma sociedade de con sumo como a estadunidense seria praticamente insustentável para o planeta. Isso porque, segundo cálculos, se a maior parte dos países consumisse recursos naturais como os Estados Unidos, seriam necessários cinco vezes mais recur sos do que o planeta dispõe atualmente.
Outro aspecto importante refere-se às questões sociais, porque, embora vários indicadores mostrem que sua população usufrui de excelente qualidade de vida, parte de seus habitantes convive com sérios problemas socioeconômicos, relacionados, especialmente, à marginalização de determinados segmentos e à discriminação racial. Portanto, o modelo de desenvolvimento estadunidense é questionável, pois estimula o aumento constante do consumo, mesmo que isso resulte em degradação ambiental e em desigualdade social.

Os recursos minerais e a energia


Na produção de carvão destacam--se os montes Apalaches — com suas minas a céu aberto, cuja produção é obti da a custos reduzidos — e as montanhas Rochosas. O carvão estadunidense des tina-se sobretudo à produção de energia, por meio das usinas termelétricas. Com o expressivo crescimento da produção de óleo (petróleo leve) e gás de xisto, chamados de não convencionais, os Estados Unidos sus penderam uma lei de 1975 que proibia a exportação de petróleo cru e passaram a exportar petróleo leve. A maioria das refinarias do país não está adaptada para o processamento do óleo de xisto.
No entanto, é preciso considerar os problemas ambientais decorrentes da extração desses recursos, uma vez que o processo empregado (fracionamento hidráulico) ocasiona a degradação dos lençóis freáticos e das águas subterrâneas. Por isso, apesar de possuírem grandes reservas de petróleo, os Estados Unidos são obrigados a importá-lo, também em razão do elevado consumo de energia e da política de preservação das reservas internas. 
As principais áreas produtoras de petróleo situam-se ao longo do litoral do Golfo do México, no Texas e na Louisiana. Seus principais fornecedores no exterior são o Canadá, a Arábia Saudita, a Venezuela e o México. 
O Alasca também abriga importantes jazidas petrolíferas. A produção local é transportada à outra porção territorial dos Estados Unidos através de um extenso oleoduto que atravessa todo o oeste canadense.
Com a posse das maiores reservas de urânio do mundo, os Estados Unidos lideram a produção de energia nuclear, que supera inclusive o potencial das usinas hidrelétricas. A maior parte da energia gerada no país, porém, é proveniente das usinas termelétricas.

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses eco nômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.

O unilateralismo


Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os in teresses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses.
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no início de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

A Doutrina Bush


A intervenção militar no Iraque é consequência imediata de uma doutrina que justificava a ação dos Estados Unidos contra determinado país. Tratava-se da Doutrina Bush, numa referência ao presidente George W. Bush. Depois de compro vado que o Iraque não tinha armas de destruição em massa (químicas ou nuclea res) — argumento usado para a invasão do território iraquiano —, ficou claro que o objetivo da intervenção no país era a destituição de seu governante — Saddam Hussein, morto em 2006 —, que contrariava os interesses estadunidenses. Essa ação foi tomada sem a aprovação da ONU. De acordo com a Doutrina Bush, o governo estadunidense tinha, por exem plo, o direito de se defender de modo preventivo e antecipado, empreendendo invasões e ataques a países que, do seu ponto de vista, constituíssem ameaça à sua segurança.
Com o 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos empreenderam a “guerra contra o terror”, que provocou mudanças tanto internas quanto em sua relação com os outros países. Nesse contexto, além da ofensiva no Afeganistão, outras medidas foram tomadas: a identificação das nações que, segundo a visão estadunidense, dariam apoio ao terrorismo internacional (Coreia do Norte, Irã e Iraque); a inva são e a ocupação do Iraque, em março de 2003; a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para grampear telefones e prender estrangeiros suspeitos. Os países que, segundo os Es tados Unidos, apoiavam o terrorismo receberam a denominação, em seu conjunto, de “eixo do mal”.

O governo Obama


Em janeiro de 2009, com a posse de Barack Obama, do Partido Democrata, era esperada uma série de mudanças socioeconômicas internas e na política ex terna dos Estados Unidos. Internamente, os principais desafios do governo Oba ma foram minimizar os efeitos da grave crise econômica de 2008, implementar medidas para retomar o crescimento econômico e reduzir o desemprego no país.
No decorrer do primeiro e do segundo mandatos de Obama, houve uma lenta retomada dos investimentos e crescimento da atividade produtiva, graças, em boa parte, à ajuda do Estado, que, apoiado em um plano de reestruturação e fortaleci mento econômico, injetou quase um trilhão de dólares na economia estadunidense.
Externamente, Obama abandonou a Doutrina Bush, mudando a orientação da política externa estadunidense, sobretudo no que diz respeito ao encaminhamen to das questões ambientais e dos conflitos internacionais. No que se refere às questões ambientais globais, porém, a única decisão mais expressiva do gover no Obama foi o compromisso de reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, a partir de 2025, entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005. Essa decisão foi tomada em 2014, em um acordo firmado com a China, que também se compro meteu a garantir a redução desses gases no país. Atualmente, a China é a maior emissora de gases estufa no mundo e os Estados Unidos são o segundo.
Nas questões relativas aos conflitos externos, foram tomadas algumas deci sões importantes, como o plano para a retirada das tropas militares estaduniden ses do Iraque, concluído no final de 2011, e a aproximação dos Estados Unidos com a Rússia, a China e a União Europeia. No primeiro semestre de 2015, estava em curso uma reaproximação com o Irã, país com o qual os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas há mais de 30 anos.
Apesar dessas medidas, o governo Obama participou da ofensiva na Líbia, no âmbito da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para a deposição do ditador Muamar Kadaffi, morto em 2011. Além disso, no início de 2015, a prisão militar na base estadunidense de Guantánamo, em Cuba, que abriga acusados de terrorismo, continuava ativa, apesar de Obama ter manifestado o interesse em fechá-la.
No final de 2015, Barack Obama e o presi dente cubano Raúl Castro retomaram conversações para o restabelecimento dos laços di plomáticos entre Cuba e Estados Unidos, num acontecimento histórico. A partir daí, teve início uma reaproximação entre os dois países, abalada, porém, após a eleição de Donald Trump, que em 2017 anunciou o cancelamento do acordo fechado com Cuba pelo ex-presidente estadunidense.

O governo Trump


O empresário e republicano Donald Trump foi eleito por meio de uma campa nha apoiada em promessas de aumento de emprego, manutenção das indústrias locais e defesa da supremacia estadunidense. Sua eleição à presidência dos Es tados Unidos significou um retorno ao unilateralismo, também marcado por uma tendência protecionista e uma aversão a imigrantes.
No mesmo ano em que assumiu o poder, em 2017, Trump retirou os Estados Unidos de diversos acordos e órgãos multilaterais: do pacto da ONU sobre migra ção e refugiados, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases estufa, além de anunciar a revisão do acordo dos Estados Uni dos com Cuba.
Também nesse ano, alegando que os Estados Unidos querem apenas estabele cer acordos comerciais bilaterais, abandonou a Parceria Transpacífico, que objetiva estabelecer redução nas tarifas de importação entre diversos países da Ásia, Oce ania e América banhados pelo oceano Pacífico. No entanto, temendo um fortaleci mento da China (integrante do acordo) na Ásia, em meados de 2018, os Estados Unidos estavam reconsiderando a possibilidade de retorno ao bloco econômico.
Em 2018, Trump prosseguiu com sua política de ações unilaterais, abandonan do o acordo feito com o Irã (do qual também fazem parte outras cinco potências mundiais). Esse acordo tinha como objetivo limitar o programa nuclear do Irã, com a contrapartida de suspensão das sanções estadunidenses contra os iranianos.
Nesse mesmo ano, para proteger setores industriais locais, Trump aumentou as tarifas de importação de aço e alumínio, o que afetou diversos países, inclu sive a China, com quem esperava reduzir o deficit comercial em 200 bilhões de dólares. Os Estados Unidos vinham apresentando elevados déficits comerciais com a China (em 2017, atingiram aproximadamente 335 bilhões de dólares). Essa medida gerou uma tensão comercial entre os dois países.
Outra bandeira de Trump foi a limitação da entrada de imigrantes no país. Para isso, alterou leis que favoreciam os imigrantes, como a que beneficiava os filhos de imigrantes nascidos nos Estados Unidos.

Estados Unidos: atividade industrial

Os Estados Unidos possuem grande importância no mercado mundial de gêneros industrializados.
O processo de industrialização dos Estados Unidos ganhou força a partir da segunda metade do século XIX e início do XX, especialmente na região nordeste, onde teve iní cio o processo histórico de ocupação do território. A presença abundante de recursos naturais, como reservas de carvão, próximas aos Apalaches, e de jazidas de minério de ferro, próximas aos Grandes Lagos, também favoreceu o crescimento das atividades industriais, sobretudo dos ramos siderúrgico e metalúrgico, no nordeste do país.
Nesse período, também foram encontradas importantes jazidas de petróleo na região dos Grandes Lagos, no Texas e na região do Golfo do México. Com essas descobertas, o país passou a desenvolver também ramos ligados à indústria química, responsável pela fabricação de produtos como combustível, solvente, plástico e borracha sintética. Outro fator que contribuiu para a expansão da atividade industrial na região nordeste dos Es tados Unidos foi a proximidade do oceano Atlântico, facilitando o transporte marítimo das mercadorias para outras regiões, sobretudo para o continente europeu.
Atualmente, a produção industrial estadunidense é bastante diversificada e apre senta indústrias de diversos ramos, como siderúrgico, metalúrgico, petroquímico, automobilístico, aeronáutico, da informática, eletrônica, têxtil e alimentício.

Indústria estadunidense na atualidade

Os Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 18% da produção total da indústria mundial, fato que demonstra sua supremacia econômica. Essa produção é gerada pelo maior e mais diversificado complexo industrial do mundo. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa indústria, em 2018, das 100 maiores empresas do planeta, 37 eram estadunidenses. Além disso, o faturamento dessas empresas chega a superar o Produto Interno Bruto (PIB) de boa parte dos demais países.
Desse modo, o setor industrial estadunidense caracteriza-se pela existên cia de gigantescos grupos empresariais, verdadeiros impérios econômicos que dominam uma parcela significativa da produção mundial e, consequentemente, dos lucros gerados na atual economia globalizada. Esse poderio no campo industrial é fundamental para o desenvolvimento do país, uma vez que o setor dinamiza toda a economia, estimulando o crescimento das atividades agrárias, do comércio e dos serviços.
O avançado estágio tecnológico do setor fabril estadunidense, amplamente domina do pela automação e robotização das linhas de produção, explica o índice relativamen te baixo de trabalhadores empregados no setor, se comparado ao de outros países. Enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) da indústria dos Estados Unidos corresponde a 19%, esse índice é de 27% na Rússia, 26% na China e 24% na Índia.

Recursos energéticos e minerais: da abundância à dependência

O crescimento industrial dos Estados Unidos foi beneficiado pela riqueza de recursos naturais existentes em seu território, sobretudo cobre, carvão, minério de ferro e petróleo.
Um dos principais desafios que os Estados Unidos enfrentam para manter o imenso parque industrial em funcionamento é suprir a crescente demanda de energia e recursos minerais.
O território dos Estados Unidos apresenta vastas e diversificadas jazidas minerais e de recursos energéticos fósseis. Entretanto, a insuficiência de alguns recursos, coloca o país como o terceiro maior importador de minerais do mundo (atrás da China e do Japão).
No setor energético, apesar de ocupar a posição de maior pro dutor mundial, ele não produz o suficiente para abastecer o consumo interno, sobretudo de petróleo. Assim, mesmo sendo o terceiro maior produtor de petróleo mundial, superado apenas pela Arábia e Rússia, o país vem aumentando sua dependência do petróleo internacional.
Embora os Estados Unidos possuam uma vasta riqueza mineral, ainda recorrem à importação de vários recursos, pois sua demanda é muito maior que a produção nacional. Mesmo sendo o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, sua pro dução é insuficiente para abastecer seu parque industrial. Por isso, os Estados Unidos dependem cada vez mais de importações de petróleo de países como Canadá, Arábia Saudita, México e Venezuela.
Essa situação passou a ser mais preocupante com a diminuição da produção petrolífera nas últimas décadas. Dois fatores colaboram para isso: primeiro, o investimento das grandes empresas do setor petrolífero em outros países, reduzindo consequentemente os investimentos no próprio território; segundo, essas empresas têm enfrentado o rigor de leis antipoluentes e uma forte resistência dos movimentos ambientalistas estadunidenses, contrários ao aumento de atividades poluidoras no país.
Em relação aos recursos minerais, o território dispõe de importantes pro víncias mineralógicas, na região dos Montes Apalaches, no leste, e nas Monta nhas Rochosas, no oeste, assim como importantes reservas de carvão e urânio.

Espaço industrial em transformação

A atividade industrial nos Estados Unidos foi iniciada no nordeste do país, região denominada Manufacturing Belt, em ra zão do aproveitamento de condições naturais e históricas favoráveis a seu desenvolvimento. Contudo, nas últimas décadas, está em andamento um grande incremento do processo de industrialização em outras áreas, sobretudo nas regiões sul e oeste, dando origem a um novo cinturão, denominado Sun Belt. Vamos conhecê-los melhor.
Manufacturing belt: essa região se tornou a mais industrializada do país, des tacando-se pela expansão do setor siderúrgico, cujas atividades estimularam o crescimento de vários outros segmentos industriais, como o de mineração, o me talúrgico e o automobilístico. Abrange o nordeste e a área dos Grandes Lagos e, por ser a região mais intensamente industrializada dos Estados Unidos, ficou co nhecido como manufacturing belt ou cinturão das manufaturas.
Contudo, nas últimas décadas, as grandes siderúrgicas e montadoras de au tomóveis, outrora símbolos do potencial industrial da região, vêm atravessando uma forte crise, gerada pela produção do aço a custos mais baixos em países subdesenvolvidos industrializados e pela forte concorrência de produtos japo neses, europeus, dos Tigres Asiáticos e, principalmente, dos chineses. Outro fator importante é o encarecimento da mão de obra, decorrente da atuação efetiva dos sindicatos de trabalhadores na região. Diante disso, o nordeste dos Estados Unidos vem diminuindo de forma expressiva sua participação na pro dução industrial estadunidense.
Sun belt: simultaneamente à crise da atividade industrial na região nordeste, as regiões sul e oeste dos Estados Unidos passaram a atrair muitos investimen tos, especialmente os ligados ao desenvolvimento das indústrias de alta tecno logia, como informática, telecomunicações, eletrônica, aeroespacial e química fina. O avanço dessas atividades proporcionou grande dinamismo econômico a essas regiões, chamadas de sun belt ou cinturão do sol.
O crescimento da atividade industrial nessas regiões foi impulsionado por uma série de fatores. A costa oeste, por exemplo, recebeu muitas indústrias armamentistas e de aviação militar, que estão entre as mais avançadas tec nologicamente. O sul, por sua vez, destacou-se pela descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo, sobretudo no Texas e no Golfo do México, e também pela proximidade com as novas áreas industriais mexicanas.
Recentemente, destacam-se em ambas as regiões (manufacturing ou sun belt) a presença dos chamados tecnopolos, centros de pesquisa formados por univer sidades, laboratórios privados, escolas técnicas etc. que desenvolvem tecnologias em áreas de ponta do conhecimento, como biotecnologia, telecomunicações, in formática ou aeroespacial, a fim de criar novos e sofisticados produtos ou melho rar o processo de produção industrial.

Regiões industriais

A concentração da atividade industrial em determinadas regiões do território favoreceu a formação de imensas aglomerações urbanas industriais. A expansão des sas aglomerações deu origem a importantes megalópoles estadunidenses: na região leste, a Bos-Wash (Boston–Washington); na região dos Grandes Lagos, a Chi-Pitts (Chicago–Pittsburgh); e na costa do Pacífico, a San-San (San Diego–San Francisco).

As principais áreas industriais no território dos Estados Unidos encontram-se agrupadas em duas grandes regiões, são elas:

- Cinturão da manufatura, também conhecida por manufacturing belt: é a região industrial mais antiga, localizada no nordeste do país, entre os Grandes Lagos e a costa atlântica. Foi onde teve início o processo de industrialização dos Estados Unidos e onde estão localizadas importantes cidades do país, como Chicago e Washington, e também importantes portos marítimos, como os de Boston, Filadélfia e Nova York.
Embora o manufacturing belt seja o maior parque industrial dos Estados Unidos, há algumas décadas essa região vem passando por uma crise industrial, decorrente de fatores como a dificuldade de competir com empresas que utilizam mão de obra barata, altos impostos, envelhecimento dos maquinários industriais e ainda intensa competitividade dos produtos industrializados fabricados na Europa e, sobretudo, na Ásia.
Essa crise industrial vem provocando o fechamento de vá rias fábricas, como as automo bilísticas e siderúrgicas. E vem provocando também a queda da participação do nordeste na produção industrial estadunidense. Em razão desses fatos, o cin turão da manufatura está sendo chamado de rust belt, ou seja, cinturão da ferrugem. -

- Cinturão do sol ou sun belt: é a região industrial mais recente, que ganhou força simultaneamente à crise industrial da região nordeste. O sun belt se estende da região sudoeste do terri tório estadunidense, passando pela região do Golfo do México, indo até a região oeste do território e, de modo geral, abriga as indústrias de elevada tecnologia dos Estados Unidos. Na porção sul, as principais atividades industriais são ligadas ao ramo petroquímico, em razão da proximidade das jazidas de petróleo, e também ao ramo aeroespacial, em virtude da presença do Centro Espacial John F. Kennedy, porto espacial da Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (Nasa). Já na região oeste, destacam-se as indústrias de alta tecnologia, como informática, robótica, biotecnologia e microeletrônica.
De modo geral, as indústrias do cinturão do Sol foram impulsionadas pela proximidade que possuem de importantes tecnopolos, ou seja, centros de pesquisas de alta tecnologia associados a importantes universidades, como o Vale do Silício, no estado da Califórnia.

As maquilladoras mexicanas

Um fator que dinamizou a industrialização do sun belt (região que compreende o sul e o sudoeste dos Estados Unidos) foi a criação das chamadas maquilladoras, indústrias estadunidenses que passaram a se instalar em território mexicano, próximo à fronteira com os Estados Unidos, a partir da década de 1960. A função específica das maquilladoras é fazer a montagem final de um produto, utilizando peças produzidas em unidades fabris localizadas em vários lugares dos Estados Unidos.
Existem fábricas para a montagem de automóveis, brinquedos e eletrodomésticos, entre outros produtos. Mais da metade do quadro de operários das maquilladoras é composta de mão de obra feminina (entre 50% e 60%), que recebe baixos salários e proporciona altos lucros às empresas estadunidenses.

Características econômicas da América Anglo-Saxônica

Assim como o seu território, a economia da América Anglo-Saxônica é muito grande e importante no contexto mundial. Embora não seja possível comparar a economia dos Estados Unidos com a do Canadá, este último também ostenta uma posição de destaque.

O uso industrial do espaço da América Anglo-Saxônica

Os Estados Unidos se tornaram o principal país industrializado do mundo após a Segunda Guerra Mundial, da qual saiu vencedor depois de atuar em conjunto com os aliados. Enquanto a Europa, arrasada pela guerra, se reconstruía, os Estados Unidos conseguiram desenvolver muitas tecnologias, aplicadas no desenvolvimento industrial e na agricultura.
Distribuição espacial das indústrias Os Estados Unidos criaram indústrias de base e de bens de consumo, como a indústria automobilística, concentrada no norte do país, junto aos Grandes Lagos, principalmente em Chicago e em Detroit.
Essa área industrializada, que engloba o nordeste dos Estados Unidos, e a região dos Grandes Lagos são chamadas de Ma nufacturing Belt (cinturão da manufatura). Para impor sua força militar no mundo foi preciso que os Estados Unidos desen volvessem uma sólida indústria de armamentos, que se concentra na costa oeste, junto a cidades como San Diego e Los Angeles.
A partir do acordo de produção com a China estabelecido na década de 1980, porém, algumas indústrias se deslocaram para o território chinês, diminuindo a ca pacidade industrial estadunidense. Apesar disso, o país continua a manter um importante parque industrial. Essa parceria foi vantajosa a ambos os países, que se consolidaram como as mais importantes potências econômicas e políticas do mundo nas décadas iniciais do século XXI.
No Canadá, estão presentes todos os ramos de atividade industrial, com destaque para a indústria química. É com a produção madeireira, de celulose e de alumínio, porém, que o país se destaca mundialmente.
Mais dinâmica, a economia dos Estados Unidos influencia diretamente a do Canadá, que desenvolve atividades complementares às do país vizinho. Em Vancouver existe correspondência com Seattle no setor aeronáutico. Em Toronto e Montreal estão situadas fábricas de automóveis que podem ser consideradas uma extensão das matrizes dos Estados Unidos.

O uso agropecuário do espaço

Os Estados Unidos apresentam uma diversificada produção agrícola. O país está entre os principais produtores de soja, algodão, trigo e milho do mundo, além de também contar com um dos maiores rebanhos de gado bovino e suíno.
A agricultura é outro setor que se beneficia do desenvolvimento tecnológico dos Estados Unidos. A elevada mecanização aplicada no campo, com utilização de técnicas sofisticadas de produção, garantem ao país safras volumosas por muitos anos, embora reduza a mão de obra.
Uma tecnologia bastante usada no setor agrícola estadunidense, a das sementes transgênicas, é muito questionada em países europeus. Essa técnica consiste na alteração genética da planta para que ela adquira deter minadas características ou resista a organismos prejudiciais ao seu desenvolvimento.
Os cientistas alertam que ainda não se conhecem os efeitos que o consumo desse tipo de alimento pode causar à saúde humana ao longo dos anos. Também se critica a possibi lidade de contaminação de áreas natu rais protegidas, que poderiam ser desestabilizadas pela presença de uma vegetação que não existia antes na natureza.
No Canadá, por sua vez, o extrativismo é praticamente voltado à exploração de madeira, retirada da floresta Boreal, ou Taiga. Essa floresta tem uma pequena diversidade de espécies, com predomínio de coníferas. O Canadá é o principal produtor de madeira certificada, que é usada para a fabricação de celulose.
Na agricultura, o cultivo de cereais e de frutas ocorre nas Pradarias canadenses e na planície do rio São Lourenço. As terras cultiváveis são reduzidas em virtude da baixa temperatura e do predomínio da Tundra. Nessa área, uma camada de gelo que cobre o solo permanentemente, conhecida como permafrost ou pergelissolo, impede o cultivo mesmo no verão. No Canadá também se destaca a criação de gado, especialmente no sistema intensivo.
A produção em Ciência e Tecnologia (C&T) Em 2015, o Canadá investiu pouco mais de 1,6% de seu PIB no setor de pro dução em Ciência e Tecnologia, enquanto os Estados Unidos investiram cerca de 2,8% do seu PIB. Esse setor adquire importância cada vez maior no mundo contemporâneo, e os Estados Unidos ocupam a liderança mundial em inovação, inclusive como um importante país exportador de C&T.

Desenvolvimento tecnológico: redes sociais

Nas últimas décadas, foram criadas nos Estados Unidos diversas empresas de computadores e de tecnologia. O Vale do Silício, localizado na Califórnia, na costa oeste do país junto a São Francisco, recebeu esse nome devido à grande concen tração de empresas de informática. O silício é o elemento químico básico para a fabricação de componentes da indústria eletrônica e de informática, como processadores, circuitos e chips.
Essas empresas se dedicam à inovação de materiais, computadores, chips, monitores, telefones celulares e programas de computa dor. Na Califórnia, em Mountain View e em Palo Alto, estão sediadas também as principais empresas de tecnologia do país, que criaram as redes sociais e os sistemas de busca na internet usados em grande parte do mundo. A região onde se concentram as indústrias de alta tecnologia nos Estados Unidos é chama da de Sun Belt (cinturão do Sol, pois se loca lizam nas áreas de clima mais quente).
Tecnologias de ponta, como as do setor de informática, são criadas por profissionais locais, ainda que boa parte seja de imigrantes. Muitos estudantes vão aos Estados Unidos para se especializar em cursos de mestrado e doutorado e acabam fixando residência no país, aceitando convites de trabalho em empresas e universidades.
Os Estados Unidos são líderes nas inovações tecnológicas. Para alcançar esse desenvolvimento, o governo investe muito em Ciência e Tecnologia.
Vale lembrar que o país ostenta o maior PIB do mundo. Logo, o valor que investe é superior a todos os demais da ta bela. Os investimentos em C&T conferem vantagens às em presas estadunidenses. Além de fabricarem novos produtos tecnológicos, que são vendidos em todo o mundo, os Estados Unidos recebem pagamento pelo uso das tecnologias criadas em seu território quando o produto é feito fora do país. Muitas fábricas se deslocaram para o México e para a China, onde a produção é mais barata. Entretanto, as empresas remetem parte dos lucros aos Estados Unidos.

Os Estados Unidos e o canal do Panamá no comércio mundial

O canal do Panamá foi criado para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, com o objetivo de facilitar o comércio marítimo internacional, evita...