domingo, 22 de fevereiro de 2026

O IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A projeção dos Estados Unidos foi crescendo ao longo do século XX conforme o país exercia sua força política, econômica e militar. Seu governo desenvolveu uma poderosa Marinha de guerra, com a instalação de bases estrategicamente posicionadas em todos os oceanos.
Na América Central, por exemplo, os Estados Unidos começaram a aumentar seu domínio por meio de intervenções militares. O expansionismo estadunidense nessa parte do continente americano é resultado de uma política de domínio e controle para evitar a influência econômica e política de outras forças mundiais, principalmente da Europa.
O poder político e econômico dos Estados Unidos concretizou-se após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o país conquistou mercados que antes pertenciam às potências europeias. A própria entrada do país no conflito, em apoio aos Aliados (Reino Unido, França e União Soviética) e contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), tinha um motivo estratégico.
Os Estados Unidos estavam em situação mais favorável do que os Aliados, pois entraram no combate apenas em 1941. Assim, sofreram menos perdas de soldados do que outros países envolvidos no conflito e, principalmente, seu território não foi afetado pelo con flito, já que os combates mais importantes e violentos ocorreram na Europa. Dessa forma, o país conseguiu aumentar sua produtividade industrial e acumulou capital durante esse período.
Com o encerramento da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se colocaram definitivamente como representantes da hegemonia global. A fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949, foi primordial para consolidar a presença das forças militares nas fronteiras europeias, como forma de diminuir a influência da União Soviética (URSS). Naquele momento, qualquer ação soviética era entendida como um risco à estabilidade dos Estados ou ameaça à democracia, e a Otan deveria manter a estabilidade na Europa, discurso fortalecido no contexto da Guerra das Coreias (1950-1953).
Após o fim da Segunda Guerra, os interesses estadunidenses continuaram operando na bipolaridade geopolítica que se consolidou por meio da Guerra Fria (1945-1989), com a URSS, e disputando territórios na América, na Europa, na Ásia e na África.
Na América Latina, os Estados Unidos ampliaram sua influência nesse período, apoiando golpes militares na região, vistos como uma forma de afastar possíveis influências da União Soviética no continente.
A influência dos Estados Unidos no Vietnã teve início em 1954, com a Convenção de Genebra e a divisão do território da Indochina em Vietnã do Norte, governado por Ho Chi Minh, e a República Democrática do Vietnã, sob influência estadunidense. A unificação dos dois territórios aconteceria com eleições nacionais, em 1956; no entanto, com a popularidade do governo aliado à ex-União Soviética, o pleito foi cancelado, contradizendo os ideais democráticos do país e apoiado pelo governo dos Estados Unidos. Em 1957, os conflitos envolvendo os territórios vietnamitas foram iniciados.
Uma parcela da população sul-vietnamita, contra o domínio estadunidense e a favor do governo de Ho Chi Minh, criou a Frente Nacional para a Libertação (FNL), como tentativa de combater o governo local. Com o intuito de parar a expansão do grupo e das tropas comunistas, o governo dos Estados Unidos instalou, em 1964, forças militares e tomou o poder da República Democrática do Vietnã, após alegar um ataque do Vietnã do Norte a um submarino estaduni dense. O ataque nunca existiu e os dados foram divulgados após a tomada do território pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.
Em 1969, as tropas estadunidenses e aliados do país invadem o território da Camboja, com o principal objetivo de destruir as forças comunistas do sul do Vietnã. O conflito envolvendo Vietnã e Estados Unidos acaba em 1975, quando exércitos do Vietnã do Norte, aliados à ex-União Soviética e aos grupos da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (FNL), invadem a capital Saigon, tomando o poder. Em 1973, os países assinam, em Paris, o acordo que encerra definitivamente a ação do imperialismo estadunidense na Indochina.
Assim, a estratégia geopolítica norte-americana no pós-guerra foi realizada em duas grandes frentes: a exportação de bens de consumo via controle tecnológico e industrial e a conversão dos ganhos econômicos em poderio militar, que poderiam ser utilizados, por exemplo, na instalação de bases militares terrestres e navais no planeta, inclusive na América e na África.
O imperialismo estadunidense e a tentativa de influência em diferentes territórios contribui para o aumento das tensões entre as fronteiras. A guerra do Vietnã (1955 a 1975) e da Ucrânia (iniciada em 2022) são exemplos das consequências do expansionismo do imperialismo esta dunidense, que resulta na quebra de acordos de paz internacional, além de inúmeros outros prejuízos para os países que estão envolvidos. Embora a URSS tenha caído em 1989, os embates da bipolaridade entre Rússia e EUA são resultados desse imperialismo e da bipolaridade mundial.
O imperialismo estadunidense se estabelece com o final da Guerra Fria e final da União Soviética, em 1989. Antes da queda do Muro de Berlim a tentativa do governo estadunidense era expandir sua influência política em diversos territórios, principalmente na Europa Ocidental. Ainda hoje as tensões geopolíticas causadas pelos diferentes acordos e interferências políticas podem ser observadas, como é o caso dos conflitos com o Afeganistão de 1979 a 2021 e os atuais envolvendo Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022.
Embora a nação estadunidense seja mundialmente conhecida por seu ideal de democracia e liberdade, o país revela que a sua atuação e interferência em outros territórios são arbitrárias e, muitas vezes, antidemocráticas, como aconteceu na Guerra do Vietnã.

A conquista da liderança mundial


Ao final da Segunda Guerra Mundial (1945), a Europa estava arrasada e a Grã-Bretanha via seu império desmoronar pouco a pouco. Foi nesse contexto que os Estados Unidos conquistaram a liderança mundial, unindo poder econômico e poder militar. A partir de então, o mundo passou a ser regido pelos interesses estadunidenses. 
O modelo de desenvolvimento estadunidense, porém, não pode ser considerado um exemplo a ser seguido pelos demais países, tendo em vista os meios pelos quais os Estados Unidos alcançaram o domínio econômico, político e militar internacional e a maneira como direcionam suas ações, como a sua política externa, responsável pela promoção de invasões e guerras, e os elevados níveis de consumo de sua socie dade, que contribuem para gerar uma grande quantidade de lixo e poluentes.
Atualmente, diversos fatores garantem o dinamismo da economia estaduni dense: o grande mercado de consumo; a disponibilidade de recursos minerais; o elevado grau de avanço tecnológico (aeroespacial, informática e telecomunicações); a boa infraestrutura de transportes; a grande quantidade de empresas transnacionais; a forte influência cultural exercida sobre a população dos demais países, especialmente os jovens; os investimentos do governo em pesquisa (nos Estados Unidos, o Estado financia 50% das pesquisas nos setores de alta tecnologia); e a grande capacidade de produção agrícola.
É difícil avaliar se a China romperá a hegemonia estadunidense e alcançará um poderio político e militar superior ao dos Estados Unidos. Em projeções de longo prazo, muitos analistas afirmam que, para isso, o governo chinês teria de solucionar questões internas de minorias étnico-religiosas. Outra questão é sa ber qual seria a reação dos vizinhos poderosos — Japão, Coreia do Sul e Índia —, aliados dos Estados Unidos.
De qualquer forma, a China foi aos poucos con quistando mercados consumidores para seus produtos (inclusive de alta tecnologia) em todo o mundo, particularmente na África e na América Latina. Além disso, o país tem papel protagonista no conjunto dos Brics.
No sudeste da Ásia, a China estrutura cadeias globais de produção, com investimentos em unida des fabris em países dessa região, que também se tornam exportadores de mercadorias industriais, além de fornecerem componentes para as indústrias chinesas. Os chineses também se beneficiam dos excedentes de capitais gerados no Japão e na Coreia do Sul e investidos em seu território.

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