domingo, 6 de setembro de 2026

PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA ANTES DA ESCRITA

Até o início do século XX, vigorava entre os historiadores a ideia de que o conhecimento histórico só poderia ser construído pela análise de documentos escritos. Para esses profissionais, não poderia haver história sem fontes escritas. Por isso, o período anterior à escrita foi chamado de Pré-História.
Esse critério, porém, é muito simplificador, pois desconsidera todos os outros vestígios deixados pelos seres humanos antes de desenvolver a escrita, como os artefatos criados e os registros rupestres. 
Com a ampliação dos registros considerados fontes históricas, passou-se a questionar o uso desse termo, visto que os registros deixados pelos primeiros seres humanos (como objetos de cerâmica e pinturas rupestres) também começaram a ser considerados históricos. 
Por isso, atualmente, prefere-se chamar o período anterior ao uso da escrita de história Pré-escrita, em vez de Pré-história. Feita essa observação, você vai conhecer a divisão mais tradicional da história antes da escrita.
Esses questionamentos se refletiram nas propostas de periodização. Até então, a época anterior ao surgimento da escrita era dividida em dois grandes períodos, que se subdividiam: a Idade da Pedra e a Idade dos Metais. A Idade da Pedra compreendia o Paleolítico e o Neolítico. A Idade dos Metais, por sua vez, era subdividida em Idade do Bronze e Idade do Ferro.
Essas periodizações e as datas às quais elas se referiam diziam respeito à história de alguns povos do continente europeu, do norte da África e de parte do Oriente Médio. Essa cronologia desprezava o desenvolvimento tecnológico ocorrido no restante do mundo, em outras temporalidades. Além disso, esse modo de classificar os períodos da história sugeria que havia uma evolução entre os povos, como ocorre na biologia.
Existem sociedades atuais, por exemplo, que não têm sistema de escrita nem vivem em cidades. No entanto, sabemos que isso não significa que elas sejam atrasadas em relação às outras culturas ou mesmo que não tenham história. 
Cada grupo apresenta movimentos próprios de desenvolvimento e isso não o torna superior ou inferior. Dessa forma, as periodizações foram sendo adaptadas de acordo com a região abordada, já que, em cada parte do mundo, o desenvolvimento de tecnologias ocorreu em ocasiões diferentes. Assim, evita-se criar um julgamento que conceba a história como um processo evolutivo “rumo ao progresso”. 

A vida dos primeiros seres humanos 


Como era a vida dos primeiros seres humanos? De 120 mil a aproximada mente 12 mil anos atrás, os grupos humanos que foram estudados por arqueólogos e historiadores possuíam algumas características em comum. Vamos conhecê-las?

Caçadores e coletores: Os primeiros grupos humanos se dedicavam às atividades de subsistência. Para isso, se concentravam na caça, na pesca e na coleta de frutos, verduras e outros alimentos. Eles também coletavam diferentes matérias-primas, como a madeira e diferentes rochas, usadas para a fabricação de ferramentas.
Nômades: grupos que viviam em pequenos bandos, abrigavam-se em cavernas e deslocavam-se com frequência de um lugar para o outro por causa da escassez de caça e pesca.
Ferramentas: Os primeiros grupos humanos, em seu dia a dia, quebravam pedras e as transformavam em instrumentos cortantes, usados, por exemplo, para caçar, guerrear ou cortar a carne de suas presas. A época em que os seres humanos desenvolveram essa tecnologia foi chamada pelos pesquisadores de Idade da Pedra Lascada ou Paleolítico, em referência aos instrumentos feitos de pedra.
Controle do fogo: Esses povos começaram a controlar o fogo, que era fonte de luz e calor e recurso para cozinhar alimentos. Com isso, alguns grupos humanos começaram a se estabelecer por mais tempo em determinados locais, ou seja, estabeleciam-se por longos períodos em certos locais, deslocando-se apenas quando se esgotavam os recursos à sua volta. 
Arte rupestre: Os humanos também se expressavam artisticamente por meio das inscrições (ou pinturas) rupestres, em rochas e nas paredes e tetos das cavernas e de outros abrigos. Essas pinturas tinham como tema cenas do cotidiano, como é o caso da caça, apresentando figuras humanas, animais e outros objetos. As tintas e pigmentos eram produzidos com sangue, minerais, argila, gordura animal e resinas vegetais, entre outros.

As primeiras sociedades 


Ao pesquisar a história das diferentes sociedades humanas que tiveram origem na África, arqueólogos e outros estudiosos encontram os mais variados vestígios que demonstram os hábitos e as habilidades desses povos. 
Entre esses hábitos e habilidades estão, por exemplo, a invenção das primeiras tecnologias, o controle do fogo, o desenvolvimento dos idiomas, das expressões artísticas e dos ritos religiosos. 
Todas essas transformações culturais, pioneiramente realizadas por diferentes povos africanos, foram promovendo mudanças na natureza e na paisagem e nas formas de relacionamento social.

Paleolítico: povos caçadores-coletores



O primeiro marco da divisão da história Pré-escrita é o Paleolítico, que corresponde ao período em que os seres humanos usavam instrumentos feitos de pedra lascada, que já eram empregados havia cerca de 2,5 milhões de anos por outros hominídeos.
O Paleolítico foi um período muito longo da história da humanidade, no qual os seres humanos sobreviveram da caça, da pesca e da coleta de frutas, sementes, raízes e folhas. Por isso, ficaram conhecidos como caçadores e coletores.
Os historiadores dão o nome de Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada ao período mais remoto da história dos seres humanos, quando eles se abrigavam em cavernas, vestiam-se com peles de animais e faziam instrumentos rudimentares de lascas de pedra, ossos e madeira. 
As pesquisas indicam que os primeiros grupos humanos caçavam, pescavam e coletavam grãos, frutos e raízes para se alimentar, mas não cultivavam plantas nem criavam animais.
Nessa época, os seres humanos eram nômades, ou seja, deslocavam-se de um lugar para outro em busca de melhores condições de sobrevivência, e formavam grupos pouco numerosos em que o trabalho era coletivo: a caça, a pesca e o corte de lenha eram tarefas dos homens; já as mulheres coletavam frutos, preparavam os alimentos e cuidavam das crianças. 
Consumiam alimentos que encontravam na natureza e, quando esses alimentos se tornavam escassos, mudavam-se para outros lugares. Por isso, foram chamados de caçadores-coletores nômades.
Evidências sugerem que alguns grupos humanos aprenderam a fazer o fogo há cerca de 1 milhão de anos. Aqueles que dominavam essa técnica apresentavam vantagem em relação aos demais: as fogueiras serviam para se aquecer, afugentar animais, iluminar o interior de cavernas, acender tochas e cozinhar alimentos.
Durante os milhões de anos do Paleolítico, nosso planeta passou por intensas mudanças climáticas. Assim, os povos das diferentes regiões do mundo tiveram que se adaptar a essas mudanças, criando ou aperfeiçoando maneiras de viver e sobreviver. Nesse período, uma das conquistas mais importantes dos grupos humanos foi o controle do fogo. Mas como esses grupos aprenderam a controlar o fogo?
Supõe-se que, no princípio, eles procuraram manter aceso o fogo provocado ocasionalmente pela natureza (por exemplo, as chamas nos galhos de uma árvore atingida por um raio). Depois, descobriram como produzir fogo pelo atrito entre pedaços de madeira ou lascas de pedra.
O fogo foi utilizado de várias maneiras, por exemplo: para combater o frio intenso; ilu minar ambientes escuros; afastar animais predadores; cozinhar alimentos em fogueiras. Esses usos do fogo continuam importantes até hoje. Na iluminação, o fogo foi utilizado até a invenção da lâmpada elétrica em 1879.
Além do controle do fogo, os seres humanos começaram a construir abrigos utilizando madeira, peles e ossos. Também passaram a fazer roupas com peles de animais.
Aos poucos, esses grupos humanos desenvolveram os primeiros instrumentos para caçar, pescar, colher plantas comestíveis, cortar frutos ou mesmo para fazer outros instrumentos, como lanças, arcos, flechas, arpões, lâminas e anzóis. 
Na fabricação desses instrumentos eram utilizados materiais como madeira, ossos, chifres e pedras lascadas, motivo que levou esse período a ser chamado de Paleolítico (palaiós = antigo, primitivo; líthos = pedra), que significa “velha idade da pedra”.

Neolítico: sociedades agrícolas e pastoris


Pesquisas indicam que, por volta de 12 mil anos atrás, alguns grupos humanos aprenderam a domesticar animais e a praticar agricultura. Esse fato diminuiu a necessidade de deslocamento em busca de comida, tornando-os seminômades. 
A partir de 8000 a.C., aproximadamente, em algumas regiões do mundo, parte dos grupos humanos começou a polir as pedras para confeccionar instrumentos, como facas, foices e machados. 
Esses instrumentos cortavam melhor que os instrumentos de pedra lascada, utilizada no Paleolítico. Esse novo período foi classificado como Neolítico (do grego, neo = novo; líthos = pedra; que significa “nova idade da pedra”).
Além dos instrumentos de pedra polida, considera-se que uma das principais inovações do Neolítico foi o cultivo de plantas (agricultura) e a criação de animais (pastoreio). Essas atividades se tornariam importantes fontes de obtenção de alimento, juntamente à caça, à pesca e à coleta de grãos e frutos silvestres.
Nesse mesmo processo, houve grupos humanos que se tornaram sedentários, ou seja, fixaram-se em um território, formando aldeias. Nesses locais, as terras e os instrumentos de trabalho eram de uso coletivo. 
Os homens fabricavam armas e instrumentos de trabalho com a técnica de polimento de pedras, ossos e madeira, construíam abrigos e caçavam; já as mulheres cuidavam das crianças, plantavam, cozinhavam e produziam utensílios de palha e cerâmica.
O desenvolvimento da agricultura e da criação de animais ocorreu em várias regiões do mundo, mas em diferentes momentos. Por isso, não é possível utilizar uma data exata de término de um período e início do outro. 
Na África (região do atual Egito) e no Oriente Médio (região do atual Iraque), esse processo teve início por volta de 8000 a.C. (cultivo do trigo e da cevada e criação de ovelhas, porcos e bois). Na América, alguns pesquisadores acreditam que o processo teve início por volta de 6000 a.C. (cultivo de milho, abacate, pimenta, tomate, abóbora, feijão e criação de patos e perus).

Sedentarização e produção de alimentos


Durante o período Neolítico, a agricultura e a criação de animais forneceram alimentos para as comunidades humanas. No entanto, outra parte dos alimentos continuou vindo da coleta de frutos, da caça e da pesca.
As novas atividades de produção levaram certos grupos a morar por mais tempo nas terras que cultivavam. Criou-se, assim, um novo modo de vida, chamado sedentarismo, ou seja, certos povos passaram a habitar um mesmo local de forma prolongada em função, por exemplo, da agricultura.
Os cultivos agrícolas desse período variaram de região para região, destacando-se os de trigo, centeio, cevada, milho, batata, mandioca e arroz. As criações mais comuns eram de carneiros, cabras, bois e porcos.
Aos poucos, com o domínio de técnicas agrícolas e pastoris, muitos grupos foram armazenando alimentos e se organizando em aldeias.
Apesar do enorme avanço tecnológico atual, é possível dizer que a maioria dos alimentos consumidos pela humanidade no século XXI derivam de plantas que foram domesticadas entre 8000 a.C. e 3500 a.C., como trigo, milho, batata, feijão, arroz, centeio, cevada, entre outras. Isso demonstra nossos vínculos com os conhecimentos agrícolas e pastoris dos tempos neolíticos.

Inovações técnicas do Neolítico 


Além da agricultura, da criação de animais e da sedentarização, outras transformações importantes aconteceram no período Neolítico. Muitas delas estavam ligadas a inovações técnicas na:

• cerâmica – diversos grupos humanos começaram a produzir utensílios de cerâmica, modelando a argila e aquecendo-a no fogo. Supõe-se que foi a necessidade de cozinhar e de armazenar os alimentos que levou à confecção desses utensílios;
• tecelagem – vários povos começaram a fiar e a tecer, utilizando as pelagens de animais e as fibras vegetais. Surgiram, então, as primeiras roupas de lã, linho e algodão. Antes disso, as vestimentas eram feitas principalmente do couro e de peles de animais;
• moradia – os grupos humanos também começaram a construir casas mais duradouras, feitas de madeira, barro, pedra e folhagem seca. A edificação desses tipos de moradia está relacionada ao processo de sedentarização. 

Aldeias e primeiras cidades


As primeiras aldeias sedentárias foram surgindo à medida que as comunidades neolíticas se fixavam em um território. Essas comunidades dedicavam-se principalmente à criação de animais e ao cultivo agrícola. 
De modo geral, estudiosos supõem que em muitas comunidades os homens mais jovens praticavam a caça e a pesca. Já as mulheres cuidavam da agricultura, cozinhavam os alimentos, produziam utensílios de cerâmica, teciam roupas e cuidavam das crianças. 
Aos poucos, a divisão das tarefas se tornou mais especializada e as aldeias foram se organizando de maneira mais complexa. Isso teria contribuído para o surgimento das primeiras vilas e cidades. Estas incorporaram à sua organização social novos elementos: por exemplo, uma muralha protetora, um templo para cultuar um deus, grupos de sacerdotes: armazéns para guardar os alimentos, guerreiros para cuidar da defesa etc.
No Oriente Médio, surgiram algumas das primeiras sociedades urbanas. Entre as cidades mais antigas do mundo, podemos citar: Jericó, na região da atual Palestina; Beidha, na atual Jordânia; e Çatal Hüyük, na atual Turquia. Elas se desenvolveram das vilas agrícolas entre 8000 a.C. e 7000 a.C.

Metalurgia e desenvolvimento técnico 


Ao final do período Neolítico, em cerca de 4000 a.C., em algumas das primeiras cidades do mundo, surgiu a metalurgia, técnica que permite a transformação de metais em objetos variados. Essa inovação costuma ser considerada um importante marco do desenvolvimento tecnológico humano. 
Em geral, os metais são tão resistentes quanto as pedras, mas oferecem mais possibilidades de modelagem. Quando derretidos pela ação do calor (fusão), os metais assumem as formas mais variadas. No desenvolvimento inicial da metalurgia, foram utilizados três tipos de metal.
O primeiro metal a ser empregado em grande quantidade foi o cobre. Da mistura do cobre com o estanho, foi obtido o bronze. Por ser mais resistente que o cobre, o bronze tornou-se matéria-prima para a fabricação de espadas, escudos, lanças e martelos. 
Por volta de 1500 a.C., povos que viviam na Ásia Menor ( região que atualmente pertence à Turquia) começaram a utilizar o ferro. Os instrumentos feitos de ferro, por sua maior resistência, favoreceram o aumento da produção agrícola e artesanal.
Os artesãos metalúrgicos foram capazes de produzir diversos tipos de objetos e instrumentos, como panelas, vasos, enxadas, machados, pregos, facas e lanças de metal. Instrumentos de pedra, como pontas de flechas e raspadeiras, continuaram sendo utilizados.

Arte, crenças e invenções das primeiras sociedades humanas


No longo período da Pré-História, os seres humanos criaram diferentes for mas de expressar seu cotidiano e suas crenças, e desenvolveram conhecimentos que os ajudaram a sobreviver.
Os humanos pré-históricos fizeram inúmeras pinturas dentro de cavernas, utilizando restos de carvão e tinta produzida com folhas, sangue, urina e terra. Esses desenhos, chamados de arte rupestre, revelam o modo de vida de nossos ancestrais, com cenas de caça, guerra e coleta.
Outra manifestação cultural da Pré-História são as estatuetas femininas, esculpidas em pedra ou osso, encontradas em diversas partes do mundo. A função das pinturas rupestres e estatuetas não era decorativa. Elas são consideradas manifestações artísticas do período e geralmente representam aspectos do cotidiano. Foram encontrados indícios de que os primeiros grupos humanos também costumavam enterrar os mortos em cavernas ou túmulos coletivos, que eram demarcados por grandes blocos de pedra.
No Período Neolítico, a invenção da roda e de embarcações tornou mais rápida a locomoção para lugares distantes. A agricultura gerou a necessidade de novos objetos, como potes de cerâmica, usados para armazenar os grãos e cozinhar os alimentos. O arado com tração animal, as pás, as enxadas e as foices facilitaram o trabalho de plantio e de colheita. 
Entre 5 000 a.C. e 4 000 a.C., algumas sociedades neolíticas desenvolveram técnicas de fundição de metais. Inicialmente, fundiam o cobre e o empregavam na manufatura de vários objetos; depois, passaram a usar o bronze e o ferro, materiais mais resistentes, com os quais faziam instrumentos de trabalho, utensílios e armas.
Existem muitas técnicas e métodos para estudar a cultura material dos povos da Pré-história. Por exemplo, os estudiosos fazem comparações entre esses povos e as sociedades ágrafas do presente. Porém, nem todos os pesquisadores consideram válidas essas comparações, pois afirmam que aspectos formais parecidos entre duas culturas podem ter significados bastante diferentes. Por essa razão, advertem que é preciso cautela para não transferir conhecimentos de um tempo para outro e de uma cultura para outra, como se as culturas ágrafas fossem todas iguais ou tivessem ficado “congeladas” no tempo.
Apesar das críticas ao método comparativo, algumas características parecem ser recorrentes nas sociedades sem escrita. Uma delas é o modo de tratar os idosos. Diferentemente do que acontece nas sociedades industriais de hoje, em que os idosos muitas vezes são considerados “improdutivos” e chegam até mesmo a ser abandonados pela família, nas sociedades ágrafas, eles assumem funções importantes, como a de conselheiros e guardiões da sabedoria dos antepassados.
 

África: o “berço da Humanidade”

Por que em várias situações lemos reportagens, vemos filmes ou ouvimos pessoas dizendo que a África é o “berço da humanidade”? Porque foi neste continente que os cientistas encontraram os vestígios mais antigos da presença da espécie humana. Nesse sentido, para a ciência, o ser humano surgiu na África.
Há aproximadamente 6 milhões de anos, um grupo de primatas teria dado origem aos primeiros hominídeos, seres com algumas características semelhantes às dos humanos modernos. No decorrer dos milhões de anos seguintes, os hominídeos evoluíram e deram origem a outras espécies, como os gêneros Australopithecus e Homo.
Na década de 1970, pesquisadores encontraram na Etiópia um dos esqueletos mais antigos de que temos notícia. Tratava-se de um hominídeo do gênero Australopithecus, que recebeu o nome de Lucy e que viveu há aproximada mente 3,2 milhões de anos. Essa espécie de hominídeo, mais antigo que o Homo sapiens, vivia no sul da África, já andava ereto sobre os dois pés e tinha habilidade nas mãos, apesar de não fabricar instrumentos como o Homo sapiens.

Da África para o mundo 


Todas as evidências indicam que os seres humanos surgiram na África e, a partir dela, se espalharam para os outros continentes. 
Durante muito tempo, acreditou-se que essa dispersão havia se dado em uma única migração, ocorrida há 50 mil anos, com os grupos humanos seguindo até o norte da África e atravessando a península Arábica também pelo norte, em direção à Ásia central. 
Estudos recentes, contudo, concluíram que muito antes dessa migração houve outra, há cerca de 130 mil anos, quando grupos humanos deixaram a região nordeste da África em direção ao sul da península Arábica. 

Continente africano: regiões e povos


As principais fontes para conhecer a história dos diversos povos que viveram no continente africano são as arqueológicas, mas nem todos os terrenos eram propícios à formação de fósseis que permitam um estudo. Dessa forma, somente hipóteses podem ser apresentadas. 
Acredita-se que os grupos de Homo sapiens se desenvolveram na África há cerca de 70 mil anos e espalharam-se pelo mundo. Depois, muitos deles domesticaram plantas e animais, tornando-se sedentários.
O fogo foi utilizado pelas populações da África há pelo menos 60 mil anos. A agricultura, por sua vez, desenvolveu-se em certas áreas, principalmente nas savanas, entre 4000 a.C. e 3000 a.C. Animais como jumento, gato, galinha-d’angola, carneiro e boi foram domesticados, apesar de a caça continuar sendo a principal fonte de alimentação. 
A grande quantidade e variedade de animais do continente permitiu que os grupos humanos se dedicassem à caça durante milênios, aprimorando técnicas de captura e de abate dos animais. Além disso, o caçador habilidoso tinha destaque social e político em várias sociedades.
A África tem três grandes zonas climáticas: o deserto, a savana e a floresta equatorial. As diferenças entre os povos do norte e os do centro e do sul da África estão diretamente relacionadas ao modo como cada um deles lidou com as condições naturais da região que habitava.

O Saara 


O atual Saara é um deserto que abrange a maior parte do norte da África, estendendo-se do mar Vermelho ao oceano Atlântico. Essa região, entretanto, já foi coberta de vegetação e até de algumas florestas e povo ada por variados grupos humanos e por muitos animais. 
Os povos que primeiro domesticaram os animais apareceram ali por volta de 5000 a.C. conduzindo rebanhos de gado, cabras e carneiros. A partir de 3000 a.C., essa enorme área entrou em acelerado processo de desertificação, o que levou muitos grupos humanos e animais a migrar para outras regiões em busca de água e alimento. 
Desse processo resultou o deserto que conhecemos hoje, com água escassa, ação dos ventos alterando constantemente o formato das dunas de areia, calor intenso durante o dia e noites muito frias.

Savanas e florestas 


Os povos das savanas foram os primeiros grupos africanos a desenvolver a agricultura e a se sedentarizar, talvez porque a caça e a coleta eram difíceis na região. Nas savanas, a vegetação é rala, a estação seca é bastante longa, predominam as gramíneas (capim, grama, etc.) e há poucas árvores. Além disso, há animais de grande porte difíceis de se rem caçados.
A floresta equatorial – chamada assim porque é cortada pela linha do equador – tem clima tropical, com densa vegetação e muitas chuvas. Nela há uma enorme quantidade de espécies de plantas, aves, peixes, mamíferos, insetos, etc. A caça e a coleta de plantas comestíveis fornecem alimentação aos habitantes. Sabe-se que a organização social dos povos da floresta, como a dos pigmeus, mesmo que pouco conhecida pelos estudiosos, é baseada em técnicas apuradas de caça aos grandes e aos pequenos animais.

A diversidade humana 


Em 1994, um grupo de cientistas encontrou quatro pequenos ossos de um pé esquerdo, pertencente a um hominídeo, nas cavernas de Sterkfontein, na província de Gauteng, na África do Sul. Três anos depois, encontraram mais três ossos. Desconfiaram que pertenciam ao mesmo indivíduo e que os demais ossos do esqueleto deveriam estar próximos. Acertaram. 
Encontraram os outros ossos daquele hominídeo e o batizaram com o nome de Pé Pequeno (tradução do inglês Little Foot). De moraram treze anos para desenterrá-lo totalmente, e é o esqueleto mais completo de um ancestral do ser humano até hoje descoberto.
Ele media cerca de 1,20 metro e podia andar sem o apoio das mãos. Estima-se que viveu entre 2,2 milhões e 3 milhões de anos atrás, mesmo período do Australopithecus africanus, também encontrado na África do Sul, em 1924, e de Lucy, um hominídeo descoberto na Etiópia, em 1974, ambos com esqueletos bem menos completos que o de Pé Pequeno. Descobertas de fósseis como os de Pé Pequeno, de Lucy e do Australopithecus africanus são evidências de que o ser humano atual surgiu na África e que, de lá, grupos migraram para outros continentes. Mas as sociedades surgidas nesse processo variaram muito em organização e modos de vida. Isso significa que o desenvolvimento da espécie humana não ocorreu no mesmo ritmo nem na mesma direção. 
A única certeza que se tem, entre os cientistas, é a de que todos os seres humanos, hoje, fazem parte da mesma espécie – o Homo sapiens – e uma sociedade não é melhor nem pior, nem mais ou menos desenvolvida do que outra. São, somente, diferentes.



África: vestígios dos primeiros seres humanos

Os vestígios mais antigos produzidos pelos seres humanos foram encontrados na África. É por isso que se afirma que o continente é o “berço da humanidade”.
Por algum motivo que ainda se desconhece, no Paleolítico os humanos migraram para outras regiões, ultrapassando os limites do continente africano. Antes disso, outras espécies de hominídeos, como os neandertais, também tinham deixado a África, e seus fósseis foram encontrados na Ásia e na Europa.
De forma geral, a migração humana começou na África Oriental entre 190 e 160 mil anos. No início, eles se deslocaram para outros lugares do continente africano. Depois, entre 100 e 60 mil anos, ocuparam regiões mediterrâneas, na Europa e no Oriente Médio. 
Na China, os fósseis de humanos mais antigos têm cerca de 80 mil anos. De lá, eles ocuparam a Oceania e, posterior mente, a América.

O surgimento das primeiras cidades

As comunidades sedentárias passaram a praticar agricultura, criar animais, fazer utensílios variados, bem como produzir vestimentas e alimentos no Período Neolítico. 

As primeiras aldeias e as trocas comerciais


As primeiras aldeias sedentárias foram surgindo à medida que as comunidades neolíticas se fixavam em um território. Essas comunidades dedicavam-se principalmente à criação de animais e ao cultivo agrícola. 
Com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais, há cerca de 10 mil anos, parte dos grupos humanos passou a viver mais tempo no mesmo local. Para isso, eles precisaram construir moradias permanentes com materiais que estavam disponíveis na região onde viviam, como pedra, madeira e argila.
As casas podiam ser espaçosas e ter vários cômodos. Em geral, eram erguidas umas próximas às outras para resistirem melhor às chuvas, geadas etc. Eram preferencialmente construídas perto dos rios para facilitar o acesso à água. Juntas, formavam uma aldeia.
No entanto, havia situações nas quais não se consumia tudo o que a comunidade produzia, gerando sobra. Essa sobra, chamada de excedente, começou a ser armazenada para ser utilizada quando fosse necessário, como em períodos de seca ou de inverno, e passou a ser trocada por produtos que a comunidade necessitava, o que representou o início da atividade comercial, apenas trocando um produto pelo outro – prática conhecida como escambo.
A oferta regular de alimentos também favoreceu o aumento da população. A utilização de novas técnicas garantiu a produção de excedentes, ou seja, cada agricultor conseguia produzir mais do que precisava para seu consumo. Os produtos agrícolas que sobravam passaram a ser armazenados para períodos de escassez.
A possibilidade de fazer estoques de alimentos permitiu que parte dos aldeões se dedicasse a outras atividades, como a tecelagem e a carpintaria. O produto do trabalho desses especialistas era trocado pelos excedentes agrícolas produzidos pelos camponeses. As trocas também passaram a acontecer entre aldeias, dando início ao comércio.
Com isso, o modo de vida dessas comunidades se tornou mais complexo e as pessoas passaram a aprender e a se dedicar a apenas um ofício. Essas transformações deram origem às primeiras cidades, nas quais as sociedades desenvolviam novas formas de viver, organizar e dividir o trabalho. 
Com o tempo, a população aumentou, assim como a necessidade de segurança, de regras e de pessoas que exercessem a justiça. Para dar conta desses novos desafios, surgiram os primeiros governos, exercidos por reis. Em algumas cidades houve a necessidade de registrar informações e acontecimentos. Para isso, foram criados os primeiros sistemas de escrita e de numeração. Além disso, essas sociedades eram politeístas.
Entretanto, nem todas as comunidades que viveram no fim do Período Neolítico passaram pelas mesmas transformações. Naquela época existiam comunidades nômades, seminômades, sedentárias e aquelas que viviam em cidades. 

As primeiras cidades


Ao longo do tempo, as aldeias neolíticas cresceram e se desenvolveram, dando origem às primeiras cidades. Uma das mais antigas de que se tem notícia é Çatal Huyuk, localizada na atual Turquia.
Com a produção de excedentes, o comércio e a especialização do trabalho, as aldeias neolíticas modificaram-se, tornando-se maiores e mais complexas.
Diversos fatores, porém, ameaçavam a estabilidade e a segurança dos habitantes das aldeias, como catástrofes naturais e roubo dos es toques de alimentos. Tornou-se necessário, então, organizar a defesa da comunidade, coordenar a produção, o armazenamento e distribuição do alimento e administrar as obras contra enchentes ou secas prolongadas. 
Os responsáveis por essas atividades projetaram-se como líderes poderosos e destacaram-se das demais pessoas da comunidade. Essas mudanças espaciais, administrativas, econômicas e sociais possibilitaram a formação das cidades.
Ao redor da cidade eram cultivados diversos produtos, entre eles cereais, como trigo e cevada. Alguns habitantes dessa cidade eram artesãos, fabricavam tecidos, cestos, cerâmicas e outros utensílios domésticos.
Os habitantes da cidade criavam bois e ovelhas, que forneciam matérias-primas como carne, para alimentação, e couro, para produção de peças de vestuário.
As moradias eram construídas uma ao lado da outra, bem próximas, por isso não havia espaço para ruas. A entrada de cada moradia era uma abertura no telhado.
No Oriente Médio, surgiram algumas das primeiras sociedades urbanas. Entre as cidades mais antigas do mundo, podemos citar: Jericó, na região da atual Palestina; Beidha, na atual Jordânia; e Çatal Hüyük, na atual Turquia. Elas se desenvolveram das vilas agrícolas entre 8000 a.C. e 7000 a.C.
O sítio arqueológico de Çatal Hüyük, localizado na atual Turquia, e o de Jericó, na Palestina, contêm os vestígios mais antigos de vida urbana conhecidos. Eles datam, respectivamente, de 10 mil e 9 mil anos atrás. 
Contudo, não apresentam a mesma complexidade dos aglomerados urbanos formados mais tarde nas proximidades do Golfo Pérsico, como Ur e Uruk. Por isso, nem todos os especialistas concordam em classificá-los como cidades.


O PROCESSO DE SEDENTARIZAÇÃO

NOMADISMO E SEDENTARIZAÇÃO


Para alguns grupos de pesquisadores, com a transformação do modo de vida nômade para o modo de vida sedentário, isto é, com a fixação de moradia, a humanidade passou por uma de suas principais revoluções. Isso porque o processo de sedentarização foi acompanhado pelo intenso desenvolvimento de tecnologias de caça, agricultura e pecuária, além do surgimento de expressões religiosas e artísticas particulares.
No entanto, esse processo não foi uniforme. Diferentes po vos, espalhados pelos continentes, se tornaram sedentários em temporalidades também distintas, e há ainda aqueles que atualmente são nômades ou seminômades, sendo este um aspecto cultural. Ou seja, a transformação de uma sociedade nômade em sedentária não indica sua evolução de um modo de vida inferior para outro superior, porque cada uma tem uma forma de expressar seu modo de organização social.

O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA 


Em várias partes do mundo, em diferentes momentos, os se res humanos desenvolveram técnicas e atividades para garantir a alimentação mesmo em condições climáticas adversas. Uma dessas atividades é a agricultura. 
Uma das hipóteses para o desenvolvimento das práticas agrícolas é a de que elas tenham sido criadas por mulheres, que eram responsáveis pela coleta de frutos, sementes e raízes. Possivelmente, as mulheres observaram que novas plantas germinavam no local em que sementes caíam na terra, dando início às atividades agrícolas.
Aliado a essas percepções, um fator climático contribuiu para o avanço do cultivo de alimentos: o aumento da temperatura do planeta, que acabava de sair da última glaciação, há cerca de 10 mil anos. Os invernos mais amenos facilitavam a manutenção das plantações e propiciavam a existência de vegetação em diferentes regiões do planeta durante a maior parte do ano. 
Uma das principais regiões em que a agricultura prosperou foi a do chamado Crescente Fértil, localizado entre o norte da África e o Oriente Médio. Apesar do clima desértico, nessa região correm três grandes rios que nunca secam: o Nilo, na África, e o Tigre e o Eufrates, no atual Iraque.
Acredita-se que as primeiras plantações tenham sido de ce reais, como linho, trigo e cevada. Posteriormente, foram cultiva dos tubérculos, frutas e hortaliças. 
A domesticação de animais, iniciada também há cerca de 10 mil anos, proporcionou aos grupos humanos fonte regular de carne e leite, além de couro e peles, utilizados na confecção de vestimentas. 

NOVAS TÉCNICAS E TECNOLOGIAS


Por centenas de anos, houve o aperfeiçoamento da produção de ferramentas, que passaram a ser feitas de pedras polidas e, mais tarde, de metais, tornando-se mais úteis e resistentes. Em algumas cronologias mais tradicionais, o desenvolvimento das técnicas de confecção de utensílios de metal, isto é, a metalurgia, marca o início da Idade dos Metais. 
Esse marco corresponde a uma grande transformação no uso de metais para a elaboração de ferramentas, armas e outros objetos. Há evidências do uso do cobre de cerca de 8 mil anos e do uso do bronze de cerca de 6 mil anos, em regiões da África Central e da Ásia. Na Europa, a metalurgia só começou a ser desenvolvida há aproximadamente 4,5 mil anos.
A olaria, que consiste em técnicas de confecção de objetos de argila, também continuou a se desenvolver e, indiretamente, passou a ser uma prática importante para a alimentação das comunidades, pois com essa técnica eram fabricados utensílios para armazenar gêneros alimentícios e água. Ao longo dos milênios de Neolítico, foram desenvolvidos diferentes tipos de vaso, com vários tipos de ornamento e significado.
A olaria também servia para a construção de moradias, que eram feitas de estruturas de madeira, pedra e argila, colocadas para secar ao sol. Essas técnicas rudimentares se transforma ram até os atuais tijolos de cerâmica, utilizados na construção de diversos tipos de prédio. 
A técnica de tecelagem, ou trançamento de fios, foi desenvolvida, primeiro, com fios de fibras vegetais, como cipó e ervas secas. Depois, começaram a ser utilizados algodão e lã. Até então, as vestimentas eram feitas do couro e da pele de animais.

A ESPECIALIZAÇÃO DO TRABALHO 


As mudanças climáticas e o desenvolvimento de técnicas que dependiam da presença constante de pessoas na produção de alimentos foram processos que, ao longo de milênios, levaram à sedentarização.
O crescimento das populações foi favorecido pela facilidade de acesso aos alimentos, acesso esse que se intensificou conforme se desenvolviam as técnicas de fabricação de utensílios e ferramentas de metal e de cerâmica, além das técnicas de tecelagem, as quais possibilitaram diversificar as vestimentas para o abrigo do frio. 
Tal crescimento resultava, por exemplo, na ampliação da quantidade de pessoas disponíveis para a produção de mais ali mentos e utensílios. Dessa forma, com o passar do tempo, em diferentes comunidades, surgiram especialistas em cada função, isto é, pessoas que realizavam determinadas atividades durante muito tempo, aprimorando-se nelas.
Geralmente, a divisão do trabalho nas comunidades neolíticas levava em consideração o gênero e a idade de seus integrantes. No começo, as mulheres, por exemplo, eram responsáveis pela agricultura, pelo preparo dos alimentos e pelo cuidado com as crianças, mas também teciam roupas e faziam cestos e objetos de cerâmica. Os homens, por sua vez, caçavam, cuidavam dos rebanhos e eram responsáveis pela segurança das aldeias, além de construir ferramentas, moradias, cercas, etc.
A invenção de ferramentas, como o arado, e de técnicas agrícolas, como os canais de irrigação, provocou grande aumento na produção de alimentos, que, por sua vez, facilitou o surgimento de novas ocupações, já que não era mais necessário que toda a mão de obra da comunidade fosse empregada no campo. Assim, algumas pessoas tornaram-se artesãs, outras passaram a servir aos deuses que protegiam a todos, tornando-se sacerdotes, etc. 
A divisão do trabalho permitiu maior especialização, pois as pessoas responsáveis por determinada tarefa, com o tempo, se aprimoravam em seus ofícios e, dessa forma, promoviam melhorias e faziam novas descobertas.



Paleolítico

O período Paleolítico (“pedra antiga” ou “pedra lascada”) teve início com o desenvolvimento dos primeiros hominídeos e se estendeu até cerca de 12 mil anos atrás. Esse período compreende a evolução dos hominídeos que deram origem ao Homo sapiens, na África.
Os hominídeos ancestrais do ser humano foram denominados pelos estudiosos com termos que se relacionam a alguma característica marcante que tiveram. Por exemplo, há cerca de 2,2 milhões de anos, viveu o Homo habilis (homem hábil), que desenvolveu habilidade para construir alguns instrumentos de madeira e de pedra.
Atribui-se ao Homo habilis a elaboração dos primeiros utensílios e ferramentas de pedra, confeccionados pela fricção de uma pedra na outra. Essa técnica dá nome ao período chamado de Paleolítico, que significa Idade da Pedra. Dessa época, há também vestígios de objetos feitos de madeira, mas estes são a minoria.
Além de instrumentos de pedra, os humanos que viveram nesse período utilizavam outros tipos de material, como ossos, sementes e madeira. Eles compunham pequenos grupos e não havia definição de papéis para homens e mulheres, ou seja, indivíduos de ambos os sexos realizavam as mesmas atividades, apesar de poder existir uma divisão de tarefas entre eles. 
É provável que nossos antepassados da espécie Homo habilis, que viveram entre 2,2 e 1,6 milhões de anos atrás, se alimentassem principalmente de folhas, frutas e grãos e de restos de animais mortos. Eventualmente, deviam matar e comer pequenos animais. Usavam ferramentas rudimentares, fabricadas sem uma finalidade específica.
O grande salto na evolução do ser humano ocorreu há 1,5 milhão de anos, quando nossos ancestrais passaram a manter a coluna reta e a andar sobre os dois pés. Por isso, esse hominídeo foi chamado Homo erectus (homem ereto). Ele era mais alto, enxergava mais longe, construía ferramentas mais eficazes, caçava com agilidade, além de registrar acontecimentos de seu dia a dia em pinturas nas paredes das cavernas onde vivia. Sua principal conquista foi aprender a usar o fogo e a controlá-lo.
A descoberta do uso do fogo pelos Homo erectus, há mais de um milhão de anos, possibilitou o cozimento da carne, tornando-a mais fácil de ser digerida e favorecendo o aumento do consumo de proteína. Além disso, garantiu proteção aos grupos humanos, que utilizavam o fogo para afugentar animais e para iluminar ambientes escuros, sobretudo à noite. Os Homo erectus foram também a primeira espécie humana a planejar os instrumentos de pedra lascada de acordo com funções predefinidas e a desenvolver a fala, o que fortaleceu a capa cidade de organização dos bandos. 
A garantia de sobrevivência no Paleolítico dependia de muito trabalho, e nesse período houve intenso desenvolvimento de grande variedade de objetos. 
Das espécies humanas primitivas, o Homo neanderthalensis foi o mais parecido com o Homo sapiens. Muito robustos e inteligentes, os neandertais foram habilidosos caçadores. Eles mantinham laços afetivos fortes no interior do bando, preocupando-se com os membros mais frágeis e enterrando seus mortos.
Há 200 mil anos, alguns grupos humanos começaram a se comunicar por meio da fala para compartilhar ideias. Essa habilidade caracterizou uma nova espécie, chamada Homo sapiens (homem que sabe), que se espalhou da África para outros continentes cerca de 70 mil anos atrás.

A vida no Paleolítico 


Os grupos humanos do Paleolítico viviam basicamente da caça e da coleta. Os homens eram responsáveis pela caça, enquanto as mulheres faziam a coleta de frutos, sementes, folhas, mel, ovos e larvas. Como era preciso se deslocar para encontrar o alimento, os grupos humanos eram nômades, ou seja, mudavam-se constantemente. Por isso, não construíam moradias permanentes. 
Eles se alimentavam de pequenos mamíferos, peixes, crustáceos, insetos, raízes e frutas. Eram, portanto, caçadores-coletores. Como a caça se movimentava e a coleta dependia das estações do ano, esses grupos eram nômades. 
Ocupavam cavernas e grutas ou faziam tendas para se abrigar. Por causa da dificuldade da vida nessas condições, os grupos humanos eram pequenos, com poucas crianças e idosos.

VIDA NÔMADE 


No Paleolítico, predominava o nomadismo, modo de vida que se caracteriza pela constante procura por um novo lugar para habitar; ou seja, os grupos humanos desse período não tinham habitação fixa. 
São comuns os vestígios humanos em grutas e cavernas, su gerindo que eram utilizadas como moradias, cemitérios ou lo cais religiosos. Outros tipos de habitação existentes no período eram cabanas feitas de madeira, folhas e fibras de plantas, peles e ossos de animais. 
A alimentação dos diversos grupos humanos era baseada no que estava disponível no local onde viviam. Era comum a coleta de frutos, raízes e plantas, assim como a caça de animais de vários tamanhos. Destes, tudo era aproveitado: couro para vestimentas e abrigo, ossos para ferramentas e objetos, carne para consumo, entre outros usos. 
Em lugares onde havia rios e lagos ou no litoral, praticavam--se a pesca e a coleta de moluscos e de outros frutos do mar. Conforme os gêneros alimentícios se extinguiam, era necessário buscar novos lugares onde a comida fosse abundante. 
Além disso, os diferentes tipos de clima em nosso planeta apresentavam temperaturas alguns graus mais baixas que as atuais. Isso ocasionava invernos mais rigorosos em diversas regiões, motivando migrações em busca de localidades com temperaturas mais amenas.

O DOMÍNIO DO FOGO 


Não há consenso entre os cientistas sobre quando teria se dado o domínio do fogo. Os vestígios e as respectivas análises in dicam um período que varia entre 1 milhão e 400 mil anos atrás. Para alguns grupos de pesquisadores, o Homo erectus teria sido o primeiro hominídeo a dominar o fogo, enquanto para outros grupos esse domínio teria ocorrido pelo Homo sapiens.
Uma das dificuldades para identificar com precisão o período em que o fogo foi dominado é que, antes disso, já havia o uso de fogueiras formadas naturalmente de raios que causavam incêndios na vegetação, por exemplo. Parte do trabalho dos cientistas consiste em analisar os vestígios das fogueiras paleolíticas para descobrir se o uso delas era cotidiano (indicando o domínio) ou se foram feitas por determinado período e depois cessaram (indicando o uso do fogo, mas não a maestria de produzi-lo).
Porém, os cientistas concordam e reconhecem que o domínio do fogo é um dos marcos na história da humanidade, relacionado diretamente ao desenvolvimento das primeiras comunidades. 
O fogo possibilitou a cocção de alimentos, a iluminação durante a noite e a defesa contra eventuais predadores. O cozimento dos alimentos melhorou a qualidade da alimentação, o que fortaleceu a saúde de nossos ancestrais e, consequentemente, favoreceu o surgimento de grupos maiores. 
Além disso, vestígios de fogueiras paleolíticas revelaram que os grupos humanos passaram a ter o costume de se reunir à noite, ao redor do fogo. Esse tipo de contato possibilitava o uso de códigos de linguagem cada vez mais elaborados, além de fortalecer os vínculos da comunidade.
O fogo também estimulou o desenvolvimento de técnicas de olaria, que se constitui no cozimento de objetos de barro, conferindo maior durabilidade às peças produzidas.

AS EXPRESSÕES RELIGIOSAS MAIS ANTIGAS 


As técnicas desenvolvidas na produção de utensílios a partir da pedra lascada e da manipulação da argila não resultaram apenas em armas para a caça ou em ferramentas para a coleta de alimentos vegetais. Essas técnicas também possibilitaram aos primeiros grupos humanos criarem objetos que indicam sua relação com aquilo que consideravam sagrado, sendo, portanto, vestígios das expressões religiosas mais antigas da humanidade.
Existem indícios de práticas religiosas de comunidades paleolíticas em várias partes do mundo. Os tipos de vestígio nesse sentido são diversificados: desenhos feitos em rochas (pinturas rupestres), estatuetas e túmulos. 
Há pinturas rupestres, por exemplo, que representam caça das. Para alguns especialistas, isso indica que as caçadas e as representações delas eram um tipo de ritual. O registro dessa atividade não indicaria que ela tinha sido realizada, mas que ainda iria ocorrer. Ao retratar as caçadas, os membros das comunidades paleolíticas acreditavam que elas ocorreriam da maneira como desejavam.
Algumas estatuetas, feitas de cerâmica ou esculpidas em pedra, também representam temas relacionados à alimentação e à proteção. Elas datam de períodos paleolíticos diferentes e têm formas femininas estilizadas, por isso, foram chamadas genericamente de “vênus”. No entanto, essa nomenclatura é questionada atualmente por alguns grupos de cientistas, já que, na época em que foram criadas, essas estatuetas não eram assim denominadas.
Nos vestígios paleolíticos que sugerem o sepultamento dos mortos, foram encontrados, com certa constância, diferentes objetos, como colares, urnas funerárias e estatuetas, além de corpos cuidadosamente posicionados. De acordo com os especialistas, esses tipos de vestígio evidenciam a crença de que haveria vida após a morte. Mostram também o desenvolvimento da capacidade humana de conferir significados a objetos, para além de seu uso ou de seu formato. Ou seja, evidenciam a capacidade humana de transcender e de compreender símbolos.

OS REGISTROS RUPESTRES 


Os registros rupestres estão entre os principais vestígios gráficos das comunidades do Paleolítico e eram utilizados como meio de comunicação e de expressão. Trata-se de imagens gravadas em grandes rochas, em paredões de pedra e nas paredes internas e externas de grutas ou de cavernas. Essas imagens foram encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida.
Há várias teorias sobre as funções desses registros. A função religiosa, que você conheceu na página anterior, é uma delas. Outra hipótese é que esses registros possibilitavam trocas culturais, já que foram encontrados em diferentes regiões. Quando passava por determinado local, um grupo de pessoas gravava imagens sobre sua passagem, as quais seriam vistas pelos próximos ocupantes desse lugar. 
Do mesmo modo, ao chegar a um novo local, esse grupo também poderia encontrar os registros deixados por outros que haviam estado ali antes. As imagens gravadas representavam cenas de momentos em grupo e do cotidiano, além de caçadas, alimentos vegetais e símbolos que poderiam servir para fazer a contagem de algo, como calendários ou representações astronômicas.
Entre as técnicas utilizadas para fazer as gravuras estavam as de abrasão e as de incisão: primeiro, era feita uma raspagem (abrasão) na superfície rochosa; depois, essa superfície recebia pequenos cortes (incisões) com um instrumento cortante, formando grafismos chamados petróglifos. Também podia ser empregada a técnica da picotagem, que consistia em bater uma pedra sobre a rocha em que se desejava marcar os grafismos.

PRODUÇÃO PICTÓRICA 


Há indícios de que as primeiras pinturas rupestres tenham sido feitas há mais de 30 mil anos. Geralmente, essas pinturas eram produzidas com corantes extraídos de plantas, de carvão vegetal ou de rochas. Muitas vezes, esses corantes eram diluídos ou fixados com uso de água, sangue ou gordura animal ou vegetal. 
As técnicas de pintura podiam ser realizadas com carimbos das mãos, pincéis feitos de pontas de ossos ou de pedras ou, ainda, com o sopro dos pigmentos (com a ajuda de uma espécie de canudo). As produções incluíam grafismos ou representações de animais e de seres humanos em cenas diárias.




Neolítico

No período Neolítico, os humanos passaram a polir a pedra,  aumentando com isso a eficiência e a durabilidade  de suas ferramentas e armas.  Entre as grandes conquistas desse período estão a agricultura e a domesticação de animais; por isso, os grupos humanos daqueles tempos ficaram conhecidos  como agricultores e pastores.
O período em que isso ocorreu, marcado pelo aperfeiçoamento de pilões e moinhos de grãos, além de enxadas, foices e machados de pedra, entre outros objetos, é denominado Neolítico.
No período Neolítico (“pedra nova” ou “pedra polida”), os seres humanos desenvolveram a agricultura e a criação de animais, passando assim, a produzir os próprios alimentos. Esse novo meio de sobrevivência permitiu que eles se fixassem em um lugar.
Uma grande mudança marcou o fim do período Paleolítico e o início do Neolítico: o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. 

O início da agricultura 


No início do Neolítico (10 000 a.C.), a Terra passou por uma por uma grande mudança climática. Nas regiões de clima temperado, as temperaturas se elevaram e as camadas de gelo que cobriam parte da superfície terrestre recuaram. Os animais acostumados a climas frios, como os bisões e os mamutes, desapareceram, e a carne tornou-se menos abundante; intensificou-se, então, a busca por outras fontes de alimentos. Nessa busca, os seres humanos desenvolveram a agricultura e, ao mesmo tempo, começaram a domesticar e criar animais como cabras, ovelhas e bois.
Há cerca de 12 mil anos, alguns grupos humanos começaram a cultivar plantas comestíveis e a criar animais. Isso causou uma transformação no modo de vida desses grupos, mudando o curso da história da humanidade. 
Tudo começou quando alguns seres humanos perceberam que as sementes que caíam no chão davam origem a novas plantas. Eles começaram, então, a enterrar as sementes e constataram que, tempos depois, essas plantas germinavam. Esse processo deu início então à prática da agricultura, possibilitando que os grupos humanos produzissem grandes quantidades de cereais, por exemplo.
Pesquisas recentes indicam que o desenvolvimento da agricultura se deu em vários pontos da Terra ao mesmo tempo. No Oriente, há evidências de que os seres humanos já cultivavam o trigo e a cevada há cerca de 8 mil anos a.C. 
Nesse processo, modificaram frutos, folhas e grãos por meio da seleção das sementes, aperfeiçoando as plantações. Além disso, passaram a escolher os terre nos mais adequados para plantar e programar as regas, a colheita e o armazenamento do que foi colhido, por exemplo.
Esse processo de domesticação da natureza, que recebeu o nome de Revolução Agrícola, durou milhares de anos e aconteceu em diversos lugares do planeta. São considerados berços da agricultura: o Oriente Próximo, a China e o sul do México.

A criação de animais 


Na mesma época em que começaram a ser cultivadas as primeiras lavouras, começou também a domesticação de animais. O cachorro foi provavelmente o primeiro animal a ser domesticado pelo ser humano, ainda no Paleolítico. Posteriormente, no Neolítico, animais como carneiros, cabritos e bois também passaram a ser domesticados. 
A domesticação do cachorro foi muito importante para as sociedades do Neolítico, pois ajudava a cuidar dos grupos humanos com os quais viviam, dando o alerta da chegada de animais ferozes ou de grupos inimigos. Além disso, os cães auxiliavam os homens na captura de animais durante as caçadas.

O processo da sedentarização


A Revolução Agrícola causou alterações profundas na vida dos humanos. Com o domínio da agricultura, vários grupos abandonaram os deslocamentos periódicos, tornando-se gra dualmente sedentários. Como as plantações precisavam de cuidados constantes, as pessoas tinham de permanecer perto dos locais cultivados. Por isso, começaram a construir nas proximidades das lavouras moradias com diferentes materiais, como pedra, madeira e barro.
Ao se fixar para cuidar das plantações, os humanos passaram a precisar de vasilhas para guardar o que colhiam e para cozinhar. Assim, desenvolveram a cerâmica. Ao mesmo tempo que isso ocorria, começaram a domesticar animais e explorá-los a fim de obter carne, leite e pele (para confeccionar roupas e utensílios).
A sedentarização tornou os humanos mais dependentes do grupo e do sucesso da colheita, da qual todos participavam de alguma forma. Além disso, eles precisavam garantir a segurança alimentar e física uns dos outros (pois grãos em abundância podiam atrair grupos rivais buscando comida fácil), e a organização social foi ficando cada vez mais complexa. Com mais comida, eles puderam ampliar a capacidade de formar grupos maiores.

A formação de aldeias 


A agricultura e a pecuária tiveram grande impacto no modo de vida das primeiras populações. A agricultura fornecia cereais, que constituíam a base da alimentação, enquanto a criação de animais fornecia carne e leite, além de lã e couro para a confecção de vestimentas. A força animal podia ser utilizada para facilitar a realização de várias tarefas, principalmente a de arar a terra para plantar. 
Como resultado, houve aumento na oferta de alimentos, com a produção de excedentes que podiam ser armazenados. Isso propiciou o aumento da população, que passou a se fixar nos vales férteis dos rios, formando as primeiras aldeias. Assim, o ser humano passou a deixar a vida nômade e, aos poucos, tornou-se sedentário.
Com a sedentarização e a formação das primeiras aldeias, houve uma mudança significativa no modo de vida dos seres humanos. As pessoas que viviam nas aldeias do período Neolítico dedicavam-se principalmente às atividades da agricultura e da pecuária. Como a produção de alimentos era maior do que o consumo, nem todos precisavam realizar essas atividades. Por isso, havia vários trabalhadores, como ceramistas e artistas, que podiam se dedicar exclusivamente a essas atividades.

A Revolução Neolítica


Há cerca de 12 mil anos, a elevação da temperatura e da umidade, decorrente do fim da última era glacial, provocou mudanças na fauna e na flora, como a redução das savanas e a formação de florestas, além da extinção de grandes animais, como o mamute e a preguiça-gigante, que não se adaptaram ao novo clima. 
Pressionados pelas mudanças no ambiente, os grupos humanos se fixaram às margens de rios e lagos, onde a disponibilidade de alimento era maior. Acredita-se que essa situação possibilitou às mulheres, responsáveis pela coleta, observar mais atentamente o ciclo de vida dos vegetais e perceber que uma nova planta brotava no local em que as sementes eram atiradas após o consumo dos frutos. 
Assim, há aproximadamente 10 mil anos, os seres humanos começaram a praticar a agricultura e a domesticar animais como ovelhas, cabras, porcos, bois e galinhas.
Para cuidar dos rebanhos e das plantações, muitos grupos humanos se sedentarizaram, isto é, fixaram moradia em um lugar, sem se deslocar constantemente como os caçadores-coletores.  Nesses locais, desenvolveram novos instrumentos de trabalho, como pás e foices. Também começaram a fabricar recipientes de barro e cerâmica para transportar líquidos, cozinhar e armazenar alimentos.
Ao longo do tempo, as sociedades humanas desenvolveram tecnologias para aumentar a produção, a variedade e a qualidade dos alimentos cultivados: construíram canais de irrigação, ergueram celeiros para armazenar os grãos e passaram a selecionar sementes para o cultivo e animais para a domesticação. Isso aumentou a oferta de alimentos, o que tornou possível o estabelecimento de sociedades cada vez maiores e mais complexas.
O desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais causaram um impacto tão profundo na organização e no modo de vida dos grupos humanos que os historiadores se referem às transformações que acompanharam esses fatos como Revolução Neolítica
No entanto, é preciso ressaltar que nem todos os povos passaram por essas mudanças. Muitos permaneceram exclusivamente como caçadores-coletores e outros combinaram a caça e a coleta com a prática da agricultura. Ou seja, as sociedades diversificaram-se e selecionaram as práticas e atividades econômicas mais favoráveis à sua sobrevivência.

Os povoadores do território brasileiro

O território que hoje faz parte do Brasil era habitado por diferentes grupos humanos há milhares de anos. Esses grupos viveram em diferentes...