domingo, 6 de setembro de 2026

África: o “berço da Humanidade”

Por que em várias situações lemos reportagens, vemos filmes ou ouvimos pessoas dizendo que a África é o “berço da humanidade”? Porque foi neste continente que os cientistas encontraram os vestígios mais antigos da presença da espécie humana. Nesse sentido, para a ciência, o ser humano surgiu na África.
Há aproximadamente 6 milhões de anos, um grupo de primatas teria dado origem aos primeiros hominídeos, seres com algumas características semelhantes às dos humanos modernos. No decorrer dos milhões de anos seguintes, os hominídeos evoluíram e deram origem a outras espécies, como os gêneros Australopithecus e Homo.
Na década de 1970, pesquisadores encontraram na Etiópia um dos esqueletos mais antigos de que temos notícia. Tratava-se de um hominídeo do gênero Australopithecus, que recebeu o nome de Lucy e que viveu há aproximada mente 3,2 milhões de anos. Essa espécie de hominídeo, mais antigo que o Homo sapiens, vivia no sul da África, já andava ereto sobre os dois pés e tinha habilidade nas mãos, apesar de não fabricar instrumentos como o Homo sapiens.

Da África para o mundo 


Todas as evidências indicam que os seres humanos surgiram na África e, a partir dela, se espalharam para os outros continentes. 
Durante muito tempo, acreditou-se que essa dispersão havia se dado em uma única migração, ocorrida há 50 mil anos, com os grupos humanos seguindo até o norte da África e atravessando a península Arábica também pelo norte, em direção à Ásia central. 
Estudos recentes, contudo, concluíram que muito antes dessa migração houve outra, há cerca de 130 mil anos, quando grupos humanos deixaram a região nordeste da África em direção ao sul da península Arábica. 

Continente africano: regiões e povos


As principais fontes para conhecer a história dos diversos povos que viveram no continente africano são as arqueológicas, mas nem todos os terrenos eram propícios à formação de fósseis que permitam um estudo. Dessa forma, somente hipóteses podem ser apresentadas. 
Acredita-se que os grupos de Homo sapiens se desenvolveram na África há cerca de 70 mil anos e espalharam-se pelo mundo. Depois, muitos deles domesticaram plantas e animais, tornando-se sedentários.
O fogo foi utilizado pelas populações da África há pelo menos 60 mil anos. A agricultura, por sua vez, desenvolveu-se em certas áreas, principalmente nas savanas, entre 4000 a.C. e 3000 a.C. Animais como jumento, gato, galinha-d’angola, carneiro e boi foram domesticados, apesar de a caça continuar sendo a principal fonte de alimentação. 
A grande quantidade e variedade de animais do continente permitiu que os grupos humanos se dedicassem à caça durante milênios, aprimorando técnicas de captura e de abate dos animais. Além disso, o caçador habilidoso tinha destaque social e político em várias sociedades.
A África tem três grandes zonas climáticas: o deserto, a savana e a floresta equatorial. As diferenças entre os povos do norte e os do centro e do sul da África estão diretamente relacionadas ao modo como cada um deles lidou com as condições naturais da região que habitava.

O Saara 


O atual Saara é um deserto que abrange a maior parte do norte da África, estendendo-se do mar Vermelho ao oceano Atlântico. Essa região, entretanto, já foi coberta de vegetação e até de algumas florestas e povo ada por variados grupos humanos e por muitos animais. 
Os povos que primeiro domesticaram os animais apareceram ali por volta de 5000 a.C. conduzindo rebanhos de gado, cabras e carneiros. A partir de 3000 a.C., essa enorme área entrou em acelerado processo de desertificação, o que levou muitos grupos humanos e animais a migrar para outras regiões em busca de água e alimento. 
Desse processo resultou o deserto que conhecemos hoje, com água escassa, ação dos ventos alterando constantemente o formato das dunas de areia, calor intenso durante o dia e noites muito frias.

Savanas e florestas 


Os povos das savanas foram os primeiros grupos africanos a desenvolver a agricultura e a se sedentarizar, talvez porque a caça e a coleta eram difíceis na região. Nas savanas, a vegetação é rala, a estação seca é bastante longa, predominam as gramíneas (capim, grama, etc.) e há poucas árvores. Além disso, há animais de grande porte difíceis de se rem caçados.
A floresta equatorial – chamada assim porque é cortada pela linha do equador – tem clima tropical, com densa vegetação e muitas chuvas. Nela há uma enorme quantidade de espécies de plantas, aves, peixes, mamíferos, insetos, etc. A caça e a coleta de plantas comestíveis fornecem alimentação aos habitantes. Sabe-se que a organização social dos povos da floresta, como a dos pigmeus, mesmo que pouco conhecida pelos estudiosos, é baseada em técnicas apuradas de caça aos grandes e aos pequenos animais.

A diversidade humana 


Em 1994, um grupo de cientistas encontrou quatro pequenos ossos de um pé esquerdo, pertencente a um hominídeo, nas cavernas de Sterkfontein, na província de Gauteng, na África do Sul. Três anos depois, encontraram mais três ossos. Desconfiaram que pertenciam ao mesmo indivíduo e que os demais ossos do esqueleto deveriam estar próximos. Acertaram. 
Encontraram os outros ossos daquele hominídeo e o batizaram com o nome de Pé Pequeno (tradução do inglês Little Foot). De moraram treze anos para desenterrá-lo totalmente, e é o esqueleto mais completo de um ancestral do ser humano até hoje descoberto.
Ele media cerca de 1,20 metro e podia andar sem o apoio das mãos. Estima-se que viveu entre 2,2 milhões e 3 milhões de anos atrás, mesmo período do Australopithecus africanus, também encontrado na África do Sul, em 1924, e de Lucy, um hominídeo descoberto na Etiópia, em 1974, ambos com esqueletos bem menos completos que o de Pé Pequeno. Descobertas de fósseis como os de Pé Pequeno, de Lucy e do Australopithecus africanus são evidências de que o ser humano atual surgiu na África e que, de lá, grupos migraram para outros continentes. Mas as sociedades surgidas nesse processo variaram muito em organização e modos de vida. Isso significa que o desenvolvimento da espécie humana não ocorreu no mesmo ritmo nem na mesma direção. 
A única certeza que se tem, entre os cientistas, é a de que todos os seres humanos, hoje, fazem parte da mesma espécie – o Homo sapiens – e uma sociedade não é melhor nem pior, nem mais ou menos desenvolvida do que outra. São, somente, diferentes.



Nenhum comentário:

Os povoadores do território brasileiro

O território que hoje faz parte do Brasil era habitado por diferentes grupos humanos há milhares de anos. Esses grupos viveram em diferentes...