O período Paleolítico (“pedra antiga” ou “pedra lascada”) teve início com o desenvolvimento dos primeiros hominídeos e se estendeu até cerca de 12 mil anos atrás. Esse período compreende a evolução dos hominídeos que deram origem ao Homo sapiens, na África.
Os hominídeos ancestrais do ser humano foram denominados pelos
estudiosos com termos que se relacionam a alguma característica marcante que tiveram. Por exemplo, há cerca de 2,2 milhões de anos, viveu o
Homo habilis (homem hábil), que desenvolveu habilidade para construir
alguns instrumentos de madeira e de pedra.
Atribui-se ao Homo habilis a elaboração dos primeiros utensílios e ferramentas de pedra, confeccionados pela fricção de uma
pedra na outra. Essa técnica dá nome ao período chamado de
Paleolítico, que significa Idade da Pedra. Dessa época, há também
vestígios de objetos feitos de madeira, mas estes são a minoria.
Além de instrumentos de pedra, os
humanos que viveram nesse período utilizavam outros tipos de material, como
ossos, sementes e madeira. Eles compunham pequenos grupos e não havia definição de papéis para homens e mulheres, ou
seja, indivíduos de ambos os sexos realizavam as mesmas atividades, apesar de poder
existir uma divisão de tarefas entre eles.
É provável que nossos antepassados da espécie Homo habilis, que
viveram entre 2,2 e 1,6 milhões de anos atrás, se alimentassem principalmente de folhas, frutas e grãos e de restos de animais mortos.
Eventualmente, deviam matar e comer pequenos animais. Usavam
ferramentas rudimentares, fabricadas sem uma finalidade específica.
O grande salto na evolução do ser humano ocorreu há 1,5 milhão de
anos, quando nossos ancestrais passaram a manter a coluna reta e a andar sobre os dois pés. Por isso, esse
hominídeo foi chamado Homo erectus
(homem ereto). Ele era mais alto, enxergava mais longe, construía ferramentas
mais eficazes, caçava com agilidade,
além de registrar acontecimentos de
seu dia a dia em pinturas nas paredes
das cavernas onde vivia. Sua principal
conquista foi aprender a usar o fogo e
a controlá-lo.
A descoberta do uso do fogo pelos Homo erectus, há mais de um
milhão de anos, possibilitou o cozimento da carne, tornando-a mais
fácil de ser digerida e favorecendo o aumento do consumo de proteína.
Além disso, garantiu proteção aos grupos humanos, que utilizavam
o fogo para afugentar animais e para iluminar ambientes escuros,
sobretudo à noite. Os Homo erectus foram também a primeira espécie
humana a planejar os instrumentos de pedra lascada de acordo com
funções predefinidas e a desenvolver a fala, o que fortaleceu a capa
cidade de organização dos bandos.
A garantia de sobrevivência no Paleolítico dependia de muito trabalho, e nesse período houve intenso desenvolvimento de
grande variedade de objetos.
Das espécies humanas primitivas, o Homo neanderthalensis foi o
mais parecido com o Homo sapiens. Muito robustos e inteligentes,
os neandertais foram habilidosos caçadores. Eles mantinham laços
afetivos fortes no interior do bando, preocupando-se com os membros
mais frágeis e enterrando seus mortos.
Há 200 mil anos, alguns grupos humanos começaram a se comunicar por
meio da fala para compartilhar ideias.
Essa habilidade caracterizou uma nova
espécie, chamada Homo sapiens (homem que sabe), que se espalhou da
África para outros continentes cerca de
70 mil anos atrás.
A vida no Paleolítico
Os grupos humanos do Paleolítico viviam basicamente da caça e da
coleta. Os homens eram responsáveis pela caça, enquanto as mulheres
faziam a coleta de frutos, sementes, folhas, mel, ovos e larvas. Como era
preciso se deslocar para encontrar o alimento, os grupos humanos eram
nômades, ou seja, mudavam-se constantemente. Por isso, não construíam moradias permanentes.
Eles se alimentavam de pequenos
mamíferos, peixes, crustáceos, insetos,
raízes e frutas. Eram, portanto, caçadores-coletores. Como a caça se movimentava
e a coleta dependia das estações do ano,
esses grupos eram nômades.
Ocupavam cavernas e grutas ou faziam
tendas para se abrigar. Por causa da dificuldade da vida nessas condições,
os grupos humanos eram pequenos, com poucas crianças e idosos.
VIDA NÔMADE
No Paleolítico, predominava o nomadismo, modo de vida que
se caracteriza pela constante procura por um novo lugar para
habitar; ou seja, os grupos humanos desse período não tinham
habitação fixa.
São comuns os vestígios humanos em grutas e cavernas, su
gerindo que eram utilizadas como moradias, cemitérios ou lo
cais religiosos. Outros tipos de habitação existentes no período
eram cabanas feitas de madeira, folhas e fibras de plantas, peles
e ossos de animais.
A alimentação dos diversos grupos humanos era baseada no
que estava disponível no local onde viviam. Era comum a coleta
de frutos, raízes e plantas, assim como a caça de animais de
vários tamanhos. Destes, tudo era aproveitado: couro para vestimentas e abrigo, ossos para ferramentas e objetos, carne para
consumo, entre outros usos.
Em lugares onde havia rios e lagos ou no litoral, praticavam--se a pesca e a coleta de moluscos e de outros frutos do mar.
Conforme os gêneros alimentícios se extinguiam, era necessário
buscar novos lugares onde a comida fosse abundante.
Além disso, os diferentes tipos de clima em nosso planeta
apresentavam temperaturas alguns graus mais baixas que as
atuais. Isso ocasionava invernos mais rigorosos em diversas
regiões, motivando migrações em busca de localidades com
temperaturas mais amenas.
O DOMÍNIO DO FOGO
Não há consenso entre os cientistas sobre quando teria se
dado o domínio do fogo. Os vestígios e as respectivas análises in
dicam um período que varia entre 1 milhão e 400 mil anos atrás.
Para alguns grupos de pesquisadores, o Homo erectus teria sido
o primeiro hominídeo a dominar o fogo, enquanto para outros
grupos esse domínio teria ocorrido pelo Homo sapiens.
Uma das dificuldades para identificar com precisão o período
em que o fogo foi dominado é que, antes disso, já havia o uso de
fogueiras formadas naturalmente de raios que causavam incêndios na vegetação, por exemplo. Parte do trabalho dos cientistas
consiste em analisar os vestígios das fogueiras paleolíticas para
descobrir se o uso delas era cotidiano (indicando o domínio) ou
se foram feitas por determinado período e depois cessaram (indicando o uso do fogo, mas não a maestria de produzi-lo).
Porém, os cientistas concordam e reconhecem que o domínio
do fogo é um dos marcos na história da humanidade, relacionado
diretamente ao desenvolvimento das primeiras comunidades.
O fogo possibilitou a cocção de alimentos, a iluminação durante a noite e a defesa contra eventuais predadores. O cozimento dos
alimentos melhorou a qualidade da alimentação, o que fortaleceu
a saúde de nossos ancestrais e, consequentemente, favoreceu o
surgimento de grupos maiores.
Além disso, vestígios de fogueiras
paleolíticas revelaram que os grupos humanos passaram a ter o
costume de se reunir à noite, ao redor do fogo. Esse tipo de contato possibilitava o uso de códigos de linguagem cada vez mais
elaborados, além de fortalecer os vínculos da comunidade.
O fogo também estimulou o desenvolvimento de técnicas de
olaria, que se constitui no cozimento de objetos de barro, conferindo maior durabilidade às peças produzidas.
AS EXPRESSÕES RELIGIOSAS MAIS ANTIGAS
As técnicas desenvolvidas na produção de utensílios a partir da pedra lascada e da manipulação da argila não resultaram apenas em armas para a caça ou em ferramentas para a
coleta de alimentos vegetais. Essas técnicas também possibilitaram aos primeiros grupos humanos criarem objetos que
indicam sua relação com aquilo que consideravam sagrado,
sendo, portanto, vestígios das expressões religiosas mais antigas da humanidade.
Existem indícios de práticas religiosas de comunidades paleolíticas em várias partes do mundo. Os tipos de vestígio nesse
sentido são diversificados: desenhos feitos em rochas (pinturas
rupestres), estatuetas e túmulos.
Há pinturas rupestres, por exemplo, que representam caça
das. Para alguns especialistas, isso indica que as caçadas e as
representações delas eram um tipo de ritual. O registro dessa
atividade não indicaria que ela tinha sido realizada, mas que ainda iria ocorrer. Ao retratar as caçadas, os membros das comunidades paleolíticas acreditavam que elas ocorreriam da maneira
como desejavam.
Algumas estatuetas, feitas de cerâmica ou esculpidas em
pedra, também representam temas relacionados à alimentação
e à proteção. Elas datam de períodos paleolíticos diferentes e
têm formas femininas estilizadas, por isso, foram chamadas genericamente de “vênus”. No entanto, essa nomenclatura é questionada atualmente por alguns grupos de cientistas, já que, na
época em que foram criadas, essas estatuetas não eram assim
denominadas.
Nos vestígios paleolíticos que sugerem o sepultamento dos
mortos, foram encontrados, com certa constância, diferentes
objetos, como colares, urnas funerárias e estatuetas, além
de corpos cuidadosamente posicionados. De acordo com os especialistas,
esses tipos de vestígio evidenciam a crença de que
haveria vida após a morte.
Mostram também o desenvolvimento da capacidade humana de conferir
significados a objetos,
para além de seu uso ou
de seu formato. Ou seja,
evidenciam a capacidade
humana de transcender e
de compreender símbolos.
OS REGISTROS RUPESTRES
Os registros rupestres estão entre os principais vestígios
gráficos das comunidades do Paleolítico e eram utilizados
como meio de comunicação e de expressão. Trata-se de imagens gravadas em grandes rochas, em paredões de pedra e nas
paredes internas e externas de grutas ou de cavernas. Essas
imagens foram encontradas em todos os continentes, exceto na
Antártida.
Há várias teorias sobre as funções desses registros. A função
religiosa, que você conheceu na página anterior, é uma delas.
Outra hipótese é que esses registros possibilitavam trocas culturais, já que foram encontrados em diferentes regiões. Quando
passava por determinado local, um grupo de pessoas gravava
imagens sobre sua passagem, as quais seriam vistas pelos próximos ocupantes desse lugar.
Do mesmo modo, ao chegar a um
novo local, esse grupo também poderia encontrar os registros
deixados por outros que haviam estado ali antes.
As imagens gravadas representavam cenas de momentos
em grupo e do cotidiano, além de caçadas, alimentos vegetais
e símbolos que poderiam servir para fazer a contagem de algo,
como calendários ou representações astronômicas.
Entre as técnicas utilizadas para fazer as gravuras estavam as de abrasão e as de incisão: primeiro, era feita uma
raspagem (abrasão) na superfície rochosa; depois, essa
superfície recebia pequenos cortes (incisões) com um instrumento cortante, formando grafismos chamados petróglifos.
Também podia ser empregada a técnica da picotagem, que
consistia em bater uma pedra sobre a rocha em que se desejava marcar os grafismos.
PRODUÇÃO PICTÓRICA
Há indícios de que as primeiras pinturas rupestres tenham
sido feitas há mais de 30 mil anos.
Geralmente, essas pinturas eram produzidas com corantes extraídos de plantas, de carvão vegetal ou de rochas. Muitas vezes, esses corantes eram diluídos ou fixados com uso
de água, sangue ou gordura animal ou vegetal.
As técnicas
de pintura podiam ser realizadas com carimbos das mãos, pincéis feitos de pontas de ossos ou de pedras ou, ainda, com o
sopro dos pigmentos (com a ajuda de uma espécie de canudo).
As produções incluíam grafismos ou representações de animais
e de seres humanos em cenas diárias.
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