As comunidades sedentárias passaram a praticar agricultura, criar animais, fazer utensílios variados, bem como produzir vestimentas e alimentos no Período Neolítico.
As primeiras aldeias e as trocas comerciais
As primeiras aldeias sedentárias foram surgindo à medida que as comunidades
neolíticas se fixavam em um território. Essas comunidades dedicavam-se principalmente
à criação de animais e ao cultivo agrícola.
Com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais,
há cerca de 10 mil anos, parte dos grupos humanos passou a viver mais
tempo no mesmo local. Para isso, eles precisaram construir moradias
permanentes com materiais que estavam disponíveis na região onde
viviam, como pedra, madeira e argila.
As casas podiam ser espaçosas e ter vários cômodos. Em geral,
eram erguidas umas próximas às outras para resistirem melhor às
chuvas, geadas etc. Eram preferencialmente construídas perto dos rios
para facilitar o acesso à água. Juntas, formavam uma aldeia.
No entanto, havia situações nas quais não se consumia tudo o que a comunidade produzia, gerando sobra. Essa sobra, chamada de excedente, começou a ser armazenada para ser utilizada quando fosse necessário, como em períodos de seca ou de inverno, e passou a ser trocada por produtos que a comunidade necessitava, o que representou o início da atividade comercial, apenas trocando um produto pelo outro – prática conhecida como escambo.
A oferta regular de alimentos também favoreceu o aumento da
população. A utilização de novas técnicas garantiu a produção
de excedentes, ou seja, cada agricultor conseguia produzir mais do que precisava para seu consumo. Os produtos agrícolas que sobravam
passaram a ser armazenados para períodos de escassez.
A possibilidade de fazer estoques de alimentos permitiu que parte
dos aldeões se dedicasse a outras atividades, como a tecelagem e a
carpintaria. O produto do trabalho desses especialistas era trocado
pelos excedentes agrícolas produzidos pelos camponeses. As trocas
também passaram a acontecer entre aldeias, dando início ao comércio.
Com isso, o modo de vida dessas comunidades se tornou mais complexo e
as pessoas passaram a aprender e a se dedicar a apenas um ofício.
Essas transformações deram origem às primeiras cidades, nas quais as sociedades desenvolviam novas formas de viver, organizar e dividir o trabalho.
Com o tempo, a população aumentou, assim como a necessidade de segurança, de regras e de pessoas que exercessem a justiça. Para dar conta desses
novos desafios, surgiram os primeiros governos, exercidos por reis.
Em algumas cidades houve a necessidade de registrar informações e acontecimentos. Para isso, foram criados os primeiros sistemas de escrita e de numeração. Além disso, essas sociedades eram politeístas.
Entretanto, nem todas as comunidades que viveram no fim do Período Neolítico passaram pelas mesmas transformações. Naquela época existiam comunidades nômades, seminômades, sedentárias e aquelas que viviam em cidades.
As primeiras cidades
Ao longo do tempo, as aldeias
neolíticas cresceram e se desenvolveram, dando origem às primeiras
cidades. Uma das mais antigas de
que se tem notícia é Çatal Huyuk,
localizada na atual Turquia.
Com a produção de excedentes, o comércio e a especialização do trabalho, as aldeias neolíticas modificaram-se, tornando-se maiores e
mais complexas.
Diversos fatores, porém, ameaçavam a estabilidade e a segurança
dos habitantes das aldeias, como catástrofes naturais e roubo dos es
toques de alimentos. Tornou-se necessário, então, organizar a defesa
da comunidade, coordenar a produção, o armazenamento e distribuição do alimento e administrar as obras contra enchentes ou secas
prolongadas.
Os responsáveis por essas atividades projetaram-se como
líderes poderosos e destacaram-se das demais pessoas da comunidade. Essas mudanças espaciais, administrativas, econômicas e sociais
possibilitaram a formação das cidades.
Ao redor da cidade eram
cultivados diversos produtos,
entre eles cereais, como
trigo e cevada. Alguns
habitantes dessa cidade eram
artesãos, fabricavam tecidos,
cestos, cerâmicas e outros
utensílios domésticos.
Os habitantes da cidade
criavam bois e ovelhas,
que forneciam matérias-primas como carne, para
alimentação, e couro, para
produção de peças
de vestuário.
As moradias eram
construídas uma ao lado da
outra, bem próximas,
por isso não havia espaço
para ruas. A entrada de
cada moradia era uma
abertura no telhado.
No Oriente Médio, surgiram algumas das primeiras sociedades urbanas. Entre as cidades
mais antigas do mundo, podemos citar: Jericó, na região da atual Palestina; Beidha, na
atual Jordânia; e Çatal Hüyük, na atual Turquia. Elas se desenvolveram das vilas agrícolas
entre 8000 a.C. e 7000 a.C.
O sítio arqueológico de Çatal Hüyük, localizado na atual Turquia,
e o de Jericó, na Palestina, contêm os vestígios mais antigos de vida
urbana conhecidos. Eles datam, respectivamente, de 10 mil e 9 mil anos
atrás.
Contudo, não apresentam a mesma complexidade dos aglomerados urbanos formados mais tarde nas proximidades do Golfo Pérsico,
como Ur e Uruk. Por isso, nem todos os especialistas concordam em
classificá-los como cidades.
Assur
Localizada nas margens do rio Tigre, no atual Iraque, Assur formou-se há cerca de 3 900 anos,
a partir de uma aldeia que já existia no local. Ela se tornou um importante centro de comércio,
pois estava situada em uma rota de caravanas que atravessava a região. Assur era o nome de um
deus guerreiro e benevolente.
Damasco
Antiga aldeia agrícola, tornou-se uma cidade há cerca de 4 mil anos. Atualmente, é uma das
cidades mais importantes da Síria e abriga cristãos, judeus e muçulmanos.
Aleppo
Situada na Síria atual, surgiu há cerca de 7 mil anos, de assentamentos humanos mais antigos. A
região em torno da cidade foi uma importante fonte de ferro e cobre utilizada para a construção de
ferramentas e armas. Recentemente, foram encontradas pinturas rupestres de cerca de 11 mil anos.
Biblos
Situada no Líbano atual, tem cerca de 7 mil anos de existência, e seu nome foi dado pelos
gregos, que compravam o papel (chamado de biblos na Grécia antiga) feito de papiro, planta
que os egípcios utilizavam como suporte para a escrita. Posteriormente, Biblos deu origem às
palavras “bíblia” (plural de “biblos”, isto é, “conjunto de livros”) e “biblioteca”.
Jericó
Situada na Palestina atual, as primeiras ocupações datam de 11 mil anos atrás. Jericó foi construí
da e destruída inúmeras vezes ao longo da história, mas é uma das mais antigas cidades de que se
tem notícia. Nunca foi abandonada, em parte por estar cercada de inúmeras fontes de água.
As cidades mesopotâmicas
Ao longo do tempo, as sociedades mesopotâmicas se desenvolveram de aldeias
neolíticas formadas ao redor dos rios a grandes e complexas cidades.
As cidades mais antigas da região foram fundadas pelos sumérios, por volta de
3500 a.C., e eles a dominaram por cerca de 1500 anos.
Os sumérios introduziram diversas inovações técnicas na agricultura, incluindo um
sistema de irrigação artificial e o uso do arado de bronze. A fertilidade do solo e a
abundância de água contribuíram para o desenvolvimento dessas cidades.
As cidades sumérias que mais se destacaram foram Nippur, Uruk e Ur. Algumas
delas chegaram a abrigar milhares de pessoas. Por serem independentes e não
estarem submetidas a um poder central, essas cidades ficaram conhecidas como
cidades-Estado. Cada cidade-Estado tinha as próprias leis, organização social e
forma de governo.
Essas cidades apresentavam muitas construções, como templos, habitações, pa
lácios, ruas e pontes, além das muralhas que as protegiam. Ao redor das cidades,
podiam ser encontrados campos de cultivo agrícola e criações de animais. Analise
a seguir uma representação da cidade de Ur.
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