NOMADISMO E SEDENTARIZAÇÃO
Para alguns grupos de pesquisadores, com a transformação do modo de vida nômade para o modo de vida sedentário, isto é, com a fixação de moradia, a humanidade passou por uma de suas principais revoluções. Isso porque o processo de sedentarização foi acompanhado pelo intenso desenvolvimento de tecnologias de caça, agricultura e pecuária, além do surgimento de expressões religiosas e artísticas particulares.
No entanto, esse processo não foi uniforme. Diferentes po
vos, espalhados pelos continentes, se tornaram sedentários
em temporalidades também distintas, e há ainda aqueles que
atualmente são nômades ou seminômades, sendo este um
aspecto cultural. Ou seja, a transformação de uma sociedade
nômade em sedentária não indica sua evolução de um modo
de vida inferior para outro superior, porque cada uma tem uma
forma de expressar seu modo de organização social.
O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA
Em várias partes do mundo, em diferentes momentos, os se
res humanos desenvolveram técnicas e atividades para garantir
a alimentação mesmo em condições climáticas adversas. Uma
dessas atividades é a agricultura.
Uma das hipóteses para o desenvolvimento das práticas
agrícolas é a de que elas tenham sido criadas por mulheres,
que eram responsáveis pela coleta de frutos, sementes e raízes.
Possivelmente, as mulheres observaram que novas plantas germinavam no local em que sementes caíam na terra, dando início
às atividades agrícolas.
Aliado a essas percepções, um fator climático contribuiu
para o avanço do cultivo de alimentos: o aumento da temperatura do planeta, que acabava de sair da última glaciação, há cerca
de 10 mil anos. Os invernos mais amenos facilitavam a manutenção das plantações e propiciavam a existência de vegetação
em diferentes regiões do planeta durante a maior parte do ano.
Uma das principais regiões em que a agricultura prosperou
foi a do chamado Crescente Fértil, localizado entre o norte da
África e o Oriente Médio. Apesar do clima desértico, nessa região
correm três grandes rios que nunca secam: o Nilo, na África, e o
Tigre e o Eufrates, no atual Iraque.
Acredita-se que as primeiras plantações tenham sido de ce
reais, como linho, trigo e cevada. Posteriormente, foram cultiva
dos tubérculos, frutas e hortaliças.
A domesticação de animais, iniciada também há cerca de
10 mil anos, proporcionou aos grupos humanos fonte regular
de carne e leite, além de couro e peles, utilizados na confecção de
vestimentas.
NOVAS TÉCNICAS E TECNOLOGIAS
Por centenas de anos, houve o aperfeiçoamento da produção de ferramentas, que passaram a ser feitas de pedras polidas
e, mais tarde, de metais, tornando-se mais úteis e resistentes.
Em algumas cronologias mais tradicionais, o desenvolvimento das técnicas de confecção de utensílios de metal, isto é, a
metalurgia, marca o início da Idade dos Metais.
Esse marco corresponde a uma grande transformação no
uso de metais para a elaboração de ferramentas, armas e outros
objetos. Há evidências do uso do cobre de cerca de 8 mil anos e do
uso do bronze de cerca de 6 mil anos, em regiões da África Central
e da Ásia. Na Europa, a metalurgia só começou a ser desenvolvida
há aproximadamente 4,5 mil anos.
A olaria, que consiste em técnicas de confecção de objetos
de argila, também continuou a se desenvolver e, indiretamente,
passou a ser uma prática importante para a alimentação das
comunidades, pois com essa técnica eram fabricados utensílios
para armazenar gêneros alimentícios e água. Ao longo dos milênios de Neolítico, foram desenvolvidos diferentes tipos de vaso,
com vários tipos de ornamento e significado.
A olaria também servia para a construção de moradias, que
eram feitas de estruturas de madeira, pedra e argila, colocadas
para secar ao sol. Essas técnicas rudimentares se transforma
ram até os atuais tijolos de cerâmica, utilizados na construção
de diversos tipos de prédio.
A técnica de tecelagem, ou trançamento de fios, foi desenvolvida, primeiro, com fios de fibras vegetais, como cipó
e ervas secas. Depois, começaram a ser utilizados algodão e
lã. Até então, as vestimentas eram feitas do couro e da pele
de animais.
A ESPECIALIZAÇÃO DO TRABALHO
As mudanças climáticas e o desenvolvimento de técnicas
que dependiam da presença constante de pessoas na produção
de alimentos foram processos que, ao longo de milênios, levaram à sedentarização.
O crescimento das populações foi favorecido pela facilidade de
acesso aos alimentos, acesso esse que se intensificou conforme se
desenvolviam as técnicas de fabricação de utensílios e ferramentas
de metal e de cerâmica, além das técnicas de tecelagem, as quais
possibilitaram diversificar as vestimentas para o abrigo do frio.
Tal crescimento resultava, por exemplo, na ampliação da
quantidade de pessoas disponíveis para a produção de mais ali
mentos e utensílios. Dessa forma, com o passar do tempo, em
diferentes comunidades, surgiram especialistas em cada função, isto é, pessoas que realizavam determinadas atividades durante muito tempo, aprimorando-se nelas.
Geralmente, a divisão do trabalho nas comunidades neolíticas levava em consideração o gênero e a idade de seus integrantes. No começo, as mulheres, por exemplo, eram responsáveis pela agricultura, pelo preparo dos alimentos e pelo cuidado
com as crianças, mas também teciam roupas e faziam cestos e
objetos de cerâmica. Os homens, por sua vez, caçavam, cuidavam dos rebanhos e eram responsáveis pela segurança das
aldeias, além de construir ferramentas, moradias, cercas, etc.
A invenção de ferramentas, como o arado, e de técnicas agrícolas, como os canais de irrigação, provocou grande aumento na
produção de alimentos, que, por sua vez, facilitou o surgimento
de novas ocupações, já que não era mais necessário que toda a
mão de obra da comunidade fosse empregada no campo. Assim,
algumas pessoas tornaram-se artesãs, outras passaram a servir
aos deuses que protegiam a todos, tornando-se sacerdotes, etc.
A divisão do trabalho permitiu maior especialização, pois as
pessoas responsáveis por determinada tarefa, com o tempo, se
aprimoravam em seus ofícios e, dessa forma, promoviam melhorias e faziam novas descobertas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário