segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A reprodução dos mamíferos

O grupo dos mamíferos compreende animais que mamam quando filhotes e que têm pelos no corpo. Supõe-se que os primeiros mamíferos eram ovíparos, com ovos grandes e ricos em vitelo, e que apresentavam desenvolvimento embrionário semelhante ao dos répteis.
Os mamíferos realizam fecundação interna: o macho coloca o esperma (que contém os espermatozoides) dentro do corpo da fêmea, onde ocorre o encontro dos gametas. Inicia-se, então, o desenvolvimento dos embriões. 
A maioria dos mamíferos, incluindo a espécie humana, é vivípara. Desse modo, após se formarem no útero da mãe, os filhotes nascem.
Assim, quase todos os filhotes de mamíferos nascem diretamente do cor po da mãe e em estágio avançado de desenvolvimento, ou seja, já nascem com forma semelhante à que terão quando adultos.
Os embriões e fetos mantidos dentro do corpo da fêmea durante um período maior ficam mais protegidos do que os que terminam seu desenvolvi mento no interior de ovos (como acontece com aves e répteis), pois diminui, por exemplo, o risco de predação.
Em certo momento da evolução, surgiu, em alguns mamíferos, uma  estrutura denominada placenta. Através dela, o embrião recebe o alimento da fêmea e o oxigênio de que precisa para seu desenvolvimento. Por sua vez, passa para o corpo materno os resíduos de seu metabolismo. Nesses casos, o desenvolvimento embrionário ocorre dentro do corpo da fêmea, sendo esses animais vivíparos. 
A placenta é encontrada em outros vertebrados vivíparos, mas nem sempre é semelhante à dos mamíferos. No caso dos mamíferos, o surgimento da placenta foi fundamental na diversificação do grupo.
Nos mamíferos denominados placentários, o embrião ou o feto que está se desenvolvendo no útero recebe nutrientes e gás oxigênio da mãe por meio da placenta, pelo cordão umbilical. 
A placenta é uma estrutura formada por parte do corpo da mãe e parte do corpo do feto. É também por meio dela que o feto elimina os restos produzidos por ele, como excretas e gás carbônico.


Outros aspectos da reprodução em mamíferos 

Marsupiais 


O gambá, o canguru e a cuíca carregam seus filhotes recém-nascidos no marsúpio – uma espécie de bolsa ventral que eles têm no corpo. Nesse grupo de mamíferos, chamados marsupiais, a placenta é “primitiva”, reduzida, e o filhote não nasce totalmente “pronto”. 
Ao nascer, por tanto, o filhote não está completamente formado. Logo após o nascimento, a fêmea faz uma trilha de saliva em seu corpo, que serve de guia para que os filhotes escalem e penetrem no marsúpio (espécie de bolsa situada na região abdominal) da fêmea, onde completam o desenvolvimento. No marsúpio, os filhotes ficam presos aos mamilos das glândulas mamárias, sugando o leite materno.
Assim, ele fica no marsúpio, onde estão as tetas da mãe, mamando até que seu desenvolvimento se complete. Aí, então, ele estará apto a sair para o ambiente.
Atualmente existem cerca de 280 espécies de marsupiais, restritas à região australiana e às Américas. Um dos marsupiais mais conhecidos é o canguru, animal que vive na Austrália e que chega a medir cerca de 2 m de altura. Outros exemplos de marsupiais: coala, vombate, lobo-da-tasmânia, gato-marsupial, marsupial planador. No Brasil, os marsupiais mais comuns são o gambá e a cuíca.

Monotremata (monotremados) ou Prototheria (prototérios)


Os monotremados são um grupo de mamíferos que não têm placenta e são ovíparos, ou seja, põem ovos.  Apresentam ovos com desenvolvimento embrionário semelhante ao dos répteis. São representados pelo ornitorrinco e pela equidna. Esses animais põem ovos do tamanho dos de lagartos, com cerca de 15 mm de diâmetro.
Os ornitorrincos têm bico córneo e patas adaptadas para o nado. Eles nadam e mergulham com agilidade. Alimentam-se de invertebrados aquáticos e cavam longos túneis nas margens dos rios, onde as fêmeas constroem ninhos para cuidar dos filhotes. 
A fêmea de ornitorrinco coloca de um a três ovos em um ninho no fundo de sua toca. Os filhotes também eclodem incompletamente formados. Após a eclosão, o desenvolvimento dura bastante tempo. O filhote de ornitorrinco só está apto a deixar a toca 11 semanas após a eclosão.
Os filhotes, após nascerem dos ovos, lambem o leite que escorre das glândulas mamárias da mãe. Nesse grupo estão o ornitorrinco e a equidna. Esses mamíferos, encontrados no continente da Oceania, possuem uma espécie de bico e os ovos saem pela cloaca.
Os mamíferos podem ter um ou mais filhotes por vez – o número varia, de pendendo da espécie. Após o nascimento, o filhote alimenta-se do leite materno e recebe os cuidados da mãe e, às vezes, do pai, na primeira fase da vida. O tempo médio de gestação nos mamíferos também varia entre os diferentes grupos. A gestação das coelhas dura um mês, e a das elefantas pode chegar a 20 meses.
As equidnas vivem escondidas no mato, à procura de formigas e cupins, dos quais se alimentam. Quando assustadas, enterram-se rapidamente no solo para se esconder. 
A fêmea de equidna coloca o ovo em uma bolsa ventral existente em seu abdome, onde o filhote eclodirá ainda incompletamente formado. 
Nos prototérios, os filhotes lambem o leite que escorre das glândulas mamárias da mãe, entre os pelos. Não existem mamilos, estruturas que estão presentes nos demais mamíferos.

Eutheria (eutérios) ou placentários verdadeiros 


Mamíferos vivíparos, com placenta bem desenvolvida; com isso, a gestação é mais longa que a dos marsupiais e o filhote nasce completamente formado. 
Os eutérios têm ampla distribuição geográfica e são os mais numerosos entre os mamíferos atuais, com cerca de 3 800 espécies. São exemplos: tamanduá, toupeira, cachorro, foca, morcego, capivara, paca, coelho, cavalo, hipopótamo, girafa, boi, anta, baleia, golfinho, peixe-boi, elefante, elefante-marinho, macaco e ser humano.
Os mamíferos, assim como os répteis e as aves, têm âmnio, que delimita a bolsa amniótica, onde fica o líquido amniótico, seja no caso dos ovíparos, seja no dos vivíparos.
A preservação de espécies de mamíferos, assim como a dos demais seres vivos, leva em conta também como e onde eles se reproduzem. Há hoje no Brasil vários projetos de preservação de mamíferos, tanto relacionados aos que vivem na água – como o peixe-boi-marinho, a lontra, a ariranha, o boto--vermelho, as baleias – quanto aos que vivem no ambiente terrestre, como o mico-leão-dourado, o lobo-guará, o tatu-bola e muitos outros.

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