Briófitas (musgos) e pteridófitas (samambaias) foram as primeiras plantas terrestres e dependem até hoje da água do ambiente para a reprodução. A água é necessária para que o gameta masculino, móvel e flagelado, alcance e fecunde o gameta feminino. Isso limita sua ocupação a ambientes úmidos, como o entorno de cachoeiras, florestas úmidas e locais similares.
Reprodução nas briófitas
Veja, por exemplo, como o processo ocorre nos musgos, que pertencem ao grupo das briófitas. Essas plantas têm alternância de gerações, ou seja, uma geração que se reproduz sexuadamente origina uma nova geração que se reproduz assexuadamente, a qual, por sua vez, gera descendentes que se re produzem sexuadamente.
No ciclo reprodutivo estão presentes os esporófitos – indivíduos produtores de esporos – e os gametófitos – indivíduos produtores de gametas. Na fase sexuada, ocorre a produção dos gametas, e na fase assexuada, a produção de es poros. Esses esporos caem no solo, germinam e formam uma grande quantidade de novas plantas masculinas ou femininas que irão produzir, respectivamente, gametas masculinos e femininos.
Reprodução nas pteridófitas
Assim como as briófitas, as pteridófitas são encontradas geralmente em
lugares úmidos e com sombra, pois dependem da água para a reprodução. Na
reprodução sexuada desses dois grupos de plantas, os gametas masculinos
precisam estar na água para se deslocar até o gameta feminino, que é imóvel.
As pteridófitas também se reproduzem com alternância de uma fase sexuada e outra assexuada.
Reprodução nas fanerógamas
As plantas fanerógamas (gimnospermas e angiospermas) são plantas que
têm os órgãos reprodutores visíveis. Elas conquistaram mais amplamente o ambiente terrestre há cerca de 280 milhões de anos. Isso foi possível porque, na
história da evolução das plantas, surgiram novas estruturas que possibilitaram
a reprodução independentemente da água. As principais aquisições evolutivas
foram os grãos de pólen e as sementes.
Os grãos de pólen correspondem aos gametófitos masculinos jovens, que
podem ser transportados até o órgão reprodutivo feminino. Nesse local, podem
crescer e originar o tubo polínico, que representa o gametófito masculino adulto.
Este contém as células que farão o papel dos gametas masculinos. Assim, esses
gametas ficam protegidos da desidratação e podem ser levados de uma planta
para outra pelo vento ou por outros agentes. Esse processo de transporte dos
grãos de pólen chama-se polinização.
Isso facilita a reprodução e a ocupação de novos territórios, pois as plantas capazes de desenvolver tubos polínicos realizam o processo de reprodução
independentemente da água do ambiente, porque o gameta masculino está no
tubo polínico e chega até o gameta feminino sem necessidade de meio líquido.
Além disso, essas plantas têm o embrião protegido pela semente, que é uma
estrutura que armazena reservas nutritivas que suportam o desenvolvimento
do embrião até se formarem as primeiras raízes e folhas.
Essas características
favoreceram sua sobrevivência nos mais diversos ambientes terrestres.
As sementes podem ser protegidas ou não pelos frutos. As gimnospermas
(gimnos = nu; sperma = semente) são plantas que têm sementes, mas não apresentam fruto.
As angiospermas são plantas com flores e frutos. As flores são estruturas
reprodutivas visíveis. Suas cores e seus odores atraem animais que atuam como
agentes polinizadores, isto é, realizam a polinização. O fruto, por sua vez, protege a semente. Isso favorece a reprodução dessas plantas e, consequentemente,
a ocupação do ambiente por elas.
Uma flor pode ter até quatro partes: cálice, corola, androceu e gineceu.
Vejamos como são formadas essas partes.
• Sépalas – estruturas, geralmente verdes, que ajudam a manter a umidade
e protegem os botões florais de parasitas e animais herbívoros. As sépalas
algumas vezes assumem as funções das pétalas. O conjunto de sépalas
forma o cálice.
• Pétalas – folhas modificadas que podem apresentar várias cores e odores e
têm grande importância na atração de agentes polinizadores, como insetos,
aves e morcegos. O conjunto de pétalas forma a corola.
• Estames – estruturas que formam o sistema reprodutor masculino. Cada
estame é composto de antera e filete. Na antera são produzidos os grãos
de pólen. O conjunto de estames forma o androceu.
• Carpelos – estruturas que constituem o sistema reprodutor feminino.
O carpelo é composto do ovário e do estilete, a porção alongada cuja ponta é denominada estigma. O estigma produz uma secreção viscosa que
contribui para a fixação do grão de pólen. O ovário, após a fecundação, se
transforma em fruto. O conjunto de um ou mais carpelos forma o gineceu.
As flores podem ser hermafroditas, masculinas ou femininas. As flores hermafroditas possuem tanto o androceu quanto o gineceu, como a flor na imagem da página
anterior. As masculinas contêm apenas o androceu, e as femininas, só o gineceu.
Há espécies que não têm flores hermafroditas, mas que apresentam, numa
mesma planta, flores masculinas e flores femininas, ou seja, os órgãos reprodutores masculino e feminino estão em flores separadas do mesmo indivíduo.
Há também espécies, como os mamoeiros, que apresentam separadamente plantas apenas com flores masculinas e plantas apenas com flores femininas.
Nas espécies com flores hermafroditas ou com flores masculinas e femininas na mesma planta, a autofecundação (quando a planta fecunda a si mesma)
é uma possibilidade que desfavorece a variabilidade genética na geração seguinte. Há, porém, adaptações nessas espécies que impedem ou dificultam a
autofecundação. Por exemplo:
• o amadurecimento do gineceu em época diferente do amadurecimento do
androceu;
• a localização, na flor, do androceu em posição inferior à do gineceu, dificultando o contato do pólen com o estigma, ou das flores femininas em partes
mais altas da planta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário