sábado, 22 de agosto de 2026

Doenças do sistema cardiovascular

A saúde do sistema cardiovascular pode ser afetada por doenças que atingem o coração, os vasos sanguíneos ou o sangue. A aterosclerose, a leucemia e a hipertensão são alguns exemplos.
Alguns fatores predispõem o organismo ao surgimento de distúrbios cardiovasculares. Entre eles estão: o consumo elevado de alimentos gordurosos, que pode causar o depósito de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos; a vida sedentária, que impede a adequada circulação do sangue; o tabagismo; e o alcoolismo.

Aterosclerose 

A Com o passar dos anos, as artérias podem ter o diâmetro diminuído, pelo acúmulo de gordura em suas paredes internas. Como consequência, os vasos sanguíneos ficam obstruídos, causando a aterosclerose.  
Em algumas ocasiões, a obstrução de determinada artéria é total, e o sangue não consegue levar gás oxigênio nem nutrientes às células naquela região do corpo, ocasionando o infarto. Se isso acontecer em um órgão vital, como o coração ou o cérebro, pode causar a morte.

Hipertensão 

A pressão sanguínea ou pressão arterial corresponde à força que o sangue exerce nas paredes das artérias. Como vimos, o ciclo cardíaco é composto de dois movimentos: as sístoles (contrações) e as diástoles (relaxamentos). Geralmente, a pressão máxima do sangue (pressão sistólica) em um adulto fica entre 100 e 140 mmHg, e a mínima (pressão diastólica), entre 60 e 90 mmHg. 
Quando uma pessoa sofre de hipertensão (conhecida por pressão alta), sua pressão máxima aumenta anormalmente, atingindo 180 mmHg ou mais. Essa situação pode ser esporádica ou permanente e põe em risco a saúde do paciente, pois nessas condições pode ocorrer ruptura de artérias. 

O coração

O coração funciona como uma bomba dupla que impulsiona o sangue no interior dos vasos sanguíneos. Dessa forma, o sangue circula por todo o corpo. As paredes do coração são formadas por um músculo potente, o miocárdio. Externamente, o coração é revestido por uma membrana, o pericárdio. O tamanho do coração depende do sexo, da idade e do estado de saúde da pessoa.

As cavidades cardíacas

O coração humano apresenta quatro cavidades: duas superiores, os átrios, e duas inferiores, os ventrículos. 
Os átrios, direito e esquerdo, têm paredes finas e recebem o sangue das veias. A veia cava superior e a veia cava inferior lançam o sangue no átrio direito, e as veias pulmonares, no átrio esquerdo. 
Os ventrículos, direito e esquerdo, têm paredes grossas e impulsionam o sangue para as artérias. Do ventrículo direito parte o tronco pulmonar, que se bifurca nas artérias pulmonares, e do ventrículo esquerdo, a aorta.

As valvas 

Entre as cavidades superiores e inferiores do coração situam-se as valvas atrioventriculares, que impedem o retorno do sangue dos ventrículos para os átrios. Nas saídas dos ventrículos também existem valvas, que impedem o retorno do sangue das artérias para o coração, como a valva do tronco pulmonar e a da aorta.

Os batimentos do coração

Para impulsionar o sangue, o coração bate continuamente por contrações de sua musculatura, chamadas sístoles, seguidas de relaxamentos, denominados diástoles. Esse conjunto de movimentos alternados e sequenciais recebe o nome de ciclo cardíaco. 
O coração de um adulto se contrai, em média, 72 vezes por minuto. Ao auscultar o coração com um estetoscópio, é possível detectar dois sons diferentes que provêm do fechamento das valvas: um, mais longo, corres ponde ao fechamento das valvas atrioventriculares; o outro, de menor duração, resulta do fechamento das valvas da aorta e do tronco pulmonar.

A circulação do sangue

O percurso do sangue no organismo humano recebe o nome de circulação sanguínea. Durante um percurso completo pelo corpo, o sangue passa duas vezes pelo coração. 

Pequena circulação

Também chamada circulação pulmonar, a pequena circulação vai do coração para os pulmões e retorna deles para o coração. 
• O sangue rico em gás carbônico é bombeado do ventrículo direito para o tronco pulmonar, que se divide em duas artérias pulmonares; cada uma delas segue para um pulmão.
• Nos pulmões, o sangue libera gás carbônico e absorve gás oxigênio. O sangue oxigenado vai para o átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares.

Grande circulação 

Também chamada circulação geral, a grande circulação é o trajeto que leva o sangue do coração para todos os órgãos do corpo e deles para o coração. 
• O sangue proveniente dos pulmões, rico em gás oxigênio, passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Dele, é impulsionado para a aorta, que se ramifica em muitas outras artérias, que vão para todas as partes do corpo. 
• O sangue volta para o coração pelas veias e atinge o átrio direito, tanto pela veia cava superior quanto pela inferior.


Sistema cardiovascular

O sistema cardiovascular é uma grande rede de tubos pela qual o sangue, impulsionado pelo coração, circula por todas as partes do corpo levando nutrientes provenientes da digestão, oxigênio da respiração e outras substâncias.
Os principais componentes do sistema cardiovascular são: coração, sangue e vasos sanguíneos.
O coração é um órgão muscular que bombeia o sangue para todo o corpo. Os vasos sanguíneos são estruturas tubulares por onde circula o sangue: são as artérias – que levam sangue do coração aos tecidos do corpo; as veias – que reconduzem ao coração o sangue vindo do corpo; e os capilares – que ligam artérias e veias, transportando sangue aos tecidos.
Os vasos sanguíneos estão distribuídos de forma que possam, em um movimento circulatório constante, levar o sangue do coração a todos os tecidos do corpo e trazê-lo, em seguida, ao coração.
O sangue é um líquido de cor vermelha, composto de células sanguíneas (glóbulos vermelhos ou hemácias e glóbulos brancos ou leucócitos), fragmentos celulares (plaquetas) e plasma (parte líquida do sangue composta de água, proteínas e sódio). Ele transporta os nutrientes provenientes da digestão, os gases da respiração e outras substâncias pelo organismo.

O sangue e seus componentes



O sangue é um fluido viscoso, de cor avermelhada, que circula por todo o organismo, transportando diferentes tipos de materiais. O corpo de um indivíduo adulto tem, em média, de 5 a 6 litros de sangue. Uma parte do sangue é líquida e recebe o nome de plasma. Nele, estão imersas células sanguíneas e fragmentos de células, chamados plaquetas.

Plasma

O plasma é um líquido de cor amarelada, que representa de 50% a 55% do volume total do sangue. É constituído por água, na qual estão dissolvidos nutrientes, gás oxigênio, gás carbônico e resíduos produzidos pelas células, entre outros materiais.

Células sanguíneas

As células sanguíneas são produzidas na medula óssea vermelha, que está localizada na parte interna de alguns ossos. Essas células podem ser de dois tipos: glóbulos vermelhos e glóbulos brancos.

Glóbulos vermelhos

Os glóbulos vermelhos, também chamados hemácias, são as células sanguíneas mais numerosas (entre 45% e 50% do volume total de sangue). Há aproximadamente 5 milhões dessas células em 1 mm3 — cerca de 1 gota — de sangue. Elas têm a forma de disco, não apresentam núcleo e contêm hemoglobina, composto responsável pela cor avermelhada característica do sangue.
A hemoglobina é uma proteína que contém ferro em sua estrutura e atua no transporte de gás oxigênio e de parte do gás carbônico. Combinado à hemoglobina, o gás oxigênio que sai dos pulmões é transportado para todas as células do corpo, assim como parte do gás carbônico produzido nas células é transportada para os pulmões.
Quando não consumimos regularmente alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, feijão, hortaliças com folhas escuras, entre outros), a quantidade de hemoglobina em nosso organismo pode diminuir e causar anemia.
Os glóbulos vermelhos permanecem no sangue em torno de 120 dias. Após esse período, são destruídos, principalmente no baço e no fígado.

Glóbulos brancos 

Os glóbulos brancos, também chamados leucócitos, são células sanguíneas nucleadas, maiores que os glóbulos vermelhos e presentes no sangue em menor quantidade: entre 5 mil e 10 mil por mm3, em condições normais. Essas células têm a função de defesa contra agentes estranhos ao organismo, como bactérias, vírus e materiais tóxicos. 
Há glóbulos brancos de vários tipos. Eles diferem uns dos outros pelo tamanho, pela forma do núcleo e pelo modo como atuam. Alguns fagocitam, isto é, englobam e digerem microrganismos, destruindo-os. Outros produzem anticorpos, proteínas que reconhecem determinados materiais estranhos ao organismo, denominadas antígenos, e neutralizam sua ação. A duração dos glóbulos brancos no sangue varia de algumas horas até meses ou anos. 

Plaquetas 

As plaquetas são fragmentos de células da medula óssea muito menores que os glóbulos brancos e os glóbulos vermelhos. Em condições normais de saúde, há aproximadamente 300 mil plaquetas por mm3 de sangue. O tempo de duração das plaquetas é curto: de 5 a 9 dias. Essas estruturas estão envolvidas na coagulação sanguínea, evitando a perda de sangue pelo organismo.


O sistema linfático

O sistema linfático é formado pelos vasos linfáticos e por estruturas como os linfonodos, o timo, as tonsilas e o baço. Parte do líquido que sai dos capilares sanguíneos e banha as células do corpo forma a linfa, um líquido esbranquiçado composto de plasma sanguíneo e glóbulos brancos. Ela circula no interior de linfonodos e vasos linfáticos.
Os linfonodos são estruturas arredondadas, distribuídas por todo o corpo, embora sejam mais abundantes na região das axilas, das virilhas, do pescoço e ao redor das orelhas. Eles filtram a linfa e contêm glóbulos brancos que identificam e destroem materiais estranhos ao organismo. Quando ocorre uma infecção, os glóbulos brancos dos linfonodos se multiplicam e levam essas estruturas a inchar, formando o que popularmente é denominado íngua.
O timo é um órgão localizado na porção superior do tórax, no qual se concentram determinados tipos de glóbulos brancos em formação e amadurecimento.
As tonsilas, localizadas na entrada das vias respiratórias e do tubo digestório, participam das respostas do corpo a materiais estranhos inalados ou ingeridos.
O baço é um órgão rico em linfonodos e armazena alguns glóbulos brancos. As células do baço fagocitam bactérias, plaquetas e glóbulos vermelhos danificados ou envelhecidos. Além disso, nesse órgão ocorre armazenamento de hemácias, que são lançadas na corrente sanguínea quando necessário.

Funcionamento do sistema linfático 

O sistema linfático drena os líquidos do corpo que ocupam os espaços entre as células, ajudando o sistema cardiovascular a remover o excesso desses líquidos. A linfa é conduzida lentamente pelos vasos linfáticos até retornar à circulação sanguínea e se misturar com o sangue. 
Ao contrário das artérias e das veias, os vasos linfáticos não têm seu líquido impulsionado diretamente pelo coração. A pulsação de artérias próximas e, principalmente, os movimentos musculares são os responsáveis pela circulação da linfa. 

Doenças do sistema linfático

Algumas doenças do sistema linfático são a filariose, o linfoma e a angina tonsilar.

Filariose

A filariose, conhecida também por elefantíase, é a obstrução dos vasos linfáticos que afeta principalmente os membros inferiores. É causada por nematódeos parasitas, as filárias (Wuchereria bancrofti). O membro afetado fica inchado em razão do acúmulo excessivo de líquido que não retorna à circulação sanguínea. As filárias são transmitidas pela picada de mosquitos contaminados do gênero Culex, que possui mais de 300 espécies. Essa doença está praticamente erradicada do Brasil.

Linfoma

O linfoma é um câncer que acomete as células do tecido linfático. Pode se originar nos linfonodos ou no tecido linfático dos órgãos do corpo. Caracteriza-se por rápido crescimento de um linfonodo ou de uma zona do órgão afetado. Ao contrário das ínguas, que provocam dor e desconforto, o aumento do linfonodo pelo linfoma não causa dor. A pessoa apresenta sintomas como febre e perda de massa corpórea.

Angina tonsilar

Quando as tonsilas palatinas (anteriormente denominadas amígdalas) infeccionam, surge a angina tonsilar (também chamada amigdalite), uma inflamação aguda na garganta, provocada principalmente por vírus ou bactérias. As tonsilas ficam maiores e com pontos brancos ou amarelos cheios de pus.

Muitas pessoas que sofrem de angina tonsilar crônica têm as tonsilas extraídas cirurgicamente, porque as infecções constantes podem dar origem a outras doenças, como febre reumática e problemas cardíacos. Nem todos os médicos estão de acordo com essa cirurgia, pelo papel protetor que as tonsilas desempenham nas vias respiratórias e no sis tema digestório.

Sistema urinário humano

O sistema urinário humano é composto de um par de rins e de vias urinárias.
As atividades celulares originam produtos que em determinadas concentrações se tornam tóxicos, como o gás carbônico, a ureia e o ácido úrico (os dois últimos resultantes do metabolismo de proteínas) e que, portanto, precisam ser eliminados do organismo. Esses produtos do metabolismo celular são chamados excretas, e o processo de eliminação é denominado excreção.
Nos seres humanos, a excreção é realizada principalmente por dois sistemas: o sistema respiratório, responsável pela eliminação do gás carbônico, e o sistema urinário, responsável pela eliminação de resíduos tóxicos ou em excesso e pela manutenção do equilíbrio da quantidade de água corporal.
O sistema urinário é formado pelos rins e pelas vias urinárias. Os rins produzem a urina e as vias urinárias transportam-na e a armazenam até sua eliminação para o meio externo.
Você já deve ter observado que, algum tempo depois de ter ingerido líquidos, dá vontade de urinar, principalmente se tiver bebido muito. Isso ocorre porque a urina é composta de substâncias residuais do metabolismo e outras que estão em excesso no organismo – como a água, que após atravessar o sistema digestório é integrada à corrente sanguínea. 
A cada cinco minutos, aproximadamente, os rins filtram todo o sangue do corpo, retornando-o para o sistema cardiovascular livre de substâncias tóxicas, que compõem a urina. 
A formação da urina ocorre em estruturas microscópicas denominadas néfrons, localizadas nos rins. Veja a seguir todo o processo.


Os rins 

Os rins são órgãos com formato similar ao de um feijão, de cor vermelho-escura, posicionados acima da cintura e considerados os principais órgãos excretores do corpo. Os seres humanos geralmente têm dois rins que, em adultos, medem aproximadamente 12 cm de altura cada um. O rim é formado pelas seguintes partes: córtex renal, medula renal e pelve renal. 
O córtex renal, parte mais externa do rim, é composto de mais de um milhão de néfrons, que são as unidades funcionais do rim. Os néfrons filtram o sangue do corpo cerca de 300 vezes por dia, retirando as excretas do organismo e dando origem à urina. 
A medula renal é a parte central do rim e contém numerosos ductos coletores de urina. 
A pelve renal é uma cavidade em forma de funil cuja função é coletar a urina formada e conduzi-la até os ureteres, tubos que fazem parte das vias urinárias.

As vias urinárias 

As vias urinárias são formadas por dois ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra. 
O ureter é um tubo que sai da pelve renal e conduz a urina até a bexiga urinária. 
A bexiga urinária é uma bolsa muscular na qual se acumula a urina antes de ser expelida. A bexiga aumenta de tamanho à medida que armazena urina. 
A uretra é o canal pelo qual passa a urina da bexiga urinária até o exterior do corpo. Na parte inferior da bexiga há o esfíncter, músculo que fecha a uretra e controla o ato de urinar.

A formação da urina

Os néfrons são responsáveis pela filtração do sangue e pela formação da urina. A urina é composta de várias substâncias, como água, sais minerais, ureia e ácido úrico. É um líquido amarelo-claro e transparente que pode sofrer variações na intensidade da cor e no odor de acordo com a quantidade de água ingerida. Simplificadamente, podemos dividir a formação da urina em três etapas principais: filtração, reabsorção e secreção. 
Durante a filtração, substâncias do sangue, como água, sais minerais, nutrientes e excretas, saem dos capilares sanguíneos e passam para o néfron, tornando-se parte do filtrado. 
As células sanguíneas e algumas proteínas não passam para o néfron e se mantêm na corrente sanguínea. Na etapa de reabsorção, parte da água e dos nutrientes é reabsorvida e volta ao sangue pelos capilares que rodeiam o néfron. 
Na secreção, determinados materiais que não foram filtrados inicialmente, como ácido úrico, sais minerais e medicamentos, passam diretamente do plasma sanguíneo para o néfron.

A eliminação da urina 

A urina produzida nos rins é conduzida até a bexiga pelos ureteres, onde fica armazenada, e depois é conduzida para fora do corpo pela uretra.


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