terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

África do Sul

África do Sul: realidade socioeconômica

A África do Sul está localizada em uma área estratégica, que, desde o sé culo XVII, fazia parte da rota marítima da Europa e da América em direção à África oriental, à Índia e ao Extremo Oriente e vice-versa. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento.
O país tem três capitais: Tshwane, ex-Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária), mas a cidade mais importante é Johannesburgo, principal centro comercial, industrial e financeiro.
Com uma área de 1.221.037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. O país abriga 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de man ganês. Além disso, possui reservas de cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata. Mas o ouro é, sem dúvida, a mais importante de suas riquezas minerais.
O país é responsável por cerca de 35% da produção mundial. Apenas alguns países de grande extensão territorial, como Rússia, Esta dos Unidos, Canadá e Brasil, considerados países-continentes, apresentam maior quantidade de riquezas minerais do que a África do Sul.
Embora apenas 11% do território sul-africano seja considerado apropriado para a agricultura, o país tem uma produção diversificada e fornece alguns produ tos agrícolas para o mercado externo, como laranja, uva, maçã e frutas tropicais. As duas principais culturas são as do milho e o trigo, que ocupam, respectivamen te, 26% e 13% das terras cultiváveis. Destaca-se também a cultura de cana-de--açúcar. Na atividade de criação, o maior rebanho é o de ovinos.
O carvão mineral é outro importante recurso energético. Cerca de 30% das minas exploradas são a céu aberto, o que facilita a extração do produto. A exportação de carvão mineral em 2016 perfazia 5% do valor total exportado pelo país.
Articulada com as cadeias produtivas globais de corporações multinacionais, como as montadoras de veículos, a África do Sul é o país mais industrializado do continente africano. Em 2016, as exportações de veículos prontos correspondiam a cerca de 7% do va lor total exportado, perdendo em importância apenas para diamante e platina, que representavam, respectivamente, 10% e 8,2%.
A indústria sul-africana, estruturada ao longo do período de dominação europeia, tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%). A abundância de recursos minerais e energéticos também favoreceu a industrialização do país, além de gerar recursos com as exportações – o minério de ferro está entre os mais exportados. A atividade industrial e a extração mineral, porém, continuam a ser controladas pela elite branca e realizadas com a força de trabalho da maioria negra.

A sociedade e o apartheid 

Em 2017, a população da África do Sul era de 55 milhões de habitantes, cuja composição era de aproximadamente 79% negros, 9,6% brancos, 8,9% mestiços e 2,5% asiáticos (indianos, principalmente). 
Até a primeira metade dos anos 1990, os brancos mantinham uma forte política de segregação racial (apartheid), segundo a qual os negros não usufruíam os mesmos direitos dos brancos, ou seja, as pessoas não eram iguais perante a lei. 
O apartheid foi um regime de segregação racial institucionalizada, que praticamente negava aos negros a condição humana. Em 1953, foi publicada a Lei de Recreações, que estabeleceu bibliotecas, escolas, praias e parques separados para brancos e não brancos. No grupo dos não brancos eram incluídos, além dos negros, os mestiços e os asiáticos, também vítimas da segregação racial.
O apartheid foi criado com a finalidade de sustentar um modelo econômico de senvolvido pelos brancos, baseado na exploração da mão de obra negra. Para atingir esse objetivo, era necessário manter o controle da maioria negra da população. 
Alguns números expressam bem o resultado dos longos anos em que vigorou esse regime de segregação racial: até meados da década de 1990, havia na África do Sul aproximadamente 750 mil piscinas, privilégio praticamente exclusivo dos brancos, o que significava a média de uma piscina para duas famílias brancas. Ao mesmo tempo, cerca de 10 milhões de pessoas, quase todas negras, não tinham acesso a água potável.
Nessa mesma época, 84% das pessoas com curso universitário eram bran cas e apenas 7,5%, negras. Enquanto o índice de analfabetismo entre os brancos era insignificante (apenas 1%), 50% dos negros eram analfabetos. 
Também no que diz respeito à questão educacional, na década de 1950, o go verno sul-africano instituiu a “Educação Banto” para os negros, que era inferior à educação oferecida aos brancos. Chegava-se a ponto de não ensinar Matemática aos estudantes negros, sob a justificativa de que “isso não fazia parte de sua cultura”. 
Atualmente, a renda per capita dos brancos está na faixa dos 7 mil dólares, enquanto a dos negros é de aproximadamente 600 dólares. A taxa de mortalidade infantil entre os negros é de 74 por mil; a dos brancos, de 10 por mil.

O fim do apartheid e a nova África do Sul 

A partir dos anos 1980, passou a haver forte pressão internacional para que o governo sul-africano extinguisse o regime do apartheid. Alguns países chegaram a impor um boicote econômico à África do Sul. 
Em resposta, alguns dirigentes políticos sul-africanos, liderados pelo presidente Frederik de Klerk, adotaram medidas para abrandar o regime de segregação racial. Em 1990, o líder negro Nelson Mandela, preso havia 27 anos, foi libertado, assim como todos os presos políticos do país.
Diversos grupos e partidos políticos de oposição, entre eles o Congresso Nacional Africano (CNA), foram legalizados. Em 1991, foram banidas diversas leis discriminatórias, liberando-se o uso de piscinas, praias, ônibus, bibliotecas, escolas e banheiros públicos para toda a população. 
Em razão dessas mudanças, que ampliaram os direitos dos negros no país, muitos brancos extremistas organizaram uma série de protestos, ameaçando as reformas do governo sul-africano, cujo maior desafio passou a ser a instauração da lei do direito ao voto, que daria à maioria negra a possibilidade de lutar por seus ideais no Parlamento da África do Sul.
A aplicação da nova lei eleitoral se concretizou en tre 26 e 28 de abril de 1994, quando foram realizadas as eleições multirraciais. Os negros votaram pela primeira vez na África do Sul. Nelson Mandela, principal dirigente do partido do CNA, o mais antigo movimento nacionalista da África, foi eleito presidente do país. 
Entretanto, a instituição da democracia e a eleição de Mandela como presidente representaram um grande desafio: transformar a sociedade sul-africa na, pois toda a riqueza estava concentrada nas mãos dos brancos. 
O governo de Mandela também se deparou com sérios problemas étnicos. Na África do Sul há, basicamente, onze diferentes etnias, das quais as principais são a dos zulus e a dos xhosas. A maior é a dos zulus, com cerca de 6 milhões de pessoas. Essa etnia ocupa diversas partes do território sul-africano, mas se concentra na província de Kwazulu-Natal, a qual pretende se tornar um país independente.
Na gestão de Nelson Mandela ocorreram alguns avanços importantes: mais de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a água encanada e quase todas as casas foram conectadas à rede de energia elétrica.
Além disso, em 1997, o Parlamento sul-africano aprovou a Lei de Igualdade no Trabalho, estabelecendo a adoção por parte de todas as empresas do país, tanto estatais como privadas, de uma política de emprego voltada à ampliação da participação de negros, mestiços, mulheres e deficientes em seus quadros, particularmente nos postos de nível hierárquico mais elevado (supervisão, gerência, direção). 
Essa lei visa corrigir as distorções que ocorreram na contratação de funcionários pelas empresas durante o regime do apartheid, que privilegiava os brancos.

A África do Sul no BRICS 

Em abril de 2011, a oficialização da África do Sul como membro do BRICS mostrou que o país vem ganhando projeção no cenário mundial. Apesar de apresentar indicadores econômicos ainda muito distantes daqueles alcançados pelos de mais países do grupo e inúmeros problemas sociais, a África do Sul tem consolida do sua posição de país emergente. Como uma das maiores e mais diversificadas economias da África, a África do Sul está de acordo com especialistas, em posição de destaque no continente.

África do Sul: o parque industrial mais diversificado do continente 

A África do Sul é um dos países com maiores reservas de minérios no continente e é um dos maiores produtores mundiais. O país exporta minérios brutos, dos quais é um dos principais fornecedores mundiais e o maior da África.
Entretanto, possui indústrias que processam internamente grande parte da produção mineral; usinas siderúrgicas e meta lúrgicas, que produzem diversos tipos de metais – ferro, aço, alumínio, cobre, etc. –, os quais, por sua vez, alimentam outras indústrias, como a automobilística.
O parque industrial do país é o maior, mais diversifica do e mais moderno da África. Isso contribui para que sua economia seja a segunda maior entre todos os países africanos, a maior economia é a Nigéria, mas sua população é 3,4 vezes maior que a da África do Sul). 
Entre os outros fatores que exerceram influência em sua economia está a entrada de investimentos ingleses e esta dunidenses e os investimentos em infraestrutura e nas indústrias de base. 
Além disso, os imigrantes europeus trouxeram conhecimentos e experiência em diversas modalidades de trabalho, e a superexploração da mão de obra de xhosas, zulus e outras etnias do país durante o regime do apartheid trouxe altos lucros às empresas nacionais e estrangeiras. Hoje há a garantia de uma série de direitos aos trabalhado res reduzindo o grau de exploração. 

África: uma economia dependente

Para entender os vários aspectos da economia da África, é necessário levar em consideração a longa fase de colonização europeia, cujas repercussões se fazem sentir ainda nos dias de hoje. Desde o período colonial, o espaço geográfico do continente africano vem sendo organizado de acordo com os interesses das ex-metrópoles ou das grandes potências mundiais.

A agropecuária

A produção agrícola africana, que, antes do período colonial, era organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, foi substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de exportação. Na maioria dos países africanos, atualmente, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial. 
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades, com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às ne cessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura se caracteriza pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais.
Essa atividade agrícola, praticada principalmente nas áreas de Savanas, utiliza o sistema itinerante, no qual o lavrador limpa uma pequena extensão de terra, realiza a queimada e, posteriormente, com a ajuda da enxada, retira os torrões de terra e faz a semeadura, empregando a cinza que restou como fertilizante. Decorridos alguns anos, quando os solos começam a apresentar sinais de esgotamento, o lavrador parte para uma nova área e, assim, sucessivamente, vai caminhando em busca de novas terras. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
A agricultura comercial para exportação, denominada plantation, surgiu com a chegada do colonizador. Praticada principalmente nas zonas litorâneas, sua finalidade é a produção de culturas destinadas a abastecer o mercado externo. Nela predomina a monocultura, realizada em grandes propriedades, que ocupam as melhores terras do continente. É nessas terras férteis que vem se expandido a agricultura moderna, igualmente voltada à exportação.
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os se guintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, Re pública Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali, Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos) e chá (Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
Na região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia), destacam-se as culturas de trigo, cevada, cen teio, oliveira e videira, que também são cultivados no sul da África do Sul, onde predomina o clima Mediterrâneo. 
A atividade de criação de animais é praticada principalmente na região mediterrânea, nas Estepes e Savanas do Sudão, na África do Sul, e nas regiões às margens dos grandes lagos da parte oriental. 
A África do Sul concentra um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, sobretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

As riquezas minerais e a atividade industrial

Desde as primeiras descobertas, as riquezas minerais africanas têm sido exploradas por companhias estrangeiras, principalmente multinacionais. Entre tanto, no final da década de 1960, alguns países resolveram nacionalizar suas minas, apoiando-se em organismos internacionais que reúnem vários países produtores de minérios.
Um desses organismos é o Conselho Intergovernamental de Países Exportadores de Cobre (Cipec), ao qual a República Democrática do Congo e a Zâmbia, dois grandes produtores de cobre, se associaram após nacionalizarem suas principais jazidas. Essa atitude foi seguida pelos produtores de minério de ferro e bauxita, que passaram a se unir e a ingressar em entidades supranacionais para defender seus interesses.
O petróleo, um dos mais significativos produtos minerais africanos e grande fonte de divisas para vários países, é explorado na Líbia, no Marrocos, na Argélia, no Egito (na península do Sinai), na Nigéria (próximo ao delta do rio Níger), em Angola, no Sudão, no Chade e no Gabão, entre outros. Angola, Líbia, Argélia, Nigéria e Gabão são grandes produtores mundiais e os quatro primeiros fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes. A República Democrática do Congo, além de diamantes, possui duas outras importantes riquezas minerais: o cobre, que representa cerca de 50% do valor total de suas exportações, e o manganês. Na Zâmbia, o comércio de cobre corresponde a 80% das exportações do país.
O Marrocos e a Tunísia são grandes exportadores de fosfato, matéria-prima da indústria de fertilizantes. O Marrocos, por exemplo, responde por cerca de 30% do fosfato comercializado internacionalmente. 
A África do Sul é outro país riquíssimo em minerais, destacando-se o ouro, o diamante, o carvão e o urânio.
Apesar de toda a riqueza do subsolo africano, a produção é quase toda administrada por multinacionais e destinada ao abastecimento dos mercados dos países desenvolvidos, portanto, não contribui para a melhoria do nível de vida da população africana, em geral. 
O principal tipo de indústria que vem se desenvolvendo em alguns países da África é a de bens de consumo, sobretudo não duráveis. As indústrias de bens duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia e, principalmente, África do Sul, que apresenta a maior diversificação industrial do continente. 
As principais áreas industriais da África estão situadas no entorno de cidades como: Argel, na Argélia; Alexandria e Assuan, no Egito; Trípoli, na Líbia; Tânger, no Marrocos; Túnis, na Tunísia; e Dacar, no Senegal; além das cidades da África do Sul, país mais industrializado do continente. A produção industrial africana corresponde a cerca de 11% do total do PIB da África.

A dívida externa e a dependência econômica da África 

Muitos países africanos têm seu desenvolvimento limitado pela elevada dívida externa e a consequente dependência econômica em relação aos países desen volvidos e instituições financeiras internacionais. 
Atualmente, o pagamento das dívidas adquiridas por sucessivas administrações compromete os gastos públicos desses países. Os valores deveriam ser aplicados em programas de desenvolvimento industrial ou de saúde e educação. Tal problema é particularmente acentuado nos países da África Subsaariana.
A dívida externa tem origem no perío do pós-independência dos países africa nos, mas aumentou consideravelmente a partir das décadas de 1970 e 1980. 
Já na de 1980, o valor da dívida externa dos países da região correspondia a quase 60% de toda a riqueza gerada, chegan do, em alguns países, a superar o valor do PIB anual de países devedores. No caso da Libéria, a dívida externa chegou a ser seis vezes maior que o PIB. 
Sem ter como dar conta do valor total das parcelas da dívida, vários países do continente africano passaram a pagar apenas seus juros. Nesse contexto, parte substancial do PIB passou a ser destinada ao pagamento de parcelas da dívida externa, resultando na redução dos gastos com serviços públicos.
Alguns países da África Subsaariana são dependentes da ajuda financeira inter nacional. No entanto, questiona-se o interesse de parte desses credores, os quais, para alguns analistas, beneficiam-se em continuar fornecendo créditos e ampliando o endividamento desses países. 
Questiona-se também a conduta dos países desenvolvidos e das grandes empresas transnacionais em relação à África. Nesse sentido, são cobradas ações mais concretas que beneficiem os países africanos e possibilitem criar bases para seu desenvolvimento, como a transferência de tecnologias e a realização de investimentos em áreas estratégicas com potencial para transformar as economias rurais e urbanas do continente, a exemplo da educação, do desenvolvimen to de infraestrutura e do aproveitamento de fontes de energia renováveis.

Investimentos estrangeiros 

O continente africano como um todo não está plenamente integrado aos fluxos mais significativos da economia mundial. Isso dificulta a solução de muitos de seus problemas sociais e econômicos – quando não os agrava. 
Por exemplo: apesar do recente crescimento observado em muitos países da África, o fluxo de capitais produtivos, que são investimentos que geram riqueza – lucro para as empresas, empregos para os trabalhadores e impostos para o Estado –, mantém-se como um dos mais baixos do mundo. Além de esse fluxo de investimentos ser baixo, está muito concentrado em poucos países.
 
O turismo 

Apesar da riqueza do patrimônio natural da África que poderia, por exemplo, estimular o desenvolvimento do turismo ecológico, apenas mais recentemente a atividade turística vem apresentando uma importância mais significativa na economia africana. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes e os constantes conflitos étnicos existentes em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo.
Na região do Mediterrâneo – Marrocos, Tunísia e Egito, principalmente –, ocorre um maior fluxo turístico. Sem dúvida, o patrimônio histórico egípcio, com suas pirâmides e templos, é uma das principais atrações do continente africano, o que eleva o Egito à posição de país mais visitado da África. Na África subsaaria na, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística.


Africa: composição étnica e as religiões


A população africana é predominantemente negra. Os brancos, em sua maioria islâmicos, ou muçulmanos, de língua árabe, constituem um terço do total e se concentram na porção setentrional do continente. Ao sul do Saara também há uma população branca de origem europeia, concentrada na África do Sul.
Os brancos do norte da África subdividem-se em árabes e berberes. Os primeiros pertencem ao grupo étnico semita, que conquistou a África setentrional no século VII, fixando-se no Egito, na Tunísia, na Líbia e na porção oriental da Argélia.
Os berberes, pertencentes ao grupo étnico camita, são os mais antigos habitantes do Magreb e constituem a maior parte da população do Marrocos e das regiões montanhosas da Argélia. Entre os berberes destacam-se os tuaregues (nômades do deserto) e os etíopes. Os dois grupos, em sua maioria, professam a religião islâmica.
A população negra, concentrada ao sul do Saara, apresenta grande diversidade de povos, religiões e idiomas (mais de 100). Além de diferentes línguas e dialetos nativos, são falados o francês, o inglês e o português, introduzidos pelos colonizadores. Alguns povos negros são seguidores da religião islâmica, mas, nos últimos anos, tem crescido o número de cristãos (sobretudo adeptos do catolicismo). Muitos seguem o animismo.
Os negros no continente africano se subdividem nos seguintes grupos:
• Bantos: os mais numerosos, que ocupam a maior parte da região equatorial (bacia do Congo), a região dos grandes lagos e parte da Namíbia, de Botsuana e da África do Sul;
• Sudaneses: estabelecidos principalmente na porção ocidental da África;
• Hotentotes: em maior número na África do Sul, na Namíbia e em Botsuana;
• Nilóticos: habitantes da região do alto curso do rio Nilo;
• Bosquímanos: habitam Estepes situadas às margens do deserto do Kalahari;
• Pigmeus: habitantes das Florestas Equatoriais; 
• Malgaxes: habitantes da ilha de Madagascar.


Revoltas populares no norte da África

A partir de 2010, uma onda de revoltas populares atingiu o norte da África e países do Oriente Médio. A luta da população por democracia, abertura política e melhorias sociais, entre outros aspectos, derrubou regimes autoritários e foi responsável por uma mudança de olhar em relação ao mundo árabe, quase sempre visto exclusivamente sob o viés das questões étnico-religiosas ou do petróleo.
A mobilização popular nas reivindicações por melhoria das condições sociais e por democracia contou com participação ativa sobretudo de jovens nas redes sociais, utilizadas para disseminar informações e convocar pessoas para os pro testos nas ruas. 
Na Líbia, o movimento derrubou o ditador Muamar Kadafi, mas o país entrou em guerra civil, com milícias e grupos islâmicos contro lando porções territoriais do país. 
Na Tunísia, a queda do ditador Ben Ali em 2011 abriu espaço para que o partido islâmico moderado assumisse o governo do país, que, em 2016, recorreu ao FMI para a obtenção de recursos. Em contrapartida, o Fundo exigiu um programa de redução dos gastos governamentais. Em 2018, o povo foi novamente às ruas para exigir melhoria nas condições sociais.
No Egito, os protestos da população levaram o presidente Hosni Mubarak a renunciar ao governo em 2011. No ano seguinte, com as primeiras eleições de mocráticas para presidente no país, Mohamed Mursi foi eleito para a presidência. No entanto, sob um governo autoritário, as melhorias nas condições sociais não ocorreram para boa parte da população. Em razão dessa situação, os protestos foram retomados e, nesse contexto de instabilidade, as forças armadas derrubaram Mursi. Novas eleições foram realizadas em 2014, levando ao poder novamen te um governo autoritário e frustrando as expectativas de boa parte da população, que ansiava por novas perspectivas sociais e democracia.

O Brasil e os países africanos

Parcerias que intensifiquem as relações econômicas com países em desenvolvimento, principalmente emergentes, podem facilitar a superação dos diversos problemas que os países africanos enfrentam, sobretudo os da África Subsaa riana. Tendo em vista os fortes laços étnico-culturais, o Brasil é um país capaz de desempenhar papel importante nesse sentido.
O Brasil também tem presença na África, seja por meio de acordos de cooperação técnica e econômica, como os da Embrapa, seja por meio de investimentos de empresas nacionais – privadas e estatais –, que estão desenvolvendo principalmente projetos em mineração e infraestrutura. 
O Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), mantém diversos projetos de cooperação técnica com países africanos, como os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) – Angola, Cabo Verde, Guiné--Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – com os quais tem maior aproximação histórica e cultural. Um dos problemas que as empresas brasileiras enfrentam ao se instalar na África é a carência de profissionais qualificados, sobretudo no setor industrial. 
O Brasil também tem uma relação muito próxima com a União Africana, entidade criada em 2002 em substituição à Organização da Unidade Africana, fundada em 1963 para apoiar os Estados africanos recém-independentes. 
Neste início de século, o governo brasileiro aumentou de 18 para 30 o número de embaixadas e instalou dois consulados-gerais em países africanos. Experiências realizadas no Brasil na área da saúde, no combate à fome e outras formas de assistência social vêm sendo implementadas em países africa nos, como Angola e Moçambique, por exemplo. Entretanto, em razão dos efeitos da crise econômica no Brasil a partir de meados da década de 2010, foram reduzidos alguns investimentos na África e também as doações humanitárias.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A África no contexto da economia globalizada

Os governos que se estruturaram após os processos de independência foram, de modo geral, marcados pelo autoritarismo e pela corrupção. Além disso, as disputas pelo poder entre nações rivais, a carência de recursos financeiros e a economia fortemente voltada para a exportação, aliadas aos interesses econômicos e político-militares das grandes potências (incluindo Estados Unidos e ex-União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial), entre outros fatores, dificultaram reformas na organização política e socioeconômica da maioria dos países africanos.
Esse quadro, associado aos longos períodos de seca e à pressão demográfica sobre os recursos naturais, tem ocasionado situações de fome crônica e disseminação de doenças em vários países da África. Além disso, a utilização de muitas terras férteis do continente para a produção de gêneros de exportação impactou a produção de alimentos. Entre 1960 e 2010, enquanto a produção de gêneros alimentícios no mundo cresceu 150%, no continente africano caiu 10%.
No contexto da economia globalizada – caracterizada por intensos fluxos financeiros, desenvolvimento de tecnologia avançada e busca de mão de obra qualificada e mercados consumidores para produtos de alta tecnologia –, a maioria dos países africanos, sobretudo os subsaarianos (que se situam ao sul do deserto do Saara), tem o desafio de melhorar e ampliar a infraestrutura energética, de telecomunicações e de transportes, além de qualificar mão de obra a fim de atrair investimentos. A participação do continente africano no PIB global é de apenas 2,7%. 
A maioria dos países subsaarianos dispõe basicamente de matérias-primas minerais e agrícolas, cujos preços apresentaram alta na primeira década do século XXI, porém sofreram redução na demanda e nos valores na segunda década deste século. A alta de preços alavancou o crescimento econômico de alguns países, como Angola, Guiné Equatorial e Nigéria, cujas taxas chegaram a se manter superiores a 5% ao ano.
Os setores produtores de matérias-primas minerais e energéticas (petróleo e gás), embora gerem expressivas receitas por meio da exportação para alguns países, não contribuem expressivamente para a geração de empregos. Daí a necessidade de diversificação econômica nos países da região, cuja exceção é a África do Sul (que faz parte do Brics).
Ações no sentido de atrair mais investimentos e diversificar a economia africana têm sido empreendidas por países como a Etiópia, na África Oriental, cujo governo montou parques industriais em alguns setores da economia (agroalimentar, farmacêutico, têxtil e de curtume), e o Quênia, que em 2015 aprovou uma nova legislação para atividades econômicas, que inclui a criação de uma Zona Econômica Especial para a estruturação de empresas da indústria de transformação. No entanto, os investimentos estrangeiros ainda se concentram em boa parte nos setores de produção de matérias-primas.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

África: economia e conflitos


Economia africana

A maioria dos países africanos possui a economia apoiada basicamente nas ati vidades primárias: produção de gêneros agropecuários e de recursos minerais, in cluindo a extração de recursos energéticos fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
Esse modelo econômico foi introduzido a partir do século XIX, quando os colo nizadores europeus se apossaram do continente apenas para explorá-lo economica mente. Durante o período colonial, a economia baseava-se nas plantations, ou seja, grandes lavouras monocultoras de produtos tropicais voltados para exportação, e também na extração de recursos minerais e vegetais existentes em abundância no território africano. Essas matérias-primas serviam basicamente para abastecer a in dústria e o mercado consumidor europeu.
Assim, desde aquela época, a economia do continente africano voltou-se para a produção de matérias-primas destinadas ao abastecimento do mercado externo. Dessa forma, vários países da África foram inseridos na Divisão Internacional do Tra balho (DIT) como exportadores tanto de gêneros agrícolas, como café, cacau, borra cha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim, quanto de recursos minerais e energéticos.

Agropecuária

A agropecuária, que constitui uma das mais importantes fontes de renda nos países da África, ocupa atualmente parte expressiva da população economicamente ativa de muitos países do continente. Essa atividade é desenvolvida de duas formas principais: as lavouras tradicionais e as plantations.
• As lavouras tradicionais, voltadas para a produção de alimentos para o consu mo da população local, são desenvolvidas em diversas áreas do território africano. De modo geral, nessas áreas, prevalecem pequenas propriedades e técnicas rudimentares de cultivo, sendo os produtos mais cul tivados arroz, sorgo, feijão, batata, inhame e banana.
Os longos períodos de secas, a reduzida qualidade dos solos e, sobretudo, os escassos investimentos em tecnologias fazem com que a agropecuária de subsistência apresente baixa produtividade, tornando necessária a importação de alimentos para o consumo da população.
• As plantations, desenvolvidas principalmente na África Subsaariana, são extensas lavouras monocultoras cultivadas com utilização de fertilizantes, agrotóxicos e, geralmente, com grande quantidade de mão de obra. Nelas, faz-se o cultivo de produtos tropicais voltados para a exportação, como café, cacau, chá, cana-de-açúcar e amendoim. Portanto, não se destinam a servir de alimento para o consumo interno.

A atividade agropecuária no continente africano

As atividades agrárias que predominam em grande par te do continente africano são as praticadas de maneira tradicional, como a agropecuária de subsistência, a pecuária extensiva e o pastoreio nômade. 
As atividades agropecuárias comerciais, praticadas com re cursos tecnológicos mais avançados, estão restritas a certas regiões de apenas alguns países africanos, como na África do Sul, Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Serra Leoa.

Recursos minerais 

Uma das características marcantes da África é sua grande riqueza mineral. Atu almente, muitos dos seus países têm economia quase totalmente dependente da exploração de minerais e de recursos energéticos fósseis, como o carvão mineral e o petróleo. 
As principais reservas minerais (ouro, diamante, ferro, carvão mineral, bauxita) se encontram em depósitos geológicos localizados na porção centro-sul do continente, sobretudo em países como África do Sul, Zimbábue e República Democrática do Congo, e também em países localizados na costa atlântica, como Gana e Libéria. 
Entre as principais regiões produtoras de petróleo e gás natural, destacam-se as bacias sedimentares da costa oeste do continente, principalmente em Angola, Gabão, Camarões e Nigéria, e também os campos petrolíferos encontrados, por exemplo, nos desertos da Argélia, Líbia e Egito, ao norte do continente.

Atividade industrial 

De maneira geral, a atividade industrial no continente africano é pouco expressiva, tendo participação bastante restrita na exportação mundial de produtos industrializa dos. Atualmente, o continente africano responde por menos de 1% das exportações de produtos manufaturados comercializados em todo o mundo. Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial res trito no continente, podemos citar: 
• a falta de infraestrutura (vias de transporte, energia elétrica etc.), que dificulta a implantação de parques industriais mais complexos; 
• a escassez de mão de obra qualificada, que inibe a expansão das empresas; 
• a existência de um mercado consumidor de baixo poder aquisitivo, que limita o consumo da população aos bens industrializados.
Devido a esses fatores, a atividade industrial no continente africano restringe-se prin cipalmente aos setores mais tradicionais, com uso de tecnologia menos desenvolvida (alimentos, bebidas, têxteis, calçados etc.). Em geral, essas indústrias concentram-se principalmente nas maiores e mais importantes cidades do continente, entre elas Johanesburgo (África do Sul), Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria).
A África do Sul e o Egito são os dois países mais industrializados do continente africano. Assim, como os demais países subdesenvolvidos, como Brasil, México e Argentina, a industrialização desses países africanos também foi tardia, pois ocorreram somente a partir de meados do século XX.

Crescimento econômico da África

Nos últimos anos, o mundo vem presenciando o crescimento econômico de mui tos países africanos. De acordo com o Banco Mundial, em 2021, alguns países da África apresentaram um crescimento econômico maior que a média mundial, de 5,8%. Foi o caso de Ruanda e Costa do Marfim, que nesse mesmo ano cresceram 10,9% e 7% respectivamente.
Ainda de acordo com o Banco Mundial, o crescimento econômico de países africanos, sobretudo dos pertencentes à África Subsaariana, deve-se principalmente à abundância de recursos naturais e aos elevados preços mundiais de matérias-primas, como os recursos minerais.
A descoberta de novas áreas de extração de recursos como gás natural, petróleo e outros recursos minerais, em países como Moçambique, Níger e Zâmbia, vem contribuindo para o crescimento econômico do continente. Atualmente, são pou cos os países do continente que não estão envolvidos na exploração de algum tipo de minério.
Em função desse crescimento, o continente tem atraído grande número de inves tidores estrangeiros. Além da abundância de recursos naturais, o crescimento demo gráfico e a urbanização acelerada de alguns países vêm aumentando o consumo de modo geral e incentivando a entrada de empresas estrangeiras. 
Porém, para que esse crescimento econômico se reflita em desenvolvimento das condições de vida da população em geral, é necessário que os ganhos sejam rever tidos na melhoria da saúde, da educação, da infraestrutura básica, no aumento da produtividade agrícola e na geração de empregos. Dessa forma, a pobreza poderá ser reduzida significativamente.

Riquezas minerais e o interesse do capital internacional

Os países africanos, em geral, não dispõem de recursos técnicos nem financeiros ou mesmo de mão de obra mais especializada para promover a exploração dos recursos minerais e energéticos existentes em seus territórios. Em razão disso, o desenvolvimento da mineração tem sido realizado e controlado por grandes empresas estrangeiras, sobretudo europeias, estadunidenses, japonesas e chinesas, cujos lucros são enviados aos países mais ricos, onde essas empresas estão sediadas.




Questões ambientais na África

De modo geral, as questões ambientais na África são semelhantes às detecta das em outras partes do mundo e decorrentes tanto de fatores natu...