sábado, 22 de agosto de 2026

Respiração celular

Nos alvéolos pulmonares, o gás oxigênio passa para o sangue. O sangue, por sua vez, transporta o oxigênio até as células, bem como os nutrientes absorvidos no processo digestório. O conjunto de reações químicas que ocorrem no interior da célula é chamado metabolismo celular.
As células utilizam o oxigênio e os nutrientes, promovendo uma reação que resulta na liberação de energia presente nas substâncias nutritivas, em geral na glicose. Esse processo é denominado respiração celular e acontece nas mitocôndrias, que são as organelas responsáveis pela obtenção de energia. A respiração celular libera o gás carbônico, que é tóxico e deve ser eliminado do corpo.
A energia liberada no processo de respiração celular é utilizada em diversas funções do organismo, como crescimento, movimento, manutenção da temperatura corpórea. Podemos dizer que o corpo trans forma a energia química presente nos nutrientes em outros tipos de energia, como a energia cinética e a energia térmica.
Gás carbônico e água são produtos do processo de geração de energia. Por ser uma substância tóxica para a célula, o gás carbônico deve ser eliminado imediata mente, o que ocorre pelas trocas gasosas nos alvéolos pulmonares. O sangue trans porta o gás carbônico das células para os pulmões, de onde são eliminados para o meio ambiente.

Sistema endócrino


O sistema endócrino é composto de glândulas endócrinas, estruturas formadas por células que produzem materiais utilizados em outras partes do corpo. O termo endócrino indica que esses materiais são liberados dentro do corpo.
O sistema endócrino é formado por glândulas, responsáveis pela produção de hormônios que controlam diversos processos corpóreos, como o crescimento, o desenvolvimento sexual, a absorção de nutrientes pelas células, a preparação do corpo da mulher para o parto e a produção de leite.
O sistema endócrino também influencia o sistema imunitário por meio de uma glândula chamada timo, que produz hormônios que atuam na produção e desenvolvimento de um tipo de leucócito.
As glândulas endócrinas secretam hormônios, substâncias produzidas e liberadas em pequenas quantidades no sangue ou em outros fluidos corporais exercendo um efeito específico sobre uma ou mais partes do corpo. A produção de hormônios pelas glândulas endócrinas é controlada pelo sistema nervoso e pelas próprias glândulas.
O sistema endócrino e o sistema nervoso agem de maneira integrada garantindo o equilíbrio do meio interno. Por meio das secreções hormonais são regulados diversos processos corpóreos, alguns com efeito imediato e passageiro, como a absorção de açúcar pelo fígado; e outros com efeito permanente, como o desenvolvimento das características sexuais e o crescimento.
A ação dos hormônios é específica em razão da presença de receptores, estruturas na membrana da célula que reconhecem especificamente cada hormônio. Assim, um hormônio pode estar em contato com diversas células, mas só vai produzir efeitos nas que apresentarem receptores para ele. Em conjunto com o sistema nervoso, o sistema endócrino controla muitas funções do corpo humano, como o crescimento, a velocidade do metabolismo, a absorção de nutrientes, a produção de leite nas lactantes e o desenvolvimento sexual.

Funcionamento do sistema endócrino

Os hormônios são produzidos de acordo com os estímulos recebidos pelas glândulas; a quantidade de substâncias específicas no sangue pode interromper ou ativar a produção hormonal. O pâncreas, por exemplo, ajuda o corpo a manter a taxa adequada de concentração de glicose (açúcar) no sangue por meio da ação de dois hormônios: a insulina e o glucagon.
A ação dos hormônios depende de sua quantidade: quanto mais hormônio secretado, mais células produzirão os efeitos desse hormônio, até chegar a um limite. Pensando em um hormônio que estimule os batimentos cardíacos, uma quantidade exagerada dele pode causar danos ao coração e levar à morte; e uma quantidade baixa pode impedir o coração de funcionar adequadamente.
Geralmente, quando a concentração de um hormônio no sangue está alta, a atividade da glândula que o produz é inibida, o que interrompe a liberação de hormônio; assim, a concentração hormonal diminui. Essa diminuição estimula a glândula, que volta a liberar o hormônio no sangue. Esse mecanismo de “liga e desliga” mantém a taxa dos hormônios dentro de limites tolerados pelo corpo.
Os níveis de cada hormônio podem ser influenciados por fatores como estres se, infecções e alimentação. Em alguns casos é necessário tratamento médico para manter adequado os níveis hormonais, por exemplo, em indivíduos que apresentam disfunções das tireoides (hipotireoidismo e hipertireoidismo).

As glândulas endócrinas 

De modo geral, os hormônios são produzidos continuamente nas glândulas endócrinas, mas são secretados somente quando essas glândulas recebem um estímulo. 
A hipófise é uma glândula localizada na base do cérebro. Ela é controlada pelo hipotálamo, área do cérebro encarregada de coordenar órgãos internos e atividades de manutenção do corpo. O hipotálamo recebe mensagens trazidas pelos nervos do corpo e secreta hormônios que atuam sobre a hipófise, regulando seu funcionamento. 
Outras glândulas endócrinas são constituídas por células capazes de detectar estímulos que indicam a necessidade de secreção de seus hormônios. É o caso do pâncreas.
O pâncreas produz dois hormônios: o glucagon e a insulina, que têm funções antagônicas. Enquanto o glucagon eleva a concentração de glicose no sangue, a insulina a reduz. O excesso de açúcar no sangue prejudica a circulação sanguínea e pode causar danos em vários órgãos, como os olhos, os rins, o cérebro e a pele. 
A falta de açúcar no sangue, ao contrário, reduz a disponibilidade de energia para os tecidos. O cérebro é um dos primeiros órgãos a sentir falta dessa energia, que pode causar alterações de humor, sono, dor de cabeça, tontura e, em casos extremos, convulsões e morte.
Quando a concentração de glicose no sangue aumenta, o pâncreas é estimulado a secretar insulina. Esta estimula a absorção e a utilização de glicose pelas células do corpo. Assim, o nível de glicose no sangue cai. 
Quando a concentração de glicose no sangue fica muito baixa, o pâncreas é estimulado a secretar glucagon. Como consequência da ação desse hormônio, o fígado libera glicose no sangue, aumentando sua concentração. 


A regulação do corpo - hormônios

Os seres vivos têm diversos sistemas, que atuam em conjunto e de maneira coordenada para o corpo funcionar. Uma das maneiras pelas quais essa coordenação acontece é por meio do sistema endócrino, pela ação de hormônios.

Hormônios

Os hormônios são compostos produzidos por glândulas. Quando você está em uma situação de risco, é normal que ocorram algumas alterações de maneira coordenada em seu organismo para colocá-lo em alerta. Por exemplo, o coração acelera, a respiração aumenta de ritmo, as pupilas se dilatam e a atenção aumenta.

Isso ocorre porque os sistemas respondem a estímulos comuns, que coordenam seu funcionamento. Existem diferentes hormônios, e cada um apresenta uma estrutura física particular. Por outro lado, as células do corpo têm receptores em sua superfície. Receptores são proteínas, localizadas na membrana plasmática das células, que também têm estrutura específica, ou seja, ligam-se somente a determina do tipo de molécula. Um hormônio lançado no sangue só vai se ligar às células com receptor específico para ele, não tendo efeito em outras células.

Glândulas 

As glândulas são conjuntos de células epiteliais que produzem secreções – substâncias que são exportadas para fora da célula. 
Existem diferentes tipos de glândula no corpo humano, de acordo com a natureza das substâncias que secretam e o local em que essas substâncias são liberadas. 
As glândulas podem ser exócrinas, endócrinas ou mistas. As glândulas exócrinas produzem e liberam secreções para fora do corpo, como a glândula sudorípara (que libera o suor); ou para dentro de cavidades, como a glândula salivar (que libera a saliva). Já as glândulas endócrinas produzem os hormônios, que são liberados diretamente no sangue, que os leva para as células-alvo do corpo. 
As glândulas mistas, por sua vez, liberam hormônios no sangue e secreções fora dele. Um exemplo é o pâncreas, que libera tanto o suco pancreático – que atua na digestão – para o interior do duodeno quanto hormônios, como insulina e glucagon, para a corrente sanguínea. 




Uma classificação para os alimentos

De acordo com o teor de nutrientes que os alimentos contêm, eles podem ser classificados em: 
• energéticos: atuam no fornecimento de energia. São exemplos os alimentos ricos em lipídios e em carboidratos. 
• construtores (ou plásticos): atuam na formação do organismo, ou seja, no crescimento e na reposição de perdas. Exemplos são os alimentos ricos em proteínas. 
• reguladores: atuam na regulação das reações químicas que acontecem nas células e no material intercelular. Como exemplos, temos os alimentos que são fonte de vitaminas e sais minerais. 
Uma alimentação saudável deve fornecer ao organismo, em quantidades necessárias, carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas, sais minerais e água. Além dessa recomendação geral, é necessário ter cuidado com a dieta. Uma forma de garantir uma alimentação equilibrada é fazer refeições com itens diversificados, entre cereais, verduras e carnes, sem comer exageradamente.

Os nutrientes

Os alimentos que costumamos ingerir – feijão, arroz, verduras, ovo, carne etc. – geralmente são constituídos por diversas substâncias: carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e sais minerais. Essas substâncias, chamadas nutrientes, são necessárias para nutrir o corpo, ou seja, fornecer a energia que regula suas funções e formar e renovar as células e os tecidos, mantendo o organismo vivo e ativo.

Carboidratos


Os carboidratos, ou glicídios, são a principal fonte de energia do organismo e são representados pelos açúcares. O amido – encontrado em diversos vegetais, como arroz, batata, mandioca, aveia, trigo (e nos ali mentos feitos à base de farinhas, como pão, bolo, macarrão, biscoitos etc.), entre outros – é formado pela união de muitas moléculas de outro carboidrato: a glicose.

Lipídios 


Os lipídios são representados pelas gorduras e pelos óleos presentes em várias sementes (amendoim, girassol, soja, algodão etc.), no coco, na azeitona, no leite integral e seus derivados, no ovo e na gordura da carne. São importantes fontes de energia para o organismo. 
Além de reserva energética, as gorduras são constituintes das membranas celulares e, quando acumuladas nas células sob a pele, protegem o corpo de variações térmicas, entre outras funções.

Proteínas 


Além de desempenhar diversas funções nas células, as proteínas são importantes componentes das estruturas construtivas do organismo, porque participam da composição das membranas celulares, dos mecanismos de movimentos das células e da constituição de unhas, pele e pelos. Formam, ainda: 
• os anticorpos, que são fundamentais nos mecanismos de defesa do corpo dos seres vivos; 
• alguns hormônios, entre eles a insulina, que atua no metabolismo da glicose, participando da regulação da quantidade dela no sangue; 
• as enzimas, proteínas que aceleram as reações químicas. As proteínas, ou protídeos, estão presentes em grande quantidade, por exemplo: no ovo; na carne de animais (boi, porco, aves, peixes); nos derivados do leite; e em vários vegetais, principalmente as leguminosas, como feijão, soja e ervilha, entre outras.

Vitaminas 


As vitaminas são substâncias que participam de vários processos no organismo, incluindo os que regulam a liberação de energia que ocorre nas células, entre outras funções. Elas são necessárias em quantidades bem menores do que as de proteínas, de lipídios e de carboidratos. Uma dieta equilibrada geral mente supre o organismo da quantidade diária necessária de vitaminas – que é da ordem de miligramas. Suplementos vitamínicos – vitaminas em comprimidos ou cápsulas – são medicamentos e, como tal, só devem ser ingeridos mediante indicação médica. Em excesso, certas vitaminas podem prejudicar o organismo.

Sais minerais 


Os sais minerais participam de várias substâncias e estruturas do organismo, constituindo cerca de 4% do peso corporal de uma pessoa adulta. A maior concentração de sais minerais está no esqueleto. Exemplos de sais minerais são o sódio, o potássio, o cálcio e o ferro. 
Eles são encontrados na maioria dos alimentos, como banana, leite e derivados, brócolis, sal (de cozinha) etc. Cada um deles desempenha importantes funções no organismo, auxiliando nos processos vitais. A falta de ferro (encontrado em feijões, verduras de folhas escuras, carnes etc.) provoca um tipo de anemia. O iodo ajuda a regular a atividade da glândula tireoide. 
Por determinação do governo federal brasileiro, desde 1953 o iodo é adicionado ao sal de cozinha refinado (sal iodado). Já o flúor participa da formação dos dentes e ossos em geral. A fluoretação da água foi tornada obrigatória no trata mento de água no Brasil a partir de 1974.
Alimentos frescos são mais nutritivos. Verduras, legumes e frutas (e seus sucos) guardados por muito tempo perdem teor nutritivo e a maior parte de suas vitaminas.

Fibras


Fibras são as partes dos vegetais que lhes dão consistência. Estão presentes nas folhas, nos talos e nas camadas externas das sementes, como o trigo e o arroz integral. 
Elas não são digeridas nem absorvidas pelo organismo humano, mas contribuem para o bom funcionamento da digestão. Diminuem a absorção de lipídios e os riscos da prisão de ventre e de doenças (até mesmo o câncer intestinal) que costumam acometer pessoas que consomem poucas fibras.


Água 


A água não é um nutriente. Contudo, tem a propriedade de dissolver diversas substâncias nutritivas, desempenhando papel preponderante na formação, na composição e na manutenção dos seres vivos. 
Ela é a substância mais abundante na composição dos seres vivos, perfazendo mais de 50% da massa do organismo humano adulto. A água faz parte das células e, portanto, de tecidos, órgãos e sistemas do corpo, além de ser o principal componente do plasma sanguíneo e de outros materiais intercelulares. 
Eliminamos a água do corpo pela urina, pelo suor, pelas fezes e pela respiração (na forma de vapor).





Estratégias de reprodução dos seres vivos

Uma das características gerais dos seres vivos é a capacidade de reprodução. Esse processo é essencial para a manutenção da espécie, pois é responsável pela formação de novos indivíduos.
A reprodução dos seres vivos sempre despertou o interesse da humanidade. Houve um período em que se acreditava que o macho não tinha participação na concepção. Depois, surgiu a teoria de que o macho não só participava do processo de reprodução, mas que em seu sêmen estaria um ser vivo praticamente formado que apenas se desenvolveria no ventre da mulher, no caso dos seres humanos. 
Atualmente, vários estudos revelam que os seres vivos – unicelulares e pluricelulares – desenvolveram, ao longo de sua evolução, mecanismos reprodutivos que geram descendentes e possibilitam a perpetuação das espécies. Há dois processos reprodutivos básicos: a reprodução assexuada e a reprodução sexuada.
Enquanto a reprodução assexuada não envolve gametas, que são células sexuais masculinas e femininas, a reprodução sexuada ocorre por meio da união de gametas.

Reprodução assexuada 


É um tipo de reprodução individual que produz clones, descendentes idênticos aos indivíduos que lhes deram origem. 
O processo baseia-se na divisão celular, em que uma célula se divide em duas, ambas com as mesmas características da original. 
Na reprodução assexuada, ou reprodução vegetativa, apenas um indivíduo participa do processo e origina indivíduos idênticos a ele. A composição genética dos indivíduos não muda ao longo das gerações, a não ser que ocorra mutação, que é um processo de modificação do material genético. 
Não havendo mutação, os seres formados são geneticamente idênticos ao indivíduo inicial e entre si, sendo chamados  clones
São vários os tipos de reprodução assexuada. Veja os principais tipos de reprodução assexuada. 

Divisão binária: processo comum em indivíduos unicelulares. O organismo se divide em duas partes, com tamanho e composição muito semelhantes, que origina dois indivíduos. Exemplos: bactérias e protozoários. 

Fragmentação ou regeneração: o organismo se fragmenta, e cada pedaço dá origem a um novo indivíduo, processo que ocorre em alguns invertebrados. Exemplos: planárias e estrelas-do-mar.

Brotamento:  um broto se desenvolve na superfície de um organismo e depois de algum tempo se desprende, originando um indivíduo independente, ou permanece no organismo adulto formando colônias. Exemplos: água-viva, anêmona e hidra.

Esporulação: um organismo produz estruturas reprodutivas chamadas esporos que, ao germinar, originam novos indivíduos. Exemplo: fungos. 

Partenogênese: a célula reprodutora se desenvolve sem que tenha ocorri do fecundação e dá origem a um novo indivíduo. Exemplos: abelhas e for migas. No caso das abelhas, além dos ovos fecundados, as rainhas põem ovos não fecundados. Os ovos fecundados geram indivíduos fêmeas, e os ovos não fecundados se desenvolvem por partenogênese gerando indivíduos machos (zangões).

Reprodução vegetativa:  uma forma de reprodução assexuada muito comum entre as plantas, que se baseia em produzir novos indivíduos a partir de diferentes partes do corpo, como: caules subterrâneos ou rizomas, caules rastejantes ou estolhos e estolões, tubérculos, raízes e folhas.

Reprodução sexuada


A reprodução sexuada envolve a participação das células sexuais, os gametas. O gameta masculino é denominado espermatozoide; e o feminino, óvulo, ou ovócito no caso dos seres humanos e de algumas outras espécies. 
Nesse tipo de reprodução ocorre a fecundação, que é a união dos gametas feminino e masculino, originando a célula-ovo, também chamada zigoto.
Metade do material genético do zigoto vem do espermatozoide, a outra metade, do ovócito. Isso significa que o indivíduo gerado não é idêntico a um dos parentais, mas tem metade da carga genética de cada um, criando uma nova combinação de genes. A combinação de genes recebidos forma um descendente com características próprias. 
Por haver mistura de material genético, os indivíduos resultantes da fecundação não são iguais aos indivíduos que lhes deram origem – embora sejam semelhantes a eles – e não são iguais entre si, a não ser em casos de gêmeos idênticos.
O zigoto sofre sucessivas divisões celulares e resulta inicialmente em um embrião, que continua a se desenvolver, dando origem a um feto. O feto, por fim, se desenvolverá até se transformar no indivíduo pronto para nascer.

Tipos de fecundação 


A fecundação pode ser de dois tipos.  

Externa: o gameta feminino e o masculino são liberados em um ambiente externo. Exemplos: a maioria dos peixes ósseos, ouriços-do-mar e anfíbios. 

Interna: o gameta masculino é depositado dentro do corpo da fêmea. Exemplos: mamíferos, aves e répteis. 

Alguns seres vivos, chamados hermafroditas, têm sistemas reprodutores masculino e feminino no mesmo indivíduo, por isso pode ocorrer a autofecundação. No entanto, casos de autofecundação não são comuns nos animais. É mais frequente que hermafroditas façam a fecundação cruza da, em que dois organismos fecundam um ao outro, como ocorre com as minhocas.

Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de reprodução


A reprodução sexuada traz vantagens evolutivas para a espécie e é a mais amplamente difundida entre os diferentes grupos de seres vivos cujas células apresentam núcleo.
Se o ambiente fosse completamente estável, sem sofrer alterações ao longo do tempo, a reprodução assexuada seria muito vantajosa, por preservar ao longo das gerações as características adaptativas dos organismos para certa condição ecológica. Essa, entretanto, não é a realidade. Os ambientes podem apresentar alterações, e uma modificação desfavorável pode eliminar de uma só vez toda a população daquela espécie, caso ela seja formada por indivíduos geneticamente idênticos.
Os organismos que se reproduzem assexuadamente não precisam se deslocar para encontrar um parceiro; assim, mesmo indivíduos que vivem isolados podem se reproduzir. Além disso, a reprodução assexuada possibilita o rápido crescimento populacional, como ocorre com as bactérias. Uma desvantagem da reprodução assexuada é a geração de descendentes geneticamente iguais, o que torna a população homogênea. Caso haja alterações nas condições ambientais, a ponto de o meio não ser mais propício ao desenvolvimento desses indivíduos, a população pode desaparecer daquele ambiente. 
Já em uma população com variabilidade genética, como nas populações compostas de indivíduos que se reproduzem de forma sexuada, quando ocorrem alterações no meio, as diferenças entre os indivíduos representam mais chances de que alguns resistam às novas condições. 
Em populações em que há reprodução sexuada, esse risco é muito menor, pois a variabilidade genética entre os indivíduos é maior. Dessa forma, se uma alteração ambiental afeta a população, uma parte pode sobreviver graças a variações no material genético que permitem as condições de sobrevivência.
Mas a reprodução sexuada não está livre de desvantagens: a busca por um parceiro exige gasto energético do indivíduo, além de alguns riscos, como ser surpreendido por um predador ou um rival.

Sistemas de acasalamento

Entre os animais, para que haja reprodução sexuada é necessário o acasalamento, um comportamento de união entre macho e fêmea que diz respeito à forma de escolha dos parceiros e à cópula. Ao escolher um parceiro, alguns animais constituem uma união duradoura e outros, uniões temporárias.
Nos animais que são monogâmicos, a relação entre um macho e uma fêmea dura até que os filhotes não precisem mais de cuidados ou que um dos parceiros morra. 
Nesse tipo de relação aumentam as chances de sobrevivência dos filhotes por causa do cuidado parental. É muito comum entre as aves que tanto o macho quanto a fêmea cuidem dos ovos e alimentem os filhotes, diferentemente dos mamíferos, cuja tarefa geralmente fica com a fêmea.
Há espécies, entretanto, em que um mesmo macho acasala com muitas fêmeas e sua participação no processo se restringe ao fornecimento de células reprodutoras masculinas para a fecundação. Chamamos esse sistema de poliginia. 
É o que ocorre com o beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura). Em outros casos, é a fêmea que acasala com mais de um macho (poliandria) e o macho fica responsável pelo cuidado com a prole, como o falaropo-de-bico-grosso (Phalaropus fulicarius) e a jaçanã (Jacana jacana).
Há também espécies em que tanto machos quanto fêmeas acasalam mais de uma vez com diferentes parceiros (promiscuidade). É muito comum em bovinos e em animais de estimação, como gato e cachorro.

De maneira geral, é a fêmea que escolhe o parceiro com base em atributos como coloração, ornamentos ou com portamentos como luta, dança, liberação de odores, sinais sonoros e oferecimento de recursos como território e alimentação. Esses atributos podem indicar que os machos são saudáveis, o que possibilita maior chance de sobrevivência dos filhotes. 

Dimorfismo sexual 

O dimorfismo sexual, condição em que machos e fêmeas são morfologicamente diferentes um do outro, é muito comum entre alguns grupos de animais. 
Entre as aves, por exemplo, não é raro que os machos sejam mais vistosos, com penas, papos ou cristas maiores ou mais coloridos. São distinções que auxiliam na competição por uma fêmea. O macho do pavão, por exemplo, tem uma plumagem colorida e exuberante, diferente da fêmea, que é acinzentada. Dimorfismo sexual é menos evidente em espécies monogâmicas, cujas características morfológicas evoluíram de maneira semelhante.

Rituais de corte

Aves

As aves praticam diversos rituais de corte, executados antes do acasalamento (cruzamento), quando o macho tenta atrair a fêmea com cantos específicos, posturas corporais, construção de ninhos etc. 
A fecundação das aves é interna. Na maioria das espécies de aves, os machos não têm órgão copulador (pênis). Eles depositam os espermatozoides na fêmea juntando as aberturas das cloacas (órgão por onde as aves e outros ani mais eliminam fezes, urina e põem ovos) durante o cruzamento. 
Os ovos das aves são ricos em vitelo (substância nutritiva que alimenta o embrião) e protegidos por uma casca onde ocorrem trocas gasosas. Dentro dos ovos, os embriões completam seu desenvolvimento. Durante a incubação, o macho, a fêmea ou ambos, em rodízio, assentam-se sobre o ovo, e o calor do corpo deles ajuda a manter a temperatura adequada. O tempo de incubação varia entre as espécies (de 10 a 80 dias). Após o desenvolvimento do embrião, ocorre a eclosão (quebra) dos ovos. As aves também liberam ovos não fecundados, chamados ovos não galados.

Anfíbios

Entre os anuros (sapos, rãs e pererecas) é muito comum o canto nupcial: sons emitidos durante o período de reprodução. Em geral, são os machos que emitem sons para atrair as fêmeas. Depois de atraída a fêmea, o macho a agarra em um forte abraço, chama do amplexo. 
Nesse momento, ela libera ovócitos na água e o macho deposita seus espermatozoides sobre eles, fecundando-os (fecundação externa). Os óvulos fecundados transformam-se em ovos com embrião. De modo geral, os ovos são numerosos, protegidos por uma substância gelatinosa e deles se originam os girinos. 

Mamíferos

Entre algumas espécies de mamíferos é comum que os machos lutem entre si para decidir qual deles vai copular com a fêmea. Os veados são mamíferos placentários, isso significa que os embriões se fixam no revestimento interno do útero pela placenta e por meio dela recebem nutrientes e gás oxigênio diretamente do corpo materno. 
Essa forma de reprodução, embora gere menor número de descendentes quando comparada aos demais vertebrados, aumenta bastante sua probabilidade de sobrevivência, pois o útero materno oferece proteção ao filhote em formação.


Sistema imunitário

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