O povo hebreu habitava Canaã, região localizada no atual Estado de Israel. Em 1700 a.C., como a região sofria um período de seca prolongado que prejudicava a produção agrícola, boa parte do povo hebreu partiu em direção ao Egito. O faraó autorizou a permanência dos hebreus no Egito, mas lhes impôs a obrigação de trabalhar e pagar impostos, proibindo que abandonassem o território.
Foi durante esse período que nasceu Moisés, importante líder da história dos hebreus. Segundo a narrativa bíblica contida no livro do Êxodo, pouco depois do nascimento de Moisés, o faraó ordenou que todos os bebês hebreus do sexo masculino fossem mortos, temendo que um deles pudesse libertá-los da servidão.
A mãe de Moisés, tentando salvar a vida do filho, deixou-o nas margens do rio Nilo, dentro de um cesto. Uma filha do faraó o encontrou por acaso e resolveu adotá-lo. O nome Moisés significa “aquele que foi tirado das águas”.
Moisés resgatado do Nilo,
óleo sobre tela de Nicolas
Poussin, 1638. É importante
notar que essa obra de arte
foi produzida mais de três
milênios após a partida
dos hebreus para o Egito
e, portanto, analisar seu
contexto de produção nos
ajuda a compreender parte
de seus significados. Nicolas
Poussin era francês e atuava
em Roma. Muitos de seus
trabalhos tratavam de temas
religiosos, sobretudo do
Antigo Testamento. Observe
que o artista retrata uma
cena que se passa no Egito,
no norte da África, mas
os personagens têm uma
aparência europeia.
Fuga do Egito
De acordo com a Bíblia, Moisés foi criado no palácio do faraó. No entanto, precisou fugir para o deserto, pois havia se revoltado ao presenciar
um soldado castigando com um chicote hebreus que trabalhavam. Sua
revolta foi tão grande que ele matou o soldado.
No deserto, Moisés encontrou hebreus que não tinham migrado para
o Egito. Casou-se, teve três filhos e, certo dia, segundo a Bíblia, recebeu
uma grande revelação divina. Foi-lhe ordenado que libertasse os hebreus da servidão no Egito e os conduzisse de volta à Terra Prometida.
Moisés regressou ao Egito e foi aceito pelos hebreus como guia.
A Bíblia
indica, por meio de um relato fantasioso, que ele enfrentou o faraó e liderou
a fuga dos hebreus do Egito. Depois de atravessarem o mar Vermelho, chegaram ao monte Sinai, onde Moisés
teria recebido de Yahvé uma lista de
regras a serem obedecidas por todos
os hebreus, chamada Dez Manda
mentos. Nessa ocasião, Yahvé teria
feito um novo pacto com os hebreus.
Alguns historiadores afirmam que
era Ramsés II quem reinava como faraó durante a fuga do povo hebreu e
que o regresso a Canaã teria ocorrido
entre 1250 a.C. e 1210 a.C., mas não
existem provas definitivas disso.
A crença em um único Deus
A história dos hebreus conta com fatos anteriores à sua partida para o
Egito, e ela começa na cidade de Ur, na Mesopotâmia. Os hebreus eram
um povo de origem semita. Viviam da criação de ovelhas e cabras e
eram governados por chefes tribais chamados patriarcas.
A Bíblia conta que um dos patriarcas, Abrão, inconformado com a
adoração de seu povo a vários deuses, teria recebido uma mensagem
de Deus e feito com ele uma aliança: os hebreus deveriam crer nesse
único Deus, conhecido como Yahvé, que lhes mostraria uma terra fértil
e segura para viver. Essa terra foi chamada Terra Prometida ou Canaã.
Para marcar sua aliança com Yahvé, Abrão passou a se chamar
Abraão, que significa, de acordo com a Bíblia, “pai de muitas nações”.
Em 2000 a.C., liderados por Abraão (ou Abrão), os hebreus partiram
em direção a Canaã, onde permaneceram por muitos anos.
Os hebreus acreditavam ser o povo escolhido por Deus para adorá-lo.
Foram os primeiros a crer em um único Deus. Por isso, são considerados
o primeiro povo monoteísta.
Israel e Judá
Depois de muitos anos vagando pelo deserto, os hebreus chegaram a Canaã, mas tiveram de
lutar contra outros povos que habitavam a região. Conquistaram o território e o dividiram entre as
doze tribos hebreias.
Naquele momento, cada tribo era governada por um chefe com função militar e religiosa, chamado juiz.
Para defenderem suas terras contra os inimigos cananeus e filisteus, as tribos se uniram sob a
liderança de Saul, primeiro governante do Reino de Israel (cerca de 1010 a.C.).
Saul foi sucedido por Davi, guerreiro da tribo de Judá, que derrotou os filisteus por volta do ano
1006 a.C. A cidade de Jerusalém passou a ser a capital do Reino de Israel.
Em 965 a.C., Davi foi sucedido por seu filho, Salomão. A economia do Reino de Israel prosperou
nesse período. Salomão construiu uma frota de navios de comércio e ergueu um grande templo
religioso em Jerusalém.
Após a morte de Salomão, o aumento dos impostos decretado por seu filho provocou várias revoltas. O reino se dividiu em dois: Reino de Judá, ao sul, com apenas duas tribos, e Reino de Israel,
ao norte, com o restante delas.
Em 722 a.C., os assírios conquistaram o Reino de Israel. Em 587 a.C., foi a vez de Judá ser
conquistado pelos babilônios. Os hebreus retornaram a Canaã somente em 539 a.C., quando os
persas derrotaram os babilônios.
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