quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A CIVILIZAÇÃO DE MÉROE

Nas terras desérticas localizadas nos arredores do Nilo, no atual Sudão, chama a atenção um conjunto de mais de 200 pirâmides construídas pelos núbios. Elas não são grandes como as do Egito, mas cumpriam a mesma função: cobrir os túmulos de reis e rainhas de Méroe, a última capital do Reino de Cuxe.
Além de construtores, os meroítas eram grandes artesãos. Eles produziam lanças, machados e enxadas de ferro, assim como objetos de cerâmica, joias de ouro e tecidos. O ouro era extraído de minas entre o rio Nilo e o mar Vermelho e exportado em grande quantidade para o Egito. Os agricultores cultivavam trigo, cevada, algodão, lentilha e domesticavam bois, cabras, ovelhas e carneiros.
Os meroítas também desenvolveram um comércio eficaz, ligando o mar Mediterrâneo ao interior da África. Por suas rotas comerciais, circulavam ouro, marfim, ébano, peles de leopardo, penas de avestruz, macacos e pedras para a construção de templos e pirâmides. Por volta do século III a.C., Méroe tornou-se um grande empório de produtos vindos de vários pontos da África. Os comerciantes meroítas também obtinham produtos fenícios e gregos, entre outros, e os distribuíam em parte da África e na península Arábica.


Esculturas no Templo do Leão, em Naga, no Sudão. Século III a.C. As ruínas desse templo representam um dos principais exemplares da arte meroíta.

O poder das mulheres em Méroe


As mulheres da família real tinham muito poder no reino cuxita de Méroe. No princípio, elas se limitavam a educar os príncipes. Depois, passaram a exercer um papel importante na escolha do rei e na cerimônia de coroação. Com um poder crescente, algumas se tornaram regentes de seus filhos menores ou se tornaram rainhas-mães, as chama das candaces.
Várias mulheres que ascenderam ao poder foram representadas com corpos robustos, vestindo túnicas franjadas, cheias de colares e enfeites, à frente dos exércitos ou presidindo cultos. O historiador e geógrafo grego Estrabão, no século I a.C., descreveu uma dessas rainhas, a candace Amanishakheto, como uma mulher “viril”. Ela teria participado de uma expedição militar contra os romanos, em 23 a.C., quando foi ferida em combate e perdeu um olho.

Pedestal representando a candace Amanitore, encontrado no sítio arqueológico de Wad Ban Naga, no Sudão. Século I a.C. Relevo em arenito, 117,5 cm # 85 cm # 85 cm. Museu Egípcio, Berlim, Alemanha.

A escrita meroíta


A escrita meroíta foi registrada em templos, túmulos e outros diversos documentos. Desenvolvida a partir dos hieróglifos egípcios, a escrita meroíta era alfabética e tinha duas formas distintas. A primeira delas, mais restrita, era destinada aos documentos religiosos e reais. A segunda, mais utilizada que a anterior, era uma escrita cursiva, derivada do demótico egípcio. O alfabeto dessa segunda escrita tinha 23 sinais, que eram escritos e lidos em sentido contrário aos sinais dos egípcios.



Placa com registro de escrita meroíta. Século VII a.C. Inscrição em arenito, 51 cm # 38,5 cm. Museu Britânico, Londres, Inglaterra.

A escrita meroíta ainda não foi totalmente decifrada. Os estudiosos conseguem identificar os sons de cada um dos sinais da escrita, mas não conseguem interpretar as palavras que eles formam. Apenas alguns nomes de personagens e locais foram decodificados. Dessa forma, os avanços da arqueologia e de outras áreas do conhecimento são essenciais para que a escrita meroíta seja desvendada. Assim, será possível aprofundar os conhecimentos sobre a história e o modo de vida dessa sociedade.


Moisés, um líder para os hebreus

O povo hebreu habitava Canaã, região localizada no atual Estado de Israel. Em 1700 a.C., como a região sofria um período de seca prolongado que prejudicava a produção agrícola, boa parte do povo hebreu partiu em direção ao Egito. O faraó autorizou a permanência dos hebreus no Egito, mas lhes impôs a obrigação de trabalhar e pagar impostos, proibindo que abandonassem o território. 
Foi durante esse período que nasceu Moisés, importante líder da história dos hebreus. Segundo a narrativa bíblica contida no livro do Êxodo, pouco depois do nascimento de Moisés, o faraó ordenou que todos os bebês hebreus do sexo masculino fossem mortos, temendo que um deles pudesse libertá-los da servidão. 
A mãe de Moisés, tentando salvar a vida do filho, deixou-o nas margens do rio Nilo, dentro de um cesto. Uma filha do faraó o encontrou por acaso e resolveu adotá-lo. O nome Moisés significa “aquele que foi tirado das águas”.

Moisés resgatado do Nilo, óleo sobre tela de Nicolas Poussin, 1638. É importante notar que essa obra de arte foi produzida mais de três milênios após a partida dos hebreus para o Egito e, portanto, analisar seu contexto de produção nos ajuda a compreender parte de seus significados. Nicolas Poussin era francês e atuava em Roma. Muitos de seus trabalhos tratavam de temas religiosos, sobretudo do Antigo Testamento. Observe que o artista retrata uma cena que se passa no Egito, no norte da África, mas os personagens têm uma aparência europeia.

Fuga do Egito 


De acordo com a Bíblia, Moisés foi criado no palácio do faraó. No entanto, precisou fugir para o deserto, pois havia se revoltado ao presenciar um soldado castigando com um chicote hebreus que trabalhavam. Sua revolta foi tão grande que ele matou o soldado. 
No deserto, Moisés encontrou hebreus que não tinham migrado para o Egito. Casou-se, teve três filhos e, certo dia, segundo a Bíblia, recebeu uma grande revelação divina. Foi-lhe ordenado que libertasse os hebreus da servidão no Egito e os conduzisse de volta à Terra Prometida. Moisés regressou ao Egito e foi aceito pelos hebreus como guia. 
A Bíblia indica, por meio de um relato fantasioso, que ele enfrentou o faraó e liderou a fuga dos hebreus do Egito. Depois de atravessarem o mar Vermelho, chegaram ao monte Sinai, onde Moisés teria recebido de Yahvé uma lista de regras a serem obedecidas por todos os hebreus, chamada Dez Manda mentos. Nessa ocasião, Yahvé teria feito um novo pacto com os hebreus.
Alguns historiadores afirmam que era Ramsés II quem reinava como faraó durante a fuga do povo hebreu e que o regresso a Canaã teria ocorrido entre 1250 a.C. e 1210 a.C., mas não existem provas definitivas disso.

Moisés com os Dez Mandamentos, óleo sobre tela de Rembrandt van Rijn, 1659.

A crença em um único Deus 


A história dos hebreus conta com fatos anteriores à sua partida para o Egito, e ela começa na cidade de Ur, na Mesopotâmia. Os hebreus eram um povo de origem semita. Viviam da criação de ovelhas e cabras e eram governados por chefes tribais chamados patriarcas. 
A Bíblia conta que um dos patriarcas, Abrão, inconformado com a adoração de seu povo a vários deuses, teria recebido uma mensagem de Deus e feito com ele uma aliança: os hebreus deveriam crer nesse único Deus, conhecido como Yahvé, que lhes mostraria uma terra fértil e segura para viver. Essa terra foi chamada Terra Prometida ou Canaã. 
Para marcar sua aliança com Yahvé, Abrão passou a se chamar Abraão, que significa, de acordo com a Bíblia, “pai de muitas nações”. Em 2000 a.C., liderados por Abraão (ou Abrão), os hebreus partiram em direção a Canaã, onde permaneceram por muitos anos. Os hebreus acreditavam ser o povo escolhido por Deus para adorá-lo. Foram os primeiros a crer em um único Deus. Por isso, são considerados o primeiro povo monoteísta.

Israel e Judá 


Depois de muitos anos vagando pelo deserto, os hebreus chegaram a Canaã, mas tiveram de lutar contra outros povos que habitavam a região. Conquistaram o território e o dividiram entre as doze tribos hebreias. Naquele momento, cada tribo era governada por um chefe com função militar e religiosa, chamado juiz. Para defenderem suas terras contra os inimigos cananeus e filisteus, as tribos se uniram sob a liderança de Saul, primeiro governante do Reino de Israel (cerca de 1010 a.C.). Saul foi sucedido por Davi, guerreiro da tribo de Judá, que derrotou os filisteus por volta do ano 1006 a.C. A cidade de Jerusalém passou a ser a capital do Reino de Israel. Em 965 a.C., Davi foi sucedido por seu filho, Salomão. A economia do Reino de Israel prosperou nesse período. Salomão construiu uma frota de navios de comércio e ergueu um grande templo religioso em Jerusalém. Após a morte de Salomão, o aumento dos impostos decretado por seu filho provocou várias revoltas. O reino se dividiu em dois: Reino de Judá, ao sul, com apenas duas tribos, e Reino de Israel, ao norte, com o restante delas. Em 722 a.C., os assírios conquistaram o Reino de Israel. Em 587 a.C., foi a vez de Judá ser conquistado pelos babilônios. Os hebreus retornaram a Canaã somente em 539 a.C., quando os persas derrotaram os babilônios.


A religião dos hebreus

Judaísmo é o nome da religião dos hebreus, que foi o primeiro povo a crer em um único deus, Yahvé, adora do como criador de todo o Universo. 
O livro que conta a trajetória do povo hebreu é chamado Torá e corresponde a uma parte da Bíblia, o Pentateuco, que com põe, com outros livros, o Antigo Testamento. A Torá é lida até hoje nas sinagogas, local de culto do judaísmo, onde é guardada cuidadosamente dentro de uma arca. 
O líder religioso dos judeus chama-se rabino. Um símbolo importante do judaísmo é a estrela de Davi, de seis pontas, desenhada nos escudos dos guerreiros do rei Davi. Uma das festas religiosas mais tradicionais do calendário judaico é o Pessach (passagem), nome hebraico para a Páscoa. Nela se comemora a libertação dos hebreus do cativeiro egípcio, liderados por Moisés.

Estrela de Davi na Sinagoga Grand Choral em São Petersburgo, Rússia. Fotografia de 2015.

A Estrela de Davi Peça aos estudantes que pesquisem o significado da Estrela de Davi. Esta estrela era desenhada nos escudos dos guerreiros do rei Davi. Os dois triângulos superpostos representam o nome de Davi no alfabeto hebraico, mas eles só foram associados ao judaísmo em 1354, com o rei Carlos IV, que permitiu à comunidade judaica de Praga colocá-la em uma bandeira. A estrela foi usada e depois se difundiu para outros usos, como selos e carimbos dos judeus.

Jerusalém e o Muro das Lamentações

A cidade de Jerusalém foi, por mais de seis centos anos, a capital dos hebreus. É considerada um tesouro cultural da humanidade. Na Jerusalém atual, a parte interna das antigas muralhas é chamada Cidade Velha, e a parte de fora é conhecida como Cidade Nova. O templo construído por Salomão foi destruído e saqueado pelos babilônios em 587 a.C. Foi reconstruído em 516 a.C. e durou mais de meio milênio, quando os romanos o destruíram de vez, em 70 d.C., ao expulsarem os hebreus da região. O que restou do Templo de Salomão tornou-se local sagrado para os judeus e é conhecido como Muro das Lamentações.

No Muro das Lamentações, os judeus fazem orações, cerimônias e pedidos a Deus, escritos em bilhetes colocados entre suas pedras.

Davi com a cabe•a de Golias, óleo sobre tela de Caravaggio, 1610.

O passado presente

A terra prometida aos hebreus chamava-se Canaã, segundo o relato bíblico. Estima-se que os hebreus tenham se fixado na região por volta do século XX a.C., mas foi somente no século XI a.C. que surgiu o Reino de Israel, cujo primeiro rei foi Saul. Depois de muitas lutas e perseguições, em 70 d.C., os hebreus foram expulsos da Palestina, que era província do Império Romano. Assim, esse povo se espalhou por vários continentes. No século XX, os judeus sofreram a maior perseguição de todos os tempos, movida por uma ditadura surgida na Alemanha – o nazismo – que os considerava inimigos. 
Cerca de 6 milhões de judeus europeus foram mortos pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, os sobreviventes migraram em massa para a Palestina, empenhados em construir um Es tado judaico. Nessa época, a região era habitada, principalmente, por povos árabes de religião muçulmana e pertencia ao Império Britânico. Com o apoio dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu criar dois Estados na região: um judeu e um árabe. Este último não saiu do papel. 
O Estado de Israel foi criado em 1948, contrariando a oposição dos países árabes no Oriente Médio. Desde então, a região é palco permanente de conflito entre os países árabes e o israelense. A população palestina de origem árabe vive refugiada nos países próximos ou mesmo em Israel. Os palestinos não têm um país para eles. Vários acampamentos palestinos ou de guerrilheiros anti-israelenses são bombardeados pelo Estado de Israel, um dos mais militarizados do mundo.

Estrela de Davi representada em pergaminho do Códice de Leningrado, produzido por volta do ano 1000 d.C.

A CIVILIZAÇÃO DE MÉROE

Nas terras desérticas localizadas nos arredores do Nilo, no atual Sudão, chama a atenção um conjunto de mais de 200 pirâmides construídas pe...