Aquenáton ou Akhenaton, faraó do Egito antigo (1367 a.C. a 1350 a.C). Casado com a rainha Nefertiti, Aquenáton foi um reformador religioso, devotado unicamente ao culto de Áton, o disco solar.
Quando dividia o reinado com seu pai, Amenófis III, abandonou a religião oficial de Amon. Construiu uma nova capital em Amarna, à qual deu o nome de Aquetáton (ou Akhetaton), que quer dizer horizonte de Áton. Perseguiu os seguidores da velha religião e retirou os monumentos a Amon.
Aquenáton foi, talvez, o primeiro monoteísta, isto é, o primeiro a crer em um só deus. Era conhecido como poeta e patrono das artes.
Por que e como foi a reforma religiosa implantada pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton) no Egito antigo?
A religião egípcia, baseada no culto a várias divindades (politeísmo), começou a sofrer um processo de degeneração. Os princípios éticos começaram a ceder lugar a uma série de superstições, que terminavam por aumentar o poder da classe sacerdotal. Ávidos de lucro, começaram a praticar o comércio de rituais que tinham supostamente o poder de trazer a felicidade àqueles que a adquirissem.
Essa degradação da religião provocada pelos sacerdotes, que a transformaram num sistema de magia fraudulenta, levou finalmente a uma grande reforma religiosa, liderada por Amenófis IV. Após uma tentativa de reprimir os abusos, o faraó eliminou totalmente o sistema politeísta e o substituiu por um sistema monoteísta. Impôs ao povo o culto a um deus que chamou Áton, cujo símbolo era um disco solar. Mudou o próprio nome e passou a chamar-se Akhenaton (Aquele que agrada a Áton).
Como nesse momento os hebreus encontravam-se no Egito, é possível que, séculos mais tarde, esse princípio monoteísta tenha influenciado a religião dos hebreus: o judaísmo.
Portanto precisamos conhecer o Faraó Akhenaton, que foi um indivíduo a frente do seu tempo e condenado pelos seus oponentes como o “Rei Herético” (READFORD, 1987. pág. 01). Akhenaton teve sob sua responsabilidade a conclusão de um projeto político iniciado por seus predecessores (Thutmés IV e Amonhotep III) cujo objetivo político é interpretado por alguns historiadores como sendo o enfraquecimento do poderoso clero de Amon, a imposição e manutenção de um deus único.
O culto a Aton era muito simples: feito ao ar livre, no pátio de um templo, consistia na oferta de flores e frutos no altar. O faraó eliminou o culto a imagens e enfatizou o amor à natureza, à verdade, à liberdade e à alegria de viver. Em razão dessa mudança, que durou apenas os 15 anos de seu reinado, muitos estudiosos consideram Akhenaton o criador do monoteísmo. Em todos os momentos, o faraó era acompanhado por sua esposa, a belíssima Nefertiti, com quem teve seis filhas.
Assim ocorre a possibilidade de ser este o seu objetivo maior. Se, entretanto, somou a isso elementos relacionados à devoção religiosa, de cunho pessoal, tal fato não deve ser visto como camuflagem dos objetivos principais de um projeto que na realidade não era só seu, mas também de todo uma dinastia que buscava contemplar a um novo deus dinástico.
A revolução religiosa criada por Akhenaton possivelmente pode ter abalado as estruturas de sua época, já que na hierarquia social o próprio Faraó era uma espécie de revolucionário. Temos, portanto, que a perspectiva proposta nesta pesquisa sobre a monolatria de Akhenaton como de relevância para o pensamento religioso antigo e representando uma especificidade na espiritualidade do mundo antigo que pode ter gerado um desconforto ou um clima de instabilidade entre os diversos segmentos sociais. Para legitimar as suas propostas podemos ver que o faraó se valeu de elementos que estavam fixados já no pensamento religioso do egípcio. Este pensamento era baseado no Mito, na Religião e na Magia.
Através de um culto oficial denominado Festival-Sed, Akhenaton se valeu da iconografia, dos textos sagrados, das práticas religiosas e da encenação para legitimar sua ação (e o poder divino) para os dois mundos (o mundo celeste e o humano). Contudo o uso do Festival-Sed como prática realizada por ele para se legitimar no festival não representou uma grande novidade para aquele período, posto que outros monarcas como Hatshepsut e Amonhotep II, já haviam o praticado. Através de uma análise realizada sobre esse culto religioso podemos detectar que o ideal religioso de Akhenaton encontrou eco nos demais segmentos sociais egípcios.
Os ritos funerários anteriores a Akhenaton poderiam deixar os indivíduos preocupados com o dia em que fizessem a passagem para o mundo inferior, no qual enfrentariam um julgamento e passariam por diversos obstáculos.
Na religião de Amarna o faraó Akhenaton poderia ter a função de guiar o indivíduo para que ele fosse absorvido ao deus Aton, sem punições ou julgamentos. Um provável indício é a iconografia de Aton no lugar dos deuses funerários nas tumbas do período simplificando a religião. Este fato citado demonstra a importância de Akhenaton tendo características divinas para este culto solar e seus ritos funerários.
Após uma análise mais profunda veremos que essa religião simplificaria o rito funerário e pode ter se popularizado devido essa ausência de julgamentos e castigos. Além dessa simplificação dos ritos funerários o faraó fundou uma nova cidade para o novo deus dinástico rompendo mais uma vez com o contexto anterior a ele de pensamento religioso.
O local que o Akhenaton optou pela fundação de sua nova cidade situa-se entre Mênfis e Tebas, na margem direita do Nilo e recebeu o nome de Akhetaton ("o horizonte de Aton"). Atualmente este local é conhecido como Amarna. Nesta cidade Akhenaton ergueu templos para Aton com uma arquitetura, cuja é completamente diferente de outros templos da XVIII Dinastia: visto que eram feitos com vários pátios ao ar livre que levavam ao altar do deus. Sendo dedicado a uma divindade solar, é possível que não fizesse sentido para o faraó que houvesse escuridão nas salas; uma estrutura ao ar livre permitia a presença dos raios de Aton.
A troca do nome e da titulatura do rei que deixa de usar o nome do deus Amon (em seu nome Amonhotep) para ser ⎯ o filho de Aton ou o Aton vivo ⎯ o qual passou a se chamar Akhenaton parece não ter sido realizada antes podendo ser considerada como uma novidade para aquele período. Essa mudança de nome — uma prática de valor mágico — fazia parte do projeto político-religioso de modo a centrar as atenções no seu pai o deus Aton em detrimento de Amon - Ra. Como filho de Aton, o faraó seria responsável para levar a diante o culto ao deus além de sua própria “política de governo”.
É necessário lembrar, que apesar da utilização de ritos pelo faraó para legitimar sua política religiosa o período amarniano é marcado pelo pouco uso de mitos e conceitos da cosmogonia e da cosmologia, para explicar a criação do mundo. Possivelmente por querer romper com a tradição houve uma simplificação desses ritos e mitos. Akhenaton poderia estar buscando demonstrar que Aton era primordial e único por si, assim criou um novo pensamento religioso sobre a criação do mundo.
Essa cosmogonia é vista através do Hino de Aton onde vemos a explicação da criação sendo realizada por Aton como um deus que brilha e que e da à vida a todos os seres. Assim apesar da aparente ausência de mitos na religião de Amarna no hino ao deus Aton é possível encontrar elementos mitológicos relativos à criação. A relação de Aton com o monarca é de pai para filho sendo o faraó intermediário entre o deus e os homens. Contudo o próprio faraó se diviniza e passa a ser um deus na terra ao lado de sua esposa.
A despeito de seu sucesso inicial, a reforma não teve efeito duradouro. Logo após a morte de Amenófis IV, os faraós permitiram que os sacerdotes corruptos e mercenários retomassem seu poder, em troca de legitimidade à autoridade do faraó.
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