quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Os egípcios, a religião e a morte

O nome Egito vem da expressão egípcia Hewet-ka-Ptah, que significa “mansão do espírito de Path”. Em outras palavras, para os egípcios, sua terra pertencia não só a um deus, mas a um panteão de deuses. Path, por exemplo, tinha um templo dedicado a ele na cidade de Mênfis.
Esse aspecto mostra o papel central da espiritualidade e da prática religiosa na vida dos antigos egípcios. Eles acreditavam que um outro mundo, muito semelhante a este, só que melhor, os esperava após a morte.
Por isso, a passagem de um mundo para o outro devia ser uma preocupação de todo ser humano, pois era a condição para a vida eterna.
Para que fosse possível embarcar ao lado do deus Anúbis, em direção ao tribunal do deus Osíris, ao morrer, o corpo deveria ser preservado (por meio da mumificação) e estar acompanhado de todos os objetos que seriam úteis na travessia e no outro mundo. Os egípcios, em geral, eram enterrados em tumbas, mas os faraós mais poderosos eram enterrados em pirâmides.
Os deuses egípcios governavam os dois mundos, mas habitavam o outro mundo, aquele a que os humanos só tinham acesso depois da morte. Assim, era preciso cultuar os deuses e mantê-los satisfeitos com a conduta humana para garantir que a passagem estivesse sempre aberta.
Entre os principais deuses, estavam Hórus (deus do céu e dos vivos), Rá (deus do Sol), Ísis (deusa da fertilidade) e Anúbis (deus dos mortos). Cada deus tinha poderes e funções bastante diferentes, o próprio templo e sacerdotes e sacerdotisas especializados. Além disso, ao longo dos 3 mil anos do Império Egípcio, as divindades se transformaram. Deuses diferentes muitas vezes se fundiram na mesma entidade, enquanto deuses a princípio menos importantes ganhavam a atenção da sociedade egípcia.

Cena do Livro dos Mortos, de cerca de 1050 a.C. 

Os egípcios acreditavam que, após a morte, as almas eram julgadas no tribunal de Osíris; caso fossem condenadas, eram entregues à divindade Ammit, a “devoradora de almas”. Se fossem absolvidas, tinham permissão para retornar ao corpo.

O túmulo do faraó: 5 mil objetos para a eternidade

Tutancâmon (1341 a.C.-1323 a.C.) governou o Egito dos 10 aos 18 anos, idade em que morreu. Ele não foi um faraó dos mais importantes, mas se tornou um dos mais famosos no imaginário popular do século XX em virtude de uma surpreendente descoberta arqueológica.
Em 1922, a tumba de Tutancâmon foi encontrada praticamente intacta pelo arqueólogo britânico Howard Carter, no Vale dos Reis, perto da atual cidade egípcia de Luxor. Por meio dessa descoberta, foi possível compreender melhor o que os egípcios julgavam que um faraó deveria levar para o outro mundo.
Entre os mais de 5 mil artefatos encontrados, havia estátuas, joias de ouro, barcos, carruagens, alimentos, caixas e objetos da vida cotidiana, como roupas, flechas, etc.



Na tumba, havia alguns objetos de uso cotidiano, como um jogo popular de tabuleiro, chamado Senet, um par de sandálias de ouro maciço e dedais de ouro, instalados no pé da múmia, provavelmente para evitar deformações ósseas.


Máscara mortuária de Tutancâmon, de cerca de 1400 a.C.

O enterro de um faraó era uma cerimônia grandiosa que deveria ser organizada com todos os cuidados. O corpo era mumificado: os órgãos internos (vísceras e cérebro) eram removidos e, em seguida, uma série de procedimentos eram aplicados para preservá-lo contra o processo natural de deterioração. Um sarcófago protegia a múmia na passagem para o mundo dos mortos.
A parte externa do sarcófago de Tutancâmon era de granito. Internamente, havia mais três camadas, uma delas composta de 110 kg de ouro puro. Dentro do sarcófago, a múmia de Tutancâmon estava envolta em uma máscara feita de ouro e pedras semipreciosas como turquesas e cornalinas.

Cajado e mangual de Tutancâmon feito com cabo de bronze coberto com ouro e vidro, madeira dourada e cornalina.


Foram encontrados também dois símbolos de poder do faraó: o cajado e o mangual. O cajado representava a benevolência da realeza; e o mangual, a fertilidade da terra. Essa mistura de objetos comuns com símbolos da realeza expressa a dupla condição dos faraós: a de ser humano e a de divindade. O próprio nome do faraó Tutancâmon significava “imagem viva do deus Amon”.


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