quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O poder dos faraós

A civilização que floresceu e brilhou às margens do rio Nilo, há mais de 6 mil anos, desperta admiração e não é para menos: quando pensamos no Egito Antigo, lembramos das grandes pirâmides e dos tesouros encontrados nas tumbas dos faraós, que eram deuses na terra.
A história a seguir trata justamente de alguns desses reis todo-poderosos, que viviam cercados de luxo e magia.

Linhagem divina


Para os egípcios, assim como para a maioria dos povos antigos, o Sol, fonte de luz e calor, era venerado como um deus. Sem ele, a vida seria impossível. Por isso, era comum que o Sol fosse o principal deus daquelas culturas. Foi o que aconteceu no Egito, onde Rá – o deus Sol – era todo-poderoso.
Conta a mitologia egípcia que Rá teve quatro filhos: dois homens, Osíris e Set, e duas mulheres, Ísis e Néftis. O trono do Egito foi ocupado por Osíris, casado com sua irmã Ísis. O invejoso Set matou o irmão, dividiu o corpo em 14 pedaços e espalhou-os pelo rio Nilo. Ísis reuniu os despojos do bem-amado e o fez reviver graças à magia ensinada pelos deuses Thot e Anúbis, transformando-o em senhor do Reino dos Mortos.
Da união de Ísis e Osíris nasceu Hórus. Quando cresceu, Hórus venceu Set e assumiu o trono. Governou com sabedoria e foi amado pelo povo egípcio. Os faraós dos mais de 3 mil anos seguintes eram considerados seus descendentes – filhos de Amon-Rá, o Sol, e Hórus – na forma humana. Daí sua origem divina.
Estas placas ovais contendo hieróglifos eram chamadas de cartuchos. Dois deles formavam o nome do faraó. Os cartuchos têm ajudado os egiptologistas a decifrar a antiga língua egípcia.

Domínio sobre a natureza


Os egípcios acreditavam que o faraó era o responsável pelo equilíbrio da natureza. Sem ele, não haveria as enchentes do rio Nilo, essenciais à agricultura, as plantas não cresceriam e os animais não se reproduziriam.
O faraó era o chefe religioso e militar, juiz e legislador supremo, proprietário de todas as terras do Egito. Mesmo tendo poder absoluto, ele não governava apenas de acordo com sua vontade, pois respeitava os costumes e a tradição do povo, baseados em uma religiosidade profunda. Também não governava sozinho: seu principal conselheiro era o vizir, uma espécie de primeiro-ministro, que controlava os nomarcas, governantes locais.
Os assuntos cotidianos da administração, como fiscalização e cobrança de impostos, eram atribuições dos escribas.

Ao longo do rio Nilo há cerca de 80 pirâmides, túmulos dos faraós e das rainhas. A partir de 1500a.C, os túmulos passaram a ser feitos nas encostas de morros.

A vida na Corte


O faraó vivia em um luxuoso palácio. Os móveis eram feitos com as madeiras mais finas, como o cedro e o ébano, revestidas com ouro e marfim. Contava com inúmeros servos e escravos para realizar as tarefas cotidianas. Nos momentos de lazer, dedicava-se a caçadas, pescarias e jogos.
Em caso de guerra, deveria conduzir o exército na condição de general. Geralmente, casava com uma irmã ou meia-irmã, para que seus filhos tivessem o sangue dos deuses. Ele podia, no entanto, ter muitas outras mulheres.
Os súditos não podiam olhar nos olhos do faraó e, em sua presença, deviam ajoelhar-se até a testa tocar o solo. Nunca se referiam ao soberano por seu nome, mas por títulos. Um deles era faraó, que quer dizer 'casa grande', indicando a proteção que ele deveria representar para o seu povo. Ao morrer, era digno de túmulos grandiosos, como as pirâmides ou os hipogeus.

Hatshepsute, a mulher-faraó


Ela subiu ao trono após a morte de seu marido e meio-irmão Tutmés II e de um breve governo de um enteado. Governou entre 1504 a.C. e 1483 a.C. Tornou-se tão poderosa que era retratada com barba postiça, vestes de faraó e a coroa dupla do Alto e do Baixo Egitos – privilégio exclusivo do faraó.
Seu governo foi um tempo de paz e de prosperidade. Ela foi responsável pelo incremento das relações comerciais com países vizinhos. Seu principal colaborador foi o arquiteto Senenmut, que muitos historiadores dizem ter sido seu amante. Ele ergueu o maravilhoso templo de Deir-el-Bahri em sua homenagem.
A construção do templo deu muito prestígio à rainha, que soube usá-lo para justificar o golpe de Estado por meio do qual subiu ao poder.
As pinturas murais representam sua ascendência divina, justificando seu direito à coroa. Uma prova de como Hatshepsute era considerada um faraó foi o fato dela ter sido enterrada no Vale dos Reis e não no Vale das Rainhas. Foi deposta pelo enteado Tutmosis III, que pôs fim à sua política de paz.

Akhenaton


Aquenáton ou Akhenaton, faraó do Egito antigo (1367 a.C. a 1350 a.C). Casado com a rainha Nefertiti, Aquenáton foi um reformador religioso, devotado unicamente ao culto de Áton, o disco solar.
Quando dividia o reinado com seu pai, Amenófis III, abandonou a religião oficial de Amon. Construiu uma nova capital em Amarna, à qual deu o nome de Aquetáton (ou Akhetaton), que quer dizer horizonte de Áton. Perseguiu os seguidores da velha religião e retirou os monumentos a Amon.
Aquenáton foi, talvez, o primeiro monoteísta, isto é, o primeiro a crer em um só deus. Era conhecido como poeta e patrono das artes.
Por que e como foi a reforma religiosa implantada pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton) no Egito antigo?
A religião egípcia, baseada no culto a várias divindades (politeísmo), começou a sofrer um processo de degeneração. Os princípios éticos começaram a ceder lugar a uma série de superstições, que terminavam por aumentar o poder da classe sacerdotal. Ávidos de lucro, começaram a praticar o comércio de rituais que tinham supostamente o poder de trazer a felicidade àqueles que a adquirissem. 
Essa degradação da religião provocada pelos sacerdotes, que a transformaram num sistema de magia fraudulenta, levou finalmente a uma grande reforma religiosa, liderada por Amenófis IV. Após uma tentativa de reprimir os abusos, o faraó eliminou totalmente o sistema politeísta e o substituiu por um sistema monoteísta. Impôs ao povo o culto a um deus que chamou Áton, cujo símbolo era um disco solar. Mudou o próprio nome e passou a chamar-se Akhenaton (Aquele que agrada a Áton). 
Como nesse momento os hebreus encontravam-se no Egito, é possível que, séculos mais tarde, esse princípio monoteísta tenha influenciado a religião dos hebreus: o judaísmo. 
Portanto precisamos conhecer o Faraó Akhenaton, que foi um indivíduo a frente do seu tempo e condenado pelos seus oponentes como o “Rei Herético” (READFORD, 1987. pág. 01). Akhenaton teve sob sua responsabilidade a conclusão de um projeto político iniciado por seus predecessores (Thutmés IV e Amonhotep III) cujo objetivo político é interpretado por alguns historiadores como sendo o enfraquecimento do poderoso clero de Amon, a imposição e manutenção de um deus único. 
O culto a Aton era muito simples: feito ao ar livre, no pátio de um templo, consistia na oferta de flores e frutos no altar. O faraó eliminou o culto a imagens e enfatizou o amor à natureza, à verdade, à liberdade e à alegria de viver. Em razão dessa mudança, que durou apenas os 15 anos de seu reinado, muitos estudiosos consideram Akhenaton o criador do monoteísmo. Em todos os momentos, o faraó era acompanhado por sua esposa, a belíssima Nefertiti, com quem teve seis filhas.
Assim ocorre a possibilidade de ser este o seu objetivo maior. Se, entretanto, somou a isso elementos relacionados à devoção religiosa, de cunho pessoal, tal fato não deve ser visto como camuflagem dos objetivos principais de um projeto que na realidade não era só seu, mas também de todo uma dinastia que buscava contemplar a um novo deus dinástico. 
A revolução religiosa criada por Akhenaton possivelmente pode ter abalado as estruturas de sua época, já que na hierarquia social o próprio Faraó era uma espécie de revolucionário. Temos, portanto, que a perspectiva proposta nesta pesquisa sobre a monolatria de Akhenaton como de relevância para o pensamento religioso antigo e representando uma especificidade na espiritualidade do mundo antigo que pode ter gerado um desconforto ou um clima de instabilidade entre os diversos segmentos sociais. Para legitimar as suas propostas podemos ver que o faraó se valeu de elementos que estavam fixados já no pensamento religioso do egípcio. Este pensamento era baseado no Mito, na Religião e na Magia. 
Através de um culto oficial denominado Festival-Sed, Akhenaton se valeu da iconografia, dos textos sagrados, das práticas religiosas e da encenação para legitimar sua ação (e o poder divino) para os dois mundos (o mundo celeste e o humano). Contudo o uso do Festival-Sed como prática realizada por ele para se legitimar no festival não representou uma grande novidade para aquele período, posto que outros monarcas como Hatshepsut e Amonhotep II, já haviam o praticado. Através de uma análise realizada sobre esse culto religioso podemos detectar que o ideal religioso de Akhenaton encontrou eco nos demais segmentos sociais egípcios. 
Os ritos funerários anteriores a Akhenaton poderiam deixar os indivíduos preocupados com o dia em que fizessem a passagem para o mundo inferior, no qual enfrentariam um julgamento e passariam por diversos obstáculos.
Na religião de Amarna o faraó Akhenaton poderia ter a função de guiar o indivíduo para que ele fosse absorvido ao deus Aton, sem punições ou julgamentos. Um provável indício é a iconografia de Aton no lugar dos deuses funerários nas tumbas do período simplificando a religião. Este fato citado demonstra a importância de Akhenaton tendo características divinas para este culto solar e seus ritos funerários. 
Após uma análise mais profunda veremos que essa religião simplificaria o rito funerário e pode ter se popularizado devido essa ausência de julgamentos e castigos. Além dessa simplificação dos ritos funerários o faraó fundou uma nova cidade para o novo deus dinástico rompendo mais uma vez com o contexto anterior a ele de pensamento religioso. 
O local que o Akhenaton optou pela fundação de sua nova cidade situa-se entre Mênfis e Tebas, na margem direita do Nilo e recebeu o nome de Akhetaton ("o horizonte de Aton"). Atualmente este local é conhecido como Amarna. Nesta cidade Akhenaton ergueu templos para Aton com uma arquitetura, cuja é completamente diferente de outros templos da XVIII Dinastia: visto que eram feitos com vários pátios ao ar livre que levavam ao altar do deus. Sendo dedicado a uma divindade solar, é possível que não fizesse sentido para o faraó que houvesse escuridão nas salas; uma estrutura ao ar livre permitia a presença dos raios de Aton. 
A troca do nome e da titulatura do rei que deixa de usar o nome do deus Amon (em seu nome Amonhotep) para ser ⎯ o filho de Aton ou o Aton vivo ⎯ o qual passou a se chamar Akhenaton parece não ter sido realizada antes podendo ser considerada como uma novidade para aquele período. Essa mudança de nome — uma prática de valor mágico — fazia parte do projeto político-religioso de modo a centrar as atenções no seu pai o deus Aton em detrimento de Amon - Ra. Como filho de Aton, o faraó seria responsável para levar a diante o culto ao deus além de sua própria “política de governo”. 
É necessário lembrar, que apesar da utilização de ritos pelo faraó para legitimar sua política religiosa o período amarniano é marcado pelo pouco uso de mitos e conceitos da cosmogonia e da cosmologia, para explicar a criação do mundo. Possivelmente por querer romper com a tradição houve uma simplificação desses ritos e mitos. Akhenaton poderia estar buscando demonstrar que Aton era primordial e único por si, assim criou um novo pensamento religioso sobre a criação do mundo. 
Essa cosmogonia é vista através do Hino de Aton onde vemos a explicação da criação sendo realizada por Aton como um deus que brilha e que e da à vida a todos os seres. Assim apesar da aparente ausência de mitos na religião de Amarna no hino ao deus Aton é possível encontrar elementos mitológicos relativos à criação. A relação de Aton com o monarca é de pai para filho sendo o faraó intermediário entre o deus e os homens. Contudo o próprio faraó se diviniza e passa a ser um deus na terra ao lado de sua esposa.
A despeito de seu sucesso inicial, a reforma não teve efeito duradouro. Logo após a morte de Amenófis IV, os faraós permitiram que os sacerdotes corruptos e mercenários retomassem seu poder, em troca de legitimidade à autoridade do faraó.

Tutancâmon 


Casado com uma filha de Akhenaton, Tutancâmon reinou logo depois do sogro, entre 1334 a.C. e 1325 a.C. Tinha apenas 9 anos quando se tornou faraó. Ele transferiu a capital para Mênfis, no norte, e restaurou os antigos cultos. Apesar de seu breve governo, Tutancâmon tornou-se um dos mais famosos faraós. E não porque tenha realizado qualquer grande feito, pois não teve tempo. É que seu túmulo foi o único a ser achado intacto pelo arqueólogo inglês Howard Carter, em 1922, após cinco anos de escavações.
Seu túmulo, descoberto em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, não havia sido aberto desde os tempos antigos e ainda continha a maioria de seus tesouros. Vários aposentos do túmulo estavam repletos de objetos que haviam pertencido a Tutancâmon. 
Essas peças, inclusive o caixão interior de ouro maciço, encontram-se atualmente no Museu do Cairo. O corpo do rei, encontrado em um caixão triplo, foi devolvido ao túmulo.
Os sábios desconhecem a identidade dos antepassados de Tutancâmon. Muitos acreditam que ele era neto do rei Amenófis III e filho de Aquenáton. Outros sustentam que era genro ou irmão de Aquenáton, que havia feito de Áton, o Sol, o único deus do Egito. Inicialmente o nome de Tutancâmon era Tutancáton, que significava a vida de Áton é agradável. 
Os sacerdotes do deus Amon forçaram-no a abandonar a religião de Aquenáton e tomar o nome de Tutancâmon.
Em 1922, a tumba de Tutancâmon foi encontrada praticamente intacta pelo arqueólogo britânico Howard Carter, no Vale dos Reis, perto da atual cidade egípcia de Luxor. Por meio dessa descoberta, foi possível compreender melhor o que os egípcios julgavam que um faraó deveria levar para o outro mundo.
Entre os mais de 5 mil artefatos encontrados, havia estátuas, joias de ouro, barcos, carruagens, alimentos, caixas e objetos da vida cotidiana, como roupas, flechas, etc.



Na tumba, havia alguns objetos de uso cotidiano, como um jogo popular de tabuleiro, chamado Senet, um par de sandálias de ouro maciço e dedais de ouro, instalados no pé da múmia, provavelmente para evitar deformações ósseas.


Máscara mortuária de Tutancâmon, de cerca de 1400 a.C.

O enterro de um faraó era uma cerimônia grandiosa que deveria ser organizada com todos os cuidados. O corpo era mumificado: os órgãos internos (vísceras e cérebro) eram removidos e, em seguida, uma série de procedimentos eram aplicados para preservá-lo contra o processo natural de deterioração. Um sarcófago protegia a múmia na passagem para o mundo dos mortos.
A parte externa do sarcófago de Tutancâmon era de granito. Internamente, havia mais três camadas, uma delas composta de 110 kg de ouro puro. Dentro do sarcófago, a múmia de Tutancâmon estava envolta em uma máscara feita de ouro e pedras semipreciosas como turquesas e cornalinas.

Cajado e mangual de Tutancâmon feito com cabo de bronze coberto com ouro e vidro, madeira dourada e cornalina.


Foram encontrados também dois símbolos de poder do faraó: o cajado e o mangual. O cajado representava a benevolência da realeza; e o mangual, a fertilidade da terra. Essa mistura de objetos comuns com símbolos da realeza expressa a dupla condição dos faraós: a de ser humano e a de divindade. O próprio nome do faraó Tutancâmon significava “imagem viva do deus Amon”.
Tutancâmon tinha 8 ou 9 anos quando se tornou rei e seu reinado, sem importância, durou apenas nove anos. O ministro Ay, provavelmente seu avô ou tio-avô, serviu como co-regente. Ay sucedeu a Tutancâmon como rei e conduziu seu funeral até o Vale dos Reis. 
Depois da morte de Tutancâmon, sua viúva pediu ao rei hitita Xupiluliuma que lhe enviasse um de seus filhos para se casar com ela e dividir o trono. 
O rei enviou o príncipe Zananza, mas este foi interceptado e morto pelos egípcios. Consequentemente uma nova dinastia assumiu o trono.

Ramsés II


Ramsés II, faraó que sucedeu ao pai, Sethi I. Reinou de 1301 a.C. a 1235 a.C. Subiu ao trono com pouca idade. Dedicou-se a um vasto programa de construções, entre elas os templos de Karnac, Lúxor e Abu-Simbel.
Tem-se dito algumas vezes que Ramsés II era o faraó mencionado no Êxodo da Bíblia, mas a veracidade dessa afirmação é duvidosa. A múmia de Ramsés II encontra-se preservada no Museu do Cairo, no Egito.
Ramsés foi um dos maiores faraós que o Egito já teve. Governou por 70 anos, talvez nenhum faraó tenha governado tanto. Foi um grande construtor e um grande lutador. Ficou famoso por causa da grande batalha de Kadesh.
O soberano egípcio queria tomar posse de terra que pertencia aos Hititas, chamada Kadesh, pela qual passavam as rotas mercantis para o Oriente. Para isso, liderou um exército enorme visando conquistá-la. Essa região na Síria, desde do faraó monoteísta Akhenaton, sofria com as tomadas de posse dos hititas e as retomadas dos egípcios.
Ramsés, ao completar 10 anos de idade, foi nomeado como comandante-chefe dos exércitos do seu pai, Set I, e aos 14 anos o jovem príncipe recebeu permissão para participar ao lado do faraó Set de combates na Líbia. Os dois conseguiram tomar a cidade hitita de Kadesh por um breve período, mas os inimigos a recuperaram logo que retornaram ao Egito. Antes da morte do seu pai, Ramsés, o novo faraó, jurou retomar Kadesh.
No quinto ano de seu reinado, Ramsés decidiu reconquistar a estratégica cidade hitita à frente de um exército de 20 mil homens, dividido em quatro partes, cada um com um nome de um deus, Amon, Rá, Ptah e Seth. Durante a batalha, o soberano se adiantou na frente de seu exército e levou a divisão de Amon. 
Ramsés II e seus homens foram surpreendidos pelo exército Hitita comandado pelo rei Mouwattali com 40 mil guerreiros . Graças à pronta chegada dos reforços que acompanhavam as forças principais por outra rota, o faraó conseguiu salvar-se, reorganizando as divisões e fazendo os hititas recuarem.
A batalha de Kadesh não teve vencido ou vencedor, e o norte da Síria continuou sob domínio hitita, com os quais o faraó envolveu-se em novo choques posteriormente.
O tratado definitivo entre egípcios e hititas só foi concluído no 34° ano do reinado de Ramsés, já no reinado do rei hitita Hattusil III, irmão de Mouwattali que se apoderou do trono expulsando o filho do antigo soberano. Pelo tratado, Ramsés teve que desposar a filha mais velha do astuto usurpador para selar a nova amizade.
Nessa época, o faraó já tinha como esposas a bela Nefertari e sua segunda esposa Istnofret, fora as mulheres do harém.
Após a batalha o faraó tratou de se promover. Foi elaborado um relato dramático sobre a batalha de Kadesh - exaltando a sua coragem e a intervenção de Amon-Rá para defendê-lo. Tal relato foi amplamente divulgado em templos (aparece 3 vezes no templo de Luxor), e em várias cópias em papiro (uma das versões foi compilada por um escriba que deu nome a composição: “poema de Pentaur”).
Para perpetuar essa "propaganda" maciça, Ramsés ordenou que fossem também feitas descrições da batalha nos templos em Abu Simbel ( A Montanha Pura).
Durante a construção dos dois templos em Abu Simbel , o Grande Templo, em homenagem a Ramsés, e o Pequeno Templo para a esposa Nefertari, centenas de operários tiveram que esculpir todo o templo na rocha de uma colina de arenito, um detalhe admirável, porque qualquer erro grave causaria o afundamento de toda a obra.
Desenhistas ficaram pendurados por andaimes para desenharem na rocha. Depois vieram os escavadores e esculpiram quatro estátuas colossais de Ramsés II. O santuário interno, escavado em uma sólida rocha, prolongando-se por 55 metros de profundidade, era o lugar mais sagrado do Grande Templo.
Nele, quatro estátuas, a do faraó e as de três deuses, estão sentadas. Duas vezes por ano, graças aos cálculos dos arquitetos, nos solstícios de verão, época da colheita, à medida que o Sol se levanta, seus raios brilham pelas paredes decoradas com as façanhas sangrentas da batalha de Kadesh e iluminam as estátuas divinas. A construção levou 20 anos.
O faraó construiu também outros templos afastados de qualquer cidade egípcia, mas que cruzavam o caminho dos estrangeiros. Sua intenção era mostrar a grandiosidade do Egito. Os templos ficam perto da margem do Nilo, ou seja quem subir o Nilo irá ver as estátuas do rei do Egito em seu trono. Ramsés só criou esses templos e outras obras como uma" propaganda" faraônica de seu poder.
Cada templo possuía o seu sacerdote designado pelo faraó que representava o rei nas cerimônias religiosas cotidianas. Em tese, o faraó deveria ser o único celebrante das cerimônias religiosas diárias que se desenrolavam nos diversos templos espalhados por todo o Egito. Na prática, o grão-sacerdote exercia esse papel. Para alcançar essa posição, tornava-se necessário uma longa educação nas artes e nas ciências, tal como o faraó possuía. Leitura, escrita, engenharia, aritmética, geometria, astronomia, medição de espaços, cálculo do tempo pela ascensão e ocaso das estrelas, faziam parte de tal aprendizado. Os sacerdotes de Heliópolis, por exemplo, tornaram-se guardiões dos conhecimentos sagrados e ganharam reputação de sábios.
Com o templo de Abu Simbel concluído, o faraó, então, levou sua amada esposa para admirá-los. Ele e Nefertari (sua esposa principal) eram mais que marido e mulher, ela era sua companheira inseparável que o ajudava a governar.
Mas para desespero do soberano ela morreu pouco depois. Para sua Nefertari construiu um dos mais lindos túmulos do Egito no Vale das Rainhas. E não deixou por menos para seus filhos, construindo um dos maiores túmulos do Egito no Vale dos Reis. Com sua querida esposa morta e com o passar dos pesados anos Ramsés mudou complemente seu jeito de governar. Ele parou de acompanhar seu exército em batalhas e a se dedicar em construir obras colossais. Passou o comando aos príncipes Ramsés e Khaemwaset, mas ambos morreram antes do pai tal como pelo menos dez outros filhos. Nessa ocasião, Merneptah, o filho mais novo de Istnofret, herdou o trono.
Ramsés morreu com aproximadamente 90 anos e gerou pelo menos 90 filhos. Quando estudaram a múmia de Ramsés, viram grandes problemas com seus dentes. Pode ser que tenha morrido por infecção. Sabe-se que nos seus últimos dias sofreu bastante.

Cleópatra


Cleópatra, a mais famosa rainha egípcia, governou no século I a.C., muito depois do apogeu egípcio. O país já havia sido invadido pelos persas (525 a.C.) e pelo exército greco-macedônio (332 a.C.). A rainha aliou-se ao Império Romano, mantendo relações amorosas com Júlio César e Marco Antônio.


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