A reprodução sexuada não ocorre apenas em animais. Ela também
está presente no ciclo de vida de outros seres vivos, como plantas,
fungos e protistas. Até em bactérias há processos que permitem a
troca de genes entre dois indivíduos.
A maioria das espécies de plantas pode apresentar flores em
pelo menos um momento de sua existência, ou seja, a maioria das
espécies vegetais é de angiospermas.
As angiospermas (do grego aggeîon = vaso, envoltório e sperma = semente) são o grupo de plantas com maior sucesso no ambiente terrestre. Além das sementes e da independência da água para a reprodução, elas também apresentam duas estruturas exclusivas que contribuíram muito para o seu êxito evolutivo: a flor e o fruto.
A FLOR
Flores são estruturas relacionadas à reprodução dessas espécies
de plantas. Após o florescimento, a flor origina um fruto com uma
ou mais sementes. Cada uma delas, ao germinar, poderá originar
uma nova planta dessa mesma espécie, isto é, um novo indivíduo.
Na flor estão as estruturas responsáveis pela reprodução dessas plantas.
Estames são as unidades que compõem a estrutura reprodutiva
masculina de uma flor. Um ou mais carpelos formam a estrutura
reprodutiva feminina.
Existem espécies de plantas cujas flores apresentam apenas os
carpelos e outras que apresentam apenas os estames. As primeiras
são flores femininas, e as outras, flores masculinas.
Em outras espécies, estames e carpelos aparecem juntos numa mesma flor.
Tais ocorrências vão depender da espécie da planta. Por exemplo,
a aboboreira e o chuchu são plantas que possuem flores com o sexo
separado. A mamona tem flores com os dois sexos.
REPRODUÇÃO
O ciclo de vida das angiospermas também apresenta duas gerações que se alternam. O esporófito é a fase duradoura, ou seja, é
a planta que vemos e que, quando adulta, produz flores. O gametófito é muito reduzido e se desenvolve dentro da flor.
As flores, órgãos envolvidos na reprodução sexuada das angiospermas, produzem gametas:
• os gametas femininos são chamados oosferas;
• os gametas masculinos são os núcleos espermáticos.
Os estames compõem a estrutura masculina de uma flor. Nas
extremidades dos estames, as anteras, formam-se os grãos de pólen,
dentro dos quais se encontram os núcleos espermáticos.
Um ou mais carpelos formam a estrutura feminina de uma flor.
A base dilatada de cada carpelo é o ovário, dentro do qual há um
ou mais óvulos.
No interior de cada óvulo encontra-se uma oosfera. Nas plantas,
o termo óvulo não designa o gameta feminino (que é a oosfera), mas
uma estrutura que o aloja.
A polinização
Os grãos de pólen são o “pozinho” que os estames das flores soltam e que você pode perceber ao manusear algumas flores e encostar
o dedo nos estames.
A polinização é o transporte de pólen das anteras para o estigma de uma flor. Nas angiospermas, ela pode ocorrer por meio do
vento, da água ou de animais, como moscas, abelhas, borboletas,
aves e morcegos. O conjunto de características de cada flor, como
perfume, cor, forma e tamanho, determina o tipo de polinizador.
Levados pelo vento, pela água, por insetos ou outros animais, os
grãos de pólen podem ser depositados no estigma, que é a parte
superior do carpelo. O estigma atingido pode ser da mesma planta
que produziu o pólen ou de outra planta (outro indivíduo) da mesma espécie. Quando o pólen se deposita no estigma, ocorre o que
chamamos de polinização da flor.
As flores do milho (Zea mays) não
são atrativas para animais.
A polinização é feita pelo vento.
Fertilização
Após a polinização, cresce um fino tubo a partir do grão de pólen,
denominado tubo polínico, que desce pelo carpelo adentro até atingir o óvulo.
O tubo polínico permite que o núcleo espermático, que estava
dentro do grão de pólen, chegue até o ovário e encontre a oosfera,
que está dentro de um óvulo. A junção de ambas as células é a fertilização, ou fecundação, que forma um novo indivíduo, o zigoto. Por
meio de divisões celulares, o zigoto sofre aumento do número de
células, transformando-se num embrião de planta.
Polinização por agentes físicos
A polinização por agentes físicos, como o vento ou a água,
depende muito do acaso, pois nem sempre o movimento desses
agentes ocorre em direção às flores.
Algumas adaptações aumentam as chances de sucesso:
• estigmas grandes, com ampla superfície para receber os
grãos de pólen;
• anteras apoiadas sobre hastes compridas e flexíveis, que
balançam com o vento e favorecem a dispersão do pólen;
• produção de grande quantidade de pólen;
• grãos de pólen com formato que facilita a flutuação no ar
ou na água.
Flores polinizadas pelo vento são, em geral, pequenas, pálidas, não emitem odor e não produzem néctar. O milho, o esporão-de-galo e a grama são alguns exemplos.
Polinização por animais
Os animais polinizadores procuram as flores em busca de
alimento, que pode ser o néctar, um líquido que contém açúcar e
se acumula na base da flor, ou os grãos de pólen. Esses alimentos são ricos em substâncias nutritivas.
Os grãos de pólen grudam no corpo do animal quando ele
visita a flor. Ao se deslocar para outra flor, ele transporta o pólen
até o estigma dessa outra flor e realiza a polinização. Assim, o
animal contribui para que sementes e frutos sejam formados.
As flores polinizadas por animais noturnos, como mariposas
e morcegos, em geral são brancas ou exibem cores pálidas e
emitem aroma forte no final do dia. Já as flores polinizadas por
abelhas e borboletas, animais de hábitos diurnos, geralmente
são coloridas e perfumadas.
Como o deslocamento dos polinizadores de uma flor para
outra não depende do acaso, as chances de sucesso da polinização por animais são maiores quando comparadas à polinização
por agentes físicos.
Acredita-se que essa relação de benefício mútuo entre as
plantas e seus polinizadores tenha sido um importante fator na
evolução das angiospermas, resultando na enorme diversidade
de espécies atualmente descritas, cada uma com suas flores
características.
Frutos e sementes
As angiospermas são encontradas em
quase todos os ambientes. Isso se deve, entre
outros motivos, ao fato de serem facilmente
dispersadas, sobretudo por causa dos frutos
e das sementes.
Os frutos e as sementes das angiospermas
começam a se desenvolver logo após a fecundação, a partir de estruturas femininas da flor.
Tanto o fruto como a semente podem ter
características que favorecem o fenômeno da
dispersão. Os frutos podem ser coloridos, suculentos e saborosos, por exemplo.
Ao se alimentar dos frutos da amoreira (gênero Morus),
a raposa-vermelha (Vulpes vulpes) atua na dispersão das
sementes.
Depois da polinização e da fertilização ocorre uma série de eventos que faz, em muitos casos, o ovário se transformar num fruto,
dentro do qual há uma ou mais sementes.
Cada semente contém um embrião, que veio de uma oosfera
fertilizada por um núcleo espermático.
Além do embrião, a semente contém uma reserva nutritiva que
será usada pelo embrião durante o início de seu desenvolvimento,
que ocorrerá quando a semente germinar.
O fruto
As principais funções do fruto são proteger a semente e pro
mover sua dispersão, ou seja, favorecer o transporte da semente para longe da planta-mãe.
O fruto se forma a partir do desenvolvimento do ovário da flor
após a fecundação. Durante esse desenvolvimento, a parede do
ovário torna-se mais espessa e passa a ser chamada pericarpo.
O pericarpo é dividido em três partes: epicarpo, que é o revestimento
externo do fruto; mesocarpo, que é a camada intermediária; endocarpo, que
corresponde à camada mais interna, que fica em contato com a semente.
Em algumas espécies, o mesocarpo é carnoso e serve de alimento para
animais.
Os frutos apresentam enorme variedade de formas e tipos.
De modo geral, eles podem ser classificados em carnosos e
em secos.
Os frutos carnosos apresentam mesocarpo macio e suculento; em geral, são nutritivos e saborosos. Exemplos: manga,
goiaba, abacate e laranja.
Os frutos secos não são macios ou suculentos, e costumam ser duros e fibrosos. Exemplos: a vagem
do amendoim e o fruto da castanheira-do-pará.
Em alguns casos, o fruto pode ser a única fonte de alimento
de determinado animal. Assim, caso a planta entre em extinção,
essa espécie de animal também tende a desaparecer.
A semente
A semente tem origem no desenvolvimento de um óvulo após
a fecundação. Ela é formada pelo embrião, por uma reserva nutritiva e pela casca.
O embrião é formado por um eixo e por uma ou duas folhas
embrionárias chamadas cotilédones. Os cotilédones estão relacionados com a nutrição do embrião.
A casca é a parte mais externa e protege a semente enquanto esta não germina. As reservas nutritivas garantem a energia
e as substâncias necessárias para que ocorra a germinação.
A germinação é o processo em que o embrião rompe o envoltório da semente e começa a se desenvolver em contato com
o ambiente.
A maioria das sementes contém pouca umidade em seus tecidos, o que praticamente interrompe o metabolismo. Nesse período, geralmente a semente amadurece e pode ser transporta
da para longe da planta que a originou. Ela não germina até que
absorva certa quantidade de água do ambiente, o que possibilita
a retomada do crescimento do embrião ou a germinação. Esse
processo também depende de vários fatores, como temperatura, luminosidade e disponibilidade de gás oxigênio.
A resposta das sementes a esses e outros fatores depende
de cada espécie. Algumas, como a alface e outras ervas, germinam apenas se estiverem expostas à luz. Para outras espécies,
porém, a luz não interfere na germinação. Temperaturas abaixo
de 5 °C ou acima de 45 °C impedem a germinação das sementes
da maioria das espécies.
Existem sementes que, mesmo sob condições favoráveis,
não germinam: são sementes que se encontram dormentes e
podem permanecer nesse estado por muitos anos. Em algumas
espécies, a dormência é interrompida quando a semente é alterada de alguma maneira, por exemplo, se é lavada ou tem sua
superfície raspada.
Durante a germinação, a planta jovem utiliza as reservas nutritivas da semente para crescer e desenvolver raízes, caule e folhas,
até ser capaz de produzir o próprio alimento pela fotossíntese.
A dispersão das sementes
Uma das principais funções do fruto é promover a dispersão
das sementes. Os frutos podem ser transportados pelo vento,
pela água ou por animais. As características dos frutos facilitam
esse transporte.
Alguns frutos, por exemplo, têm apêndices em forma de asa
ou semelhantes a fiapos de algodão, o que facilita sua dispersão
pelo vento. Outros, como o coco-da-baía, têm estrutura fibrosa,
que os ajuda a flutuar na água de rios e mares. A água, portanto,
é o agente dispersor dessas plantas.
Os frutos carnosos geralmente são coloridos e perfumados.
Dessa forma, eles atraem animais que os utilizam como alimento. As sementes também são engolidas pelos animais e podem
ser eliminadas com as fezes, muitas vezes longe da planta-mãe.
Em certos casos, os animais transportam os frutos acidentalmente. É o que acontece com os diversos tipos de carrapicho,
frutos que têm espinhos ou produzem uma substância pegajosa
e, assim, grudam nos pelos ou nas penas dos animais. Em algum momento esse fruto se desprende, geralmente longe da
planta que o originou.
Frutos carnosos, como o sapoti (Manilkara zapota), atraem
diversos animais, como os tucanos (Ramphastos toco). As
sementes são eliminadas com as fezes do animal.
DIVERSIDADE DE ANGIOSPERMAS
Atualmente, há cerca de 300 mil espécies de angiospermas
vivas e descritas pela ciência. Elas estão distribuídas em vários
grupos, mas a maioria pertence a apenas dois deles: monocotiledôneas e eudicotiledôneas.
Monocotiledôneas
As sementes das monocotiledôneas (do grego mono = um)
têm apenas um cotilédone, daí o nome desse grupo. Outras características desse grupo são as raízes fasciculadas, sem um
eixo principal, e as nervuras das folhas – prolongamentos dos
vasos condutores de seiva – que são dispostas paralelamente
umas às outras. As partes das flores, como as pétalas e os estames, costumam ocorrer em múltiplos de três.
Cerca de 60 mil espécies de monocotiledôneas já foram descritas. Entre as mais conhecidas, estão o milho, a cebola, o arroz, a banana, o lírio e as orquídeas.
Eudicotiledôneas
Nas eudicotiledôneas, as sementes têm dois cotilédones. As
raízes são axiais, ou seja, é possível identificar um eixo principal, de onde partem ramos laterais. As nervuras das folhas são
ramificadas. As partes das flores ocorrem em número de 4 ou 5,
ou múltiplos desses números.
Cerca de três quartos das espécies de angiospermas descritas são eudicotiledôneas. A laranjeira, a roseira, a castanheira,
a jabuticabeira e a margarida são alguns exemplos de espécies
desse grupo.