Desde o nascimento, o ser humano apresenta características sexuais externas e internas. As características sexuais externas são chamadas características sexuais primárias.
O período de transição entre a infância e a vida adulta é chamado de adolescência.
A palavra adolescência vem do latim adolescere, que significa “brotar”,
“crescer”. Antes de prosseguirmos, porém, devemos ter em mente que
adolescência é diferente de puberdade. Quando falamos de puberdade,
estamos nos referindo ao conjunto de transformações físicas que meninas e meninos sofrem e que os preparam para a idade adulta. A puberdade marca o início da adolescência.
A adolescência é o conjunto das modificações físicas
e das alterações comportamentais e emocionais que
ocorrem no período entre a infância e a vida adulta.
Mas quando ela inicia? O marco inicial da adolescência
está relacionado com o início da puberdade, período
em que os hormônios desencadeiam várias mudanças
corporais.
A entrada na adolescência ocorre de maneira lenta e gradual, variando muito entre as pessoas, e não tem um tempo determinado para começar ou terminar. É uma fase geralmente caracterizada por dúvidas e conflitos.
O conceito atribuído à adolescência é bastante amplo e envolve não apenas transformações físicas e fisiológicas, mas também comportamentais, influenciadas por elementos culturais que variam nas diversas sociedades e sofrem mudanças com o passar do tempo.
Até a Idade Média, não existia sequer o conceito de infância: as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Foi só a partir da instituição
da escola – a cargo da Igreja – que se passou a considerar a infância uma
fase diferente da idade adulta.
A adolescência só começou a ser percebida como tal bem mais tarde,
entre os séculos XIX e XX, com o desenvolvimento da Psicologia, que passou a estudar os aspectos emocionais associados às mudanças físicas
iniciadas na puberdade. Em 1904, o psicólogo estadunidense G. Stanley Hall publicou o livro Adolescence, no qual descrevia uma fase da vida que
se estendia dos 12 aos 18 anos de idade, e que incluía mudanças físicas e
a maturação emocional que a elas se seguia. Essa obra foi importante por
propor que a transição emocional entre a infância e a idade adulta durava
mais do que se pensava.
Desde que o adolescente passou a ser visto como tal, os desafios que
ele enfrenta são profundamente marcados por sua época. Em geral, os
pais têm experiências de adolescência bem diversas das dos filhos. Hoje,
os desafios enfrentados pelo adolescente estão relacionados à manutenção de sua individualidade diante de uma sociedade voltada para o consumo: tecnológico, cultural, de identidade. É importante se sentir parte de
uma “tribo”, um grupo com cujos ideais se possa identificar.
A boa notícia é que hoje, mais do que em qualquer outra época, o adolescente tem a seu alcance informação de qualidade, seja na família, seja
na escola, seja em outras instituições das quais ele possa vir a fazer parte (igreja, clube, etc.).
Na adolescência passamos por questões que envolvem ora a vida adulta,
ora a vida infantil: há necessidade da liberdade e da responsabilidade do mundo dos adultos, mas ainda existe o medo de deixar a infância e assumir riscos.
Sentimos necessidade de nos diferenciar, de construir a própria identidade, diferente da identidade dos pais e da família, mas existem conflitos sobre como
conviver com algumas diferenças apresentadas por outras pessoas ou outros
grupos de adolescentes.
Durante a adolescência ocorrem mudanças físicas e fisiológicas, responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos do sistema genital e pelo aparecimento
de diferenças mais acentuadas entre os sexos, as chamadas características
sexuais secundárias, que caracterizam a puberdade.
A puberdade indica que o organismo em breve estará apto para a reprodução.
É uma fase da adolescência que se manifesta de maneira diferente nos
meninos e nas meninas. O seu início pode variar muito de uma pessoa para
outra, podendo ocorrer, em média, entre os 9 e os 15 anos para o sexo feminino
e entre os 10 e os 14 anos para o sexo masculino.
A puberdade pode iniciar entre 8 e 14 anos e terminar
entre 18 e 21 anos de idade. Isso varia de uma pessoa para
a outra dependendo de diversos fatores, como características genéticas e hábitos de vida (por exemplo, alimentação,
sono e prática de atividades físicas).
Durante a puberdade, as glândulas sudoríferas passam a produzir mais suor,
cujo odor pode se intensificar. Além disso, a grande produção de hormônios estimula as glândulas sebáceas da pele (que produzem substâncias gordurosas),
tornando a pele e os cabelos mais oleosos.
A maior oleosidade da pele favorece o aparecimento de cravos e espinhas.
Deve-se manter a pele limpa e não se deve espremer espinhas e cravos, para
não espalhar a infecção. Com o tempo, as espinhas costumam desaparecer;
mas, se persistirem ou piorarem muito, é aconselhável consultar um dermatologista.
A acne é a formação de muitas espinhas, causada pela proliferação de
bactérias nas glândulas sebáceas, que provocam uma inflamação no local.
É a partir da puberdade que o corpo se torna apto à realização de mais
uma função: a reprodução. Cresce, assim, a responsabilidade pelos atos
praticados, pois ter filhos deve ser uma decisão bem planejada. Conhecer
o próprio corpo e como ele funciona ajuda a entender melhor como somos
e a tomar decisões mais conscientes.
Cada pessoa tem um jeito
próprio de se desenvolver e é bastante comum encontrar diferenças no desenvolvimento de adolescentes da mesma idade.
A adolescência não tem um período demarcado de início e término,
porque engloba, além das transformações físicas da puberdade, o desenvolvimento emocional e social do jovem.
A definição de adolescência também sofre influência do momento
histórico e do contexto social e cultural de uma comunidade. Por isso,
a adolescência pode ser interpretada de maneiras diferentes quanto à
aquisição de autonomia, responsabilidades e outros aspectos.
Diferentemente dos outros animais, o amadurecimento sexual nos seres
humanos é marcado por questões de natureza cultural e psicológica e não
apenas biológica. As mudanças que ocorrem no corpo e a interação com outras
pessoas podem trazer sentimentos muitas vezes contraditórios.
No Brasil, a legislação considera que uma pessoa é adulta a partir
dos 18 anos de idade. No entanto, na cultura de alguns povos indígenas
brasileiros, por exemplo, um jovem com idade próxima dos 12 ou 13 anos
costuma passar por um ritual de passagem de fase e já começa a desempenhar tarefas de adultos.
Diversidade sexual: respeito acima de tudo
A sexualidade humana difere da
dos outros animais por envolver aspectos que vão além dos biológicos,
envolvendo também dimensões sociais e psicológicas.
A necessidade de corresponder a
um padrão de comportamento social
já levou e ainda leva várias pessoas
a muito sofrimento, por não se sentirem aceitas pelos grupos sociais (es
cola, família, igreja, clube social, etc.)
dos quais fazem parte. No entanto, aos poucos, a sociedade contemporânea tem assumido
que existem diversas formas de expressão da sexualidade humana e todas elas devem ser
igualmente respeitadas, não existindo um padrão de comportamento que deva ser seguido
por todos.
Gradativamente estamos substituindo o conceito de normalidade pelo conceito de pluralidade. Nesse processo de transição que vivemos, é comum termos muitas dúvidas, sentirmos medo e vergonha de expor nossos sentimentos e presenciamos, ainda, atitudes de
discriminação, muitas vezes de maneira violenta.
Infelizmente, no Brasil, a discriminação e o
preconceito têm sido apontados como algumas das principais causas de evasão (abandono)
escolar por jovens que se sentem alvo de preconceito e discriminação por expressarem sua
sexualidade de uma forma diversa da da maioria, embora a Constituição brasileira vede qual
quer tipo de discriminação.
Os diferentes significados da puberdade
A importância e o significado da puberdade dependem da cultura
de cada povo. Em algumas sociedades, ela marca a passagem da infância
para a vida adulta.
Entre os indígenas brasileiros do povo Kalapalo, por
exemplo, há um ritual de passagem para as meninas que têm sua primeira menstruação. Elas são afastadas da aldeia e permanecem isoladas
em um cômodo construído por seus pais especialmente para esse fim e,
depois de um ano e meio a três anos, retornam ao convívio dos demais.
A menina passa então a ser considerada mulher e está pronta para
viver na comunidade. Outros povos indígenas têm diferentes rituais de
passagem para a idade adulta, tanto para meninas quanto para meninos.
O papel dos hormônios
Hormônios são substâncias produzidas por glândulas do organismo e
que percorrem o corpo por meio do sangue, atuando nos órgãos e controlando o funcionamento deles. São vários os tipos de hormônios produzidos
no corpo humano, mas vamos nos restringir aos hormônios sexuais.
Na puberdade, a glândula hipófise começa a produzir as gonadotropinas
(ou gonadotrofinas), hormônios que vão atuar sobre as gônadas – órgãos
onde são formadas as células destinadas à reprodução sexuada: os gametas.
As gonadotropinas são o hormônio folículo estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH).
Na infância, as gônadas não produzem gametas,
mas, no início da puberdade, estimuladas por esses hormônios, começam a desempenhar essa função. As gônadas femininas chamam-se
ovários e as masculinas, testículos.
O ovário libera uma célula chamada ovócito II, que pode ser fecundada
pelo gameta masculino, o espermatozoide. Nesse caso, quando o espermatozoide começa a penetrar o ovócito II, este completa sua diferenciação
em óvulo e, logo em seguida, há a união dos núcleos do espermatozoide
e do óvulo, dando origem ao zigoto. Tem início, a partir desse momento, o
desenvolvimento do embrião.
O processo de formação dos espermatozoides completa-se nos testículos. O espermatozoide é alongado e móvel, apresentando duas regiões: a cabeça e a cauda. A cabeça contém enzimas responsáveis
pelo processo de penetração no ovócito II. A cauda é responsável pelo
deslocamento da célula em meio líquido.
As gonadotropinas, além de estimular a produção de gametas, estimulam
também as gônadas a produzirem os hormônios sexuais: a testosterona,
no sexo masculino; os estrógenos e a progesterona, no sexo feminino.
São os hormônios sexuais que desencadeiam o aparecimento das características físicas típicas dos sexos feminino e masculino, chamadas
características sexuais secundárias. Esses hormônios sexuais também
estimulam a produção de gametas.
No sexo masculino, a produção de gonadotropinas não varia muito com
o tempo.
O sexo feminino, no entanto, apresenta um ciclo de produção de gonadotropinas que participa do ciclo menstrual. Em cada ciclo, em geral,
ocorre a liberação de apenas um ovócito II. Além disso, a produção de
gonadotropinas cessa quando a mulher atinge, aproximadamente, 50 a
55 anos, o que caracteriza a entrada na menopausa: a mulher não tem
mais ciclos menstruais e não
produz mais gametas.